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EUA dizem ter provas sobre uso de sarin na Síria

As provas teriam vindo de fontes dos EUA e não dos inspetores da ONU
As provas teriam vindo de fontes dos EUA e não dos inspetores da ONU

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse neste domingo que os Estados Unidos têm provas de que o agente químico nervoso sarin foi usado em um ataque mortal em Damasco no mês passado.

Kerry disse que amostras de cabelo e sangue, reunidas após o ataque de 21 de agosto, “testaram positivas para o uso de sarin” .

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu ataques punitivos contra a Síria, mas quer o aval do Congresso antes.

A Síria rejeitou o atraso e disse que estava pronta para qualquer ataque.

Especialistas da ONU estiveram na Síria coletando provas para determinar se armas químicas foram utilizadas em diversas ocasiões.

O maior, e mais mortal ataque ocorreu no dia 21 de agosto, no leste de Damasco. Os Estados Unidos dizem que mais de 1.400 pessoas foram mortas.

Washington acusa o governo sírio, dizendo que só ele tem a capacidade de lançar um ataque.

Kerry deu a entender que as evidências que os Estados Unidos têm foram fornecidas por suas próprias fontes, e não pelos inspetores da ONU.

Eles disse que ao programa da NBC Meet the Press que “o caso está sendo construído e será concluído”.

Os Estados Unidos já haviam falado de evidências similares do uso do sarin em outros ataques.

Kerry também disse estar confiante de que o Congresso vai dar sua aprovação para o lançamento de um ataque contra a Síria depois de se reunir novamente no dia 9 de setembro.

O vice ministro das Relações Exteriores da Síria disse que a decisão de Obama de adiar o ataque até que ocorra uma votação no Congresso era apenas “uma manobra política e midiática ” .

Ele disse também que a Síria “ainda está” preparada para qualquer ataque.

O presidente do comitê de segurança do Parlalmento sírio, Ibrahim Mahmoud, disse à BBC que “os nossos aliados ofereceram sua assistência integral, mas não precisamos de ninguém para lutar nossas batalhas” .

O jornal estatal sírio Al-Thawra disse que a decisão de Obama foi “o início da histórica retirada americana”.

Fonte: BBC Brasil

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Defesa Humor

Humor: Putin Trollando…

humor

 

Sugestão: Cinquini

Tradução:

Netanyahu

Hey, não dê a Síria os S 300

Putin

Absolutamente

Putin

Hey Serguei envie para a Síria os  S 400 agora…

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Defesa Sistemas de Armas

RELAÇÃO DOS 15 MAIORES NAVIOS DE GUERRA DO MUNDO EM 2013

Nessa relação postada no Youtube, a contar do US Nimitz, o NAe São Paulo A 12 aparece em 7º lugar.
 NAes-Comparação
Las armadas mas poderosas del mundo.

Este ranking está basado en:

1º El estudio de las capacidades de alta mar. La guerra de minas y la defensa costera.

2º Datos de las marinas.

3º En la fuerza de escolta, en la capacidad antiaérea. Destaco la capacidad AEGIS de países aliados de los americanos y la capacidad del SA-N-6 ruso.

Me parece de una importancia vital destacar la capacidad de estos sistemas para interceptar un ataque de misiles de crucero, hacer control de tráfico aéreo y, quizás en el futuro cercano, la interceptación de un ataque de misiles balísticos y el uso de este sistema de combate en la guerra espacial antisatélite.

4º En el aprovisionamiento logístico, únicamente en el aprovisionamiento de combustible en alta mar. Entiendo que el aprovisionamiento de sólidos, munición, etc, se puede realizar con la marina civil (el caso inglés en la guerra de las Malvinas),. en petroleros militares de la capacidad de proyección oceánica y la importancia que tiene ésta en el orden de batalla de una armada.

5º En la fuerza submarina entre SSBN (misiles balísticos), SSN (propulsión nuclear) y SS (motor diesel-eléctrico). más importancia a la capacidad nuclear submarina por motivos evidentes.

6º Poder aéreo y fuerza submarina puntúan triple.

7º Este ránking en ningún caso indica quién le ganaría la guerra a quién, ya que en combate entran en juego muchos factores que aquí no aparecen reseñados (otras armas, experiencia de combate, si los buques los fabrica o no el propio país, antigüedad de la flota, presencia de bases en el exterior, etc).

TOP 15 BIGEST WARSHIPS IN THE WORLD 2013

Nimitz class carrier (USA);

Admiral Kuznetsov-class aircraft carrier (Russia);

Chinese aircraft carrier Liaoning (China);

INS Vikramaditya (India);

Charles de Gaulle Carrier (France);

Wasp Class (USA);

Nae Sao Paulo (Brazil);

Cavour carrier (Italy);

Juan Carlos I – Camberra class (Spain – Australia);

Viraat carrier (India);

Invincible class (UK);

Ocean class (UK);

Mistral class (France);

Hyuga class (Japan); and

Dokdo class (south Korea)

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RELAÇÃO DOS 15 MAIORES NAVIOS DE GUERRA DO MUNDO EM 2013 (TOP 15 BIGEST WARSHIPS IN THE WORLD 2013)

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Conflitos Geopolítica

ALEA JACTA EST!: ATAQUE À SÍRIA ACONTECERÁ MESMO SEM AVAL DO CONGRESSO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Caesar-crossing-the-rubicon“John Kerry, secretário de Estado dos Estados Unidos, afirmou neste domingo (1º/09/2013) que o país atacará a Síria mesmo sem o aval do Congresso.
“O presidente fez sua escolha primeiro e a anunciou. Sua decisão é que ele acredita que os Estados Unidos devem fazer uma ação militar para deter Assad de usar suas armas. Essa é a sua decisão. Ele tem o direito de fazer, não importa o que o Congresso faça”, disse Kerry.
Em entrevista o canal norte-americano CNN, Kerry disse ainda que foi confirmado o uso de gás sarin pela Síria nos ataques a civis do país, apesar de o regime sírio desmentir.
A maioria dos norte-americanos não querem que os EUA façam uma intervenção na Síria.”
Ataque à Síria acontecerá mesmo sem aval do Congresso, dizem Estados Unidos

John Kerry, secretário de Estado dos Estados Unidos, afirmou neste domingo (1º/09/2013) que o país atacará a Síria mesmo sem o aval do Congresso. Em entrevista o canal norte-americano CNN, Kerry disse ainda que foi confirmado o uso de gás sarin pela Síria nos ataques a civis do país, apesar de o regime sírio desmentir.

A descoberta foi feita depois de o governo americano ter acesso a amostras de sangue e de cabelo doadas por socorristas de Damasco dasvítimas do ataque, no qual segundo os EUA morreram 1.429 pessoas, “deram positivo” para exposição ao sarin, detalhou Kerry.

“Achamos que o caso (contra a Síria) é poderoso e continua crescendo a cada dia”, disse o chefe da diplomacia americana, que se mostrou convencido de que o Congresso dará ao presidente Barack Obama a autorização solicitada para uma ação militar contra o regime de Bashar al Assad.

O gás sarin é uma substância tóxica que afeta o sistema nervoso e causa lesões semelhantes a queimaduras pelo corpo. Seu uso é vetado pela comunidade internacional.

A prova recolhida a revelia da ONU “reforça o apelo do presidente Barack Obama por uma ação militar”, disse Kerry.

“O presidente fez sua escolha primeiro e a anunciou. Sua decisão é que ele acredita que os Estados Unidos devem fazer uma ação militar para deter Assad de usar suas armas. Essa é a sua decisão. Ele tem o direito de fazer, não importa o que o Congresso faça”, disse Kerry.

O secretário disse ainda que a administração de Obama trabalha para ganhar apoio entre os legisladores.

Uma missão da ONU foi à Síria para investigar o uso de armas químicas. A equipe de inspeção, liderada pelo cientista sueco Åke Sellström, permaneceu no país entre os dias 18 e 30 de agosto, quando os inspetores partiram para a Holanda com amostras que serão analisadas pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), localizada em Haia. A ONU não informou sobre qualquer resultado das amostras.

Neste domingo, o jornal britânico “Le Journal du Dimanche”, afirmou que os serviços franceses de inteligência têm provas de que o regime sírio de Bashar Assad possui mil toneladas de armas químicas e agentes tóxicos entre gás sarin, mostarda e VX, e que utilizou esse tipo de arsenal no dia 21 de agosto.

Ontem, Obama anunciou que decidiu pela ação militar no país, mas que esperaria o aval do Congresso, que deve votar sobre o caso depois de voltar do recesso em 9 de setembro.

A ação militar dos EUA seria uma retaliação ao governo sírio, acusado de usar armas químicas contra civis no país. Obama falou que o episódio foi o “pior ataque químico do século 21”.

A Síria vive uma guerra civil desde 2011, entre grupos rebeldes e forças do governo, que causou um enorme êxodo do país, com milhões de refugiados, e mais de 100 mil pessoas mortas.

“Estou confiante que o governo fará o que tiver que ser feito”, disse Obama. “Que mensagem nós daremos se não fizermos nada?”

Obama disse ainda no sábado que o país “não pode fechar os olhos para o que está acontecendo em Damasco” e que ele não foi eleito para “evitar decisões difíceis”.

O presidente citou que as imagens divulgadas de pessoas queimadas, as quais chamou de ‘terríveis’, foram um “insulto a dignidade humana”.

Logo após o pronunciamento de Obama, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse que “entende e apoia” a decisão do presidente dos Estados Unidos.

Na quinta-feira, Cameron teve que desistir de participar dessa operação militar após perder uma votação no Parlamento.

Uma pesquisa divulgada neste domingo pelo jornal britânico “The Observer”, mostrou que aproximadamente 60% dos cidadãos do Reino Unido são contrários à participação de seu país em um possível ataque à Síria.

Antes do anúncio, legisladores dos EUA já pressionavam o presidente por mais informações, e muitos expressavam reservas sobre o custo e o impacto dos potenciais ataques.

O anúncio acontece um dia depois de a Casa Branca divulgar um relatório no qual aponta o regime de Damasco responsável pelo ataque com armas químicas em 21 de agosto, que matou pelo menos 1.429 civis, sendo um terço deles crianças.

A maioria dos norte-americanos não querem que os EUA façam uma intervenção na Síria. Uma pesquisa Reuters/Ipsos feita nesta semana mostrou que apenas 20 por cento acreditam que o país deveria tomar uma ação, isso ante nove por cento uma semana antes. (Com agências internacionais)

Fonte: UOL 

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Conflitos Geopolítica

Wikileaks: EUA têm planos para derrubar Assad desde 2006

Sugestão: Barca

Documento da diplomacia norte-americana aponta quais as fragilidades a serem aproveitadas para tirar presidente sírio do poder

Ao anunciar, na tarde deste sábado (31/08), que autorizava a realização da intervenção militar na Síria, o presidente norte-americano, Barack Obama, colocou em prática um plano antigo de seu país. A ideia de uma ação do gênero contra o governo do presidente Bashar Al Assad já tinha sido planejada durante o mandato de George W. Bush, ainda em 2006, conforme mostram documentos vazados pelo site Wikileaks.

Segundo o telegrama datado de 13 de dezembro de 2006, redigido pelo diplomata William Roebuck, “o regime sírio terminava 2006 mais forte domesticamente do que em dezembro de 2005”. Para o diplomata, o governo Assad era sustentado por uma pequena “claque”, imune às pressões externas e internas sofridas pelo líder sírio.

Leia mais: Ataque à Síria não depende de relatório da ONU, mas de apoio do Congresso, anuncia Obama

Porém, “a crescente confiança de Assad e o apoio desse pequeno grupo de poder poderiam levar o mandatário sírio a fazer más avaliações e cometer erros por conta das reações emocionais diante de desafios”. O diplomata cita o assassinato do ex-premiê libanês Hariri e a criação da Frente de Salvação Nacional como exemplos da reação irracional de Assad diante das crises. Segundo Roebuck, essa instabilidade emocional de Assad deveria ser explorada pelos EUA.

Assad demonstrava preocupação em como era percebido no exterior e se havia confiança no seu processo de tomada de decisões. Para os diplomatas norte-americanos sediados em Damasco, as fraquezas de Assad residiam em como o líder sírio lidava com ameaças iminentes – fossem elas hipotéticas ou reais. Entre essas ameaças, estavam o conflito entre as reformas econômicas e a corrupção, a questão curda e o relacionamento com os radicais islâmicos no país.

Leia mais: Missão da ONU não tem condição de definir quem fez ataque químico na Síria, diz perito

De acordo com os diplomatas, havia uma oportunidade para explorar essas fragilidades de Assad e, assim, conseguir influenciar o círculo ao redor do mandatário sírio. A ideia era reverter o cenário da época: economia relativamente estável, oposição fraca e intimidada, e um cenário regional do Oriente Médio condizente com os interesses da Síria. O principal foco das ações para desestabilizar a presidência de Assad envolviam as tensões entre a Síria e o Líbano, “a inexperiência de Assad e o fato de que o círculo de pessoas de confiança do ditador sírio era muito pequeno”.

O envolvimento da Síria no assassinato de Hariri e o constrangimento internacional causado pelo caso colocavam a reputação do país em questão. A divergência dentro do governo Assad sobre qual a melhor forma de influenciar o Líbano e o caso Hariri deveriam ser a principal instabilidade a ser explorada seja pela diplomacia ou por  “outros meios indiretos” O relatório Mehlis, conduzido pela ONU e que acusava a Síria de ter atrapalhado as investigações do caso Hariri, “causava angústia em Assad”.

Irã

Roebuck também menciona a aproximação de Assad com o Irã e como isso seria percebido dentro do mundo árabe como uma vulnerabilidade a ser explorada. “Assad caminha numa linha fina ao se aproximar do Irã sem que isso feche as portas para o relacionamento com outros vizinhos sunitas”, explica Roebuck. Os EUA deveriam explorar o medo sunita da crescente influência iraniana e xiita na Síria. O diplomata recomenda um “esforço coordenado com os governos de Arábia Saudita e Egito” para enfraquecer os xiitas e Assad.

O sectarismo e a corrupção são outras das brechas enxergadas por Roebuck para derrubar Assad do poder. Segundo a avaliação norte-americana, o poder é dominado pela família Assad e, em menor grau, pelos Makhluf, clã materno do presidente. As discussões sobre corrupção e suborno fazem com que a família Assad não seja imune a conspirações contra o governo. “Várias pessoas íntimas do regime cogitam como seria a Síria pós-Bashar Assad”, afirma o diplomata norte-americano”.

Agência Efe

Reunião entre Assad e outros dirigentes sírios com líderes iranianos, neste domingo (01/09)

Ou seja, a ideia da diplomacia norte-americana era impor sanções e assim explorar a “lavagem de roupa suja dentro do regime Assad”. Segundo Roebuck, a Frente Nacional de Salvação da Síria sabia onde estavam os “esqueletos do armário” de Assad. Apoiar a FNS ajudaria a divulgar a corrupção e causar fissuras no governo sírio.

Também seria explorada a ideia de que a Síria estaria sendo usada como base para ação de grupos terroristas como a Al Qaeda. No entanto, até mesmo o governo sírio se considera vítima desses grupos. Esse argumento deveria ser usado para demonstrar a instabilidade dentro da Síria. Assad sobreviveu quase 7 anos a essas “instabilidades”. Barack Obama parece empenhado em ajudar na sua queda a partir de agora.

Fonte: Operamundi

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Brasil Geopolítica Negócios e serviços Opinião

Embaixador Carlos Cozendey fala de BRICS, G20 e relações Brasil-Rússia

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Embaixador Carlos Cozendey, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda

O Embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda e nome de destaque nas relações do Brasil com os mais importantes organismos da política e da economia do mundo, concedeu entrevista ao programa Voz da Rússia, falando dos BRICS, do G20 e das relações bilaterais russo-brasileiras.

O Embaixador Cozendey fez comentários sobre a participação dos países BRICS no Fundo Monetário Internacional; a criação do Banco de Desenvolvimento do grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul; o que os brasileiros e os russos podem fazer para incrementar o comércio bilateral; e os preparativos para a reunião de cúpula dos BRICS em Fortaleza, em março de 2014.

O economista, diplomata e professor Carlos Cozendey foi diretor do Departamento Econômico do Itamaraty e representante do Brasil em missões junto à Organização Mundial do Comércio, à Rodada de Doha, ao G8, ao Mercosul, à União Europeia, à ALCA, à ALADI e ao GATT, entre outros.

A seguir, a íntegra da entrevista, concedida ao jornalista Alexander Kasnov.

Voz da Rússia – Embaixador Carlos Cozendey, o senhor voltou recentemente da reunião dos ministros dos países do G20. De acordo com a imprensa, há uma profunda decepção dos países em desenvolvimento com a lentidão do cumprimento do acordo sobre o aumento da participação dessas nações – aí se incluindo os BRICS – na administração do Fundo Monetário Internacional. Com muitos milhões de dólares já investidos, a questão da participação dos BRICS na administração do FMI continua sem solução. Como o senhor vê essa situação?

Carlos Cozendey – Realmente é um motivo de grande decepção para os países dos BRICS em geral, países em desenvolvimento para o Brasil em particular, que nós não tenhamos podido dar prosseguimento às reformas que foram previstas em 2010. Em 2010, em Seul, o G20 acordou e depois o FMI confirmou uma modificação da distribuição de cotas no Fundo e uma ampliação nos recursos do Fundo Monetário. Essa reforma tinha essa parte que foi aprovada lá e que teria que ser ratificada pelos países até outubro do ano passado, e ela também prometia que se faria uma nova reforma até janeiro de 2014, portanto proximamente. Só que a reforma de 2010 que deveria ter sido aprovada até outubro do ano passado não foi aprovada, basicamente ela está pendente de aprovação no Congresso americano, e com isso, na prática, as negociações na nova rodada de reformas ficaram até agora paralisadas. Então, originalmente havia alguma expectativa de ter resultados importantes no G20 este ano sobre esse assunto, mas essas perspectivas no momento estão muito reduzidas.

VR – Em paralelo à mencionada reunião do G20, os ministros dos BRICS concordaram que na cúpula dos BRICS de Fortaleza, em março de 2014, será concretizada a criação do Banco de Desenvolvimento do grupo, com capital de US$ 50 milhões e fundo de reserva de US$ 100 milhões. Como seria a participação do Brasil no projeto?

CC – Essa é uma negociação que está acontecendo nesse momento, nós estamos ainda discutindo ainda os pontos básicos do que deveria constar no convênio constitutivo do Banco. O objetivo é efetivamente ver se no início do ano que vem em Fortaleza é possível já assinar o convênio constitutivo dessa nova instituição financeira multilateral. Claro que nós ainda estamos no começo das negociações, não podemos afirmar que vai ser possível assinar, mas é o esforço que nós estamos fazendo. A posição do Brasil é de que seja um banco de desenvolvimento voltado para financiamento de infraestrutura e de projetos de desenvolvimento sustentáveis nos países do BRICS e também em outros países em desenvolvimento, obviamente com alguma relação com os países que sejam membros do banco. O banco inicialmente vai ter como membros só os países BRICS e depois eventualmente vai ser aberto para a participação de outros países. A nossa ideia é que ele seja um banco bastante eficiente, voltado para projetos. Ele não seria, por exemplo, como o Banco Mundial, que tem algumas funções de pesquisa, de análise e de assessoria econômica. Seria mais voltado mesmo para projetos nas áreas de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

VR – E em Fortaleza já podemos esperar algo concreto?

CC – O objetivo, e certamente o objetivo do Brasil, é que tanto no caso do Banco quanto no caso do Fundo de Reserva seja possível em Fortaleza assinar os documentos tratados que criarão ou estabelecerão toda a forma de funcionamento do Banco e do Fundo de Reserva, mas é uma coisa que, como a negociação ainda está em andamento, eu não tenho como afirmar que vai acontecer.

VR – A mídia internacional vem noticiando a diminuição das economias dos BRICS na economia global, e, em consequência, a saída de investidores estrangeiros dos países do grupo. Como o senhor analisa a situação e as perspectivas dos países BRICS em curto e médio prazos, particularmente a Rússia e o Brasil?

CC – Na realidade esses países têm crescido menos do que nos anos anteriores, mas ainda estão crescendo mais do que os países desenvolvidos. Portanto, a participação deles na economia mundial não está se reduzindo. Ela continua aumentando, mas não no mesmo ritmo de antes. Em relação aos investidores, aí a gente tem que diferenciar os investimentos de curto prazo, que são mais voláteis e dependem das últimas notícias financeiras que sejam divulgadas, dos investimentos mais permanentes, investimentos diretos, investimentos produtivos, e nesse campo, pelo menos no caso do Brasil, eu não conheço em detalhe a situação de todos os países BRICS. Mas certamente no caso do Brasil os investimentos estrangeiros diretos este ano continuam bastante elevados, mais ou menos no mesmo ritmo elevado do ano passado, em que o Brasil, se não me engano, foi o terceiro a receber mais investimentos diretos no mundo.

VR – Aparentemente, as relações econômicas entre os países do Mercosul também não estão passando por seu melhor momento, e, sendo membro do Mercosul, o Brasil tem certas limitações nos acordos bilaterais com outros países fora do grupo. Essa situação influi de alguma maneira nas relações comerciais com outros países do grupo BRICS, especialmente com a Rússia?

CC – Eu acho que não. Se tem algum impacto é em termos de negociações. Hoje, no caso dos BRICS, o Brasil tem acordos comerciais específicos, ou seja, acordos que reduzem tarifas com a Índia e com a África do Sul. Mas são acordos relativamente limitados, e existe aí um processo para aprofundamento desses acordos. No caso da Rússia, nós não temos nenhuma iniciativa de negociação, de acordo multilateral de preferência, então a relação comercial hoje depende para crescer, para se desenvolver, muito mais de um esforço bilateral que passa por toda a área de promoção comercial, realização de missões empresariais, para que nós possamos diversificar o comércio do Brasil com a Rússia, que ainda é muito pouco concentrado em poucas mercadorias nas duas direções.

VR – A Voz da Rússia está fazendo uma série de entrevistas com empresários, economistas e executivos do Brasil e da Rússia, tentando obter respostas para a questão do que os dois países têm que fazer para aumentar significativamente o valor do comércio bilateral nos próximos anos? Qual é o seu pensamento a respeito?

CC – É uma pauta bilateral ainda muito concentrada em poucos produtos. O Brasil exporta para a Rússia principalmente produtos básicos – açúcar, carnes –, e na realidade tanto o Brasil como a Rússia têm indústrias que são capazes de exportar outros produtos de interesse de outros setores. É uma questão, eu tenho a impressão, de pouco conhecimento mútuo dos setores empresariais, e que precisaria ser, talvez, incentivada pelos governos em termos de uma ação mais enfática na área de promoção comercial. As situações regionais de cada um desses países implicam em que naturalmente a Rússia tenha um contato comercial muito mais intenso com os países europeus, que estão mais próximos. Assim como o Brasil, por exemplo, no comércio de exportação de manufaturas, exporta mais para os países aqui da América do Sul. Mas acho que, com o crescimento do contato, que tem havido inclusive no âmbito dos BRICS, é uma boa oportunidade para que os empresários se interessem mais e se conheçam e identifiquem as oportunidades.

VR – Como está indo a preparação para a reunião de cúpula dos BRICS em Fortaleza, em março de 2014?

CC – Aqui no Ministério da Fazenda nós nos ocupamos mais especificamente desses dois processos, a negociação sobre o Banco e a negociação sobre o Fundo de Reserva. Da cúpula como um todo, obviamente, são as chancelarias que se dedicam mais a montar a agenda completa. Então, não conheço muito o resto da agenda. Mas nesses dois assuntos o nosso esforço vai ser para concluir esses acordos até lá.

VR – Para finalizar, o senhor poderia falar da expectativa do Brasil para o encontro do G20 em São Petersburgo?

CC – Posso falar de uma maneira bem genérica. Obviamente o encontro de cúpula do G20 é sempre um momento importante, onde os líderes se reúnem para discutir a situação da economia internacional. Nesse momento, como a gente sabe, da perspectiva dos BRICS e do Brasil, tem havido uma certa volatilidade em relação ao câmbios e alguns ativos, em função dos sinais de que os Estados Unidos estariam revertendo a sua política econômica. Eu acredito que esse vai ser um dos temas discutidos lá.

 

Fonte: Diário da Rússia

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Conflitos Geopolítica História

1º de setembro de 1939: Alemanha invade a Polônia – Começa a Segunda Guerra Mundial

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Adolf Hitler saudando a Wehrmacht após a invasão alemã em Varsóvia, 5 de outubro de 1939

A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, havia perdido seus territórios ultramarinos, a Alsácia Lorena e parte da Prússia. As altas indenizações impostas pelos Aliados causaram o colapso da moeda e desemprego em massa, fatores que, explorados pelos nazistas, contribuíram para o fortalecimento de Hitler no poder (assumido em 1933).

As relações entre a Alemanha e a Polônia já eram tensas desde a República de Weimar. Nenhum governo do Reich nem partido alemão concordava com a nova delimitação da fronteira leste do país (com um corredor polonês, neutro, separando o país da Prússia Oriental), imposta no Tratado de Versalhes.

Ambicionando as matérias-primas da Romênia, do Cáucaso, da Sibéria e da Ucrânia, Hitler começou a expansão para o Leste. Embora as potências ocidentais temessem o perigo nazista, permitiram seu crescimento como forma de bloqueio ao avanço comunista soviético.

Conquistas passo a passo

Em 1935, a Alemanha havia reiniciado a produção de armamentos e restabelecido o serviço militar obrigatório, contrariando o Tratado de Versalhes. Ao mesmo tempo, aproximou-se da Itália fascista de Benito Mussolini; de Francisco Franco, na Espanha; do Japão; e anexou a Áustria, em 1938, com a visível concordância dos austríacos.

No ano seguinte, com a conivência da França e da Inglaterra, incorporou a região dos sudetos, que abrigava minorias alemãs, na antiga Tchecoslováquia. Por fim, aproveitou o ceticismo ocidental em relação à União Soviética e assinou com Josef Stálin um acordo de não agressão e neutralidade de cinco anos.

Estava aberto o caminho para atacar a Polônia, exigindo a devolução da zona conhecida por “corredor polonês” e do porto de Danzig (neutra, a atual Gdansk).

Diante da negativa da Polônia em ceder Gdansk, as tropas alemãs invadiram o país em 1º de setembro de 1939 e travaram uma guerra-relâmpago (Blitzkrieg) com a frágil resistência local. Dois dias depois, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha, fazendo eclodir a Segunda Guerra Mundial.

 

Fonte: DW.DE

 

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Destaques Geopolítica Negócios e serviços Opinião

Rússia mudou de ideia quanto a reviver a URSS

elitefon

Fiódor Lukianov

As claras medidas comerciais de Moscou contra a Ucrânia, e a reunião excepcionalmente calorosa entre os presidentes da Rússia e do Azerbaijão em Baku mostram que o Kremlin pós-soviético pretende continuar a jogar duro. Quanto mais perto da cúpula Parceria Oriental, em Vilnius (na Lituânia), na qual Kiev e Erevan devem assinar acordos para estreitar laços institucionais com a União Europeia, mais a Rússia deixa explícito que esse passo vai operar uma mudança nas relações entre Moscou e esses países.

Embora a Rússia, ao contrário da União Europeia, nunca tenha levantado oficialmente a questão em forma da condição “uma coisa ou outra” (os europeus sempre batem na mesma tecla, exigindo a escolha entre a integração com eles ou com a Rússia) e fale sempre da complementaridade de projetos, é claro que ela quer que o acerto não dê em nada. O paradoxo da situação é que, no grau de prioridade dos principais jogadores, o espaço pós-soviético já há muito desceu na escala. O pico da atividade geopolítica e econômica com os países da ex-União Soviética se deu em meados e durante a segunda metade da década de 2000. Agora, a situação mudou.

Os Estados Unidos estão se focando no que lhes interessa. A “comunidade estratégica” americana, um tanto estupefata pelo desenvolvimento caótico dos acontecimentos no mundo, inicia o debate sobre as prioridades para a próxima década. A busca por uma liderança universal e onipresença global já é, provavelmente, coisa do passado. Há que escolher prioridades e custa a acreditar que a Ucrânia e a Geórgia consigam recuperar aos olhos de Washington a importância que tiveram cinco ou sete anos atrás. O interesse pela Ásia Central também não é ilimitado, especialmente depois da retirada do Afeganistão.

A União Europeia não pretende nem se expandir, nem gastar recursos significativos chamando para si as nações a leste das suas fronteiras atuais.

Talvez, finalmente, a Rússia seja provavelmente o caso mais interessante. A sua prioridade oficial é o fortalecimento da União Aduaneira e, com base nela, a criação da União Econômica da Eurásia. Para esse fim está orientada a sua política externa e econômica e a participação do projeto é apresentada a todos os países da ex-União Soviética. A Ucrânia está recebendo uma dica por demais evidente do quanto ela vai perder caso assine o acordo de livre comércio com a UE, e a Armênia está sendo alertada de que até estas relações estreitas não permanecerão intactas em caso de um acordo de associação com o bloco dos países europeus. A Moldávia, que deverá rubricar um acordo com a UE, também é lembrada de que ainda tem chances de interessar à Rússia.

O paradoxo é que Moscou propriamente dita ainda não sabe bem que projeto de cooperação precisa. Em comparação com os eventos de cinco anos atrás, o desejo a todo o custo de integrar o maior número possível de ex-repúblicas soviéticas enfraqueceu. Mais precisamente, o valor a priori da integração em si deu lugar ao cálculo financeiro. O que é vantajoso e o que não é? O que vale e o que não vale a pena? Irão ou não os custos ser maiores que os benefícios?

Mesmo a questão com a Ucrânia, cuja integração numa eventual União Aduaneira, ao que parece, ninguém questiona, não é tão simples. Existe o risco de Kiev, que em qualquer fusão terá uma postura obstrucionista, se batendo ferozmente pela negociação de cada detalhe, venha a paralisar a união. Garantir a segurança dos países da Ásia Central e, ainda mais, chamá-los a participarem em alianças com a Rússia provoca oscilações.

Em primeiro lugar, há a questão do preço, cujo sinal evidente foi a hesitação de Moscou em intervir no Quirguistão em 2010. Em segundo lugar, deve haver cuidado com a opinião pública, que está cada vez mais inclinada a construir muros e não portas de abertura do mercado de trabalho para os cidadãos dos países membros da União da Eurásia, especialmente se nela entram os países da Ásia Central.

Quanto ao Cáucaso do Sul, tanto a Geórgia como o Azerbaijão estão fora deste debate, porque, por várias razões, nem Tbilisi nem Baku vão entrar em projetos russos. No que diz respeito à Armênia, ela não pode realisticamente integrar o que quer que seja, nem a leste nem a oeste. E não por causa da rivalidade geopolítica dos países grandes, mas devido ao isolamento real em que se encontra. Mas Erevan não tem, nem terá, outras garantias de segurança física que não da Rússia. Será justo dizer que a Rússia não tem como se livrar da Armênia, uma vez que parece não haver em vista para Moscou nenhum outro aliado de referência no Cáucaso do Sul (que é uma região importante, quanto mais não seja por causa da existência do Cáucaso do Norte).

A Rússia está em um estado de transição e isso se aplica a todos os aspectos da sua política. A era pós-soviética já terminou, mas ainda não se sabe como vai ser a nova era. O caminho se determina pelo método da tentativa e do erro.

No que diz respeito aos países vizinhos, por enquanto se optou pela tática da retenção da expectativa. Moscou gostaria de manter todos em suspense, como num estado temporário, até conseguir formular o que realmente quer.

Os problemas internos de seus vizinhos e potenciais clientes no Ocidente (ou Oriente) facilitam a tarefa; ninguém pretende assumir custos e riscos graves por Ucrânia, Armênia e Tajiquistão. No entanto, se este intervalo de reflexão da Rússia se prolongar por muito mais tempo, o vácuo começará a ser preenchido sem ela, apenas pelas leis da natureza.

Fiódor Lukianov é editor-chefe da revista “A Rússia na Política Global”

 

Fonte: Gazeta Russa

 

 

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Conflitos Geopolítica Opinião

“Obama e Cameron subiram na árvore e não sabem como descer” – Bashar al-Jaafari

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O embaixador da Síria na ONU, Bashar al-Jaafari, afirmou neste sábado que o presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro inglês, David Cameron, “subiram no topo da árvore e agora não sabem como descer”, informou a agência Sana. A declaração do embaixador faz referência ao ataque iminente à Síria, adiado graças à rejeição do parlamento britânico para a intervenção e ao anúncio feito por Obama neste sábado, afirmando que os Estados Unidos estão prontos para atacar o país, mas que buscará o apoio do Congresso americano.

Obama afirmou que vai pedir autorização do Congresso apesar de dispor de amplos poderes legais para tomar uma ação militar – atitude que defendeu no discurso de hoje. Ele já havia deixado claro que acredita que os Estados Unidos devem fazer algo para responsabilizar a administração síria pelo suposto ataque com armas químicas que teria sido levado a cabo pelo governo de Bashar al-Assad. No entanto, legisladores expressaram reservas sobre o custo e o impacto dos potenciais ataques, e o presidente afirmou que o apoio é importante para a democracia americana. A intervenção defendida pelo presidente americano ocorre porque o uso de armas químicas “representa um perigo à segurança nacional” e é “um assalto à dignidade humana”, nas palavras de Obama.

“Vou pedir autorização para o uso da força aos representantes da população americana no Congresso. Teremos debate e votação quando o Congresso retornar ao trabalho (no dia 9 de setembro, após recesso)”, disse o presidente americano em um pronunciamento no Jardim da Casa Branca acompanhado do vice-presidente, Joe Biden. “Estamos preparados para atacar quando quisermos”, disse o democrata.

Na quinta-feira, a Câmara dos Comuns do Reino Unido rejeitou a proposta preliminar do governo Cameron que abriria caminho para uma ação militar na Síria. A moção do governo a favor da ação militar na Síria foi derrotada pelos deputados por 285 votos contra e 272 a favor após mais de sete horas de deliberação. “Ficou claro para mim que o Parlamento britânico não quer ver uma ação militar britânica (na Síria). Eu compreendo isso, e agirei de modo a respeitar esta decisão”, disse Cameron logo após o anúncio do resultado, acatando o voto dos colegas.

 

Fonte: Terra

Síria qualifica decisão de Obama de “recuo histórico americano”

A Síria saudou o “recuo histórico norte-americano”, neste domingo, depois que o presidente Barack Obama atrasou um ataque militar iminente, decidindo consultar o Congresso.

Como Obama recuou no último minuto, a França afirmou que não poderia agir sozinha para punir o presidente Bashar al-Assad por um ataque com armas químicas, tornando-se o último país ocidental aliado a repensar o bombardeio à Síria.

“Obama anunciou ontem, diretamente ou através de implicação, o início de um recuo histórico norte-americano”, afirmou o jornal oficial da Síria al-Thawra em um editorial de primeira página.

O presidente dos Estados Unidos disse no sábado que iria buscar o consentimento do Congresso antes de tomar uma ação militar contra Damasco –motivada pelo ataque de 21 de agosto, em que as forças de Assad são acusadas–, uma decisão que deve atrasar qualquer ataque em ao menos nove dias.

O vice-ministro de Relações Exteriores sírio, Faisal Mekdad, condenou qualquer movimento ocidental armado contra seu governo. “A decisão de entrar em guerra com a Síria é uma decisão criminosa e uma decisão incorreta. Estamos confiantes que seremos vitoriosos”, disse ele a repórteres diante de um hotel em Damasco.

No entanto, a coalizão de oposição da Síria pediu neste domingo ao Congresso dos Estados Unidos que autorize uma ação militar e disse que qualquer intervenção deve ser acompanhada de mais armas para os rebeldes.

Obama fez o anúncio-surpresa em um jogo que vai testar sua habilidade de projetar a força americana no exterior e de exercer seu poder em casa.

Antes de se colocar o pé no freio, o caminho tinha sido liberado para um ataque dos Estados Unidos. Navios da Marinha estão na região aguardando ordens para lançar mísseis, e os inspetores da ONU deixaram a Síria depois de reunir provas de um ataque com armas químicas que as autoridades norte-americanas afirmam ter matado 1.429 pessoas em áreas controladas pelos rebeldes.

REUTERS

 

Fonte: Terra

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Conflitos Geopolítica Opinião

Intervenção estrangeira divide até a oposição síria

Arleighburke

Tomahawk  sendo lançado do USS Sterett (DDG 104)

Embora concordem sobre a necessidade da derrubada de Assad, oposicionistas discordam sobre os reais benefícios de um ataque bélico no momento. Há temores de que ação cause o alastramento do conflito para toda a região.

Para a Coalizão Nacional Síria, logo ficou claro quem eram os responsáveis pelo ataque com gás venenoso da semana passada. No mesmo dia do incidente, a maior aliança de oposição ao ditador Bashar al-Assad comunicava, em sua página na internet, que o regime estava por trás da atrocidade.

Com palavras duras, os autores do texto apelavam à comunidade internacional para que finalmente interviesse no conflito. “Apelamos com urgência ao Conselho de Segurança para que condene imediatamente os crimes de Assad e para que publique uma resolução baseada no capítulo VII da Carta da ONU, dedicado à preservação da paz e segurança.”

A Coalizão Nacional fundamentava sua denúncia através dos numerosos testemunhos a que afirma ter tido acesso logo após o ataque. Além disso, apresenta indícios políticos. “O quanto de desconfiança em relação à oposição é necessário para se chegar a pensar, com toda seriedade, que ela mataria seus próprios simpatizantes e apoiadores existentes na população destes distritos?”, ironiza o porta-voz do Conselho Nacional Sírio na Alemanha, Sadiq al-Mousslie, grupo integrante da coalizão.

Mousslie reconhece que na Síria também estão ativos grupos extremistas que não são integrados à oposição regular, mas considera altamente improvável que eles tenham realizado um ataque com armas químicas contra o povo sírio.

“Caso isso tivesse mesmo acontecido, os responsáveis teriam que contar com uma reação extremamente dura da oposição real síria. O Exército Livre Sírio não toleraria tal coisa”, diz.

Expectativas

“Os Estados ocidentais, como defensores dos direitos humanos e da liberdade, poderiam punir o regime de Bashar al-Assad e seus auxiliares pelo massacre e pelo ataque químico da semana passada”, sugere, em entrevista à DW, Monzer Makhous, embaixador da Coalizão Nacional na França. Na avaliação dele, a ação militar é uma opção cabível.

Makhous admite, no entanto, que a alternativa enfrentaria sérias dificuldades diplomáticas. Ele ressalta que nem China nem Rússia concordariam jamais com uma resolução correspondente no Conselho de Segurança da ONU.

“Mas o regime de Assad cometeu, através do uso de gás venenoso, uma grave violação do direito internacional. E isso permitiria aos países dispostos a lançarem uma ação contra Assad a agirem mesmo sem uma decisão do Conselho de Segurança da ONU”, opina.

O opositor sírio destaca, ainda, que a ONU reconhece o princípio da “responsabilidade de proteger”. “Ele obriga os atores internacionais a atacarem, caso necessário, se um governo comete graves violações dos direitos humanos contra seus próprios cidadãos”, argumenta.

Riscos

Uma intervenção militar também beneficiaria estrategicamente a Coalizão Nacional. “O regime de Assad é claramente superior à oposição em termos de equipamento bélico”, comenta o porta-voz da Coalizão Nacional, Hisham Marwah, lembrando que o governo sírio recebe fornecimentos regulares de armas, principalmente da Rússia e do Irã, enquanto a oposição não possui apoio comparável. “Nós simplesmente não conseguimos armas suficientes.”

E nem todos os grupos dentro da oposição síria são a favor da intervenção militar estrangeira. O Comitê Nacional de Coordenação Síria para a Mudança Democrática é veementemente contra. Seu porta-voz, Haytham Manna, observou, em uma entrevista à agência de notícias United Press International, que as armas químicas vieram de fabricantes locais. A Aliança também criticou a concentração das atenções sobre as vítimas do ataque químico, lembrando que 100 mil sírios que já morreram no conflito.

Uma coisa é certa: uma intervenção militar seria arriscada. O jornal árabe editado em Londres Al Hayat chamou a atenção nesta semana para as incertezas que podem estar associadas a uma intervenção. No caso de um ataque, Damasco pode disparar foguetes contra Israel, desafiando o país vizinho a retaliar. Ao mesmo tempo, o regime de Assad poderia disparar mísseis contra a Jordânia e a Turquia, membro da Otan.

Além disso, é uma incógnita como reagiria o Irã, um dos principais aliados de Assad. O grupo radical libanês Hisbolá também poderia apontar seus mísseis contra Israel, para, em seguida, se preparar para uma guerra que a organização não pode vencer. E a segurança das tropas da ONU presentes no sul do Líbano também seria comprometida.

Sadiq al-Mousslie também reconhece os perigos de uma ação militar. No entanto, o porta-voz do Conselho Nacional Sírio adverte: “Se esperarmos mais, surgirão novos riscos da mesma forma.”

 

Fonte: DW.DE

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Defesa Opinião Sistemas de Armas Tecnologia

Rússia: Projeto para um caça de 6ª geração

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Víktor Litóvkin

Às vésperas da abertura do Salão Internacional de Aeronáutica e Espaço Maks-2013 em Moscou, o ex-comandante da FAR (Força Aérea Russa) Peter Dejnékin afirmou que a Rússia começou os trabalhos de desenvolvimento de um avião de caça de 6ª geração. Sem divulgar suas especificações técnicas nem a data de sua apresentação, o general disse que o novo veículo aéreo não será tripulado.

As revelações do general são ainda mais relevantes pelo fato de a Rússia ter apresentado de uma só vez três aviões de caça de quinta geração T-50 nesta edição do Maks. Assim, o país demonstrou que não está atrasado em tecnologias em relação aos EUA e seu F-22 e pode assumir a liderança mundial nessa área.

O caça avançado T-50 havia sido exibido pela primeira vez em 2011. Nesta edição do Maks,  três T-50 executaram acrobacias aéreas, incluindo os famosos Sino e Cobra, que nenhum outro avião de caça do mundo pode executar.

O T-50, previsto para ser adotado pela FAR em 2016, é o avião mais moderno da Rússia com a tecnologia stealth, um radar inteligente altamente sensível, armas de alta precisão, supermanobrabilidade e aviônicos supermodernos. Por tudo isso, se distingue radicalmente dos aviões de caça de 4ª geração. Nesse contexto, as declarações sobre um avião de 6ª geração são, certamente, otimistas, mas infundadas, pois ainda não se sabe quais exigências serão feitas pelos militares à uma aeronave do tipo.

Nuances

Para os especialistas do Pentágono, um avião de combate de 6ª geração deve ser praticamente invisível, possuir supermanobrabilidade, desenvolver uma velocidade de mais de Mach 5 e ser dirigido opcionalmente por uma tripulação ou robô.

Guívi Janjgava, engenheiro-chefe do Centro de Desenvolvimento em Tecnologias Eletrônicas de Ramenscoe, na região de Moscou, conhecido por ter construído os aviônicos para o Su-30, Su-35 e T-50, compartilha a opinião de que o futuro da aviação militar está no veículo aéreo não tripulado. Para Jangjava, muitos dos elementos de um veículo aéreo não tripulado de 6ª geração já foram criados na Rússia e são usados pelos novos aviões de combate russos.

Mas a questão é saber se vale a pena continuar avançando nesse sentido. Jangjava concorda que colocar um robô ao volante de um avião é mais prático do que um ser humano. O treinamento de pilotos leva anos e custa milhões de dólares. A perda de um piloto é um problema sério para a Força Aérea. Além disso, o piloto pode ficar doente, ter dificuldades psicológicas e, no final das contas, ser incapaz de cumprir a missão. Já o robô pode agir em quaisquer circunstâncias. Mas será que é isso mesmo?

Segundo o diretor dos programas de veículos aéreos não tripulados do consórcio Vega, Arkádi Siroejka, o calcanhar de Aquiles de todas as aeronaves não tripuladas é o de que não é possível fazer ajustes ao programa de voo conforme a mudança da situação durante sua missão. A preparação do robô norte-americano MQ-1 Predator para uma missão leva vários meses. Se, durante a missão, algo não estiver dando certo, o robô será trazido de volta à base. Meses de trabalho de centenas de pessoas serão desperdiçados e a missão acabará descumprida. Já o piloto-chefe da corporação Mig, Mikhail Beliaev, acredita que, ao contrário do robô, um piloto é capaz de não só avaliar adequadamente a situação mas também tomar decisões necessárias ao cumprimento de sua missão e cumpri-la.

Velocidade hipersônica

Até recentemente, a velocidade hipersônica era vista como um dos principais elementos de aeronaves do futuro. Todavia, falando em um encontro com jornalistas sobre o projeto de um novo bombardeiro avançado russo, o comandante da FAR, Víktor Bôndirev, disse, para surpresa de muitos, que o novo avião será subsônico. Isso quando muitos peritos consideram que o novo avião deve ser hipersônico, já que o atual bombardeiro estratégico russo Tu-160 atua a velocidade superiores a 2.000 km/h e pode executar missões no espaço circunterrestre.

O porquê da FAR querer uma aeronave subsônica é simples. Em primeiro lugar, ela é mais barata do que uma aeronave supersônica e muito mais barata do que uma aeronave hipersônica. Além disso, hoje em dia, um bombardeiro moderno não precisa cruzar as fronteiras de seu país para atacar alvos no outro hemisfério. Pode fazer isso com mísseis de cruzeiro de longo alcance. A mesma tendência, aliás, é observada na aviação de caça. O F-22 tem elevada capacidade de manobra, mas, se precisar atacar um alvo, irá usar mísseis em vez de canhões para não entrar em contato com aviões inimigos e não invadir a área de ação da defesa antiaérea inimiga.

Sem adversário digno

As discussões entre os engenheiros e os pilotos mostram que ninguém sabe, até agora, como deve ser o avião de caça de 6ª geração. O mesmo aconteceu na hora de se decidir sobre o caça de 5ª geração. O F-22 foi criado quando a Guerra Fria estava no auge e as duas potências se preparavam para destruir totalmente uma à outra, competindo entre si em tecnologias. No entanto, o primeiro Raptor viu a luz do dia quando os governos de Moscou e de Washington decidiram que eram “parceiros” e que não haveria nenhuma guerra global entre os dois países.

Como resultado, a carteira de encomendas do F-22 foi cortada em dois terços. O Ministério da Defesa russo também não pretende comprar muitos T-50, dando preferência aos aviões “velhos”, tecnologicamente “ensaiados”, de geração “4 + +”, o Su-35 e MiG- 35, compreensíveis em termos de emprego. Uma tendência semelhante se verifica também na Força Aérea dos EUA.

Para iniciar os trabalhos no avião de sexta geração deve haver um adversário adequado. Esse pode ser um novo avião de caça chinês, que supere em performance o F-22 e T-50, ou um disco voador de invasores alienígenas. Tanto uma coisa como outra são pouco prováveis. Portanto, é pouco provável que Moscou ou Washington comecem a construir um avião que ainda não tem adversários dignos no mundo e, portanto, não tem missões a cumprir, e aloquem para tanto enormes verbas.

 

Fonte: Gazeta Russa

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Conflitos História

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA: “ A MISSÃO DE TIRADENTES ERA EXECUTAR O GOVERNADOR DE MINAS”.

Professor Kenneth Maxwell, que participa do Festival de História em DiamantinaENTREVISTA COM O BRASILIANISTA KENNETH MAXWELL, FUNDADOR DO PROGRAMA DE ESTUDOS DO BRASIL DA UNIVERSIDADE DE HARVARD.

Preâmbulo, por Gérsio Mutti

Caros Editores e Comentaristas do blog Plano Brasil, pode ser alguém esteja se perguntando, baseado em que tal afirmação ocorre a presente entrevista?

Não custa lembrar, que Kenneth Maxwell  é cidadão britânico à frente da cátedra “Programa de Estudos do Brasil” em Harvard; e que à época de Tiradentes, a Inglaterra, uma senhora de respeito no cenário europeu, já se fazia aos mares na ampliação do seu poderio militar marítimo com as Companhia das Índias Ocidental  e da Companhia das Índias Oriental , onde o ápice desse poderio escravocrata como mão de obra ocorrera no Século XVII, século no qual houve o advento da Revolução Industrial  promovida, também  pela Inglaterra, mediante a introdução da máquina à vapor no Século XVIII .

Esse presente estudo do Professor Maxwell reflete a percepção britânica, acerca do mundo luso no geral e do Brasil, no particular, de acordo com a  malha de informações amealhadas pelo Império Britânico em todo o mundo, desde séculos passados; e que agora no presente tópico está sendo liberada para firmar, ou impor,  via o Professor Maxwell, mais uma vez, a posição anglo-saxã na historiografia geopolítica brasileira.

Conhecemos o ditado:  “Quem pode, pode, quem não pode se sacode via “Jus Sperniandis .

Obrigado pela atenção!

‘A missão de Tiradentes era executar o governador de Minas’

Um dos mais importantes brasilianistas da atualidade, Kenneth Maxwell abre o 2º Festival de História, que começa no próximo dia 19/09/2013, em Diamantina

Fundador do Programa de Estudos do Brasil da Universidade de Harvard, o historiador Kenneth Maxwell é o grande destaque do Festival de História de Diamantina, que ocorre entre os dias 19 e 22 de setembro. A programação deste ano tem como eixo condutor a versão dos vencidos para significativos fatos da História nacional, e Maxwell falará sobre a Inconfidência Mineira, o papel de Tiradentes e sua relação com a Revolução Americana, dentro do contexto político internacional da época, um tema sobre o qual o historiador se dedica há quatro décadas.

Em sua palestra de abertura no festival, o senhor vai falar sobre a relação entre Tiradentes e os textos constitucionais americanos. Quais são os pontos em comum entre a Inconfidência e a Revolução Americana?

A conspiração de Minas foi o primeiro movimento anticolonial, republicano e constitucionalista das Américas depois do sucesso da revolução das colônias inglesas na América do Norte. A conspiração mineira ocorreu no fim de 1788, início de 1789. Em outras palavras, ela ocorreu antes da Revolução Francesa de 1789, bem como antes da revolta dos escravos no Haiti, a então colônia francesa de Santo Domingo, em 1792. A consequência é que a Inconfidência ocorreu numa cronologia muito especial. Entre 1776 e 1789 as autoridades portuguesas ficaram muito nervosas quando descobriram os textos constitucionais americanos, reunidos (no livro) “Recueil des Loix Constitutives de l’Etats-Unis”, em posse dos conspiradores mineiros e sendo debatidos por eles enquanto planejavam a revolta contra Portugal e discutiam a forma constitucional que teria a nação republicana que pretendiam estabelecer quando a revolta fosse bem-sucedida.

Como o senhor vê a figura de Tiradentes? Um líder real da revolta ou apenas uma marionete?

Tiradentes foi um líder crucial da revolta proposta. Sua tarefa era liderar o levante militar, prender o governador e executá-lo.

Como o livro com a Declaração da Independência dos EUA chegou a Minas Gerais? E por que ele chegou em uma versão francesa?

O “recueil” tinha sido trazido de Birmingham, na Inglaterra, por José Álvares Maciel. Ele o levou para Minas em 1788. Na verdade, existiam duas cópias do “recueil” em Minas, em 1788. A cópia trazida por Álvares Maciel e uma outra, de José Pereira Ribeiro. A cópia de Álvares Maciel é aquela que ficou conhecida como “o livro de Tiradentes”. Tiradentes tinha essa cópia com ele, no Rio de Janeiro. Logo depois de ser preso, em 10 de maio de 1789, ele a deu para um dos membros dos dragões da Independência, Xavier Machado, que a levou de volta para Vila Rica (atual Ouro Preto). É a cópia que se encontra hoje na coleção do Museu da Independência, em Ouro Preto. A outra cópia, aparentemente, foi destruída pelos conspiradores de Minas, antes de ser apreendida.

Qual a importância desse livro na Inconfidência Mineira?

Os conspiradores de Minas viram o sucesso da revolução americana e seus textos constitucionais como modelos do que eles queriam alcançar para o Brasil. O “recueil” foi publicado na França, em francês, em 1778, e foi dedicado a Benjamin Franklin. O livro contém os documentos constitucionais fundadores dos Estados Unidos da América (entre eles a Declaração de Independência propriamente dita e as constituições de seis dos 13 estados).

Qual a relação entre Thomas Jefferson, estudantes brasileiros na França e a Inconfidência Mineira?

Thomas Jefferson sucedeu (Benjamin) Franklin como enviado dos Estados Unidos na França. Em 1787, ele se encontrou, secretamente, com um estudante brasileiro da Universidade de Montpellier, em Nimes. Eles discutiram os planos de uma revolta contra Portugal, no Brasil. Jefferson relatou, em detalhes, a conversa a John Jay, secretário de correspondências secretas do Congresso. Os conspiradores de Minas também obtiveram um relato acurado sobre o que Jefferson disse em Nimes.

Na sua opinião, por que a Independência brasileira demorou tanto e acabou sendo feita pela monarquia?

Essa é uma história complicada. Mas, em resumo, depois do fracasso da conspiração de Minas e do medo do exemplo da rebelião de escravos no Haiti, muitos membros da monarquia acabaram se tornando mais cautelosos sobre os ideais republicanos. Ao mesmo tempo, lideranças portuguesas também se mexeram no sentido de conciliar tais ideais. Não foi um processo simples, mas quando a Corte portuguesa se mudou para o Rio, em 1808, teve início um período de consolidação das muitas instituições de um governo central. Isso teve um papel fundamental no estabelecimento da monarquia no Brasil e em sua continuidade até 1889.

Como o senhor vê o Brasil hoje, como uma das maiores economias do mundo, mas ainda lutando contra uma herança colonial significativa e uma grande desigualdade de renda?

Muito foi alcançado nas duas últimas décadas; isso é verdade e deve ser reconhecido: democratização, aumento das oportunidades para uma parcela crescente da população, a maior participação do Brasil no mundo, a internacionalização dos negócios e da mídia, mais comércio, sucesso nas artes, na cultura e nos esportes, a capacidade de mobilização do povo. Mas o legado da desigualdade permanece como um grande desafio. A despeito das novas tecnologias, das práticas políticas, da administração cotidiana, o país, por vezes, permanece atolado no passado e cativo de velhos padrões.

Fonte: O Globo