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Brasil: Temer é alvo de críticas na Noruega

Premiê norueguesa expressa preocupação com a Lava Jato e o desmatamento no Brasil. “É importante que haja uma limpeza e boas soluções”, afirmou. País reduzirá contribuição a fundo de proteção da Amazônia.

O presidente Michel Temer é recebido pela primeira-ministra Erna Solberg em Oslo

Durante visita do presidente Michel Temer à Noruega, a primeira-ministra do país, Erna Solberg, expressou nesta sexta-feira (23/06) preocupações com a corrupção e com a questão ambiental no Brasil.

“Estamos muito preocupados com a Operação Lava Jato. É importante que haja uma limpeza e boas soluções”, afirmou Solberg ao lado de Temer, em entrevista coletiva.

No âmbito da Lava Jato, o presidente foi acusado pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira de corrupção passiva na investigação envolvendo seu nome e de seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures.

Temer respondeu à premiê defendendo as instituições brasileiras. “O Executivo, o Legislativo e o Judiciário [trabalham] com liberdade extraordinária”, disse.

Outro ponto criticado por Solberg foi a política ambiental do Brasil. O governo norueguês anunciou que, ainda neste ano, deve ser reduzida a contribuição do país ao Fundo Amazônia, que financia combate ao desmatamento no Brasil.

“Se os dados preliminares sobre o desmatamento no Brasil em 2016 se confirmarem, isso acarretará numa redução dos pagamentos de 2017”, afirmou a primeira-ministra, lembrando que o financiamento “se baseia em resultados”. “Esperamos que volte a tendência de preservação, pois o clima é o maior desafio para o mundo.”

“Só Deus pode garantir redução do desmatamento”

A Noruega, de economia robusta em razão da produção de petróleo e gás natural, é o maior doador mundial para a proteção de florestas tropicais, do Brasil à Indonésia.

Desde 2008, o país investiu mais de 1,1 bilhão de dólares para ajudar o Brasil a preservar a Amazônia, que vive constante ameaça de madeireiros e da conversão das florestas em fazendas.

O ministro norueguês do Meio Ambiente, Vidar Hegelsen, disse que os pagamentos serão “reduzidos aproximadamente pela metade, talvez mais”. Segundo o ministro, no ano passado a Noruega pagou 100 milhões de dólares ao Brasil.

Seu homólogo brasileiro, o ministro Sarney Filho, afirmou em Oslo que “só Deus pode garantir” a redução do desmatamento no Brasil. Ele, porém, assegurou que “todas as medidas para diminuir o desmatamento foram tomadas”.

Protesto de ambientalistas

Dados de satélites apontam que o desmatamento no Brasil aumentou de 6,2 mil quilômetros quadrados para 8 mil quilômetros quadrados em 2016, ainda que esteja bem abaixo dos 19 mil quilômetros quadrados registrados em 2005.

Durante o encontro entre Temer e Solberg, ambientalistas realizaram um protesto em frente à residência da primeira-ministra em Oslo. Eles seguravam cartazes pedindo o fim da destruição de florestas e o respeitos aos direitos humanos e indígenas e à democracia.

O protesto contou com a presença de Sônia Guajajara, líder da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Ela denunciou o enfraquecimento das políticas ambientais no governo Temer, ressaltando que existem no Congresso “quase 20 medidas que flexibilizam o licenciamento ambiental”, cujo objetivo seria “aumentar a expansão da pecuária e das monoculturas”.

“Pior do que dizer que foi culpa do governo passado é dizer que foi de Deus”, afirmou, mencionando a declaração de Sarney Filho.

Gafes de Temer

Além da repercussão negativa da fala do ministro brasileiro do Meio Ambiente, o presidente também cometeu gafes durante seu pronunciamento na entrevista coletiva ao lado da premiê norueguesa.

Com aparência cansada, Temer chamou o rei norueguês, Harald 5º, de “rei da Suécia”, país vizinho à Noruega, e disse que iria visitar o “Parlamento brasileiro” ao se referir ao órgão legislativo do país escandinavo.

Fonte: DW

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Estados Unidos Obama no Brasil

As pedras no caminho de Hillary Clinton

Um dos principais problemas de Hillary Clinton é seu apelo popular: seu discurso é visto como robotizado

Ex-secretária de Estado, senadora e primeira-dama: candidata representa alvo político fácil em campanha marcada pelo discurso antissistema. Escândalo dos e-mails e dificuldade de mostrar autenticidade também não ajudam.

Um dos fantasmas que ronda a campanha de Hillary Clinton, cada vez mais próxima de se confirmar como candidata democrata à Casa Branca, é a polêmica em torno do uso por ela de um servidor particular de e-mail entre 2009 e 2013, quando era secretária de Estado do governo Barack Obama.

O governo americano proíbe o trabalho com informação confidencial fora dos seus canais controlados, o que dá margem a ataques de adversários republicanos, que dizem que ela deixou segredos sensíveis vulneráveis a hackers. Para analistas políticos, porém, a campanha de Hillary tem preocupações maiores.

“Um dos maiores problemas de Hillary referentes à eleição é a imagem que ela tem perante a opinião pública”, afirma Adam Ramey, especialista em política americana na New York University em Abu Dhabi. “Tanto ela quanto Donald Trump possuem a ‘honra’ de serem os candidatos mais malquistos de um grande partido numa eleição presidencial, desde o início da coleta de dados.”

De acordo com o site Real Clear Politics, atualmente, Hillary é avaliada negativamente por 55,8% dos americanos, e somente 37,6% afirmaram ter uma opinião positiva sobre ela. Os números relativos a Trump são ligeiramente piores – o índice de reprovação está 58%, e o de aprovação, em 35,4%.

As pesquisas de opinião pública mostram que muitos eleitores, mesmo dentro de seu próprio partido, não gostam ou desconfiam de Hillary. O fato de seu rival no Partido Democrata, Bernie Sanders, ter pedido recentemente uma recontagem do resultado da votação apertada no estado de Kentucky mostra como é grande a desconfiança de muitos ativistas liberais frente a ela.

“Sua sinceridade e sua confiabilidade são o principal problema, de onde deriva todo o resto”, opina Ramey.

A controvérsia contínua em torno da forma de lidar com seus e-mails privados quando secretária de Estado; a discussão sobre o papel dos chamados “superdelegados” democratas que votarão a favor de Hillary; seu problema em decidir de uma vez por todas a corrida contra Sanders: de acordo com Ramey, tudo isso está ligado ao sentimento negativo em relação a ela.

Parte do sistema

Num ano eleitoral marcado pela ira populista frente ao chamado establishment, Hillary– ex-secretária de Estado, ex-senadora e ex-primeira-dama – representa um alvo político fácil. E não apenas para Sanders, mas também para Trump, seu provável adversário no pleito presidencial em novembro.

Pois ele conseguiu avançar em direção à candidatura republicana seguindo o caminho da atual onda anti-establishment. Isso não é nenhum bom presságio para Hillary, já que Trump vai continuar usando essa estratégia também na campanha contra a candidata democrata.

Segundo Scott Lucas, especialista em EUA na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, é fascinante observar o sucesso dele como candidato antielite e antissistema – algo extremamente irritante para Hillary, já que o político republicano é, afinal, o protótipo de um candidato das elites e do establishment.

“É um truque”, afirma Lucas. “Temos dois candidatos que fazem claramente parte do establishment. No caso de Trump é o sistema econômico; Hillary, por outro lado, está ligada ao aparelho político.”

Ao contrário da política democrata, Trump – o magnata do setor imobiliário, a estrela de TV e o autoproclamado bilionário de Nova York – conseguiu convencer os eleitores de que ele não pertence ao tão odiado establishment. Um fator decisivo na campanha eleitoral será conseguir dar prosseguimento à proeza de se apresentar como um candidato antissistema.

Autenticidade

“É crucial que Hillary não consiga chegar às pessoas da mesma forma que seu marido, Bill, que sempre chegou e sempre foi bem-recebido”, diz Lucas. “Diante do público, ela aparenta ser muito desajeitada, seja em eventos de campanha ou simplesmente no encontro com os eleitores”, completa o analista político.

Muitos americanos veem a ex-secretária de Estado como “robótica e não autêntica” e se perguntam, depois de seus comícios, qual é a sua verdadeira opinião sobre determinados temas: “Seu marido Bill também era um mestre em se adaptar ao zeitgeist político, mas com a diferença de personificar uma espécie de acessibilidade e popularidade que Hillary ainda não conseguiu demonstrar”, opina, por sua vez, Ramey.

Apesar de – ou justamente por – suas muitas declarações aventureiras, sua natureza agressiva e suas mudanças de filiação partidária, Trump é visto por muitos como uma pessoa autêntica.

“Trump é como um jazz político ruim”, afirma Lucas. “Ele simplesmente diz o que lhe vem à cabeça. Será interessante observar como isso pode se voltar contra ele.”

Mas, para Hillary, não será suficiente esperar que Trump venha a se prejudicar com afirmações espontâneas: “Se Hillary quiser ter uma chance real, ela terá que irradiar um mínimo de comportamento humano e, de alguma forma, conseguir se comunicar de forma autêntica com os eleitores comuns”, frisa Ramey.

Fonte: DW

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China Defesa Geopolítica Obama no Brasil Opinião Sistemas de Armas Tecnologia

China reforça posições no mercado mundial de armas

Vasily Kashin

A Turquia irá implementar seu próprio sistema de defesa antiaérea e antimísseis baseado no sistema antimísseis chinês HQ-9 (Hongqi-9).

Esta decisão foi definitivamente confirmada há alguns dias pelo ministro da Defesa da Turquia, Ismet Yilmaz. O fornecimento do HQ-9 à Turquia vai ter efeitos de longo alcance para as posições da China no mercado mundial de armas. Com isso, as exportações chinesas saem mais para lá dos limites estreitos dos mercados de armas que já são tradicionais para Pequim, como os do Paquistão, Sudão e Bangladesh.

Esta é a primeira vez que a China entra no mercado de um país grande e relativamente desenvolvido, fornecendo um sistema de armas tão complexo e caro como é o sistema de mísseis antiaéreos de médio alcance. A Turquia tem estreitos laços de cooperação técnica militar com o Ocidente. É um Estado influente, com um impacto particularmente importante nos países do mundo muçulmano. O contrato para fornecer uma dúzia de divisões do HQ-9, no valor estimado de 3,6 bilhões de dólares, vai alterar a atitude de políticos de muitos países para com as armas chinesas em geral.

O atual sucesso só é parcialmente explicado pelas realizações dos fabricantes chineses de sistemas de defesa antiaérea. Os fatores técnico-militares têm desempenhado no contrato em questão, bem como em muitas outras transações da mesma índole, um papel secundário em relação aos fatores políticos. Dificilmente se pode imaginar que as prestações do HQ-9 superem as prestações dos sistemas propostos pelos EUA, Europa ou Rússia.

A Turquia é um novo líder regional, um país que procura aplicar uma política independente, mesmo apesar de continuar sendo membro da OTAN e ter assinado o Acordo de Associação com a União Europeia. A liderança turca segue políticas internas que provocam o desagrado do Ocidente.

Em meio da crise ucraniana, a Turquia não só não aderiu às sanções contra a Rússia, como também fechou um acordo estratégico com Moscou nos setores do gás natural e da energia nuclear. Para a Turquia, a China é mais um parceiro estratégico. E um parceiro estratégico, provavelmente, não menos importante do que a Rússia. A cooperação com a China e a Rússia assegurará à Turquia uma sustentabilidade frente à crescente pressão do Ocidente.

A cooperação técnico-militar entre a Turquia e a China já conta com uma longa história. A China se tem mostrado altamente propensa a transferir à Turquia não apenas armas prontas para operar, mas precisamente as tecnologias. A Turquia tem recebido licenças chinesas para fabricar sistemas pesados de ​​lançadores múltiplos de foguetes, mísseis balísticos de curto alcance e alguns tipos de armamento para aeronaves.

Enquanto isso, a Rússia desde o princípio não estava pronta para pôr à disposição da Turquia grandes volumes de tecnologias relacionadas com sistemas de defesa antiaérea devido, obviamente, ao fato de a Turquia continuar sendo membro da OTAN. Por outro lado, os EUA e os países da UE, apesar das inúmeras promessas, não puderam, afinal das contas, satisfazer as demandas de seus parceiros turcos quanto à transferência de tecnologias.

Não há dúvida de que a decisão da Turquia para comprar o sistema chinês irá causar uma reação negativa dos EUA. Não obstante, a Turquia já foi capaz de decidir soberanamente sobre a compra de gás russo e, neste caso, também não deverá haver grandes problemas. O fornecimento do HQ-9 à Turquia torna-se em uma importante lição da história: a China começa se transformando em uma superpotência moderna e um polo de atração para os países em desenvolvimento de menor porte. Isso acontece simplesmente por causa da envergadura da economia chinesa e da dimensão do Estado chinês que, além disso, está em condições de prosseguir uma política externa soberana e independente.

Fonte: Sputnik

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Geopolítica Obama no Brasil

Brics avançam na América Latina

BRICS

Debidatta Aurobinda Mahapatra

Grupo informal composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul pode aplicar estratégias comuns para explorar os recursos da região latino-americana e, assim, beneficiar ambas as partes.

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No início de junho, testemunhamos alguns desenvolvimentos cruciais do ponto de vista dos países do Brics. O ministro das Relações Exteriores cubano visitou Nova Déli e buscou estabelecer a parceria do Brics com os países da América Latina. Além disso, representantes de Cuba, Haiti, Costa Rica e Chile encontraram o chanceler russo Serguêi Lavrov, em Moscou, e buscaram a cooperação da Rússia para o desenvolvimento dos países latino-americanos. Por fim, o presidente chinês, Xi Jinping, visitou Trinidad e Tobago, Costa Rica e México, para ampliar o envolvimento da China na região.

Assim como a África, a América Latina está emergindo como um polo de desenvolvimento econômico, com enormes recursos naturais. Por isso, o engajamento do Brics na região, que é constituída por 33 países e possui no total 600 milhões de habitantes, tornou-se oportuno. A criação da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), em 2011, favoreceu o desenvolvimento de uma voz única na região. Sendo o Brasil um membro do Brics, bem como da CELAC, o envolvimento dos Brics na região será mutuamente benéfico com implicações mais amplas para o cenário mundial.

O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Eduardo Rodríguez Parrilla, disse em Nova Déli que a “CELAC quer melhorar as relações com os Brics”. “Queremos mais cooperação econômica com a Índia e as outras nações do Brics, pois consideramos essa relação valiosa”, acrescentou. A Índia é o primeiro parceiro de diálogo da CELAC, que tem proporcionado ao grupo um formato para estreitar as relações com a Índia em diversas áreas, sobretudo em tecnologia da informação, serviços médicos e turismo, conforme sugerido pelo ministro cubano. “Vemos uma oportunidade para estabelecer relações econômicas mutuamente benéficas com a Índia”, anunciou.

A CELAC tem um formato semelhante de diálogo com a China, que pode ser estendida para a Rússia e África do Sul. A CELAC, que é composta por todos os países do continente americano, exceto os EUA e o Canadá, começou recentemente a explorar as relações econômicas com outros países, incluindo as grandes potências do Brics. Parrilla destacou que há muitos valores e objetivos comuns entre a CELAC e o Brics que precisam explorados mais a fundo.

Os ministros das Relações Exteriores de Cuba, Haiti e Costa Rica e o vice-ministro das Relações Exteriores do Chile encontraram o chanceler russo Serguêi Lavrov na capital russa para discutir sobre vários assuntos, incluindo a promoção de um diálogo mais próximo, comércio e um regime de isenção de vistos. O comunicado conjunto englobou pontos comuns de interesse nas áreas de combate ao terrorismo, desenvolvimento das relações econômicas, promoção da democracia e dos princípios do direito internacional e luta contra o crime organizado transnacional, bem como outras ameaças e desafios. No final da reunião, Lavrov ressaltou o desejo de contatos permanentes entre a CELAC e o Brics. “Acreditamos que é uma ideia muito atraente e nós definitivamente discutiremos isso com outros os Estados que fazem parte dessa associação”, disse o ministro russo. Lavrov também expressou a vontade de criar um mecanismo permanente de diálogo político e de cooperação entre a Rússia e a CELAC.

A China começou a acompanhar vigorosamente a política latino-americana. O país já substituiu os EUA como o maior parceiro comercial do Brasil e do Chile. Suas relações comerciais com a América Latina aumentaram bastante ao longo da última década. De 2000 a 2011, essas trocaram cresceram em 20 vezes, passando de US$ 3,9 bilhões para US$ 86 bilhões. Às vésperas da visita de Xi Jinping à América Latina, o assistente do ministro das Relações Exteriores chinês, Zheng Zeguang, negou qualquer concorrência entre a China e os EUA na região e afirmou que a China pode trabalhar com os EUA em uma estrutura baseada em confiança mútua, igualdade e inclusão. Xi Jinping foi recebido pelo primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar. Além desse país caribenho, o presidente chinês visitou também a Costa Rica e o México. A China está na expectativa de ampliar seus investimentos na exploração de recursos naturais, incluindo os recursos energéticos da região.

O envolvimento dos Brics com a CELAC não é apenas um fator de promoção do multilateralismo e fomento de uma ordem mundial multipolar, mas também acumula vantagens econômicas para ambas as partes. Enquanto os membros do Brics estão aperfeiçoando rapidamente suas economias com enormes recursos financeiros, os países da CELAC também registraram crescimento, apesar da desaceleração econômica global. Fora isso, os países latino-americanos são ricos em recursos naturais. A União das Nações Sul-americanas sobre Recursos Naturais e Desenvolvimento Integral, em sua reunião na capital venezuelana no início de junho, enfatizou a importância dos recursos naturais e sua exploração para o desenvolvimento da região. A América Latina possui 38% do cobre mundial, 21% do ferro, 65% das reservas de lítio, 42% da prata e 33% do estanho. Também possui cerca de 30% do total dos recursos hídricos do mundo e 21% das florestas naturais. Alguns dos países latino-americanos, como México e Venezuela, são também ricos em recursos energéticos. A enorme população da CELAC torna essa região um vasto mercado para investimento e também para a importação dos países do Brics.

O crescente poder dos Brics vai aumentar ainda mais com o seu envolvimento intenso na América Latina. Embora muitas das iniciativas discutidas acima estejam relacionadas a cada um dos membros dos Brics, isso contribui para a esfera coletiva de influência do grupo. À medida que o engajamento com alguns membros da América Latina se tornar mais dinâmico, mais perspectivas coletivas poderão ser exploradas. O grupo pode seguir com estratégias comuns para explorar os recursos da região e, assim, tirar proveito mútuo. Nesse contexto, a proposta de criação de um banco do Brics poderá ser uma ferramenta eficaz.

Debidatta Aurobinda Mahapatra é um observador indiano. Entre suas áreas de interesse estão conflitos internacionais, terrorismo, paz e desenvolvimento, bem como aspectos estratégicos da política eurasiática. 

Fonte: Gazeta Russa

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Geopolítica Obama no Brasil

Resultados da visita de Obama

Pelas perspectivas que promete abrir no médio e no longo prazos, a recente visita do presidente Barack Obama ao Brasil, embora no contexto das incertezas e instabilidades globais, poderá ser um marco no relacionamento Brasil-EUA.

Essas relações apresentam três desafios a serem enfrentados e superados para que os entendimentos se possam desenvolver de maneira pragmática e positiva: de que forma conectar interesses comuns, como modificar as percepções de Washington em relação ao Brasil e como definir o que o nosso país quer da relação com os EUA.

Os governos de Brasília e Washington, depois de um período de tensão que durou a maior parte do governo Lula, gerada por motivações ideológicas antiamericanas e por desencontros na política externa e comercial, decidiram inaugurar uma nova etapa nas parcerias bilaterais, deixando para trás as dificuldades dos últimos anos.

A visita de Obama, centrada em temas econômicos e comerciais, ressaltou o reconhecimento, pelos EUA, da nova importância global do Brasil nas áreas de meio ambiente, comércio e energia, com o estabelecimento de parcerias globais e acordos significativos. A graduação do Brasil na área política ainda não ocorreu, como evidenciado pela manifestação de apreço, mas não de apoio à pretensão brasileira de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, pela percepção de que o País é ainda um parceiro relutante.

O comunicado conjunto, firmado pelos dois mandatários e divulgado ao final da visita, apresenta um roteiro para uma nova parceria global e bilateral, e não uma aliança estratégica, que pressupõe uma lenta construção entre iguais.

A presidente Dilma Rousseff observou que, no passado, o relacionamento esteve muitas vezes encoberto por uma retórica vazia que fugia do que estava realmente em jogo. Nesse sentido, a viagem foi marcada por uma visão pragmática, e não ideológica, propiciando resultados, embora ainda no campo das intenções.

Cabe ressaltar que os presidentes tomaram a decisão de elevar ao nível presidencial o diálogo em algumas áreas prioritárias, como parceria global, econômica, financeira e energética. Dez acordos foram assinados com vista a explorar novas possibilidades de cooperação nas áreas de comércio, educação, inovação, infraestrutura, transporte aéreo, espacial, grandes eventos esportivos, biocombustível para aviação.

Desses documentos, quatro merecem ser ressaltados:

O Acordo-Quadro Bilateral para a Cooperação sobre os Usos Pacíficos do Espaço Exterior e o anúncio do início de negociações de acordo para proteger tecnologia de operação de lançamento;

o Acordo de Comércio e Cooperação Econômica (Teca), cujo objetivo principal é facilitar o acesso de produtos dos EUA e do Brasil aos mercados dos dois países, além de criar mecanismos para examinar dificuldades nas questões comerciais e de investimento, avaliar barreiras fitossanitárias, simplificar processos alfandegários e harmonizar normas técnicas;

o acordo de cooperação em terceiros países, sobretudo africanos, nas áreas de educação, segurança alimentar, agricultura, nutrição, saúde e fortalecimento institucional; e o acordo de biocombustível para a aviação.

Nos encontros Dilma-Obama foram lançadas as bases em que as relações deverão evoluir nos próximos anos, e que poderão beneficiar os governos e o setor privado. O mundo não cessa de mudar e, no melhor interesse dos dois países, foram mencionadas parcerias em áreas que, se de fato vierem a ocorrer, propiciarão uma mudança na qualidade do relacionamento bilateral, com ganhos concretos para ambos os lados.

O desafio de conectar os interesses dos dois países, aludido anteriormente, começou a ser respondido. Alguns exemplos podem ser mencionados. O governo norte-americano está interessado em se tornar um cliente importante do petróleo produzido no pré-sal e o governo brasileiro poderá levar adiante o programa espacial, reconstruindo a Base de Alcântara, com a colaboração de empresas dos EUA. Grandes projetos de infraestrutura, atraindo investimentos de empresas norte-americanas, poderão ajudar o Brasil a cumprir os prazos para as obras da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. O Pentágono, o maior comprador de querosene de aviação do mundo, busca segurança energética com a produção de biocombustível para a aviação, o que abrirá grandes oportunidades para o setor privado brasileiro.

Do ponto de vista da política externa brasileira, a visita marcou diferenças em relação à atitude do governo anterior, segundo se depreende dos discursos e do comunicado conjunto emitido ao final da visita. Desapareceram as restrições ideológicas e foram ressaltadas as oportunidades das parcerias com os EUA, inclusive na área espacial, com salvaguardas tecnológicas. A contribuição do Brasil para a paz no Oriente Médio e outras regiões será dada sem voluntarismos. O Irã tem de demonstrar a natureza exclusivamente pacífica de seus programas nucleares. O respeito aos direitos humanos e à democracia deve ser mantido até mesmo no contexto de movimentos e transições democráticos, referência indireta à Líbia. Foram ressaltado o compromisso com a Organização dos Estados Americanos (OEA) e saudados os esforços empreendidos para torná-la mais transparente e eficiente. A Unasul e o Mercosul foram tratados no último capítulo do comunicado. Dificilmente referências dessa natureza poderiam ser encontradas em comunicados conjuntos com os EUA nos últimos cinco ou seis anos.

De certa maneira, as decisões tomadas durante a visita de Obama retomam o tom e o espírito dos entendimentos mantidos em junho de 2003, quando da primeira visita do presidente Lula a Washington, ao buscar projetos de interesse comum e avançar na mudança da percepção em relação ao Brasil, diferenciando-o no contexto latino-americano.

Fonte: O Estado de São Paulo via NOTIMP

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Obama 'perdeu oportunidade' ao não dar apoio explícito ao Brasil, diz Amorim

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Ex-ministro das Relações Exteriores diz que EUA poderiam ter criado relação ‘sólida’ e de ‘confiança’.
Ex-ministro afirma que Obama perdeu oportunidade em visita ao Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “perdeu uma grande oportunidade” em sua visita ao Brasil ao não dar apoio explícito ao ingresso do país no Conselho de Segurança da ONU, na opinião do embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores.
“Ele teria criado uma aliança mais sólida e isso teria contribuído para uma relação de confiança profunda”, disse Amorim à BBC Brasil, afirmando que agora “vai continuar tudo como estava”.
Para Amorim, se os Estados Unidos estão preocupados com a crescente presença comercial da China no Brasil, o país deve tomar medidas concretas para abrir seu mercado a produtos brasileiros – como o etanol – e reduzir o desequilíbrio comercial nas relações bilaterais.
“É desta maneira que você neutraliza a influência dos outros”, diz Amorim. “O Brasil tem o maior superavit comercial com a China. O maior deficit comercial é com os Estados Unidos”.
Ministro das Relações Exteriores durante os oito anos do governo Lula, Amorim recebeu a BBC Brasil em seu apartamento em Copacabana, na Avenida Atlântica, onde já organizou seus livros, gravatas e a coleção de obras de arte e esculturas de diversos países que acumulou durante a carreira diplomática.
Ele agora divide seu tempo entre Rio de Janeiro, Brasília e os convites internacionais que recebe, como o que o levará a Washington nesta sexta-feira para uma palestra.
O embaixador se diz muito satisfeito “por ter sido ministro de um governo que transformou o Brasil”, e vem recebendo convites “para falar na Harvard ou falar na UNE (União Nacional dos Estudantes)”. “Pretendo atender aos dois”, diz o embaixador.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil – O senhor escreveu um artigo para a revista Foreign Policy antes da visita de Obama dizendo que seria uma decepção se ele não aproveitasse a ocasião para apoiar concretamente a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Ele veio e manifestou apenas “apreço” pelo pleito do Brasil. O senhor está decepcionado?
Celso Amorim – Acho que a democracia brasileira fez o que pôde. Não sei nem se eu teria conseguido tanto. A Condoleezza (Rice, Secretária de Estado durante o governo George W. Bush) várias vezes conversou comigo sobre o assunto, mas ele nunca tinha figurado num comunicado conjunto. Isso é um avanço.
Agora, quando se compara com o que os americanos fizeram em relação à Índia, evidentemente é decepcionante. Qual é o sinal que os Estados Unidos estão dando? Qual é a diferença fundamental entre Brasil e Índia?
A Índia é mais populosa que o Brasil, mas o Brasil em compensação tem três vezes o território indiano. Ambos são democracias estáveis, com influência regional. A diferença fundamental é que a Índia tem bomba atômica e o Brasil não tem. Como você pode ser ao mesmo tempo a favor da não proliferação (de armas nucleares), e, no caso de dois países que são razoavelmente comparáveis, apoiar um país e não apoiar o outro?
Para falar a verdade, não vou dizer que eu fiquei decepcionado porque eu não tinha grandes expectativas de que Obama viesse a fazer isso. Mas acho que, do ponto de vista norte-americano, ele perdeu uma grande oportunidade. Os EUA continuam imbuídos daquela visão de hemisfério. Traduzido em bom português, hemisfério, no fundo, é o quintal. E no quintal você tem que tratar todos mais ou menos igual.
O fato de ele não entender que o Brasil tem hoje um trânsito internacional mundial… Isso você vê na opinião das outras pessoas. Por que convidaram a mim e uma semana depois ao presidente Lula para falar na Al-Jazeera? Quando isso acontecia antes? O Brasil está ali, é tido como um exemplo.
BBC Brasil – Mas quais oportunidades o senhor acha que Obama perdeu em sua visita?
Amorim – A grande coisa que ele podia ter feito era dar um apoio explícito e claro ao Brasil. Um reconhecimento de que o Brasil pode contribuir no mundo. Ele teria criado uma aliança mais sólida, e isso teria contribuído para uma relação de confiança profunda. Essa coisa assim, com a xícara meio cheia, meio vazia… Vai continuar tudo como estava.
O Obama simbolicamente é um presidente muito importante, porque é o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Tem um apelo natural para a população brasileira, o que é bom. Antes da visita, analistas americanos diziam que essa era grande coisa que ele poderia fazer, uma vez que na área comercial os avanços seriam limitados.
Os EUA estão vivendo um momento de dúvida sobre o próprio poder. Mesmo na questão da Líbia, apesar de estarem engajados, há dúvida de quem está liderando.
Os EUA precisarão de outros países, precisarão discutir mais. Você não pode pensar que a pluralidade no mundo se obtém pela terceirização. “Ah, você faz isso, mas faz do jeito que eu quero.” Não. “Você faz isso, então vou ter que levar em conta a sua opinião.” É uma realidade diferente, e países como o Brasil, a Turquia, a Índia, totalmente diversos, podem atuar. Então, acho que ele perdeu essa oportunidade.
BBC Brasil – Em abril, a presidente Dilma Rousseff faz sua primeira visita de Estado à China. Há notícia de que os Estados Unidos se preocupam com a crescente influência da China na América Latina e nos países africanos. Como o Brasil se encaixa nesse contexto?
Para Amorim, EUA vivem momento de dúvida sobre o próprio poder
Amorim – Se os Estados Unidos estão preocupados com isso, podia ter feito duas coisas: uma é apoiar o Brasil para o Conselho de Segurança. Outra é abrir o mercado de etanol. Porque é dessa maneira que você neutraliza a influência dos outros. Não é só ficar preocupado em teoria.
As pessoas criticam que o nosso comércio com a China não é bom do ponto de vista qualitativo. Mas o Brasil tem, como país individual, o maior superavit comercial com a China. O maior deficit comercial é com os Estados Unidos.
Quando dizem que a bola está no nosso campo, eu discordo totalmente. A bola ainda está do lado dos americanos, eles é que têm que fazer os gestos que resultem numa mudança. Eles que abram os seus mercados, não como a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) queria fazer – porque ia abrir muito parcialmente o mercado americano e fazia exigências tremendas.
BBC Brasil – O Brasil exporta principalmente commodities para a China, e importa manufaturados. Há uma grita em setores da indústria brasileira, que se sentem prejudicados pela entrada de produtos chineses…
Amorim – Primeiro, é preciso reconhecer que, quando falamos de commodities hoje, não é como no início do século 20, quando eram produtos de baixíssimo valor agregado. Seja no agronegócio, no etanol, em outros produtos, há um alto grau de pesquisa tecnológica agregado ali.
Mas veja bem. Os grandes deficits comerciais que o Brasil tem hoje não são com a China, são com os países desenvolvidos, os países produtores de manufaturados, EUA, Alemanha… O maior deficit que o Brasil tem é com os EUA, de quase US$ 10 bilhões. E o maior superávit que os EUA tem no mundo é com o Brasil.
Se eles querem mudar a relação, o que tem que ser reformado é por aí. Facilitar a importação do etanol brasileiro, concluir a Rodada de Doha. Com isso, ele nos conquistaria no bom sentido. Ainda que a China esteja comprando commodities, a gente precisa vender para sustentar o nível de vida que se alcançou no Brasil. Se ele (Obama) não faz isso, aí não pode evitar que a influência chinesa aumente. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: Estadão

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Obama ‘perdeu oportunidade’ ao não dar apoio explícito ao Brasil, diz Amorim

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Ex-ministro das Relações Exteriores diz que EUA poderiam ter criado relação ‘sólida’ e de ‘confiança’.
Ex-ministro afirma que Obama perdeu oportunidade em visita ao Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “perdeu uma grande oportunidade” em sua visita ao Brasil ao não dar apoio explícito ao ingresso do país no Conselho de Segurança da ONU, na opinião do embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores.
“Ele teria criado uma aliança mais sólida e isso teria contribuído para uma relação de confiança profunda”, disse Amorim à BBC Brasil, afirmando que agora “vai continuar tudo como estava”.
Para Amorim, se os Estados Unidos estão preocupados com a crescente presença comercial da China no Brasil, o país deve tomar medidas concretas para abrir seu mercado a produtos brasileiros – como o etanol – e reduzir o desequilíbrio comercial nas relações bilaterais.
“É desta maneira que você neutraliza a influência dos outros”, diz Amorim. “O Brasil tem o maior superavit comercial com a China. O maior deficit comercial é com os Estados Unidos”.
Ministro das Relações Exteriores durante os oito anos do governo Lula, Amorim recebeu a BBC Brasil em seu apartamento em Copacabana, na Avenida Atlântica, onde já organizou seus livros, gravatas e a coleção de obras de arte e esculturas de diversos países que acumulou durante a carreira diplomática.
Ele agora divide seu tempo entre Rio de Janeiro, Brasília e os convites internacionais que recebe, como o que o levará a Washington nesta sexta-feira para uma palestra.
O embaixador se diz muito satisfeito “por ter sido ministro de um governo que transformou o Brasil”, e vem recebendo convites “para falar na Harvard ou falar na UNE (União Nacional dos Estudantes)”. “Pretendo atender aos dois”, diz o embaixador.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil – O senhor escreveu um artigo para a revista Foreign Policy antes da visita de Obama dizendo que seria uma decepção se ele não aproveitasse a ocasião para apoiar concretamente a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Ele veio e manifestou apenas “apreço” pelo pleito do Brasil. O senhor está decepcionado?
Celso Amorim – Acho que a democracia brasileira fez o que pôde. Não sei nem se eu teria conseguido tanto. A Condoleezza (Rice, Secretária de Estado durante o governo George W. Bush) várias vezes conversou comigo sobre o assunto, mas ele nunca tinha figurado num comunicado conjunto. Isso é um avanço.
Agora, quando se compara com o que os americanos fizeram em relação à Índia, evidentemente é decepcionante. Qual é o sinal que os Estados Unidos estão dando? Qual é a diferença fundamental entre Brasil e Índia?
A Índia é mais populosa que o Brasil, mas o Brasil em compensação tem três vezes o território indiano. Ambos são democracias estáveis, com influência regional. A diferença fundamental é que a Índia tem bomba atômica e o Brasil não tem. Como você pode ser ao mesmo tempo a favor da não proliferação (de armas nucleares), e, no caso de dois países que são razoavelmente comparáveis, apoiar um país e não apoiar o outro?
Para falar a verdade, não vou dizer que eu fiquei decepcionado porque eu não tinha grandes expectativas de que Obama viesse a fazer isso. Mas acho que, do ponto de vista norte-americano, ele perdeu uma grande oportunidade. Os EUA continuam imbuídos daquela visão de hemisfério. Traduzido em bom português, hemisfério, no fundo, é o quintal. E no quintal você tem que tratar todos mais ou menos igual.
O fato de ele não entender que o Brasil tem hoje um trânsito internacional mundial… Isso você vê na opinião das outras pessoas. Por que convidaram a mim e uma semana depois ao presidente Lula para falar na Al-Jazeera? Quando isso acontecia antes? O Brasil está ali, é tido como um exemplo.
BBC Brasil – Mas quais oportunidades o senhor acha que Obama perdeu em sua visita?
Amorim – A grande coisa que ele podia ter feito era dar um apoio explícito e claro ao Brasil. Um reconhecimento de que o Brasil pode contribuir no mundo. Ele teria criado uma aliança mais sólida, e isso teria contribuído para uma relação de confiança profunda. Essa coisa assim, com a xícara meio cheia, meio vazia… Vai continuar tudo como estava.
O Obama simbolicamente é um presidente muito importante, porque é o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Tem um apelo natural para a população brasileira, o que é bom. Antes da visita, analistas americanos diziam que essa era grande coisa que ele poderia fazer, uma vez que na área comercial os avanços seriam limitados.
Os EUA estão vivendo um momento de dúvida sobre o próprio poder. Mesmo na questão da Líbia, apesar de estarem engajados, há dúvida de quem está liderando.
Os EUA precisarão de outros países, precisarão discutir mais. Você não pode pensar que a pluralidade no mundo se obtém pela terceirização. “Ah, você faz isso, mas faz do jeito que eu quero.” Não. “Você faz isso, então vou ter que levar em conta a sua opinião.” É uma realidade diferente, e países como o Brasil, a Turquia, a Índia, totalmente diversos, podem atuar. Então, acho que ele perdeu essa oportunidade.
BBC Brasil – Em abril, a presidente Dilma Rousseff faz sua primeira visita de Estado à China. Há notícia de que os Estados Unidos se preocupam com a crescente influência da China na América Latina e nos países africanos. Como o Brasil se encaixa nesse contexto?
Para Amorim, EUA vivem momento de dúvida sobre o próprio poder
Amorim – Se os Estados Unidos estão preocupados com isso, podia ter feito duas coisas: uma é apoiar o Brasil para o Conselho de Segurança. Outra é abrir o mercado de etanol. Porque é dessa maneira que você neutraliza a influência dos outros. Não é só ficar preocupado em teoria.
As pessoas criticam que o nosso comércio com a China não é bom do ponto de vista qualitativo. Mas o Brasil tem, como país individual, o maior superavit comercial com a China. O maior deficit comercial é com os Estados Unidos.
Quando dizem que a bola está no nosso campo, eu discordo totalmente. A bola ainda está do lado dos americanos, eles é que têm que fazer os gestos que resultem numa mudança. Eles que abram os seus mercados, não como a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) queria fazer – porque ia abrir muito parcialmente o mercado americano e fazia exigências tremendas.
BBC Brasil – O Brasil exporta principalmente commodities para a China, e importa manufaturados. Há uma grita em setores da indústria brasileira, que se sentem prejudicados pela entrada de produtos chineses…
Amorim – Primeiro, é preciso reconhecer que, quando falamos de commodities hoje, não é como no início do século 20, quando eram produtos de baixíssimo valor agregado. Seja no agronegócio, no etanol, em outros produtos, há um alto grau de pesquisa tecnológica agregado ali.
Mas veja bem. Os grandes deficits comerciais que o Brasil tem hoje não são com a China, são com os países desenvolvidos, os países produtores de manufaturados, EUA, Alemanha… O maior deficit que o Brasil tem é com os EUA, de quase US$ 10 bilhões. E o maior superávit que os EUA tem no mundo é com o Brasil.
Se eles querem mudar a relação, o que tem que ser reformado é por aí. Facilitar a importação do etanol brasileiro, concluir a Rodada de Doha. Com isso, ele nos conquistaria no bom sentido. Ainda que a China esteja comprando commodities, a gente precisa vender para sustentar o nível de vida que se alcançou no Brasil. Se ele (Obama) não faz isso, aí não pode evitar que a influência chinesa aumente. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: Estadão

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Fotos do Dia Geopolítica Obama no Brasil

Por que Obama foi ao Brasil

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A viagem desta semana do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil, Chile e El Salvador, enquanto a guerra se intensifica na Líbia, vem sendo bastante criticada como prova de uma indiferença perigosa em relação a um mundo que necessita muito da liderança dos EUA.

Mesmo assim ela é justificada — pelo menos no caso do Brasil. Sem dúvida, a ida a Santiago e San Salvador poderia ter sido adiada. O Chile já é um aliado estável e a parada em El Salvador, para a discussão de superficialidades sobre a segurança no continente enquanto a América Central arde nas chamas do narcotráfico, somente reforça a futilidade da guerra movida pelos EUA contra as drogas.

Por outro lado, a viagem a Brasília no sábado para um encontro com a presidente Dilma Rousseff, do PT, foi importante.

Infelizmente, Obama desacreditou sua viagem antes mesmo de ela começar ao vendê-la como uma missão comercial para criar empregos a estimular a economia dos EUA. Com esses objetivos em mente, melhor seria ele ter ficado em casa fazendo lobby no Congresso para derrubar a tarifa de US$ 0,54 por galão de 3,79 litros imposta sobre o etanol brasileiro e acabar com todos os subsídios americanos ao algodão, que foram declarados ilegais pela Organização Mundial do Comércio (OMC) no caso levantado pelo Brasil. Ou ele poderia ter enviado os acordos de livre comércio com a Colômbia e o Panamá para o Congresso, onde eles teriam sido facilmente ratificados.

Vamos admitir: a reputação que Obama tem de ser protecionista o precede. Se ele acredita o contrário, o persuasivo presidente americano é insensível.

Quanto ao bom motivo para uma viagem dessas, considere os interesses geopolíticos compartilhados pelos EUA com a maior democracia da América Latina. Embora o presidente anterior, o também petista Luiz Inácio Lula da Silva, quase nada tenha feito para desregulamentar uma economia que na maioria das vezes não é aberta em seus oito anos no cargo, ele respeitou as reformas realizadas no Banco Central pelo seu antecessor Fernando Henrique Cardoso. Em consequência, após décadas de caos inflacionário provocado pelo financiamento do BC dos déficits do governo, o Brasil desfruta agora de uma muito melhor estabilidade dos preços há mais de uma década. O fim do ciclo de repetidas desvalorizações permite a formação de uma classe média substancial, e isso está moldando uma nação que quer cada vez mais ser parte da economia moderna e globalizada.

A saída de milhões de brasileiros da pobreza é algo para ser celebrado. Mas isso é um problema quando a liderança de um gigante anteriormente adormecido e isolado anuncia que vai buscar alianças com tiranos. Foi isso o que aconteceu durante o mandato de Lula. Lula tinha uma queda por tiranos. Considerando suas raízes no movimento trabalhista de esquerda, a afinidade com o ditador cubano Fidel Castro era compreensível. Mas sua decisão de agir como agente de propaganda do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, no cenário mundial, não. Felizmente, ela não surtiu efeito. Por outro lado, seu apoio a Hugo Chávez — que é antidemocrático em casa e apoia terroristas colombianos além de suas fronteiras — prejudicou os esforços multilaterais para a contenção da ameaça venezuelana.

Agora, Dilma Rousseff quer desenvolver uma nova política externa que, embora longe de se alinhar com os EUA, não deverá acalentar ativamente ditadores e déspotas. Os EUA precisam estimular esse esforço. Na luta pela estabilidade no continente, o Brasil é um participante crucial.

Esperava-se que, como presidente, Dilma, que já fez parte de um grupo de guerrilha marxista, iria ficar mais a esquerda ideológica que seu antecessor e ser tão perigosamente populista quanto ele. Mas até agora ela tem se mostrado pragmática. Enquanto o carismático Lula gostava dos holofotes, ela mantém um perfil reservado. Quando fala, ela é séria e cuidadosa. Lula reclamava ruidosamente das críticas que recebia dos meios de comunicação e queria restringir a liberdade de imprensa. Dilma vem rejeitando a ideia.

É uma velha tradição brasileira reservar o Ministério das Relações Exteriores para a esquerda excêntrica do país. Isso e a ambição brasileira, testada pelo tempo, de derrotar a hegemonia americana na região, é uma maneira de explicar o apoio do governo Lula a déspotas. O Brasil também possui contratos comerciais valiosos com a Venezuela. Mas Dilma parece ter decidido que a abordagem de Lula era contraproducente, especialmente para a meta do Brasil de ganhar um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Pouco depois de vencer as eleições, em 31 de outubro, ela começou a criticar os históricos de direitos humanos do Irã e Cuba, algo que Lula nunca teve coragem de fazer. Outro sinal importante, embora sutil, é a maneira com que Dilma parece estar se distanciando de Chávez e seu grupo.

Se o Brasil está querendo se reaproximar dos EUA, isso é um acontecimento bem vindo para todo o continente. Como aliado em questões fundamentais, como a oposição à tortura nas prisões cubanas, o Brasil poderá ser parte de uma longamente aguardada iniciativa regional para denunciar os abusos dos direitos humanos. Isso também poderá ser útil no ano que vem, quando a Venezuela realizará eleições presidenciais. Chávez já disse que mesmo que perder, não vai sair, e o comandante das forças armadas concorda.

Isso poderá criar uma situação não muito diferente da que se desenrola hoje na Líbia. Se os EUA e o Brasil estiverem cantando a mesma música, isso vai ajudar.

É uma pena apenas que o presidente americano, que estava começando uma guerra, não tenha tido o bom senso de retornar a casa depois da reunião em Brasília.

Fonte: The Wall Street Journal

Nota: Gérsio Mutti

Veja Vídeo Obama Afagou o Ego brasileiro

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Geopolítica Obama no Brasil

Obama não se mostrou disposto a pagar nem um cafezinho

http://orangepunch.ocregister.com/files/2010/06/Obama-smile.jpgSugestão: Fernando Gonzales

por Wladimir Pomar

Mr. Obama aterrisou no Brasil cheio de simpatia. Afinal, boa parte da população brasileira ainda não está informada de que o eleitorado americano foi vítima de um embuste, e a grande imprensa fez tudo a seu alcance para promover a simpatia do casal e o charme de Mrs. Michele.

A grande mídia não mediu esforços para encobrir a grave crise econômica e social que assola aquele grande país, omitir a manutenção da mesma política externa que levou os Estados Unidos ao atoleiro do Afeganistão e do Iraque, e encobrir o apoio do governo norte-americano aos governos ditatoriais da África do Norte e da Arábia.

Em resumo, fez de tudo para dourar a pílula do que deseja realmente Mr. Obama em sua viagem ao Brasil. E tem sido incapaz de mostrar sua afronta ao Brasil, tipo Bush filho, ao ordenar o bombardeamento da Líbia em seu primeiro dia de visita ao governo brasileiro.

Apesar de falar em paz e cooperação, Mr. Obama demonstrou que pratica guerra e imposição. Embora tenha dito ter apreço pela pretensão brasileira de participar do Conselho de Segurança da ONU, não avançou um til sequer na promessa vaga de continuar trabalhando com todos pela reforma daquele órgão multilateral. E não deu qualquer sinal de que afrouxará as barreiras à entrada dos produtos brasileiros no mercado estadonidense.

Em outras palavras, Mr. Obama esbanjou simpatia, tanto a própria quanto a fabricada, mas não se mostrou disposto a pagar nem um cafezinho. Isso não acontece por acaso. Já antes da catástrofe que assola o Japão, os Estados Unidos enfrentavam uma crescente dificuldade para colocar seus bônus do Tesouro, indispensáveis para financiar seus diferentes déficits e para salvar seus bancos da bancarrota.

O Japão interrompera a aquisição daqueles títulos, a China procurava outras formas de aplicar seus excedentes financeiros, os países árabes produtores de petróleo se resguardavam diante dos levantes populares, e até a Grã-Bretanha, fiel aliada dos EUA, se via obrigada a direcionar seus recursos financeiros para pagar a dívida pública. Diante desses movimentos, o FED já se via constrangido a comprar mais de 70% das emissões dos bônus de seu próprio Tesouro.

A tríplice catástrofe que se abateu sobre o povo japonês pressionará o governo do Japão a despejar seus recursos financeiros na reconstrução das regiões destruídas, na adoção de medidas radicais para substituir alimentos e outros bens contaminados pelas radiações nucleares, e na reativação da economia japonesa. Nessas condições, o Japão pode se transformar de grande comprador de bônus do Tesouro americano em vendedor desses bônus no mercado internacional. Combinada aos demais fatores que já afetavam o mercado desses títulos, a situação japonesa pode representar um golpe destruidor sobre o principal mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para financiar a continuidade de sua economia.

Nessas condições, será muito difícil ao governo de Mr. Obama tratar adequadamente seus débitos internos e internacionais, manter suas taxas de juros no atual patamar próximo de zero, utilizar eficientemente a desvalorização do dólar como fator de elevação da competitividade de seus produtos e de reativação de sua economia, e resolver a favor dos Democratas a disputa fratricida que estão mantendo com os radicais Republicanos. Na verdade, o We Can de Mr. Obama está se tornando, cada vez mais, em We Cannot. Afinal, não é preciso ser um analista arguto para notar que nenhum de seus compromissos eleitorais foi cumprido.

Para agravar o quadro geral da crise norte-americana, a decisão do governo Obama de estimular seus aliados sauditas e de outros países árabes a intervir no Bahrein e reprimir as manifestações populares dos povos árabes por melhores condições de vida, reformas democráticas e soberania nacional, já representavam medidas perigosas que podiam tornar ainda mais caótica a situação das regiões do Norte da África e da Península Arábica, tanto do ponto de vista político, quanto social e econômica. O que, inevitavelmente, rebaterá desfavoravelmente sobre a crise norte-americana.

A decisão, em conjunto com a França, Inglaterra e Itália, de intervir nos negócios internos da Líbia, com pretextos idênticos aos utilizados no Afeganistão e no Iraque, pode agravar ainda mais, exponencialmente, todos os fatores de instabilidade e caos presentes no cenário mundial e no cenário interno americano, a começar pelo potencial fator de elevação do preço do petróleo, a principal fonte energética da economia dos Estados Unidos.

Mas podemos agregar a tudo isso outros fatores de crise. Os preços das demais commodities minerais e agrícolas devem continuar se elevando. O Japão terá grandes dificuldades para continuar abastecendo o mercado mundial de componentes eletrônicos vitais para o funcionando da economia global altamente informatizada. Haverá uma parada obrigatória, mesmo momentânea, para a revisão dos projetos de energia nuclear, agravando os problemas produtivos em países, como a França, que possuem fortes cadeias industriais voltadas para esse setor.

Talvez por isso, com a França tendo uma forte indústria bélica, o governo Sarkozi tenha se mostrado tão belicista em relação à Líbia. Supõe, como os antigos imperialistas, que a guerra pode ser um instrumento de reativação econômica. Nem se deu conta de que os custos astronômicos dos atuais equipamentos bélicos vão agravar ainda mais a crise financeira da zona do euro. E que os custos de reconstrução das áreas destruídas pesarão consideravelmente, seja sobre os orçamentos já em crise, seja sobre a posição política desses falcões.

Por tudo isso, talvez possamos afirmar que os Estados Unidos, assim como seus aliados europeus, não estão em condições de transformar simpatia em projetos positivos. Para comprovar isso, basta examinar a posição dos Estados Unidos diante da tríplice tragédia japonesa. Eles estão sem qualquer condição de contribuir com qualquer ajuda financeira ou com a abertura de seus mercados. Depois, vão reclamar da China que, segundo muitos analistas, é a única que se acha em condições de oferecer uma ajuda financeira real ao Japão e abrir seu mercado para a recuperação das empresas e da economia japonesa.

O mesmo em relação ao Brasil. Mr. Obama quer maior abertura para os produtos norte-americanos, sem reduzir em nada os entraves à entrada da carne, etanol, sucos, algodão e outros produtos brasileiros no mercado norte-americano. Também não quer equilibrar a balança comercial entre os dois países. Mas Mr. Obama ofereceu financiamentos de um bilhão de dólares, como se estivesse ofertando a maior fortuna do mundo.

A presidenta Dilma poderia ter dito a ele que o Brasil está financiando os Estados Unidos em cerca de 8 bilhões de dólares anuais, que é o saldo dos EUA no comércio com o Brasil. Também poderia ter dito que os chineses, apenas para a exploração do pré-sal, financiaram 10 bilhões de dólares. Talvez não o tenha feito, por educação. E também porque, afinal, mesmo não pagando nem o cafezinho, a simpatia  do casal Obama é inegável.

Fonte: Viomundo

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Obama no Brasil

No Rio, Obama diz que Brasil é exemplo de democracia para mundo árabe

Jason Reed/Reuters

Barack Obama acena à plateia no Theatro Municipal do Rio antes de discuso a mais de 2.000 pessoas

O presidente americano, Barack Obama, afirmou neste domingo em discurso no Theatro Municipal, no Rio, que a transição feita pelo Brasil da ditadura para a democracia é um modelo para o mundo árabe, governado há décadas por líderes fortes mas que passa por um momento em que o povo exige mais liberdades. O líder americano disse ainda que deseja “fortalecer a amizade” dos EUA com o país.

Falando a uma plateia de mais de 2.000 pessoas, Obama disse que “a transição para a democracia no Brasil nos anos 1980 pode servir de exemplo às nações do Oriente Médio”.

“Esse é o exemplo do Brasil, um país que mostra que a ditadura pode se transformar em uma vibrante democracia, um país que mostra que a democracia leva liberdade e oportunidades ao povo”.

Segundo Obama, nos últimos meses, o mundo árabe tem sido palco de manifestações populares que pedem mais liberdade e democracia. “Em toda a região, nós vimos jovens se levantando. Uma nova geração exigindo o direito de decidir seu próprio futuro”, disse.

O presidente americano citou a Líbia: “Temos visto o povo da Líbia assumir uma corajosa posição contra um regime determinado a brutalizar seus próprios cidadãos”.

Marcelo Sayão/Efe

Barack Obama gesticula durante seu discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

PARCERIAS E JAPÃO

Como no dia anterior, Obama citou as diversas áreas em que Brasil e EUA são parceiros e que podem ser reforçadas. Isso inclui os setores de energia limpa, cooperação científica, tecnologia e falou em derrubar os obstáculos que estão impedindo o crescimento das relações comerciais bilaterais.

“Da África ao Haiti, estamos trabalhando lado a lado para combater a fome, a doença e a corrupção que podem apodrecer uma sociedade.”

O presidente americano também comentou sobre a maior comunidade japonesa fora do Japão que vive em São Paulo para pregar ajuda do Brasil aos japoneses na sua hora de maior necessidade, uma referência ao terremoto seguido de tsunami registrado no último dia 11 que já deixou mais de 7.000 mortos no país asiático.

“Nos EUA, nós criamos um laço de mais de 60 anos com o Japão”, disse. “O povo japonês é um dos nossos amigos mais próximos e estaremos lado a lado com o povo japonês para superar esse momento.”

O discurso de Obama no Theatro Municipal estava previsto inicialmente para ser realizado na Cinelândia, que encerraria a agenda do mandatário na cidade. O local havia sido escolhido em detrimento de outras opções, como a praia de Copacabana, por questões de segurança. No entanto, o evento foi transferido na sexta-feira (18) para o interior do teatro.

Entre os mais de 2.000 convidados estavam grupos de mulheres e idosos de Santa Cruz e Bangu (bairros de classe média baixa da zona Oeste do Rio), que conduzem projetos sociais com apoio da Prefeitura e do governo do Estado.

Também integrava a plateia uma representação do Instituto Empreender, cujo objetivo é promover programas nas áreas de empreendedorismo, com acesso ao crédito e desenvolvimento de microempresas. O projeto é apoiado pela Usaid, agência norte-americana de assistência econômica e humanitária.

Na plateia, há ainda representantes do movimento negro e expoentes da cultura afro-brasileira, como os atores Lázaro Ramos, Taís Araújo, a ministra Luiza Bairros (Igualdade Racional) e o ativista, ex-político e intelectual Abdias do Nascimento, 97.

Fonte:  Folha

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Obama no Brasil

Obama: “Futuro do Brasil é agora”

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Em um discurso neste domingo no Rio, o presidente dos EUA, Barack Obama, fez um paralelo entre a luta do Brasil para chegar à democracia com as mobilizações populares que ocorrem atualmente no Oriente Médio e norte da África para pôr fim a governos autocráticos. “O Brasil mostrou que uma ditadura pode virar uma democracia. Mostrou que a reivindicação de mudança pode começar na rua e transformar o país, transformar o mundo”, disse.

Com elogios ao progresso do povo brasileiro, Obama passou uma mensagem de que EUA e Brasil devem trabalhar juntos para o progresso individual de cada país e para o desenvolvimento de outras regiões do mundo. “O Brasil não é mais o país do futuro. O futuro já chegou e é agora”, afirmou sob aplausos no Theatro Municipal. “O povo americano não apenas reconhece o sucesso do Brasil, mas o torce por ele. Ficaremos juntos como parceiros iguais, comprometidos com o progresso que podemos compartilhar”, disse.

Durante seu pronunciamento, o líder americano pontuou várias áreas em que Washington e Brasil estão trabalhando em conjunto. Obama lembrou que os dois países trabalharam em conjunto para superar a crise financeira de 2008.

O discurso seria feito a céu aberto, mas foi transferido para a casa de espetáculos. Centenas de pessoas foram à Cinelândia para acompanhar o discurso, que foi transmitido por telões do lado de fora do Theatro Municipal.A estudante Fernanda Osthoff, aluna da Escola Americana, estava entre os convidados que acompanharam o discurso de perto. “O fato de a primeira parada dele na América Latina ter sido no Brasil mostra a importância do País no cenário mundial e a intenção dos EUA em estreitar as relações com a nossa nação”, disse ao lado de amigos.

Um grupo de 65 mulheres com idades entre 40 e 85 anos também estava na seleta lista de convidados. Elas fazem parte de um núcleo da terceira idade de Bangu, bairro da zona oeste do Rio.

“Estamos ansiosas para o discurso. Temos lugar cativo para ficar pertinho do presidente”, disse Marli Coelho, coordenadora do projeto, antes do início do pronunciamento. “Espero que, a partir dessa viagem, ele cole com a Dilma e traga muitas coisas boas para o Brasil”, completou ela, que, assim como suas amigas, usava chapéus com lencinhos da bandeira dos estados unidos.

Do contra

Do lado de fora, entre os que não foram convidados, alguns manifestantes ensaiaram um protesto. Integrantes de partidos de esquerda, como o Partido Comunista Brasileiro e o PSOL carregavam bandeiras de Cuba e cartazes contra os ataques à Líbia. Por volta das 14h o grupo se dispersou.

O esquema de segurança na Cinelândia foi reforçado com a presença de soldados do Exército e de policiais militares. A avenida Rio Branco, uma das principais vias do centro do Rio, está interditada desde a avenida Presidente Vargas até a Cinelândia. Com a via sem trânsito, algumas pessoas aproveitaram o espaço para andar de bicicleta e skate.

*Com reportagem de Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro

Fonte: Último Segundo

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Fotos do Dia Obama no Brasil

Obama faz propaganda de avião militar para Dilma

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O presidente americano, Barack Obama, promoveu, diante de sua colega Dilma Rousseff, as vantagens do avião americano F/A-18, que compete com o francês Rafale e o Gripen sueco, em uma licitação de 36 caças para a Força Aérea brasileira, informou a Casa Branca neste domingo.

Obama e Rousseff abordaram este tema durante seu encontro no sábado em Brasília, indicou Daniel Restrepo, conselheiro para as Américas do presidente americano. Mesmo assim, afirmou que Dilma não indicou preferências por um ou outro aparelho.

“Sobre os aviões, o tema do F/A-18 surgiu. A presidente Rousseff abordou a questão, e o presidente Obama destacou que o F/A-18 é o melhor avião oferecido (e que) o pacote de transferência de tecnologia é equivalente aos pacotes que são oferecidos a parceiros e aliados ao redor do mundo”, indicou.

O Brasil adiou a decisão sobre a licitação milionária para comprar caças supersônicos ofertados por França, Suécia e Estados Unidos, depois do anúncio de um corte orçamentário e não há data prevista para que o negócio seja concluído.

Na concorrência estão os fabricantes do caça francês Rafale (Dassault), do sueco Gripen NG (Saab) e o americano F/A-18 Super Hornet (Boeing).

O Brasil exige a transferência de tecnologia que lhe permita se tornar um fornecedor regional desses aparelhos.

O governo Lula tinha manifestado preferência pelos Rafale, mas no final optou por deixar a decisão à sucessora.

Fonte: Correio Braziliense