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FAB PÉ DE POEIRA: Infantaria da Aeronáutica retorna à Missão de Paz da ONU no Haiti

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Infantaria da Aeronáutica retorna à Missão de Paz da ONU. Este será o 9º pelotão enviado pela FAB ao país caribenho.

Após um ano sem participar da Missão de Paz no Haiti, militares de Infantaria da Aeronáutica da Força Aérea Brasileira (FAB) voltam a figurar no contingente de tropas brasileiras naquele país. Vinte e seis militares do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Recife (BINFAE-RF) “Batalhão Guararapes” embarcam para Porto Príncipe, capital haitiana, no início de dezembro.

“Essa missão desperta muita motivação na tropa, pois é a oportunidade para os profissionais colocarem em prática o aprendizado adquirido ao longo da carreira”, ressalta o comandante do BINFAE-RF, Major de Infantaria João Francisco da Silva Júnior.

Os militares da FAB vão compor o 4º Pelotão da 2ª Companhia de Fuzileiros de Paz da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (MINUSTAH). “A princípio nossa atuação será em Porto Príncipe, mas poderemos ser empregados em outras localidades, como City Soleil (Cité Soleil)”, explica o Comandante do Pelotão da Aeronáutica, Tenente de Infantaria Vinícius Duarte da Silva Fonseca.

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Trajetória

A trajetória da Infantaria da FAB no Haiti iniciou-se em fevereiro de 2011, quando 27 militares do BINFAE-RF colocaram os pés pela primeira vez no país caribenho. O Cabo Severino Alexandro Gomes esteve nessa missão e volta àquele país depois de seis anos.

“Quando cheguei ao Haiti me deparei com um país ainda devastado pelo terremoto, com pessoas pedindo comida e água e andando descalças em meio a um sol escaldante”, relembra o militar. “Era uma situação muito triste. Havia muita pobreza. As condições agora devem ter melhorado em função do trabalho desenvolvido ao longo desses anos pelas Forças Armadas”, aposta o Cabo Alexandro.

Requisitos

Ao todo, cerca de 250 militares de oito pelotões da FAB se revezaram até agora nas atividades desenvolvidas nas ruas de Porto Príncipe realizando patrulhas a pé e motorizada, check point, escolta de autoridades e comboios.

Para integrar a missão existem vários pré-requisitos. A primeira condição é o voluntariado. Depois, os militares passam por uma bateria de testes, incluindo avaliação física, psicotécnico e inspeção de saúde. A partir da definição da equipe, inicia-se um processo de nivelamento de conhecimento junto ao Exército Brasileiro. O treinamento conjunto visa à troca de informações na parte operacional, com instruções sobre regras de engajamento, garantia da lei e da ordem, tiro e patrulhas. A formação dos oficiais é complementada com a realização de cursos no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), localizado no Rio de Janeiro.

Parto

Desde que assumiu a liderança do comando militar da MINUSTAH, em 2004, as tropas brasileiras sempre desfrutaram de uma boa relação com o povo haitiano. E isso se deve principalmente às características dos militares brasileiros, de sempre estarem dispostos a ajudar. Movidos por esse espírito de solidariedade, os soldados da FAB Demorvã Diego Canton e Kauê Correa dos Santos Frois realizaram, em 2012, um parto durante uma patrulha noturna. Uma jovem haitiana, já com contrações, e seu marido procuravam por auxílio em uma das avenidas escuras de Porto Príncipe. Os primeiros atendimentos ocorreram no local e o pequeno Junas nasceu às 5 horas daquela quarta-feira (18/07/2012), na viatura.

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O ex-soldado Demorvã deu baixa da FAB em 2013, após o retorno ao Brasil no final do ano de 2012. Mesmo passados três anos, ele não esquece da missão mais emocionante de sua vida. “Lembro-me como se fosse hoje. Nunca imaginei passar por uma situação como essa. Estávamos preparados para prestar esse auxílio. Foi inesquecível”, diz o ex-militar.

Experiência

Um dos grandes legados da missão no Haiti, ou seja, a experiência real de contato direto com a população, tem sido utilizado em grandes eventos. Nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, por exemplo, foi criado, pela primeira vez na FAB, o Batalhão de Infantaria da Garantia da Lei e da Ordem.

O contingente foi composto por militares de diversas localidades do País. Da região Norte incorporaram efetivos de Boa Vista (CINFAI-BV), Porto Velho (BINFA-17), Manaus (BINFAE-MN – Batalhão Uiruuetê), Alcântara (CINFAI – CLA) e Belém (BINFAE-BE – Batalhão Marajo). Do Sudeste e Centro-Oeste, militares de Guarulhos (BINFA-54 – Batalhão Guaru), Pirassununga (BINFA-84), São José dos Campos (BINFA-64)  e Guaratinguetá (BINFA-74), Anápolis (BINFA-36), Brasília (BINFAE BR – Batalhão Alvorada) e Campo Grande (BINFA-34 – Batalhão Pantanal),. Já do Sul, militares de Canoas (BINFAE-CO – Batalhão Cruzeiro do Sul) e Santa Maria (BINFA SM) e Florianópolis (BINFA-25). Entre os dias 24 de julho e 19 de setembro, os cerca de 500 infantes participaram de patrulhamento nas ruas da capital fluminense e também nos dois saguões do Aeroporto Internacional Tom Jobim.

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“Muitos integrantes do Batalhão já estiveram no Haiti e tiveram a chance de colocar em prática a experiência adquirida naquela missão de paz. Essa operação no Rio de Janeiro foi importante para aperfeiçoarmos doutrinas e procedimentos”, afirma o Coronel de Infantaria Alexandre Okada, comandante do Batalhão de Infantaria GLO.

Além de todo o ganho operacional, a experiência no Haiti também deixou outras marcas em quem participou da missão. Viver, mesmo por um curto período de cerca de seis meses, em um país com graves problemas de infraestrutura, distante da família e como uma cultura totalmente diferente trouxe novos sentidos de vida a muitos militares. É o caso do Sargento Thiago Torres de Moura. Ele esteve no Haiti em 2011, como integrante do BINFAE-MN “Batalhão Uiruuetê”. A esposa estava grávida na época e a filha nasceu quando o militar estava engajado na missão.

“Certamente foi uma experiência muito marcante poder ajudar o povo haitiano. A gente passa a valorizar as pequenas coisas do dia a dia nas quais antes nem prestávamos atenção. Acredito ter voltado melhor como pessoa após essa estada no Haiti. Um aprendizado único”, explica o Sargento Thiago.

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Bon Bagay

A relação dos militares brasileiros que compõem a MINUSTAH com os haitianos sempre foi amistosa. Logo que chegaram ao país, passaram a ser chamados, pelos nativos, de bon bagay – termo em crioulo que significa ‘gente boa’.

Furacão Matthew

Um fato novo mudou o cenário que será encontrado por esses militares quando chegarem ao Haiti. No dia 4 de outubro, o furacão Mattew – que também atingiu outros países da América Central e os EUA – passou pelo país deixando um rastro de aproximadamente mil mortos e milhares de desabrigados. Alguns dos militares brasileiros que já estavam no Haiti à época do furacão, do Exército e da Marinha, foram deslocados da capital, Porto Príncipe, para cidades mais destruídas, ao sul. A velocidade do vento chegou a 230km/h e ondas de mais de 3 metros de altura atingiram o litoral. As autoridades consideram essa a pior crise humanitária vivida pelo país desde o terremoto, em 2010.

FAB tem primeira mulher a integrar tropa em missão de paz

A Sargento Vanessa Eher Caetano, especialista em Básico em Eletricidade e Instrumentos (BEI), faz história. Ela é a primeira mulher da Força Aérea Brasileira a integrar tropa em missão de paz da ONU. A Sargento Vanessa faz parte do contingente brasileiro, formado também por militares da Marinha e do Exército, na Missão das Nações Unidas para Estabilização do HAITI (MINUSTAH). Na FAB, mulheres já tinham participado de missões de paz em funções de apoio, mas nunca na tropa em si.

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O papel da Sargento Vanessa é “Auxiliar do Oficial de Ligação da FAB” e ela atua especialmente na área de logística. Antes de assumir a missão, a militar realizou alguns cursos, entre eles, o curso de cargas perigosas e curso de operador de equipamentos mecanizados. Além de ter trabalhado no Sistema do Correio Aéreo Nacional (SISCAN) por oito anos.

Segundo a sargento Vanessa, é uma responsabilidade grande ser a primeira mulher da FAB a integrar tropa em missão de paz. “Apesar da responsabilidade estou feliz de representar o quadro feminino e poder abrir portas para que, cada vez mais, as mulheres possam desempenhar todos os tipos de função na Força Aérea”, ressaltou.

Fonte: FAB

Edição Pé de Poeira

PARA SABER MAIS SOBRE A TRAJETÓRIA DA INFANTARIA DA AERONAUTICA NO HAITI: FAB PÉ DE POEIRA: Infantaria da Aeronáutica e sua participação na missão de paz da ONU no Haiti.

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Veículo 8×8 Centauro II da IVECO / OTO Melara

O Centauro II foi desenvolvido em conjunto pela IVECO e OTO Melara atendendo a um requisito do exército italiano.

O primeiro protótipo ficou pronto em 2015, e foi apresentado pela primeira vez ao público em 2016.

O Centauro II, destina-se a realizar reconhecimento tático, apoio de fogo de unidades de combate e tarefas de defesa de território.

Pode escoltar comboios e ser usado para missões de patrulha. Como apoio de fogo, é um dos mais capazes nesta classe. A maioria dos outros veículos são limitados por seu chassis 6×6 e carregam armas menores de 105 mm.

Equipado com uma torre OTO Melara HITFACT, é capaz de fornecer o mesmo poder de fogo da maioria dos MBTs mais modernos.

Com capacidade para 40 munições, a arma de 120 mm é alimentada por um novo sistema de carregamento automático. A munição é armazenado em compartimentos isolados. Dependendo dos requisitos do cliente o Centauro II pode ser equipado com uma arma L52  105 mm.

O Centauro II é operado por uma tripulação de 4 homens, o comandante, o artilheiro, o motorista e um carregador, que vai alimentar a arma principal manualmente no caso de o carregador automático falhar.

Este novo veículo de apoio de fogo é alimentado por um motor turbo diesel IVECO VETOR 8V com 720 cv. Pesando 30 t, o Centauro II não é anfíbio.

Edição: konner@planobrazil.com 

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Conflitos Destaques Opinião

Ministro da Defesa austríaco afirma: Turquia está “caminhando diretamente em direção a uma ditadura”

Ministro da Defesa austríaco afirma que União Europeia deve se preparar para final de acordo sobre refugiados com Ancara. Político alerta que Turquia está “caminhando diretamente em direção a uma ditadura”.

De acordo com o governo austríaco, o acordo fechado entre a União Europeia (UE) e a Turquia para conter o grande afluxo de refugiados em direção ao continente europeu pode estar perto do fim.

Em entrevista ao jornal alemão Bild, o ministro da Defesa em Viena, Hans Peter Doskozil, declarou neste sábado (05/11) que o bloco deve se preparar para tal cenário.

“Eu sempre disse que o acordo UE-Turquia só deveria funcionar como uma transição até que a UE fosse capaz de proteger eficazmente suas fronteiras externas, contendo assim o fluxo de refugiados”, disse Doskozil ao jornal.

De acordo com o Bild, o ministro social-democrata convidou os colegas de pasta de países da Europa Central para discutir, nesta segunda e terça-feira, a crise migratória, tendo em conta a recente onda de prisões na Turquia.

“Queremos enviar um sinal claro de que estamos nos preparando para que a Turquia rescinda completamente o acordo”, declarou Doskozil. Segundo ele, o objetivo prioritário da UE é reduzir o número de refugiados que chegam ao continente.

Há apenas dois dias, o ministro do Exterior turco, Mevlüt Cavusoglu, ameaçou novamente anular o acordo antes do fim do ano se a exigência da isenção de vistos para cidadãos turcos na UE não for atendida em breve.

O ministro austríaco disse ver a Turquia “caminhando diretamente em direção a uma ditadura”. Doskozil exortou a liderança política em Ancara a cuidar de seus próprios problemas. “Não vamos mais nos deixar ameaçar”, acrescentou.

CA/rtr/dpa/ots

Foto: Hans Peter Doskozil – Ministro da Defesa da Áustria

Edição: konner@planobrazil.com 

Fonte: DW

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Defesa Destaques Rússia Sistemas de Armas Sistemas Navais Tecnologia

Marinha russa – Novo torpedo de alta velocidade

Um novo torpedo de alta velocidade, chamado Khischnik (Predador), está sendo finalizado por projetistas da empresa de aviação Elektropribor para a Marinha russa. O equipamento irá substituir o atual Chkval (Rajada), cuja ogiva é considerada líder global em velocidade e força destrutiva.

Apesar do anúncio, feito por analistas militares em outubro, não há informações sobre as características técnicas do novo torpedo.

No entanto, o fato de uma empresa de aviação estar envolvida no projeto sugere, segundo os militares russos, que se trata de um míssil submarino cujo motor tem muito em comum com seus equivalentes aéreos.

Torpedo quebra-recorde

O projeto para desenvolver um novo torpedo capaz de carregar uma ogiva nuclear foi emitido na União Soviética, ainda durante a década de 1970.

Resultado da iniciativa, o Chkval entrou em serviço em 1977 e, apesar de sua idade avançada, ainda é recordista entre os projéteis submarinos.

Um torpedo comum atinge velocidade máxima de 140 km/h, o que permite que um navio alvejado por ele manobre e evite ser atingido. O Chkval, porém, não dá chance ao inimigo: sua velocidade é quase três vezes maior que a de um torpedo padrão.

Isso significa que um navio a ser atingido tem apenas um terço do tempo comum de manobra – em um combate, o golpe é praticamente inevitável.

O segredo da velocidade do Chkval está em seu motor, que funciona com combustível sólido. Enquanto os demais torpedos ganham velocidade com a ajuda de hélices, o russo usa supercavitação (fenômeno hidrodinâmico quando o objeto se move a grande velocidade em ambiente fluido).

Na prática, o design especial de seu motor permite alcançar um efeito físico único, pelo qual uma bolha de gás se forma em torno do torpedo em movimento, permitindo que o projétil se mova virtualmente no vácuo e diminuindo o atrito.

Herança da Guerra Fria

A exemplo de muitos outros projetos militares originados durante a Guerra Fria, o Chkval foi criado como uma resposta soviética ao desenvolvimento da defesa aérea naval norte-americana e sobreviveu ao confronto global URSS-EUA.

Na época, a aviação soviética não era páreo para a poderosa marinha americana, e os torpedos surgiram como uma tecnologia destinada a compensar essa deficiência.

Em 1992, os designers russos desenvolveram uma versão do Chkval para exportação que, mesmo sendo inferior ao original em termos de escala e velocidade, era superior a seus análogos estrangeiros.

Apesar de este torpedo estar em serviço há quase 40 anos, grande parte de suas características técnicas continuam sendo secretas, e a maioria das tentativas de replicá-lo no exterior falharam. Foi somente em 2005 que a Marinha Alemã recebeu um foguete submarino com especificações próximas às do Chkval – mas, mesmo assim, não conseguiu vencer seu equivalente russo em termos de velocidade.

ALEKSANDR VERCHÍNIN

Imagem: 1°- Meramente ilustrativa

Edição: konner@planobrazil.com 

Fonte: Gazeta Russa

http://www.planobrazil.com/um-torpedo-inteligente-para-detectar-e-destruir/

http://www.planobrazil.com/shkval-o-missil-submarino-dentro-de-uma-bolha-de-gas/

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Brasil Defesa Destaques História Infantry Fighting Vehicles Negócios e serviços Sistemas de Armas Tecnologia Vídeo

Carro de combate EE-T1 Osório – Engesa: “Mitos & Lendas”

Fonte: Hoje no Mundo Militar – O Mundo Militar é um canal (You Tube) exclusivamente voltado para temas atuais do mundo militar.

Edição: konner@planobrazil.com

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Conflitos Defesa Destaques Estados Unidos Geopolítica Opinião Rússia

EUA enviam mais tropas à Europa – Preparativos para um novo conflito?

Visando reforçar a sua presença no Leste Europeu e intimidar a Rússia, os EUA enviarão num futuro próximo à Europa cerca de 6 mil militares, tanques, veículos de infantaria, pesados obuseiros e helicópteros de guerra, segundo revela um comunicado publicado no site das Forças Armadas dos EUA.

Além disso, a terceira divisão de combate da Brigada Blindada da Quarta Divisão de Infantaria dos EUA planeja enviar outros 4 mil soldados para a região em janeiro de 2017.

Já de acordo com a revista americana Stars and Stripes, os EUA também pretendem deslocar para o Leste Europeu mais da metade da décima Brigada de Aviação de Combate de Nova York, formada por 1.750 aviadores e 60 aeronaves, incluindo CH-47 Chinook e helicópteros de evacuação UH-60 Black Hawk.

Ambas as unidades serão enviadas no âmbito da operação da OTAN “Resolve”, que visa a implantar tropas junto às fronteiras da Rússia para “tranquilizar os aliados da Europa Oriental” face à suposta “ameaça russa”. Armada com veículos blindados e obuseiros M109, a terceira divisão de combate citada acima será a primeira unidade militar a ser implantada em esquema rotativo na Europa. Seu destino inicial será a Polônia.

Em seguida, outras unidades começarão a ser enviadas para a região, incluindo dois batalhões de tanques M1 Abrams, sendo uma na Alemanha e outro na Estônia e na Letônia, e um batalhão de veículos de infantaria mecanizada M2 Bradley, que deverá operar na Romênia e na Bulgária.

Esses planos fazem parte da nova onda de expansão das forças dos EUA e de países membros da OTAN nos países bálticos e na Europa Oriental. Vale destacar que este ano a Aliança enviou quatro batalhões de mil soldados cada (EUA, Alemanha, Reino Unido e Canadá) para a região.

A Rússia já declarou em mais de uma ocasião que tomará medidas recíprocas para combater as ameaças à segurança de suas fronteiras ocidentais.

Foto: © Michael Dalder / Reuters –  3º Exército dos EUA – Segundo Regimento de Cavalaria “Dragoon Ride” / Base em Rose Barracks, Vilseck / Baviera , Alemanha.

Edição: konner@planobrazil.com 

Fonte: Sputnik News

“OTAN nunca abdicou da retórica da Guerra Fria”

A Sputnik falou com o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, que compartilhou sua visão sobre a atual situação internacional e os meios para regularizar as crises contemporâneas.

Sputnik: Como poderia caracterizar a situação atual na área da segurança no palco internacional e em certas regiões mais problemáticas?

Nikolai Patrushev: A situação no mundo não se está simplificando. A competição pela influência mundial e pelos recursos globais se está agravando. As ambições excessivas de uma série de países estão criando mais desafios e ameaças na área de segurança em várias regiões e já se tornaram um sério obstáculo para consolidar os esforços bilaterais e multilaterais destinados a regular situações de crise. Para nós, as ameaças à segurança do país incluem o reforço militar da OTAN e a atribuição de funções globais a esta organização, a aproximação da infraestrutura militar dos países membros da Aliança da fronteira russa, a instalação de novos tipos de armas e a criação de um sistema global de defesa antimíssil.

O terrorismo, incluindo o grupo terrorista internacional Estado Islâmico do Iraque e Levante, permanece como uma ameaça sem precedentes à paz e segurança internacional.

O palco da luta contra o Daesh se desenrola na Síria, Iraque, Líbia, Iêmen, Afeganistão e uma série de outros países. Desde setembro de 2015, a Federação da Rússia participa de forma muito ativa da eliminação dos terroristas na República Árabe da Síria a pedido do governo legítimo sírio. Ao mesmo tempo, é evidente que apenas as nossas ações nessa área serão insuficientes. A luta contra este mal contemporâneo exige esforços coletivos de toda a comunidade internacional. Nós declaramos isso repetidamente e estamos prontos a continuar a cooperação com todas as partes interessadas.

Permanece o foco de tensão na Península Coreana. Os EUA aproveitam as ações da Coreia do Norte para os seus interesses. Sob pretexto de proteção da ameaça militar norte-coreana, eles reforçam sua presença no Nordeste da Ásia, agravando a atmosfera com demonstrações de força através de exercícios militares intensivos com seus parceiros coreanos e japoneses, bem como com sua intenção de instalar na região elementos do seu sistema global de defesa antimíssil.

Dois anos atrás, o número de pontos quentes incluía a Ucrânia. Washington e Bruxelas contribuíram para a organização do golpe anticonstitucional em Kiev. Em resultado, o leste do país sofre uma guerra civil que as autoridades ucranianas não desejam parar, sabotando o cumprimento dos compromissos assumidos.

Descreveu uma situação difícil do que está acontecendo no mundo. Conseguirá a Rússia se manter à altura dos desafios e ameaças crescentes?

Qualquer que seja a situação atual no mundo, a Rússia continua realizando de forma coerente sua visão da segurança global. Seu conteúdo é simples – a primazia do direito internacional, a prioridade da regulação pacífica no âmbito da estrutura existente de organizações internacionais sob liderança da ONU, a inadmissibilidade de acordos de bastidores e de ações unilaterais, da política de blocos e a inadmissibilidade de intervenção nos assuntos internos de países soberanos.

Está sendo realizado um trabalho coordenado para definir os desafios e ameaças à segurança internacional. Está sendo desenvolvido o diálogo no âmbito da Comunidade de Estados Independentes (CEI), da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), da Organização para Cooperação de Xangai (OCX) e do BRICS. Levamos ao conhecimento dos nossos parceiros a nossa visão da situação atual, aumentamos a troca de informações entre serviços secretos e estamos elaborando novos formatos e direções de trabalho.

No âmbito de Conselho de Segurança [da Rússia] prestamos uma atenção especial ao desenvolvimento de contatos bilaterais e multilaterais com os parceiros que pretendem trabalhar de forma construtiva. Uma evidência da grande escala das nossas ligações internacionais e a sua eficiência são os encontros anuais dos altos representantes responsáveis pelos assuntos de segurança.

O fórum realizado este ano na Chechênia foi já o sétimo desses fóruns. Dele participaram 75 países. Foi atingida uma série de acordos na área do combate ao terrorismo, às ideologias extremistas, ao narcotráfico, ao crime transfronteiriço e às ameaças à segurança informacional.

O nosso objetivo principal é assegurar os interesses da Rússia, criar condições para um desenvolvimento econômico-social sustentável e consolidar a soberania e a ordem constitucional.

A Rússia tem evitado e continuará evitando qualquer ingerência nos assuntos internos de países soberanos. Entretanto, isso não significa que permitiremos que alguém exporte seus próprios problemas para o nosso país. Impediremos tais tentativas de forma dura e decisiva.

Os EUA continuam intensificando sua retórica antirrussa, exercendo uma pressão sem precedentes sobre países amigos da Rússia. Os elementos da defesa antimíssil dos EUA estão sendo instalados na Polônia, Romênia e Coreia do Sul. Poderá ser reiniciada uma cooperação construtiva entre os EUA e a Rússia sobre questões atuais para assegurar a segurança internacional?

Estamos preparados para cooperar com os parceiros norte-americanos com base na igualdade de direitos e no respeito mútuo. Por enquanto a Rússia continua figurando entre as ameaças principais à segurança nacional dos EUA. Surpreendem-nos os critérios que Washington usa colocando a Rússia na mesma lista com o Daesh e o Ebola na sua Estratégia de Segurança Nacional.

Recentemente o ex-chefe da CIA, David Petraeus, escreveu uma matéria na revista <…> Foreign Policy chamando a Rússia de “ameaça potencial à existência” dos EUA. Certamente que quando as cabeças dos políticos norte-americanos são dominadas por tais atitudes, e quando estes estereótipos são transmitidos através da mídia aos cidadãos comuns, é pouco provável que seja possível estabelecer um diálogo pleno e compreensivo sobre um grande leque de assuntos.

Os métodos de proteção contra essa “ameaça russa” ilusória levantam questões. Mencionou a instalação do sistema de defesa antimíssil perto das nossas fronteiras. Estas rampas de lançamento podem lançar mísseis de cruzeiro, cujo alcance abrange muitas instalações estratégicas russas.  Os norte-americanos desmentem, com certeza, essa possibilidade, mas não conseguem apresentar argumentos reais.

Antes Washington declarava que o sistema de defesa antimíssil na Europa estava dirigido contra o Irã. Neste caso surge uma questão: por que foi a base na comuna romena de Deveselu colocado em funcionamento já depois de terem sido atingidos progressos no dossiê iraniano? A Rússia parte do princípio de que na atual situação internacional tanto o isolamento, como as tentativas de isolar outros atores, são contraprodutivos.

A experiência da história mais recente mostra que as relações entre a Rússia e os EUA, mais cedo ou mais tarde, regressaram ao estado normal. Tanto mais que sua futura degradação não é do interesse nem de Moscou, nem de Washington.

A cúpula da OTAN em Varsóvia ainda está na memória. É possível interpretar as decisões ali tomadas como uma revisão da doutrina militar da Aliança destinada a neutralizar a influência crescente da Rússia nos assuntos mundiais?

As estruturas do Conselho de Segurança da Federação da Rússia fizeram uma análise dos documentos aprovados na capital polonesa, bem como em eventos subsequentes. Com base nisso, é possível tirar a conclusão aparentemente inesperada, que não se trata de uma revisão séria da doutrina militar da OTAN. O que é evidente é o ajustamento à realidade dos documentos da estratégia que era realizada pela OTAN desde o fim da Guerra Fria. A cúpula demonstrou que a Aliança nunca abdicou das doutrinas que foram elaboradas no tempo da confrontação entre as duas superpotências.

Veja os termos que utiliza Bruxelas. “Contenção”, “intimidação”, “afastamento” – alguma vez estas palavras correspondem à imagem de uma organização com funções globais e competências multilaterais criada pelos propagandistas de Bruxelas? Tais funções são mais apropriadas para o tradicional bloco político-militar cuja prioridade é a subordinação dos mais fracos à vontade do mais forte para o cumprimento das tarefas que lhe são úteis.

Os cenários que o bloco treina nas manobras não têm como objetivo a luta contra o terrorismo ou a liquidação de consequências de catástrofes naturais, repetindo o padrão da Guerra Fria de forma automática, se bem que a uma escala um pouco menor.

Bruxelas prefere não reparar no fato de que a segurança euro-atlântica é ameaçada de forma mais séria do que por uma guerra híbrida que alegadamente a Rússia planeja realizar.

O ponto 1 da Declaração de Segurança Transatlântica, aprovada em Varsóvia pelo Conselho de Chefes de Estado e de Governo da OTAN, indica desde o início a Rússia como a ameaça principal que alegadamente “minou os fundamentos da ordem europeia”. O Daesh é mencionado somente no ponto 8 e no contexto de uso dos aviões de reconhecimento eletrônico AWACS.

Nas atuais circunstâncias, a Rússia continua usando a plataforma do Conselho Rússia–OTAN e trabalhando nos acordos bilaterais para a prevenção de incidentes no mar aberto e em espaço aéreo. Estou seguro que os esforços conjuntos da comunidade internacional conseguirão, como resultado final, construir uma arquitetura eficaz de segurança una e indivisível, com a qual os blocos político-militares se tornarão um anacronismo inútil.

Nos últimos tempos se tem falado cada vez mais do agravamento da situação na área de segurança no Afeganistão e de sua influência negativa sobre países da Ásia Central e, consequentemente, do surgimento de ameaças adicionais para a Federação da Rússia. Como avalia a situação no Afeganistão e como reage a ela?

No Afeganistão se reforçam as posições dos terroristas e cresce o narcotráfico que, como todos sabem, é um dos seus principais recursos financeiros. Além dos talibãs afegãos, no país atuam talibãs do Paquistão, organizações extremistas regionais como o Movimento islâmico do Uzbequistão, bem como grupos internacionais – o Daesh e a Al-Qaeda. Em províncias setentrionais, os extremistas estabeleceram postos avançados que ameaçam diretamente o nosso país e os países da Ásia Central.

Estamos monitorando estes processos destrutivos e esforçamo-nos para agir com antecedência. Este trabalho é realizado de forma bilateral, bem como multilateral. Prestamos uma atenção especial ao reforço da cooperação em organizações regionais. A OTSC toma as medidas necessárias sobretudo de caráter militar. A OCX realiza a cooperação antiterrorista e antidrogas. Além disso, o Conselho de Segurança russo realiza consultas russo-afegãs com participação de uma série de departamento interessados dos dois países. Nós discutimos projetos prospectivos que devem contribuir para a recuperação da economia afegã, preparamos documentos bilaterais sobre assuntos de segurança e o aprofundamento de cooperação para serem assinados.

As operações militar em território afegão não são suficientes.  É preciso compreender as razões fundamentais da radicalização da população afegã – a intervenção estrangeira grosseira, a grave crise política interna, o desemprego e a falta de educação acessível. Para ultrapassar estes fatores negativos é necessário consolidar os esforços da comunidade internacional no âmbito da ONU.

Como avalia a situação na Síria e as perspectivas de regulação síria em geral?

A Síria se tronou vítima dos “padrões duplos” na luta contra o terrorismo demonstrados pelo Ocidente e certos atores regionais, que promovem os seus próprios interesses. O povo sírio é quem sai derrotado neste jogo.

Nós apelamos a que se foquem nos aspetos humanitários do conflito sírio. O Ministério para Situações de Emergência e o Ministério da Defesa da Rússia realizam fornecimentos constantes de ajuda humanitária ao povo sírio.

Além do Daesh, o grupo Frente al-Nusra, reconhecido como terrorista, representa uma ameaça significativa. Segundo as informações da ONU, mais de metade dos militantes que atuam em Aleppo são integrantes deste grupo. A mudança de nome para Frente Fatah al-Sham não o transformou em “oposição moderada”. Qualquer que seja o nome desse grupo armado, se ele usa métodos terroristas, não se deve sentar à mesa de negociações e deve ser eliminado.

O problema principal da eliminação da Frente al-Nusra é a necessidade de a demarcar da chamada oposição “moderada”. Entretanto, apesar dos acordos russo-americanos sobre este assunto, Washington demonstrou sua incapacidade ou mesmo falta de vontade em cumprir suas promessas.

Os exemplos recentes provam isso. Assim, apesar de o governo sírio ter desviado suas tropas da estrada de Castello, os grupos de “oposição moderada” não só não deram os mesmos passos, como nem deixam passar os comboios humanitários da ONU.

Lembramos que em 17 de setembro os norte-americanos, alegadamente por erro, segundo depois disseram, atacaram as tropas governamentais sírias cercadas pelo Daesh perto de Deir ez-Zor. As negociações com a parte russa, que continuaram diariamente durante todo esse tempo, foram usadas por Washington para demorar. Os militantes precisavam de tempo para se reagruparem. Hoje vimos o resultado – cada vez mais grupos em território sírio, com os quais trabalhavam os EUA, se juntam à Frente al-Nusra.

Afinal de contas, os EUA marcaram uma linha para a sua política dos duplos padrões quando declararam o fim do diálogo com a Rússia para a Síria.

Ao mesmo tempo, nós não perdemos a esperança que a posição construtiva acabe prevalecendo em Washington. Estamos preparados para considerar, no âmbito das estruturas militares, possíveis medidas adicionais para normalizar a situação em Aleppo.

O terrorismo nunca reconheceu fronteiras estatais. O que hoje acontece na Síria, Iraque, Líbia, Iêmen e Afeganistão pode acontecer amanhã em outros países.

Foto: © Sputnik/ Sergei Guneev

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News