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Plano Brasil/MB/CN/Turma ATAC/Análise: “Prêmio Anual 2019 do Clube Naval (CN), “Medalha Almirante Jaceguai”, conferido ao Comandante Costa Braga. Diga-se de passagem, reconhecimento mais do que merecido!”

NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil (PB)/Marinha do Brasil (MB)/Clube Naval (CN)/Associação da Turma Aspirante Conde (ATAC)/Análise: “Prêmio Anual 2019 do Clube Naval (CN), “Medalha Almirante Jaceguai”, conferido ao Comandante Costa Braga. Diga-se de passagem, reconhecimento mais do que merecido!”

Tema para o “Concurso Prêmio Medalha Almirante Jaceguai 2019” do Clube Naval (CN): “PROJETO PILOTO DO SISTEMA DE GERENCIAMENTO DA AMAZÔNIA AZUL E A EVOLUÇÃO DAS CAPACIDADES DE DEFESAS NO MAR”.

Bravo Zulu (BZ) ao Comandante Costa Braga, e Bravo Zulu (BZ) a Associação da Turma Aspirante Conde (ATAC).

We are a team! That´s it!”

Senhores Comentaristas do Blog Plano Brasil (PB), com muita honra anuncio que o meu Colega e Amigo de Turma do Colégio Naval (CN) e da Escola Naval (EN) e integrante da Associação da Turma Aspirante Conde (ATAC) de Guardas-Marinha de 1976, o Capitão de Mar e Guerra do Corpo da Armada (Reserva Remunerada da Marinha – RRM), Claudio da Costa Braga, foi, merecidamente, laureado com a “MEDALHA ALMIRANTE JACEGUAI”.

O Comandante Costa Braga é Membro Titular do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB – http://www.ighmb.org.br/), onde ocupa a “Cadeira de Nº 76” (IGHMB – http://www.ighmb.org.br/IGHMBTitulares.pdf), que tem por Patrono o Almirante Barroso, [Francisco Manuel Barroso da Silva, Barão do Amazonas (Lisboa, 29 de setembro de 1804 – Montevidéu, 8 de agosto de 1882), (https://www.marinha.mil.br/dphdm/historia/almirante-barroso)].

O Comandante Costa Braga é um reconhecido analista militar naval da Marinha do Brasil (MB), e autor renomado dos seguintes livros e ensaios de História Militar Naval (HMN):

1) A GUERRA DA LAGOSTA (https://www.revistanavigator.com.br/navig2/rese/N2_rese2.pdf);

Sobre a temática deste livro a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM – https://www.marinha.mil.br/dphdm/content/guerra-da-lagosta) diz o seguinte:

“Descrição:

196 páginas. Relato sobre a crise externa com a França no início da década de 1960. Episódio que teria levado o General Charles de Gaulle a dizer que “o Brasil não é um país sério”. Pesquisa realizada pela primeira vez com documentos secretos. Serviço de Documentação da Marinha (SDM), 2004.”

2) 1910 – O FIM DA CHIBATA: VÍTIMA OU ALGOZES? (https://www.skoob.com.br/1910-o-fim-da-chibata-365477ed411854.html);

Sobre a temática deste livro a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM – https://www.marinha.mil.br/dphdm/o-fim-da-chibata) diz o seguinte:

“Descrição:

Edição do Autor, 2010, 435 páginas, ilustrado. Relato dos bastidores da Revolta dos Marinheiros, na cidade do Rio de Janeiro, na busca da abolição dos castigos corporais sofridos pelos Praças, a bordo dos navios de guerra da Marinha do Brasil.”

3) O ÚLTIMO BAILE DO IMPÉRIO, O BAILE DA ILHA FISCAL (https://www.revistanavigator.com.br/navig9/rese/N9_rese.pdf);

Sobre a temática deste livro a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM – https://www.marinha.mil.br/dphdm/content/o-%C3%BAltimo-baile-do-imp%C3%A9rio) diz o seguinte:

“Descrição:

113 páginas, ilustrado. O livro apresenta os pormenores do baile oferecido pelo Governo brasileiro à oficialidade do Encouraçado chileno Almirante Cochrane em retribuição às homenagens prestadas no ano anterior ao Navio-Escola brasileiro Almirante Barroso quando de sua passagem pelo Chile: a escolha do local, a presença da família imperial, as roupas usadas, a decoração, o jantar, a ceia, as danças e os fatos marcantes ocorridos nos seus bastidores, que serviram de argumento para os republicanos que tramavam a queda da Monarquia. Serviço de Documentação da Marinha (SDM), 2007.”

4) EL ÚLTIMO BAILE DEL IMPÉRIO – EL BAILE DE LA ISLA FISCAL (edição em espanhol);

5) TAMANDARÉ NAS GUERRAS DA INDEPENDÊNCIA E CISPLATINA;

6) A ADMINISTRAÇÃO NAVAL DO PERÍODO DE 1889 ATÉ O INÍCIO DO GOVERNO PRUDENTE DE MORAES;

7) A IMPORTÂNCIA GEOPOLÍTICA DA ÁFRICA AUSTRAL PARA A ESTRATÉGIA NAVAL BRASILEIRA (trabalho acadêmico apresentado na forma de ensaio);

8) A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL – UMA VISÃO PORTUGUESA (trabalho acadêmico apresentado na forma de ensaio);

9) A REVOLUÇÃO COMUNISTA RUSSA – UM FRACASSO CENTENÁRIO;

10) A AÇÃO DE DRONES NA GUERRA NAVAL;

11) É de autoria do Comandante Costa Braga o trabalho que instituiu o “PATRONO E O DIA DAS COMUNICAÇÕES NAVAIS” na Marinha do Brasil (MB); e

12) É também, de autoria do Comandante Costa Braga a letra “CANÇÃO DAS COMUNICAÇÕES NAVAIS” em vigor na Marinha do Brasil (MB).

Breve Histórico sobre a Vida do Almirante Jaceguai: “Uma vida dedicada à Marinha do Brasil (MB), Imperial e Republicana”

Artur Silveira da Motta (São Paulo, 26 de maio de 1843 – Rio de Janeiro, 06 de junho de 1914):

1) Almirante da Marinha do Brasil (MB) no Segundo Império (23 de julho de 1840 – 15 de novembro de 1889) e, também, na Primeira República (15 de novembro de 1889 – 24 de outubro de 1930), até a data da sua morte em 06 de junho de 1914;

2) Veterano de Guerra e Herói Naval do Segundo Império do Brasil com feitos admiráveis reconhecidos pelas autoridades militares do Brasil, Argentina e Uruguai durante a Guerra do Paraguai por atos de bravuras em combates navais;

3) Nobre do Segundo Império do Brasil: Agraciado pelo Imperador D. Pedro II com o Título Imperial de Barão de Jaceguai;

4) Escritor brasileiro dedicado a assuntos navais;

5) Instituidor no ano de 1890, com recursos próprios, da medalha que hoje carrega o seu nome no evento patrocinado pelo Clube Naval (CN) no processo de seleção anual de trabalhos apresentados por militares da Marinha do Brasil (MB), da ativa, [Serviço Ativo da Marinha (SAM)] e inativos [Veteranos], historiadores e analistas militares, que se dedicam a estudar a intrincada História Militar Naval (HMN), projeto concebido pelo Almirante Jaceguai, e que após 129 anos (2019-1890=129 anos) satisfez todas as suas premissas iniciais; e

6) Imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL).

O Almirante Jaceguai, filho do Conselheiro José Inácio Silveira da Motta, no ano de 1858, aos quinze anos de idade, ingressou na Escola Naval (EN) do Rio de Janeiro como Aspirante, concluindo o curso em 1860.

Seu pai, após acidente marítimo, cogitou em transferi-lo para o Exército Brasileiro, mas Jaceguai se opôs, seguindo a carreira na Marinha de Guerra Imperial e realizou diversas viagens de instrução, nas quais foi promovido aos postos de Segundo-Tenente e Primeiro-Tenente.

Na Corveta Beberibe, seguiu para o Rio da Prata, onde participou da Campanha Oriental, e no dia 20 de fevereiro de 1865 seguiu para a frente de batalha na Guerra do Paraguai, onde serviu como Ajudante de Ordens do Almirante Tamandaré, [Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré, Patrono da Marinha do Brasil (MB), (Rio Grande, 13 de dezembro de 1807 – Rio de Janeiro, 20 de março de 1897), (https://www.marinha.mil.br/dphdm/historia/almirante-tamandare/carreira-do-tamandare)], então Comandante-em-Chefe das Forças Navais brasileiras entre os anos de 1865 e 1866.

Posteriormente, no comando do Encouraçado Barroso, participou das Batalhas de Curupaiti e Humaitá.

Em especial na Batalha de Humaitá, houve a Passagem de Humaitá (https://pt.wikipedia.org/wiki/Passagem_de_Humait%C3%A1) onde a Força Naval brasileira forçou a passagem sob fogo cerrado da artilharia paraguaia localizada na Fortaleza de Humaitá. Esta transposição na foz do rio Paraguai foi considerado pelos observadores militares da Tríplice Aliança, Brasil, Argentina e Uruguai, como sendo um feito admirável e memorável.

Por serviços de guerra e atos de bravuras, foi promovido a Capitão de Mar e Guerra com apenas 26 anos, feito único na Marinha do Brasil, Império e República.

Finda a guerra, o então Capitão de Mar e Guerra Artur Silveira da Motta passou por diversas missões diplomáticas no exterior, além de haver desempenhado inúmeras funções na Marinha de Guerra Imperial.

Em 1882, no Brasil Império o então Capitão de Mar e Guerra Artur Silveira da Motta foi agraciado com o Título Imperial pelo Imperador D. Pedro II de Barão de Jaceguai e foi promovido a Chefe de Esquadra.

Em 1900, foi nomeado Diretor da Escola Naval (EN).

Estudioso de assuntos navais, suas obras foram todas de cunho militar naval:

1) Organização Naval: Reunião de Artigos (1896);

2) O Dever do Momento: Carta a Joaquim Nabuco (1897);

3) Quatro Séculos de Atividade Marítima: Portugal e Brasil (1900);

4) Ensaio Histórico sobre a Gênese e Desenvolvimento da Marinha Brasileira (1903);

5) De Aspirante a Almirante, Memórias, 5 Volumes (1906, 1909, 1910, 1913 e 1917); e

6) Reminiscências da Guerra do Paraguai (1935).

Foi o segundo ocupante da “Cadeira de Nº 6” da Academia Brasileira de Letras (ABL), que tem por Patrono Casimiro de Abreu. Eleito em 28 de setembro de 1907, foi empossado em 9 de novembro do mesmo ano.

Faleceu em 06 de junho de 1914 na Cidade do Rio de Janeiro.

Fonte: Wikipédia.

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Braço Forte Defesa Geopolítica História

“SIGAM-ME OS QUE FOREM BRASILEIROS”

Não é de hoje que, por razões diversas, tentativas revisionistas acercam-se do vulto histórico
do Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro. Todas caem em descrédito, pois
carecem de qualquer fundamento.

“SIGAM-ME OS QUE FOREM BRASILEIROS”


(Batalha de Itororó, 6 de dezembro de 1868)
O Marechal Caxias, que nunca perdeu uma batalha, notabilizou-se, entre
outras virtudes, pelo tratamento digno e respeitoso que dispensava aos vencidos.
Nos vários episódios em que foi chamado a pacificar províncias insurgentes,
soube compreender as diferenças políticas e culturais que geravam antagonismos
entre os brasileiros. Assim, sempre agiu para promover a unidade e a integridade
nacional.
No comando de tropas brasileiras, ao lado de brancos, negros, índios e
mestiços, Caxias foi o conciliador que estabeleceu a paz em um ambiente
conturbado de revoltas, entre as quais a Farroupilha, que já se alongava por quase
uma década, provocando morte e desunião de irmãos brasileiros, na então
Província do Rio Grande do Sul, de 1835 a 1845.
Os integrantes do Exército Brasileiro orgulham-se de seu patrono Caxias, o
símbolo máximo da própria unidade nacional brasileira. Gilberto Freyre define:
“Caxiismo não é conjunto de virtudes apenas militares, mas de virtudes cívicas,
comuns a militares e civis. Os “caxias” devem ser tanto paisanos como militares.
O caxiismo deveria ser aprendido tanto nas escolas civis quanto nas militares. É
o Brasil inteiro que precisa dele”.
Todos os dias, o exemplo patriótico de Caxias é repetido por milhões de
brasileiras e brasileiros, civis ou militares, de todas as raças, o que contribui para
a nossa pluralidade cultural e para o fortalecimento de nossa democracia.
Sigam o Velho Marechal aqueles que forem brasileiros!
Brasília, DF, 11 de março de 2019
CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO

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Braço Forte Brasil Defesa

De Clausewitz aos líderes atuais: o Brasil agradece

 

Em 1º de junho de 1780, na cidade alemã de Magdeburg, veio ao mundo o mais célebre teórico da guerra do mundo contemporâneo Von Clausewitz. Entre os acontecimentos mais importantes da época, um teve influência fulcral em sua vida e seu modo de pensar: o império de Napoleão Bonaparte. Não à toa, o estrategista prussiano carregou para si traços e características marcantes do imperador francês.

De origem humilde, filho de Tenente do Exército da Prússia, Clausewitz teve sua primeira experiência militar, em 1793, ainda adolescente. Em 1801, o jovem prussiano ingressou na Academia Militar de Berlim e obteve, ao final do curso em 1804, a primeira colocação geral. Entre as inúmeras funções exercidas, uma se destacou das demais: o cargo de Diretor da Academia Militar de Berlim, exercido entre 1818 e 1830. Nesse período, Clausewitz debruçou-se em reflexões sobre a essência do fenômeno da guerra, cujos resultados se materializaram na sua obra mais importante: Da Guerra. Vitimado pela cólera, faleceu em Breslau, em 16 de novembro de 1831, sem que houvesse concluído a redação de sua grande produção teórica. Quis o destino que sua esposa, Marie Von Bruhl Clausewitz, publicasse Da Guerra após sua morte, no ano de 1832.

Após a publicação, suas ideias ganharam força e impulso entre as mais variadas autoridades da Prússia. Pessoas como o general alemão Helmuth Von Moltkee e o Chanceler Otto Von Bismarck, principais articuladores da unificação alemã, incorporaram aspectos de sua teoria e os aplicaram na unificação alemã. No entanto, o pensamento de Clausewitz não se deteve ao momento histórico de sua produção. Seu alcance atravessou os anos e as fronteiras da Prússia. Da Guerra serviu de manual de políticas para algumas das potências mundiais no início do século XX, como a Alemanha e França. Na Guerra Fria, os postulados clausewitzianos influenciaram pensadores como Raymond Aron e André Beaufre. Não obstante, suas ideias cruzaram o Atlântico e alcançaram terras brasileiras, sendo consideradas por muitos, uma leitura obrigatória para todos os chefes militares.

Conforme descrito anteriormente, Clausewitz tinha apenas treze anos quando participou pela primeira vez de uma guerra. Nessa oportunidade, pôde testemunhar o caráter violento da batalha e presenciar cenas fortes que marcaram profundamente a personalidade e o pensamento do jovem militar prussiano, de tal forma que o fez estudar sobre a importância das forças morais num combate, as quais ficaram registradas em seu livro. Nesse tempo, os estrategistas não analisavam os efeitos psicológicos na guerra, pois eram considerações difíceis de serem estudadas, resumindo-se a tão somente compreender esse fenômeno sob uma lente mais voltada para as ciências exatas, algo mais tangível de ser estudado. Essa nova forma de pensar, dando importância e relevo para aspectos intangíveis em pleno século XIX, fez com que Clausewitz estabelecesse um rompimento conceitual com vários pensadores de sua época, pois não concordava com a ausência de elementos importantes que deveriam ser analisados na guerra: as forças morais e o aspecto psicológico.

Desde então, vários países reconheceram a relevância de valores como coragem, iniciativa e determinação numa guerra e se propuseram desenvolver tais atributos em suas Forças Armadas. Acompanhando essa tendência, o Exército Brasileiro, em 1967, acrescentou no currículo da Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN, de forma metodológica, os valores morais propostos por Clausewitz em seu livro Da Guerra. Desde sua origem até os dias atuais, o ensino militar vem se ajustando diante dos desafios contemporâneos, aprimorando e melhorando os processos voltados para o desenvolvimento de valores morais, considerados extremamente valiosos para a Instituição.

Levando-se em conta estas considerações, nota-se claramente a liderança exercida pelo General Villas Bôas. Sob o mantra da estabilidade, da legalidade e da legitimidade, o Comandante do Exército vem conduzindo habilmente os desígnios da Instituição, durante este conturbado período que o Brasil vem atravessando, direcionando a Força para o correto caminho a ser seguido e blindando-a de toda turbulência política.

Sua postura e atitude, nos momentos sensíveis, motivaram manifestações de respeito e admiração que extrapolaram os limites da Força, alcançando diversos setores da sociedade e sendo registradas em mídias sociais, jornais, revistas e programas de televisão. Superando o agravamento de seu estado de saúde, o General Villas Bôas vem revelando elevado sentimento do dever e imensurável devoção à Pátria.

Por fim, os ensinamentos de Clausewitz e as ações do General Villas Bôas devem servir de exemplos e estímulos à sociedade para que surjam líderes capazes de proporcionar o desenvolvimento social e econômico necessário, conduzindo o Brasil ao merecido local de destaque político-estratégico no cenário internacional.

Sobre o autor

Ano de Formação na AMAN: 1998 (Infantaria)

Curso Básico Paraquedista: 2002

Curso de Mestre de Salto: 2003

Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais: 2006

Curso de Comando e Estado-Maior do Exército: 2014 – 2015

Doutorando em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela ECEME (2014 – 2018)

Instrutor do Instituto Meira Mattos/ECEME: 2016 – 2017 – 2018

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Conflitos Geopolítica

O Futuro da Guerra e da Geopolítica? Parte 2 (Geopolítica, Estado e Governo)

 

Autor- De leon Petta para o Plano Brasil

Na primeira parte destacamos as quatro dificuldades de grandes guerras em escala total no pós-Segunda Guerra (o fator Nuclear, o custo militar, a complexidade além-militar e as mudanças demográficas).

Mas antes de entrarmos na principal estratégia que os Estados desenvolveram para “burlar” essas travas precisamos ver como funciona rapidamente algumas coisas, como a Geopolítica, o Estado e o Governo.

Geopolítica, Estado e Governo

Uma das coisas mais comuns e desanimadoras que observo não apenas em estudantes, mas pasmem em professores, é não saber a diferença entre Estado e Governo. E o pior não apenas no Brasil, mas também observei isso em outros países. De fato, para cidadãos de alguns países como China até entendo a dificuldade em separar as duas coisas, contudo, vi isso também na Europa e nos Estados Unidos (e obviamente no Brasil). Saber separar política de governo de política de Estado é algo fundamental para o geopolítico, pois a geopolítica trata de ESTADO que são situações: 1- em sua maioria permanentes; 2- sua mutação se dá de forma lenta e gradual; 3- não está submetida a interesses temporários; 4- “forças invisíveis” impulsionam aquele grupo ou país a obrigatoriamente ter que lidar com essa realidade; 5- está diretamente ligada a geografia; e finalmente 6- são interesses vitais para o Estado, ou seja, são a confluência simultânea de aspectos econômicos, políticos e militares.

Veja bem, ao falarmos da Geografia (QUE É O FUNDAMENTO) na GEOpolítica, NÃO estamos falando em olhar um mapinha qualquer onde o Brasil está toscamente pintado de amarelo, a Bolívia de verde, o Paraguai de Vermelho e etc.

Estamos falando na Geografia como um TODO. Ou seja, posição das montanhas, altura dessas montanhas, posição dos rios, características desses rios, posição de platôs, onde estão desertos, que tipo de desertos, onde está concentrada a população, o clima, as variações climáticas anuais, o tamanha da costa marítima, as características dessa costa marítima, influência das correntes marítimas, se há ou não florestas, como são essas florestas, a altitude da região, se a região é ou não fértil, onde estão as indústrias e o por que, onde está o setor agropecuário e o porque, as divisões étnicas ou culturais internas, etc. etc. e etc. Olhar um mapa genérico e achar que já sabe as “direções” de um país não é geopolítica de qualidade.

Por isso as políticas do governo eventualmente até influenciam a Grande Geopolítica, mas pouco e de forma pontual.

Por exemplo, por mais maluco e centralizador que eventualmente um líder de governo japonês seja, o Japão ainda será um arquipélago, terá uma política direcionada aos interesses navais e aconteça o que acontecer terá que lidar com China, Coreias e Filipinas. Porém, a forma de COMO irá ser feita essa relação e os MEIOS para atingir eventuais objetivos é que vão variar, ou seja, isso serão as políticas de governo.

Ou seja, falando de forma infantil. O Governo é a roupa que o Estado usa. Ele pode trocar de roupa, mas mudar o corpo demora e é bem mais difícil.

Outra coisa importante é que saber que o Governo NÂO é uma coisa só. Mas está ocupado por um conjunto de grupos que podem ou não ter os mesmos interesses, embora, normalmente eles competem entre si por N fatores como acesso ao orçamento, influência e etc.

Esta noção se faz importante, pois quando olharmos como se dá essa cooperação entre forças do Estado nacional com organizações terroristas ou criminosa, será fácil cair em Teorias da Conspiração que eventualmente não poderão ser provadas. Estas cooperações com estes organismos quase nunca envolvem a estrutura inteira do Estado, mas grupos dentro dos governos (governos dentro dos governos), ou melhor, dizendo o famoso “Deep State”.

Esse conceito de “Deep State” é frequentemente ou exagerado ou ignorado, justamente por estar associado a teorias da conspiração. E de até com razão tendo em vista os papos e textos que geralmente estão envolvidos.

Esse tal de Deep State longe de ser uma conspiração global de Illuminatis ou Ets para dominação mundial, na verdade é algo desanimadoramente mais simples e trivial mas também desanimadoramente difícil de enfrentar. O Deep State nada mais é do que núcleos de funcionários públicos que estão em cargos estratégicos e não eletivos. E que por estarem há muitos anos nesses cargos possuem influência, uma vasta rede de contatos e uma quantidade enorme de informações, eles não podem ser facilmente substituídos sem colocar em risco o próprio funcionamento do Estado. Assim, entra e sai governo, as novas lideranças tem que lidar com esses funcionários públicos e mesmo que decidam muda-los ou substitui-los, terão de fazer aos poucos, pois em alguns casos a própria burocracia do Estado ficou dependendo da atividade dessa pessoa.

Vamos citar como exemplo o Coronel Oliver North envolvido no escândalo do Irã-Contras (posteriormente irei entrar em detalhes). Ainda que houvesse enormes desconfianças e desafetos por parte de congressistas norte-americanos e outras agências rivais, principalmente a DEA, sobre as atuações controversas de Oliver North na América Central. A substituição rápida e forçada dele colocaria em risco uma série de operações dos Estados Unidos na América Central. Afinal, o Coronel era a ponte de conexão com uma vasta rede de informantes além de ser o único (ou na melhor das hipóteses, um dos poucos) que sabia de várias informações cruciais.

Ou seja, não era O Governo dos Estados Unidos envolvido no escândalo, mas sim, algumas PARTES do Governo. Ao passo que OUTRAS PARTES do governo não concordando com aquilo abriram inquéritos e fizeram o que puderam pra evitar as atuações de Oliver North. Até que após algum tempo, ele finalmente foi substituído.

Perceba que a menos que estejamos falando de uma revolução, este quadro de funcionários será difícil de ser substituído por completo ou de forma rápida.

 

Sobre o Autor:

De Leon é Autor associado ao Plano Brasil e Professor das Faculdades Integradas Rio Branco. Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Com estágio sanduíche na Virginia Commonwealth University (Estados Unidos) e University of Hong Kong (China). Tem experiência na área de Geopolítica e Crime Organizado. 

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Geopolítica História

O Futuro da Guerra e da Geopolítica?

Autor- De leon Petta para o Plano Brasil


Particularmente como estudioso e explorador da geopolítica, eu não gosto muito de entrar em previsões sobre como será o futuro. Afinal, frequentemente coisas que inevitavelmente irão acontecer acabam não acontecendo e coisas impossíveis acabam acontecendo.

Acho que a geopolítica é muito mais uma ferramenta de análise e planejamento do que uma bola de cristal para previsões de futuros. A menos é claro que a pessoa que arrisque tais previsões faça várias estimativas em variadas probabilidades e tenha em mente que tais probabilidades mudam. Mas de forma geral o que vemos são análises 8 ou 80.

Porém, algumas tendências verdadeiramente Geopolíticas acabam por se mostrar ou imutáveis ou pelo menos de mudança muito lenta, podendo dar certo conforto para quem gosta de analisar os cenários políticos e estratégicos. Um dos VÁRIOS aspectos que determinarão a força dos países e atores irregulares no futuro será sua capacidade de projetar seu poder por meios indiretos. Ou seja, entrar em guerra com rivais através Guerras Indiretas. Especialmente, no uso de facções criminosas e grupos terroristas.

(Destaquei o “VÁRIOS” para evitar que alguém diga “o autor só esqueceu de…”, afinal, não dá pra falar de tudo. Sendo que eu priorizei o que acho que será mais importante no contexto atual, de curto e de médio prazo.)

Nos próximos textos pretendo mostrar as tendências que as disputas geopolíticas no mundo têm tomado e como elas têm sido executadas a partir da cooperação com o Crime Organizado e com grupos tidos como terroristas.

Parte 1

Contexto Geopolítico após Segunda Guerra Mundial

Antes de propriamente entrar na parte da cooperação com esses atores irregulares, é preciso fazer alguns apontamentos básicos de como o mundo mudou de fato com a Segunda Guerra Mundial e não após Guerra Fria como geralmente é apontado. Sendo que muitas mudanças apontadas como “efeito Pós-Guerra Fria” na verdade já existiam, sendo que o fim da bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética apenas tornaram essas mudanças evidentes e óbvias.

Certa vez ainda na década de 1990, o General Krulak do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos disse: “O futuro da Guerra não é filha da Tempestade no Deserto, mas enteada da Chechênia”. No mundo militar poucas frase foram tão proféticas. De fato, ainda que guerras urbanas, lentas e exaustivas já tinham sido observadas durante a Segunda Guerra Mundial (Batalha de Stalingrado, por exemplo). Elas vinham sendo tratadas por parte considerável da literatura como sendo exceção e não a regra. Sendo como motivo para isso quatro características: o fator Nuclear (já largamente explorado), o custo militar, a complexidade além-militar e as mudanças demográficas no planeta.

Nos anos seguintes ao fim da Segunda Guerra, os dispositivos nucleares dificultaram que as lideranças políticas engajassem guerras totais, afinal, o risco de destruição múltipla estava em vigor e os políticos com suas famílias agora eram tão sujeitos a serem mortos no conforto de seus lares, quanto os soldados que eles enviavam para as distantes guerras; o custo das guerras também complicou. Se antes apenas um capacete, uniforme e fuzil eram suficientes para equipar um soldado e manda-lo para a guerra, agora os soldados cada vez mais carregavam variados dispositivos que encareceram o seu emprego, algo que ano após ano apenas ia se aprofundar (óculos de visão noturna, GPS, rádios, drones, etc.); a guerra também se tornara cada vez mais complexa, na verdade o fator “soldado” cada vez mais dividia o protagonismo da guerra com outras profissões fundamentais. Pessoal especializado em logística, espiões, técnicos de informática, médicos, pesquisadores e cientistas para desenvolver armas, um setor industrial robusto para manter as forças armadas equipadas, especialistas em propaganda e etc., são tão fundamentais quanto o combatente em si; e por fim, o próprio desenvolvimento espacial da população no mundo, que em 1 século deixou de morar no campo para ocupar cidades cada vez maiores, densas e caóticas.

Imagem mostrando o custo médio do soldado Norte-Americano através das guerras.

Se observamos após a Segunda Guerra Mundial, as únicas invasões e ocupações militares bem sucedidas de fato foram de “países grandes” (no sentido de poder) em “países pequenos”, invasão dos Estados Unidos a Granada por exemplo. Com países medianos aparentemente já se mostraram inviáveis de serem ocupados.

Mesmo que a capacidade e estrutura militar principal seja até relativamente derrotada facilmente, (invasão dos EUA no Iraque em 2003) ocupar de forma bem sucedida acabou se mostrando desastroso, cansativo e extremamente caro, em custo humano, político e militar. Neste sentido, essas coisas impedem uma Terceira Guerra Mundial no sentido tradicional da palavra. Afinal, ninguém hoje em dia teria capacidade de mobilizar os mesmos efetivos que foram vistos na Segunda Guerra Mundial, campanhas militares de 10 milhões de soldados de um lado lutando contra 14 milhões de soldados do outro, é surreal. Com o detalhe de que a população hoje em dia é bem maior do que a dos anos de 1940.

(Uma observação rápida é que em Geopolítica a questão nunca pode ser limitada somente ao aspecto militar, tendo ainda que se considerar os aspectos econômicos e políticos. Por exemplo, se militarmente os Estados Unidos venceram os vietnamitas, por outro, perderam no sentido econômico e político, resultando daí a sua derrota geopolítica.)

Ou seja, a menos que se ache um meio de baratear radicalmente a guerra, não veremos grandes operações militares como as da Segunda Guerra Mundial. Qualquer papo de uma invasão Norte-Americana (ou pior ainda, Chinesa) no Brasil, por exemplo, é viagem total. Isso sem entrar ainda nos detalhes absurdos do transporte material e pessoal.

Contudo, essa dificuldade toda dos Estados lutarem entre si longe de significar o fim das guerras, apenas impulsionou os principais países a acharem meios alternativos de atingirem seus objetivos estratégicos. Nascendo aí a cooperação e o uso de atores irregulares (Crime Organizado e Terrorismo) como ferramenta de projeção geopolítica ainda durante a Segunda Guerra Mundial, sendo aprofundado ainda mais durante a Guerra Fria pelas potências e finalmente, pulverizado nos anos de 1990 para cá e que será posteriormente abordado.

Sobre o Autor:

De Leon é Autor associado ao Plano Brasil e Professor das Faculdades Integradas Rio Branco. Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Com estágio sanduíche na Virginia Commonwealth University (Estados Unidos) e University of Hong Kong (China). Tem experiência na área de Geopolítica e Crime Organizado. 

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Braço Forte Brasil Defesa

Soldado Kozel Filho – 50 anos

Jun 2018

Este é um encontro de soldados. Um encontro para reverenciar uma vida interrompida, em circunstância brutal, na fase mais rica da sua juventude.

A morte do Soldado Mário Kozel Filho, em 1968, foi consequência do ambiente da guerra fria que se refletia no mundo e penetrava no Brasil. Um período de entusiasmos artificializados,  de intolerâncias incitadas  e  de paixões extremadas que faziam os brasileiros míopes para a realidade civilizada.   Foi um tempo que nos dividiu,  que fragmentou a sociedade  e nos tornou conflitivos.

A fratura da sociedade é uma experiência para ser lembrada.  Nos deixou ensinamentos que não podem ser esquecidos ou negligenciados. 

Aquele incidente com o Soldado Kozel, vitima inocente do terrorismo, nos obriga a exercitar o maior ativo humano – a capacidade de aprender.

Agora é um momento que nos aconselha, aos brasileiros e às instituições, a prudência nos ânimos, que pede sabedoria para iluminar o futuro e, principalmente, exige a união dos esforços para construí-lo.

O momento em que vivemos aconselha a interrupção dos fracionamentos induzidos pelas politicas identitárias trazidas no bojo das ideologias contemporâneas, é necessário que as instituições cumpram os papéis que lhes são destinados e impõe a submissão das querelas pessoais e institucionais subordinando-as aos interesses da nação de forma a colocar o Brasil acima de tudo.

Este é o legado do soldado Kozel.

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Conflitos História

Análise de dentes desbanca de vez mito sobre Hitler

Análise de arcada dentária achada pelos russos em Berlim acaba de vez com a teoria conspiratória de que ditador nazista sobreviveu, uma lenda que diz muito sobre a propaganda soviética e a crueldade do pós-guerra.

    

Hitler em 1936: estado dos dentes do ditador nazista assustava

Hitler em 1936: estado dos dentes do ditador nazista assustava

Adolf Hitler tinha dentes ruins: o que pode soar como mais uma informação randômica para despertar fascinação sensacionalista em torno do ditador nazista é, na verdade, uma evidência de que ele realmente se suicidou em 30 de abril de 1945.

Recentemente, uma equipe de patologistas franceses teve autorização para examinar parte de uma arcada dentária encontrada em Berlim no início de maio de 1945. Foi a primeira vez em sete décadas que especialistas tiveram acesso ao achado – e o resultado, publicado no European Journal of Internal Medicine, não deixa dúvidas:

“Os dentes são autênticos – não há nenhuma dúvida”, disse o patologista-chefe Philippe Charlier à agência de notícias AFP. “Nosso estudo prova que Hitler morreu em 1945.”

A equipe também teve permissão para analisar fragmentos do crânio de Hitler para confirmar como ele cometeu suicídio. Os dentes se encaixam na descrição dada pelo dentista do ditador nazista e não revelam traços de carne, o que é consistente com o fato de que ele era vegetariano.

O estudo pode – mas provavelmente não vai – colocar um ponto final nas teorias conspiratórias de que Hitler conseguiu escapar da destruição dos dias finais da Segunda Guerra Mundial.

“Podemos parar com as teorias conspiratórias sobre Hitler”, disse Charlier. “Ele não fugiu para a Argentina num submarino, não está escondido numa base na Antártida ou num lado oculto da Lua.”

Pelo contrário: Hitler terminou como todo historiador respeitável afirma – num suicídio coletivo em seu bunker em meio às ruínas da capital nazista, enquanto os soviéticos se aproximavam.

Cerco e suicídio

Em 30 de abril de 1945, tropas soviéticas haviam avançado até 500 metros do centro de comando de Hitler no coração de Berlim. Cercado e quase sem condições de comunicar com o que havia sobrado de seu Exército, Hitler se deu conta de que sonhado Reich estava acabado.

No início da tarde, Hitler se retirou a seus aposentos com sua companheira de longa data, esposa havia apenas dois dias, Eva Braun. Os dois ingeriram cápsulas de cianeto e atiraram em si mesmos. Seus corpos – junto aos de dois cães de Hitler – foram descobertos às 15h15.

Sabedor do que os italianos haviam feito com o corpo de Benito Mussolini, Hitler havia deixado instruções claras de como se deveria proceder com os cadáveres dele e de Eva Braun. Eles foram levados para fora do bunker e queimados. Em 5 de maio, as forças soviéticas descobriram um corpo carbonizado e o identificaram como sendo de Hitler.

“Os dentes de Hitler eram tão ruins – tão unicamente ruins – que foram suficientes para identificar o corpo”, escreveu o patologista forense Mark Benecke, contratado pelo canal National Geographic para investigar os restos do ditador nazista.

Os soviéticos compararam a arcada dentária, que tinha próteses e pontes incomuns e destacadas, com as descrições fornecidas pela assistente de dentista Kathe Heusermann. Mais tarde, o dentista pessoal de Hitler, Hugo Blaschke, confirmaria a informação aos Aliados.

“Os dentes estavam em estado tão ruim que o dentista estava com ele no bunker”, disse Liubov Summ, neta da intérprete russa de Heusermann, Elena Rzhevskaya, ao jornal Times of Israel. “Há fotos que são bem desagradáveis de ver.”

“Os meninos do Brasil”

A intérprete Elena Rzhevskaya ficou temporariamente com os dentes porque, segundo conta, havia um temor de que soldados do Exército Vermelho se embebedariam e os perderiam. Ela levou o material para Moscou. Mas, apesar de os soviéticos já terem certeza então de que Hitler estava morto, Stálin ordenou que a notícia fosse abafada, enquanto ele espalhava rumores de que aliados haviam ajudado o ditador a escapar.

“Foi uma farsa desonesta, uma tentativa de disfarçar o fato de que seu corpo havia sido encontrado”, escreveu Rzhevskaya em suas memórias, O fim de Hitler. “Hitler não era mais um emblema de guerra, ele havia se tornado um emblema do topo de paz que viria.”

Os russos chamaram a campanha de desinformação de Operação Mito.

“A estratégia de Stálin, evidentemente, era associar o Ocidente com o nazismo ao inventar que americanos ou britânicos o estavam escondendo”, escreve o historiador Anthony Beevor no livro Berlim 1945 – a queda.

Quando combinado ao fato de que nazistas proeminentes como Adolf Eichmann e Josef Mengele haviam, de fato, fugido para a América do Sul, a história inventada por Stálin pode estar na raiz da lenda de que Hitler sobreviveu à guerra. Ideias como essa foram popularizadas pelo filme de 1976 Os meninos do Brasil, no qual Mengele fazia clones de Hitler, num ensaio para uma volta do nazismo.

A triste história de uma intérprete

A ficção era absurda, mas a realidade, trágica. Rzhevskaya, que mais tarde viraria escritora, teria que esperar até que Stálin morresse para poder contar sua história. E Heusermann enfrentaria um destino muito pior.

Como parte da campanha de Stálin para suprimir a verdade, ela foi levada para a União Soviética e sentenciada a dez anos num gulag, seis deles em confinamento solitário, por ter ajudado Hitler com a prótese dentária.

“Eles disseram a ela que, ao ajudar a arrumar os dentes de Hitler, ela contribuiu para a continuação da guerra e que ela deveria ter batido na cabeça dele com uma garrafa”, Summ disse ao Times of Israel.

Uma ironia pois, de acordo com Rzhevskaya, Heusermann não era uma militante nazista e havia escondido um dentista judeu, antigo funcionário de seu consultório, em sua casa durante a guerra. Heusermann morreu em Düsseldorf em 1995. Teve um papel insignificante na história, da qual foi uma das incontáveis vítimas inocentes.

 

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País foi chamado a ocupar a Áustria

EUA queriam que Brasil assumisse controle sobre a terra natal de Hitler depois do fim da 2.ª Guerra Mundial

Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

06 Junho 2009 |

Um dos mais prestigiados pesquisadores das relações militares entre americanos e brasileiros, o historiador Frank McCann, da Universidade de New Hampshire, revela que o Brasil recusou gestões dos EUA para participar da ocupação aliada da Áustria após a 2ª Guerra (1939-1945).

A sugestão, rejeitada por motivos ainda hoje não esclarecidos, poderia, se aceita, ter modificado substancialmente o papel brasileiro nas relações internacionais no pós-guerra e facilitado o caminho para o País obter a almejada cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, acredita o professor. Ele vai comentar suas pesquisas sobre o assunto no I Seminário de Estudos sobre a Força Expedicionária Brasileira (FEB), dia 15, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ). “O general (Mark) Clark (comandante aliado na Itália) foi mandado para a Áustria como chefe de ocupação e, conhecendo os brasileiros, pensou que seria interessante tê-los”, revela o historiador, autor de Soldados da Pátria – História do Exército Brasileiro 1889-1937 (Companhia das Letras).

“Mas, sem documentos, não posso dizer por que o Brasil não entrou nisso. Não sei até que nível o governo brasileiro foi consultado.” O historiador ainda procura pelos relatórios anuais de atividades do Exército de 1945 e 1946, nos quais espera achar pistas do motivo da recusa. Os volumes são os únicos que não estavam nem na Biblioteca do Exército, nem em seu Arquivo, nem em seu comando, em Brasília. McCann conta que, no imediato pós-guerra, os americanos desmobilizaram rapidamente suas tropas na Europa. Para a ocupação, seria necessário recrutar mais gente, por meio de convocação de cidadãos dos EUA. Os militares que combateram não foram os mesmos que depois ocuparam o território europeu. Nesse panorama, o comando aliado lembrou que, dos 25 mil pracinhas enviados pelo Brasil à Itália, 10 mil, por falta de tempo para receber o treinamento, não entraram em combate – tinham passado o tempo no ciclo de instrução preparatória. No fim do confronto, foram consideradas tropas “descansadas”, logo, prontas para participar da ocupação.

“Durante a guerra, uma divisão não era grande coisa, mas, como os EUA se desmobilizaram muito rapidamente, uma divisão brasileira na Europa após a guerra teria sido, sim, grande coisa, de fato”, diz ele. A Áustria teve importância central no conflito. Remanescente do Sacro Império Romano Germânico e do Império Austro-Húngaro sob a Dinastia Habsburgo, além de terra natal do ditador nazista Adolf Hitler, o país foi anexado pelos alemães em 1938, como parte da tentativa de construir a “Grande Alemanha” sob o 3.° Reich. Após a 2ª Guerra, foi dividida entre EUA, Grã-Bretanha e URSS, que permitiram que os austríacos formassem um governo provisório. Os aliados estabeleceram que o país seria separado da Alemanha e não poderia aderir a tratados militares, o que a levou à neutralidade na Guerra Fria. Em 1955, sua ocupação foi suspensa.

O pesquisador relata ainda que o diplomata Vasco Leitão da Cunha ouviu, em Roma, que o general britânico Harold Alexander teria dito: “O brasileiro é um belo soldado. Lamento saber que eles querem voltar para casa e não ir para a Áustria.” Leitão da Cunha, relata, telegrafou para o Itamaraty dizendo que “o Brasil tinha de ficar”, ouvindo como resposta: “Isso é cavação deles para ganhar ouro.” O Brasil temeria pagar despesas da ocupação. McCann diz ainda que o comandante do 4º Corpo do 5º Exército dos EUA, do qual a FEB era parte, general Willis Crittenberger, consultou o então coronel Castello Branco (que, em 1964, seria o primeiro presidente do regime militar) sobre a possibilidade de o Brasil participar da ocupação da Itália, em 10 de maio de 1945 – pouco depois do Dia da Vitória, quando a Alemanha se rendeu.

“Castello disse algo sobre o Brasil não participar do conselho aliado para governar a Itália, então não deveria ter tropas envolvidas”, diz. “Acho que, se o Brasil tivesse participado da ocupação, teria ganho o assento no novo Conselho de Segurança e no pós-guerra teria tido um status muito, muito maior.” ENCONTRO O I Seminário de Estudos sobre a FEB será promovido pelos Programas de Pós-Graduação em História Social das universidades federais do Rio de Janeiro e de Londrina e terá dez sessões temáticas. Além de McCann, participarão do encontro os pesquisadores Celso Castro, da Fundação Getúlio Vargas, José Murilo de Carvalho, da UFRJ, e Vagner Camilo, da Universidade Federal Fluminense, entre outros. O evento será no IFCS/UFRJ,no Largo de São Francisco, 1, no Centro do Rio.

Fonte: Estadão

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Fim da Guerra Fria e efeitos no Estado do Rio de Janeiro

O período que se descortinou no final da Guerra Fria trouxe consigo a complexa realidade do mundo. Notou-se a emergência de diversos atores não estatais no Sistema Internacional que possuíam “status” de Estado, ao mesmo tempo que a dissolução da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas inseriu novos Estados independentes, todos reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em meio a esses acontecimentos, vieram o Consenso de Washington e a Globalização, fenômenos políticos que restringiram o papel do Estado.

Como resultado, houve mudança sistêmica da bipolaridade para a multipolaridade. Assim, a suposta estabilidade proporcionada pela Guerra Fria deu lugar à instabilidade multifacetada, na qual uma miríade de atores – estatais e não estatais – passou a interagir como jamais visto anteriormente, tornando a compreensão do cenário uma tarefa por demais complexa.

O Brasil não ficou imune a essas transformações e reagiu à sua maneira diante desses acontecimentos. Podemos citar alguns dos fatos que marcaram o País nessa época: a promulgação da Constituição brasileira em 1988, que focou muito mais no cidadão do que no Estado; a adesão às diretrizes do Consenso de Washington e os efeitos na economia, que provocaram uma onda de privatizações de empresas e indústrias brasileiras, as quais, até então, eram estatais e consideradas estratégicas para a Nação; a eleição de Fernando Collor de Mello para Presidente da República e seu consequente “impeachment” em 1992, o que produziu efeitos imediatos na política nacional.

Foi nesse período que a crise na segurança pública do Rio de Janeiro ganhou impulso e novos contornos. O Estado passou a receber ajuda federal na área da segurança pública, durante os eventos sensíveis de envergadura mundial, tais como a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento em 1992 (ECO-92) e a visita do Papa João Paulo II em 1997. Durante a ECO-92, o aparato de segurança montado pelo Exército Brasileiro foi o grande responsável pelo aumento da percepção de segurança na capital carioca. Segundo estatísticas, houve redução nos índices de criminalidade, que variaram entre 12,4% e 16,2%, dependendo do local da Cidade[1]Mas, o que era para ser ação episódica, com o decorrer dos anos, tornou-se mais frequente, passando a esfera federal a receber recorrentes solicitações do governo carioca para apoio na área da segurança pública.

O retrato da crise da capital fluminense

O que se espera de um Estado é que ele promova cinco valores basilares para a sociedade: segurança, liberdade, ordem, justiça e bem-estar. Um Estado pode ser considerado falido[2] quando não consegue garantir esses valores, sendo que o mais importante de todos é a capacidade de proteger seus cidadãos e de garantir adequada segurança para os indivíduos (MILLIKEN; KRAUSE, 2002).

Trinta anos após a Constituição Federal, o Estado apresenta cenário típico de falência estatal. Nessas três décadas, diversos atores desgastaram as instituições e minaram a autoridade estadual, gerando a atual conjuntura, caracterizada por: estagnação econômica, infraestrutura precária, polarização da sociedade, corrupção dos agentes do governo em todos os níveis, colapso das instituições de segurança estadual, massivas campanhas de cunho ideológico nas universidades, ações terroristas propagadas pelas facções criminosas, entre outras.

Em virtude da incapacidade do governo fluminense em administrar o Estado, em fevereiro de 2018, o Presidente da República nomeou o General de Exército Braga Netto como Interventor Federal, cuja atuação é voltada, exclusivamente, para as ações relativas à segurança no Estado do Rio de Janeiro até o final do ano. Por sua vez, o Interventor nomeou o General de Divisão Sinott como Chefe de Gabinete da Intervenção e o General de Divisão Richard como Secretário de Segurança Pública do Estado. A nova cúpula da segurança propôs e sinalizou medidas estruturantes que devem ser tomadas com o propósito de deixar um legado para a sociedade.

Possivelmente, a providência tomada pelo Presidente da República não deverá surtir o efeito desejado, pois o limitado período da intervenção federal (11 meses) não é minimamente adequado para a concretização das ações estruturantes mencionadas pelos militares. A história é recheada de casos que justificam essa assertiva, mas há dois fatos dos mais emblemáticos: o emprego das tropas brasileiras no Haiti e o histórico da Organização das Nações Unidas (ONU) em operações de paz, proporcionado pelo registro de mais de 55 missões dessa natureza. Não raro, verificou-se a necessidade de um período de tempo alargado para estabilizar os locais em conflito e criar as condições necessárias para a promoção de um crescimento equilibrado.

Desse modo, o que há no caso fluminense guarda semelhança com o cenário vivenciado pela ONU nos locais em conflito, conforme o que se segue:

Em primeiro lugar, a falência estatal é oriunda de um quadro de erosão, que alcançou instituições, agentes públicos, figuras políticas, população de baixa renda, universidades e setores de comunicação. Isso quer dizer que o problema não está centrado somente nas instituições de segurança. Para diminuir os níveis de falência do Rio de Janeiro, há que entender que se deve reconstruir grande parte das instituições, com destaque para as voltadas às áreas de segurança, educação e comunicação.

Segundo, porque o Estado vive uma crise sem precedentes na história e que ganhou impulso e novas formas há trinta anos, não sendo possível equacionar o problema em onze meses. Não se interrogam, aqui, os benefícios imediatos de tal medida, mas reconstruir efetivamente um Estado é algo que demanda tempo.

Por fim, diante da crise que vem assolando o Rio de Janeiro, é fundamental que haja envolvimento de todos, sob pena de vermos o Estado e a sociedade carioca tornarem-se reféns de alguns atores não estatais.

REFERÊNCIAS

BIJOS, Leila; OLIVEIRA, Jackeline Nunes. A legitimidade da Guerra nos Estados Fracassados. Revista CEJ. Brasília, 2011.

HOBSBAWN, Eric J. Globalização, democracia e terrorismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

MILLIKEN, Jennifer; KRAUSE, Keith. State Failure, State Collapse, and State Reconstruction: Concepts, Lessons and Strategies. Development and Change, Vol. 33, nº 5, p. 753-774. United kingdon: Oxford, 2002.

RODRIGUES, Anselmo de Oliveira. O conceito de Estados Falidos e as Forças Armadas de Angola, Moçambique e da Namíbia sob uma perspectiva comparada de falência estatal. In: A (in) segurança da África e sua importância para a Defesa do Brasil, p. 97-124. Porto alegre: NERINT/UFRGS – LED/ECEME, 2016.

TEIXEIRA, Marco Antônio. Tropas Federais ocupam as ruas da cidade desde a conferência Rio-1992. Rio de Janeiro: Acervo O Globo, 2014.

Fonte: EBlog

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Braço Forte Brasil Defesa

Em Recife, uma das páginas mais significativas da história militar do Brasil escrita pela FEB é recordada.

Em Recife, uma das páginas mais significativas da história militar do Brasil escrita pela FEB é recordada.

Por Assessoria de Comunicação

Publicação: Qua, 21 Fev 2018 11:00:00 -0300

Crédito: SC Aldo Dantas

Recife (PE) – No Comando Militar do Nordeste (CMNE) ocorreu, no dia 16 de fevereiro, no âmbito da Guarnição do Grande Recife, a celebração da passagem dos 73 anos da Tomada de Monte Castelo. O evento aconteceu no Quartel-General, localizado no Curado, e contou com a presença de ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que lutaram durante a Segunda Guerra Mundial, os chamados Pracinhas.

Ao término da solenidade, houve um desfile de tropas para homenagear os feitos dos soldados que lutaram nesse grande conflito mundial e reverenciar aqueles que tombaram em campo de batalha, em defesa da democracia.

Na sequência do evento, os militares e convidados visitaram uma exposição de materiais militares históricos pertencentes aos Pracinhas e de medalhas e utensílios particulares da época.

Em 21 de fevereiro de 1945, a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária da FEB escreveu uma das mais significativas páginas de toda a história militar do Brasil, ao conquistar o Monte Castelo, uma das maiores fortificações da Linha de Defesa do Exército Alemão durante esse conflito de abrangência global.

Monte Castelo foi um desafio para a tropa brasileira. Durante três meses sua conquista pareceu impossível, com os insucessos dos ataques de 29 de novembro e 12 de dezembro de 1944. Assim mesmo, isso não abateu a moral do combatente da FEB e serviu para forjar seus integrantes para as vitórias dos meses seguintes. Ao término da conquista, nesse período, 175 pracinhas pereceram nos combates.

Brasileiros que foram à Segunda Guerra Mundial revivem os 73 anos de história no Museu do Expedicionário.

Publicação: Qua, 21 Fev 2018 15:46:00 -0300

Curitiba (PR) – O Museu do Expedicionário, Unidade da 5ª Região Militar (5ª RM), foi palco, no dia 21 de fevereiro, quarta-feira, de uma solenidade que objetivou relembrar os feitos da Tomada de Monte Castello – o fato histórico mais importante da atuação brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. A solenidade contou com a participação de Pracinhas que atuaram em solo italiano durante esse enorme conflito de magnitude global.

Relembrar a atuação do Brasil e a conquista da Força Expedicionária Brasileira (FEB), decisiva para o encerramento desse enorme conflito, é motivo de orgulho e comemoração. Cerca de 20 Pracinhas que estiveram na Guerra residem no estado do Paraná, sendo uma dezena deles em Curitiba.

A FEB estava constituída de uma Divisão de Infantaria Expedicionária, composta por Comando e Estado-Maior, três Regimentos de Infantaria, um Esquadrão de Reconhecimento, um Batalhão de Engenharia, uma Artilharia Divisionária, um Batalhão de Saúde e Tropas Divisionárias, com cerca de 25 mil homens. Todo esse contingente passou a integrar o IV Corpo de Exército norte-americano, subordinado ao V Exército Aliado, que tinha como missão manter o máximo das forças inimigas empenhadas ao sul da Itália.

Em 21 de fevereiro de 1945, a 1a Divisão de Infantaria Expedicionária lançou-se ao ataque a Monte Castello e, às 17:30, a Bandeira Brasileira tremulava altiva em Castello. A FEB sofreu, naquele dia, 112 baixas.

Com o lema “A cobra está fumando”, em alusão ao ditado popular que era “mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”, a campanha durou, no total, sete meses e 19 dias.

 

O Museu do Expedicionário

O Museu é considerado um dos maiores acervos sobre a participação do Brasil na Guerra, com cerca de 25 mil itens, dentre armas, munição, equipamentos, uniformes, bandeiras, documentos, fotos e publicações da época. Na Praça do Expedicionário, onde está localizado, estão expostos um blindado, um avião Thunderbolt e outros equipamentos de guerra utilizados no conflito mundial. É um dos espaços culturais mais importantes do estado do Paraná, representando o 2º lugar em número de visitantes, com cerca de 2.500 por mês.

 

Você sabia?

Segundo o livro “1942: O Brasil e sua Guerra Quase Desconhecida”, de João Barone, o termo “Pracinha” surgiu da expressão “sentar praça”, que significa se alistar nas Forças Armadas. O apelido era atribuído aos soldados rasos, detentores da patente mais baixa da hierarquia militar.

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Braço Forte Conflitos Geopolítica História

TOMADA DE MONTE CASTELO – ORDEM DO DIA

A mensagem que ecoou no campo de batalha, ao findar da tarde do dia 21 de fevereiro de 1945, marcou uma das mais gloriosas realizações da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na 2ª Grande Guerra. Após 12 horas de um árduo e intenso combate contra um implacável e bem fortificado inimigo, agravado por um terreno íngreme e frio intenso, a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE) conquistava o seu maior objetivo: Monte Castelo.

Clique para ler o PDF completo

NE- MONTE CASTELO

.: Canção do Expedicionário.

 

Fonte: Agência Verde Oliva

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História

O passado da Rússia não é indicativo do futuro do país

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Grande Palácio do Kremlin.

JOHN THORNHILL

Tradução de Clara Allain

DO “FINANCIAL TIMES”

Os russos às vezes dizem que é impossível prever qualquer coisa em seu país –até mesmo o passado. Os heróis de uma era são magicamente apagados da era seguinte. Os avanços ousados de um líder são tachados de esquemas insensatos pelos líderes seguintes. Como escreveu Boris Pasternak certa vez, muitas vezes é difícil distinguir vitórias de derrotas.

Esse caleidoscópio histórico em constante mutação é válido para o putsch fracassado do Partido Comunista de linha dura, em agosto de 1991, que levou rapidamente ao desmoronamento da União Soviética, alguns meses mais tarde. Nos últimos 20 anos, aqueles acontecimentos devastadores –que levaram à desintegração de um império, uma economia, uma ideologia e um regime político– vêm suscitando controvérsia incessante. Vêm sendo interpretados e reinterpretados interminavelmente na Rússia, sendo vistos como motivo de comemoração, desespero, revolta, desilusão ou vergonha.

Para alguns russos, mais notadamente para Boris Ieltsin, o primeiro líder russo pós-comunista, a implosão da União Soviética foi uma libertação, tanto para os povos da Rússia quanto para os outros 14 países que emergiriam dos escombros do império soviético. O colapso de 74 anos de governo do Partido Comunista abriu o caminho para a emergência de uma sociedade, uma economia e um sistema político mais livres –e também ajudou a entrincheirar Ieltsin no poder.

Mas o sucessor deste, Vladimir Putin, mais moldado por uma visão de mundo típica da KGB, chegou a uma conclusão diferente depois de analisar aqueles acontecimentos e o caos que se seguiu a eles. Para Putin, a implosão do poder soviético foi “a maior catástrofe geoestratégica do século 20”, deixando a Rússia como a humilhada e empobrecida parte restante de uma superpotência que, no passado, rivalizara com os Estados Unidos. Não surpreende que sua Presidência tenha sido tão marcada pela preocupação de restabelecer o poder do Kremlin e reafirmar a esfera de influência da Rússia no exterior.

O presidente atual da Rússia, Dmitri Medvedev, 45 anos, parece fazer uma avaliação mais nuançada de 1991. Em entrevista que concedeu ao “Financial Times” em junho, ele rejeitou o parecer de Putin, dizendo que a guerra civil pós-revolucionária de 1917-23 e a Segunda Guerra Mundial, que, juntas, mataram dezenas de milhões de pessoas, foram desastres muito piores para a Rússia.

Medvedev descreveu sua geração como sendo “a mais feliz” da nação, porque conheceu na pele as carências de bens dos tempos soviéticos, mas é suficientemente jovem para ter podido beneficiar-se das oportunidades da era pós-comunista. “Ficou muito feliz por ter vivido nessas duas épocas”, disse ele. “Acredito que tudo o que aconteceu representa progresso indiscutível para o país e o povo.”

No Ocidente desenvolveu-se uma narrativa muito mais simples sobre o colapso soviético. Para a maioria das pessoas, o desaparecimento do “império do mal” foi visto como uma bênção incondicional, reduzindo o perigo de o mundo acabar em uma conflagração nuclear e oferecendo a atração de um dividendo da paz.

No entanto, a queda do principal rival ideológico dos Estados Unidos provocou abalos posteriores. Incentivou o triunfalismo do tipo “fim da história”, segundo o qual os mercados livres e a democracia liberal eram os pontos culminantes da evolução política e econômica do homem. Esse húbris ideológico contribuiu para o fundamentalismo de mercado que levou à derrocada financeira de 2008.

Os historiadores ocidentais também começaram a reinterpretar 1991. Uma das análises mais interessantes vem sendo a de Stephen Kotkin, que, em “Armageddon Averted” (Armageddon evitado), argumentou que o colapso soviético não terminou em 1991, mas prosseguiu ao longo da década, atrapalhando e desacreditando as reformas.

Algumas das instituições do Estado soviético morto continuaram a dar sinais de vida durante anos, frustrando as tentativas ocasionais de Ieltsin de criar algo que se assemelhasse a uma economia de livre mercado ou uma democracia. O imenso complexo industrial militar soviético, construído com indiferença perversa a qualquer espécie de lógica industrial, também revelou-se um ônus enorme à economia.

Kotkin argumenta que, em vista desta escala de desorganização política, econômica e social, é altamente espantoso que o caos da Rússia nos anos 1990 –por mais que o país tenha parecido tumultuado na época– não tenha sido infinitamente pior. O Armageddon foi evitado de fato. Mas não são apenas as consequências de 1991 que vêm suscitando controvérsia; suas causas também continuam a ser largamente discutidas. Um aspecto do colapso soviético que provoca perplexidade é por que ele não foi mais amplamente previsto de antemão, dado que, visto em retrospectiva, ele parecia tão inevitável.

Como estudante de pós-graduação em política soviética, me recordo de ter assistido a uma conferência em Londres, em 1986, que teve a presença de muitos kremlinólogos destacados. Um participante perguntou se a União Soviética cairia ainda durante nossas vidas. Ainda me recordo das gargalhadas incrédulas: o Partido Comunista era coeso demais, o domínio da KGB era forte demais, os povos soviéticos eram demasiado passivos. Como escreveu em 1995 o veterano diplomata americano George Kennan: “Acho difícil pensar em qualquer acontecimento mais estranho, espantoso e, à primeira vista, mais inexplicável, que a repentina e total desintegração e o desaparecimento do cenário internacional … da grande potência conhecida sucessivamente como o Império Russo e depois como a União Soviética.”

Nosso fracasso constante em prever os fatos na Rússia deveria nos ensinar mais humildade quando se trata de imaginar o futuro do país. É perigosíssimo supor que o futuro da Rússia será meramente uma extrapolação de seu presente.

No início dos anos 1990 era comum ouvir russos lamentarem que seu país precisaria de 40 anos no deserto para conseguir despir-se de sua mentalidade de escravo soviético. Estamos apenas na metade desse caminho. Quem sabe como o país vai evoluir?

Não é apenas o passado que é imprevisível.

*John Thornhill é ex-diretor da sucursal do “Financial Times” em Moscou.


Fonte: Folha