Categories
América do Sul Brasil Defesa Defesa brasileira. Destaques Equipamentos Negócios e serviços Sistemas de Armas Tecnologia Vídeo

Arma Leve Anticarro / “Tanque” (ALAC)

Fonte: Hoje no Mundo Militar – O Mundo Militar é um canal (You Tube) exclusivamente voltado para temas atuais do mundo militar.

Edição: konner@planobrazil.com

Categories
Uncategorized

Uma das primeiras mulheres a pilotar caça na China morre em acidente aéreo

Yu Xu se tornou uma das 16 primeiras mulheres da China a pilotar caças
Yu Xu se tornou uma das 16 primeiras mulheres da China a pilotar caças

Yu Xu, uma das primeiras mulheres a pilotar um caça na China, morreu neste sábado (12) após sua aeronave cair durante um treinamento das Forças Aéreas, informou neste domingo a imprensa oficial chinesa.

Yu, de 30 anos, estava realizando manobras de prática rotineiras perto da cidade de Tangshan, na província chinesa de Hebei (norte), quando sofreu o acidente e não conseguiu sair da aeronave antes desta cair.

Outro piloto que voava com ela conseguiu saltar de paraquedas a tempo, embora tenha sofrido ferimentos e teve que ser hospitalizado.

Ambos os pilotos faziam parte da equipe Acrobática Bayi das Forças Aéreas do Exército de Libertação Popular da China.

Yu pediu para entrar nas Forças Aéreas chinesas em 2005 e, quatro anos depois, se tornou uma das 16 primeiras mulheres do país a pilotar caças, segundo a agência oficial “Xinhua”.

Fonte: UOL Noticias 

Categories
Defesa Estados Unidos Sistemas de Armas Tecnologia Vídeo

Fuzileiros Navais Americanos (United States Marine Corps – USMC) adquirem veículos leves de reconhecimento 4×4 Polaris MRZR-D4

contract_polaris_defense_from_us_marine_corps_to_deliver_144_four-seats_mrzr_all-terain_vehicles_640_001

Ghost Especial para o Plano Brasil

Os Fuzileiros Navais Americanos (United States Marine Corps – USMC) assinaram com a empresa americana Polaris Defense um contrato para a aquisição 144  veículos leves de reconhecimento 4×4 Polaris MRZR-D4 equipados com motores diesel. O contrato também inclui peças de reposição blocos de apoio aos veículos.

[embedyt] http://www.youtube.com/watch?v=pd4kqANK6vg[/embedyt]

A compra faz parte do escopo do programa Utility Task Vehicle (UTV). Os carros serão distribuídos aos Regimento de de Infantaria dos Fuzileiros Americanos (Marines). Viaturas desse tipo tem capacidade para qualquer terreno e estão em serviço dos as forças armadas dos Estados Unidos e de mais de 20 outro países.

contract_polaris_defense_from_us_marine_corps_to_deliver_144_four-seats_mrzr_all-terain_vehicles_640_002

Categories
Uncategorized

Cingapura assina contrato com a Airbus Helicopter para a aquisição do H225M Caracal

h225m-caracal-lands-in-kielce_airbushelicopters-2016-09-02-09-29-27

Ghost Especial para o Plano Brasil

O Ministério da Defesa de Cingapura assinou um contrato com a Airbus Helicopter para a aquisição do H225M como seu Medium Lift Helicopter, ou helicóptero de carga de porte médio. Segundo o CEO da Airbus Helicopters Guillaumer Faury Cingapura adquirirá o Airbus Helicopters H225M Caracal como parte do programa de modernização da frota de aeronaves de asas rotativas de sua Força Aérea.

[embedyt] http://www.youtube.com/watch?v=ZWmNS99Q7qQ[/embedyt]

Embora a quantidade encomendada não tenha sido informada, sabe-se que as aeronaves serão empregadas para operações de Busca e Salvamento, evacuação aeromédica e assistência humanitária em situações de catástrofes.

singapore_officially_selects_the_airbus_h225m_multirole_helicopter_640_001

De acordo com fontes do ministério da defesa de Cingapura, o H225M Caracal substituirá os AS332 Super Puma (32 unidades) em serviço na Força Aérea estando esses em serviço desde 1983. Cingapura é o oitavo país a encomendar o H225, seguindo o exemplo de França, Brasil, México, Malásia, Indonésia, Tailândia e Kuwait.

Categories
Destaques Estados Unidos História Opinião

Donald Trump, o demagogo que capitalizou a ira

“Não existe Donald Trump, é um personagem”. Mas há algo genuíno em sua extravagância: é imprevisível. – Mark Singer, escritor e repórter

Algo que Donald Trump aprendeu muito jovem é que, quando alguém bate a uma porta, não deve ficar plantado em frente, mas de lado.

O primeiro trabalho que fez para seu pai, um construtor que conquistou fortuna com a edificação de moradias acessíveis nos distritos nova-iorquinos do Brooklyn e Queens, foi cobrar aluguéis em atraso, casa por casa, ao lado de um funcionário especializado no assunto.

Ser alto, se impor com a presença física, era necessário. Mas, ainda assim, se a pessoa se deparava com um apartamento malfadado, podia levar um tiro, de modo que, diante da porta, só a mão ficava exposta.

Donald John Trump, o presidente eleito dos Estados Unidos, já nasceu rico em 14 de julho de 1946. Seu pai, Fred, era filho de um imigrante alemão, mas durante décadas a família fez crer que suas origens eram suecas, como assinala a biografia de Michael d’Atonio, para não afugentar a clientela judaica de Nova York depois da Segunda Guerra Mundial.

A inesperada ascensão do filho de um construtor à presidência do país mais poderoso do mundo não se explica nas estruturas dos partidos nem no Senado de Washington ou na política local, campo tradicional dos presidentes norte-americanos. Tampouco nos salões do establishment. É preciso procurar nos estúdios de televisão, na Manhattan da Fogueira das Vaidades e nas ruas mais difíceis do Brooklyn e Queens dos anos sessenta. O homem que sacode o mundo começou sua andança batendo nas portas e se esquivando de potenciais disparos em bairros humildes.
.

Quando neste momento tantas pessoas se perguntam como um milionário da Quinta Avenida – um filhinho de papai que vive em mansões versaillesas – meteu no bolso tanto eleitor operário cansado do sistema, ajuda muito retroceder a esses anos de cobrador, na época em que a mãe dele, apesar de todo o dinheiro que tinha, ia pessoalmente às lavanderias dos edifícios da família recolher as moedas das máquinas.

A rua em que cresceu, em Jamaica Estates, uma zona endinheirada do Queens, é formada por residências elegantes, jardins cuidados e belos carros estacionados. A casa, com pórtico, de tijolos marrons e colunas brancas, é uma das maiores do bairro. Mas, seguindo pela mesma calçada, a apenas cinco minutos, a gente chega à avenida Hillside, de outra dimensão. As lojas árabes de comida halal se multiplicam na rua, ocupada por comércios de tudo a 99 centavos, compra e venda de ouro e, desprendendo um colossal odor, O Palácio do Churrasco.

O homem que chegou à Casa Branca atiçando os sentimentos do nacionalismo branco norte-americano procede do lugar mais multiétnico de Nova York, o Queens, e de uma área específica em que as casas dos ricos estavam perto daquelas das pessoas da classe trabalhadora. Kevin Russell, um morador de 50 anos da mesma rua, diz que Trump “era um sujeito muito amável, que veio ver os pais até o final, falava com todos”. “Essas coisas que diz agora da imigração não podem vir dele, isto é o Queens, temos vivido todos juntos em paz”, afirma.

Mas a tensão racial sempre esteve presente na vida do próximo presidente dos Estados Unidos. Em 1973 foi denunciado, com o pai, por discriminar a entrada das famílias negras em suas propriedades de aluguel. E nunca deu volta atrás no chamado caso dos cinco do Central Park, quando em 1989 alguns adolescentes – um hispânico e quatro afro-americanos – foram condenados por um estupro que, se soube em 2002, não haviam cometido. Quando o julgamento ainda não havia sido realizado, Trump pagou anúncios de página inteira pedindo a pena de morte. Foram inocentados, mas o empresário mantém que são culpados.

Mente com frequência. Entrou na política também com o lança-chamas da raça em mãos, com destaque em 2011 na campanha que questionava a origem do presidente Barack Obama. Foi tamanha a pressão que Obama teve de mostrar sua certidão de nascimento. Naquele ano, no tradicional jantar dos jornalistas no qual o presidente pronuncia um discurso jocoso, a vítima foi Trump, suas inclinações televisivas e os concursos de beleza. “Sem dúvida, Donald trará a mudança à Casa Branca”, ironizou Obama. Há quem diga que isso o estimulou.

Ao longo da campanha, muitos seguidores de Trump argumentavam que ele lhes inspirava confiança porque sua candidatura era desinteressada: por que um magnata, um multimilionário, iria querer se meter em política, já tendo tudo? É tão difícil – ou tão fácil – de explicar como seu vício em câmeras. Não se entende a ascensão de Trump na sociedade norte-americana sem sua condição de showman: apresentou 14 temporadas de O Aprendiz, um concurso de talentos no qual desempenhava o papel do ogro, o tipo exigente que dizia as coisas com grosseria. Quanto mais agressivo era, mais audiência conseguia.

Trump utilizou a mídia a vida toda para obter publicidade gratuita, embora na base da polêmica. “O preço de um anúncio de página inteira no The New York Times pode ser de mais de 100.000 dólares (340.000 reais), mas, quando publicam uma notícia sobre alguns dos meus negócios, não me custa um cêntimo, e tenho uma repercussão mais importante”, confessava em seu último livro, Crippled America (América Paralisada). Nele admite que em certas ocasiões faz “comentários revoltantes” para dar à mídia “o que busca”.

Trump alimenta sua imagem de valentão. Quando era menino deixou um olho roxo em seu professor de música porque considerava que o docente não sabia nada da matéria. Este e muitos desses episódios foram relatados em primeira pessoa em A Arte da Negociação, uma obra que publicou nos anos oitenta, muito reveladora sobre a personalidade do próximo presidente, não tanto pela confiabilidade do que conta (mantém a falsa origem sueca do avô), mas porque mostra a imagem que Trump tem de si mesmo ou, melhor ainda, a que quer projetar. Por exemplo: diz que quando chegou a Manhattan, nos anos setenta, uma das primeiras coisas que fez foi tentar entrar no seleto Le Club, um local elitista onde era difícil se incorporar sem conhecer alguém, como era o seu caso. No final, Donald sai um par de vezes com o presidente e ainda assim lhe custa convencê-lo. Este é o motivo: “eu era jovem e bonito e, como alguns membros mais velhos do clube estavam casados com mulheres também jovens e bonitas, temiam que eu as roubasse. Pediu-me que prometesse que não o faria”.

Trump se casou três vezes. Com sua primeira mulher, Ivana, uma manequim de origem tcheca, passou 15 anos e teve seus três filhos mais velhos (Donald, Eric e Ivanka). Separou-se em 1992, depois de um affair com a atriz Marla Maples, com quem também contraiu matrimônio e do qual nasceu Tiffany. O casal rompeu sete anos depois. Com Melania, a futura primeira-dama, de origem eslovena e 24 anos mais jovem, começou a sair pouco tempo depois, mas só se casaram em 2005. São pais de Barron, esse menino de 10 anos, loiro, que na noite da vitória eleitoral olhava muito sério para o público. Trump foi muitas vezes acusado de abusos e ele mesmo, em um vídeo de 2005, se gabava de poder apalpar as mulheres sem seu consentimento. Sua primeira mulher, Ivana, chegou a acusá-lo em um livro de tê-la violentado, embora depois tenha relativizado suas palavras.

Nada teve consequências eleitorais. Nos comícios, seus eleitores não davam importância a qualquer de seus insultos ou provocações. “Adoro as pessoas com pouca formação”, chegou a dizer em referência a seus eleitores. Há algo que fascina parte de seu eleitorado: a exaltação de seu sucesso. Como escreveu há pouco tempo Lauren Collins, “se a promessa de Obama é que ele era você, a promessa de Trump é que você é ele”.

Trump queria se tornar o rei da construção em Manhattan. Hoje, 17 edifícios da cidade levam sua marca, em letras enormes, embora a maioria não mais lhe pertença. Gosta de se vender como um homem que se fez sozinho, mas iniciou seu próprio negócio com um empréstimo paterno de um milhão de dólares, em valor da época (3,4 milhões de reais, na conversão com o dólar atual). Antes tinha passado pela Academia Militar de Nova York, a Universidade Fordham, do Bronx, de jesuítas, e a prestigiada escola de negócios Wharton, onde se graduou sem nenhum destaque.

Seu advogada e amigo, no início da trajetória por conta própria, foi Roy Cohn, mão direita de McCarthy durante a caça às bruxas e defensor de conhecidos gângsteres da época. Dos primeiros edifícios em Manhattan, passou a abrir cassinos em Atlantic City, Nova Jersey, onde se amparou em várias falências para evitar pagamentos. O império de Trump é muito ramificado, embora o grosso dos negócios conhecidos continue sendo no setor imobiliário, turístico, os campos de golfe. Durante a campanha, entregou um documento obrigatório por lei que mostrava seus interesses financeiros e, segundo a Reuters, incluía mais de 500 instituições no mundo. Também está sob investigação a Trump University, por supostas irregularidades.

O magnata estima sua fortuna em 10 bilhões de dólares (cerca de 34 bilhões de reais), um volume que exibe como aval de sua capacidade de gestão: se foi capaz de engordar assim seu negócio, seria também de enriquecer o país, mas na Bloomberg rebaixaram o valor para 3 bilhões (10,2 bilhões de reais). Longe de dissimular, Trump gosta de se vangloriar de ter dinheiro. Sente desdém pelos costumes da alta sociedade. Quando está no luxuoso resort Mar-a-Lago, em Palm Beach (Flórida), pede ao chef que inclua na carta a torta de carne e purê de batatas, seu prato favorito, uma antítese do refinamento gastronômico, e brinca: “Metade das pessoas os pedem, sempre que temos. Mas depois, se você lhes pergunta o que comeram, negam”, explicava ele ao escritor Mark Singer, um repórter da revista New Yorker, em Trump and Me.

Em uma entrevista ao EL PAÍS, Singer sustentava que “não existe Donald Trump, é um personagem”. Mas há algo genuíno em sua extravagância: é imprevisível. Quando publicou seu livro, Trump reagiu com fúria. A publicidade que o percalço representou para o livro levou o escritor a enviar ao empresário um cheque de 37,8 dólares (130 reais), como sarcástico agradecimento. Singer tem o documento emoldurado em sua casa: Trump descontou o cheque.

UM IMPÉRIO EMPRESARIAL COM ORIGEM EM UM BORDEL

Donald Trump se refere à história de seu pai, Fred, como um conto clássico de Horatio Alger, um autor do século XIX que costumava escrever histórias de garotos humildes que saem na frente com esforço. Nascido nos EUA em 1905, Trump pai era filho de um imigrante alemão, o avô Friedrich, que se mudou de Nova York para Seattle, no calor do boom da mineração na região, e ali dirigiu um bordel, segundo o autor Michael d’Antonio, que passou três anos investigando a vida de Trump.

Fred pai se tornou rico com a construção de moradias, com o desenvolvimento dos distritos do Queens e Brooklyn. Como seu filho, também os conflitos raciais marcaram sua vida: foi denunciado por discriminação nas moradias. Documentos de 1927, publicados por The Washington Post, mostram que Fred Trump foi detido nos distúrbios da Ku Klux Klan. O magnata nega essa informação.

O futuro presidente recorda sua mãe, Mary, fascinada pelo luxo e o glamour. Escocesa de nascimento, não desgrudou da TV no dia da coroação da rainha Elizabeth II, da Inglaterra. O futuro presidente teve quatro irmãos, duas mulheres e dois homens. Sempre lembra com emoção de Freddy, que morreu alcoólatra aos 43 anos. Trump não bebe.

AMANDA MARS

Foto: GETTY – O magnata Donald John Trump posa com o pai Fred, na inauguração da pista de gelo do Central Park em 1987.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: El País

 

 

Categories
América do Sul Conflitos Destaques

Governo da Colômbia e as FARC acertam um novo acordo de paz

O Governo da Colômbia e a guerrilha das FARC acertaram no Sábado um novo acordo de paz para encerrar uma guerra de mais de 50 anos.

Pouco mais de um mês após os colombianos recusarem no plebiscito de 2 de Outubro o pacto assinado pelo presidente, Juan Manuel Santos, e o líder das FARC, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, as duas partes conseguiram entrar em acordo em um novo texto, que incorpora alguns dos pedidos dos partidários do ‘não’ na consulta.

Os negociadores do Governo e as FARC estavam desde 4 de Novembro em Havana tentando fechar o novo acordo, em uma reunião semelhante à realizada em agosto e na qual foi acertado o primeiro texto, assinado em 26 de Setembro em Cartagena por Santos e Timochenko. A ordem para a nova equipe dirigida por Humberto de la Calle era clara: não voltariam a Colômbia até se ter um novo acordo.

O Governo levou à capital cubana todas as considerações feitas pelos representantes do ‘não’, aproximadamente 400 propostas agrupadas em 60 blocos, para discuti-las com os dirigentes da guerrilha.

Mais uma vez, os assuntos relacionados à justiça e à participação na política das FARC foram os mais delicados. Fontes dos dois lados conhecedoras do novo texto afirmam que o modelo da Jurisdição Especial para a Paz, no geral, se mantém, pelo qual os guerrilheiros evitarão a cadeia e continuarão podendo optar por participar da política.

As principais modificações ao acordo assinado em Setembro estão centradas, segundo conhecedores do novo texto, em garantir que a propriedade privada não correrá perigo, como defendiam os partidários do ‘não’ e em tranquilizar os setores ultraconservadores do país, mediante uma nova redação dos conteúdos relacionados ao ponto sobre a questão de gênero.

O voto evangélico foi definitivo para a vitória do ‘não’ em outubro. O líder das igrejas protestantes estima que pelo menos dois milhões de fiéis votaram contra os acordos, que, a seu ver, privilegiavam a comunidade LGBTI.

Após o golpe que o resultado do plebiscito significou, que lançou a Colômbia em um precipício de consequências incertas, o Governo e as FARC insistiram na necessidade de se acertar outro novo acordo o mais rápido possível.

O principal temor era o limbo em que estavam os aproximadamente 7.000 guerrilheiros – e outros tantos milicianos – que interromperam sua ida às regiões onde iriam se concentrar e iniciar o desarmamento.

A urgência do Governo e das FARC contrastava com a paciência pedida pelos vencedores no plebiscito. Os partidários do ‘não’, liderados por Uribe, afirmavam que o novo texto precisava de um debate mais calmo. Os partidários do ‘sim’ consideram que a intenção de Uribe era atrasar o debate para aproximá-lo o máximo possível do início da campanha eleitoral. A Colômbia elegerá o sucessor de Santos em 2018.

O Governo de Santos – que recebeu o Nobel da Paz alguns dias após sair derrotado do plebiscito – tentou passar a mensagem de que o novo acordo é mais completo após reunir as observações dos partidários do ‘não’, algo que não fizeram durante os quatro anos de conversas iniciais. Além disso, tentou-se demonstrar que as marchas e mobilizações solicitando um novo acordo foram essenciais para a elaboração do novo texto.

SALLY PALOMINO / JAVIER LAFUENTE

Foto: R. Maldonado / EFE – Santos e Timochenko depois de assinar o primeiro acordo de paz em Setembro. 

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: El País

Categories
Conflitos Destaques Geopolítica Meios Navais Rússia Síria

Caças do porta-aviões russo “Kuznetsov” dão início a operações de voo na costa da Síria

Os caças russos baseados no porta-aviões Admiral Kuznetsov, que chegou à costa da Síria liderando um grupo da esquadra da Frota do Norte da Rússia, começaram suas operações de voo, segundo anunciou o comandante do navio, Sergei Artamonov.

Os aviões estão praticando a interação com uma das bases aéreas costeiras, acrescentou o oficial.

“Os voos são conduzidos a partir do convés do porta-aviões; a interação com o aeródromo costeiro está sendo praticada. Os voos são realizados quase que em uma base diária durante quatro dias”, disse o capitão Artamonov em declaração ao programa de notícias Vesti v Subbotu, do canal Rossiya-1.

Em 15 de outubro, o serviço de imprensa da Frota do Norte da Rússia disse que um grupo de navios de guerra chefiados pelo Admiral Kuznetsov havia sido enviado para o Mediterrâneo para realizar exercícios e reforçar as capacidades navais do país.

Enquanto isso, o comandante do cruzador de mísseis guiados Pyotr Veliky, Vladislav Malakhovsky, disse que nenhum navio estrangeiro se aproximou da esquadra russa. “Ninguém está sobrevoando a gente. Todos evitam aproximar-se a menos de 50 quilômetros, sabendo muito bem sobre a potência e a força de impacto dos dois cruzadores”, disse ele, referindo-se ao Admiral Kuznetsov e ao Pyotr Veliky.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

 

Categories
América do Sul América Latina Brasil Defesa

Comandante da Força de Submarinos do Brasil fala sobre desafios da defesa regional

O Contra Almirante Oscar Moreira da Silva Filho participou do III Simpósio Internacional de Segurança e Defesa.

Eduardo Szklarz/Diálogo

Expositores do painel “Força de Submarinos: Poder vigente projetado para o futuro”. Da esq. para a dir.: CF Lars Johst, comandante do Primeiro Esquadrão de Submarinos da Marinha da Alemanha, C Alte Oscar, comandante da Força de Submarinos da Marinha do Brasil, C Alte Hugo Verán, comandante da Força de Submarinos da Marinha de Guerra do Peru, C Alte Andrew Lennon, segundo comandante da Força de Submarinos do Atlântico da Marinha dos Estados Unidos e Dr. William F. Bundy, professor da Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos. (Foto: Marinha do Brasil)
Expositores do painel “Força de Submarinos: Poder vigente projetado para o futuro”. Da esq. para a dir.: CF Lars Johst, comandante do Primeiro Esquadrão de Submarinos da Marinha da Alemanha, C Alte Oscar, comandante da Força de Submarinos da Marinha do Brasil, C Alte Hugo Verán, comandante da Força de Submarinos da Marinha de Guerra do Peru, C Alte Andrew Lennon, segundo comandante da Força de Submarinos do Atlântico da Marinha dos Estados Unidos e Dr. William F. Bundy, professor da Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos. (Foto: Marinha do Brasil)

O conceito de segurança multidimensional foi o destaque do III Simpósio Internacional de Segurança e Defesa, realizado pela Marinha de Guerra do Peru, em Lima, de 12 a 15 de setembro.

O evento contou com a participação do Contra Almirante Oscar Moreira da Silva Filho, comandante da Força de Submarinos da Marinha do Brasil, que integrou o painel “Força de Submarinos: Poder vigente projetado para o futuro”, ao lado dos comandantes das forças de submarinos da Alemanha, dos Estados Unidos e do Peru.

“O mundo vem sofrendo mudanças constantes nos planos de interações dos Estados nacionais, além de uma nova realidade de defesa que inclui conflitos assimétricos e o crime organizado transnacional”, disse o C Alte Oscar em entrevista à Diálogo. “Dessa forma, além de uma mentalidade de segurança que a maioria dos palestrantes julgou ser primordial para o desenvolvimento de seus países, [o conceito de segurança multidimensional] foi importante para o estreitamento das relações nas políticas de defesa.”

Entre os diversos cargos que ocupou ao longo de sua trajetória, o C Alte Oscar foi chefe do Estado-Maior do Comando da Força de Submarinos, subchefe de Comando e Controle Naval do Tráfego Marítimo e chefe de Departamento da Comissão Naval Brasileira na Europa. Em 2013, foi nomeado diretor do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira.

Diálogo: Qual a importância e as principais conclusões do III Simpósio Internacional de Segurança e Defesa?

Contra Almirante Oscar Moreira da Silva Filho: Como o próprio tema do simpósio revela, o evento abre espaço para uma reflexão e reexame do conceito de segurança multidimensional. Levando-se em consideração os atores da segurança das Américas, mais especificamente da América do Sul, na qual o Brasil se inclui, considero que a importância do simpósio é criar uma cultura de segurança continental que fomente ações combinadas de forças similares no combate a novas ameaças que exigem compartilhamento de informações entre os Estados. Com isso, a principal conclusão é a busca por uma conjunção de esforços dos países participantes em apresentar soluções razoáveis ao assunto da defesa e segurança.

Diálogo: Qual o contexto em que a Marinha do Brasil se encontra hoje em matéria de segurança e defesa?

C Alte Oscar: A América do Sul encontra-se distante dos principais focos mundiais de tensão e livre de armas nucleares, sendo considerada uma região relativamente pacífica. Além disso, processos de consolidação democrática e de integração regional tendem a aumentar a confiança mútua e a favorecer soluções negociadas de eventuais conflitos. Entretanto, o Brasil se apresenta como um país de características peculiares. Entre elas, destaca-se a possibilidade de estender os limites da sua Plataforma Continental e exercer o direito de jurisdição sobre os recursos econômicos em uma área de cerca de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, em uma região de vital importância para o país, também conhecida como Amazônia Azul. Nessa imensa área, inclui-se a camada do pré-sal, onde estão as maiores reservas de petróleo e gás do país, além da existência de grande potencial pesqueiro, mineral e de outros recursos naturais. A região amazônica brasileira é foco da atenção internacional em virtude de seu grande potencial de riquezas minerais e de biodiversidade. A garantia da presença do Estado e a vivificação da faixa de fronteira são dificultadas, entre outros fatores, pela baixa densidade demográfica e pelas longas distâncias. Finalmente, a globalização aumentou a interdependência econômica dos países e, em consequência, o fluxo de cargas. No Brasil, o transporte marítimo é responsável por movimentar cerca de 95 por cento do comércio exterior.

Diálogo: Quais são os principais desafios a partir desse cenário?

C Alte Oscar: Dentro desse contexto e, de maneira a conceber a relação entre as tarefas estratégicas de negação do uso do mar, de controle de áreas marítimas e de projeção de poder, a Marinha do Brasil se pautará por um desenvolvimento desigual e conjunto, apresentando como principal desafio, em matéria de segurança e defesa, a necessidade de constituir uma força e uma estratégia navais que integrem os componentes submarinos, de superfície e aéreo. Isso permitirá realçar a flexibilidade com que se resguarda o objetivo prioritário da estratégia de segurança marítima: a dissuasão, priorizando a negação do uso do mar ao inimigo que se aproxime do Brasil, por meio do mar.

Para tal, o Brasil manterá e desenvolverá sua capacidade de projetar e de fabricar tanto submarinos de propulsão convencional como de propulsão nuclear; construirá meios para exercer o controle de áreas marítimas, tendo como foco as áreas estratégicas de acesso marítimo ao Brasil; dedicará especial atenção ao projeto e à fabricação de navios de propósitos múltiplos e navios-aeródromos; contará com navios de porte menor, dedicados a patrulhar o litoral e os principais rios navegáveis brasileiros; iniciará os estudos e preparativos para estabelecer, em lugar próprio, o mais próximo possível da foz do rio Amazonas, uma base naval de uso múltiplo; e acelerará o trabalho de instalação de suas bases de submarinos, convencionais e de propulsão nuclear.

Diálogo: Os submarinos S-BR1 e S-BR2 estão sendo construídos dentro do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), que prevê a construção de outros dois submarinos convencionais diesel-elétricos e de um com propulsão nuclear. Poderia falar qual a previsão de entrega desses equipamentos e da importância do PROSUB?

C Alte Oscar: Estes submarinos têm previsão de entrega ao setor operativo de acordo com a seguinte distribuição: S-BR1 (2020 – 2º semestre), S-BR2 (2021 – 2º semestre), S-BR3 (2022 – 2º semestre), S-BR4 (2023 – 2º semestre) e o Submarino com Propulsão Nuclear (SN-BR, julho de 2027). A importância do PROSUB já pode ser enfatizada pela própria maneira que o assunto é inserido na Estratégia Nacional de Defesa, haja visto que este projeto contribui para alguns dos principais objetivos nacionais de defesa. Com a construção dos S-BR e do SN-BR, acompanhados de suas instalações de apoio, o Brasil poderá assegurar de maneira mais eficiente a tarefa de negação do uso do mar, contando com uma força naval submarina de envergadura, composta de submarinos convencionais e de submarinos com propulsão nuclear. De forma indireta, mas não menos importante, a grande quantidade de investimentos em pesquisas, recursos humanos e material, necessários para o desenvolvimento do projeto, também permitirá que haja um arrasto tecnológico para outros setores da indústria nacional, obtendo a autonomia de tecnologias indispensáveis e, consequentemente, trazendo benefícios à sociedade.

Fonte: dialogo-americas.com

Categories
Estados Unidos Geopolítica Opinião Rússia

Rússia pode vir a lamentar vitória de Trump

Parece que Putin apostou no cavalo certo, ao decidir apoiar o bilionário americano. Mas o novo presidente provavelmente vai decepcionar o Kremlin.

Quando a notícia da vitória de Donald Trump chegou ao plenário da Duma em Moscou, houve aplausos. Os deputados russos festejaram o triunfo do republicano americano quase como se fosse o seu próprio.

O Kremlin já tinha manifestado muito cedo, anos atrás, sua simpatia pelo então azarão na corrida pela Casa Branca. Agora, no final da maratona eleitoral americana, a elite política russa confirma: Vladimir Putin, mais uma vez, apostou no cavalo certo.

A preferência de Moscou por Trump foi baseada, por um lado, na rejeição resoluta a Hillary Clinton. O Kremlin não queria ver de jeito algum a ex-secretária de Estado americana na Casa Branca, pois esperava dela uma política linha dura contra a Rússia – seja na Ucrânia, na Síria ou em questões de direitos humanos.

Por outro lado, o Kremlin ficou satisfeito com os sinais enviados pelo magnata em seus discursos de campanha. Pois ele falou várias vezes do desejo de uma reaproximação com a Rússia e tinha até dado a entender que poderia aceitar a anexação da Crimeia.

A esperança de Vladimir Putin foi, e continua sendo, que Trump, como um idiossincrático presidente dos EUA, o conceda absolvição internacional pelo seu pecado de direito internacional – a conquista da península ucraniana da Crimeia – e suspenda as sanções contra a Rússia.

Esta esperança é reforçada pelo sentimento de que, com alguém tão autoritário, é bastante possível se fazer negócio e até mesmo amizade – por haver sintonia pessoal e ideológica. Donald Trump é como uma espécie de segundo Berlusconi, só que muito mais poderoso.

Será que isso pode mesmo dar certo? Ninguém sabe como alguém tão inexperiente politicamente vai atuar no Salão Oval, até que ponto ele vai ouvir assessores, respeitará seu Partido Republicano, o Congresso, o Senado e os aliados europeus. Mas a imagem criada nas cabeças de Moscou – de uma parceria entre dois governantes que se reúnem na mesa de negociação em pé de igualdade e, de mútuo acordo, dividem o mundo em esferas de influência, como na Conferência de Ialta de 1945 – tem uma falha fundamental.

Donald Trump foi eleito com a promessa de restaurar a grandeza da América. Essa grandeza é feita de sucessos econômico interno e na liderança global. Se Trump realmente conseguirá oferecer a seus eleitores do centro-oeste os postos de trabalho que ele prometeu trazer de volta da China e de outros lugares, é questionável. De qualquer forma, mudanças estruturais vão levar um longo tempo para serem concluídas. Será que o magnata acostumado ao sucesso e à vitória terá paciência para esperar tanto tempo?

Pois ele ainda tem o palco internacional, onde poderia tentar definir a grandeza da América através de façanhas espetaculares. E quem tem posto mais em dúvida nos últimos anos a liderança global dos Estados Unidos? Vladimir Putin. O conceito veementemente propagado por ele de um mundo multipolar que, na sua visão, causará uma valorização geopolítica da Rússia não é compatível com a ideia de Trump de uma América como a maior nação da Terra.

Isso não significa necessariamente um grave conflito entre as duas potências nucleares mais fortes do mundo, como muitos temem. Mas o impulsivo Trump, com o seu chauvinismo centrado nos EUA, pode muito em breve ser tentado a dar uma lição em Vladimir Putin, caso ele entre no caminho americano. Por exemplo, na Síria, na luta contra o EI. E então, o sonho russo de um “eixo dos poderosos” Moscou-Washington rapidamente vai se dissipar.

Mas mesmo que Donald Tramp dê marcha-ré na política externa, fiel a sua promessa isolacionista: também seu programa econômico promete não ser muito bom para Moscou. Porque ele ameaçava a subsistência da Rússia – as receitas provenientes da exportação energética. O futuro presidente dos Estados Unidos não dá muito valor à proteção climática e, portanto, quer voltar a investir mais em combustíveis fósseis.

Através da redução de exigências ambientais ou mesmo de apoio público direto, ele poderia incentivar a extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, para criar postos de trabalho e, em particular, para reforçar a independência das importações. Isso pressionaria ainda mais os já baixos preços do petróleo no mercado mundial, sob os quais a Rússia já vem sofrendo enormemente. E uma maior extração do gás de xisto, com simultâneo aumento do uso do carvão para geração de eletricidade, levaria os EUA a exportar muito mais gás para a Europa, o que faria derreterem os lucros da líder do setor, Gazprom.

Em suma, o aplauso na Duma parece ter sido prematuro. No final das contas, com grande probabilidade, a vitória eleitoral de Donald Trump vai acabar sendo para a Rússia de Putin, tal como a anexação da Crimeia, uma vitória tática brilhante e uma derrota estratégica devastadora.

Andrey Gurkov

  • Andrey Gurkov é jornalista da redação russa da DW

Foto: 1°- Donald TrumpReuters

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW