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Conflitos Geopolítica

França sente-se à deriva após um ano da presidência de Hollande

hollandeSucessor de Sarkozy enfrenta uma economia doente, a impopularidade recorde, tensões abertas com a Alemanha e divisões dentro de seu próprio Partido Socialista

NYT

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy (2007-2012) recentemente fez um discurso em uma conferência de telecomunicações em Montreal. “Sinto-me bem”, disse, sorrindo. “E quando observo aqueles que me sucederam, sinto-me ainda melhor.”

Para François Hollande, o homem que assumiu a presidência depois de Sarkozy em maio do ano passado, este foi um “ano terrível”, é o que diz o jornal de centro-esquerda Le Monde. O jornal dedicou uma seção inteira aos problemas do presidente, incluindo a economia doente, a impopularidade recorde, as tensões abertas com a Alemanha e as divisões dentro de seu próprio Partido Socialista.

AP

O presidente da França, François Hollande, é visto na frente do Palácio do Eliseu em Paris (10/05)

A ousada intervenção militar no Mali foi chamado de “exceção” para um presidente que é visto como agradável, mas pouco carismático e autoritário – leia-se “pouco presidenciável” – por muitos que o apoiaram há um ano. Em pesquisas de opinião, apenas um quarto dos franceses o vê favoravelmente.

Hollande “não manteve suas promessas de campanha para impulsionar o crescimento, criar empregos”, disse Shami Bashir, 26, em um escritório de desemprego nos subúrbios de Paris, onde buscava trabalho. “Você tem a impressão de que as coisas não podem piorar, mas então elas pioram.”

Amelie Donnini, 29, disse que Sarkozy “seria muito melhor em controlar a situação”, acrescentando: “Ele, pelo menos, tinha ombros largos. Hollande? Pfff.”

Após um ano de presidência Hollande, a França parece tropeçar, com os críticos falando de um despropósito amável, uma falta de direção e disciplina, de pequenos passos em direção a reforma econômica. O Partido Socialista, e mesmo alguns dos ministros do presidente, parecem trabalhar contra ele e suas políticas, e ainda não há nenhuma sanção óbvia dos dissidentes.

Até o presidente da Assembleia Nacional, Claude Bartolone, um socialista, pediu um “segundo fôlego” ao governo e um possível confronto com a Alemanha sobre as políticas de austeridade que priorizam a redução da dívida em vez do estímulo ao crescimento. Hollande chama isso de “tensão amigável” com a Alemanha, Bartolone disse ao Le Monde. “Para mim, é tensão apenas e, se necessário, um confronto.”

As tensões abertas com a Alemanha e a chanceler Angela Merkel, que está envolvida em uma campanha eleitoral que o governo francês espera claramente que ela perca para os social-democratas, tem sido um bom exemplo das dificuldades de Hollande – e seu estilo. Ele permitiu a alguns ministros criticar a Alemanha bruscamente; permitiu que o Partido Socialista elaborasse um documento citando a “intransigência egoísta” de Merkel; permitiu que outros ministros atacassem o documento do partido, que foi então revisto. Mas ele não deixou a sua própria posição clara.

O “tumulto sobre a Alemanha mostra muito”, disse François Heisbourg, da Fundação para a Pesquisa Estratégica. “Alguém poderia pensar que o presidente encontraria uma oportunidade para manifestar sua posição de forma clara. Em vez disso, há uma sensação de deriva.”

Hollande venceu há um ano porque prometeu “a mudança é agora” e foi “anti-Sarkozy”, disse Pascal Perrineau, diretor do Centro de Pesquisa Política no Institut d’Etudes Politiques. “Mas os franceses não estão de todo convencidos com esse presidente. Ele se parece mais com um primeiro-ministro, ele não parece encarnar o Estado.”

As políticas econômicas de Hollande, que atrasaram cortes nos gastos públicos até o próximo ano, são sensíveis em uma recessão, disse Simon Tilford, economista-chefe do Centro para a Reforma Europeia, e sua luta contra a austeridade ganha força em Bruxelas, apesar da frustração com ele.

“Dadas suas limitações, a estratégia do governo francês é o melhor que teremos”, disse Tilford. “Eles falam em austeridade, mas, obviamente, tentam limitar os danos a uma economia já fraca.”

Hollande tem mais quatro anos, mas Perrineau vê problemas pela frente, com mais manifestações nas ruas e difíceis eleições locais.

Por Steven Erlanger

Fonte: Último Segundo

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Acidentes e Catástrofes Defesa Geopolítica

F-16 da Força Aérea turca caiu nesta segunda-feira na fronteira com a Síria

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Um F-16 da Força Aérea turca caiu nesta segunda-feira no sudeste da Turquia, perto da fronteira com a Síria, e seu piloto provavelmente conseguiu se ejetar, indicaram fontes militares.

Por volta das 14h15 (08h15 de Brasília) foi cortada a comunicação por rádio com um caça F-16 que sobrevoava em missão os montes Amanos”, informou um comunicado militar.

Pouco antes do fim da comunicação, o piloto havia dito que iria se ejetar, segundo o comunicado.

O governador da província de Osmaniye, Celalettin Cerrah, declarou que o F-16 havia se acidentado na localidade de Yarpuz, a 40 km da fronteira com a Síria.

AFP

 

Fonte: Terra

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Conflitos Geopolítica História Inteligência

Rompendo o Silêncio

004 Comissão

Hiram Reis e Silva, Bagé, RS, 13 de maio de 2013

O Estatuto do Índio merece ser apreciado pelo Poder Legislativo e fixado em Lei, que defina os limites entre o impositivo de integração e o princípio da autonomia indígena. A criação de reservas indígenas na Faixa de Fronteira compromete a segurança nacional e deveria ser submetida à aprovação do Congresso.

General Maynard Marques de Santa Rosa

 004 Comissão 1

Continuo totalmente voltado para a consolidação dos trabalhos de Reconhecimento do Rio Juruá. A compilação dos dados coletados no trabalho de campo exige uma análise criteriosa e confirmação em diversas fontes, muitas vezes perdidas nas estantes empoeiradas do tempo. Desde que aportei nas abençoadas plagas do meu gaúcho torrão tenho dedicado de dez a doze horas diárias nesse “affaire”. Permito-me relaxar apenas nos finais de semana aproveitando para percorrer a bela região de Bagé e Caçapava do Sul que possuem recantos formidáveis e pouco visitados como o Rincão do Inferno, Bacia do Camaquã, Minas do Camaquã e Guaritas. De vez em quanto, inconformado com os desmandos, omissões e ilícitos de toda a ordem sou forçado a me afastar de minhas pesquisas e reportar o artigo de um ou outro amigo. Desta feita repercuto o Comentário 166 de meu dileto amigo e mestre Gelio Fregapani um patriota extremado sempre atento às questões que tanto afligem ao nosso país, fruto, principalmente, da falta de visão estratégica e compromisso com a nação de nossos mandatários e a alienação que tomou conta de nosso povo inerte que só se preocupa com futebol e músicas de baixíssima categoria.

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O Coronel Gelio Fregapani e todos aqueles que como eu conhecem profundamente a Questão Indígena sabem que o crescimento populacional de comunidades indígenas isoladas colocará, em futuro próximo, em risco a soberania nacional. As reservas só são pertinentes às comunidades indígenas na fase de aculturação. Depois de completado o processo elas prejudicam a atividade produtiva e impedem o desenvolvimento econômico. A segregação do índio é discriminatória, ao contrariar o princípio de que todos têm o direito de evoluir e auferir os benefícios do progresso. O artigo “Redoma Fatal”, publicado no jornal O Globo, por ocasião da demarcação da Reserva Ianomâmi, é muito feliz ao afirmar que: “A preservação de grupos étnicos em redomas que os mantenham distantes de contatos humanos não passa de uma tentativa de fazer parar o tempo, como se isso fosse possível, em zonas cujas dimensões e natureza tornam impossível um policiamento protetor. O artificialismo condena esse equívoco, e o resultado final ameaça ser a contaminação dos grupos primitivos pela ação clandestina do que há de pior na sociedade moderna, enquanto o que há de melhor é mantido à distância pelo respeito à lei”.

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Outra abordagem de meu caro Mestre Fregapani foi a respeito da Comissão da “Meia Verdade” após o corajoso pronunciamento do Brilhante Coronel Ustra. Uma Comissão que pretende rever a conduta exclusivamente de agentes públicos deixando de lado as ações daqueles que roubaram, assassinaram e mutilaram inocentes é uma piada de mau gosto e atende aos anseios dos verdadeiros inimigos externos do Brasil.

Como o heróico Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra disse já há algum tempo: “Excessos em toda guerra existem, podem ter existido, mas a prática de tortura como eles falam não ocorreu. Eu efetivamente não cometi excesso contra ninguém. A minha missão como comandante não era de estar ali junto, interrogando preso. Eu não torturei ninguém

clique aqui para saber

A Oligarquia Financeira Transnacional lançou sementes em terra fértil provocando a cizânia e os alienados da esquerda festiva seduzidos pela sedutora cantilena da “justiça” foram cooptados justamente por aqueles a quem condenam.

COMENTÁRIO 166 de 12 de maio de 2013

Assuntos: A Questão Indígena e a Comissão da “Verdade”

– Questão Indígena


004 Q IndígenaA questão indígena – no caminho da solução.

O problema começou com o Collor, com a homologação da área ianomâmi, em obediência à exigência do Congresso norte-americano e se agravou no governo FHC, chegando ao ápice no governo Lula, que além de criar novas e imensas reservas empenhou-se em expulsar donos de propriedades centenárias na Raposa para entregá-las a índios que nem sempre as queriam, na verdade nem seria para os índios, mas para ONGs estrangeiras, decididas a dividir o País em etnias hostis, novamente por pressão do Congresso dos EUA.

Na medida em que a Funai, agindo com um super-poder de criar nações, extrapolava o limite do razoável o País iniciou a tomar consciência. As novas reivindicações da Funai no Mato Grosso do Sul poderiam repetir, em escala agora ampliada, a tragédia de Raposa Serra do Sol. A economia seria severamente agredida e dezenas de milhares de famílias se revoltariam. E os índios, tal como na Raposa seriam reduzidos a miséria, sustentados pela bolsa família. A Funai começava a ser detestada juntamente com o Ibama e não somente pela população rural. Se para retirar apenas seis fazendeiros e poucas centenas de cordatos pequenos proprietários o governo Lula teve de montar uma operação de guerra, vencendo com dificuldade, para retirar milhares de fazendeiros do Mato Grosso do Sul, do Paraná e do Rio Grande do Sul, talvez não houvesse força, e isto se o Exército não se insurgisse contra a entrega às ONGs que manipulam os índios.

O Estado Brasileiro iniciava a se dar conta do perigo da reação e das previsíveis consequencias, que poderiam ir desde a drástica redução da produção rural até a independência das áreas indígenas, ensejando intervenção internacional em nome do “dever de ingerência”, estando em jogo os interesses dos países hegemônicos.

Naturalmente, foi a reação não só dos produtores rurais, que incentivou o Governo  a  interromper a criação de reservas indígenas em regiões de conflito, mas outros fatores tiveram sua influência:

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1-   Um relatório da Embrapa desmentiu os laudos da Funai nas demarcações do Centro Oeste. Anteriormente o Grupo de Trabalho da Amazônia, coordenado pela ABIN, já havia exposto as fraudes do laudo antropológico em que a Funai usou como pretexto para a traiçoeira demarcação da Raposa-Serra do Sol;

2-   Depois, a Dilma não é como o Lula, que recua quando a pressão toma vulto. Diferente do Collor e do FHC que criaram reservas por ideologia, e mesmo do Lula que as criou por covardia, Dilma já não demonstrara entusiasmo por novas reservas, contrariando tanto a pressão internacional como a parcela indianista (do PT, dos ambientalistas e dos gays). Desta vez determinou à Casa Civil que resolvesse a questão. Se Dilma deu instruções a respeito, apenas podemos inferir, mas o fato é que a Ministra Gleisi Hoffmann, de imediato, instruiu o Ministério da Justiça (a quem está subordinada a Funai) que interrompesse as demarcações até novos estudos, onde os elaborados pela Funai serão confrontados com os feitos pela Embrapa e outras instâncias do governo, e que os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura serão consultados sobre os impactos das demarcações. A suspensão deve se estender também a áreas do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

 004 Comissão 2A ministra Gleisi mostrou que pensa no Brasil, acima dos interesses partidários. Começou declarando que não se corrige uma injustiça com outra injustiça. Parabéns! Esperemos que não seja demagogia e parece que não é, pois há informações que a Embrapa já fez reanálise de estudos demarcatórios da Funai em 15 locais do oeste paranaense. A Funai, como sempre, alega tratar-se de territórios tradicionais indígenas, mesmo em regiões de grande produtividade rural, onde  a presença de índios  seja recente ou até mesmo inexistente. A Ministra demonstra ser firme.Nesta questão, estamos no caminho da solução.

– A Comissão da “Verdade”

Comissão da Verdade – Os antigos terroristas que buscam a vingança ainda se arrependerão de ter criado essa frente, pois seus crimes foram muito mais cruéis. Só os inconsequentes não sabiam que se eles forçassem muito a barra haveria uma rebelião militar. O que não esperavam é que seus crimes viessem a público, como começou a acontecer com o depoimento do Cel. Ustra.

Só lamentamos que a exposição dos fatos ainda não tenha atingido os principais terroristas que ainda nos hostilizam, mas sim à Presidente, que tem se redimido parcialmente dos erros da juventude O quer que ela tenha feito de errado já foi anistiado, e não se toca mais no assunto, desde que seja assim para os dois lados. Ela também tem motivo de se arrepender de ter deixado funcionar essa Comissão, pois ela foi atingida pessoalmente , além de existir um potencial explosivo de desunião. Preferiu não responder e fez muito bem.

Se unidos já temos dificuldades, desunidos estaremos pior. O ideal é deixar o passado onde deve estar, ou seja, na História.

Que Deus guarde a todos nós e que nos ajude a manter a união

Gelio Fregapani

 

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional.

E-mail: hiramrsilva@gmail.com

Blog: http://www.desafiandooriomar.blogspot.com

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Conflitos Destaques Inteligência

Guerra na Síria: em vídeo, rebelde arranca e morde coração de soldado

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Um vídeo de um comandante rebelde sírio arrancando e mordendo o coração de um soldado é emblemático de uma guerra civil que se transformou rapidamente numa batalha de ódio sectário e assassinatos por vingança, disse a organização humanitária Human Rights Watch nesta segunda-feira.

O grupo com sede em Nova York disse que um vídeo amador postado na internet no domingo mostra Abu Sakkar, um dos fundadores da Brigada Farouq conhecido por jornalistas como um rebelde da cidade de Homs, cortando o peito de um soldado morto.

O vídeo provocou indignação tanto entre os partidários do presidente sírio, Bashar al-Assad, como entre figuras da oposição.

“Juro por Deus, vamos comer seus corações e seus fígados, seus soldados de Bashar, o cão”, diz o homem para companheiros fora de quadro no vídeo que aplaudem e gritam “Allahu akbar (Deus é grande)”.

O conflito sírio começou com protestos pacíficos em março de 2011, mas estes foram suprimidos gradualmente por uma guerra civil cada vez mais sectária que, de acordo com um grupo de oposição, já custou mais de 80 mil vidas.

Peter Bouckaert, da Human Rights Watch, disse que tinha visto uma cópia do vídeo original não editado e que a identidade de Abu Sakkar foi confirmada por fontes rebeldes em Homs e por imagens dele em outros vídeos usando o mesmo casaco preto, assim como no mais recente vídeo, e com os mesmos anéis em seus dedos.

“A mutilação dos corpos dos inimigos é um crime de guerra. Mas a questão ainda mais grave é a descida muito rápida a uma retórica sectária e à violência”, disse Bouckaert.

Ele disse que, na versão não editada do filme, Abu Sakkar instrui seus homens a “abater os alauítas e levar seus corações para comê-los”, antes de ele próprio morder o coração.

REUTERES

 

Fonte: Terra

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Destaques Geopolítica Negócios e serviços Opinião

Estados Unidos tentam se reaproximar da América Latina

obrama sul america

Joe Biden, vice-presidente dos EUA, visita Brasil e Colômbia, e Obama recebe presidentes do Chile e Peru em Washington. Com esses esforços, norte-americanos pretendem recuperar espaço econômico na América Latina.

Os Estados Unidos pretendem reforçar os laços políticos e, principalmente, econômicos com os países da América Latina. Um dos sinais desse movimento é a visita do vice-presidente norte-americano, Joe Biden, ao Brasil e à Colômbia no mês de maio.

Além disso, o presidente Barack Obama vai receber, no início de junho, em Washington, os presidentes do Chile, Sebastián Piñera, e do Peru, Ollanta Humala. O governo Obama está priorizando, dessa forma, temas comerciais e empresariais com uma região que tem apresentado, nos últimos anos, crescimento constante, ao contrário dos Estados Unidos e da Europa.

“Em seu primeiro mandato, Obama priorizou o Oriente Médio e adjacências. Agora, no segundo mandato, há uma sinalização de que isso poderá ser revertido. Parece que eles pretendem deixar a guerra contra o terror de lado e devem tentar liberalizar o comércio”, explicou Virgílio Arraes, professor de História Contemporânea da Universidade de Brasília (UnB).

De acordo com a Casa Branca, Biden vai se encontrar no Brasil com a presidente Dilma Rousseff e com o vice-presidente Michel Temer, com os quais deverá debater “formas de aprofundar a aliança comercial e econômica, assim como melhorar a cooperação no espectro amplo de assuntos bilaterais, regionais e globais que conectam ambos países”.

Posteriormente, Biden vai para Colômbia, onde conversa com o presidente Juan Manuel Santos sobre questões de segurança, além de analisar “vias para melhorar a prosperidade” de ambos os países. Isso mostra a reaproximação econômica com a América Latina, já que os EUA vêm perdendo espaço para a China, União Europeia e até mesmo o Mercosul.

Perda de influência

“Na tradição da política externa regional, toda a América Latina era considerada uma região debaixo da influência política e econômica dos EUA. Hoje, eles vêm perdendo essa supremacia do ponto de vista político para Europa e China. Essa visita serve para que o país se aproxime mais da América Latina, também comercialmente”, frisou Evaldo Alves, coordenador do curso de negócios internacionais e comércio exterior da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Eduardo Mariutti, diz que, devido à intensificação das relações da China com a América do Sul, que ocorreu em sincronia com um tênue processo de polarização do Atlântico Sul em direção ao Brasil, o interesse dos EUA pela região vai aumentar.

“Mas esse interesse vai aumentar no velho estilo: promover ‘parcerias’ que reforcem a predominância dos EUA na região, com vista a reforçar seu status quo. Esses contatos entre os presidentes são sinais dos EUA de que eles estão de olho na região”, ressaltou Mariutti.

A última escala será a ilha caribenha de Trinidad e Tobago, onde Biden vai se reunir com líderes de vários países do Caribe, de forma similar ao encontro que Obama celebrou com seus pares na última semana na Costa Rica.

Piñera e Humala em Washington

No dia 4 de junho, Obama vai receber o presidente chileno, Sebastián Piñera, o qual assim reciproca a visita do chefe de Estado norte-americano a Santiago, em março de 2011.

Já a visita do presidente peruano, Ollanta Humala, a Washington está marcada para 11 de junho. Os dois deverão conversar sobre temas econômicos, principalmente quanto ao Acordo de Associação Transpacífica (TPP, em inglês), do qual o Peru é um dos poucos países da América Latina participantes, junto a Chile e México. Outros temas são a luta contra o narcotráfico, educação e a agenda de inclusão social de Humala.

Com a Europa em crise, os EUA constataram que podem crescer economicamente tendo como aliados os países latino-americanos. “Ainda mais com a saída de cena de Hugo Chávez, diante de um carisma menor da presidente Dilma Rousseff comparando-se com Lula, e diante da crise argentina e do desgaste de Cristina Kirchner. Então isso abre uma perspectiva para uma presença maior dos EUA na região”, argumentou Arraes, da UnB.

 

Fonte: DW.DE

 

 

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Defesa Segurança Pública Tecnologia

MEDAV recebe pedido de sensores para segurança de fronteira

MEDAV

Paulo Henrique Alves G&A comunicações

saabA subsidiária da Saab, MEDAV GmbH, recebeu uma encomenda da parte de sensores de sinais eletromagnéticos que deverá integrar o programa brasileiro de segurança de fronteiras Sisfron.  O Sisfron é o sistema integrado de monitoração de fronteiras, desenvolvido pelo Exército Brasileiro para controlar a fronteita ocidental do país., contribuindo para a segurança regional e o combate a crimes.

De acordo com o contrato, serão fornecidas estações de sensores tanto estacionárias como controladas por acesso sem fio à distância, incorporando funções de monitoração e determinação

de direção, nas faixas de frequências HF, VHF e UHF, assim como uma central regional de monitoração (ISTAR) e uma central de treinamento.  Além disso, o contrato prevê ainda a transferência de tecnologia, ampliando a autonomia na cadeia de suprimento e gerando empregos nos setores de alta tecnologia do Brasil.

A MEDAV atuará como subcontratada da Savis Tecnologia e Sistemas S.A., uma subsidiária da Embraer Defesa & Seguranca S.A. que, por sua vez, é uma subsidiária da Embraer,  empresa escolhida pelo Exército Brasileiro para a implantação da Fase 1 do programa Sisfron.

“O Brasil é um dos mercados mais importantes da Saab e este pedido reforça nossa presença e nossas relações com o país”, declarou Micael Johansson, responsável pela área de Sistemas Eletrônicos de Defesa da Saab. “Esta encomenda é mais um testemunho da capacidade da MEDAV em fornecer soluções de detecção e localização de ameaças.  O Sisfron é um projeto de segurança de fronteiras de grande porte e seu êxito dependerá muito da capacidade técnica dos sensores”, completou Dr. Hans-Joachim Kolb, Diretor Executivo da MEDAV GmbH.

A MEDAV é especializada em processamento de sinais digitais, reconhecimento de padrões e tecnologia da informação.  As grandes vantagens de seu sistema são sua arquitetura SDIA® (Software Defined Intelligence Architecture) baseada em software, assim como a capacidade da empresa de fornecer todos os equipamentos, desde sensores até reportação e fusão de informações.  A empresa foi fundada em 1982, atende a mais de 50 clientes no mundo e integra o Grupo Saab desde 2012.

As entregas para o Sisfron deverão ocorrer entre 2013 a 2016.

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Conflitos Geopolítica História Opinião

DUAS HISTÓRIAS

OHare-MOH
DUAS HISTÓRIAS
“…e por aquela ação ocorrida em 20 de fevereiro de 1942 no Teatro de Operações do Pacífico, (TOP), o então Primeiro-Tenente Aviador Naval  da Marinha dos Estados Unidos da América (USN), Butch O´Hare, se tornou o primeiro Ás da Marinha na WW II, e o primeiro Aviador Naval a receber a Medalha Congressional de Honra.
O Capitão-de-Corveta Butch O´Hare, morreu em combate no TOP em 26 de novembro de 1943 aos 29 anos de idade.” 
Duas Histórias:
História Número UmMuitos anos atrás, Al Capone possuía virtualmente Chicago. Capone não era famoso por nenhum ato heróico. Ele era notório para empastar a cidade com tudo relativo a contrabando, bebida, prostituição e assassinatos.

Capone tinha um advogado apelidado “Easy Eddie”. Era o seu advogado por um excelente motivo. Eddie era muito bom! Na realidade, sua habilidade, manobrando no cipoal legal, manteve Al Capone fora da prisão por muito tempo. Para mostrar seu apreço, Capone lhe pagava muito bem. Não só o dinheiro era grande, como Eddie também tinha vantagens especiais.

Por exemplo, ele e a família moravam em uma mansão protegida, com todas as conveniências possíveis. A propriedade era tão grande que ocupava um quarteirão inteiro em Chicago. Eddie vivia a vida da alta roda de Chicago,mostrando pouca preocupação com as atrocidades que ocorriam à sua volta.

No entanto, Easy Eddie tinha um ponto fraco. Ele tinha um filho que amava afetuosamente. Eddie cuidava que seu jovem filho tivesse o melhor de tudo: roupas, carros e uma excelente educação. Nada era poupado. Preço não era objeção. E, apesar do seu envolvimento com o crime organizado, Eddie tentou lhe ensinar o que era certo e o que era errado. Eddie queria que seu filho se tornasse um homem melhor que ele. Mesmo assim, com toda a sua riqueza e influência, havia duas coisas que ele não podia dar ao filho: ele não podia transmitir-lhe um nome bom ou um bom exemplo.

Um dia, o Easy Eddie chegou a uma decisão difícil. Easy Eddie tentou corrigir as injustiças de que tinha participado. Ele decidiu que iria às
autoridades e contaria a verdade sobre Al “Scarface” Capone, limpando o seu nome manchado e oferecendo ao filho alguma semelhança de integridade. Para fazer isto, ele teria que testemunhar contra a quadrilha, e sabia que o preço seria muito alto. Ainda assim, ele testemunhou.

Em um ano, a vida de Easy Eddie terminou em um tiroteio em uma rua de Chicago. Mas aos olhos dele, ele tinha dado ao filho o maior presente que poderia oferecer, ao maior preço que poderia pagar. A polícia recolheu em seus bolsos um rosário, um crucifixo, uma medalha religiosa e um poema, recortado de uma revista.

O poema:

O relógio de vida recebe corda apenas uma vez
e nenhum homem tem o poder de decidir quando os ponteiros pararão,
se mais cedo ou mais tarde.
Agora é o único tempo que você possui.
Viva, ame e trabalhe com vontade.
Não ponha nenhuma esperança no tempo, pois o relógio pode parar a
qualquer momento.

História Número Dois

A Segunda Guerra Mundial produziu muitos heróis. Um deles foi o Comandante Butch O’Hare. Ele era um piloto de caça, operando no porta-aviões Lexington, no Pacífico Sul. Um dia, o seu esquadrão foi enviado em uma missão.

Quando já estavam voando, ele notou pelo medidor de combustível que alguém tinha esquecido de encher os tanques. Ele não teria combustível suficiente para completar a missão e retornar ao navio. O líder do vôo instruiu-o a voltar ao porta-aviões. Relutantemente, ele saiu da formação e iniciou a volta à frota. Quando estava voltando ao navio-mãe viu algo que fez seu sangue gelar: um esquadrão de aviões japoneses voava na direção da frota americana.

Com os caças americanos afastados da frota, ela ficaria indefesa ao ataque. Ele não podia alcançar seu esquadrão nem avisar a frota da
aproximação do perigo.

Havia apenas uma coisa a fazer. Ele teria que desvia-los da frota de alguma maneira. Afastando todos os pensamentos sobre a sua segurança
pessoal, ele mergulhou sobre a formação de aviões japoneses. Seus canhões de calibre 50, montados nas asas, disparavam enquanto ele atacava um surpreso avião inimigo e em seguida outro. Butch costurou dentro e fora da
formação, agora rompida e incendiou tantos aviões quanto possível, até que sua munição finalmente acabou. Ainda assim, ele continuou a agressão.
Mergulhava na direção dos aviões, tentando destruir e danificar tantos aviões inimigos quanto possível, tornando-os impróprios para voar.

Finalmente, o exasperado esquadrão japonês partiu em outra direção.

Profundamente aliviado, Butch O’Hare e o seu avião danificado se dirigiram para o porta-aviões. Logo à sua chegada ele informou seus superiores sobre o acontecido. O filme da máquina fotográfica montada no avião contou a história com detalhes. Mostrou a extensão da ousadia de Butch em atacar o esquadrão japonês para proteger a frota. Na realidade, ele tinha destruído cinco aeronaves inimigas.

Isto ocorreu no dia 20 de fevereiro de 1942, e por aquela ação Butch se tornou o primeiro Ás da Marinha na WW II, e o primeiro Aviador Naval a receber a Medalha Congressional de Honra. No ano seguinte Butch morreu em combate aéreo com 29 anos de idade. Sua cidade natal não permitiria que a memória deste herói da WW II desaparecesse, e hoje, o Aeroporto O’Hare, o principal de Chicago, tem esse nome em tributo à coragem deste grande homem.

Assim, na próxima vez que você passar no O’Hare International, pense nele e vá ao Museu comemorativo sobre Butch, visitando sua estátua e a Medalha de Honra. Fica situado entre os Terminais 1 e 2.

Mas afinal, o que essas duas histórias têm de comum entre elas?

Butch O’Hare era o filho de Easy Eddie !!!…

 Fonte: PUC-RJ 

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Conflitos História Inteligência

SOLDADOS DA BORRACHA NA OEA

Nordestinos enviados à Amazônia para extrair látex na Segunda Guerra Mundial são recebidos na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em Washington. Eles querem indenização do governo

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Autor(es): RENATA MARIZ e EDSON LUIZ

Correio Braziliense – 12/05/2013

Aos 83 anos, o ex-seringueiro Adelmo Fernandes de Freitas não tem mais esperança de que um dia seja recompensado por ter se deslocado do Nordeste para tirar látex na Amazônia. Vivendo com uma aposentadoria, ele mora em Rio Branco com a mulher e alguns dos 11 filhos que teve ao chegar ao Acre, para onde foi na companhia do pai, ainda rapaz. A história é semelhante a de 55 mil nordestinos convocados pelo Estado, durante a Segunda Guerra Mundial, para serem soldados da borracha. O objetivo era fornecer a matéria-prima para os Estados Unidos, em um acordo fechado por aquele país com o governo brasileiro. Hoje, os cerca de 7 mil “combatentes da selva” ainda vivos reivindicam o cumprimento de promessas feitas há quase 70 anos, como uma recompensa em dinheiro pela ida para a floresta.

Os lamentos chegaram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) em março. Em uma reunião em Washington (EUA), representantes dos soldados da borracha se reuniram com integrantes do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para tentar chegar a um acordo. A principal reivindicação dos nordestinos recrutados pelo governo para o Norte é a equiparação de suas pensões às recebidas pelos ex-combatentes brasileiros no conflito — o que subiria os vencimentos do valor atual, de R$ 1.356, para R$ 4,5 mil. Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Direitos Humanos diz que tem “dialogado com outras pastas de governo, tendo em vista que a resolução do caso não se limita aos direitos humanos e exige mais amplo consenso”.

“Eu não tenho esperança. Para mim, está tarde para ter esperança”, afirma o ex-seringueiro Adelmo. Ele faz parte do grupos de soldados da borracha vivos, viúvas e filhos deficientes que recebem a pensão vitalícia da Previdência Social. Juntos, eles somam 13.306 beneficiários, segundo o Sindicato dos Soldados da Borracha e Seringueiros do Estado de Rondônia. Vice-presidente da entidade, George Telles considera a reunião em Washington uma vitória, mas destaca que muitos estão morrendo sem ver as reivindicações atendidas. “Toda semana recebemos a notícia que um morreu ou que está bem doente. São pessoas com 80, 90, 100 ou mais anos que não podem esperar”, ressalta Telles. “Eles foram recrutados como soldados, viveram em condições bem piores do que os combatentes. Dos 20 mil que foram para a Itália, menos de 500 morreram. Na Amazônia, milhares não resistiram à malária, aos bichos, à fome.”

Indenização


Ele explica que, além da denúncia feita na OEA, corre na Justiça brasileira um pedido de indenização no valor de R$ 800 mil para cada ex-seringueiro. “Estamos cobrando recursos previstos no contrato de trabalho deles. Os valores foram enviados pelos Estados Unidos, mas embolsados pelo governo brasileiro”, diz George. A ação está no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. Outra frente de atuação dos soldados da borracha é a luta pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº 5.556, de 2002, que equipara os soldados da borracha aos pracinhas que lutaram na Segunda Guerra Mundial, inclusive na questão pecuniária. Para os nordestinos ainda vivos, uma resposta positiva nesse sentido é quase um sonho. “Ninguém me procurou até hoje e nem sei como está isso”, diz Adelmo.

Além da pensão mensal vitalícia no valor de dois salários mínimos — prevista na Constituição e regulamentada em 1989 —, uma outra vitória contabilizada pelos soldados da borracha se deu apenas no ano passado. Em setembro, os ex-seringueiros foram reconhecidos como Heróis da Pátria pelo governo, em uma solenidade no Palácio do Planalto. Na ocasião, seus nomes foram escritos no livro que registra atos de bravura de brasileiros.

Fonte: Correio Braziliense via MPOG 

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O que Merkel escondeu do seu passado comunista

Angela_Merkel

Angela Merkel sempre foi discreta relativamente ao seu passado na RDA e dessa juventude pouco é conhecido. Dois jornalistas alemães juntaram-se agora para desvendar “a primeira vida” da chanceler.  As descobertas deram origem a um livro que revela uma ativista política bem antes da queda do muro de Berlim.

angela“Podemos confirmar que foi muito mais próxima ao regime do que reconheceu. Durante a sua permanência na Academia das Ciências na RDA, promovia a sua carreira enquanto funcionária mostrando expressa afinidade. Além disso, a partir de 1981 ocupou nas Juventudes Comunistas (FDJ) o posto de secretária da agitação e propaganda, algo que sempre negou,  esteve sentada na direção do Sindicato de Serviços”, escreve Günther Lachman, citado pelo El Mundo.

Até aqui, a chanceler sempre afirmou a sua “distância” ao regime e, o próprio El Mundo lembra quando questionou esta proximidade e a chanceler respondeu que mantinha “uma prudente distância”. Admitia ainda que “não tinha adoptado o papel de uma ativida pelas liberdades” e sublinhava que é “uma científica que não entrea demasiado na política”. Ora, não é isto que dizem os dois escritores.

“Não disse grandes mentiras sobre o seu passado comunista, mas maquilhou as nuances e guardou silêncios sinistros”, afirma Lachman, que avança ainda que “a principal conlusão é que Merkel não era uma recém chegada à política em 1989, como faziam crer, e já era uma política ativa muito antes, marcada por testemunhos à sua volta como comunista reformista. Acreditava no socialismo democrático na RDA independente”.

Fonte: Emprego

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O mundo em 2030

2030Sugestão: Alvez8O

Documento elaborado pela CIA, de quatro em quatro anos, no início de cada novo mandato presidencial nos Estados Unidos, e que Barack Obama recebeu ao tomar posse do seu segundo mandato, tem o título ‘Global Trends 2030 – Alternative Worlds’ (Tendências mundiais 2030: novos mundos possíveis). Que nos diz? A principal constatação é: o declínio do Ocidente.

Ignacio Ramonet

De quatro em quatro anos, no início de cada novo mandato presidencial nos Estados Unidos, o National Intelligence Council (NIC), o departamento de análise e antecipação geopolítica e econômica da Central Intelligence Agency (CIA), publica um relatório que se converte automaticamente numa referência para todas as chancelarias do mundo.

Ainda que obviamente se trate de uma visão muito parcial (a de Washington), elaborada por uma agência, a CIA, cuja principal missão é defender os interesses dos Estados Unidos, o relatório estratégico do NIC apresenta uma indiscutível utilidade porque resulta de uma posição conjunta – revista por todas as agências de segurança dos Estados Unidos – de estudos elaborados por peritos independentes de várias universidades e de muitos outros países (Europa, China, Índia, África, América Latina, mundo árabe-muçulmano, etc.).

O documento confidencial que o presidente Barack Obama encontrou na sua mesa de trabalho na Casa Branca no passado dia 21 de janeiro ao tomar posse do seu segundo mandato, foi publicado com o título: Global Trends 2030. Alternative Worlds (Tendências mundiais 2030: novos mundos possíveis). Que nos diz?

A principal constatação é: o declínio do Ocidente. Pela primeira vez, desde o século XV, os países ocidentais estão a perder poder face à subida das novas potências emergentes2. Começa a fase final de um ciclo de cinco séculos de dominação ocidental do mundo. Ainda que os Estados Unidos continuem a ser uma das principais potências planetárias, perderão a sua hegemonia econômica a favor da China. E já não exercerá a sua “hegemonia militar solitária” como o faz desde o fim da Guerra Fria (1989). Caminhamos para um mundo multipolar no qual novos atores (China, Índia, Brasil, Rússia, África do Sul) têm como vocação constituir sólidos polos continentais e disputar a supremacia internacional a Washington e aos seus aliados históricos (Japão, Alemanha, Reino Unido, França).

Para ter uma ideia da importância e da rapidez da decadência ocidental que se avizinha, basta assinalar estes dados: a parte dos países ocidentais na economia mundial vai passar dos atuais 56%, para cerca de 25% em 2030… Ou seja, em menos de vinte anos, o Ocidente perderá mais de metade da sua preponderância econômica… Uma das principais consequências disto é que os Estados Unidos e os seus aliados já não terão provavelmente os meios financeiros para assumir o papel de polícias do mundo… De tal modo que esta mudança estrutural (somada à profunda crise econômico-financeira atual) poderá conseguir o que nem a União Soviética nem a Al Qaeda conseguiram: debilitar durante muito tempo o Ocidente.

Segundo este relatório, a crise na Europa durará pelo menos um decénio, isto é até 2023… E, sempre segundo este documento da CIA, não é seguro que a União Europeia consiga manter a sua coesão. Enquanto, se confirma a emergência da China como a segunda economia mundial e com vocação para se converter na primeira. Ao mesmo tempo, os demais países do grupo chamado BRICS (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul) instalam-se em segunda linha competindo diretamente com os antigos impérios dominantes do grupo JAFRU (Japão, Alemanha, França, Reino Unido).

Em terceira linha, aparecem agora uma série de potências intermédias, com demografias em subida e fortes taxas de crescimento econômico, chamadas a converter-se também em polos hegemónicos regionais e com tendência a se transformar num grupo de influência mundial, o CINETV (Colômbia, Indonésia, Nigéria, Etiópia, Turquia, Vietnam).

Mas de aqui a 2030, no Novo Sistema Internacional, algumas das maiores coletividades do mundo já não serão países mas comunidades congregadas e vinculadas entre si pela Internet e pelas redes sociais. Por exemplo, ‘Facebooklândia’: mais de mil milhões de utentes… Ou ‘Twitterlândia’, mais de 800 milhões… Cuja influência, na “guerra dos tronos” da geopolítica mundial, poderá revelar-se decisiva. As estruturas de poder esmaecer-se-ão graças ao acesso universal à Rede e ao uso de novas ferramentas digitais.

A este respeito, o relatório da CIA anuncia o aparecimento de tensões entre os cidadãos e alguns governos numas dinâmicas que vários sociólogos qualificam de ‘pós-políticas’ ou ‘pós-democráticas’… Por um lado, a generalização do acesso à Rede e a universalização do uso das novas tecnologias permitirão à cidadania atingir altas quotas de liberdade e desafiar os seus representantes políticos (como durante as primaveras árabes ou na crise dos “indignados”). Mas, ao mesmo tempo, segundo os autores do relatório, estas mesmas ferramentas eletrónicas proporcionarão aos governos “uma capacidade sem precedentes para vigiar os seus cidadãos”3.

“A tecnologia –acrescentam os analistas de Global Trends 2030– continuará a ser o grande nivelador, e os futuros magnatas da Internet, como poderá ser o caso do Google e do Facebook, possuem montanhas de bases de dados, e manejam em tempo real muita mais informação que qualquer Governo”. Por isso, a CIA recomenda à Administração dos Estados Unidos que faça frente a essa ameaça eventual das grandes corporações da Internet ativando o Special Collection Service4, um serviço de espionagem ultra-secreto –administrado conjuntamente pela NSA (National Security Service) e o SCE (Service Cryptologic Elements) das Forças Armadas– especializado na captação clandestina de informações de origem eletromagnética. O perigo de que um grupo de empresas privadas controle toda essa massa de dados reside, principalmente, em que poderia condicionar o comportamento em grande escala da população mundial e inclusive das entidades governamentais. Também se teme que o terrorismo jihadista seja substituído por um ciberterrorismo ainda mais surpreendente.

A CIA toma tão a sério este novo tipo de ameaças que, eventualmente, o declínio dos Estados Unidos não terá sido provocado por uma causa externa mas por uma crise interna: o colapso econômico ocorrido a partir de 2008. O relatório insiste em que a geopolítica de hoje deve interessar-se por novos fenómenos que não possuem forçosamente um carácter militar. Pois, ainda que as ameaças militares não tenham desaparecido (veja-se as intimidações armadas contra a Síria ou a recente atitude da Coreia do Norte e o seu anúncio de um possível uso de armas nucleares), os perigos principais que ocorrem hoje nas nossas sociedades são de ordem não militar: mudança climática, conflitos econômicos, crime organizado, guerras eletrônicas, esgotamento dos recursos naturais…

Sobre este último aspeto, o relatório indica que um dos recursos que mais aceleradamente se está a esgotar é a água doce. Em 2030, cerca de 60% da população mundial terá problemas de abastecimento de água, dando lugar ao aparecimento de “conflitos hídricos”… Quanto ao fim dos hidrocarbonetos, a CIA mostra-se, pelo contrário, bem mais otimista que os ecologistas. Graças às novas técnicas de fraturação hidráulica, a exploração do petróleo e do gás de xisto está a atingir níveis excecionais. Os Estados Unidos já são autossuficientes em gás, e em 2030 sê-lo-ão em petróleo, o que embaratece os seus custos de produção manufatureira e exorta à relocalização das suas indústrias. Mas se os Estados Unidos – principal importador atual de hidrocarbonetos– deixar de importar petróleo, é de prever que os preços caiam significativamente. Quais serão então as consequências para os atuais países exportadores?

No mundo para que vamos, cerca de 60% das pessoas viverá, pela primeira vez na história da humanidade, nas cidades. E, como consequência da redução acelerada da pobreza, as classes médias serão dominantes e triplicar-se-ão, passando de 1.000 para 3.000 milhões de pessoas. Isto, que em si é uma revolução colossal, acarretará como sequela, entre outros efeitos, uma mudança geral nos hábitos culinários e, em particular, um aumento do consumo de carne à escala planetária. O que agravará a crise ambiental. Porque multiplicar-se-á a criação de gado, de porcos e de aves; e isso supõe um aumento do gasto de água (para produzir alimentos), de pastos, de adubos e de energia, com repercussões negativas em termos do efeito de estufa e do aquecimento global…

O informe da CIA anuncia também que, em 2030, os habitantes do planeta serão 8.400 milhões, mas o aumento demográfico cessará em todos os continentes menos em África, com o consequente envelhecimento geral da população mundial. Pelo contrário, o vínculo entre o ser humano e as tecnologias de prótese acelerará a criação de novas gerações de robôs e o aparecimento de super-homens” capazes de proezas físicas e intelectuais inéditas.

O futuro é poucas vezes previsível. Não é por isso que há que deixar de o imaginar em termos de prospetiva, preparando-nos para atuar perante diversas circunstâncias possíveis, das quais uma só se produzirá. Ainda que já tenhamos advertido que a CIA tem o seu próprio ponto de vista subjetivo sobre a marcha do mundo, condicionado pelo prisma da defesa dos interesses norte-americanos, o seu relatório tetranual não deixa de constituir uma ferramenta extremamente útil. A sua leitura ajuda-nos a tomar consciência das rápidas evoluções em curso e a refletir sobre a possibilidade de cada um de nós para intervir e para fixar o rumo. Para construir um futuro mais justo.

*Artigo de Ignacio Ramonet, publicado em Le Monde Diplomatiqueem espanhol e disponível em monde-diplomatique.es. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

Fonte: Carta Maior

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Rafael Typhoon expandido para sistemas de armas multi-função

onfiguração Typhoon MLS NLOS tem oito lançadores de mísseis de Spike NLOS e Toplite observação estabilizada integrada e sistema de aquisição de alvos. Foto: RAFAEL
A configuraçãodo  Typhoon MLS NLOS tem oito lançadores de mísseis de mísseis Spike NLOS e Toplitede  observação estabilizada integrada , bem como o  sistema de aquisição de alvos. Foto: RAFAEL

Tradução e adaptação:

E.M.Pinto

A RAFAEL está lançando novas versões dos sistemas  portadores de mísseis Typhoon para sistemas navais. O lançamento dos novos sistemas  estabilizados de armas  será feito na ocasião do evento IMDEX 2013. Dois sistemas  o MLS-ER e o MLS-NLOS representam duas evoluções modulares do sistema provado em combate, Typhoon, as novas versões  aumentam significativamente as capacidades operacionais e de sobrevivência de emabracações leves, respondendo às necessidades das marinhas no que se refere à evolução das novas ameaças assimétricas.

O MLS utiliza o suporte padrão do sistema Typhoon, eletrônicos, sistemas de controle, sistema de armas e  míssil naval completos.

Typhoon e o canhão 30 e 25mm mm

Última variante do sistema de armas da RAFAEL, o canhão estabilizado Typhoon eutiliza um ATK Mk 44 Bushmaster II, uma arma automática ideal para pequenas embarcações. Mais de 350 desses sistemas foram entregues e estão em operação em 15 marinhas de guerra em todo o mundo. As principais características deste projeto são os mais de 90% de comunalidade com os sistemas Mk 38 da Marinha os EUA , incorporando a mesma eletrônica e interfaces homem-máquina. O Typhoon adiciona ainda a capacidade significativa para a auto-defesa  contra os pequenas embarcações rápidas e ágeis, bem como as ameaças de superfície.

A empresa lançou recentemente um programa de upgrade, permitindo que os operadores do Typhoon, que utilizam o canhão M242 (25 mm) Bushmaster possam convertê-lo para um sistema de calibre maior e mais poderoso baseado no MK44. Este canhão  30×173 mm utiliza a munção padrão OTAN, mas também está capacitado a operar as novas munições airburst programáveis ​​(ABM). A montagem também conta com duas opções para um sistema Coaxial ou um  M2HB calibre 0,5 ou ainda,  uma metralhadora 7,62 mm com capacidade de carregamento remoto embutido. A nova montagem tem a capacidade do compartimento de mais de 400 recargas de munições de 30 mm, em comparação às 200 do sistema de 25mm na configuração atual. Mantendo o M242, a nova montagem permite aumentar o númerod e munições para 500 recargas.

A nova configuração do sistema Typhoon pistola 30 milímetros estabilizado monta o ATK arma automático Bushmaster II com 400 rodadas na revista pronto. A arma dispara altos círculos explosivos 30 milímetros padrão, bem como as novas munições airburst (ABM).

Fonte: Defense Update

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O Desenvolvimento anfíbio da Marinha do PLAN

Concepção artística doLHD Type 81, perspectiva futura do PLAN
Concepção artística doLHD Type 81, perspectiva futura do PLAN

Texto, tradução e adaptação

E.M.Pinto

Informações, Dragão Vermelho

O  PLAN o exército da libertação do povo da China tem experimentado recentemente significantes avanços no incremento do poder militar anfíbio.  A começar pela entrega do primeiro hovercraft  da classe Zubr, adiquirido à  Ucrânia em 20 de abril e a construção já em estágio avançado da segunda unidade, bem como o contrato que prevÊ outros dois a serem construído na China, entretanto, taiwaneses preveem a construção pela china de pelo menos 2 a 3 vezes este número embarcações .

O PLAN, já tem assinado o contrato para a produção de quatro Hovercrafts da classe Zubr, entretanto, analistas taiwaneses preveem a construção pela china de pelo menos 2 a 3 vezes este número embarcações
O PLAN, já tem assinado o contrato para a produção de quatro Hovercrafts da classe Zubr, entretanto, analistas taiwaneses preveem a construção pela china de pelo menos 2 a 3 vezes este número embarcações

Além disso, a Marinha do PLAN avalia ainda as perspectivas futuras, e a necessidade de aquisição de um navio maior um LHD, conhecido como projeto Type 081, o qual foi exibido em maquete e alegadamente oferecido para exportação em dois eventos, na Turquia e também no Abu Dhabi. Este projeto misterioso é dito possuir 211 m de comprimento, 32,6 m de boca e 26,8 m de altura com um deslocamento avaliado em cerca de 20 mil a 22 mil toneladas.

O Type 081 é pouco mais largo do que os LPD Type  071 com um convés, igualmente mais alto, para que ele possa operar simultaneamente até oito helicópteros com o espaço de hangar para outros  4. 

As primeiras percepções do Type 81 o classificavam como um navio na categoria dos BPC (também LHD) franceses da Classe  Mistral, da qual a Rússia tem firmes encomendas de dois navios. Porém, até mesmo estas expectativas tem sido superdimensionadas e alguns autores arriscam a afirmar que os LHD Chineses poderão ser ainda maiores, algo como 30 ou 40 mil toneladas de deslocamento, capazes de transportar   mais helicópteros e veículos blindados. Há controvérsias sobre estas dimensões suma vez que entre 04 e seis navios da dimensão dos Mistral já seriam uma considerável força de projeção para china, posicionando-a no segundo lugar do planeta nesta capacidade, porém, alguns analistas acreditam que os Type 81 teriam as capacidades projetadas nos gigantes LHD da Marinha dos Estados Unidos, capazes inclusive de lançar e operar aeronaves de asa Fixa   STOVL como o futuro caça F 35B. 

LHD do projeto Type 81 exibido no Abu Dhabi e Turquia
LHD do projeto Type 81 exibido no Abu Dhabi e Turquia

De qualquer forma, sabe-se que não importando a dimensão o projeto Type 81 será um navio bem mais complexo que os LPD da classe Type 71 até agora bem mais de acordo com as capacidades e domínios tecnológicos dos estaleiros Chineses. Alguns analistas apontam como suficiente a capacidade demonstrada dos Type 71, recentemente em exercícios no Mar meridional da China estes navios desembarcaram em suas ilhas, contingentes  de cerca de milhares de soldados, provendo-lhes o apoio adequado para as operações.  

type-071

O evento deixou em alerta tanto o Vietnã como as Filipinas especialmente porque, pelos vídeos e imagens da operação, todos ficaram surpresos pela demonstração dos navios que provaram serem capazes de transportar bem mais material do que se imaginavaSua hangar é dito ser capaz de transportar quatro helicópteros Z 8.

Z8
Helicóptero de transporte principal chinês Z8

 A sua doca interna pode transportar até quatro hovercraft  de desembarque (LCAC) do modelo Type LCAC. Embora, na realidade, seja comum observar que os Type 71 em geral transportam uma miscelânea de embarcações de desembarque que não tão somente os LCAC da classe Type 726 .

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LCAC Type 726

Cada um do veículo Type 726 é dito  ser capaz de transportar dois IFV (veículos blindados de infantaria). Ele também pode aparentemente transportar 80 soldados. Viajando a uma velocidade de cruzeiro de  50 nós  estes veículos podem atingir velocidades ainda superiores, da ordem de  55 a 60 nós.

De acordo com relatórios, do PLAN, os Type 071 deram aquela força a capacidade de operações de lançamento de tropas a mais de  40 milhas náuticas da praia. Neste exercício recente, podemos realmente assistir ao PLAN praticar diferentes tipos de manobras e aprender a realmente usar Type 071. Os Z-8 foram utilizados em manobras de flanqueamento para atacar a retaguarda juntamente com os Type 726, que  por vezes eram seguidas por ondas de desembarque de IFVs anfíbios e barcos de ataque rápidos cujo o trabalho era suavizado pelo apoio aéreo, culminando em invasões inevitáveis as praias.

Na imagem um trio de LPD da classe Type 071
Na imagem um trio de LPD da classe Type 071

O primeiro Type 071, foi contratado no final de 2007 porém, só agora os Type 726 estão operacionais,isto talvez explique a razão pela qual esta operação só foi possível de ser realizada agora,   isso também mostra-nos o quanto de tempo se leva para aprender a começar a operar de fato um novo navio como esse.
O PLAN ainda carece de embarcações Type 
726, bem como de forças consideráveis de helicópteros  Z-8, até o momento o númerod e Type 071 é ainda limitado e as doutrinas estão ainda em desenvolvimento, porém, é inquestionável a  evolução de cinco anos, nas capacidades operacionais anfíbias atingidas pela Marinha do PLAN. 

Numa perspectiva futura, com o desenvolvimento e incorporação dos  LHD Type 081 projeta-se uma capacidade de operações de longo raio ainda muito maiores. Por hora, apesar dos avanços a Marinha do PLAN, reserva sua atenção    à incorporação de uma força pesada de pelo menos 15 novos submarinos, bem como, aos avanços no seu recém incorporado Porta aviões  CV 16, mas em paralelo a força de projeção anfíbia se desenvolve e torna-se cada vez mais estratégica para o PLAN .