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Interpol coloca suspeitos de assassinato de dirigente do Hamas em lista de procurados

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A Interpol colocou em sua lista de criminosos mais procurados os onze suspeitos de participarem do assassinato do líder miltitar do Hamas em Dubai.

A agência internacional de polícia emitou um alerta vermelho, seu mais alto nível, para os seus países membros em todo o mundo para a captura de “11 indivíduos procurados internacionalmente acusados por Dubai pela coordenação e assassinato” de Mahmoud al-Mabhouh, líder militar do Hamas.

A Interpol emitiu os avisos – que incluem fotografias – “para limitar a capacidade dos acusados de viajar livremente utilizando os passaportes falsos”.Trabalho do Mossad

O chefe de polícia de Dubai afirmou ter praticamente certeza de que o Mossad, o serviço secreto israelense, está por trás do assassinato de um líder do movimento radical palestino Hamas cometido mês passado no emirado.

“Nossas investigações demonstram que o Mossad está envolvido no assassinato de Mahmud Al Mabhuh. Em 99%, ou até mesmo 100%, o Mossad está por trás do crime”, disse o chefe de polícia, o tenente Dahi Jalfan.

Mabhuh, um dos fundadores do braço militar do Hamas, foi encontrado morto no quarto de um hotel de Dubai em 20 de janeiro.

O chefe de polícia de Dubai afirmou ainda que os passaportes europeus utilizados pelos 11 suspeitos de ter assassinado o líder do Hamas não são falsos.

Em uma entrevista ao jornal oficial Al Bayan, Jalfan prometeu revelar nos próximos dias novos indícios sobre o assassinato de Mabhuh.

“Os oficiais dos serviços de imigração são treinados por especialistas de segurança europeus para detectar os passaportes falsos”, afirmou Jalfan. “Aplicaram os procedimentos no aeroporto, no desembarque dos suspeitos, e não detectaram nenhuma falsificação”, completou.

Explicações

Nesta quinta-feira, o embaixador de Israel, Ron Prosor, deve dar explicações no Foreign Office (ministério das Relações Exteriores britânico) sobre o uso de seis passaportes falsos deste país por parte dos supostos assassinos de Mabhuh, fornecedor de armas do Hamas e um dos fundadores do braço armado do grupo. Londres anunciou ainda a abertura de uma investigação.

Israel espera evitar uma crise diplomática com Londres em consequência das suspeitas sobre o Mossad.

Fontes do governo israelense comentaram a questão, mas a rádio militar do país informou que o ministério das Relações Exteriores aguarda com preocupação o resultado do encontro.

O ministério das Relações Exteriores da Irlanda também convocou o embaixador israelense pelo uso de passaportes irlandeses falsos no caso.

O chanceler irlandês, Michael Martin, afirmou que o uso de passaportes falsos por parte dos suspeito do assassinato de Mabhuh é “um incidente extremamente sério”.

“Estamos fazendo perguntas muito diretas e buscando ajuda e esclarecimento. Queremos obter respostas o mais rápido possível”, disse o ministro, para quem o incidente colocou em risco a segurança de cidadãos irlandeses.

A França também pediu explicações a Israel sobre a utilização de um falso passaporte francês no assassinato. “Pedimos explicações à embaixada de Israel na França sobre as circunstâncias da utilização de um falso passaporte francês no assassinato de um membro do Hamas em Dubai”, disse o porta-voz do ministério, Bernard Valero.

Investigação preliminar

Uma investigação preliminar feita pela agência da Grã-Bretanha para o combate ao crime organizado confirmou que as fotografias e as assinaturas dos passaportes britânicos usados pelos supostos assassinos não correspondiam às dos passaportes originais nos nomes utilizados.

Os seis britânicos-israelenses cujos nomes constavam dos passaportes apontados pela polícia de Dubai como sendo os dos assassinos de Al-Mabhouh negam qualquer envolvimento no crime.

Um deles, Stephen Daniel Hodes, de 37 anos, afirmou não ter saído de Israel nos últimos dois anos e se disse “chocado” com o caso. “Não sei quem está por trás disso. Estou com medo, essas são forças poderosas”, disse ele a uma TV israelense.

Outro envolvido, o consultor de informática Melvyn Mildiner, de 31 anos, disse ao diário The Jerusalem Post: “Fui dormir com pneumonia e acordei assassino.”

Paul John Keeley, cidadão britânico que se mudou para Israel há 15 anos e mora no kibutz (comunidade agrícola) Nahsholim, afirmou que vem se sentindo “como um zumbi” desde que descobriu seu nome na lista de suspeitos.

“Como uma coisa dessas pode acontecer? Sou um simples mecânico, o que querem de mim? As pessoas riem, mas eu não estou achando essa história engraçada”, disse à imprensa local.

As autoridades da República da Irlanda confirmaram que os números dos passaportes do país utilizados eram legítimos, mas afirmaram que eles não correspondiam aos nomes nos passaportes apresentados pela polícia de Dubai.

As autoridades francesas e alemãs também levantaram suspeitas sobre as identidades dos suspeitos com passaportes de seus países.

Circuito interno

O líder do Hamas foi morto em um quarto de hotel em Dubai.

A polícia de Dubai divulgou imagens do circuito interno de TV do hotel que mostram os suspeitos disfarçados de turistas, usando perucas e barbas falsas.

Segundo as autoridades locais, o trabalho “foi executado por um time profissional, altamente habilitado para esse tipo de operação”.

De acordo com alguns relatos, Al-Mabhouh estaria em Dubai para comprar armamentos para o Hamas.

Segundo a polícia, dois suspeitos palestinos que teriam fugido para a Jordânia também estariam sendo questionados sobre o assassinato.

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Fonte: Último Segundo

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