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“Brasil é exemplo de democracia”, diz vice dos EUA após conversa com Dilma

joe brasilDepois de almoçar com Michel Temer, Joe Biden deve reforçar a reaproximação entre brasileiros e norte-americanos.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deixou a conversa em reservado com a presidente Dilma Rousseff na manhã desta sexta-feira (31) rasgando elogios ao Brasil. Biden pretende se pronunciar oficialmente ainda hoje, depois de um almoço com o vice-presidente brasileiro, Michel Temer, no Palácio do Itamaraty.

“O Brasil é um exemplo de democracia”, disse ele informalmente aos jornalistas que o aguardavam em frente ao Palácio do Planalto. Pontual, ele chegou às 10h04 para conversar com Dilma e só foi embora 40 minutos depois para encontrar-se com Temer. “Os Estados Unidos estão abertos a negociações com o Brasil em diversas áreas.”

Espera-se que o pronunciamento do norte-americano reforce a reaproximação entre Brasil e Estados Unidos, relativamente distantes durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda hoje, Biden deve formalizar o convite para a presidente brasileira retribuir a visita aos Estados Unidos no mês de outubro.

No Rio

Ontem, o vice de Barack Obama foi à favela Santa Marta, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. Ele visitou o destacamento da UPP (Unidade de Policia Pacificadora), que fica na entrada da comunidade, caminhou por algumas vielas e foi à associação de moradores. No meio do caminho, parou em uma mercearia e comprou um biscoito, para surpresa dos moradores.

Biden posou para fotos e atraiu a atenção. “Ele é muito simpático, comprou até um biscoito wafer aí na frente. Fiz uma foto com ele e vou botar no Facebook”, contou Cleo Regina Misquita, secretária da associação de moradores.

Fonte: Último Segundo

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LEITURA ATUALÍSSIMA SOBRE A ATUAL CRISE BANCÁRIA NOS EUA

21Entrevista concedida por Anna Schwartz a Brian M. Carney e publicada no The Wall Street Journal, em 24/10/2008, onde Schwartz critica Alan Greenspan e o atual presidente do FED, o Banco Central dos EUA, Ben Bernanke

“Nos anos 1930, como afirmam Anna  Schwartz e Milton Friedman em “A Monetary History of the United States” (1963), relato de como uma política monetária mal conduzida transformou o “crash” do mercado de ações em 1929 na Grande Depressão, os Estados Unidos e o Fed estavam diante de uma crise de liquidez bancária. Os bancos quebravam e os depositantes ficavam alarmados com a possibilidade de perder seu dinheiro se seus bancos também quebrassem. Teve início uma corrida aos depósitos. “Se os tomadores não tivessem sacado seu dinheiro, os bancos teriam permanecido em situação boa. Mas o Fed não fez nada e, assim, um banco após outro foi quebrando. Isso motivou ainda mais os depositantes a sacar dinheiro de bancos que não estavam com problemas, provocando mais falências.”

“Não é isso que está acontecendo agora”, diz Schwartz. Hoje, os bancos têm um problema no lado dos ativos de seus balanços – “todos esses títulos exóticos que o mercado não sabe como avaliar”.

“Por quê são ‘tóxicos’?”, pergunta Schwartz. “São tóxicos por que você não pode vendê-los, não sabe o que valem, seu balanço não tem credibilidade e todo o mercado se congela. Não sabemos para quem emprestar por que não sabemos quem está sólido. Portanto, se você conseguir se livrar deles, a coisa melhora.” A única maneira de “se livrar deles” é vendê-los e é por isso que Schwartz acha que a proposta original do secretário do Tesouro, Hank Paulson, de comprar esses ativos dos bancos “foi um passo na direção certa”.

O problema é como dar preço a ativos “tóxicos” que ninguém quer. E por baixo desse problema existe outro, mais complexo: se forem precificados aos atuais níveis de mercado, sua venda levaria muitas instituições à insolvência instantânea. Os temores que estão amarrando os mercados de crédito se materializariam e vários bancos provavelmente quebrariam.

Schwartz não diz, mas foi isso que levou o secretário do Tesouro, Hank Paulson, a mudar da compra de ativos dos bancos para sua recapitalização. Ao fazê-lo, porém, desistiu de tentar salvar o sistema bancário, para tentar salvar os bancos. Ao tentar manter respirando bancos que de outra forma estariam insolventes, diz Schwartz, o Fed e o Tesouro prolongaram a crise.

“Empresas que tomaram decisões erradas deveriam falir”, afirma Schwartz. “E uma vez que isso fica estabelecido como princípio, o mercado reconhece que faz sentido. Tudo funciona melhor quando decisões erradas são punidas e decisões certas tornam você rico.””

 AnnaSchwart

Anna Schwartz critica Greenspan e Bernanke

Brian M. Carney, The Wall Street Journal

24/10/2008

Os mercados de crédito continuam congelados, o mercado de ações continua a ser castigado e uma recessão profunda agora parece ser uma certeza – se é que já não é uma realidade. A maioria das pessoas nunca viu um aperto de crédito como o atual. Anna Schwartz, 92, é uma exceção. Ela não só tem idade suficiente para se lembrar do período entre 1929 e 1933, como também sabe mais sobre a história monetária e bancária do que qualquer pessoa viva. Ela escreveu, junto com Milton Friedman, “A Monetary History of the United States” (1963), relato de como uma política monetária mal conduzida transformou o “crash” do mercado de ações em 1929 na Grande Depressão.

Anna Schwartz, contra socorro a bancos: “Empresas que tomam decisões erradas deveriam falir. E uma vez que isso fica estabelecido como princípio, o mercado reconhece que faz sentido.”

Schwartz trabalha desde 1941 no National Bureau of Economic Research, em Nova York, onde nos encontramos para uma entrevista. Ela está usando uma cadeira de rodas, depois de ter sofrido uma queda, e lamenta suas “muitas enfermidades”. Mas são apenas males físicos. Sua mente está afiada, como sempre. Ela fala com paixão a respeito da atual crise financeira, e uma pitada de resignação. E ao analisar a maneira como as autoridades vêm-se conduzindo, não gosta do que vê.

O presidente do Fed, Ben Bernanke, chamou “Monetary History” de “a principal e mais convincente explicação sobre o pior desastre da história americana”. Schwartz acha que os bancos centrais e o Departamento do Tesouro americano estão errando de novo.

Para entender por que, é preciso entender a natureza dos atuais “distúrbios no mercado de crédito”, como Schwartz os chama. Ouve-se que os bancos não vão emprestar uns aos outros, ou farão isso apenas a taxas de juros punitivas. Os “spreads” – a diferença entre o que custa para o governo tomar emprestado e o que os tomadores do setor privado precisam pagar – estão em níveis históricos de alta. Isso não se deve a falta de dinheiro para emprestar, diz Schwartz, e sim a uma falta de confiança na capacidade dos tomadores de pagarem suas dívidas. “O Fed vem agindo como se o problema fosse falta de liquidez [mas] o problema básico para os mercados é a incerteza quanto à credibilidade dos balanços das instituições financeiras.” Portanto, embora o Fed tenha inundado os mercados de crédito de dinheiro, os “spreads” não se movem por que os bancos não sabem quem ainda está solvente e quem não está.

Nos anos 1930, como afirmam Schwartz e Friedman em “Monetary History”, os Estados Unidos e o Fed estavam diante de uma crise de liquidez bancária Os bancos quebravam e os depositantes ficavam alarmados com a possibilidade de perder seu dinheiro se seus bancos também quebrassem. Teve início uma corrida aos depósitos. “Se os tomadores não tivessem sacado seu dinheiro, os bancos teriam permanecido em situação boa. Mas o Fed não fez nada e, assim, um banco após outro foi quebrando. Isso motivou ainda mais os depositantes a sacar dinheiro de bancos que não estavam com problemas, provocando mais falências.”

“Não é isso que está acontecendo agora”, diz Schwartz. Hoje, os bancos têm um problema no lado dos ativos de seus balanços – “todos esses títulos exóticos que o mercado não sabe como avaliar”.

“Por quê são ‘tóxicos’?”, pergunta Schwartz. “São tóxicos por que você não pode vendê-los, não sabe o que valem, seu balanço não tem credibilidade e todo o mercado se congela. Não sabemos para quem emprestar por que não sabemos quem está sólido. Portanto, se você conseguir se livrar deles, a coisa melhora.” A única maneira de “se livrar deles” é vendê-los e é por isso que Schwartz acha que a proposta original do secretário do Tesouro, Hank Paulson, de comprar esses ativos dos bancos “foi um passo na direção certa”.

O problema é como dar preço a ativos “tóxicos” que ninguém quer. E por baixo desse problema existe outro, mais complexo: se forem precificados aos atuais níveis de mercado, sua venda levaria muitas instituições à insolvência instantânea. Os temores que estão amarrando os mercados de crédito se materializariam e vários bancos provavelmente quebrariam.

Schwartz não diz, mas foi isso que levou Paulson a mudar da compra de ativos dos bancos para sua recapitalização. Ao fazê-lo, porém, desistiu de tentar salvar o sistema bancário, para tentar salvar os bancos. Ao tentar manter respirando bancos que de outra forma estariam insolventes, diz Schwartz, o Fed e o Tesouro prolongaram a crise.

“Empresas que tomaram decisões erradas deveriam falir”, afirma Schwartz. “E uma vez que isso fica estabelecido como princípio, o mercado reconhece que faz sentido. Tudo funciona melhor quando decisões erradas são punidas e decisões certas tornam você rico.”

Em vez disso, ficamos ouvindo falarem na maior parte do último ano sobre “risco sistêmico”. Schwartz não concorda com essa idéia. “É muito fácil, quando você é um participante do mercado, alegar que não se deveria fechar uma empresa que está em situação difícil por que todos que emprestaram para ela serão igualmente prejudicados. Se emprestaram para uma empresa que consideravam bastante sólida, a responsabilidade é deles. O governo não tem de salvá-los, como não salvou os acionistas e os funcionários do Bear Stearns. Por que deveriam se preocupar com os credores? Os credores não são mais dignos de serem resgatados do que as pessoas comuns, realmente inocentes em relação ao que está acontecendo.”

É preciso ter coragem para deixar uma instituição poderosa quebrar. Mas a alternativa – o atual congelamento do crédito – é pior, afirma Schwartz. “Acho que, se você tem alguns princípios e sabe o que está fazendo, o mercado responde. Ele vê que suas ações têm uma certa estrutura, que não são ad hoc – você vai fazer isso hoje, mas fará algo diferente amanhã. E o mercado respeita as pessoas em posições de supervisão que parecem estar no comando do que está acontecendo. Portanto, acho que se você é duro com firmas que investiram errado o mercado não vai culpá-lo. Mas quando as autoridades finalmente decidiram deixar o Lehman Brothers quebrar, já haviam salvado tantos outros que o mercado não sabia mais como reagir. Em vez de demonstrar que têm princípios, as autoridades se mostraram erráticas e inconstantes.”

Assim como aconteceu na década de 1920, os “distúrbios” atuais começaram com uma “mania”. Mas sempre há uma causa para as manias. “Se você investiga individualmente as manias que tomaram conta do mercado ao longo dos anos, em todos os casos foi uma política monetária expansionista que gerou o boom de um ativo.”

“O ativo variou de um boom para outro. Mas o propagador básico foi uma política monetária frouxa demais e juros baixos demais, que induziram as pessoas a dizer que está tão barato adquirir os objetos de desejo daquele boom de ativos que elas vão em frente e compram esses objetos. E então, é claro, quando a política monetária passa a ser apertada, o boom entra em colapso.”

O boom dos preços residenciais começou com as taxas de juros muito baixas dos primeiros anos desta década, sob a presidência de Alan Greenspan no Fed.

“Agora, Greenspan acrescentou um epílogo às suas memórias, “Time of Turbulence”, sobre o que está acontecendo no mercado de crédito”, diz Schwartz. “Ele diz: ‘É verdade que a política monetária era expansionista. Mas não há nada que um banco central possa fazer nessas circunstâncias. O mercado ficaria muito descontente se o Fed tivesse endurecido. Iriam imaginar que não era somente o boom dos ativos que estava sendo eliminado’.” Em outras palavras, Greenspan “se absolve. Não havia realmente uma maneira de acabar com o ‘boom’ por que você estaria infligindo um dano colateral a áreas da economia que você não iria querer prejudicar”.

Schwartz acrescenta: “Não acho que essa é uma resposta adequada àqueles que afirmam que, na ausência de uma política monetária acomodativa, esse ‘boom’ nos preços dos ativos não teria acontecido.” As políticas baseadas nesse pensamento somente levam a uma contração mais danosa da economia quando a mania termina, e ela sempre termina. “Em geral, é mais fácil para um banco central ser acomodativo, ser mais solto, promover condições que fazem todo mundo sentir que as coisas estão indo bem.”

Entre todas as pessoas, o presidente do Fed, Ben Bernanke, deveria entender isso, diz Schwartz. Em 2002, Bernanke, na época um presidente regional do Fed, disse em discurso em homenagem ao 90º aniversário de Milton Friedman: “Eu gostaria de dizer a Milton e a Anna, em relação à Grande Depressão: Vocês estão certos, nós fizemos aquilo. Sentimos muito. Mas, graças a vocês, não vamos fazer de novo.”

“Essa foi a alegação dele para significar que vale a pena comandar o Fed”, diz Schwartz. Ele estava “familiarizado com a história. Sabia o que precisava ser feito”. Mas talvez esse seja de fato o maior problema de Bernanke. A crise atual não é uma repetição do problema da década de 1930, mas nossos banqueiros centrais vêm respondendo usando as ferramentas que deveriam ter usado na época. Eles estão lutando a guerra passada. O resultado, afirma Schwartz, vem sendo o fracasso. “Não vejo que conseguiram o que deveriam estar tentando conseguir. Portanto, meu veredicto sobre a atual liderança do Fed é que ela não está realmente fazendo seu trabalho.”

(Tradução de Mario Zamarian)

Fonte: The Wall Street Journal, 24/10/2008, – Valor via YAHOO! Brasil 

Leia também:

SUGESTÃO DE LEITURA: POR QUE SAÍ DO GOLDMAN SACHS

“O autor, Greg Smith, detalha como o banco mais poderoso do mundo, que participou da abertura de capital de empresas emblemáticas como Ford, Sears e Microsoft, se tornou um vampiro, que se referia aos clientes como “fantoches” e pagou a multa recorde de meio bilhão de dólares à Comissão de Títulos e Câmbio dos EUA.
Smith mostra a transformação de Wall Street em uma indústria dividida por causa de conflitos de interesse e pela mentalidade do lucro acima de tudo, à custa do próprio sistema econômico e da sociedade como um todo.”
Por que Saí do Goldman Sachs
Sinopse: “Em março de 2012, Greg Smith publicou um artigo no jornal The New York Times intitulado “Por que estou saindo do Goldman Sachs”. O texto rapidamente se espalhou pela internet, e provocou respostas enérgicas por parte do mercado financeiro e até do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg.
A história começa no ano 2000, quando Smith, então com 21 anos, iniciou sua carreira no Goldman Sachs como estagiário, sendo apresentado ao princípio número 1 dos negócios do banco: “Os interesses de nossos clientes vêm sempre em primeiro lugar”. Esta frase permaneceu como o mantra de Smith ao longo de sua ascensão dentro da empresa, com uma carteira de clientes que administrava mais de três trilhões de dólares em ativos.

O autor, Greg Smith, detalha como o banco mais poderoso do mundo, que participou da abertura de capital de empresas emblemáticas como Ford, Sears e Microsoft, se tornou um vampiro, que se referia aos clientes como “fantoches” e pagou a multa recorde de meio bilhão de dólares à Comissão de Títulos e Câmbio dos EUA.

Smith mostra a transformação de Wall Street em uma indústria dividida por causa de conflitos de interesse e pela mentalidade do lucro acima de tudo, à custa do próprio sistema econômico e da sociedade como um todo.

Depois de falar com nove sócios do Goldman Sachs ao longo de um período de doze meses, Smith se convenceu de que a única forma de o sistema mudar seria por meio das declarações de alguém que já fez parte dele. Ele abandonou sua carreira e tomou a questão em suas mãos.

Esta é sua história.”

Livro: “Por que Saí do Goldman Sachs”

1a. edição, 2013

Greg Smith

Leya

Fonte: Livraria Folha 

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PONTAS DE LANÇA DA “OTAN” SOBRE A AMAZÔNIA

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 Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva (*)

O amadorismo do ministro da defesa em assuntos estratégicos ficou novamente evidenciado na medida em que, sem avaliação dos “contras”, muito mais pesados que dos “prós”, este aventa do Brasil vir a modernizar, com o suporte da indústria e das organizações militares do País, as forças armadas da Guiana e do Suriname.

Acontece que a composição do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) urge ser repensada. Criado para estabelecer política de defesa e estruturar sistema correlato para o subcontinente, a “inclusão Guiana/Suriname” é por si só inquietante, exigindo justificativa que, no mínimo, indique lógica palatável para o paradoxo: o primeiro país, embora autônomo, integra a Commonwealt, associação solidamente vinculada, é arriscado, à Grã-Bretanha; o segundo, mesmo independente, tem laços fortes com a Holanda que integra, como o Reino Unido, a União Européia. Seus habitantes, sem elos com os de origem luso-espanhola, não afiançarão lealdade à união sul-americana se ameaçados os cantões amazônicos daqueles. Além disso, se nem o “portunhol” falam, não são “hermanos”. Alerta! A marinha de sua majestade vai aportar no setentrião sul-americano lançando âncoras na Guiana. Quem mapear aqueles territórios vai se aperceber das avantajadas cabeças de ponte para o bote na Amazônia. Seria apenas para inglês ver? As tropas daquelas monarquias de quando em vez se adestram em suas ex-colônias.

Atenção! Precedem a admissão esdrúxula desses autênticos “estranhos no ninho” as declarações de mandatários de potências ostensivamente contestadoras da brasilidade amazônica. Na Inglaterra, pára-brisas de veículos ostentam a mensagem “salvem a Amazônia queimando um brasileiro”. Só estas inclusões comprometem o órgão desconexo, prematuro, criado na esteira de uma UNASUL que atropela o processo claudicante de estruturação do MERCOSUL. Governo, parlamentares, a sociedade enfim ainda não se flagrou do absurdo admitido. Os chefes de estado sul-americanos, mal assessorados por uma diplomacia carente de conhecimentos comezinhos sobre geopolítica, aliam à sua miopia estratégica anacrônica a falta de visão prospectiva para o cenário de ameaças descortinado face ao ecúmeno amazônico comum e aos recursos energéticos submersos de suas faixas oceânicas.

Nosso poder de dissuasão, que deve ser definitivo, precisa ser alcançado antes para só depois se pretender capitanear a estruturação de macro-organismos defensivos, e isto sem a participação de “cavalos de tróia”. Iniciativas do gênero, se antecedem este desiderato vital, são inconsistentes como castelos de areia erigidos por sobre nações que, para reciclarem material bélico, ainda negociam com os “mercadores da morte” dos próprios membros permanentes do Conselho de Segurança/ONU.

(*) Paulo Ricardo da Rocha Paiva, é Coronel de Infantaria e Estado-Maior do Exército Brasileiro

Fonte: acritica.uol 

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Guerra interna do Islã sem solução à vista

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Por Alfredo Valadão

 

Há vinte anos, o cientista político Samuel Huntington publicou a sua célebre tese sobre o “choque de civilizações”. Uma visão apocalíptica do mundo onde as grandes civilizações iriam se enfrentar em guerras religiosas e identitárias. Já naquela época essa idéia não fazia muito sentido. As “civilizações”, mesmo se fosse possível defini-las de maneira convincente, são profundamente heterogêneas e em hipótese alguma podem ser vistas como atores com vontade política própria, uma condição indispensável para entrar em conflito com quem quer que seja. Hoje então, o mundo árabe-muçulmano está demonstrando uma verdade milenar: os piores enfrentamentos, os mais sangrentos, são aqueles que se dão dentro de uma mesma cultura ou espaço religioso. As guerras civis são sempre infinitamente mais cruéis. 

O ciclo de violências e revoluções políticas aberto pelos atentados terroristas contra as Torres Gêmeas de Nova Iorque e a intervenção americana no Afeganistão e no Iraque, não foi o começo de uma guerra entre o Ocidente e o Islã. Muito pelo contrário, ele inaugurou uma era de enfrentamentos generalizados dentro do mundo islâmico. O Iraque está à beira de uma nova guerra civil entre a maioria xiita e a minoria sunita, com atentados terroristas sangrentos quase quotidianos. No Paquistão e no Afeganistão, os Talibãs multiplicam as ações terroristas contra os partidos ou autoridades islâmicas moderadas. Na Síria, um governo alauíta (uma dissidência do xiismo) apoiado militarmente pelo movimento xiita libanês Hezbollah e pelo governo xiita iraniano, massacra sem remorsos uma oposição sunita e laica. Essa, por sua vez, também tem que enfrentar a concorrência de grupos sunitas radicais apoiados pela Arábia Saudita e as monarquias sunitas do Golfo que paradoxalmente, em casa reprimem ferozmente este tipo de grupelhos extremistas. Com quase 100.000 mortos em dois anos, a guerra civil síria já é uma das mais sangrentas do Oriente Médio moderno. No Egito, a Irmandade Muçulmana no poder está sendo rechaçada, não só pelos revolucionários seculares mas também por movimentos salafistas mais extremistas, como o Al-Nur, ou elementos radicais abertamente jiadistas que montam operações contra as Forças Armadas egípcias no Sinai. Na Tunísia, o governo islâmico do Enahda decidiu reprimir violentamente os islamistas do movimento Ansar-al-Charia qualificados de terroristas.

Na verdade esta guerra generalizada dentro do Islã possui duas vertentes. Uma é o enfrentamento entre os partidos islâmicos mais moderados que chegaram ao poder durante a primavera árabe e a nebulosa dos grupos islamistas radicais – legais ou abertamente terroristas. Outra é o retorno do velho confronto histórico entre xiitas e sunitas. O problema dos partidos islâmicos mais moderados no poder é tentar administrar e resolver os problemas econômicos e sociais urgentes de suas populações. Só que até agora só foram capazes de demonstrar a própria incompetência, abrindo espaço para a oposição laica e para os extremistas islamistas que acham que basta aplicar os ensinamentos do Alcorão para que tudo seja resolvido. O horizonte dos moderados é político e nacional enquanto o dos extremistas é religioso e transnacional. Os primeiros querem construir um país, os segundos querem realizar a “Uma”, a comunidade de todos os muçulmanos independentemente de suas nacionalidades. Esse choque de projetos cria um clima de tensão e violência permanentes.

E se não bastasse, o grande Oriente Médio ainda tem que amargar o conflito xiita/sunita. A República islâmica do Irã não esconde a sua ambição de se tornar a potência hegemônica na região, provocando uma forte resistência por parte dos vizinhos árabes sunitas. Além de querer possuir armas nucleares para intimidar a região e adversários potenciais, o Irã consolidou uma rede de aliados xiitas: o governo iraquiano, os alauítas sírios e o Hezbollah libanês. Aliados que, inevitavelmente, são rejeitados e combatidos pelas forças sunitas locais.

O resultado desta desagregação do Islã político é que a reforma e a consolidação dos Estados nacionais na região fica cada vez mais difícil. Não há solução à vista para essa guerra entre todas as facções do islamismo político, nacionais e transnacionais. As fronteiras e os equilíbrios geopolíticos herdados da Primeira e da Segunda Guerra mundiais, estão claramente ameaçados. Por enquanto não é possível, nem recair nos regimes nacionalistas autoritários do passado, nem avançar para uma democracia moderna. Mas quem sabe se esta fragmentação geral da autoridade religiosa no Islã não vai acabar favorecendo uma modernização laica no mundo muçulmano? Como aconteceu com o cristianismo depois das terríveis guerras de religião dos séculos XVI e XVII na Europa.

Clique e ouça a crônica de política internacional de Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, na íntegra:

 

Fonte: rfi em português 

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Que países desejam criar rebeldes sírios?

europe

Andrei Ontikov

São poucos os rebeldes que partilham os valores democráticos e querem viver num Estado laico. O anúncio foi feito pelo chefe da Comissão da ONU para a Investigação de Eventuais Violações de Direitos Humanos na Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, que na próxima semana, apresentará mais um relatório. “Eles têm aspirações diferentes. Os lutadores pela democracia que realmente acreditam na opção ideal – o Estado laico, Estado para todos, constituem a minoria”, constata.

Enquanto isso, o vice-presidente do comitê de solidariedade com os povos da Síria e da Líbia, Israel Shamir, qualifica a declaração do alto responsável da ONU como um sinal positivo:

“É bom estar surgindo a compreensão do cenário real das coisas naquele país. Como é natural, entre os oponentes do regime há pessoas que se manifestam a favor da democracia, dos direitos humanos e liberdades cívicas. Mas a atual crise colocou no primeiro plano os que se encontram longe do objetivo de transformações democráticas. No meio deles há ainda bandidos, ladrões e mercenários, bem como extremistas islâmicos, preparados pela Arábia Saudita e Qatar. Os autênticos oposicionistas, que tinham criticado o regime ainda antes da crise, chamados de “oposição interna”, se solidarizam com a ideia de diálogo. Mas a “oposição externa” não leva a sério suas intenções e os propósitos que advogam.

Muitos peritos indicam que os rebeldes que preconizam a intenção de edificar um regime democrático na Síria têm para tal sobejas potencialidades. Sob seu controle se encontram algumas zonas do país, por exemplo, uma região na fronteira com a Turquia. Ali também é possível estabelecer as normas de vida democráticas, realizar eleições autárquicas e fazer outros procedimentos necessários. Todavia, das regiões ocupadas pela oposição armada, chegam até nós vídeos sobre as “limpezas étnicas”, punições públicas e massacres.

Um representante da oposição, membro da Coligação Nacional, Ahmad Kamil, divulgou, em entrevista à Voz da Rússia, que o seu partido cuidará da questão de direitos do homem logo depois da vitória:

“Quando derrubarmos o regime criminoso, vamos proceder ao combate à violação dos direitos do homem. Vamos investigar os crimes cometidos nesse domínio, e até interrogar as pessoas que pegaram em armas para se proteger. Vamos levar tudo isso conta quando chegarmos ao poder”.

Peritos, duvidam, contudo, quanto à sinceridade de tais intenções. Não é segredo que o fulcro da Coligação Nacional tem sido constituído por Irmãos Muçulmanos, cuja eventual subida ao poder não será assinalada pelo “florescimento da democracia”.

Israel Chamil, em contacto permanente com as pessoas que viveram em territórios ocupados pelos rebeldes, numa espécie de protótipo da nova Síria, admite:

“As declarações de os rebeldes terem estabelecido ou estarem instaurando ali um regime democrático ou as leis de sharia não correspondem à verdade. É mentira. As pessoas que ali viveram por algum tempo relatam que os insurretos praticam atos de pilhagem, roubam tudo que podem roubar e depois levam as coisas roubadas para a Turquia. Por isso, trata-se de saques típicos e banais. Quando querem castigar alguém, costumam agir à margem da lei islâmica sob a capa de justiceiros. Para dizer verdade, eu não partilho os receios da ONU acerca da alegada instauração de leis islâmicas no caso do derrubamento de Assad. As leis de sharia se baseiam num determinado quadro jurídico. Nem todos os sírios gostariam de viver ao abrigo dessa lei, mas viver sob estas normas rígidas é possível. O problema se prende com o banditismo comum”.

Seria, realmente, muito difícil imaginar que os assassinos de ontem, bandidos e ladrões, quando chegarem ao poder, se tornarão de repente autênticos defensores de valores democráticos e direitos humanos.

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Conflitos Defesa Tecnologia

ONU questiona uso de ‘robôs assassinos’ em guerras

A Organização das Nações Unidas (ONU) está preocupada com o desenvolvimento dos robôs LARs (Robôs Autônomos Letais, na sigla em inglês) que tem autonomia de decidir quem ou o que destruir.

Pode um robô fazer a distinção entre alvos militares e civis? Entre soldados lutando e os que querem se render?

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Quem será responsabilizado por erros, já que robôs não podem ser julgados por crimes de guerra?

Essas são algumas das questões que estão sendo levantadas pela organização, que propõe uma moratória no desenvolvimento desse tipo de armamentos, uma nova geração de máquinas que atacam de forma independente, com autonomia de decisão – ao contrário dos ‘drones’, por exemplo, os aviões não tripulados usados pelos EUA nos Afeganistão, que respondem a comando humano.

Segundo Christof Heyns, relator especial da ONU para execuções extrajudiciais, essa suspensão permitiria um envolvimento internacional significativo no debate sobre a ética do uso dos Robôs Autônomos Letais em conflitos armados.

Acredita-se que Estados Unidos, Grã-Bretanha e Israel estejam desenvolvendo esse tipo de robô, no entanto, esses países não mostraram interesse em se comprometer com a moratória proposta pela ONU.

Fonte: BBC Brasil

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Defesa Negócios e serviços Sistemas de Armas

Moscou negocia com Damasco o fornecimento de caças MiG-29

Na imagem Mig 29K da Marinha Indiana
Na imagem Mig 29K da Marinha Indiana

Sugestão:  Leandro Mello

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

Segundo o periódico russo Ria Novosti, a Rússia está negociando o fornecimento de caças MiG-29 à Síria, segundo teria revelado hoje o chefe da corporação RAK MiG.

“Uma delegação da Síria está atualmente em Moscou. Eles discutem os detalhes e prazos de um possível contrato de fornecimento para mais de 10 aeronaves MiG-29M/M2”, disse o CEO da MiG Sergei Korotkov. Ele disse que é mais do que 10 aeronaves .MIG29M2

Enquanto isso, segundo a Ria Novosti, o conselheiro do presidente Vladimir Putin para assuntos internacionais, Yuri Ushakov, tereia sugerido ao lider da nação que não assinasse novos contratos militares com Damasco.

Quando perguntado se Moscou fecharia novos acordos para o fornecimento de equipamento militares para o regime de Bashar Assad, agora que a UE levantou o embargo de armas à oposição síria, Ushakov disse: “que eu saiba, a Rússia não pretende assinar novos contratos “.

S300

O funcionário se recusou a comentar sobre os rumores da chegada de um primeiro lote de sistemas antiaéreos russos S-300 para a Síria.

Ele ressaltou que a Rússia honra seus contratos para o fornecimento de armas modernas, mas não envia qualquer equipamento militar que esteja sujeito a restrições internacionais.

Uma fonte do setor de defesa citado hoje pela imprensa russa disse que a entrega dos S-300 para a Síria é improvável.

Segundo a fonte citada, tudo vai depender muito da evolução da situação regional e da postura das nações ocidentais perante as resoluções e do desfecho do conflito na Síria. Os sistemas russos S-300 epicentro desta controvérsia, são sistemas equipados com modernos radares capazes de identificar e rastrear alvos a uma grande distância, bem como mísseis e aeronaves com um alcance de 200 quilômetros.

A instalação destes mísseis na Síria de imediato criaria uma zona de exclusão ao redor do espaço aéreo de Israel, militares israelenses advertiram que sob nenhuma circunstância Israel permitiria a operação destes sistemas. Washington também afirmou que o S-300 poderia desestabilizar a situação no Oriente Médio. Enquanto isso, Moscou interpreta essas armas como uma dissuasão contra uma possível intervenção militar estrangeira na Síria.

Fonte: Ria Novosti

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Defesa Sistemas de Armas

China desenvolve a bomba de pequeno diâmetro CM-506KG

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Tradução e adaptação

E.M.Pinto

A China lançou  a sua Bomba de diâmetro pequeno, CM-506KG uma arma guiada de precisão cuja versão básica é orientada por satélite e INS, a arma é do tipo “dispare e esqueça” e também e possui ainda uma versão de guiamento por infra vermelho, por rastreador laser semi ativo ou ambos os sistemas combinados.JF-17 Thunder FC-1 J-10 FC-20 J-31 J-20 J-11Cvbsgh ii Small Diameter Bomb (SDB) china paf exportpound kg) precision-guided glide bombplaaf (2)

A CM-506KG  tem uma massa de 150 kg e com auxílio do seu sistema de asas pode entregar a arma a uma distância de planeio de máximo de 130 quilômetros.

Fonte: China Defense

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Conflitos

No Judiciário, corte militar tem maior gasto com ‘marajás’

STM

Sugestão: Lenadro Melo

Auditoria identificou ao menos 20 casos, cujos pagamentos além do previsto na Constituição somam R$ 3,8 milhões

 

Fábio Fabrini – de Brasília

Menor corte superior do País, o Superior Tribunal Militar (STM) desponta, entre os órgãos do Judiciário citados pelo TCU, com o maior número de servidores ativos, aposentados e pensionistas remunerados acima do teto. A auditoria identificou ao menos 20 casos, cujos pagamentos além do previsto na Constituição somam R$ 3,8 milhões.

O STM está na mira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que criou, este ano, um grupo de trabalho para estudar sua extinção. O motivo são as altas despesas da corte ante a produtividade, considerada baixa. O presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ, Joaquim Barbosa, disse, em sessão do conselho, em abril, que os gastos da Justiça Militar, de R$ 419 milhões em 2011, são “escandalosos” e um “descalabro financeiro”.

Além do STM, criado em 1º de abril de 1808 pelo príncipe regente d. João VI, a Justiça Militar é composta pelos tribunais de São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul. Só o STM consumiu R$ 322 milhões, com 15 ministros e 962 servidores. Segundo o CNJ, essa estrutura existe para julgar cerca de 600 processos por ano.

O conselheiro Bruno Dantas, que apresentou a proposta para criar o grupo, diz que os gastos da corte correspondem a um terço do orçamento do Superior Tribunal de Justiça, que tem muito mais causas a analisar. O grupo de trabalho ainda não apresentou conclusões. Se prevalecer a ideia da extinção, a proposta será enviada ao Congresso e às Assembleias Legislativas dos três Estados. O STM não respondeu aos questionamentos do Estado sobre a auditoria do TCU. A assessoria de imprensa disse que a corte não foi notificada.

Fonte: Estadão