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Conflitos

Com extradição pedida por EUA, fundador do WikiLeaks é preso na embaixada do Equador em Londres

LONDRES — O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi preso na manhã desta quinta-feira pela polícia britânica em Londres. Os agentes foram autorizados pela embaixada do Equador a entrar na sede diplomática do país, na qual o ativista estava exilado desde 2012. O governo equatoriano do presidente Lenín Moreno revogou o asilo do australiano e suspendeu a cidadania que lhe havia sido concedida. Moreno rompeu com Rafael Correa, seu antecessor que concedeu o asilo a Assange, e desde o ano passado vinha indicando que a proteção poderia ser cancelada.

Manning, que servia no Iraque, foi a fonte de documentos militares americanos e de mais de 250 mil telegramas da diplomacia dos EUA vazados em 2010 e 2011 pelo WikiLeaks, a maior parte deles revelando os bastidores da chamada “guerra ao terror”. Mais recentemente, a organização publicou e-mails da campanha à Presidência de Hillary Clinton em 2016 que, segundo a Justiça americana, foram obtidos por hackers russos. Detida em 2010, Manning foi condenada a 35 anos de prisão, mas teve a pena comutada por Barack Obama depois de cumprir sete.

A prisão de Assange, de 47 anos, também atendeu a um pedido da Justiça britânica, que determinara sua detenção quando ele pediu refúgio na embaixada equatoriana, acusando-o de violar as condições da liberdade condicional que lhe havia sido imposta no âmbito de uma investigação de estupro na Suécia. Essa investigação foi posteriormente arquivada pela Justiça sueca, mas os advogados de Assange não conseguiram derrubar o pedido de prisão por violação da condicional. Nesse caso, ele pode ser condenado a até 12 meses de prisão.

 

Fonte: O Globo

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Brasil Conflitos Geopolítica PDM

PdM- A Lei do Equilíbrio do Brasil

Autor- Peter de Mambla (PdM) para  Plano Brasil.

Tradução e edição- E.M.Pinto


O Brasil está passando por um período de significativas mudanças. A confiança na classe política, em primeiro lugar, embora nunca tenha sido elevada, praticamente entrou em colapso. As investigações da Operação Lava-Jato servem apenas para confirmar o que todos já sabiam: que a classe política, na maioria das vezes, não é movida por preocupações nobres pelo bem maior, mas pelo simples desejo de encher seus próprios bolsos. Quando chegou ao poder, O PT de Lula, havia prometido ser diferente. Mas eles acabaram não sendo melhores. Por outro lado, a presidência de Temer não alimenta esperanças, e nesse cenário, há um crescente clamor, pelo menos por setores da direita, por uma intervenção militar. Por tudo isso, a posição do Brasil no mundo multipolar emergente é deveras questionada.

 

O Silovik Brasileiro

Com a queda do comunismo e a dissolução da URSS, a Rússia caiu em um período de caos, onde “gângsteres” dominavam as ruas e poucos sabiam de onde viria o próximo cheque para o pagamento. Os oligarcas que emergiram desse caos se importavam apenas com eles mesmos, em nada se importando com a “Mãe Rússia”.

Por seu lado, o ocidente não queria desperdiçar uma boa oportunidade e se concentrou em “nocautear” a Rússia enquanto a guarda estava aberta. O país diminuído, mas ainda vasto, precisaria, portanto, ser subdividido em cinco ou mais países menores e mais manejáveis, começando pela Chechênia.

Dado que a Rússia sempre foi multi-étnica (existem quase 200 etnias russas), é possível que o país tenha sofrido a mesma experiência que a Jugoslávia, vendo uma sangrenta guerra étnica de todos contra todos.

A comunidade de inteligência militar (o Siloviki em russo) tal como em qualquer outro país, tende a ser o segmento mais patriótico da sociedade e por razões óbvias a Rússia não seria exceção. Vendo o que estava acontecendo com sua amada pátria, os Siloviki russos não estavam preparados para simplesmente ficar de braços cruzados e assistir o país ser destruído e ao concluir que bastava decidiram intervir.

Com  Putin no comando, a ordem foi progressivamente restaurada, com os oligarcas expurgados e a situação no Cáucaso pacificada, dentre muitas outras recuperações, as aposentadorias e os salários do governo retornaram a ser pagos a tempo. Assim, a Rússia foi salva e, no processo surge um contrapeso à ordem mundial unipolar imposta pelos Estados Unidos.

A situação no Brasil é menos dramática, mas tem alguma semelhança. A classe política brasileira é reconhecida pelo público como sendo desesperada, a maioria dos políticos pensam apenas em si mesmos e não no bem público. A educação pública básica encontra-se em um estado abismal (com a notável exceção das escolas dirigidas pelos militares) e a classe média é sobrecarregada pela tributação excessiva, nesse cenário, o governo tem pouco para mostrar em termos de serviços sociais.

Um estado de piora da ilegalidade e da desordem prevalece, com a classe política não querendo ou sendo incapaz de fazer algo a respeito. Consequentemente, tem havido um clamor de segmentos da população para que os militares intervenham da mesma forma que fizeram em 1964.

O establishment militar brasileiro desfruta de alguns dos mais altos níveis de confiança do público no país – muito, muito acima da classe política. Constitucionalmente, as forças armadas são também as principais garantidoras da lei e da ordem. A esse respeito, recentemente o General Mourão advertiu recentemente que, se a atual turbulência política não for resolvida judicialmente, os militares não terão outra escolha a não ser intervir e que já existem planos bem elaborados para essa eventualidade.

Mundo multipolar ou mundo unipolar?

Os siloviki brasileiros podem ser obrigados a intervir para salvar o país, seja em trajes militares, como em 1964, ou sob uma presidência civil pró-militar, como a que poderia ser liderada por exemplo por Jair Bolsonaro.

A intervenção de 1964 foi compreensivelmente coordenada com os americanos, já que ambos compartilhavam do mesmo inimigo, o comunismo da época. Com o colapso da União Soviética e o fim da ordem mundial bipolar, os Estados Unidos avançaram para criar uma ordem mundial unipolar e consolidar sua vitória na Guerra Fria.

Com o poder americano descontrolado causando estragos em todo o mundo em sua busca pela dominação global, especialmente no Oriente Médio, esse mundo unipolar representava uma ameaça para outros países, incluindo o Brasil. Uma ordem mundial multipolar pode, portanto, garantir melhor os interesses do Brasil.

Destaca-se que nesse sentido, a liderança brasileira que mais avançou na posição do Brasil no jovem mundo multipolar foi o PT de Lula e Dilma. Mesmo quando a Guerra Fria recuou da memória, muitos no poder público, e particularmente no Siloviki brasileiro, continuaram a manter sérias reservas em relação ao PT, não confiando que haviam abandonado completamente suas tendências comunistas, mas apenas modificado sua abordagem à luta. 

De fato, o lançamento do Fórum de São Paulo pelo PT após a queda do Muro de Berlim pareceu indicar a determinação de continuar a carregar a chama do socialismo após o fim da União Soviética.

Os militares brasileiros, juntamente com muitos da ala de direita do país, têm uma visão muito obscura sobre as lideranças esquerdistas da venezuelana e de tais esforços de integração regional como a Aliança Bolivariana para os Povos da  América, de Hugo Chávez.

O quintal da América?

Isso levanta a questão sobre o que aconteceria se os Siloviki brasileiros de alguma forma intervissem e tomassem o poder, seja explicitamente enquanto ainda usassem seus uniformes, ou nos bastidores sob uma presidência nominalmente civil liderada por gente como Jair Bolsonaro.

Será que todos os esforços em prol da multipolaridade e da integração regional seriam abandonados em favor da unipolaridade, estabelecendo, assim, o status de um cão de estimação do Tio Sam?

A independência brasileira será melhor garantida por uma ordem mundial multipolar e a aversão dos patriotas brasileiros ao socialismo e ao comunismo precisará ser equilibrada contra a necessidade primordial de multipolaridade. Um consenso emergente entre os pensadores multipolares a respeito da natureza dessa ordem mundial é que ela será de direita em termos de valores sociais e de esquerda em termos de economia.

Assim, a venda de ativos estratégicos como a Petrobras seria impensável para uma liderança brasileira reconhecendo a importância de uma ordem mundial multipolar. O general Gelio Fregapani parece ser um dos Silovik que reflete esse ponto de vista, sendo de direita em termos de valores sociais, mas mais esquerdista quando se trata da economia.

A Rússia parece estar traçando precisamente esse rumo, com um conservadorismo social conspícuo, aliado ao controle governamental de indústrias e campos estrategicamente importantes, como a mídia, o petróleo e o gás. Se o siloviki brasileiro eventualmente for obrigado a intervir de alguma maneira (aberta ou discretamente) para salvar o Brasil, como o Siloviki russo interveio para salvar a Rússia, então um delicado equilíbrio terá que ser alcançado entre se afastar do socialismo e do comunismo sem ao mesmo tempo abandonar a multipolaridade e a integração regional que é uma parte inevitável deste processo. 


Sobre o Autor- Peter de Mambla é  bacharelado em ciências políticas pela Universidade Monash- Victoria, Austrália. Analista e escritor de assuntos relacionados às políticas e sociais e relações internacionais em sites de notícias dedicados a combater a narrativa da grande mídia em relação à Rússia e ao mundo multipolar.

 

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Rússia Sistemas de Armas Tecnologia Traduções-Plano Brasil

A Federação Russa está concluindo o trabalho para a criação de uma nova aeronave de reconhecimento

Pavel Ptitsyn 

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

Segundo informado pela Interfax, será concluído ainda este ano, o trabalho de desenvolvimento e avaliação da nova aeronave de reconhecimento estratégico russa baseada no Tu-214R .
De acordo com dados fornecidos à agência de notícias, o Tu-214R – aeronave de  inteligência eletrônica e opto-eletrônica, desenvolvido pela OKB “Tupolev” no final da década de 2000, cuja projeto baseou-se na aeronave de passageiros Tu-214, foi concebido para substituir os atuais Il-20 que ainda em serviço , executam esta tarefa. Atualmente, duas dessas aeronaves de reconhecimento estratégico foram entregues aos militares para operação experimental.
Em 2016, o mais novo avião de reconhecimento  Tu-214R foi visto duas vezes   na Síria. De acordo com o rastreador aéreo internacional FlightRadar24, um avião de reconhecimento russo foi transferido para a base aérea de Khmeimim no território da Federação Russa em fevereiro e julho de 2016.

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Braço Forte Defesa Inteligência Tecnologia

3º ESTÁGIO INTERNACIONAL DE DEFESA CIBERNÉTICA PARA OFICIAIS DAS NAÇÕES AMIGAS

Por Agência Verde-Oliva / Centro de Comunicação Social do Exército

De 14 a 25 de maio de 2018, das 08:30 às 17:00 horas, o Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) realiza o “3º Estágio Internacional de Defesa Cibernética para Oficiais das Nações Amigas”, que acontece nas instalações do Centro de Instrução de Guerra Eletrônica (CIGE), em Brasília. A Aula Inaugural acontece no dia 14, segunda-feira, às 09:30 horas, e a Cerimônia de Encerramento ocorre no dia 25, sexta, às 09:00 horas, ambas no Quartel-General do Exército. Destaca-se o Exercício de Final de Estágio, em 24 de maio, quinta, das 08:30 às 17:00 horas.

O Estágio tem como finalidades compartilhar os conhecimentos na área de Cibernética e estreitar os laços de amizade e cooperação entre as Forças Armadas do Brasil e de outros países: Angola, Argentina, Bolívia, Chile, China, Equador, Estados Unidos da América, Espanha, Gana, Guiana, Nigéria, Portugal, Paquistão, Reino Unido, Suriname e Uruguai. Haverá, ainda, a participação de representantes da Polícia Federal do Brasil.

Ressalta-se que, durante o Estágio, as diversas instruções e os inúmeros exercícios práticos serão realizados em ambiente de rede controlado, tendo como suporte o “Simulador de Operações de Guerra Cibernética” (SIMOC), que permite virtualizações de infraestruturas corporativas, análise de artefatos maliciosos, possíveis soluções para proteção de sistemas institucionais e capacitação em cenários ofensivos.

Na conjuntura mundial, caracterizada por incertezas, mutabilidades e volatilidades das potenciais ameaças, bem como pela presença de novos atores não estatais nos possíveis cenários de conflito, a Defesa Cibernética vem se estabelecendo como atividade fundamental para o êxito das operações militares em todos os escalões de comando. Na condição de atividade especializada, sua execução baseia-se em uma concepção sistêmica, com métodos, procedimentos, características e vocabulário peculiares.

A ameaça cibernética vem sendo considerada uma das maiores no mundo atual, podendo causar consideráveis danos econômicos, políticos, militares e sociais. Nos últimos meses, foi possível acompanhar ataques de grandes proporções, que afetaram diferentes países.

Diante desse cenário, a sinergia buscada em soluções compartilhadas e a cooperação com as nações amigas, pela troca de conhecimentos e pelo desenvolvimento colaborativo da capacidade de cada um, são o remédio necessário para a proteção dos ativos de informações.

Serviço:

– 3º Estágio Internacional de Defesa Cibernética para Oficiais das Nações Amigas

– Período: 14 a 25 de maio, das 08:30 às 17:00 horas.

– Local: Centro de Instrução de Guerra Eletrônica – Estrada Parque do Contorno, Rodovia DF-001, km 05, Setor Habitacional Taquari – Lago Norte, Brasília-DF.

– Aula Inaugural: 14 de maio, segunda, às 09:30 h, no Quartel-General do Exército.

– Outras informações: (61) 3415-3470 ou rp@cige.eb.mil.br.

– Os veículos de comunicação interessados em cobrir o evento podem entrar em contato pelo (61) 3415-6189 ou agenciaexercito@ccomsex.eb.mil.br.

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Braço Forte Defesa Inteligência

Forças Armadas no Brazil Cyber Defence - Entrevista com General Okamura, Comandante de Defesa Cibernética

EBlog – Como será a participação do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) no Brazil Cyber Defence? O que será apresentado?

Gen Okamura – O ComDCiber apoiará, institucionalmente, o Brazil Cyber Defence. A agenda da “1ª Feira de Cibernética, Comunicações e Guerra Eletrônica” apresentará fóruns de discussão, painéis, workshops e palestras sobre a temática em questão, competições “capture the flag” e exposição de soluções e tecnologias. O site brazilcyberdefence.com apresenta maior detalhamento das atividades.

EBlog – Qual a importância de apoiar um evento dessa natureza?

Gen Okamura – É de grande importância o apoio da sociedade e das instituições públicas e privadas, pois o evento abordará temas relevantes e atuais nas áreas de cibernética, comunicações e guerra eletrônica, além de sensibilizar o poder político sobre a importância do tema.

EBlog – Como um evento desse tipo pode contribuir para o desenvolvimento da Defesa Cibernética dentro das Forças Armadas?

Gen Okamura – O evento pode contribuir para proporcionar ampla discussão em torno de questões importantes sobre segurança e defesa cibernética, guerra eletrônica e comunicações, por meio da interação de grandes nomes da indústria que representam suas empresas, de profissionais especialistas nas respectivas áreas, de importantes setores acadêmicos, de empresas startups e de estudantes nos mais diversos níveis.

EBlog – O senhor destacaria algumas das participações no Brazil Cyber Defence?

Gen Okamura – Sim. Kevin Mitnick, consultor e especialista em segurança; Paul de Souza, Presidente da Cyber Security Forum Iniciative; Demi Getschko, Diretor-Presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR; Patrícia Peck, advogada e especialista em Direito Digital, entre outros.

EBlog Representantes de Forças Armadas de outros países estão presentes?

Gen Okamura– Sim.

EBlog – Além do Brazil Cyber Defence, acontecerá, simultaneamente, a 7ª edição da “Conferência de Simulação e Tecnologia Militar” (CSTM). Qual a relevância de os dois eventos ocorrerem juntos?

Gen Okamura – A junção das potencialidades de cada setor e o aproveitamento de oportunidades para a integração e a colaboração.

EBlog – O Brazil Cyber Defence propõe debater assuntos de Defesa e Segurança entre as Forças Armadas e de Segurança Pública. Nesse contexto, como o senhor avalia a Defesa Cibernética, hoje, no Brasil?

Gen Okamura – A avaliação é positiva. O esforço de preparação e capacitação de pessoal, aliado aos investimentos no setor, permite afirmar que o Brasil evoluiu bastante no campo da Defesa Cibernética. Porém, como o setor cibernético encontra-se em constante evolução, é necessário que a qualificação de pessoal e os investimentos também sejam constantes, para que o Brasil continue evoluindo e se aprimorando.

EBlog – Recentemente, as três Forças Armadas uniram esforços para atuarem nesse setor, com a criação do ComDCiber. O senhor poderia explicar como funciona o Comando de Defesa Cibernética e como atua cada Força (Marinha, Exército e Aeronáutica) na Unidade?

Gen Okamura – O Comando de Defesa Cibernética é um Comando Operacional Conjunto dentro da estrutura regimental do Exército Brasileiro. Está organizado da seguinte maneira: Estado-Maior Conjunto, chefiado por um Contra-Almirante; Departamento de Gestão e Estratégia, chefiado por um Brigadeiro; e Centro de Defesa Cibernética, chefiado por um General de Brigada. O Comandante de Defesa Cibernética é um General de Divisão. O efetivo total, incluindo a Escola Nacional de Defesa Cibernética, deverá chegar a 300 militares, atuando nas atividades operacionais, doutrinárias, de ciência e tecnologia, de inteligência e de capacitação.

EBlog – Como a criação do ComDCiber ampliou a segurança cibernética do País?

Gen Okamura – A criação do ComDCiber vem contribuindo para que o Ministério da Defesa e as Forças Armadas tenham a capacidade de atuar no espaço cibernético, de forma conjunta, em rede e com a devida liberdade de ação. Importante destacar que essa criação impactou, positivamente, as áreas científico-tecnológica e industrial do País, além de maximizar o efeito dissuasório das Forças Armadas. No âmbito do Exército Brasileiro, o ComDCiber tem colaborado para o processo de transformação da Força, a fim de alcançar o grande objetivo, que é o de permitir a transição do EB, da era industrial para a era do conhecimento.

EBlog – O Brasil tem cooperação e integração com outros países nessa missão de realizar a defesa cibernética?

Gen Okamura – O ComDCiber está participando de parcerias estabelecidas pelo Ministério da Defesa e pelo Comando do Exército, assessorando-os quanto aos termos dessas colaborações. Nossos militares participam de cursos, feiras e exercícios internacionais, que permitem a obtenção de expertises para a condução de exercícios desse tipo pelo Brasil. Além disso, o ComDCiber realizará, em maio de 2018, o “III Estágio Internacional de Defesa Cibernética” e já tem confirmada a presença de representantes de diversas nações amigas, incluindo os países latino-americanos.

EBlog – Existe algum trabalho para ampliar a cultura de proteção cibernética dentro das Forças? De que maneira?

Gen Okamura – Sim, por intermédio da capacitação e sensibilização dos recursos humanos, evidenciando a importância da proteção cibernética.

EBlog – Qual a importância de se investir em defesa cibernética nas Forças Armadas?

Gen Okamura – A importância desse investimento é para resguardar a capacidade nacional e das estruturas de governo diante de possíveis ações cibernéticas hostis, além de reduzir os seus efeitos.

EBlog – Como será a participação do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) no Brazil Cyber Defence? O que será apresentado?

Gen Okamura – O ComDCiber apoiará, institucionalmente, o Brazil Cyber Defence. A agenda da “1ª Feira de Cibernética, Comunicações e Guerra Eletrônica” apresentará fóruns de discussão, painéis, workshops e palestras sobre a temática em questão, competições “capture the flag” e exposição de soluções e tecnologias. O site brazilcyberdefence.com apresenta maior detalhamento das atividades.

EBlog – Qual a importância de apoiar um evento dessa natureza?

Gen Okamura – É de grande importância o apoio da sociedade e das instituições públicas e privadas, pois o evento abordará temas relevantes e atuais nas áreas de cibernética, comunicações e guerra eletrônica, além de sensibilizar o poder político sobre a importância do tema.

EBlog – Como um evento desse tipo pode contribuir para o desenvolvimento da Defesa Cibernética dentro das Forças Armadas?

Gen Okamura – O evento pode contribuir para proporcionar ampla discussão em torno de questões importantes sobre segurança e defesa cibernética, guerra eletrônica e comunicações, por meio da interação de grandes nomes da indústria que representam suas empresas, de profissionais especialistas nas respectivas áreas, de importantes setores acadêmicos, de empresas startups e de estudantes nos mais diversos níveis.

EBlog – O senhor destacaria algumas das participações no Brazil Cyber Defence?

Gen Okamura – Sim. Kevin Mitnick, consultor e especialista em segurança; Paul de Souza, Presidente da Cyber Security Forum Iniciative; Demi Getschko, Diretor-Presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR; Patrícia Peck, advogada e especialista em Direito Digital, entre outros.

EBlog Representantes de Forças Armadas de outros países estão presentes?

Gen Okamura– Sim.

EBlog – Além do Brazil Cyber Defence, acontecerá, simultaneamente, a 7ª edição da “Conferência de Simulação e Tecnologia Militar” (CSTM). Qual a relevância de os dois eventos ocorrerem juntos?

Gen Okamura – A junção das potencialidades de cada setor e o aproveitamento de oportunidades para a integração e a colaboração.

EBlog – O Brazil Cyber Defence propõe debater assuntos de Defesa e Segurança entre as Forças Armadas e de Segurança Pública. Nesse contexto, como o senhor avalia a Defesa Cibernética, hoje, no Brasil?

Gen Okamura – A avaliação é positiva. O esforço de preparação e capacitação de pessoal, aliado aos investimentos no setor, permite afirmar que o Brasil evoluiu bastante no campo da Defesa Cibernética. Porém, como o setor cibernético encontra-se em constante evolução, é necessário que a qualificação de pessoal e os investimentos também sejam constantes, para que o Brasil continue evoluindo e se aprimorando.

EBlog – Recentemente, as três Forças Armadas uniram esforços para atuarem nesse setor, com a criação do ComDCiber. O senhor poderia explicar como funciona o Comando de Defesa Cibernética e como atua cada Força (Marinha, Exército e Aeronáutica) na Unidade?

Gen Okamura – O Comando de Defesa Cibernética é um Comando Operacional Conjunto dentro da estrutura regimental do Exército Brasileiro. Está organizado da seguinte maneira: Estado-Maior Conjunto, chefiado por um Contra-Almirante; Departamento de Gestão e Estratégia, chefiado por um Brigadeiro; e Centro de Defesa Cibernética, chefiado por um General de Brigada. O Comandante de Defesa Cibernética é um General de Divisão. O efetivo total, incluindo a Escola Nacional de Defesa Cibernética, deverá chegar a 300 militares, atuando nas atividades operacionais, doutrinárias, de ciência e tecnologia, de inteligência e de capacitação.

EBlog – Como a criação do ComDCiber ampliou a segurança cibernética do País?

Gen Okamura – A criação do ComDCiber vem contribuindo para que o Ministério da Defesa e as Forças Armadas tenham a capacidade de atuar no espaço cibernético, de forma conjunta, em rede e com a devida liberdade de ação. Importante destacar que essa criação impactou, positivamente, as áreas científico-tecnológica e industrial do País, além de maximizar o efeito dissuasório das Forças Armadas. No âmbito do Exército Brasileiro, o ComDCiber tem colaborado para o processo de transformação da Força, a fim de alcançar o grande objetivo, que é o de permitir a transição do EB, da era industrial para a era do conhecimento.

EBlog – O Brasil tem cooperação e integração com outros países nessa missão de realizar a defesa cibernética?

Gen Okamura – O ComDCiber está participando de parcerias estabelecidas pelo Ministério da Defesa e pelo Comando do Exército, assessorando-os quanto aos termos dessas colaborações. Nossos militares participam de cursos, feiras e exercícios internacionais, que permitem a obtenção de expertises para a condução de exercícios desse tipo pelo Brasil. Além disso, o ComDCiber realizará, em maio de 2018, o “III Estágio Internacional de Defesa Cibernética” e já tem confirmada a presença de representantes de diversas nações amigas, incluindo os países latino-americanos.

EBlog – Existe algum trabalho para ampliar a cultura de proteção cibernética dentro das Forças? De que maneira?

Gen Okamura – Sim, por intermédio da capacitação e sensibilização dos recursos humanos, evidenciando a importância da proteção cibernética.

EBlog – Qual a importância de se investir em defesa cibernética nas Forças Armadas?

Gen Okamura – A importância desse investimento é para resguardar a capacidade nacional e das estruturas de governo diante de possíveis ações cibernéticas hostis, além de reduzir os seus efeitos.

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Braço Forte Defesa Tecnologia

A CONFERÊNCIA DE SIMULAÇÃO E TECNOLOGIA MILITAR

 

O MAIOR EVENTO BRASILEIRO DE DEFESA CIBERNÉTICA, COMUNICAÇÕES DE GUERRA ELETRÔNICA

23 – 26 ABRIL 2018 | BRASÍLIA – BRASIL

 

Em sua 7ª edição, é um dos mais importantes eventos do segmento de Defesa e Segurança do Brasil, apresentando uma programação variada para atender ao crescente público de participantes e convidados. A CSTM abrange de forma ampla a tecnologia de Defesa e Segurança aplicada ao setores militar e civil.

O evento oferece a oportunidade de participação em fóruns de discussão em que estão presentes especialistas de renome nacional e internacional, workshops e reúne provedores de soluções do Brasil e do exterior que expõe seus mais recentes produtos, soluções e tecnologias.

CONCEITO

CSTM: referência em fórum e exposição para a Simulação e Tecnologia Militar

Sobre

Em sua 7ª edição, a Conferência de Simulação e Tecnologia Militar é um dos mais importantes eventos do segmento de Defesa e Segurança do Brasil, apresentando uma programação variada para atender ao crescente público de expositores e visitantes. A CSTM abrange de forma ampla a tecnologia de defesa e segurança aplicada tanto ao setor militar quanto ao setor civil, as chamadas tecnologias duais.

A indústria de Defesa é uma das principais geradoras de tecnologia em um país e no Brasil, cerca de 60% das pesquisas realizadas no setor acabam impactando outras áreas, de acordo com os levantamentos apresentados pelo Ministério da Defesa. Com isso, o evento foi concebido para promover o debate de assuntos da Defesa e Segurança entre as Forças Armadas e de Segurança Pública, setores da indústria, meio acadêmico, instituições públicas e privadas, sociedade e governo brasileiro, além de gerar negócios.

A edição 2018 da CSTM reúne expositores e visitantes em um espaço para eventos considerado como um dos melhores do Brasil e é palco para importantes discussões sobre os cenários atual e futuro dos Programas Estratégicos das Forças Armadas. Nela estão sendo divulgados assuntos relativos à 2ª fase de implantação do Sistema de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON).

A abordagem multifuncional da tecnologia militar apresentada pela CSTM possibilita ao público participante conhecer de perto tecnologias e equipamentos no estado da arte, além de uma de suas áreas, a Simulação Militar, poderosa ferramenta de apoio ao ensino e ao treinamento militar.

Por tudo isso, a CSTM já é um sucesso que oferece diversas oportunidades à todos os seus participantes.

Fonte: Exército Brasileiro

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Geopolítica Geopolitica Inteligência Sistemas Navais

A Grã-Bretanha enviou submarinos para o litoral da Síria

E.M.Pinto

A primeira-Ministra Britânica Theresa May ordenou o envio de submarinos da Marinha Real Britânica  para as costas da Síria à distância de um ataque de mísseis. Os submarinos foram ordenados a preparar-se para atacar as forças governamentais do presidente da Síria Bashar Al Assad .

Theresa May se prepara então para participar da ação militar dos Estados Unidos. Além disso, em 12 de abril, o primeiro-Ministro convocou uma reunião de emergência do governo. Está previsto a discussão da resposta da Grã-Bretanha a um ataque químico na cidade de duma.

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Braço Forte Brasil Conflitos Defesa Geopolítica Terrorismo

Mentiras no mundo virtual: “fake news” e narrativa do discurso

 

Os “smartphones” fazem parte da nossa vida e com eles ficamos conectados 24 horas por dia, interagindo com o mundo. Assim, imersos nessas novas tecnologias, que nos acompanham no bolso ou na bolsa, somos bombardeados por notícias que chegam até nós, oriundas das mais diversas fontes. Embora atualizados rapidamente, somos vítimas de arquivos produzidos com interesses escusos, que afetam a honra tanto de famosos, quanto de desconhecidos, tudo em apenas um “touch”.

Para persuadir, essas notícias são escandalosas, engraçadas, fantásticas ou aterrorizantes, cuidadosamente elaboradas para despertar sentimentos antagônicos, como compaixão e raiva, fúria e solidariedade. Esses são os principais ingredientes para que uma falsa notícia se espalhe rapidamente, viralizando entre os internautas, fazendo-os ter ânsia de compartilhar essas “fake news”, principalmente nas mídias sociais, sem ao menos fazerem uma checagem rápida na fidedignidade da fonte.

A maioria acredita naquilo que recebe em seus celulares e no que lê na Internet, pois não tem tempo de conferir a origem. É justamente para ludibriar os mais cuidadosos (os que verificam as fontes) que os influenciadores se esmeram. Criam portais específicos, preparam notícias com linguagem jornalística ou imputam os créditos falsamente a alguma personalidade de conduta ilibada, o que gera maior credibilidade aos boatos. Desse modo, conseguem enfeitiçar as matérias e entorpecer as percepções.

Tal é o poder destrutivo das “fake news” que podem manchar rapidamente e para sempre a reputação de alguém. Pior do que isso, elas podem mobilizar massas a agirem de acordo com interesses espúrios, utilizando personalidades carismáticas para retransmitirem essas falsas notícias, pois emprestam a reputação a mentiras. Além disso, notícias verídicas, veiculadas pela mídia oficial, podem ser distorcidas e temperadas com ilações e calúnias, atribuindo responsabilidades por crimes ou absolvendo criminosos.

É a era da manipulação virtual, que foi denominada, pela primeira vez, em 1992, de “a era da pós-verdade”, pelo escritor e roteirista Steve Tesich. O termo ganhou vulto em 2016, a partir do Dicionário Oxford e da revista “The Economist”. Entretanto, os princípios da “pós-verdade” baseiam-se em dogmas anteriores. A realidade é um fenômeno da percepção. Dessa forma, o “quantum” comunicacional submetido a todos nós passa por filtros antropológicos, culturais e sentimentais, para que cada um perceba de modo diverso.

A fim de despertar o interesse pelo aprofundamento sobre as “fake news”, é necessário pensar sobre a “desinformação”. Com isso, surgem as indagações: por que e quem as produz?

Em estudo da Universidade de Oxford, os “bots” (robôs/programas que espalham conteúdo), respondem por mais de 50% do tráfego na grande rede. Dessa maneira, podem influenciar os internautas com as mais diferentes mensagens. Com isso, fica claro o porquê de as “fake news” terem o poder de disseminar boatos e de detonar e desconstruir reputações, tornando-se uma ferramenta imponente e cara, usada nas disputas políticas em todo o mundo. Nas eleições de 2018, no Brasil, não será diferente.

Olavo de Carvalho, escritor e filósofo, em seu artigo “ABC da desinformação” publicado no Diário do Comércio, em 10 de janeiro de 2013, cita dois tipos de desinformação. Corro o risco de derivação ao interpretar tamanho pensador com a minha angulação, mas vamos lá!

O primeiro tipo – a microdesinformação – utiliza-se de assessores de alto nível para que os decisores sejam influenciados erradamente a agirem de modo favorável ao grupo de desinformação. Já o segundo tipo – a macrodesinformação – é produzido por organismos desinformadores (pode ser um homem só), pautando massivamente de cima para baixo. Ao viralizar esses conteúdos, ocorre a conformação dos públicos, que cristalizam em seus imaginários ideias prontas, influenciando a adoção de comportamentos pré-concebidos.

Sob outro enfoque, observa-se que a influenciação das massas pelas “fake news” vem se aperfeiçoando. Ao utilizar enorme quantidade de meios digitais (“sites”, mídias sociais e blogs), esse artifício utiliza conceitos de “crossmedia” (mesmo conteúdo em mídias distintas, para potencializar a difusão da mensagem) e de “transmedia” (conteúdo complementar em mídias distintas, para fortalecimento mútuo da mensagem).

Nessa nova era comunicacional, cita-se, como exemplo, um desses artifícios, que foi renovado para construir e destruir imagens. O antigo “meme”, idealizado em 1976 por Richard Dawkins (“O gene egoísta”), referia-se a um aglutinado de informações transmitidas por rádio, jornal impresso e livros, com potencial de ser entendidas e espalhadas rapidamente, na velocidade da época. Hoje, o “meme” digital transcende o mundo impresso e pauta o mundo online. É poderosa ferramenta de “marketing” de guerrilha, é viral.

Como protagonista contra as informações falsas, surge a imprensa – o “quarto poder”. Esse enredo está presente no recente filme de Steven Spielberg, que concorreu ao Oscar (“The Post – A Guerra Secreta”). Tal qual o filme, os bons jornalistas dedicam-se a contar à sociedade as notícias relevantes, concedendo isenção e apuração ética à narrativa dos fatos. Sem dúvida, a liberdade de imprensa e de expressão, norteada pelo patriotismo, é a joia da coroa da nossa democracia.

Outro ponto polêmico é a regulamentação para o combate das “fake news”, que, pelo risco de censura, entra em rota de colisão direta com a Lei Federal n.º 12.965/2014 (Marco Civil da Internet). De acordo com o primeiro rascunho do projeto de lei, caberia ao internauta abrir reclamação e ao provedor, remover as supostas notícias falsas. Após pressões, o Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional recuou e modificou o projeto para que a retirada de conteúdo falso seja somente por ordem judicial.

De acordo com pesquisa recente dos institutos “We Are Social” e “Hootsuite”, os brasileiros navegam 9 horas e 14 minutos por dia, o que rende ao Brasil o terceiro lugar mundial em conectividade. Por isso, nossos compatriotas são bem suscetíveis a cliques e compartilhamentos de notícias, sejam verdadeiras, sejam falsas. Para proteger o internauta-cidadão, a legislação de nosso País precisa evoluir, espelhando-se na da União Europeia, que, em 25 de maio de 2018, estará sob a Lei de Proteção de Dados.

Além do cuidado com os conteúdos postados, é importante saber que “apenas” compartilhar “posts”, “memes”, imagens ou textos de cunho ofensivo (direto ou indireto) em rede social pode gerar consequências desagradáveis. O Código Penal vale para o mundo real e para o virtual. As penas para calúnia, difamação e injúria variam de três meses a três anos de reclusão, além de multa. Tramitam, ainda, novos projetos de lei para inserir tipificações específicas, que confiram mais rapidez aos processos.

Por fim, enquanto a base legal não é definida, “faz muito bem para a nossa saúde” não divulgar nada sem apurar e conhecer a realidade dos fatos, bem como checar a pureza da fonte daquilo que consumimos e compartilhamos. Essa sugestão vale para o lado pessoal e, principalmente, para o organizacional, já que a imagem da instituição é importante patrimônio imaterial. Todos nós somos responsáveis pelos conteúdos que lemos e replicamos.

 

 

 

 

 

O Coronel do Exército Brasileiro Helder Lima de Queiroz é graduado em Publicidade e Propaganda, especialista em Comunicação Social, pelo Centro de Estudos de Pessoal, e pós-graduado em Comunicação e Marketing Institucionais.
Como Oficial de Estado-Maior, foi chefe das Seções de Comunicação Social do Comando de Aviação do Exército, situado em Taubaté-SP; da 8ª Região Militar e 8ª Divisão de Exército e do Comando Militar do Norte, ambos situados em Belém-PA.
Foi Diretor do Parque Regional de Manutenção da 7ª Região Militar, quartel do Exército sediado em Recife-PE, nos anos de 2016 e 2017.
Atualmente, o Coronel Helder serve no Gabinete do Comandante do Exército, no Centro de Comunicação Social do Exército, sediado em Brasília-DF.

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Conflitos Geopolítica Terrorismo

Facebook foi crucial para limpeza étnica do século XXI em Myanmar

Rede social foi a correia de transmissão do discurso islamofóbico do clero budista. ONU vê indícios de genocídio na atuação sistemática do Exército birmanês

Os dez aldeões assassinados na única chacina que o Exército birmanês admitiu ter cometido. Os jornalistas da Reuters que a investigavam estão na prisãoVer galeria de fotos
Os dez aldeões assassinados na única chacina que o Exército birmanês admitiu ter cometido. Os jornalistas da Reuters que a investigavam estão na prisãoREUTERS
Khaleda Begum tem flashbacks. Às vezes a cabeça lhe trai e ela revive o assassinato dos seus pais. Conta que os soldados birmaneses convocaram todo o povoado, os homens e as mulheres. Os moradores achavam que iam a uma reunião comunitária, mas começaram a matá-los. A tiros. A golpes de facão. Os soldados subiam nas árvores para disparar. Era por volta de meio-dia. Os militares acusavam os aldeões de esconderem insurgentes. “Não sei nada sobre eles”, insistia e insiste ela. Khaleda sobreviveu. E fugiu. Esta rohingya atualmente recebe tratamento psicológico em um campo de refugiados de Bangladesh. A violência extrema desatada a partir de agosto pelos militares, com a colaboração de turbas budistas inflamadas por monges xenófobos através do Facebook, representa o apogeu de um sistemático processo de perseguição dessa minoria muçulmana que começou nos anos setenta.

Primeiro a ONU e depois os Estados Unidos acusaram o Exército de Myanmar de violar a legislação internacional e perpetrar uma limpeza étnica. O enviado das Nações Unidaspara a prevenção do genocídio, Adama Dieng, suspeita de algo ainda mais grave: “A informação que recebi indica que a intenção dos perpetradores era limpar o Estado de Rakhine da sua presença, talvez até mesmo destruir os rohingyas como tais, o que, se ficar comprovado, significaria um crime de genocídio”, declarou Dieng no mês passado após visitar os membros dessa minoria muçulmana em Bangladesh.

As autoridades de Myanmar negam quase todas as acusações. Só reconheceram uma matança, a de Inn Din, em 2 de setembro de 2017. Justamente a que era investigada por dois jornalistas locais da Reuters encarcerados desde dezembro. A agência de notícias documentou a execução extrajudicial de 10 aldeões muçulmanos acusados de terrorismo. Sete soldados foram condenados nesta terça-feira a 10 anos de trabalhos forçados pelo massacre, informou o Exército pela via que usa habitualmente para seus anúncios oficiais: um post no Facebook.

A liberdade de expressão, os telefones celulares e essa rede social são algumas das novidades que a democratização trouxe para este país de maioria budista. “Temo que o Facebook tenha se transformado numa fera, o que não era a intenção original”, declarou a investigadora da ONU para Myanmar, Yanghee Lee, em março em Genebra. Os especialistas no país concordam que o Facebook foi a grande correia de transmissão do ódio em Myanmar – a versão 2.0 da rádio Livre das Mil Colinas no genocídio de Ruanda, em 1994.

Lá Internet significa Facebook. Os birmaneses não navegam na web, não vão ao Google, e sim à rede social, que até as instituições usam. Depois que Mark Zuckerberg se gabou numa entrevista, a propósito do escândalo pelo suposto vazamento de dados, sobre a suposta eficácia da sua empresa em detectar e eliminar os discursos que incitam ao ódio no país asiático, um grupo de empreendedores e representantes da sociedade civil birmanesa publicou uma carta aberta acusando-o de ter feito vista grossa às advertências que eles mesmos lhe enviaram. Os signatários insistiram para “investir mais em moderação”, sobretudo em lugares como Myanmar, “onde o risco de que os conteúdos do Facebook desatem a violência aberta é agora maior do que em qualquer outro lugar”.

O ministro birmanês do Bem-Estar Social, Win Myat Aye, ouve um refugiado rohingya durante uma visita a Bangladesh, nesta quinta-feirahttps://siaple.elpais.com/elpais/2018/04/11/album/1523441605_768645.html
O ministro birmanês do Bem-Estar Social, Win Myat Aye, ouve um refugiado rohingya durante uma visita a Bangladesh, nesta quinta-feira MUNIR UZ ZAMAN AFP

A carta é ilustrada com mensagens quase idênticas em que um budista (ou um muçulmano) alerta a um correligionário que a outra comunidade vai cometer um ataque em Rangum em 11 de setembro e termina com um “por favor reenvie esta mensagem aos nossos irmãos”.

Zuckerberg se desculpou com esses grupos da sociedade civil birmanesa e nesta semana anunciou que o Facebook reforçará seus mecanismos contra o discurso xenófobo em Myanmar e analisará possíveis mensagens de ódio em 24 horas. Também prometeu contratar dezenas de falantes de birmanês porque, segundo ele, a rede “precisa redobrar dramaticamente seus esforços por lá”. O fundador do Facebook disse ao Congresso dos EUA que também em Myanmar sua empresa deve “fazer mais” esforços.

A especialista no estudo do genocídio ressalva que “se não tivesse havido o Facebook seriam usados outros meios de propaganda”. “A imprensa estatal é muito poderosa aqui, mas o Facebook certamente desempenhou um papel significativo possibilitando a difusão de discursos que incitam ao ódio e o medo, e inflamando o ódio nas comunidades a grande velocidade”.

clero budista foi um dos setores que mais estimularam o ódio e as ofensas entre comunidades, ao insistirem em que os rohingyas, que são muçulmanos e apresentam taxas de natalidade mais altas, significam uma ameaça para o budismo majoritário. As autoridades proibiram o monge birmanês mais famoso, o ultranacionalista Ashin Wirathu, de pregar durante um ano, como punição pelo ódio que destilava em seus sermões. O veto expirou em março.

Impregnou-se a ideia de que o inimigo número um são os rohingyas, não os militares, como antigamente. Ao receio em relação ao islamismo se somam os medos históricos. Os rohingyas lutaram com os britânicos na Segunda Guerra Mundial, e os budistas, com os japoneses.

A Iniciativa Internacional para os Crimes Estatais (ISCI, na sigla em inglês), da Universidade Queen Mary, de Londres, publicou em 2015 um relatório com um título eloquente: Contagem Regressiva para a Aniquilação. Genocídio em Myanmar. Seus autores afirmavam então que “os rohingyas enfrentam potencialmente as duas fases finais do genocídio: a aniquilação maciça e seu apagamento da história coletiva”. Alicia de la Cour Venning, coautora daquele relatório, explica em entrevista telefônica de Rangum, a maior cidade de Myanmar, que “o genocídio é um processo que pode durar anos. Nem sempre é linear, às vezes as fases se sobrepõem. Mas todos os genocídios seguem o mesmo padrão”. A ISCI o define em seis fases: desumanização, perseguição, segregação, debilitação sistemática do grupo, aniquilação maciça e eliminação da história comum. A pesquisadora detalha como as autoridades de Myanmar, de maioria budista, tratam essa minoria muçulmana como estrangeiros, impedem seu acesso a escolas e hospitais, os confinam em acampamento ou povoados-prisões… Uma evolução que, segundo ele, acelerou-se com a transição para a democracia.

Como o acesso da imprensa e das ONGs ao Estado de Rakhine está muito restrito, é difícil avaliar com precisão as consequências da campanha militar empreendida pelo Exército em represália por um ataque de rohingyas a delegacias de polícia que causou a morte de 12 agentes, em agosto. A ONU suspeita que houve “planejamento” por parte dos militares, que “reforçaram sua presença antes dos ataques do ARSA (um grupo armado rohingya)”. A ONG Médicos Sem Fronteiras calcula que no mês seguinte 9.400 rohingyas morreram, sendo 6.700 diretamente pela violência (70% a tiros, 10% queimados vivos, 5% espancados, 2,6% estupradas…). O cálculo se baseia na pesquisa com sobreviventes nos campos de refugiados de Bangladesh, para onde 700.000 pessoas fugiram em poucas semanas.

Reduwna, de 18 anos, destaca-se entre os seus por ter concluído o ensino fundamental. Fingiu ser de outra etnia. Conta que “quando os militares começaram a estuprar as mulheres”, estas fugiram para a mata, onde se esconderam por vários dias. “Cruzamos 17 povoados para chegar aqui, demoramos 22 dias”, relata essa voluntária rohingya da ONG Danish Refugee Council no campo de Kutupalong. Diz que alguns moradores ficaram. “São ricos que tinham propriedades, iam dando-as” aos agressores.

Dos 1,2 milhão que viviam em Myanmar, restam 500.000 depois do êxodo, incluídos 120.000 encerrados em campos de detenção, e outros milhares confinados em suas aldeias. Como as autoridades os privaram da cidadania birmanesa em 1982, são excluídos dos serviços educacionais e sanitários. Subsistem em condições muito precárias. Também lhes negam o nome. Nem a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, principal autoridade do país, nem a maioria dos birmaneses pronunciam a palavra rohingya. Chamam-nos de bengaleses ou kalar(um termo depreciativo para muçulmano). Consideram-nos imigrantes de Bangladesh, onde o islamismo é majoritário.

Aquela que começou em 2010 como uma promissora democratização – os militares surpreenderam o mundo ao darem lugar a um Governo civil a com a ex-dissidente Aung San Suu Kyi, abrindo assim ao mundo o último grande mercado da região – foi sacudida pela brutal ofensiva militar e a fuga maciça da minoria muçulmana. Os Estados Unidos impuseram sanções a alguns generais. A Comissão Europeia criticou as graves e sistemáticas violações de direitos humanos e propuseram sanções a chefes do Exército. As potências ocidentais mantêm um frágil equilíbrio porque temem que, se forem muito duras com as autoridades birmanesas, jogarão o país para os braços da China, fiel aliada na ditadura e agora na abertura econômica.

A especialista De la Cour diz que os perpetradores “às vezes promovem matanças para testar a reação popular, porque precisam que os locais sejam cúmplices ou participem, como vimos na Alemanha, Ruanda e Bósnia”. Afirma que “as matanças de outubro de 2016 foram um teste, não houve reação da comunidade internacional. O chefe das Forças Armadas foi recebido pouco depois na Alemanha e na Áustria”.

Só o Conselho de Segurança da ONU poderia submeter os líderes de Myanmar ao Tribunal Penal Internacional, já que o país não está vinculado à corte. Mas o veto chinês é quase seguro. Na opinião da pesquisadora da ISCI, “os mecanismos legais são totalmente inadequados porque não podem prevenir um genocídio, mesmo se houver sinais de alerta”.

“Enquanto não pararem de matar as pessoas e estuprar as mulheres não podem voltar”, conta, chorosa, a jovem Reduwna. Se retornar, nem sequer está claro que encontrará sua aldeia. As imagens de satélite analisadas pela Anistia Internacional indicam que os militares estão demolindo alguns povoados que já haviam danificado, reconstruindo infraestruturas e repovoando as áreas com birmaneses de outras etnias. Como se os rohingyas nunca tivessem existido.

Fonte El Pais

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"Foi uma execução. E nada justifica," afirma Etchegoyen sobre Marielle

Ministro-chefe do GSI diz que a polícia deve trabalhar com todas as possibilidades para chegar aos autores do crime contra a vereadora Marielle Franco. Para ele, a intervenção federal no Rio de Janeiro foi a opção que restou para controlar a violência no estado.

Leonardo Cavalcanti PT Paulo de Tarso Lyra

postado em 17/03/2018 08:00 / atualizado em 17/03/2018 00:33

 
(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil )
(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil )

Dois dias depois do assassinato da vereadora do PSol-RJ Marielle Franco, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, é taxativo: foi uma execução. Em entrevista exclusiva ao Correio, um dos homens fortes do governo Michel Temer e mentor da intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro vai além, apontando para camadas reacionárias que minimizaram o episódio. “Tenha sido ela mais ou menos agressiva, aguerrida, não interessa. Não há nada que justifique a execução, ela tinha a idade das minhas filhas”, resumiu.

O general, de 66 anos, assessor direto de Temer nas questões de segurança, afirma que o delegado responsável pela investigação precisa colocar à mesa todas as opções possíveis, sem descartar nada. A única convicção de Etchegoyen é que é uma loucura achar que o assassinato foi realizado para enfraquecer a ação das forças de segurança no Rio. “(Era) uma vereadora contra a intervenção. Estamos fazendo política rasteira em cima de um cadáver trágico. Eu achava que haveria uma reação à intervenção. A reação que eu estava imaginando era mais confronto entre facções, porque, quando você intervém, reduz o espaço dessa gente”, justificou.

Etchegoyen também não hesita em defender a atuação no segundo maior estado do país. “Eu vejo a intervenção como o que sobrou. O governo se envolveu lá atrás, investiu dinheiro, decretou a garantia da lei e da ordem e liga a televisão durante o carnaval, e acontece o que aconteceu? Quem estava cuidando do Rio de Janeiro?”, questionou com a habilidade, inclusive, para escapar das críticas de açodamento. “Em qualquer tempo, nós teríamos dificuldade. Se nós parássemos para planejar isso um mês depois, seria mais um mês perdido. Na consideração política, o tempo é uma variável”. Veja a seguir os principais trechos da entrevista:

O crime contra a vereadora tem todas as características de execução…
Não tem todas as características, foi uma execução. As razões para aquela execução, eu acho que não é prudente abandonar nenhuma. Eu, se fosse o delegado, deixaria todas em cima da mesa e iria afastando. Isso aconteceu há dois dias, com que velocidade anda a polícia técnica, os exames balísticos, a verificação de todas as câmeras? Tem que ouvir gente. Discorde-se ou se concorde, a moça tem a idade das minhas filhas. Tenha sido ela mais ou menos agressiva, aguerrida, não interessa, não há nada que justifique a execução. Não há nada que justifique que a execução de um adversário é uma opção presente no campo político. O que justifica no jogo político em um país sadio utilizar a execução? Porque compensa. Vamos imaginar a prisão dos assassinos neste momento, agora. O que vai acontecer? Eles vão ser presos preventivamente, vai se discutir quanto tempo essa prisão vai levar, vai haver uma investigação e eles vão ser julgados. Quando? Daqui a um ano e pouco, dois anos, vamos imaginar que ande rápido pelo clamor, mas eles continuam soltos, aí vão para a segunda instância, tem mais um período para caminhar. Vai se discutir se na segunda instância podem ser presos ou não, vamos para a terceira instância e vai até o trânsito em julgado, lá na frente. Quando chegar ao trânsito julgado, cinco ou seis anos, não sei ser otimista, nem pessimista, mesmo porque não sou advogado. Eles foram condenados a 30 anos, o máximo, vão cumprir 1/6 da pena e aí começa a progressão, eles vão cumprir cinco anos. Se tiver biblioteca vai reduzir mais um pouquinho e vão cumprir três anos. É com isso que nós estamos lidando.O senhor está dizendo que esse ato vale a pena.

91,5% dos casos não são descobertos. O dela, pelo clamor, as pessoas que dependiam do trabalho dela certamente vão ajudar, tem o disque denúncia. Eu sou otimista, acho que se chega aos pervertidos, em quem fez isso. Pega um cidadão que coloca essa opção de execução de alguém como uma opção disponível, essa pessoa que acha que é uma coisa da vida dela, botar um fuzil, seguir alguém e fazer a execução que fez. Tente se colocar nessa situação, uma pessoa que é capaz de fazer um negócio desse, qual a expectativa de vida que ela tem? Será que não tem consciência que, com o tipo de vida que leva, daqui a pouco é a vez dela? Eu imagino que quem está em uma vida dessa, a qualquer momento… O cara olha para o horizonte dele, lá na frente vai pegar cinco anos de cadeia na pior hipótese.No meio político começou a circular uma versão de que a inteligência trabalha com a possibilidade de o assassinato ser uma reação à intervenção…

Se isso fosse verdade, teríamos a inteligência mais burra do mundo. Não é possível, uma burrice monumental. Dois dias depois, sabemos a linha. Matou-se uma adversária da intervenção para protestar contra a intervenção? Mataram uma menina que tinha uma atuação política que incomodava muita gente e podia incomodar ao máximo, nada justificava uma torpeza dessa. Tem um lado muito triste, nós estamos fazendo política rasteira em cima de um cadáver trágico. Eu achava que haveria uma reação à intervenção. Mas não isso.E qual seria essa reação?

A reação que eu estava imaginando era mais confronto, porque, quando você intervém, reduz o espaço dessa gente. O problema do Rio é que é o único lugar do mundo que o domínio de uma atividade criminosa implica no domínio de um território. Por isso tem fuzil lá porque é com fuzil que se detém território, não é com pistola. O fato de o Rio de Janeiro ter essa característica, e coloca uma intervenção, a polícia para subir o morro, bota as Forças Armadas para cercar o morro, começa a reduzir o espaço. Desde o ano passado, a gente, o governo, vem fazendo operação em círculos externos do Rio de Janeiro, da linha imaginária. Assunção, Santa cruz, Lima, Bogotá. Esse circo externo, eles negaram muita logística. Vou dar um dado para vocês. Vou pegar o exemplo da Amazônia. Em 2016, foram aprendidos na ordem de 6 toneladas de droga. Em 2017, 22 toneladas. Em janeiro de 2018, 8 toneladas, porque nós aumentamos a pressão na fronteira. Essa droga produz dinheiro, que vai produzir arma. Foram apreendidas mais de 700 armas. Mais de 100 mil cartuchos de munição, mais de cento e tantas toneladas de maconha e de cocaína. O Rio de Janeiro está ficando asfixiado, e com a presença policial, agora, mais dura.

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Qual a reação que o senhor imaginava?

Um choque entre as facções. Ou elas vão se unir, ou disputar, ou virá apoio de fora. E aí, você já deve ter ouvido a história do PCC chegando ao Rio de Janeiro. Muito mais organizado que o Comando Vermelho. O PCC é uma estrutura departamental clássica. O comando vermelho é mais uma confederação. Enfim, imaginava-se que podia haver esse choque.As regras sobre a atuação nos morros mudarão?

Tem que haver essa mudança na legislação e acho que está andando. O congresso elegeu um pacote que é chamado Pacote de Segurança Pública coordenado pelo Alexandre Moraes, do STF, e ele está andando.Do ponto de vista do serviço de inteligência, a intervenção é viável?
Eu vejo a intervenção como aquilo que sobrou. Como a gente atua na intervenção? A Agência Brasileira de Inteligência é o órgão central do sistema brasileiro de inteligência. É o órgão que tem que integrar todas as inteligências que trabalham, e são muitas, 32, em benefício, nesse caso específico, da intervenção. Quais são as inteligências? Policial, , ANTT, Defesa, polícia estadual, Polícia Federal, toda essa estrutura é integrada pela Abin.

A Abin coordena?

A Abin responde à orientação que recebe. A competência, do ponto de vista do conhecimento, está lá. Esse é o papel que a gente desempenha na intervenção. É um fato administrativo, e isso tem sido pouco compreendido, não quer dizer que a culpa é de quem não compreendeu, às vezes, a culpa é de quem está falando. A intervenção é um ato administrativo, chegaram ao Rio,  tiraram a fatia de poder correspondente à polícia, segurança pública e administração penitenciária e nomearam um governador. De fato, tem dois governadores, um que governa tudo, menos isso, e outro que governa segurança pública e administração penitenciária, é muita coisa. Esse governador do Rio de Janeiro não recebeu nenhum poder extraordinário, não recebeu nada além do que está na Constituição do Estado que diz respeito a isso. As Forças Armadas não receberam mais competência do que têm com a garantia da Lei e da Ordem, que foi contínua desde julho do ano passado. A Polícia Militar e a Civil continuam com suas competências preservadas e fazem o trabalho delas. O problema todo era gestão, credibilidade de um sistema de gestão, de modelo. Existem problemas nas polícias do Rio? Óbvio, mas voltamos à questão da gestão, como lidar com eles. Aí você coloca um interventor que não tem compromisso nenhum com a próxima eleição nem com partido nenhum. Se o presidente coloca na intervenção do Rio de Janeiro a dona Maria ou seu João, alguém vai se lembrar que eles tinham uma ligação com o deputado fulano, vereador sicrano. Num momento extremamente complicado que estamos vivendo, tem que colocar alguém crivelmente neutro. O problema do Rio, o que aconteceu no carnaval, o gatilho que disparou a intervenção, foi a não foto, não filme. O governo vem investindo, desde muito no Rio, o que não tinha para investir.Como assim?

Foi a primeira vez que o governo se envolveu, investiu dinheiro, colocou meios, decretou a garantia da lei e da ordem, colocou uma coisa tão longa trabalhando nisso em cima da garantia da ordem lei e da ordem que é desgastante, trabalhosa. E aí, liga a televisão durante o carnaval, e acontece o que aconteceu. Tinha claramente um vazio. Quem está cuidando do Rio? Será que é o primeiro ano que teve carnaval? Não era previsível que fôssemos ter problemas no carnaval?Não foi muito rápida essa decisão, como no improviso?

Eu acho que o tempo é uma decisão política. Eu não sei responder sobre a decisão política do Temer. Em qualquer tempo, teríamos dificuldade. Se nós parássemos para planejar isso um mês depois, seria mais um mês perdido. Na consideração política, o tempo é uma variável.Em cima da banda podre das polícias e das milícias, não deveria ter sido uma ação efetiva no primeiro momento?

Por que não é? Eu não vi publicado, também não ouvi, mas não tenho dúvida de que estão tratando. No segundo dia da intervenção foram presos um agente penitenciário, um delegado da Polícia Civil e cinco policiais ligados ao crime organizado. A primeira coisa que fizeram foi mudar os comandos. As figuras que foram colocadas ali, toda a sociedade aprovou, tem uma mensagem muito clara, não estou comparando com os outros. Aqui existem pessoas de conduta irretocável, aprovadas pela sociedade, por diversas organizações civis, esse é um grande recado. Agora, você pode decretar um ato institucional número 1, sair caçando todo mundo ou vai produzir investigação, dar o direito contraditório de defesa, fazer um devido processo legal e tomar as providências?Nesse processo, avançou-se em relação às corregedorias, por exemplo?

As corregedorias foram contratadas com o governo do Rio. Em janeiro, assinou o memorando de entendimento e o item número 1 era a criação de corregedorias, autônomas, mais independentes. A corregedoria da PM está na PM, a corregedoria da Polícia Civil está na Polícia Civil e tinha a terceira corregedoria na Secretaria de Segurança Pública. Lá atrás, antes da intervenção federal, foi acertado com o governador do estado que essas corregedorias seriam autônomas e independentes. Já tem um compromisso do estado para fazer isso.
 
Fonte: Correio Braziliense

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Potências ocidentais pedem que Rússia explique ataque com agente nervoso contra ex-espião

 Redação Reuters
 Membros dos serviços de emergência usam roupas de proteção perto do banco onde o ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia foram encontrados envenenados em Salisbury, no Reino Unido 13/03/2018 REUTERS/Henry Nicholls

LONDRES (Reuters) – Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e França se juntaram nesta quinta-feira para pedir à Rússia que explique um ataque tóxico de grau militar a um ex-espião russo na Inglaterra que, segundo eles, ameaça a segurança ocidental.

Após o primeiro uso conhecido em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial de um agente biológico que atua sobre o sistema nervoso, o Reino Unido culpou a Rússia e deu uma semana para que 23 russos —que disse serem espiões trabalhando sob cobertura diplomática na embaixada em Londres— deixem o país.

A Rússia negou qualquer envolvimento no envenenamento. O ministro do Exterior, Sergei Lavrov, acusou Londres de comportar-se de modo “grosseiro” e sugeriu que isso se devia parcialmente aos problemas que o Reino Unido enfrenta sobre sua saída planejada da União Europeia no próximo ano.

A Rússia rejeitou as demandas do Reino Unido para explicar como o Novichok, um agente tóxico desenvolvido primeiramente pelo exército soviético, foi usado para atingir Sergei Skripal e sua filha Yulia na cidade inglesa de Salisbury, no sul do país.

“Pedimos à Rússia que responda a todas as questões relacionadas com o ataque”, afirmam o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra britânica, Theresa May, em seu comunicado conjunto.

“É um ataque à soberania do Reino Unido”, disseram os líderes. “Isso ameaça a segurança de todos nós.”

Embora o comunicado indique uma resposta mais coordenada dos aliados mais próximos do Reino Unido, ele não contém qualquer detalhe sobre medidas específicas que o Ocidente tomaria se a Rússia não atender às demandas.

Os líderes ocidentais disseram que o uso da toxina Novichok é uma violação clara da Convenção sobre Armas Químicas e do direito internacional.

Eles exortaram a Rússia a fornecer as informações completas do programa Novichok à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) em Haia.

A Rússia diz que não sabe nada sobre o envenenamento e repetidamente pediu ao Reino Unido que forneça uma amostra do agente nervoso que foi usado contra Skripal.

Fonte: Reuters

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Isolada da Europa e dos EUA,  Tereza e Grâ Bretanha não tem poder para ameaçar Putin

A expulsão dos diplomatas russos após o envenenamento de um agente duplo é sem precedentes desde a Guerra Fria, mas causará poucos danos à Rússia. E por que Benjamin Netanyahu está em silêncio?

 

Theresa May, U.K. prime minister, during a meeting Luxembourg's prime minister in London, U.K. on March 14, 2018.
 Bloomberg
 

Anshel PfefferAnshel Pfeffer

O anúncio da primeiro-ministra britânica, Theresa May, na quarta-feira , que referia-se como “altamente provável” que a Rússia estivesse por trás da tentativa de assassinato de um ex-agente duplo e sua filha já era esperado.

A expulsão de 23 diplomatas russos acusados ​​de atividade de inteligência secreta na Grã-Bretanha – as sanções anunciadas em maio em resposta ao agente nervoso “militar” usado em Sergei Skripal e sua filha Yulia na cidade inglesa de Salisbury há uma semana e meia – é sem precedentes desde a Guerra Fria, mas não é um golpe importante para o Kremlin.

Moscou anunciará em breve uma expulsão recíproca de diplomatas britânicos e seus interesses não serão prejudicados pela cessação de contatos de alto nível com o governo britânico.

May não anunciou o confisco de ativos dos cidadãos russos em bancos britânicos ou um boicote à final da Copa do Mundo da FIFA na Rússia neste verão. Ela apenas observou que nenhum membro da família real estaria assistindo os jogos. Pelo menos, “pelo menos”, a Rússia não vai ter que pagar pela ação descarada de tentativa de assassinato matar em plena luz do dia – e expor centenas de civis britânicos, policiais e pessoal médico a uma substância mortal.

Como resultado do processo de separação da Europa com o Brexit, a Grã Bretanha só não está tão isolada quanto esteve nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. As esperanças de sua “relação especial” histórica através do Atlântico que encheu o vácuo, foram precipitadas pela indiferença do presidente Donald Trump , cujo porta-voz nem mencionou a Rússia na declaração inicial da Casa Branca na segunda-feira. O secretário de Estado Rex Tillerson emitiu uma condenação muito mais feroz da Rússia, mas foi demitido algumas horas depois.

Sem uma resposta contundente dos EUA, a Grã-Bretanha não terá muito mais do que palavras da OTAN. Os líderes da aliança de defesa criticaram fortemente o ataque do agente nervoso ao solo soberano de um membro da OTAN, mas é improvável que haja qualquer ação além disso. Havia um coro de apoio dos líderes da União Européia, mas a Grã-Bretanha está desajeitadamente deixando a UE e não pode esperar que ela ponha-se em risco pelos interesses do Reino Unido agora.

E o presidente russo Vladimir Putin? se fosse ele o responsável pelo assassinato, ele saberia que não poderia ter escolhido um momento mais vulnerável para a Grã-Bretanha. Os Britânicos no entanto são relutantes em atacar Putin, onde realmente dói: os bilhões que os oligarcas russos têm guardados nos bancos britânicos, imóveis e outros bens de prestígio, como clubes de futebol e jornais.Tais medidas colocariam o status de Londres como um centro financeiro mundial em um momento em que a economia já está sofrendo com o Brexit.

Existe uma bala de prata para May. Sua posição vigorosa contra a Rússia concentrou a atenção indesejada em seu oponente do outro lado da caixa de despacho no Parlamento. O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, vem vencendo a maioria dos argumentos contra May  desde sua impressionante e forte exibição nas eleições gerais do ano passado, o que forçou os rebeldes deputados de seu partido a cerra fileira logo atrás dele.

Mas a política externa anti-americana de Corbyn ainda é profundamente impopular e ele achou difícil reunir qualquer entusiasmo pelas declarações de May no Parlamento. Como ex-convidado regular no canal da Rússia Hoje do Kremlin, ele mal tentou ocultar seu ceticismo sobre a culpabilidade da Rússia. Corbyn pode ser da extrema esquerda, mas suas posições no Kremlin são muito mais reminiscentes à Trump. Após a aguda resposta de Corbyn à Primeira-ministra, vários antigos membros da bancada dos Trabalhistas levantaram-se para elogiar os sentimentos de Mayno que era uma acusação condenatória de seu próprio líder. A Primeira-Ministro talvez não possa confiar nos aliados estrangeiros da Grã-Bretanha para se juntar a ela e  enfrentar a Rússia, mas pelo menos Putin ajudou a dividir de novo o Partido Trabalhista de Corbyn.

Enquanto isso, outro aliado britânico está desaparecido. Um líder proeminente que, no passado, alertou rapidamente sobre as armas de destruição em massa nas mãos de estados mal-intencionados e que no início da carreira marcou o envolvimento da Rússia no patrocínio de grupos terroristas, ficou notavelmente silencioso desde a envenenamentos de Salisbury. Sim, é o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu, que não disse uma palavra de apoio para a Grã-Bretanha ou uma condenação à Rússia em todo esse tempo.

O silêncio de Netanyahu sobre a Rússia não é novo. Ele nunca criticou publicamente Putin, com quem ele se dá tão bem. O mesmo padrão ocorreu exatamente quatro anos atrás, quando todo o mundo ocidental e todas as democracias condenaram ferozmente a ocupação e anexação da Rússia da Crimeia da Ucrânia. Mesmo quando a administração de Obama implorou que Israel fizesse uma declaração, o que surgiu foi uma exortação geral “para ambos os lados” para resolver suas diferenças de forma pacífica. Israel, que se orgulha sempre de apoiar os EUA nas Nações Unidas, estava ausente do voto de condenação na Assembléia Geral.

Nenhum político em nenhum país tem sido mais eloquente do que Netanyahu nos perigos das armas nucleares, biológicas e químicas nas mãos de atores estatais e organizações terroristas. O fato de que ele não pode reunir uma declaração simbólica sobre a tentativa de assassinato em Salisbury e a situação da aliada de Israel, a Grã-Bretanha mostra exatamente o quanto ele agora está sujeito a Putin, a força dominante no Oriente Médio. É também uma acusação condenatória de quão mal tanto Obama como Trump derrubaram seus aliados.

Fonte: Haretz