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BRASIL EXPORTA JUDOCAS E VÊ ATLETAS TROCAREM NAÇÃO POR SONHO OLÍMPICO

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“…o gaúcho Moacir Mendes continuará com seus treinamentos no Brasil. Membro da seleção nacional até 2011, o atleta de 31 anos chegou a ser eleito o melhor judoca do mundo na luta de solo. Porém, não foi mais chamado para disputar seletivas pela Confederação Brasileira de Judô sem receber explicações.

“Sempre lutei pelo Brasil e sempre amei meu país. Mas não me queriam mais na seleção e sei que ainda tenho condições de continuar lutando. Foi por isso que aceitei o convite do Uruguai, que aposta em mim e no que eu posso fazer”, concluiu o gaúcho Moacir Mendes.”

Rodrigo Farah
Do UOL, em São Paulo

A evolução do judô brasileiro no cenário internacional não é novidade. Mas o patamar de potência mundial atingido pelo país gerou um efeito até então inédito na modalidade. Com número elevado de atletas de ponta, o Brasil está sofrendo a perda de uma verdadeira legião de judocas, que estão trocando de nação movidos pelo sonho dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

A reportagem do UOL Esporte contabilizou um total de sete judocas brasileiros já naturalizados ou em processo de naturalização para defender outros países atualmente: Taciana Lima (Guiné-Bissau), Camila Minakawa (Israel), Sérgio Pessoa (Canadá), Carlos Luz e Eduardo Lopes (Portugal), Moacir Mendes (Uruguai) e Victor Karabourniotis (Grécia).

Além deles, outros dois atletas da atual seleção de judô – que preferiram permanecer em anonimato – já foram procurados por outros países com a promessa de que teriam um projeto individualizado rumo aos Jogos do Rio 2016. Ambos disseram ainda estar em dúvida, lembrando que cada nação pode contar somente com um representante por categoria nas Olimpíadas.

“Em determinados pesos temos uma quantidade muito grande de atletas e alguns deles tendem a procurar outros países por conta disso. A possibilidade de disputar os Jogos Olímpicos no Brasil aumenta ainda mais essa procura, pois todos sonham em participar do Rio-2016”, comentou o coordenador técnico da seleção, Ney Wilson.

“Mas a nossa relação com eles será a mesma, serão mais atletas brasileiros disputando os Jogos e vamos torcer por eles. A não ser em lutas contra os judocas da seleção”, completou o dirigente com bom humor.

Filha do melhor árbitro de judô do mundo, Edson Minakawa, Camila trocou o Brasil não só nas competições. De origem judaica, a atleta de 22 anos recebeu o convite da federação israelense para ser a única atleta da seleção do país na categoria leve (57 kg) a partir de 2013.

A lutadora, que até o ano passado defendia a equipe verde-amarela, ganhou toda a estrutura para montar seus treinamentos na cidade de Netanya de olho na vaga olímpica contra suas novas rivais na Europa. Além de receber ajuda de custo do Governo, ela tem auxílio de profissionais de apoio, como nutricionistas e fisioterapeutas, e conta ainda com uma bolsa universitária para completar seus estudos em psicologia.

“Israel quer que os judeus e seus descendentes retornem ao país. Se você é um atleta de nível mundial, recebe ajuda do Governo para isso. Deixei minha família e estou recomeçando tudo por aqui, desde meu estilo de vida, até o fato de aprender uma nova língua. Estou fazendo tudo passo a passo”, ressaltou Minakawa.

Antiga reserva da campeã olímpica Sarah Menezes, Taciana Lima disputou no fim de abril sua primeira competição como atleta da Guiné-Bissau. A judoca da Sogipa atropelou todas as suas adversárias da África para conquistar a primeira medalha continental de seu novo país na modalidade. Com isso, ela assegurou a classificação para a disputa do Mundial de judô no Rio de Janeiro, em setembro, e disparou para a 14ª colocação do ranking mundial.

Taciana realizou todo o processo de naturalização no começo de 2013. Filha do ex-Ministro da Pesca do país, ela se encontrou com o pai pela primeira vez somente no fim do ano passado, quando passou o réveillon ao seu lado e de seus irmãos.

Foi então que a judoca de 29 anos foi apresentada à alta cúpula do país, com direito a encontros com o presidente e o primeiro ministro, até receber o convite para se tornar literalmente a única judoca de Guiné-Bissau – país que mandou quatro atletas para as Olimpíadas de Londres-2012, sendo dois do atletismo e dois da luta livre.

Mas ao contrário de Camila, Taciana não mudará sua base de treinamentos e continuará defendendo a Sogipa em torneios de clubes no Brasil. “Fui muito bem tratada por todos. Depois do campeonato africano, já dei entrevistas e fui procurada por muitos cidadãos guineenses. O vídeo do pódio, por exemplo, passou até na televisão”, relatou. “Guiné é um país com muitas dificuldades, eles não têm condições de ter muitos atletas de ponta, por isso estão torcendo muito por mim lá”, completou.

Assim como ela, o gaúcho Moacir Mendes continuará com seus treinamentos no Brasil. Membro da seleção nacional até 2011, o atleta de 31 anos chegou a ser eleito o melhor judoca do mundo na luta de solo. Porém, não foi mais chamado para disputar seletivas pela Confederação Brasileira de Judô sem receber explicações.

Foi então que decidiu aceitar o convite para se naturalizar e defender a seleção do Uruguai também a partir deste ano. “Não entendi o que aconteceu, estava desde os meus 17 anos na seleção. Ganhei a última seletiva antes de Londres e depois simplesmente não me chamaram mais para disputar a vaga com o discurso de que buscavam renovação. Não recebi nem uma ligação, nem um e-mail. Achei algo grotesco e fiquei chateado”, lamentou Moacir.

“Sempre lutei pelo Brasil e sempre amei meu país. Mas não me queriam mais na seleção e sei que ainda tenho condições de continuar lutando. Foi por isso que aceitei o convite do Uruguai, que aposta em mim e no que eu posso fazer”, concluiu.

Vale lembrar que, curiosamente, a primeira medalha olímpica do judô brasileiro veio das mãos de um atleta que não nasceu no país. Em 1969, o japonês Chiaki Ishii completou o processo de naturalização e três anos mais tarde conquistou o bronze nos Jogos de Munique. Quatro décadas depois, o cenário se reverteu completamente, e o Brasil tem a possibilidade de contar com uma equipe completa de atletas nacionais carregando a bandeira de outras nações.

Fonte: UOL.Esporte 

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Geopolítica

PRODUÇÃO ACUMULADA NO PRÉ-SAL JÁ SUPERA 192 MILHÕES DE BARRIS DE ÓLEO EQUIVALENTE

presal

Sugestão: Barca

A produção acumulada dos reservatórios do pré-sal, nas bacias de Campos e Santos, desde 2008 até abril de 2013 já chegou a 192,4 milhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural), informou nesta quarta-feira (08/05) o gerente executivo do pré-sal da área de Exploração e Produção da Petrobras, Carlos Tadeu Fraga, durante a Offshore Technology Conference (OTC 2013). Segundo ele, a produção diária superou 311 mil barris por dia em 17 de abril, mais do que o dobro da produção de 2011, de 121 mil barris por dia, em média. A produção média do mês de abril no pré -sal foi de 294 mil barris por dia.

Nesta manhã, Carlos Tadeu deu destaque aos resultados do pré-sal durante o painel “Megaprojetos: Explorando as Oportunidades e Desafios”. O executivo também participou, na terça-feira (07/05), de almoço-palestra da OTC, no qual atualizou os presentes sobre os trabalhos no pré-sal e as perspectivas e projetos para a região.

Nos eventos, Carlos Tadeu afirmou que existem sete plataformas e 19 poços produzindo atualmente no pré-sal, nas duas bacias. Ele destacou a produção média por poço do FPSO Cidade de Angra dos Reis, no projeto piloto de Lula, de cerca de 25 mil barris por dia, valor superior às previsões originais de 15 mil barris por dia. Ressaltou também a entrada em produção do FPSO Cidade de São Paulo, em Sapinhoá, em janeiro deste ano, e informou que o FPSO Cidade de Paraty, destinado a Lula Nordeste, já se encontra na locação e o início da produção ocorrerá ainda esse mês.

Gestão de projetos

Ao expor nossa experiência na gestão de megaprojetos, Carlos Tadeu disse que a estratégia adotada para o pré-sal é uma extensão da adotada para o desenvolvimento dos campos de águas profundas da Bacia de Campos a partir dos anos 80.

Ele enfatizou que os bons resultados obtidos até agora no pré-sal e o bom andamento dos projetos são fruto da estratégia adotada na área, que contempla aquisição de informações das descobertas através da perfuração de poços adicionais, da aquisição de novos dados sísmicos e da realização de testes de longa duração, além dos sistemas piloto, permitindo um adequado conhecimento da área para definição dos projetos definitivos.

O gerente executivo também dimensionou o pré-sal ao público presente: “A área total da província, de 150 mil km2, equivale a seis mil blocos do Golfo do México”, comparou. Ele também disse que a temos conseguido reduzir o tempo de perfuração dos poços no pré-sal. “Estamos trabalhando exaustivamente para reduzir custos de perfuração, que compõem 50% do capex (investimentos). O tempo de perfuração já caiu 50% desde 2006. À época, a média era de 134 dias para a perfuração e hoje conseguimos isso em 70 dias, o que é excelente”.

Ele enfatizou os importantes avanços tecnológicos que têm sido obtidos nas mais diversas áreas e reconheceu o importante trabalho de equipe que tem sido feito com a participação dos nossos parceiros nos projetos e dos fornecedores.

Essa foi a terceira vez que apresentamos, na OTC, os planos e resultados dos projetos do pré-sal. Na primeira, em 2009, a ênfase foi na estratégia escolhida para desenvolvimento da produção na área. Na segunda, em 2011, foram ressaltados os primeiros resultados dos testes de longa duração e do projeto piloto do campo de Lula. Desta vez, o destaque foi o alcance, apenas sete anos após a descoberta, da marca de 311 mil barris de petróleo produzidos por dia na região e o avançado estágio dos diversos projetos na região.

Nosso Plano de Negócios para o período de 2013 a 2017 prevê que a marca de 1 milhão de barris por dia (bpd) operada por nós no pré-sal será superada em 2017 e atingirá 2,1 milhões de bpd em 2020. A descoberta do pré-sal ocorreu em 2006, com o atual campo de Lula (antigo Tupi), na Bacia de Santos, no litoral do Rio de Janeiro. O primeiro óleo do pré-sal foi produzido em setembro de 2008, no campo de Jubarte, na Bacia de Campos, com a conexão de um poço à plataforma P-34, que já operava em reservatórios do pós-sal daquela bacia.

Fonte: Petrobras

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Ataque de Israel na Síria é capítulo da longa ‘batalha secreta’ contra Irã

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Bombardeios contra instalações militares na Síria aparentemente mostram empenho de Israel em manter armamentos estratégicos longe das mãos do Hezbollah, milícia aliada a Teerã

NYT

Os ataques aéreos duplos em Damasco na sexta-feira e domingo, que foram atribuídos a Israel, parecem falar mais a respeito da batalha secreta de Jerusalém contra o Irã e o Hezbollah do que sobre a sangrenta guerra civil que aflige a Síria.

Apesar da preocupação com o futuro da Síria, os líderes políticos e militares israelenses afirmaram com firmeza que não têm interesse em entrar em um conflito com seu vizinho. Mas os ataques aéreos em armazéns militares e outras instalações militares sublinharam sua determinação em evitar com que armas avançadas caiam nas mãos do Hezbollah, a milícia xiita libanesa aliada ao Irã.

De acordo com especialistas em segurança, o aumento da frequência e intensidade dos ataques também demonstram o desejo de Israel para tirar proveito da situação, assim como seu cálculo de que a Síria, o Hezbollah e o Irã estão muito preocupados e enfraquecidos com o conflito que aflige a Síria para retaliar.

Mas muitos avisaram que havia risco de que os israelenses pudessem exagerar na dose, principalmente ao levar em conta a retórica inflamada com que Damasco, Teerã e Hezbollah reagiram: um forte contraste com o silêncio que seguiu alguns dos ataques anteriores.

 

Nahum Sirotsky: Conflito sírio aumenta tensão de Israel com o libanês Hezbollah

Analistas disseram que não enxergaram os ataques aéreos como a abertura para uma nova frente de guerra, ou como uma tentativa de apoiar os rebeldes sírios contra o governo de Assad. Em vez disso, eles tendem a vê-los mais como uma extensão da longa “guerra de sombras” contra o Irã e o Hezbollah, com ataques terroristas e assassinatos que vêm se estendendo ao longo de décadas e em todo o mundo.

“Isso não deve ser visto como Israel tentando intervir em nome dos rebeldes ou contra Bashar”, disse Jonathan Spyer, um pesquisador sênior do Centro Interdisciplinar em Herzilya. “Esta é mais uma etapa do conflito que nós já conhecemos: o conflito entre Israel e Irã”.

Autoridades israelenses contatadas no escritório do primeiro-ministro, no comando militar e de defesa e nos ministérios estrangeiros se recusaram a discutir os ataques do domingo, seguindo rigorosamente um protocolo projetado para dar aos adversários tempo para evitar resposta. Mas agências de notícias citaram fontes israelenses anônimas, que confirmaram a responsabilidade de Israel.

NYT: Síria usa aumento de extremismo entre rebeldes para tentar atrair apoio dos EUA

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu partiu na noite de domingo para uma missão de seis dias à China, que muitos interpretaram como um sinal de que Israel não pretende intensificar sua campanha nos próximos dias – e nem espera um ataque sério.

Israel pode estar apostando na ideia de que o Hezbollah guarda seu poder de fogo no Irã para usar contra o Estado judeu se houver qualquer ataque por parte de Israel ou dos Estados Unidos em relação ao programa nuclear iraniano.

Mas as circunstâncias no terreno na Síria mudaram consideravelmente desde o ataque de Israel em janeiro a um comboio de mísseis russos SA-17. Esses ataques podem ter implicações mais amplas para a guerra civil e além.

Segunda-feira: Ataque aéreo de Israel matou dezenas de soldados na Síria, dizem ativistas

“Esse é o tipo de coisa que você sabe como começa, mas não como termina”, disse Eyal Zisser, especialista sobre a Síria e o Líbano na Universidade de Tel Aviv. “Israel ainda não está envolvido na guerra na Síria”, acrescentou, “mas está se aproximando cada vez mais.”

Emile Hokayem, analista do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, disse que os ataques sugerem que os israelenses enxergaram uma confluência de “necessidade operacional e conveniência estratégica”.

“Os ataques enviaram uma mensagem clara ao Hezbollah e ao Irã de que sabemos que vocês possuem esses recursos e vamos atrás de vocês se tentarem alterar o equilíbrio militar”, disse Hokayem.

Ehud Yaari, um analista de assuntos árabes para o canal de notícias israelense Channel 2 e pesquisador do Instituto Washington para a Política do Oriente Próximo, disse no domingo (5), que todos os alvos em Damasco eram controlados pelo Hezbollah (apesar dos relatórios de terreno terem indicado que cerca de 100 soldados sírios foram mortos, talvez inadvertidamente). Isso ressaltou a visão de que esses ataques foram parte da guerra de sombras contra o Irã e o Hezbollah.

Michael Herzog, um general de brigada aposentado e ex-chefe de gabinete do ministro da Defesa de Israel, disse ser mais provável que a resposta aos bombardeios venha na forma de um ataque aos interesses israelenses no exterior do que por mísseis disparados contra Tel Aviv a partir do norte.

Moshe Maoz, professor da Universidade Hebraica de Estudos do Oriente Médio, disse que o Irã era agora a figura fundamental em relação ao que pode acontecer a seguir. “Israel pode estar testando o Irã”, disse Maoz. “O Irã é a chave. Se o Hezbollah receber luz verde do Irã para retaliar, ou a Síria, Israel não ficara parado. Isso poderia levar a uma guerra regional.”

Por Jodi Rudoren e Isabel Kershner

Fonte: Último Segundo

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Conflitos Geopolítica

O conflito na Síria poderá provocar uma guerra regional?

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Líder do grupo Hezbollah afirmou que o grupo está pronto para receber, da Síria, armamentos capazes de “romper o equilíbrio de forças” na sua disputa contra Israel

BBC Brasil

Nesta semana, o líder do grupo Hezbollah, o movimento islâmico xiita do sul de Líbano, enfatizou queconsiderava a transferência de armas a partir da Síria como sendo uma “resposta estratégica” aos ataques aéreos israelenses que atingiram os arredores da capital síria, Damasco, no domingo.

O caso: Síria enviará armas ao Hezbollah como reação a ataques de Israel, diz Nasrallah

 

AP

Crise na Síria representa várias batalhas misturadas em uma só

 

Hassan Nasrallah afirmou que o Hezbollah iria receber “armamentos únicos, que nunca recebera antes”, uma forte de indicação de que o envio de armas irá prosseguir.

Ataques áreos israelenses também deverão prosseguir , sob o risco de que Israel e o Hezbollah acabem se envolvendo em uma nova rodada de combates. Portanto, uma crise que começou como uma revolta popular na Síria poderá se transformar em uma pesada guerra regional.

Na verdade, a crise na Síria representa várias batalhas misturadas em uma só.

Parcialmente, ela é uma luta por poder entre a maioria islâmica sunita da Síria e a minoria alawita – um ramo do islamismo xiita – que domina o país há uma geração e à qual pertence o presidente sírio, Bashar al-Assad, e seus aliados mais próximos.

Hassan Nasrallah afirmou que o Hezbollah está pronto para receber armamentos capazes de “romper o equilíbrio de forças”.

Esse conflito, além de poder provocar uma catástrofe humana, está tomando ares de um combate sectário e étnico mais generalizado, com crescentes relatos de massacres e de limpeza étnica, muitas vezes realizados por milícias pró-governo.

Segunda: Ataque aéreo de Israel matou dezenas de soldados na Síria, dizem ativistas

Conexão libanesa

O conflito sírio representa também uma batalha estratégica visando uma influência mais ampla na região como um todo. Com o Irã, o aliado mais próximo da Síria, ávido em sustentar o governo do presidente Bashar al-Assad pelo máximo de tempo possível.

O governo iraniano também parece estar se preparando para firmar a sua futura influência em uma Síria pós-Assad. Para Teerã, que conta com a oposição da maior parte dos governos árabes sunitas e pró-ocidentais na região, a Síria não é apenas um parceiro diplomático, mas um forte aliado na luta contra Israel.

O país fornece os meios práticos pelos quais o Irã pode se aliar a grupos na região com interesses similares aos seus, como o Hezbollah no Líbano e o Hamas na Faixa de Gaza.

A conexão libanesa é crucial para os planos iranianos. O Hezbollah com seus grandes mísseis representa uma ameaça significativa para Israel.

Hezbollah, comando por Hassan Nasrallah, estaria recebendo novos e modernos armamentos

Em termos militares, o Hezbollah se saiu fortalecido de seu último grande combate com Israel. Seus militantes são disciplinados, motivados e bem treinados.

Combatentes da milícia islâmica também vêm cruzando a fronteira com a Síria para combater ao lado de tropas do governo contra forças rebeldes.

E, em contrapartida, relatórios de serviços de inteligência informam que a Síria pretende transferir ainda mais avançados armamentos para o Hezbollah.

E essa é a principal preocupação de Israel, em meio ao conflito na Síria que não dá quaisquer sinais de estar caminhando para uma resolução.

O governo israelense já se pronunciou contra o envio de armas capazes de, em suas palavras, “mudar o jogo”. Eses incluiríam mísseis de longo alance de grande precisão; sofisticados mísseis antinavais e modernos mísseis terra-ar que comprometeriam a liberdade de movimento nos céus do Líbano.

Temores de um Hezbollah fortalecido já fizeram com que Israel realizasse uma série de ataques de mísseis contra abrigos de mísseis e outros alvos militares – o mais recente deles no início deste mês. Tais ações militares poderão atrapalhar o armamento do Hezbollah, mas dificilmente impedirão que isso aconteça.

 

AP

Líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, fala via vídeo durante conferência em subúrbio no sul de Beirute, Líbano

 

Frente perigosa

Por enquanto, é o triângulo Israel-Hezbollah-Síria que representa a frente mais perigosa para a crise na Síria e aquela que poderá levar o conflito a se transformar em uma guerra regional.

E é a relação de apoio mútuo entre Síria, Hezbollha e Irã, juntamente com a resposta de Israel, que está alimentando essa potencial escalada.

Um recente relatório do Institute for the Study of War, juntamente com o American Enterprise Institute, pinta um retrato detalhado do quão profundo é o envolvimento do Irã na Síria.

O documento afirma que a cooperação na área de segurança entre os dois países já existe há algum tempo. Uma série de técnicos iranianos teriam sido mortos em uma explosão no alojamento de armas químicas e de mísseis de al-Safir, em 2007.

Envolvimento do Irã

Mas o mais interessante são os detalhes do apoio iraniano ao regime sírio desde o início da atual crise.

Isso envolveria fornecer soldados dos Guardas Revolucionários Iranianos para treinar forças de segurança interna e de contra-insurgência.

O relatório cita ainda o suprimento de armamentos pela via área como sendo um “componente crítico” para o apoio à Síria. O documento menciona dados compilados pelos Estados Unidos segundo os quais tanto voos comerciais como militares do Irã estariam sendo utilizados para transportar armamentos.

Uma apreensão feita em março de 2011 pelas autoridades turcas de um carregamento contido em um avião irianiano Ilyushin-76 encontrou caixas de munição, fuzis, metralhadoras e morteiros.

O Irã também tem prestado apoio a grupos paramilitares dentro da Síria – talvez para criar laços que poderiam ser úteis no caso de queda do governo Assad.

O documento afirma que o Irã tem uma estratégia para o futuro que antevê até um cenário em que o governo da Síria não controlaria mais todo o território do país, mas permaneceria sendo um ator influente na região.

De acordo com o estudo, ao procurar estreitar laços com militantes governistas, o governo da Síria “poderia promover a convergência do que permanecer do Exército sírio com milícias pró-governo”.

“Esta força combinada”, conclui o relatório, “aliada a combatentes da milícia libanesa Hezbollah e de grupos militantes xiitas poderia continuar a competir por uma fatia territorial limitada dentro da Síria e assegurar que o Irã siga seguiria sendo capaz de fornecer apoio logístico e de atuar como força de contenção”.

Fonte: Último Segundo

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Brasil Geopolítica

Marinha paraguaia estaria invadindo o Brasil e atirando contra PF em apoio a contrabandistas

José Ribamar Trindade

Um problema diplomático com invasão de território, e o que mais grave: uma acusação séria contra a Marinha do Paraguai, que estaria entrando no Brasil e dando cobertura a contrabandistas de cigarros e outros gêneros. As denúncias vão mais além:  homens da instituição militar  paraguaia estariam também atirando contra policiais federais brasileiro, gerando um conflito  armado que pode acabar em uma grande tragédia. A matança pode ser inevitável, caso não haja uma providência imediata.
A revelação foi feita pelo advogado Ricardo Monteiro, de Cuiabá, que estava participante de uma audiência na 3ª Vara Criminal do Tribunal Federal de Curitiba, no Paraná,  quando duas testemunhas – um delegado da Polícia Federal e um agente, também da PF – foram bem claros ao denunciar a invasão de território que vem acontecendo há algum tempo, sem qualquer providência das autoridades brasileiras.
Os fatos ocorridos na divisa do Brasil com o Paraguai revela a despreocupação das autoridades com os aspectos que envolvem a fronteira brasileira com os países vizinhos. Em Mato Grosso, não há efetivos para atuação na fronteira – em que pese a existência da Polícia Federal e do Batalhão de Fronteira do Exército em Cáceres. Na região, o tráfico de drogas da Bolívia impera e dita as regras. Estudos mostram que 80% da droga que sai da Bolívia passa por Mato Grosso.
A audiência aconteceu no dia  19 de abril. Nela, o agente da PF, Pablo Sperandio Lopes Moralez,  em depoimento ao juiz da 3ª Vara de Curitiba afirmou que policiais da Marinha do Paraguai vinham dando apoio e proteção constantemente aos contrabandistas na região de fronteira de Guiará, entre o Brasil e o Paraguai, gerando um conflito, inclusive armado.
Logo em seguida, na mesma audiência sobre um processo aberto pela Justiça Federal para investigar e apurar quatro policiais federais acusados de formação de quadrilha, ocultação de origens ilícitas de valores e descaminho (contrabando), a segunda testemunha, o delegado da Polícia Federal Rodrigo Rodrigues de Freitas, confirmou o que o agente Pablo já havia denunciado.

O delegado Rodrigo foi bem claro em seu depoimento como testemunha. “A Marinha do Paraguai dá cobertura e apoio a contrabandistas, chegando a invadir o território brasileiro, até 200 metros das  margens do Rio Guairá, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, em território brasileiro. E o que é mais grave: atiram contra os policiais federais brasileiros que combatem o crime organizado, financiado por contrabandistas internacionais”.
Atento às denúncias do delegado e do agente da Polícia Federal e de outras autoridades que estavam na audiência, o advogado brasileiro se levantou e falou sobre a gravidade das revelações. E fez uma representação, imediatamente, com o aval do juiz da 3ª Vara, para apuração das denúncias, com cópias para o Ministério das Relações Exteriores, para a Justiça Federal e para Procuradoria-Geral da República.
 “Não dá para deixar passar uma coisa dessas. Foram denúncias sérias e graves feitas por dois homens que integram uma das instituições mais respeitadas deste País e do mundo. Invasão de território e tiros dentro de outro País é coisa séria e grave, que pode gerar um conflito diplomático sem precedentes caso as denúncias não sejam investigadas”, alertou o advogado Ricardo Monteiro.
Advogado Ricardo Monteiro: – Diplomado pela Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP, Estado de São Paulo – Especializado nas áreas de Direito Penal, Direito Processual Penal.

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Conflitos Destaques Geopolítica

Estados Unidos quer nove bases em todo Afeganistão

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Base Forward Operating de Naghlu em Surobi no Afeganistão (Carolyn Cole / Los Angeles)

O governo dos Estados Unidos quer manter nove bases militares no Afeganistão após a retirada das forças da Otan do país em 2014, anunciou o presidente afegão Hamid Karzai, que afirmou ser favorável ao pedido.

“Os americanos querem nove bases em todo Afeganistão, em Cabul, Bagram, Mazar-i-Sharif, Jalalabad, Gardez, Kandahar, Helmand e Herat. Aceitamos entregar as bases porque é bom para o Afeganistão”, disse Karzai em um discurso na Universidade de Cabul.

Karzai explicou que há “negociações muito sérias e delicadas” em curso com os Estados Unidos. “O Afeganistão também tem suas próprias demandas e interesses”, declarou, sem abordar polêmica questão da imunidade dos soldados americanos depois de 2014.

O presidente americano Barack Obama quer manter soldados no país ao fim da missão de combate da Otan em 2014, mas apenas se Cabul aceitar conceder imunidade jurídica.

Quase 100 mil soldados estrangeiros, em sua maioria americanos, estão atualmente no Afeganistão sob mandato da Otan, onde enfrentam a insurreição armada talibã, que governou o país de 1996 a 2001.

 

Fonte: Terra

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Brasil Destaques EVENTOS

Brasil é OURO no SniperWeek 2013

Sniper

A dupla premiada com a Medalha de Ouro: Vicente Paulo Ancona e Carlos Henrique Mendes Navas (Fotos: Snipercraft/ASA)

Roberto Valadares Caiafa

O “SniperWeek” é um evento único de treinamento para forças especiais, militares e policiais. São dois dias de palestras e apresentações em sala de aula e mais dois dias de intenso treinamento e a prova Snipercraft Challenge composta por oito etapas.

Organizado pela empresa Snipercraft juntamente com a ASA – American Sniper Association, o SniperWeek é reconhecido mundialmente como uma referência pelo alto grau técnico exigido de seus participantes, geralmente de equipes oriundas de grupos de SWAT ou Unidades de Forças Especiais Militares, sendo que nunca em seus 21 anos de história teve um vencedor que não fosse dos Estados Unidos.

Sniper

Em 2012, a dupla Vicente Paulo Ancona e Carlos Henrique Mendes Navas conquistou o 4º lugar, o que já foi motivo de muito orgulho. Agora em 2013, a dupla brasileira, superou 37 equipes e consagrou-se campeã, com 12% de diferença em relação ao 2º lugar.

A conquista do 1º lugar na competição comprovou aos especialistas a força e qualidade da nossa marca CBC / Magtech. Mais uma vez a CBC com muito orgulho fez parte deste sucesso, patrocinando e fornecendo ao Vicente Ancona as munições Sniper1 da série Tactical CBC .223 HPBT – 69gr.

Nota: Vicente competiu com um fuzil DPMS, com raiamento 1:9”, cano de 16” e luneta Night Force 5,5 x 22 x 56 mm – retículo NPR-1.

 

Fonte: Tecnologia & Defesa

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Conflitos Destaques Geopolítica Opinião

Kerry diz haver forte evidência do uso de armas químicas na Síria

medium

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse nesta sexta-feira que há forte evidência do uso de armas químicas contra as forças rebeldes por parte do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Durante uma conversa com internautas organizada pelo Google+, pela rede de televisão NBC News e pelo Departamento de Estado, Kerry denunciou as “escolhas terríveis que foram feitas pelo regime (do presidente sírio Bashar al-)Assad com a intenção de matar entre 70.000 e 100.000 pessoas de seu próprio povo”.

“Acreditamos que existe uma forte evidência do uso de gás”, denunciou Kerry em um evento organizado pelo Google.

O governo dos Estados Unidos falou pela primeira vez há duas semanas a respeito do possível uso de armas químicas pelo regime sírio contra a própria população, mas o presidente Barack Obama avisou na época que as provas ainda eram insuficientes.

O vice-presidente, Joe Biden, declarou em entrevista publicada na quinta-feira que Washington está tratando o tema Síria com máximo cuidado para evitar erros do passado, como aqueles que provocaram a invasão do Iraque.

No evento do Google, Kerry se referiu ao futuro da Síria: “Se houver a vontade de se chegar a um compromisso para eleger pessoas que comandem um governo de transição, e se elas forem de boa fé e preparadas para oferecer ao povo sírio uma opção justa para dirigi-los, então poderemos evitar a guerra e chegar a um acordo”.

Mas esse governo de transição “não incluirá o presidente Assad”, afirmou o chefe da diplomacia americana.

Ele também falou sobre a conferência internacional sobre o conflito sírio, anunciada esta semana em Moscou para o final do mês em Genebra.

“Posso dizer que devemos ao mundo nosso melhor esforço possível para tentarmos explorar, de boa fé, se poderemos ou não pôr fim à violência, ao derramamento de sangue, evitar um desmoronamento completo” do país por um conflito que já dura dois anos, disse Kerry.

“E a meu ver, se essa reunião for realizada em Genebra, todos poderão ver claramente quem está disposto a ser razoável e quem não”, acrescentou.

AFP

 

Fonte: Terra

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Rússia completa fornecimento de mísseis vendidos à Síria

konstruktor

A Rússia “está completando” o fornecimento de mísseis terra-ar vendidos “há muito tempo” a Síria e atualmente não planeja realizar novas vendas de armamentos deste tipo, afirmou o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov.

“A Rússia não está planejando vender. A Rússia vendeu há muito tempo e está completando o fornecimento de equipamentos, ou seja, um sistema de defesa antiaérea, segundo contratos já assinados”, declarou em Varsóvia.

“O direito internacional não proíbe isto. É um armamento defensivo”, completou.

AFP

Fonte: Terra

 

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Defesa Defesa Anti Aérea Fotos do Dia Sistemas de Armas Tecnologia

Força Aérea da Rússia recebe mais 15 caças MiG-31 modernizado

MIG31

Tradução e adaptação: konner

O CEO da fábrica de aeronaves “Sokol” Alexandr Karezin, entregou ao Ministério da Defesa russo mais 15 MiG-31 modernizado.

“É uma grande contribuição para a capacidade de defesa do país”, disse Karezin no 75º aniversário da criação do centro de ensaios em voo da planta “Sokol”.

Ele disse que os aviões foram modernizados no âmbito do programa nacional de armamentos e fabricação de equipamentos.

“O contrato de longo prazo foi assinado para o período de 2011 a 2018. No total deve ser reparado e modernizado quase 60 aviões MiG-31”, disse ele.

O MiG-31 é projetado para interceptar e derrubar alvos aéreos.

A fábrica de aeronaves “Sokol” é parte da Construction Corporation (OAK) e é especializada na fabricação de caças MiG, particularmente o MiG-21, MiG-25 e MiG-31 MiG-29UB/UBT.

 

Fonte: RIANOVOSTI