Defesa & Geopolítica

Opinião: Brasil não acompanha BRICs em inovação

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http://felix.ib.usp.br/biocombustiveis/spanish/Brasil_Carlos_Henrique_de_Brito_Cruz_2.JPGÉ possível criar um satélite a partir de conhecimentos medianos em qualquer área? Com esta pergunta, o diretor científico da maior Fundação de Amparo à Pesquisa do País, a Fapesp, Carlos Henrique de Brito, rebate a primeira pergunta da entrevista concedida ao iG, sobre o que falta para o Brasil desenvolver sua capacidade de inovação.

“Faltam investimentos do Estado, articulação nos centros de pesquisa e uma transformação cultural nas empresas brasileiras”, diz Brito.

Considerado por pesquisadores e executivos de grandes empresas que investem em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) como um ferrenho defensor da aplicação prática do conhecimento científico a serviço da sociedade, Brito acredita que é preciso mudar a cultura dos executivos brasileiros, que pecam pelo imediatismo no planejamento e na gestão da inovação. Ex-reitor da Unicamp, ele também não poupa críticas ao meio acadêmico, que, em sua opinião, precisa apostar em uma atuação mais abrangente, em vez de focar em apenas quatro ou cinca áreas de conhecimento.

Mas, ao contrário do que poderia parecer à primeira vista, Brito é bastante otimista ao avaliar o potencial brasileiro para gerar inovações em produtos e serviços. “O cenário hoje é muito melhor que há 10 anos. O País finalmente percebeu que a inovação é um fator determinante para o aumento de competitividade no cenário global”, diz.

Leia a entrevista com o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito.

Participação do Estado como investidor
O Brasil aplica hoje menos de 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em inovação, contra a média de 2,2% do integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em parte, essa diferença está associada ao fato de que o Estado é o principal investidor em outros países. Enquanto o Governo brasileiro investe menos de 0,4% do PIB, na OCDE esse percentual oscila em torno de 1,6%. E, em países mais competitivos, como a Coréia, o Estado aporta até 2% do PIB em inovação. O governo brasileiro precisa ampliar sua participação como investidor. É inegável que o Estado avançou nos estímulos à inovação. Mas, a velocidade precisa ser maior. Precisamos ser mais rápidos para acompanhar o progresso dos outros BRICs.


Legislação brasileira
Nossa legislação de incentivo à inovação não é a melhor, nem a pior do mundo. O que ocorre é que a enorme desconfiança que paira em torno do setor público no Brasil – sobretudo, quando há transferência de recursos para o setor privado – torna indispensável a criação de regras rígidas de controle para liberação do capital.  E, se por um lado, os mecanismos de regulação a que o setor público está sujeito geram barreiras, por outro, há a dificuldade enfrentada pelas empresas que não têm pesquisadores em seus quadros de entender as exigências dos editais. Esse descasamento gera a percepção de que não há recursos para se investir em inovação.


Cultura das empresas brasileiras
As empresas brasileiras estão aprendendo a conviver em um mundo no qual a inovação é determinante para o sucesso. Desde a abertura do mercado, na década de 90, a concorrência vem obrigando o empresariado a buscar soluções inovadoras, sem as quais a sobrevivência em um cenário de globalização não é possível. Parte desse movimento é visível quando se vê o aumento da importância das áreas corporativas de P&D. No entanto, ainda é preciso mudar a cultura em grande parte das companhias nacionais, que são incapazes de trabalhar com planejamentos de longo prazo. A maioria dos executivos tem uma visão imediatista dos negócios, o que é incompatível com o estímulo à inovação.


Comunidade científica no País
O Brasil precisa ter uma comunidade científica mais abrangente. Hoje, poucas áreas são cobertas. Existe uma concentração de estudos em alguns temas, como biotecnologia e tecnologia da informação. Também temos poucas universidades de classe internacional, o que afeta diretamente a qualidade dos recursos humanos que estamos formando no País. Enquanto nossos pesquisadores não se aproximarem das fronteiras do conhecimento – ou seja, do que há de mais moderno em estudo no mundo – será complicado dar um salto em ciências avançadas.


Vantagens competitivas do Brasil
A principal mudança observada nos últimos cinco anos, quando se avalia as áreas que mais atraem recursos de Pesquisa e Desenvolvimento, foi a inclusão do tema energia na discussão. Isso favorece muito o Brasil, que tem uma vasta biodiversidade a ser explorada e que dispõe de importantes pesquisas nessa linha. Basta lembrar que somos o único país a ter criado uma alternativa viável para substituir o combustível fóssil, projeto que é mais respeitado lá fora que aqui dentro. Além disso, temos a matriz energética mais limpa do mundo, com 46% de fontes renováveis.  Vale acrescentar ainda que a necessidade de se criar novas tecnologias para exploração do pré-sal deve elevar o nível de sofisticação das pesquisas científicas no Brasil. Por tudo isso, temos uma excelente oportunidade de dar um grande salto no estímulo à inovação.

Fonte:Último Segundo

2 Comments

  1. Esta questão é bem abrangente. No meu caso, atuo na construção civil fazendo projetos. E pesquiso e desenvolvo soluções para melhorar a moradia ou o local de trabalho de cada um. Mas isto esbarra na aceitação do empresário que só consegue aceitar o convencional – o que foi amplamente reproduzido. Mesmo que algo vá trazer benefícios, se sair fora do eixo-comum acaba encontrando forte resistencia. Infelizmente, parar quebra isto, você tem que mostrar que alguém fez aquilo lá fora – aí a retórica se “é estrangeiro é melhor”, acaba convencendo aqueles que não conseguem enxergar 2 palmos na frente dos olhos.
    A “cultura da inovação” no Brasil ainda tem um longo caminho para percorrer.

  2. Não se faz alianças estrategicas com nunhum pais sem forte dominio da geração e uso cienifico e tecnologico. Sem estes dominio de conhecimentos, de um dos lados. A relação se transforma em relação colonial. O programa FX-2 torna-se o marco desta questão para o futuro Brasil. Que é autonomia ou submissão aos intersses estrangeiros!

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