Categories
Balanço estrategico China Estados Unidos Geopolítica Geopolitica Opinião Uncategorized

Conexão Geo com Cmte. Leonardo Mattos

 

Pautas de hoje:

1) As eleições europeias e mais um capítulo do BREXIT
2) A Guerra entre China e EUA prossegue
3) Narendra Modi é reeleito na India
4) Atualizando a Venezuela
5) Notícias Militares
6) O que vem por aí

[embedyt] https://www.youtube.com/watch?v=QUum4XDVrPA[/embedyt]

Categories
Conflitos Conflitos e Historia Militar Destaques Estado Islãmico Estados Unidos Geopolítica Geopolitica História Iraque Síria Terrorismo

Coalizão liderada pelos EUA matou mais de 1.600 civis na Síria, acusa Anistia Internacional

Civis caminham emfrente a prédios severamente destruídos em Raqqa, na Síria Foto: Aboud Hamam / Reuters 14-05-18

Civis caminham emfrente a prédios severamente destruídos em Raqqa, na Síria (Foto: Aboud Hamam / Reuters 14-05-18)

Campanha para tomar a cidade de Raqqa do Estado Islâmico em 2017 deixou dez vezes mais vítimas civis do que apontam dados oficiais, segundo estudo

 

BEIRUTE – A coalizão liderada pelos Estados Unidos matou mais de 1.600 civis em Raqqa ao longo de vários meses em 2017, durante sua campanha para expulsar o Estado Islâmico da cidade, acusa um relatório lançado nesta quinta-feira pela Anistia Internacional e pelo Airwars, ONG de monitoramento de guerras.

O número indicado é dez vezes superior aos dados oficiais sobre vítimas civis. O documento diz que ataques aéreos e de artilharia americanos, franceses e britânicos mataram e feriram milhares de inocentes entre junho e outubro de 2017 na antiga capital do Estado Islâmico . Muitos dos casos, diz o texto, “constituem violações à lei humanitária internacional e exigem investigação adicional”.

As organizações passaram 18 meses pesquisando as mortes de civis, incluindo dois meses fazendo pesquisa de campo em Raqqa, disseram. “Nossa descoberta conclusiva depois de tudo isso é que a ofensiva militar da coalizão liderada pelos EUA (EUA, Grã-Bretanha e França) provocou diretamente mais de 1.600 mortes de civis em Raqqa”.

O relatório pede que os membros da coalizão criem um fundo para compensar as vítimas e suas famílias

A coalizão respondeu que tomou “todas as medidas razoáveis para minimizar as baixas civis” e que ainda existem alegações abertas que estão sendo investigadas. “Qualquer perda involuntária de vida durante a derrota do Daesh é trágica”, disse Scott Rawlinson, um porta-voz da coalizão, em um comunicado enviado por email mais tarde na quinta-feira, usando um acrônimo em árabe para Estado Islâmico.

“No entanto, estas perdas devem ser comparadas com o risco de permitir que o Daesh continuasse as suas atividades terroristas, causando dor e sofrimento a qualquer pessoa que quisesse”, acrescentou.

O Estado Islâmico dominou Raqqa no início de 2014, época em que avançou rapidamente na Síria e no Iraque e constituiu um autoproclamado califado. Caracterizado pelas execuções sumárias de opositores, o grupo cometeu uma matança em massa e escravizou minorias, em um processo que a ONU descreveu como um genocídio.

O grupo, que controlava um terço da Síria e do Iraque em 2014, já foi expulso de todo o território que controlou, a partir de campanhas militares empreendidas por um conjunto de forças, incluindo os governos da Síria e do Iraque, dos Estados Unidos, de seus aliados europeus e de seus rivais Rússia e Irã. Apesar de não controlar mais o território, o grupo ainda ameaça lançar ataques terroristas em todo o mundo.

As Forças Democráticas Sírias lideradas pelos curdos (SDF) e apoiadas por Washington  capturaram Raqqa em outubro de 2017, após uma ofensiva de cinco meses apoiada por ataques aéreos liderados pelos EUA e por forças especiais.

A Anistia disse no ano passado que havia evidências de que ataques aéreos e de artilharia da coalizão eem Raqqa violavam a lei humanitária internacional e punham em perigo as vidas de civis, mas até agora não tinha dado uma estimativa do número de mortos durante a batalha.

Durante e depois da campanha, repórteres em Raqqa noticiaram que o bombardeio causou destruição maciça na cidade, devastando bairros inteiros.

Fonte: O Globo e Reuters

Categories
Defesa Estados Unidos Negócios e serviços

Boeing recebe contrato de US $ 39 milhões para 4 helicópteros MH-47G

Tradução e adaptação – E.M.Pinto

O Departamento de Defesa dos EUA (DoD) anunciou que a Boeing recebeu um contrato de  US $ 39 milhões para a finalização de quatro novos helicópteros de operações especiais MH-47G.

Segundo um comunicado, o Boeing Co., foi premiada com US$ 39.038.317 (PZ0003) para um contrato de custo fixo mais taxa fixa (H92241-18-F-0022) para a finalização de quatro helicópteros MH-47G novos.

A nota também destacou que essa ação é necessária para satisfazer uma necessidade urgente de sustentar as aeronaves de asa rotativa de assalto pesado e de ataque pesado das Forças de Operações Especiais (SOF) dos EUA, à luz das crescentes demandas operacionais das SOFs.

O Boeing MH-47G é uma variante de operações especiais do helicóptero CH-47 Chinook. O MH-47G é usado em missões de transporte pesado, como o transporte de tropas, munições, veículos, equipamentos, combustível e suprimentos, bem como missões de socorro civil e humanitário.

O helicóptero pode realizar missões de longo alcance em baixo nível, em condições climáticas adversas durante o dia e à noite.

O MH-47G, a mais recente atualização do helicóptero, foi usado pelo 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais “Nightstalker” desde que o primeiro modelo foi entregue em 2014.

O 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos, também conhecido como Night Stalkers, é uma força de operações especiais do Exército dos Estados Unidos que fornece apoio de aviação de helicópteros para forças de uso geral e forças de operações especiais.

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Conflitos Estados Unidos Geopolítica Vídeo

Geopolítica dos Estados Unidos

De Leon Petta para o Plano Brasil

De Leon é Autor associado ao Plano Brasil e Professor das Faculdades Integradas Rio Branco. Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Com estágio sanduíche na Virginia Commonwealth University (Estados Unidos) e University of Hong Kong (China). Tem experiência na área de Geopolítica e Crime Organizado. 

Categories
Conflitos Estado Islãmico Estados Unidos Geopolítica Israel Terrorismo

Israel admite vitória militar de Assad e manutenção do regime na Síria

Regime toma províncias meridionais, e sua aliada Rússia já se instala nas Colinas de Golã

Forças sírias erguem bandeiras em Quneitra após retomada de território nas Colinas de Golã das mãos de rebeldes – YOUSSEF KARWASHAN / AFP

JERUSALÉM E DAMASCO – Com as recentes vitórias do regime de Bashar al-Assad na Síria, que o colocam virtualmente como vitorioso na guerra civil que há mais de sete anos assola o país, o vizinho Israel já admite a manutenção do presidente sírio no poder e não pretende intervir no conflito.

— Na Síria, do nosso ponto de vista, a situação volta a ser a que prevalecia antes da guerra civil (2011). Ou seja, que está claro a quem se dirigir, há alguém que é responsável e há um poder central — afirmou Lieberman durante uma visita a instalações de defesa antiaérea no Norte de Israel.

Forças iranianas recuam artilharia das Colinas de Golã

Rússia apela na ONU por reconstrução da Síria e repatriação de refugiados

Para Lieberman, há vantagens na vitória de Assad.

— Não nos misturamos, nem intervimos nos assuntos internos da Síria, com a condição de que se respeitem três pontos importantes para nós — insistiu Lieberman, mencionando “respeito dos acordos de separação de 1974” que estabelecem uma zona desmilitarizada nas Colinas de Golã, em grande parte ocupados por Israel e agora liberados de rebeldes na porção síria. A ONU e a Síria consideram ilegal a ocupação israelense.

Fonte: BBC

FORÇAS ISRAELENSES E JORDANIANAS MATAM JIHADISTAS

Depois de semanas de bombardeio intenso da Rússia, o governo sírio retomou o controle das três províncias meridionais do país, Deraa, Quneitra e Sueida, e também da fronteira com a Jordânia, anunciou nesta quinta-feira o Exército da Rússia, que apoia as Forças Armadas da Síria. Os últimos combates foram com grupos jihadistas ligados ao Estado Islâmico.

A liberação das áreas, inclusive de planícies férteis ao longo do Rio Yarmouk, propiciou uma grande mudança no quadro anterior ao conflito iniciado em 2011, com a polícia militar russa começando a se mobilizar na parte de Golã sob controle sírio e planeja montar oito postos de observação na área, informou o Ministério da Defesa em Moscou.

Moradores de Idlib observam destruição após ataque aéreo: região deve ser alvo da ofensiva final do regime – OMAR HAJ KADOUR / AFP

— Estão criadas as condições para que as forças de manutenção da paz da ONU nas Colinas de Golã retomem suas atividades — declarou em Moscou o general Serguei Rudskoi, do Estado-Maior russo.

Nesta quinta-feira, Israel e Jordânia comunicaram ainda que suas forças mataram insurgentes do Estado Islâmico que se aproximaram de suas fronteiras depois de serem expulsos do Sudoeste da Síria pelo Exército. Israel afirmou ter matado ao menos sete jihadistas, utilizando ataques aéreos. Já militares da Jordânia disseram ter confrontado combatentes do mesmo grupo, o chamado Exército Khaled Bin Walid, durante 24 horas entre terça e quarta-feira, matando um número não especificado deles.

SETE ANOS DE HORROR NA GUERRA SÍRIA EM IMAGENS

Ainda no período inicial da guerra civil na Síria, em 2011, manifestantes em Banias pedem liberdade na Síria. Conflito, que nasceu na esteira das manifestações da Primavera Árabe, acabou se tornando cada vez mais violento com atritos entre governo e rebeldes de diferentes facçõesFoto: AFP

Os ataques do governo, com bombardeios, começaram a fazer cada vez mais vítimas em várias cidades pontos de atrito. Alguns dos primeiros grandes foram em 2012, no bairro de Baba Amr, reduto da rebelião em Homs (centro). A imagem mostra o velório de um homem morto nos ataquesFoto: AFP

Menino passa por cima de corpos de crianças mortas em ataque químico em Ghouta, na Síria, em 2013: ataque deixou centenas de mortos. Número é incerto até hojeFoto: Reprodução

Em 2014, o Estado Islâmico conquista a cidade de Raqqa. É o início do autoproclamado califado do grupo, que se expande de maneira veloz e cria um estado de terror em várias cidades sírias e iraquianasFoto: Reuters

Ônibus são usados como barricada em bairro rebelde de Aleppo, em 2015Foto: KARAM AL-MASRI / AFP

Fila de refugiados palestinos se forma no campo de Yarmouk, em Damasco, para receber ajuda humanitária em 2015Foto: UNRWA / AP

A morte do menino sírio Aylan Kurdi, afogado em setembro de 2015 quando a família tentava ir da Turquia para a Europa, chama a atenção do mundo para a questão dos refugiados: com cada vez mais pessoas deixando a Síria, a Europa passa a viver uma grave crise migratóriaFoto: Reuters

Outro menino, o pequeno Omran, chama a atenção para os horrores da guerra ao ser clicado após ser resgatado em estado de choque de um bombardeio em Aleppo, em 2016Foto: MAHMOUD RSLAN / AFP

Em setembro de 2016, sírios carregam bebês em meio a bombardeios contra Aleppo: ofensiva sangrenta do regime reconquistou maior bastião rebelde da guerra, ao custo de dezenas de milhares de civis mortosFoto: AMEER ALHALBI / AFP

Rouhani, Putin e Erdogan se reúnem em Sochi: acordo de 2017 muda os rumos da guerra síria e afasta os EUAFoto: MIKHAIL METZEL / AFP

Explosão na cidade histórica de Palmira, na Síria: Estado Islâmico destruiu parte do patrimônio mundial, mas acabou perdendo terreno com ofensivas de coalizão pró-EUA e da Rússia, junto a AssadFoto: –

Em outubro de 2017, com o Estado Islâmico em forte recuo, forças de maioria curda conseguem reconquistar Raqqa, antes capital dos terroristas. Na imagem, o local é ocupado também por milicianas mulheres — elas eram as mais cerceadas pela visão ultrarradical do grupoFoto: ERIK DE CASTRO / Reuters

Fumaça de bombardeios entre os prédios de Ghouta Oriental, no subúrbio da capital síria Damasco: mais de 500 mortos em apenas uma semana de fevereiroFoto: HAMZA AL-AJWEH / AFP

Homem ferido em bombardeio recebe atendimento em Ghouta Oriental. A ofensiva do regime ao enclave, no início de 2018, marca uma das empreitadas finais de Assad para garantir a vitória na guerra. Com o bastião prestes a ser retomado, resta ao governo reconquistar apenas a província de IdlibFoto: AMER ALMOHIBANY / AFP

Fonte : O Globo

Categories
Estados Unidos Geopolitica INFOPLANO Rússia

Infográfico Plano Brasil: Comparativo estratégico entre Estados Unidos & Rússia

Tito Lívio Barcellos Pereira

No dia 16 de julho, foi realizada uma reunião de cúpula na cidade de Helsinki, a capital da Finlândia, entre o presidente norte-americano Donald Trump e seu homólogo russo, Vladimir Putin.

Interesses divergentes e outras questões geopolíticas e estratégicas estiveram presentes nas pautas de discussão desses líderes políticos, tais como, a Guerra na Síria e Ucrânia. mas também foram discutidas as acusações de interferência do governo russo nas eleições norte-americanas de 2016, da qual se denuncia que Moscou teria supostamente favorecido a candidatura de Donald Trump.

Nesses tempos de “Guerra Fria requentada”, como apontam muitos analistas, o Plano Brasil se propõe a apresentar no gráfico abaixo um pequeno comparativo estratégico mostrando a assimetria existente entre duas das principais potências militares e econômicas da atualidade.

 

Clique na imagem para vê-la em melhor resolução


Categories
China Conflitos Defesa Estados Unidos Geopolítica Geopolitica Hangout Opinião Vídeo

Coréia do Norte, Cúpula de Singapura e suas implicações

Hangout do Plano Brasil tratando sobre a Cúpula de Cingapura, o esperado encontro entre Kim Jong Un e Donald Trump, e suas implicações para a Coréia do Norte e demais atores envolvidos.

Com as participações:

Renato do Prado Kloss
Bacharel em Relações Internacionais pelo IBMEC-MG (2013) e Mestre em Estudos Estratégicos pela University of Reading (2017). Atualmente, focado nas áreas de Estratégia, Segurança, Defesa e Assuntos Asiáticos. Tem experiência nas áreas de Relações Internacionais, Estratégia e História Militar.

Tito Lívio Barcellos Pereira
Licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo (2009), bacharelado em Geografia pela Universidade de São Paulo (2010). Atualmente é integrante – grupo de estudos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humans (FFLCH-USP) e mestre em Estudos Estratégicos da Defesa e Segurança pelo Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (INEST-UFF). Atualmente doutorando em Estudos Estratégicos Internacionais  pela UFRGS.
É integrante do grupo de estudos sobre Rússia e Espaço pós-soviético pelo Laboratório de Estudos da Ásia (Departamento de História – USP) e pesquisador do Laboratório Defesa e Política[s] (INEST – UFF). Tem experiência na área de Geografia, Ciência Política e Relações Internacionais, com ênfase na área de Geopolítica, Geografia Regional, Rússia e Espaço pós-soviético.

 

Mediação: Luiz Medeiros – Equipe Plano Brasil.

Categories
Conflitos Estados Unidos Geopolítica Terrorismo

Estados Unidos abandonam o Conselho de Direitos Humanos da ONU

Anúncio vem depois de o alto comissário da ONU ter desferido críticas contra o país em razão da crise migratória na fronteira com o México.

São Paulo – Os Estados Unidos oficializaram a saída do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece na metade de um mandato de três anos.

O anunciou foi feito na noite desta terça-feira (horário de Brasília) pela embaixadora dos EUA para a ONU, Nikki Haley. A saída, disse ela, vem “depois de nenhum outro país demonstrar coragem para se juntar a nossa briga para reformar esse órgão hipócrita”. Haley reforçou, ainda, “que esse passo não é um recuo dos nossos compromissos em direitos humanos”.

A saída do órgão, o principal de direitos humanos da ONU, acontece no dia seguinte de o alto comissário da entidade, Zeid Ra’ad Al Hussein, ter desferido duras críticas ao país e sua política de “tolerância zero” contra imigração na fronteira com o México. A ação, que se iniciou há cerca de seis semanas, já resultou na separação de ao menos 2 mil crianças de suas famílias.

Fonte: Exame

Categories
Estados Unidos Geopolítica Geopolitica

AO VIVO - ENCONTRO DE TRUMP e KIM JONG UN - HISTÓRICO !

https://www.youtube.com/watch?v=52gywx8SlwQ

 

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil China Defesa Estados Unidos Geopolítica Rússia

Geopolítica não é Fla-Flu e nem lugar pra fanboy

Autor- De leon Petta para o Plano Brasil

Uma das coisas mais comuns de ver nos comentários em notícias, matérias de blogs ou vídeos no youtube que tratam de geopolítica ou assuntos militares é o comportamento obcecado do público. Que na maior parte das vezes acham que o mundo é um grande DC versus Marvel ou um Fla-Flu irritante.

O que não é de se estranhar tendo em vista que mesmo na academia, já que até os “especialistas” frequentemente também se comportam assim, de maneira pouco crítica ou cientifica. De forma geral, ou o pessoal é antiamericano, enxergando um imperialismo decadente, ou são antirussos vendo na Rússia um comunismo falido (sim, ainda tem gente que acha que a Rússia é comunista), ou uma China produtora de porcarias xing ling de baixa qualidade e com os dias contados.

A coisa é muito mais complexa e por isso não se trata de torcer para esse ou aquele país, mas quando falamos em Geopolítica global, sinto informar mas o futuro do mundo (ao menos em um médio prazo) será repartido entre Washington, Beijing e Moscou. Cada um com suas limitações e vantagens.

Quando falamos em decadência dos Estados Unidos, por exemplo, há um exagero forte que esquece algo muito importante, a Geografia Norte-Americana. Os Estados Unidos de fato cada vez mais enxergam “bolhas” de poder regionais capazes de desafia-los localmente, mas em termos globais são e serão ainda por muitas décadas uma Superpotência. E por pior que fosse a situação dos Estados Unidos (que não é tão ruim assim), ainda levariam muitas décadas para se perder aquilo que construíram pacientemente ao longo de tantos anos. Além disso, por mais que hajam críticas políticas e embates econômicos, na hora do “vamos ver” eles ainda contam com uma vasta quantidade de aliados em todas as partes do mundo. Aliados que não só estão dispostos a ajuda-los militarmente, mas que também precisam de um Estados Unidos aliado para manter um mínimo de soberania territorial diante de algum rival histórico vizinho. Por exemplo, o caso da Polônia diante da Rússia ou de uma Filipinas diante de uma China.

E isso sem nem entrar nos detalhes assimétricos, como terrorismo e crime organizado, que ameaçam a estrutura de poder estatal em vários países que só se mantém no controle por causa da presença dos Estados Unidos. A geografia dos Estados Unidos, colocando os fisicamente isolados no mundo mas ao mesmo tempo dando acesso aos dois principais oceanos, o Atlântico e o Pacífico, evitam um desgaste excessivo por parte da aura dos Estados Unidos e mais importante ainda, garante ao povo norte-americano o direito de poder escolher seus inimigos.

O caso Russo por outro lado é curioso. Já que desde o fim da União Soviética especialistas apontam de 5 em 5 anos a “inevitável decadência” da Federação Russa, mas lá está ela. Curiosamente muitos especialistas que profetizavam o seu fim, mais recentemente acusam dela de ter uma supercapacidade de interferir em quase todos os processos eleitorais do mundo. Não se decidem, afinal, se a Rússia estaria em decadência ou se são uma superforça capaz de interferir em outros países, inclusive naquele apontado como o maior símbolo de Democracia do mundo, os Estados Unidos.

Desgostos e bipolaridades à parte, a Rússia por mais que não tenha uma projeção global ainda tem uma excelente capacidade regional. Possui um dos exércitos mais numerosos, mais bem equipados, com tradição e coesão, vastos arsenais balísticos e nucleares, mas acima de tudo muita experiência de combate e inteligência. Tanto em experiências herdadas da União Soviética como também aprendidas em confrontos mais recentes na Síria e Leste da Ucrânia. Aliás, no quesito Guerra Hibrida (que será o modelo de guerras no futuro), a Rússia está na vanguarda.

A Geografia Russa por sua vez é dramática, custando para a administração russa um grande quantidade de energia para poder manter a coesão nacional além de uma permanente vigilância sobre seus vizinhos.

A China, por sua vez, longe do que o grande público acredita não é só produtora de produtos porcarias de baixa qualidade. Hoje ela domina a cadeia de produção inteira, produzindo produto barato de baixa qualidade, de média qualidade, de alta qualidade, de luxo e de altíssima tecnologia de ponta. Passaram por radicais modernizações em suas estruturas militares para poder competir com os vizinhos mais avançados. Além de ser hoje dona do maior efetivo militar, terceiro maior frota aérea e naval, além de grandes quantidades de armas nucleares e mísseis balísticos bons.

E conforme sua energia cresce, mais ela consome. Uma economia gigantesca requer também gastos gigantescos, daí sua projeção regional sobre o Sudeste Asiático. Algo que não deve ser subestimado ou visto como “Tigre de papel”, como alguns especialistas rancorosos apontam. Mas uma projeção de forças real, permanente e que sim, regionalmente e no “mano a mano”, poderia bloquear militarmente os Estados Unidos e infringir uma derrota a poderosa Marinha Norte-americana. Algo contudo, que por hora será muito remoto tendo em vista que ainda não há necessidade e nem mesmo disposição.

O que pesa agora contra a china são dois fatores. Primeiro, em contraste com as forças militares americanas e russas, seus soldados e oficiais não são experientes e segundo, ao olhar o mapa os chineses se veem cercados de inimigos (ou pelo menos potenciais inimigos), que formam uma vasta  rede de posições hostis a partir da Índia, na sua fronteira Sudoeste, indo para o Sudeste Asiático, sua fronteira sul e sudeste, chegando no Leste da Ásia com Japão e Coreia do Sul, sua fronteira leste e nordeste.

Por outro lado, suas fronteiras no Oeste e Norte que historicamente sempre serviram de ponte de invasões de “bárbaros” hoje em dia estão seguras. Dando aos estrategistas chineses descanso o suficiente para se concentrar na área que por hora é prioritária, o Sudeste Asiático.

Em resumo, a pauta desses três países é papo de potência e apenas eles três possuem poder suficiente para unilateralmente poder direcionar o futuro do planeta. Ainda que hajam outros países com significante poder e disposição, como Japão, Irã, Índia, França ou Inglaterra, esses demais ainda estão condicionados a atuarem em parceria com alguma dessas três principais forças do mundo hoje, Estados Unidos, China e Rússia. Ou seja, o arranjo de poder global será repartido por esses três países. Qualquer afirmação de decadência de algum desses três agora ou no curto prazo será especulação.

Sobre o Autor:

De Leon é Autor associado ao Plano Brasil e Professor das Faculdades Integradas Rio Branco. Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Com estágio sanduíche na Virginia Commonwealth University (Estados Unidos) e University of Hong Kong (China). Tem experiência na área de Geopolítica e Crime Organizado. 

Categories
América do Sul América Latina Artigos Exclusivos do Plano Brasil Brasil Defesa Estados Unidos Geopolítica Hangout Opinião Vídeo

HANGOUT Plano Brasil - Colômbia na OTAN?

Secretário Geral da OTAN Jens Stoltenberg e o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

O Plano Brasil apresenta mais um Hangout com temática geopolítica, desta vez tratando da entrada da Colômbia na Organização do Tratado do Atlântico Norte como Parceiro Global desta organização.

Contando com a participação de: Tito Livio Barcellos Pereira

Possui licenciatura em Geografia pela Universidade de São Paulo (2009), bacharelado em Geografia pela Universidade de São Paulo (2010). Atualmente é integrante – grupo de estudos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humans (FFLCH-USP) e mestre em Estudos Estratégicos da Defesa e Segurança pelo Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (INEST-UFF) É integrante do grupo de estudos sobre Rússia e Espaço pós-soviético pelo Laboratório de Estudos da Ásia (Departamento de História – USP) e pesquisador do Laboratório Defesa e Política[s] (INEST – UFF). Tem experiência na área de Geografia, Ciência Política e Relações Internacionais, com ênfase na área de Geopolítica, Geografia Regional, Rússia e Espaço pós-soviético.

Para maiores informações acessar:<http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4200259E3>

Leia mais:
Página da OTAN sobre a associação com a Colômbia

Categories
Defesa Estados Unidos Sistemas Navais Traduções-Plano Brasil

Chefe de Operações Navais Anuncia o reestabelecimento da 2ª Frota no Atlântico Norte

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

NORFOLK (NNS) – O Chefe de Operações Navais, o Almirante John Richardson, anunciou a criação da 2ª Frota dos EUA durante uma cerimônia de mudança de comando do Comando das Forças de Frotas dos EUA (USFF) em Norfolk, 4 de maio.

A Segunda Frota exercerá as autoridades operacionais e administrativas sobre os navios, aeronaves e forças de desembarque atribuídos na costa leste e norte do Oceano Atlântico. Além disso, planejará e conduzirá operações marítimas, conjuntas e combinadas e treinará, certificará e fornecerá forças marítimas para responder a contingências globais. O Comandante da 2ª Frota se reportará ao USFF.

“Nossa Estratégia de Defesa Nacional deixa claro que estamos de volta a uma era de grande competição de energia, à medida que o ambiente de segurança continua a se tornar mais desafiador e complexo”, disse Richardson. “É por isso que hoje estamos montando a Segunda Frota para tratar dessas mudanças, particularmente no Atlântico Norte.”

A Segunda Frota foi desestabelecida em 2011 e muitos de seus funcionários, ativos e responsabilidades foram incorporados ao USFF.

Fonte: US Navy