Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa MBT Brazil Sistemas de Armas Tecnologia

MBT BRASIL: MITSUBISHI HEAVY INDUSTRIES TYPE 10

Type 10

Type-10-MBT (5)Autor: Edilson Moura Pinto

 Matéria produzida em parceria com o Site Warfare

Acompanhe a série de reportagens no MBT BRASIL clicando aqui

Type-10-MBT (15)
PREFÁCIO

 

O carro de combate TK-X, também conhecido como o Type 10, é o mais recente desenvolvimento das forças terrestres japonesas no tocante aos MBT. Este novíssimo veículo de combate “peso leve” que junto com o Sul Coreano K-2 formam na atualidade os únicos MBT 4ª Geração em estágio operacional, são as referencias mundiais para  o desenvolvimento de carros de combate, embora, para alguns críticos, a primazia de tal feito seja creditada ao modelo japonês em função das suas reais características.

O Type 10 é a resposta japonesa para a guerra centrada em rede em ambiente no cenário do futuro e certamente é um divisor de águas no que tange ao desenvolvimento das novas famílias de carro de combate mundo a fora ao inaugurar uma nova era para os MBT. significativamente mais leves que seus concorrentes.

Segundo alguns especialistas, o veículo foi projetado para ser mais leve, a fim de cumprir as leis e normas das estradas japonesas. O novo MBT pode ser transportado em veículos de transporte comerciais e dispõe de modernos sistemas opto eletrônicos que o resguardam de uma capacidade muito superior aos veículos Type 90 os quais, vieram substituir.

O Type 10, destaca-se em inúmeros fatores, as capacidades incluídas no projeto, que se por um lado não eram objeto principal do programa, por outro, resultaram em características excepcionais ao veículo, tais como: mobilidade e agilidade, dimensionamento para combates em perímetros urbanos e casco projetado para aumentar os índices de reflexão balística com o mínimo de emissões reflexão Infravermelho e RCS.

Todas essas qualidades o garantem um maior índice de sobrevivência no campo de batalha moderno que agora enfrenta em outro campo um adversário nas decisões políticas e estratégicas da defesa japonesa, ameaçando a sua supremacia frente aos potenciais adversários regionais. Neste artigo como em todos da série MBT Brasil apresentaremos o Type 10 a mais nova arma das unidades de cavalaria blindada japonesas.

Type-10-MBT (6)
TK-10 o protótipo apresentando no ato da execução dos ensaios de campo

 A ORIGEM

Em 15 de dezembro de 2001, o governo japonês aprovou um novo plano de aquisições de médio prazo para a Força Terrestre de Auto Defesa Japonesas (JGSDF). O montante de recursos totalizava cerca de US 223,6 bilhões. 

Os projetos de pesquisa foram planejados para execução em cinco anos e, neles era incluindo o desenvolvimento de um novo MBT (Main Battle Tank- Carro de Combate Principal)  com capacidades de sobrevivência em teatro de operações apto a executar comando e controle avançados, C4I.

De ressalto, a Mitsubishi Heavy Industries (MHI) foi contemplada como a principal contratante para o desenvolvimento do novo veículo até então chamado TK-X, cuja produção prevista teria inicio em 2010-2011. Tal projeto contava com a participação de um grupo de cerca de 1300 companhias japonesas.  

O custo de desenvolvimento a partir de 2008 foi avaliado em aproximadamente US$ 447 milhões e cada veículo custaria algo em torno de US$ 6,5 milhões. Segundo o livro branco da defesa japonesa o custo unitário dos veículos para o ano fiscal de 2014 circundava a casa dos US$8,5 milhões, valor considerado adequado em vista do corte na produção que reduziu o número de pedidos do MBT pelo JGSDF.

Type-10-MBT (20)
A Mitsubishi Heavy Industries foi lograda como a principal contratante para o desenvolvimento do novo veículo até então chamado TK-X cuja produção prevista teria inicio em 2010-2011.

O desenvolvimento do novo MBT foi iniciado pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (TRDI) em 2002. Um protótipo do veículo foi completado em 2006 e muitos dos sistemas embarcados no Type-10 tiveram seus desenvolvimentos iniciados uma década antes (1990), enquanto outros, em  2000, de forma independente por seus produtores.

O veículo, só foi revelado pela primeira vez ao público em 2008 e segundo as informações do JGSDF, em 2010 o Ministério da Defesa Japonês havia ordenado à aquisição de 13 veículos, os testes de corrida foram realizados ao longo de 2007 e 2008.

Type-10-MBT (18)
Em exibição ao público o Type 10 demonstra a sua capacidade de manobra, uma das características que o tornam único entre os atuais MBT.

Nesse mesmo período foram realizados  ensaios de disparo e combate em ambiente coordenado em redes. O TRDI completou o desenvolvimento do veículo  em 2009 e este começou a ser produzido em série a partir de 2010.

As informações do Ministério da Defesa Japonês atestam que o JGSDF reconheceu formalmente o Type 10 Hitomaru-shiki sensha, em dezembro de 2009 e em 2010, as diretrizes orçamentárias e o plano de renovação da JGSDF previam a  aquisição de 600 veículos do modelo.

Type-10-MBT (1)
Revelado pela primeira vez ao público em 2008 o Type 10 entrou em produção seriada a partir de 2010.

As primeiras unidades entraram em serviço nas Forças de Auto Defesa Terrestres Japonesas (JGSDF) em meados de 2012, substituindo os envelhecidos MBT Type 74 e completando as unidades compostas pelo mais recentes Type 90.

Devido às restrições impostas pelas leis japonesas remanescentes dos acordos pós – Segunda Guerra Mundial, o Japão não poderá exportar esse veículo de combate.

GALERIA DE IMAGENS

Talvez a mais notável característica do veículo seja credenciada a sua manobrabilidade e sua leveza. O Type 10 é o mais leve veículo  de combate de sua categoria e o segredo para tal feito, reside na blindagem que compõe o casco.

Embora o Type 90 fosse considerado um MBT adequado para o seu tempo, o JGSDF encontrava uma grande dificuldade para operá-lo, especialmente quando se tratava da mobilidade das colunas de blindados. Segundo relatos, em certas condições as torres dos Type 90 tinham que ser removidas para se adequarem ao transporte sobre rodas e mesmo a malha férrea japonesa.

A evolução da arma blindada japonesa, ao fundo o Type 74, ao meio Type 90 e a frente o novíssimo Type 10.
A evolução da arma blindada japonesa, ao fundo o Type 74, ao meio Type 90 e a frente o novíssimo Type 10.

Para o cenário previsto de crescente ameaça chinesa, que passava por uma reestruturação de suas forças blindadas com o desenvolvimento e expansão das suas unidades no final dos anos 90, o Japão se via impelido em responder de forma contundente a uma hipotética ameaça e, para tal,  necessitava de uma arma blindada móvel, leve e capaz de reagir prontamente em qualquer parte do seu território. Adicionalmente, o novo veículo deveria possuir a capacidade de combate centrado em redes.

O programa era pautado na premissa de que as Forças japonesas de então, seriam por si só, superiores as do seu maior adversário regional e potencial, a China.  Acreditava-se que uma força compacta de cerca de 600 novos MBT a frente de forças mais robustas, compostas de veículos Type 90, seriam suficientes para conter o hipotético avanço de forças mecanizadas chinesas em seus territórios.

Julgava-se que ao possuir a capacidade de projetar-se em determinadas regiões do pacífico se assim o fosse necessário, o Japão manteria a superioridade frente a China, e foi nesse contexto que se desenhou o Type 10, suas especificações respondiam ao cenário projetado pelos estrategistas japoneses.

VÍDEO

SISTEMAS DE ARMAS

Type-10-MBT (2)
Armado com canhão Rheinmetal L44 de 120 mm, o Type 10 exibe uma capacidade de perfuração de blindagem superior aos veículos Type 90 que o antecederam no serviço do JGSDF.

Seguindo uma tendencia mundial o MBT japonês seria equipado com uma arma principal de alma lisa de 120 mm e, como esperado, a escolha foi feita em função do consagrado canhão Rheinmetal L44  de 120 mm produzido sob licença pela Japan Steel Works. A arma é a mesma usada nos MBT Leopard 2 e M1A1 / A2, porém, o fabricante atesta que a versão japonesa possua melhoramentos.  

A MHI afirma ainda que a arma pode ser substituída futuramente pelo mais novo canhão L55 da Rheinmetal sem necessidades de grandes modificações, caso o JGSDF opte por essa decisão.

Type-10-MBT (17)
Otimizado para perímetro urbano o Type 10 é excepcionalmente manobrável e pode incorporar inúmeros itens não presentes no projeto inicial. O protótipo exposto exibe a pá do tipo “Bulldozer”.

A arma é idealizada para disparar todo o tipo de munições modernas como os APFSDS, munições perfurantes de blindagens, (pearcing armour), HEAT-MP.

A carga explosiva é a mesma adotada pelo canhão JM33 que equipava os Type 90 entretanto, apesar de utilizar a mesma carga no cartucho, o rendimento do canhão fornece perfurações mais eficientes por reduzir a perda de energia cinética no disparo, além de aumentar a precisão da munição, reduzindo a sua perda de momento ao longo da trajetória. 

O carro transporta 14 cargas armazenadas na seção traseira da torre, porém, munições adicionais são armazenadas no interior do casco do blindado.

mUNIÇÃO
O veículo é apto a dispara todas as munições 120 mm padrão OTAN, entretanto o Japão desenvolve sua próprias armas a fim de reduzir a sua dependência externa.

Relatos de especialistas  que manusearam o MBT no estágio de treino na escola de blindados japonesa, afirmam que o comando da torre elétrica pode ser acionado pelo simples movimento do dedo sobre o monitor colorido touch screen semelhante ao de um tablet ou celular, segundo informações dispostas, o operador de armas pode inclusive promover o zoom de uma imagem para efetuar reconhecimento com a mesma facilidade que um usuário seleciona a sua foto e zoom em uma selfie.

O carregador pode ser acionado enquanto o veículo efetua o movimento sobre o terreno e mesmo quando o cano executa uma varredura angular para posicionamento e novo disparo. Esta capacidade reduz o tempo de recarga e tiro aumentando a letalidade do veículo em movimento.

type-III APFSDS
Utilizando as munições APFSDS o Type consegue índices de perfuração de blindagem muito superior ao seu antecessor o Type 90.

O veículo é habilitado à disparar qualquer tipo de munição padrão OTAN atualmente empregada nos carros de combate ocidentais equipados com L-44. Entretanto, os japoneses desenvolveram uma nova carga denominada Type 3 APFSDS, da qual, até a finalização deste artigo, não fora especificado se trata-se de um penetrador de Tungstênio ou de Urânio empobrecido. Independentemente disso, o Japão possui a licença para  fabricação dos APFSDS de tungstênio alemães.

Type-10-MBT (4)
A baixa silhueta e o desenho de sua torre e casco foram projetados para otimizar o desvio de energia cinética das munições anti carro e compõe um importante item de proteção balística do Type 10.

Os diferentes tipos de munição disponíveis para a arma  são:

  • Armor Piercing (AP);
  • Armor Piercing Discarding Sabot (APDS);
  • High Explosive Anti Tank (HEAT);
  • High Explosive (HE).

A torre acionada eletricamente, possui capacidade de giro de 360 °. O sistema de carregamento é automático. A torre possui ainda um sistema duplo de atenuação de movimento que lhe permite o giro em alta velocidade, segundo informações a taxa de giro seria superior à dos MBT russos T 90MS, considerados uma das mais elevadas taxas de giro até então.

Segundo as fontes japonesas o Type 10 consegue efetuar uma rotação completa de sua torre em menos de 9 segundos, durante este tempo o carro efetua a busca e seleção dos alvos enquanto carrega o canhão e efetua dois disparos em alvos estáticos posicionados em lados opostos, inclusive contra alvos em diferentes inclinações de terrenos. 

Tudo isto, combinado com a incrível a agilidade do veículo em movimentar-se em marcha ré, lhe garantem a capacidade de ser quase impossível flanqueá-lo sem que este seja capaz de responder ao fogo, neutralizando o seu adversário.

mbt1
Item quase que obrigatório para qualquer veículo blindado existente, o canhão Rheinmetal L44 de 120 mm foi o escolhido para o projeto, entretanto a MHI afirma ser possível a conversão para o L55 sem substanciais modificações no projeto.

O armamento secundário que equipa o carro, consiste de uma metralhadora pesada HMG-M2 de 12,7 mm montada na estação do comandante do carro enquanto a arma  coaxial de 7,62 mm(Type 74) é posicionada à direita do veículo. isto significa que o comandante do veículo necessita expor o seu corpo ao exterior do veículo caso queira acionar a arma.

Esta deficiência foi constatada ao longo do desenvolvimento do carro e análises de operações das forças blindadas de Israel e Síria, bem como Ucrânia, levaram a TRDI a desenvolver uma proposta alternativa ao uso destas armas. Nos três conflitos citados , comandantes de carro foram alvejados por atiradores habilidosos devido a sua exposição desnecessária. 

Type-10-MBT (3)
Poder de fogo e precisão foram alcançados com o desenvolvimento de um sistema de suspensão e controle autônomo da torre que tornam o Type 10 um dos veículos capazes de disparar mais munições em menos tempo de giro (360º) da torre.

Como resposta, encontra-se em desenvolvimento pela TRDI de um sistema de torre giro-estabilizada, comandada remotamente, sanando esta deficiência. Adicionalmente,  a torre também é equipada com lançadores de granada de fumaça para proteção do carro.

Corrigindo distorções presentes no projeto do Type 90, os quais os visores dos comandantes apresentavam em certas circunstâncias, problemas com a sua linha de visão semi-bloqueada pelo visor do artilheiro, no Type 10, o visor é posicionado em maior elevação de modo que lhe garante uma visada de 360 ​​º completamente desobstruída.

M2 Machine Gun ou Browning .50 Machine Gun
M2HB Machine Gun ou Browning .50 Machine Gun

C 4I & OPTO ELETRÔNICOS

O projeto enfatizou a capacidade de combate C4I, prevendo melhorias na capacidade situacional da tripulação, capacidade de comandar grupos de combate, receber e enviar dados para outros veículos em tempo real. Mas também se focou na mobilidade e capacidade de aumentar o desempenho e poder de fogo.

Tanto o atirador como o comandante possuem visores infravermelhos independentes com capacidade de visão 360º capacitados a realizar busca e reconhecimento. As imagens captadas pelos visores são apresentadas num monitor de tela plana que permite aos seus operadores selecionar, ampliar e cravar imagens de modo a permitir o seu reconhecimento e registro quando necessário.

Type-10-MBT (12)
Na imagem o telêmetro laser e corretor de disparos alocados na lateral e seção superior do canhão., na posição direito o periscópio do tirador é exibido.

Com o movimento dos dedos o atirador pode selecionar alvos distintos e executar o ataque sequenciado após a escolha destes alvos, a torre e arma serão então movimentadas automaticamente  para efetuar os disparos.

O carro é  equipado com um sistema de controle de fogo capaz de rastrear e neutralizar alvos fixos e móveis, o telêmetro laser permite a correção do disparo quando o veículo estiver em movimento ou em giro de sua torre.

Sensores desenvolvidos pela empresa francesa Thales são posicionadas no cano de modo a corrigir distorções ao longo dos disparos. Um sensor atmosférico é posicionado na ré da torre, lhe conferem igualmente a correção ao longo das operações.

Type-10-MBT (21)
Nesta outra imagem e possível observar as disposições das alças optrônicas do veículo, notar a baixa silhueta da torre e a posição d arama de cano.

A estação do comandante está equipado com um visor panorâmico, montado à direita da torre. Ele fornece ao comandante a  situação do terreno exterior de  dia e noite.
Segundo informações oficiais, o veículo possui capacidade de tiro em movimento, porém apenas em condições de movimento linear, nas marchas frontais e ré, embora possa efetuar disparos com variações de elevações de relevo ao longo da corrida.

Type-10-MBT (23)
A silhueta desenhada para refletir os impactos de munições anti-carro podem ser notadas nesta imagem da torre, a semelhança desta torre com a do veículo AMX Leclerc II francês é inegável.

O MBT está equipado com um sistema de gestão digital do campo de batalha (BMS), que proporciona maior consciência situacional por exibir as informações necessárias aos tripulantes. O carro inaugura a introdução de sistemas avançados e sensores  sofisticados que o introduzem na era do C4I (comando, controle, comunicações, computadores e inteligência).

É dotado de equipamentos que lhe permitem comunicar e compartilhar informações com outros veículos em rede, ou ainda, tropas de infantaria mobilizadas no terreno ou em conjunto com regimentos de Sistema de Controle de Comando (CER) durante operações de combate integrados.

Type-10-MBT (11)
Em destaque o sistema de detecção de emissões laser logo abaixo do periscópio. Estes sensores estão dispostos em cada canto da torre do veículo.

Futuramente o Type 10 será capaz de receber e enviar dados aos helicópteros de ataque AH-64 Apache e  helicópteros de escolta armada OH-1. Atualmente um MBT pode rastrear e “plotar” o alvo para outro veículo e o disparo pode ser feito coordenado por um ou dos dois, ou mesmo por qualquer outro Type 10 que esteja no alcance dos alvos.  

Caso o veículo esteja danificado ou queira se ocultar no relevo, o disparo pode ser feito por qualquer sistemas de armas que compartilhe as informações emitidas pelo veículo. Ataques de saturação por mais de 3 veículos podem ser coordenado por um único veículo que assuma a posição de comando, isto aumenta a letalidade dos ataques e a mudança de posto de cada veículo é feita apenas com um simples toque no visor, transferindo o comando para outro veículo que estiver em rede.

MOBILIDADE E TRANSMISSÃO

O Type 10 apresenta melhorias significativas em suas capacidades de manobra, proteção, potência e desempenho de fogo, em relação a todos os veículos da geração anterior. O veículo comporta uma tripulação de três integrantes compostas pelo comandante do carro, artilheiro e motorista. A automação reduziu a necessidade de  um quarto tripulante que pode ser integrado ao veículo sempre que desejável.

Relatórios de eficiência operacional coletados em recentes exercícios, apontam que a carga de trabalho do Type 10 é elevada para os três tripulantes especialmente quando os veículos efetuam operações de reconhecimento e ataque coordenado. O volume de informações aliado a necessidade de coordenar e efetuar disparos exige a presença de um quarto tripulante, que entre outras atividades alivia a tripulação nos períodos de manutenções dos veículos em campo de batalha.

Type-10-MBT (24)
“Sentar”, “ajoelhar” são algumas das capacidades providas pelo sistema de suspensão do veículo e garantem inúmeras vantagens no campo de batalha moderno.

O veículo possui um comprimento de 9.4 m, largura de 3,2 m e 2,3 m de altura. Sua baixa silhueta completa o conjunto de medidas de proteção balística e é desenhada para refletir os disparos de armas anticarro desviando do interior do veículo.

A massa bruta é de apenas 44 ton sendo a massa que combate pode chegar a 48 ton quando acrescidas as blindagens adicionais e o carregamento das munições. Estas características o tornam um veículo facilmente transportável por rodovias e linhas férreas, bem como, por unidades aéreas e até mesmo, por caminhões de transporte comerciais. O quesito transportabilidade é inigualável por qualquer um dos modernos carros de combate existentes na atualidade.

Esta capacidade lhe permite ser implantado em uma grande variedade de missões, incluindo a guerra anti-carro, ataques móveis (Aerotransportado), ataques em conjunto com forças especiais e outras contingências.

Type-10-MBT (22)
A proteção frontal do casco e torre foram itens obrigatórios no desenvolvimento do Type 10, o veículo é considerado o que possui a melhor blindagem frontal dentre os modernos MBT.

O veículo possui um sistema de transmissão continuamente variável (Continuously Variable Transmission (CVT)), equipado com suspensão hidropneumática ativa, o que lhe permite ajustar a sua posição. Comiso o Type 10 pode”sentar”, “permanecer”, “ajoelhar-se” ou “inclinar-se” em qualquer direção. Esse recurso oferece uma série de vantagens em relação a  adequação do terreno, giro da torre e disparo da arma em situações de inclinações críticas.

O veículo é impulsionado por um motor diesel V8, que desenvolve cerca de 1200hp, conferindo-lhe uma  impressionante relação peso/potência de 27 hp / ton.  Acoplado à CVT, o sistema de propulsão do veículo lhe permite efetuar corridas de até  70 km / h à ré, um  impressionante desempenho para o carro em situação de fuga. A autonomia do veículo é de 400km em estrada pavimentada

A vantagem adicional fica por conta da capacidade do veículo fugir da ameaça mantendo a sua seção frontal mais blindada, como proteção, ao mesmo tempo que executa a corrida em marcha ré.

Type-10-MBT (7)
Se por uma lado a proteção frontal é um dos trunfos do Type 10 a proteção ao motor na retaguarda é também uma de suas maiores críticas. A MHI atualmente estuda modificações no projeto de modo a atender esta requisição do JGSDF .

O motor está localizado na extremidade traseira do veículo e é bastante grande, alguns especialistas apontam falhas no projeto pois alegam que este é deveras exposto ao fogo inimigo, especialmente a partir da retaguarda onde é mais vulnerável. A TRDI trabalha atualmente no desenvolvimento de um sistema de proteção para o motor do veículo ajustando-se as novas realidades do combate moderno.

Type-10-MBT (16)
Possuindo a formidável capacidade de deslocar-se a ré com a mesma velocidade que executa a marcha para frente o Type 10 explora no seu sistema de suspensão e transmissão inegáveis vantagens no campo de batalha.

Para alguns especialistas, a motorização associada a transmissão e suspensão do Type 10 o tornam um veículo único. Totalmente carregado, o Type 10 desenvolve velocidades de cerca de 65 a 70 km por hora mesmo em relevo acidentado.

 A sua aceleração também é  impressionante, permitindo o arranque do veículo parado para a velocidade máxima em pista em questão de segundos (alguns afirmam se tratar em 12 outros 15 segundos).

Uma outra característica surpreendente é a grande agilidade, o que torna possível  flanquear qualquer tipo de veículo adversário da atualidade. O veículo possui apenas 5 roletes, número muito inferior ao normalmente encontrado nos MBT modernos, porém esta redução é vista como benéfica pois diminui as necessidades de manutenção dando de acréscimo ao carro, a capacidade de se mover em locais apertados.

Acoplado ao sistema de suspensão dinâmica (hidropneumática), a transmissão/suspensão proporcionam ao Type 10 uma boa estabilidade no disparo da arma e na corrida em terreno acidentado, reduzindo a fadiga do veículo e da tripulação.

Type-10-MBT (14)
As linhas frontais do veículo mais uma vez demonstra a sua baixa silhueta ideal para protegê-lo de disparos de armas anti-carro.

 

 VÍDEO

[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1Gtrwvp” standard=”http://www.youtube.com/v/UTFmQzf4KAo?fs=1″ vars=”ytid=UTFmQzf4KAo&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep8155″ /]

BLINDAGEM E PROTEÇÃO

A seção frontal da torre  e o caco do veículo são protegidos por um tipo de blindagem cerâmica cujas especificações permanecem em segredo. Julga-se se tratar de materiais compostos nanoestruturados que garantem a proteção à elevados níveis. Estima-se que as laterais do casco e da torre sejam protegidos por blindagem em aço.

O veículo é equipado com “saias de proteção” aos roletes cuja parte inferior é composta por um tipo especial de borracha que atua reduzindo a assinatura infra vermelha do veículo, a seção blindada da saia oferece proteção adicional contra armas anticarro leves, protegendo o sistema de roletes e suspensão do veículo, fato este igualmente questionado pelos especialistas por alegarem uma exposição desnecessária dos roletes à média altura.

Type-10-MBT (9)
Em detalhe os detectores de emissões laser. uma vez detectado o acionamento das granadas de fumaça é automático de modo a protegê-lo.


Painéis de  dispersão para explosões são montados sobre a torre garantindo o direcionamento dos gases super aquecidos para fora do veículo, aumentando a sobrevivência da tripulação caso a torre seja atingida e as cargas explosivas acionadas na sua arca de proteção.

Type-10-MBT (8)
As saias laterais protegem o veículo com um nível de blindagem a meia altura considerado eficaz, entretanto para alguns críticos a solução de adotar as saias de borracha elimina a possibilidade de proteção dos roletes.

O carro possui diferenciados tipos de proteção para as diferentes seções as quais variam de proteção com grades, metal e cerâmicas especiais. Adicionalmente, uma blindagem modular pode ser adicionada ao veículo aumentando a sua massa total em cerca de 4 toneladas.
Seguindo a filosofia vigente na guerra fria, o veículo possui proteção NBC,  foi desenvolvido para sobreviver à guerras químicas, biológicas e nucleares. 

800px-Type_10_tank_.50_cal
Em detalhe no canto inferior direito da imagem da torre, são exibidos os quatro lançadores de granadas de fumaça, ocultados na proteção da torre de modo a reduzir as suas emissões infravermelho e RCS.

O veículo possui sistema de detecção de emissões Laser (LWS) em cada canto de sua torre, os quais acionam automaticamente o lançamento de granadas 7,66m de fumaça e dispersantes de luz.

CONTRATEMPOS

Mal os protótipos do veículo encerravam a suas campanhas de testes, o JGSDF se viu frente a um novo desafio e o Type 10 enfrentava agora um adversário interno. Passada uma década do início do desenvolvimento do veículo, em 2013 o governo do Japão encaminhou ao parlamento um novo plano estratégico de defesa que se atualizava frente as ameaças reais e ao direcionamento de recursos para o desenvolvimento e aquisição de armas para as próximas décadas.

O JGSDF reduziu na metade o número de MBT a ser adquiridos, segundo o plano orçamental a força receberá de 2016-2018 o último lote de veículos de um total de 300 encomendados. Apenas duas divisões e o regimento escola de treinamento de blindados serão equipados com o novíssimo MBT.

Quando tal anúncio foi feito, inúmeras críticas surgiram na mídia japonesa e internacional, em geral pautadas ou apenas em questões técnicas (apontando falhas no projeto), ou tão somente sobre a ótica da economia de recursos (cortes orçamentais).Type 10 2

O fato é que no caso do MBT japonês, a decisão de redução das unidades blindadas se deveu muito mais a uma mudança de filosofia e estratégica na defesa do Japão. A nova doutrina se pautou na nova realidade que se desenvolveu ao longo da primeira década do século e diz respeito a revisão de capacidades e necessidades da JGSDF.

Os relatórios emitidos pela defesa japonesa demonstravam um avanço significativo nas competências chinesas, que agora desenvolviam freneticamente a capacidade de promover ataques múltiplos e simultâneos ao território japonês. Os analistas agora se viam frente a uma realidade a qual a sua doutrina não mais se enquadrava.

A china implementou um amplo programa de atualização e renovação da sua força blindada, novos MBT chineses são capazes de fazer frente até mesmo aos mais modernos carros ocidentais, além disso a superioridade numérica e a capacidade de implementá-los, ganhou força com a ampliação da Marinha do PLA e suas capacidades anfíbias.

A China adquirira em uma ou duas décadas o poder de virar a mesa e conseguir atacar ao Japão neutralizando as suas forças. Um novo planejamento passava agora  por uma doutrina de reação rápida e dissuasão, para tal, as unidades blindadas deveriam ser leves, aerotransportadas e de custo operacional mais baixo. Seu intuito agora (JGSDF) é causar dano ao inimigo invasor, retirar-se rapidamente quando possível e atacar novamente sempre que possível. 

Neste contexto, as divisões mais pesadas, formam a linha da retaguarda e avançam a medida que a defesa consegue se recompor. Tal conceito não é novidade e se baseia na doutrina italiana que pautou o desenvolvimento do veículo blindado sobre rodas 8×8 Centauro, armado com um canhão  105 mm.  

A estratégia de dissuasão, agora pauta-se na capacidade de responder  a eminente ameaça e não mais impedi-la, a sutil diferença leva em conta que o inimigo já possui a capacidade de ultrajar a soberania. respondê-la é a ação a partir de agora. Curiosamente esta teria sido a razão para o desenvolvimento do Type 10, porém os especialistas apontam que as mudanças recentes exigiram uma revisão destes requisitos.

JGSDF_IFV_Type_89_20121021-01
Ainda não validados para a produção em massa os veículos Type 89 são esperados para compor as unidades de cavalaria japonesas.

Críticos apontam ainda que o JGSDF ainda  não provou que o veículo Type 89 (APC- Armoured Personnel Carrier) possua armamento, mobilidade e auto proteção suficiente para apoiar os Type 10 no campo de batalha. Apenas 68 exemplares haviam sido produzidos até janeiro de 2014.

Adicionalmente, os veículos Type 96  (WAPC- Wheeled Armoured Personnel Carrier) não possuem proteção e armamento suficiente para fazer frente aos novos MBT chineses ou coreanos que foram desenvolvidos desde então. Além disso, os Type 96 não possuem a capacidade de seguir os Type 10 em terreno acidentado.

Atualmente as unidades que deveriam receber os Type 10 são equipadas com o novo veículo (MCV- Manoeuvre Combat Vehicle) 8×8 armado com o canhão de 105 mm, o qual possui uma massa de 26 toneladas muito mais leve e distante das capacidades do Type 10 planejado.

A única variante existente do veículo (Type-10) é o Type 11 um veículo de recuperação  (CVR- Crawler Vehicle Recovery) que foi desenvolvido em finais de 2013 e que possui o mesmo sistema de suspensão, capaz de tracionar veículos de 45 toneladas e içar veículos de 23 toneladas.

AMCV
Os MCV serão o futuro da força blindada japonesa que apesar de críticas, deve se juntar aos Type 10 compondo as forças de combate do JGSDF.

Seja como for, a revisão doutrinária foi interpretada de forma errônea pelos críticos e especialistas, uma vez que em momento algum esta desconsidera as capacidades do MBT, mas sim, se deve ao fato de uma mudança no emprego da força blindada. Muito provavelmente o veículo sofrerá programas de atualização corrigindo o projeto e o adaptando as novas realidades.

Fixa Técnica

 
Tipo Carro de combate Principal
Local de origem Japão
História do serviço
Em serviço  desde 2012
Histórico de produção
Fabricante Mitsubishi Heavy Industries
Custo unitário/ US$  8,4 milhões 
Especificações
Massa/ tonelada 44  (Padrão) 48  (Completamente armado e blindado)
Comprimento/ m 9.48
Largura /m 3,24 
Altura /m 2,30
Tripulação 3 (comandante, artilheiro e motorista)

Blindagem aço  Nano-crystal (Aço d etripla dureza), modular cerâmica armadura composta, 
Arma principal Japan Steel Works 120 mm Alma Lisa e carregador automático
Arma Secundária M2HB 12,7 mm
Tipo 74 7,62 mm
Motor 4 tempos  V8 à Diesel
1200 HP / 2300 rpm
Peso/Potência cv/ton 27 /1
Transmissão Transmissão continuamente variável
Suspensão Hidropneumático e suspensão ativa
Alcance Operacional / km 400 km
Velocidade / km/h à frente  70 
à ré 70 

CONCLUSÃO

O Type 10 é sem dúvida um marco no desenvolvimento de carros de combate ao inaugurar o surgimento dos veículos de quarta geração. As caraterísticas mais notáveis do veículo são a sua blindagem nanotecnológica, leve  e efetiva que reduz a sua massa total, um item que certamente norteará os futuros desenvolvimentos de veículos blindados.

A sua proteção contra as mais modernas munições são um item destacável pois o veículo inaugura uma nova era no desenvolvimento de proteções contra armas perfurantes. Particularmente  a proteção frontal permite ao veículo engajar alvos frente a frente, ainda que sob fogo, acoplado aos sistema de tração que desenvolve velocidade igual para frente ou para ré permitindo ao veículo se alinhar ou fugir rapidamente quando necessário.

Embora não declarado oficialmente, a HMI informa que a taxa de tiro do Type 10 é ainda superior a qualquer veículo existente, a capacidade de recarga rápida e a elevada taxa de giro da torre  lhe garantem vantagens no campo de batalha. Sua silhueta baixa lhe garante a capacidade de se ocultar e se proteger do fogo inimigo dificultando o ataque de RPG e mísseis de engajamento lateral.

O sistema de suspensão acoplado a tração lhe garante uma precisão maior em disparos em movimento e adicionalmente lhe tornam muito ágil, garantindo-lhe grandes velocidades e acelerações tanto para a frente como para a ré.

Desenvolvido para operar no ambiente C4I o Type 10 possui uma inigualável capacidade de combater integrado a uma rede de combate antes nunca experimentada pelos veículos de combate. Entretanto, melhorias seriam necessárias ao MBT japonês e que são imprescindíveis para os futuros programas de repotencializações do   veículo, são elas:

  • A necessidade de uma torre automática para as metralhadoras;
  • Maior proteção para o motor na  retaguarda;
  • O desenvolvimento de um sistema de defesa autônoma como o sistema Trophy (Israelense) e Arena (Russo) e KAPS (Sul Coreano);
  • Capacidade de lançar e coordenar aeronaves não tripuladas de reconhecimento;
  • Integração de radar no sistema de busca de alvos.

Finalmente pode-se considerar que a quarta geração de MBT nasceu nas cercanias do mar do Japão, onde o processo de atualização dos MBT permanece não somente seguindo, mas, lançando tendências. O Type 10 é um dos veículos responsáveis por este “Renascimento” da força blindada e uma vez que estes itens supracitados constem no moderno MBT japonês, este ganhará novas capacidades, presentes nos mais recentes projetos de MBT em desenvolvimento nos países ocidentais e Euroasiáticos.

Em suma, o Type 10 simboliza um marco e o renascimento das forças blindadas das forças de autodefesa do sol nascente…


AGRADECIMENTOS



Agradeço e dedico este trabalho ao Engenheiro e Professor Reginaldo Bacchi pelas discussões técnicas e incentivos para o desenvolvimento desta matéria (E.M.Pinto).

 

type10

FONTES:                          

Army Technology

Tankograd

War fare

Global security

Mitsubish Heavy Metal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Categories
Defesa MBT Brazil

Em breve no MBT Brazil… MITSUBISHI HEAVY INDUSTRIES TYPE 10

Type 10

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa MBT Brazil Sistemas de Armas

MBT BRASIL: ROTEM/ SAMSUMG K-2 BLACK PANTHER

ROTEM SAMSUMG PANTHER
Rotem Sansung

Autor: Edilson Moura Pinto 

 

Matéria feita em parceria com o Site Warfare

Acompanhe a série de reportagens no MBT BRASIL clicando aqui

O mais novo produto da eficiente indústria de defesa Sul Coreana, o K2 Black Panther é a aposta da nação asiática para o combate no campo de batalha moderno



PREFÁCIO

 

Desde os anos 50, imersa em conflitos com a Coreia do Norte, a Coreia do Sul vive um clima de instabilidade e desconfiança. As hostilidades cessaram sem que houvesse, até hoje, um acordo de paz oficial.

Com forte apoio dos Estados Unidos a Coreia do Sul se desenvolveu, contrariamente a sua irmã do Norte que mantém-se em padrões tecnológico não muito diferentes dos que possuía após a 2ª guerra. A indústria de defesa Sul Coreana é uma das mais modernas do mundo e assim como as suas forças militares, uma das mais bem treinadas e bem equipadas do planeta, busca a todo momento a sua atualização. A florescente nação asiática se prepara constantemente para o futuro. Um exemplo de sua capacidade é o desenvolvimento dos carro de combate K-1, veículo que supera com folga o desempenho e poder de fogo dos veículos similares da Coreia do Norte e outros concorrentes regionais.

Para manter-se na vanguarda tecnológica, em meados dos anos 90 a jovem indústria de defesa sul coreana lançou-se para desenvolvimento de m novo carro de combate pesado. A nova arma seria extremamente moderna e visava entre outros interesses a exportação para países sobre embargo ou restrições de transferência de tecnologias e armas por parte dos Estados Unidos.

A nova arma blindada viria a inicialmente para completar a defesa coreana e posteriormente substituir os modernos K-1 a partir de 2011.

O novo projeto recebeu o nome código XK-2 e consiste num carro de combate equipado com as mais avançadas tecnologias aplicadas ao combate terrestre no momento.

O K-2 é visto por alguns analistas como sendo um carro de combate equivalente aos Norte americanos M-1A2 e Leopard 2A6 alemão, o que já demonstra, a maturidade tecnológica e o grande esforço dos engenheiros Sul Coreanos em produzir um veículo com capacidades militares e potencial para conquistar o mercado externo.

K2
Oriundo de um projeto totalmente novo e inovador, o K-2 Black Panther é visto pelos especialistas como um dos melhores e mais atuais carros de combate concebidos na atualidade.

A ORIGEM

 

Em 1995, a Agência para o Desenvolvimento de Defesa Sul-Coreano recebeu do Ministério da Defesa da Coreia do Sul a importante tarefa de desenvolver um moderno carro de combate blindado, com base em tecnologias nacionais coreanas em state-of-the-art.

Apesar da formidável capacidade dos seus carros K1 e K1A1 inegavelmente superiores aos projetos norte-coreanos existentes que em sua maioria consiste em envelhecidos carros T-55 e T-59, o Ministério da Defesa Coreano firmou-se em produzir o “veículo do Futuro” capaz de fazer frente aos outros carros de combate asiáticos que estavam em desenvolvimento, na Rússia, China e Japão.

A ênfase em tecnologias nacionais também permitiria que o veículo fosse proposto para entrar no mercado de exportação, sem problemas de liberações, esta mudança de visão por parte dos coreanos visava entre outras coisas, equacionar e reduzir os custos de desenvolvimento da nova arma que como se esperaria, seria elevado.

K2 Black Panther (14)
Concebido para o combate em qualquer tempo o K2 projeta a indústria de defesa sul coreana que busca potenciais exportações para o veículo.

O projeto do XK-2 coube então à agência de Desenvolvimento de Defesa conjuntamente com a projetista e construtora francesa, GIAT industries e a Alemã Diehl, que desenvolveram o projeto do carro XK-2. A construção e montagem seriada dos veículos foi destinada a Rotem, empresa do grupo Hyundai, fabricante dos carros K-1. A meta de nacionalização alcançada no projeto XK-2 supera 90% dos componentes existentes no veículo.

O projeto estava pronto para entrar em produção em 2006, 11 anos após o inicio do desenvolvimento, haviam sido envolvidos em projetos de pesquisa e desenvolvimentos, cerca de US$ 230 milhões, o veículo entrou em fase de produção, na planta produtora da Rotem em Changwon, Coreia do Sul em 2 de Março de 2007.

K2_Black_Panther_main_battle_tank_South_Korean_Army_South_Korea_011
Na imagem o segundo protótipo do veículo em demonstração ao público.

Em Março de 2011, a DAPA (Defense Acquisition Program Administration) da Coreia do Sul anunciou que a produção em massa do novo MBT K2 para o Exército Sul Coreano teria início em 2012, entretanto, foram detectados problemas com o sistema de motores e transmissão, que acabaram por atrasar o início da produção seriada do veículo, algo que não aconteceu até meados de 2013.

O problema segundo relatado, devia-se a falhas, confiabilidade e durabilidade dos motores produzidos domesticamente, os primeiros 100 K2 de produção usariam um motor estrangeiro, produzido pela MTU, atrasando a entrada em serviço do carro que só ocorrera em Março de 2014.

O projeto previa que o K2 seria movido por um motor nacional produzido pela Doosan Infracore Corporation, o motor seria concebido e baseado no Alemão MTU-890. O Motor diesel de 12 cilindros, deveria entregar 1.500 HP (1.100 kW) e seria acoplado a um sistema de transmissão C & T Dynamics Transmission. No entanto, este problema técnico recorrente, foi encontrado nos testes que se sucederam e levaram aos atrasos no desenvolvimento operacional do K2 em cerca de 2 anos.

K2 Black Panther (15)
Problemas no motor e sistemas de transmissão produzidos localmente atrasaram o lançamento do veículo, porém o projeto atingiu a sua maturidade e encontra-se em franca linha de produção.

Para muitos estes seriam problemas técnicos que fariam desmerecer o projeto, entretanto, ressalta-se que a Coreia buscou desenvolver alternativas próprias sempre que possível, a complexidade de tecnologias certamente são fatores a ser considerados, especialmente quanto a motorização e um veículo desta natureza.

Pode-se dizer que este atraso seria esperado, frente as variadas e complexas tecnologias que envolvem um veículo deste quilate. Basta dizer que na sua concepção, seus projetistas avaliaram a possibilidade de integrar-lhe tecnologias inovadoras.

Uma das variantes planejadas teria a torre da arma principal não tripulada, todas as armas seriam operadas remotamente, posteriormente esta solução foi descartada.

Em busca de maior poder de fogo e capacidade de destruição das blindagens compostas que se encontravam em franco crescimento, os projetistas imaginaram equipar o carro com uma arma de cano liso de 140 mm produzida pela Rheinmetall.

Segundo informações da época, o descarte desta arma alternativa só foi tomado devido ao desinteresse da Rheinmetall produtora do canhão, que por razões internas, resolvera abandonar o projeto concentrado esforços no desenvolvimento da sua arma mais atual, o canhão 120 mm – L55 que segundo o fabricante teria a mesma eficácia que a arma de 140 mm, sendo suficiente para contrariar ameaças de blindados potenciais num futuro previsível.

GALERIA DE IMAGENS

 

SISTEMAS DE ARMAS

 

K2 canon
Inicialmente proposta a arma de 140 mm projetada pela Rheinmetall deu lugar ao seu mais novo projeto o canhão L 55 de 120 mm.

Com o cancelamento do projeto do canhão de 140 mm, os projetistas buscaram junto ao fabricante a alternativa de arma mais poderosa que poderia existir no inventário internacional.

A Coreia do Sul não possui tecnologia para produção de um canhão com as especificações que desejava. Portanto, a solução viria por meio da Rheinmetall e seu novo modelo de canhão o L55 de 120 mm, uma arma de alma lisa que passou a ser produzida sob licença na Coreia do Sul.

O sistema de arma principal idealizado pelos projetistas Coreanos e Franceses, fazia uso de carregador automático, semelhante ao sistema que fora projetado para MBT Francês, Leclerc.

A arma coreana poderia assim disparar a uma cadência bastante elevada de até 20 tiros por minuto ou seja, um disparo à cada 3 segundos.

[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1nInvKn” standard=”http://www.youtube.com/v/9NjkP62IJKU?fs=1″ vars=”ytid=9NjkP62IJKU&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep3789″ /]

A munição para a arma principal é carregada em uma reserva de 16 estoques, com uma capacidade total de 40 munições.

L 55
Na imagem o canhão Reinmetall L 55- 120 mm

O Black Panther pode se utilizar de todo a sorte de munições 120 mm operadas pelos seus predecessores, os carros de combate K1 e K1 A1, em especial as munições APFSDS. Porém para a nova arma do exército Sul Coreano, os projetistas preparam duas surpresas especiais.

APFSDS
Perfeitamente intercambiáveis, as munições empregadas pelos veículos K1 e K1 A1 são igualmente operadas pelo K2.
tungsten-alloy-armour-piercing-01
Segundo o fabricante a nova munição perfurante não encontra equivalente no mundo e teria a capacidade de perfurar até mesmo as mais modernas blindagens compostas existentes nos modernos MBT.

Além das referidas munições de 120 mm o K2 pode operar uma munição anti-tanque principal de tungstênio (APFSDS) especial, produzida e desenvolvida localmente.

Esta nova munição consiste num penetrador de energia cinética, que oferece significativamente maior capacidade de penetração que qualquer arma semelhante atualmente em operação.

Segundo o fabricante, uma tecnologia própria permite que o núcleo da ogiva não se fragmente ou deforme, mantendo a sua integridade e capacidade de penetração.

Para atacar alvos não protegidos, o K2 pode usar munições multipropósito química HEAT, similares às americanas M830A1 HEAT MP-T, proporcionando boas capacidades ofensivas contra tropas, veículos sem blindagem  ou levemente blindados, bem como helicópteros em voo baixo.

Outra arma especial do veículo é a  Korean Smart Top-Attack Munition (KSTAM),  uma munição do tipo dispare e esqueça, que atinge o carro de combate por uma de suas regiões mais frágeis, o topo.

Esta munição anti-carro possui um alcance de funcionamento eficaz entre 2-8 km, e foi especificamente desenvolvida para o emprego nos veículos K2.

Ela é lançada como um projéctil de energia cinética, disparado da arma principal em um perfil de elevação maior.

KSATM
Demonstrativo da munição KSTAM.

Ao chegar a sua área de destino designado, um pára-quedas é aberto e é ai que um  radar banda milimétrica e sistemas de infravermelho bem como,  sensores radiométricos iniciam a busca por alvos fixos ou móveis.

Uma vez que o alvo é adquirido, uma carga explosiva com um penetrador é disparada a partir de uma posição de cima para baixo, atingindo a armadura do veículo oponente numa de suas regiões mais vulneráveis, o topo do casco e torre.

A busca pelo alvo pode também ser executada manualmente pela tripulação do carro, por meio de sistema de data link. Estas características permitem que o veículo de lançamento se esconda atrás de coberturas enquanto dispara sucessivas cargas para a localização de um inimigo conhecido, ou ainda, preste apoio efetivo com fogo indireto contra alvos escondidos atrás de obstáculos e estruturas.

k2 pantera negra
A nova geração de carros de combate sul coreana não destina-se apenas a substituir os antigos veículos, mas sim, anteceder aos perfis dos cenários de combate com forças blindadas no extremo asiático.

Além da ama principal o veículo utiliza-se armas secundárias como a metralhadora pesada  K-6 de 12,7 mm e metralhadora coaxial de  7,62 mm.

VÍDEO

 

[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1pjil7n” standard=”http://www.youtube.com/v/BX4Lak_MjQc?fs=1″ vars=”ytid=BX4Lak_MjQc&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep4840″ /]

BLINDAGEM E PROTEÇÃO

 

KAPS (1)
Nos círculos vermelhos da imagem pode-se notar os sistemas de auto-proteção KAPS.

O MBT coreano possui um sistema de blindagem composta cujos detalhes da armadura são sigilosos. Segundo os testes com fogo real, a armadura frontal do caco do veículo suporta eficazmente os disparos de munições APFSDS 120 mm lançados a partir do canhão L55. No futuro as novas versões do veículo terão também inclusas na armadura, sistemas de blindagem reativa explosivas, com a adição de Non-Explosive Reactive Armour (NERA) planejado para a versão K2 PIP.

Encontra-se em desenvolvimento um programa denominado KAPS ou Korean Active Protection System, que em suma, destina-se a desenvolver localmente um sistema de proteção ativa como o israelense “Trophy” ou o Russo “Arena” no qual o sistema se baseia.

KAPS (2)
Na Imagem as cargas explosivas do sistema KAPS.  E na sequência de três imagens, o sistema em ação contra uma munição anticarro.

O sistema proverá a defesa ativa dos veículos contra as armas anticarro. Segundo informações do fabricante o sistema utiliza-se da detecção tridimensional e acompanhamento por radar e um termovisor para acompanhar as ameaças.

Ogivas podem ser detectadas à 150 metros do veículo e após isso uma carga é disparada com vistas a destruir a ameaça num perímetro superior a 10 m do veículo. Segundo o fabricante o sistema encontra-se em fase final de testes e é capaz de neutralizar ameaças provenientes de lança-granadas anti-tanque e mísseis guiados.

O sistema pode ser instalado em outras plataformas no futuro, e seu valor unitário é estimado em cerca de US$ 600 mil.

Para auto-defesa o Black Panther faz uso de um sistema de radar de banda milímetros montada na torre que é capaz de operar como um sistema de alerta de ataques de mísseis, Missile Approach Warning System (MAWS). O computador do veículo por sua vez, pode triangular sinais de projéteis e avisar imediatamente a tripulação do veículo ao mesmo tempo que dispara o sistema de interferência a laser, por meio do lançamento de granadas de fumaça (VIRSS) 2×6, bloqueando assinaturas ópticas, infravermelho e de radar.

A torre do veículo projetada em conjunto com a GIAT industries agrega inúmeros sensores além das armas e possui armaduras especias contra disparos vindo do quadrante superior.
K2- torre
Na parte frontal da Torre localizam-se os sensores radares e os sistemas lançadores de granadas.

Uma vez que as medidas defensivas forem plenamente instaladas, o sistema de radar também será responsável pelo acompanhamento e orientação dos mísseis.

O veículo também é equipado com um sistema de identificação amigo ou inimigo (IFF).

O K2 também possui um Radar Warning Receptor (RWR) e um jammer de radar.

Quatro receptores de alerta laser (LWR) também estão presentes para alertar a tripulação quando o veículo está sendo “pintado” por um sistema de disparo.

O sistema é automático e dispara as granadas VIRSS na direção incidente do feixe laser.
Um sistema de supressão de incêndio automático é programado para detectar e apagar todos os fogos internos que podem ocorrer e os sensores atmosféricos alertam a tripulação sobre os perigos atmosféricos dentro e fora do carro.

Visor térmico KCPS
Visor termal KCPS, apesar de mais moderno e atualizado este sistema é semelhante ao utilizado pelos MBT K1 e K1A1 também coreanos.
KGPS Thales Samsung
Visor do artilheiro KGPS projetado pela  Thales -Samsung

O K2 está equipado com um avançado sistema de controle de fogo (FCS), ligado a um sistema de radar banda milimétrica, implantado no arco frontal da torre, junto com um identificador de laser e um sensor de velocidade de vento.

O sistema é capaz de operar em modo “lock-on“, de adquirir e seguir alvos específicos até uma distância de 9,8 km usando os sistemas ópticos e termais.

Isso permite que a tripulação dispare com precisão enquanto se move, bem como possa engajar efetivamente aeronaves voando baixo.

O FCS também está ligado a um estabilizador avançado de arma e a um mecanismo de disparo com atraso para otimizar a precisão enquanto se move em terreno irregular.

Se o gatilho da arma principal for puxado no momento em que o veículo se encontra em uma irregularidade no terreno, a oscilação do cano da arma vai causar desalinhamento temporário entre um emissor de laser na parte superior do cilindro e um sensor na base. Isto irá retardar o FCS de ativar, até que o feixe seja novamente realinhado, melhorando as chances de acertar o alvo pretendido.

Esquerda CPTS (K1 PIP) direito KCPS (K1A1) é. Comandante do plano K1 K1 PIP inclui a melhoria da visão. KCPS K1A1 tentar usar o original usado no último ano é o ano anterior, enquanto que a localização é pajeong abrangente haetneundi tem luta received'm.
Esquerda CPTS  que será empregado no K2 ao longo do programa (K2 PIP) à direito KCPS (K1A1) o PIP inclui a melhoria na capacidade de  visão.

O veículo é equipado com um visor primário para o artilheiro denominado Korean Gunner Primer Sight (KGPS), já o comandante do veículo possui um segundo sensor o Korean Commander Panoramic Sight (KCPS). Estes sistemas são os mesmos os quais empregam os carros K1 e K1 A1, porém, tratam-se de versões atualizadas e mais avançadas.

Para o Programa K2 PIP, uma nova gama de visores termais e sistemas eletro-ópticos estão sendo desenvolvidos, mas não serão tratados aqui pois não são o objetivo deste artigo.

O comandante do carro tem a capacidade de substituir o comando para assumir o controle da torre e arma do artilheiro. O veículo pode ser operado por apenas dois tripulantes, ou até mesmo um único membro da tripulação.

Especula-se que o FCS pode detectar automaticamente e rastrear alvos visíveis, compará-los usando o link de dados estabelecido com outros veículos para evitar a redundância de disparos da arma principal sem a entrada manual.

O K2 foi planejado para um ambiente de guerra centrado em redes e possui uma eleva gama de sistemas que amplificam a consciência situacional da tripulação, é plenamente imerso na filosofia C4I (Comando, Controle, Comunicações, Computadores e Inteligência) uplink, possui sistema de orientação por GPS (Global Positioning Satellite) uplink.  Possui sistema IFF / SIF (Identificação Friend or Foe / Selective Identification Feature) compatível com STANAG 4579 o sistema é localizado logo acima da arma principal e dispara um feixe de 38 GHz na direção da arma para uma resposta do alvo (veículo).

Nas duas imagens superiores é possível ver a disposição dos sensores ao longo da torre do MBT.

Se um sinal de resposta adequada é mostrada, o sistema de controle de fogo identifica automaticamente como amistoso ou não. Se o destino não responder ao sinal de identificação, este é automaticamente declarado como um hostil.

O Sistema de Gestão da Batalha (Similar ao Sistema de Informação Inter-Veicular usado no exército dos Estados Unidos) permite que o veículo compartilhe seus dados com unidades aliadas, incluindo veículos blindados e helicópteros.

Os coreanos trabalham agora para ampliar as capacidades do K2 integrando-o a um veículo XAV, um veículo de reconhecimento não tripulado de rodas que proverá a capacidade de explorar remotamente uma área sem expor a sua posição.

MOTORIZAÇÃO E MECÂNICA

 

MTU
Na imagem o motor MTU 833 produzido localmente pela Tognum.

O veículo equipado com um motor diesel 4 tempos, 12 cilindros e refrigerado a água de 1.500 hp (1.100 kW), o que permite trafegar a uma velocidade de 70 km / h em estradas.

Motorização K2 (3)
Detalhe da turbina a gás que foi adicionada ao sistema de propulsão do veículo.

O veículo é capaz de acelerar de zero à  32 km/h em 7 s e manter velocidades de até 52 km / h em condições off-road. Ele também pode  transpassar inclinações frontais de 60º e obstáculos verticais de 1,3 m de altura.

Motorização K2 (1)
Na imagem o motor e turbina completos.

Devido à concepção relativamente compacta do motor, os seus projetistas foram capazes de encaixar um mecanismo adicional no sistema de propulsão, uma turbina a gás Samsung Techwin que amplia a potência conferindo-lhe 100 cavalos de potência (75 kW) extras.

Esta turbina funciona também como uma unidade auxiliar de potência com a qual o carro pode ligar seus sistemas de bordo quando seu motor principal estiver desligado. Fora isso, permite uma economia de combustível quando em marcha lenta e minimiza as assinaturas térmicas e acústicas do veículo.

O veículo pode atravessar veios de água de 5 m de profundidade, usando um sistema especial de snorkel, que também serve como uma torre de comando para o comandante do veículo.

k2_black_panther_mbt_l6
Demonstração do Snorkel adaptável ao veículo durante testes de prova.

O sistema leva cerca de 30 minutos para ser preparado. A torre torna-se estanque, mas o chassis é carregado com até 500 litros de água para evitar a flutuação, mantendo o veículo em contato com o solo. O reservatório pode ser esvaziado permitindo ao veículo entrar em combate tão logo atinja a superfície

O veículo possui um avançado sistema de suspensão, chamado In-arm Suspension Unit (ISU), que permite o controle individual de cada bogie sobre os trilhos. Isso permite que o K2 possa “sentar”, “ficar” e “ajoelhar-se”, bem como “inclinar-se” para um lado ou um canto.

1222683826_15
Detalhes do sistema de motor e bugies da suspensão do veículo.
K2 Ajoelhado
A imagem demonstra a capacidade de ajoelhar do sistema de suspensão do veículo.

Este sistema lhe permite “sentar-se” diminuindo o seu perfil o que também lhe permite melhor dirigibilidade em estradas.

No perfil “ficar”, o veículo ganha maior distância ao solo permitindo melhor manobrabilidade em terrenos acidentados.

“Ajoelhado” o veículo alcança uma gama angular maior para o cano da arma, que pode elevar-se ou baixar-se, permitindo que ao veículo dispare a sua principal arma para baixo, bem como engajar aeronaves voando baixo de forma mais eficaz.

A unidade de suspensão também amortece o chassis a partir de vibrações ao se deslocar sobre terrenos irregulares, os bogies podem ser ajustados individualmente enquanto se desloca.

FICHA TÉCNICA

Dimensões e peso
Comprimento /m 10
Largura/m 3,6
Altura/m 2,5
Mass/ ton 55-61
Propulsão e Técnica
Motor MTU 4 tempos 12 Cilindros
Potência/ Hp 1500, 1100
Relação peso / potência / hp/ton 27,2
Tração
Suspensão In arm Suspension Unit
Performance
Velocidade Max/ km/h 70
Autonomia/ km 450
Inclinação máxima 60 º
Armamento e armadura
Sistemas de tiro Computadores de tiro digitais, estabilizadores, telêmetro laser, canhão automático
Armamento primário 1 canhão L 55 120 mm 40 projéteis
Armamento secundário 1 metralhadora K6 12,7mm com 3200 projéteisMetralhadora 7,62mm com 12000 projéteis
Armadura Composta com sistema ERA NERA e sistemas adicionais ativos KAPS.
Armadura frontal Capacidade de proteção contra munições APFSDS 120mm

Black Panther 2
Acompanhando a evolução tecnológica a ROTEM SAMSUNG estão trabalhando num programa de atualização para o K2 denominado K2 PIP.

CONCLUSÕES

Alcançando a vanguarda no desenvolvimento de armamentos de elevado valor estratégico, a Coreia do Sul projetou um carro de combate de primeira linha, construído sobre um princípio de constante atualização e adequação o que garante-lhe a sobrevivência nos mais variados cenários da guerra moderna.

Superando os seus Predecessores K1 e K1 A1 especialmente por ser mais adaptado aos conflitos assimétricos o K2 Black Panther não só demonstrou aos críticos do seu projeto a necessidade da “reinevenção” de um novo MBT baseado em novos critérios, como delimitou novos parâmetros necessários para os futuros MBT. Um veículo capaz de operar em ambiente centrado em redes, que transfere e recebe informações sobre o campo de batalha, que atua ativa e passivamente nas contra medidas eletrônicas interferindo e “escutando” o inimigo.

Fora isso o K2 passa agora por amplo programa de atualização denominado K2 PIP (product improvement program) que visa prover ao veículo melhorias que incluem:

  • Atualização da unidade de suspensão semi-Ativa.
  • Integração de um sistema de varredura de terreno de alta resolução para o sistema de suspensão do veículo.
  • Integração de defesa ativa KAPS.
  • Adição de blindagem Non-Explosive Reactive Armor (NERA).
  • Potencialmente o programa visa substituir a arma 120 mm / L55 por uma arma química-eletroquímica.

Todos estes itens por si só demonstram que embora seja moderno e especializado o MBT K2 Black Panther possui ainda um potencial de evolução que certamente o manterá no seleto grupo da linha de frente dos melhore carros de combate do mundo.

Fonte:

Defense Industry

Global Security e

Warfare 

Acompanhe a série de reportagens no MBT BRAZIL clicando na imagem

MBT Brasil

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa MBT Brazil Sistemas de Armas Uncategorized Vympel

MBT BRASIL: GENERAL DYNAMICS M1A1/2 ABRAMS

5aa8f_2057011566

gd abr

Autor: Vympel 

Plano Brasil
Acompanhe a série de reportagens no MBT BRAZIL clique aqui

Clique nas imagens para vê-las em alta resolução

PREFÁCIO

O desenvolvimento do carro de combate M1 Abrams foi influenciado pelos resultados do conflito Árabe-Israelense de 1973 (Yom Kippur), conflito este onde ocorreu a maior concentração de MBT’s (Main Battle Tank) no período pós segunda guerra mundial, onde a superioridade qualitativa e numérica árabe não conseguiu vencer as unidades israelenses, estas melhor coordenadas e treinadas, embora usassem equipamentos inferiores e em menor número.

Como estas características eram semelhantes as encontradas na Europa durante a guerra fria, os Estados Unidos desenvolveram uma nova doutrina militar, a qual aceitou a diferença de correlação de forças entre a URSS e a OTAN e priorizou o conceito de “armas combinadas”, onde os principais frutos desta doutrina foram o E-3 Sentry, o E-8 Joint stars, o M2 Bradley e o M1 Abrams, além do novo conceito que viria futuramente a ser chamado de “guerra centrada em redes”. Este novo entendimento do campo de batalha moderno levou a criação do conceito de “batalha terra-ar” criado em 1976, e consolidado na “doutrina terra-ar” de 1982.

A ORIGEM

A esmagadora superioridade numérica da União Soviética em praticamente tudo relacionado a forças convencionais, levou os EUA e seus aliados a tentativas de desenvolvimento de MBT’s que integrassem de forma harmoniosa as três áreas básicas do desenvolvimento de um MBT (proteção, mobilidade e poder de fogo) conseguindo assim superioridade tática, algo que nenhum país da OTAN havia conseguido anteriormente. Exemplos disso foram o AMX-32 francês e o Chieftain Britânico, o primeiro possuía excelente mobilidade e poder de fogo, mas uma proteção insuficiente e o segundo excelente poder de fogo e proteção, mas era pobre em mobilidade. A substituição do M60 “Patton” pelo novo MBT foi concorrida entre Chrysler Corporation (XM1) e a Divisão Allison da General Motors (MBT-70/XM803).

Após o fracasso no desenvolvimento do MBT-70 pela empresa Allison Corporation, foi posto em produção limitada no ano de 1979 pela empresa Chrysler Corporation (hoje General Dynamics), com os primeiro M1 Abrams concluídos em 1980. Atualmente, é o MBT do US Army, USMC, Egito, Kuwait, Arábia Saudita, Austrália e Iraque, com cerca de mais de 9.000 unidades produzidas, com cerca de 8.580 milhões de dólares a unidade (dados de 2012).

ARMAMENTO PRINCIPAL 

abrams-tank-920-54 (1)

O armamento principal do M1A2 Abrams é o Rheinmetall M256 L55 de calibre 120mm na versão americana, este que substituiu o M68A1 de calibre 105mm das versões iniciais de produção. Disparando uma enorme gama de munições padrões da OTAN, destacam-se as munições cinéticas modelo M829 APFSDS-T, as quais utilizam um penetrador de urânio empobrecido extremamente denso e com alta capacidade de penetração (duas vezes e meia mais que o aço).

Foram desenvolvidas a partir do começo da década de 90 para se contrapor as blindagens explosivas reativas (ERA) de fabricação soviética Kontakt-1 desenvolvidas no período. A versão mais atual e ainda em desenvolvimento é a M829A4, é voltada para fazer frente a ERA de fabricação russa denominada Kaktus e Relikit, que equipa atualmente o MBT russo T-90 Tagil.

m256
Diagrama do Rheinmetall M256 L55

 

A versão básica do Rheinmetall 120mm foi modificada e atualmente estas modificações equipam os MBT’s Leopard 2 alemão, o Type 90 japonês, o Altay turco, e o K1A1 sul-coreano, além do próprio M1 Abrams.

Devido ao aumento do diâmetro (de 105 para 120 mm) o armazenamento de munições foi reduzido para 42 disparos no M1A2 (trinta e seis na torre e seis no chassi, prontos para o disparo).

[embedplusvideo height=”400″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1gVUTqG” standard=”http://www.youtube.com/v/GadBHonA9og?fs=1″ vars=”ytid=GadBHonA9og&width=650&height=400&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep2830″ /]

Especificações:

Peso (somente o tubo): 1.190 kg

Peso (completo): 3.317 kg

Comprimento (L44): 5.28 metros

Comprimento (L55): 6.6 metros

Calibre: 120mm

Velocidade inicial: 1.750 m/s

Alcance de utilização: 4.400 metros

MUNIÇÕES UTILIZADAS PELO M256 L55 120 mm

 

Sem título

 As munições que são utilizadas no M256 120mm dividem-se em munições de energia cinética (KE),  de alto explosivo anti-tanque (HEAT), alto explosivo (HE), Canister (antipessoal) e de treinamento (TP). As munições KE utilizam-se de um penetrador subcalibrado de urânio empobrecido (DU) estabilizado por aletas traseiras. Viajando a uma velocidade supersônica, este penetrador concentra um nível extremamente elevado de energia cinética sobre uma área relativamente pequena da superfície do alvo. A energia elevada permite que a munição KE penetre nas placas de blindagem mais resistentes.

abrams-tank-920-28
Penetrador subcalibrado de urânio empobrecido (DU) com os calços descartáveis desconectando-se em vôo

As munições de alto explosivo anti-tanque (HEAT), por outro lado, levam uma ogiva de carga ôca com um penetrador de cobre, utilizando-se do efeito de monroe. Esta ogiva, com sua capacidade de explosão e fragmentação inerente, também fornece a capacidade antimaterial e antipessoal.

As munições Canister, são utilizadas contra pessoal em áreas abertas, as munições de alto explosivo (HE) são utilizadas contra estruturas as de treinamento são utilizadas em estandes de tiro, comumente dotadas de limitadores de desempenho (cones de estabilização) por questões de segurança.

Sem título2

¹ Antipessoal, com 11 kg de esferas de tungstênio

² (Armor piercing, fin stabilized, discarding sabot – tracer)Perfurante de blindagem, estabilizada por aletas com calço descartável – traçante

³ (High-explosive, anti-tank, multipurpose – tracer)Alto explosivo antitanque multipropósito – traçante

(Target practice multipurpose – tracer)Treinamento de tiro, multipropósito – traçante

(Target practice – tracer)Treinamento de tiro – traçante

⁶  (High explosive, anti-tank, multipurpose – tracer)Alto explosivo antitanque multipropósito – traçante

(High-explosive, obstacle reduction – tracer)Alto explosivo para redução de obstáculos – traçante

(Target practice, cone stabilized, discarding sabot – tracer) – Treinamento de tiro, estabilizada por cone com calço descartável – traçante

ARMAMENTO SECUNDÁRIO

abrams-tank-920-13

Existem três metralhadoras utilizadas como armamento secundário no M1 Abrams. Uma Browning 12.7 mm na cúpula do comandante, uma M240 7,62 mm na cúpula do municiador e outra M240 coaxial ao armamento principal. O total de munição embarcada é de 11.400 tiros de 7,62 mm e 1.000 tiros de 12.7 mm.

Além das metralhadoras, existem dois lançadores de granadas de fumaça com seis (M250) ou oito (M257) lançadores cada de calibre 66 mm, as quais geram uma fumaça que bloqueia a visão térmica dos designadores inimigos.

SISTEMAS

1359027689_apr

A versão mais atualizada em serviço é o M1A2 SEP V2, a qual recebeu várias modernizações. As atualizações incluem monitores coloridos para o motorista, comandante, e o artilheiro, em comparação com displays monocromáticos do M1A1, bem como visores térmicos para cada posição, dando ao comandante consciência situacional e ao artilheiro melhor visão situacional.

O M1A2 SEP V2 é baseado na plataforma M1A2,  digitalizado com um melhor pacote de blindagem de terceira geração, com uma nova placa de urânio empobrecido revestido de aço na torre, um novo sistema de comando e controle, FLIR de terceira geração que inclui visualização térmica independente para o comandante (que lhe dá 360 graus de consciência situacional, podendo assim o comandante procurar por um alvo, enquanto o artilheiro está visando um alvo diferente), a ser utilizada em  operações ” caçador/matador “, nova Unidade de Potência Auxiliar (APU),  a qual permitirá o funcionamento dos sistemas eletrônicos mesmo com o motor desligado, e um novo sistema de ar condicionado para tripulação e os eletrônicos. 

m1a2sep
M1A2 SEP V2

O M1A2 SEP também possui sistema eletrônico avançado, como mapas e displays coloridos, melhoria das comunicações em rede, alta capacidade de memória computacional e maior velocidade de microprocessamento, além de uma mais amigável interface entre homem/máquina, tudo isto em um sistema operacional de computação aberto, que fará com que as futuras atualizações sejam mais facilmente implementadas.

Outra melhoria implementada é o CROWS II, que permite que o comandante para disparar a metralhadora .50 remotamente, sem abrir escotilha.

77650
Visão do comandante em situação de combate noturno

BLINDAGEM 

O M1 Abrams desde o começo foi privilegiado pro incorporar o conceito de blindagem “Chobham”, desenvolvido na Inglaterra, o qual constitui em camadas de compostos cerâmicos, metálicos e não-metálicos aplicados diretamente na blindagem convencional de aço do veículo, que fornecem excepcional resistência, embora aumentem em muito o peso do veículo.

O urânio empobrecido é usado também para reforçar a blindagem dos M1 Abrams. O Exército dos EUA revelou publicamente o uso de armadura DU (Depleted Uraniumurânio empobrecido) em março 1987. A partir de 1993, o Exército dos EUA adquiriu cerca de 1.500 MBT’s Abrams M1A1 equipados com armadura DU, com planos para mais de 3.000. Quando aplicado no Abrams, DU é inserido na placa frontal da torre, e em seguida coberto com placas de aço. As torres dos Abrams que possuem DU são classificadas como HA (Heavy Armor) e são marcadas por um “U” (de urânio), perto do armamento principal do lado direito, como parte do número de série do mesmo.

Modelo

Chassi

Torre

M1

350 mm vs APFSDS

700 mm vs HEAT 350 mm vs APFSDS

700 mm vs HEAT

M1A1

600 mm vs APFSDS

700 mm vs HEAT 600 mm vs APFSDS

700 mm vs HEAT

M1A1HA

600 mm vs APFSDS

700 mm vs HEAT 800 mm vs APFSDS

1300 mm vs HEAT

M1A2 SEP 580/650 mm vs APFSDS* 800/970 mm vs HEAT* 940/960 mm vs APFSDS*

1320/1620 mm vs HEAT*

 * dados estimados

Ficha técnica (M1A2)

Combate Peso – 68 toneladas

Pressão sobre o solo – 1,09 kg / cm ²

Comprimento – 9,83 m

Largura – 3,66 m

Altura – 2.89 m

Motor – Honeywell AGT1500, com 1500 hp

Alcance – 265 km

Capacidade de combustível – 1.909 l

Velocidade Estrada – 72 km / h

Velocidade Cross Country – 48 km / h

 

SISTEMAS DE PROTEÇÃO

Black Fox (Eltics LTDA – Israel) – Em desenvolvimento*

Comercializado como “Electronic Thermal Infrared Countermeasure System” (ETICS), o sistema de camuflagem térmica Black Fox utiliza placas de camuflagem ativa, do lado de fora do veículo, bem como dois FLIR panorâmicos. As câmeras FLIR oferecem total cobertura de 360 ​​graus em torno do veículo. A câmera FLIR realiza varreduras e captura a textura térmica do ambiente em todos os momentos, inclusive quando o veículo está em movimento, e a imagem térmica resultante é projetado sobre as placas de camuflagem ativa ao redor do veículo.

A câmera FLIR  escaneia e captura a textura térmica do ambiente. A imagem capturada é então processada no computador o principal. O resultado é fornecido para as placas de camuflagem ativa para imitar a textura térmica do ambiente ao redor do veículo. Mesmo que as placas de camuflagem ativa estejam localizadas perto de uma fonte de calor elevada, tal como o motor, a placa não é afetada, e todo o veículo permanece invisível. Seja qual for o ambiente, seja qual for a velocidade, o sistema de controle de assinatura modifica a assinatura térmica para tornar a plataforma invisível.

[embedplusvideo height=”500″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1iJH42s” standard=”http://www.youtube.com/v/ogqAQrvS6To?fs=1&vq=hd720″ vars=”ytid=ogqAQrvS6To&width=650&height=500&start=&stop=&rs=w&hd=1&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep1305″ /]

Black Fox também pode criar falsa consciência situacional  no campo de batalha, gerando uma assinatura térmica falsa de um banco de dados pré-programados. Podendo assim, simular a assinatura de outros veículos. Um MBT   pode exibir assim a assinatura térmica de um Humvee ou um mesmo veículo civil.

Então, ao mascarar ou dissimular a sua assinatura térmica, são fornecidos ao usuário segundos cruciais para ver primeiro, atirar primeiro, e enfim, destruir primeiramente o inimigo.

Iron Curtain (APS) – Em desenvolvimento*

O Iron Curtain (APS) é um sistema de proteção ativa projetado pelo Artis, uma empresa americana de fabricação e desenvolvimento de tecnologia localizada em Herndon, Virginia. O sistema é projetado para proteger os veículos militares de mísseis antitanque, foguetes e granadas

[embedplusvideo height=”500″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1l2K8HY” standard=”http://www.youtube.com/v/n_yz_ONZltA?fs=1″ vars=”ytid=n_yz_ONZltA&width=650&height=500&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep1264″ /]

Quick Kill (APS) – Em desenvolvimento*

Quick Kill (APS) é um sistema de proteção ativa projetado para destruir mísseis antitanque, foguetes e granadas. O sistema Quick Kill foi concebido e produzido pela Raytheon para o Exército dos EUA, fazendo parte do Sistema de Combate Futuro do Exército dos Estados Unidos.

[embedplusvideo height=”500″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1l2Lfr1″ standard=”http://www.youtube.com/v/OAaw3S56nhc?fs=1″ vars=”ytid=OAaw3S56nhc&width=650&height=500&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep1230″ /]

AN/VLQ-6 Missile Countermeasure Device (MCD)**

Alguns M1 Abrams estão equipados com um sistema de proteção ativa softkill, designado AN/VLQ-6 Missile Countermeasure Device (MCD), que interfere nos sistemas de orientação de alguns mísseis guiados antitanque (ATGM) de orientação por comando semiautomático para linha de visada (SACLOS), guiados por fio, por rádio ou por infravermelho. O AN/VLQ-6 funciona emitindo um sinal de infravermelho extremamente poderoso, confundindo assim o sistema de guiagem do ATGM.

IRAQ-US-BAGHDAD
AN/VLQ-6 Missile Countermeasure Device (MCD)

No entanto, a principal desvantagem do sistema é que o ATGM não é destruído, mas somente dirigido para longe do seu alvo. Este dispositivo é montado sobre o alto da torre, na frente da escotilha do municiador.

*Em desenvolvimento, podendo ser ou não incorporado futuramente ao M1 Abrams

**Em uso operacional desde 1990

PROPULSÃO

ENDURING FREEDOM
Turbina a gás Honeywell AGT1500 sendo retirada para manutenção

A propulsão dos vários modelos do M1 Abram é feita pela turbina a gás Honeywell AGT1500, com potência máxima de 1500 hp, podendo utilizar vários tipos de combustível disponíveis (diesel, gasolina, combustível de aviação), dando-lhe uma velocidade máxima controlada de 45 mph (72 km / h) em estradas pavimentadas e 30 mph (48 km / h) em terreno acidentado.

O AGT1500 é muito confiável em operação, no entanto, seu consumo de combustível é alto (somente para dar a partida no mesmo, consome-se 38 litros). O motor queima mais 6,3 litros por milha (230 litros por hora) quando viajam em terreno acidentado e 38 litros por hora quando ocioso. Problemas quanto á emissão de radiação infravermelha também é uma característica deste motor, o qual faz o Abrams ser suscetível a ser detectado no campo de batalha.

 

TRIPULAÇÃO

Constitui-se de 04 integrantes (Comandante, Atirador, Municiador e Motorista).

[embedplusvideo height=”400″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1l2ZfB1″ standard=”http://www.youtube.com/v/HyrAqNv1odM?fs=1″ vars=”ytid=HyrAqNv1odM&width=650&height=400&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep5436″ /]

M1A1_internal
Disposição interna da tripulação do M1 Abrams

PRINCIPAIS VERSÕES DE COMBATE

M1 (1980) – Modelo básico com armamento principal de 105 mm com 55 tiros

M1A1 (1984) – Novo armamento principal calibre 120 mm modelo M256, com 40 tiros

M1A1HA (1988) – Torre reforçada com DU (Depleted Uraniumurânio empobrecido) de primeira geração.

M1A1HC (1990) – Aumento para 42 disparos.

M1A1NA + (1991) – Torre reforçada com DU (Depleted Uraniumurânio empobrecido) de segunda geração.

M1A2 (1994) – O M1A2 oferece o comandante visão térmica independente e capacidade para, em seqüência rápida, atirar em dois alvos, sem a necessidade de adquirir cada um em sequência.

M1A2 SEP (1999) – Câmeras de imagem térmica de 2 ª geração, DU de terceira geração

M1A2 SEP V2 (2008) –  Telas coloridas para a exibição situação tática, com vistas eletro-ópticos e canais infravermelhos, motor modificado e novos meios de comunicação que são compatíveis com as redes de informação unidades de combate de infantaria e suas formações. Modernização também inclui a introdução de outras tecnologias desenvolvidas no âmbito do programa “Future Combat Systems”.

M1A2S (2011) – Modernização dos M1A1 e M1A2 das Forças Armadas da Arábia Saudita.

Tank Urban Survival Kit (TUSK) Aumento da capacidade de combate em áreas urbanas, concebido para instalação em MBT’s M1A1 e M1A2, proteção dinâmica para aumentar a blindagem lateral, visão térmica para a metralhadora M240, escudos para proteger o comandante e o carregador quando vistos a partir das escotilhas abertas, novo sistema de comunicação com a infantaria, metralhadora M2 controlada remotamente (CROWS II).

TUSK_00
Tank Urban Survival Kit (TUSK)

PRINCIPAIS VERSÕES DE APOIO AO COMBATE 

M1 Grizzly Combat Mobility Vehicle (CMV): Veículo especializado em limpar campos minados, neutralizar obstáculos, demolir bermas e preencher valas anticarro para as forças móveis.

M1 Panther II Mine Clearing Vehicle (MCV): Veículo especializado em detecção e limpeza de minas.

M104 Wolverine Heavy Assault Bridge (HAB): Veículo especializado lançador de ponte, com ponte de 26 metros de comprimento.

M1 ABV Assault Breacher Vehicle (ABV): Veículo concebido para limpeza de campos minados e obstáculos complexos para o USMC.

2c901453de880e0dc5d8b7404152aef7
M1 Grizzly Combat Mobility Vehicle (CMV)
m1_panther_2_l2
M1 Panther II Mine Clearing Vehicle (MCV)
M104-Wolverine-729x486-cd663ecf0f235549
M104 Wolverine Heavy Assault Bridge (HAB)
m1-abrams-abv-breacher-920-4
M1 ABV Assault Breacher Vehicle (ABV)

 

CONCLUSÃO

O M1 Abrams é um MBT que foi desenvolvido através de um projeto inovador, o qual rompeu com o modelo tradicional de projetos do ocidente, sendo suas características desenvolvidas a partir do zero visando enfrentar um inimigo o qual possuía enorme vantagem numérica.  O contínuo aprimoramento, que vem sendo feito por mais de 30 anos de um veículo que em seu lançamento já era considerado inovador, permitiu criar um MBT que, em um país com enorme orçamento militar e uma doutrina militar polivalente (que prevê os mais variados tipos de enfrentamentos) e altamente tecnológica, demonstrou enorme sucesso em todos os conflitos que participou.

O alto custo das versões mais modernas (M1A2 SEP V2) só pode ser sustentado por exércitos com grandes orçamentos ou que necessitem de uma pequena frota de MBT’s, além de uma rede de C4ISR abrangente o suficiente para poder utilizar todas as possibilidades que o M1 Abrams oferece, algo que não está disponível na grande maioria dos países. A grande questão, em relação á venda das versões mais modernas para o Brasil seria o quanto os EUA estariam dispostos a repassar de sua tecnologia, e se a mesma seria as utilizadas nos veículos em serviço em seu país, pois versões degradadas não seriam convenientes. Vale lembrar as versões dos T-72 e BMP-1 vendidas aos países do Oriente Médio, as quais se assemelhavam somente em aparência com as em uso na União Soviética.

Como demonstrado em situações recentes, o M1 Abrams não é invulnerável, como alguns possam imaginar. Mas com certeza, é um dos MBT’s com uns dos maiores níveis de sobrevivência em combate da atualidade, combinado com sistemas no estado da arte do ocidente. É atualmente a espinha dorsal da Cavalaria do Exercito dos Estados Unidos e do Corpo de Fuzileiros Navais, e ainda o será por muitos anos.

Bibliografia:

www.army-technology.com
www.fprado.com
www.army-guide.com
www.fas.org
www.globalsecurity.org
en.wikipedia.org

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa MBT Brazil

MBT Brasil: Uralvagonzavod T-90MS Tagil

i-logo_uvzURALVAGONZAVOD T-90MS TAGIL

Autor: Luiz Medeiros

Plano Brasil
Acompanhe a série de reportagens no MBT BRAZIL clique aqui

Clique nas imagens para vê-las em alta resolução

PREFÁCIO

Expressão russa de um Carro de Combate de 3ª geração o T-90 em todas as suas versões, é um dos produtos que claramente demonstram a transformação industrial da então União Soviética para a Rússia atual, porém, sem perder é claro a identidade do produto e as boas qualidades e lições aprendidas no passado.

Neste artigo, o Plano Brasil em colaboração com a Trilogia Campo de Batalha apresentará a proposta russa para atualização dos veículos T 90, o sucessor de uma linhagem histórica que tem seu gênese no mítico carro de combate T-34 e dos antepassados de peso nas famílias T-55 e T-64 até os mais recentes  “pais” T-72 e T-80 que dariam origem a uma nova geração de carros de combate da linha  T-90 que através de um amplo programa de modernização  que dá origem a um novo carro de combate o T-90 MS Tagil.

17
Apresentação do veículo T-90MS modernizado e exibido na Eurosatory

A ORIGEM

Com o colapso do então  bloco soviético, tanto o governo russo, como as forças armadas precisaram revisar suas estratégias e investimentos, tal medida obviamente impactou diretamente  na indústria de defesa russa que como o resto do país, teve que se readequar as novas realidades econômicas.

No que se refere aos carros de combate, duas empresas eram as principais fabricantes do setor na Rússia, de um lado a Omsktransmash (sediada em Omsk) e do outro a Uralvagonzavod (sediada em Nizhny Tagil). De Omsk vinham os veículos T-80, de desenho mais novo, porém considerados caros e difíceis de serem mantidos. De Nizhny Tagil vinham os T-72, sucesso de vendas, elogiados por sua simplicidade e criticados por suas fragilidades.

 

tank2ri
Baseando nos resultados obtidos na primeira Guerra do Golfo, onde os T-72 iraquianos tiveram desempenho trágico diante dos opositores ocidentais, a Uralvagonzavod preferiu optar por alterar também o nome de seu modelo que baseado no T -72 faria urgir um novo veículo de combate chegando à denominação T-90.

 

A nova realidade da Rússia tornava imperativo a manutenção de apenas uma linha de blindados, não somente para gerar padronização para o Exército Russo, mas também, devido ao inevitável corte de custos necessários. Com isso, no início da década de 90, as duas plantas apresentaram versões atualizadas e modernizadas de seus veículos.

Com isto, ambos escritórios de projeto apresentaram seus modelos e de um lado, surgira o T-80U, do outro o T-72BA. Posteriormente a Uralvagonzavod ainda acrescentou ao seu modelo um sistema de tiro mais sofisticado, contido no T-80U, gerando assim o novo modelo chamado de T-72BU.

18
Com uma torre redesenhada o T 90 MS apresenta uma maior proteção ao carro de combate
  • Linhagem de sangue, Aço, óleo, diesel e gás

Baseando nos resultados obtidos na primeira Guerra do Golfo, onde os T-72 iraquianos tiveram desempenho trágico diante dos opositores ocidentais, a Uralvagonzavod preferiu optar por alterar também o nome de seu modelo que baseado no T -72 faria urgir um novo veículo de combate chegando à denominação T-90.

O governo russo realizou a seleção em 1995, mantendo a meta de um único carro de combate e cuja a decisão foi anunciada em Janeiro de 1996, logrando ao modelo T-90 a  vitória na concorrência.

A decisão sobre o veículo, que até então passara por uma versão modernizada calcada no T-72, pode então entrar em  produção e num processo de desenvolvimento mais aprofundado. O fato curioso é que  alguns observadores ocidentais que tiveram acesso as informações sobre o veículo, acabaram por avaliá-lo como algo realmente novo em se tratando de carros de combate.

No processo de desenvolvimento do T 90, foram sendo introduzidos e novas versões surgiram a té culminar no T 90 MS, variante mais atualizada do veículo.

11
Novo designe e proteções são as marcas do T 90 MS

VERSÕES

T-90 – o primeiro modelo, modelo original de produção.

T-90K – versão de comando do T-90.

T-90A – versão do exército russo, chamado também de “Vladimir” em homenagem ao engenheiro chefe do programa Vladimir Potkin. Como melhoramentos conta com o motor V-92S2 e um sistema de visão termal ESSA.

T-90S – versão de exportação do T-90A, por vezes colocado como T-90C devido à confusão da pronúncia do círilico. Possuem ao menos dois tipos de blindagem para a torre.

T-90SK – versão de comando do T-90S, poussí diferente sistema de rádio e navegação e sistema Ainet para detonação remota de cargas HEF.

T-90S “Bhishma” – versão do T-90S customizado para uso na Índia, contando com sistema de auto-defesa Shtora e sistema de visão térmica da Thales (França) e da Peleng (Belarus).

T-90MS_eng-10
Olhos e ouvidos, o programa T 90 MS fez surgir um moderno veículo totalmente integrado aos sistemas de armas com um suite de sensores em estado-de arte.

Ao contrário do que se pensa, o T 90 MS não se trata de um kit de modernização dos modelos mais antigos do T -90,  o MS fez surgir o modelo mais moderno da família conta com extensas modificações sobre seus antecessores quase nada tem a ver com o T 90 das séries anteriores.

Ainda que possuindo o chassi básico do T-72, todos os equipamentos embarcados são novos, assim como a disposição dos itens e o desenho do interior do veículo foram trabalhados, aprimorados e consequentemente alterados.

Em Setembro de 2011 na feira Russian Expo Arms ele foi mostrado ao pela primeira vez, já contendo todos os itens modificados e funcionais. O T-90MS recebeu também seu apelido de Tagil, em homenagem à cidade da fábrica.

O T-90MS Tagil é provavelmente hoje um dos grandes objetos de curiosidade para muitos analistas ocidentais, devido ao seu alto índice de modificações e aperfeiçoamentos e por esta razão trataremos sobre este veículo com foco em suas novidades.

VIDEO

[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1eyeRGX” standard=”http://www.youtube.com/v/1hzC4jSnRis?fs=1″ vars=”ytid=1hzC4jSnRis&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep9308″ /]

PROTEÇÃO

A proteção do veículo inicialmente conta com desenvolvimentos das versões mais antigas, tal como a proteção para a parte inferior que conta com blindagem tradicional e um detector de minas instalado na seção frontal do veículo cujo objetivo é o de reduzir ao máximo a possibilidade do carro de combate ser surpreendido por minas terrestres e IEDs.

O sistema de proteção ativa “Shtora” ainda está presente no Tagil, porém somente em parte. Os projetores de infravermelho foram retirados, dado que este tipo de equipamento não é mais considerado efetivo para a proteção do carro de combate contra mísseis anti-carro, os “olhos vermelhos” foram assim perdidos. Sensores laser e cargas de fumaça automáticas e manuais permaneceram no veículo bem como, elementos para criar interferência eletromagnética que também foram mantidos.

A primeira novidade do Tagil está no desenho aprimorado da torre para melhor sobrevivência e absorção de impactos. Contando com uma armadura metálica básica “clássica” que possuí a inserção de camadas alternadas de alumínio e lâminas plásticas de deformação controlada, além de inserções de proteção reativa explosiva (ERA). Houve um grande acréscimo em blindagem especialmente na parte superior para garantir a maior proteção possível contra-ataques que venham de pontos mais altos.

T-90MS_eng-7
Nova torre integrada aos sistemas de armas dimensionados para operações em regiões urbanas, o cano principal apresenta maior elevação, ponto fraco nas versões anteriores do veículo.

O chassi conta com uma armadura metálica tradicional de aço composto e o sistema de proteção reativa explosiva “Relikt” substituindo o “Kontakt-5”.

Este novo kit de ERA conta com a metade dos explosivos do kit anterior e é mais compacto, sendo assim é mais seguro para as proximidades do MBT, porém, o veículo ganhou mais massa em relação ao anterior. Em razão da nova proteção ERA, os locais por ela protegidos possuem capacidade de resistir às munições com ogivas contendo carga em tandem.

nova_05
O sistema de proteção garante ao veículo maior sobrevivência em todos os ângulos e é mais eficiente que as gerações anteriores.

De acordo com o fabricante este novo kit é significativamente mais eficiente do que o anterior. As placas de blindagem laterais (saias de blindagem) para proteção das lagartas e suspensão também são uma novidade e podem receber o acréscimo de proteção reativa.

O veículo conta ainda com mais quatro placas removíveis com molas sobre a parte frontal das lagartas que podem ser alijadas em ação. A ejeção dessas placas removíveis se dá em um ângulo de 60º para o lado do veículo, estas são utilizadas como medida de proteção extra contra projéteis com ogiva do tipo HEAT.

T-90MS_eng-13
O chassi conta com uma armadura metálica tradicional de aço composto e o sistema de proteção reativa explosiva “Relikt” substituindo o “Kontakt-5”. Há também proteção adicional para a torre.

De acordo com o fabricante a combinação da blindagem convencional de aço composto com a blindagem reativa garante capacidade de resistir às munições do tipo APFSDS que perfurem mais do que 800mm, bem como, contra munições do tipo HEAT que tenham poder de perfuração de até 1350mm.

Outras novidades de proteção residem no interior do veículo, a começar por painéis anti-fragmentação feitos de tecido de aramida. Estes painéis foram inseridos para prover a proteção da tripulação contra fragmentos de eventuais explosões, tornando o habitáculo mais seguro para os tripulantes.

A parte posterior da torre e do chassi recebeu o acréscimo de uma proteção de tipo “gaiola”. O emprego desse tipo de proteção demonstrou muita utilidade e eficiência no Afeganistão e Iraque, quando empregados por veículos americanos especialmente contra RPG’s utilizando ogivas disparadas pelo contato da ponta da mesma com o veículo.

Proteção em cofre blindado para munições.
Proteção em cofre blindado para munições.

Possivelmente aquela que pode ser chamada de “a grande” novidade do T-90MS em termos de proteção é o novo cofre blindado para munições.

Este ponto tem relação com uma nova organização das munições dentro veículo, com isso somente 8 munições ficam dentro casco e fora do carrossel do carregador automático, contra 18 munições em versões anteriores. Estes 8 projéteis ficam posicionados em uma estante no fundo do casco com uma parede blindada separando o compartimento de combate do motor, fazendo com que este esteja alocado em uma posição com a menor probabilidade de ser atingida.

As 10 munições restantes estão alocadas justamente neste novo cofre blindado na parte posterior da torre. O compartimento em questão, não possuí conexão de nenhum tipo com o interior do veículo (porta, escotilha ou etc.) e nem com o carregador automático. Essa medida foi tomada visando evitar o fenômeno de “ejeção da torre” que por vezes ocorria nos modelos T-72 devido à sua alocação de munições na torre sem este tipo de proteção.

IMG_30~1
Na imagem as cargas no interior do cofre ficam posicionadas na seção traseira da torre

 

As 10 cargas estão localizadas em um compartimento no meio do cofre e as munições estão em dois compartimentos separados (um a direita e a outro a esquerda) esta conformação é feita devido as cargas serem as peças mais suscetíveis à combustão dentro do cofre.
As travas deste cofre blindado foram desenhadas para em caso de incêndio e/ou aumento de pressão, elas se quebrarem fazendo com que os painéis externos sejam ejetados e a energia do fogo, ou eventual explosão, seja toda direcionada para fora do veículo de forma direta.

Outro ponto interessante no desenho deste cofre blindado foi o projeto pensando em rápida substituição do compartimento como um todo, em caso de necessidade como envetuais incêndio e estouro de travas ocorre a ejeção dos painéis externos, sendo este apenas um ponto dentre vários do veículo que foram pensados e feitos de forma modular.

04
É possível observar a escotilha do comandante voltada para a frente de modo a prover proteção adicional ao comandante do carro

Uma curiosidade que também é novidade é a tampa do comandante com abertura para frente, no sentido de criar uma proteção ao comandante, solução “ocidental” adotada no veículo.

Completando a questão protetiva, o Tagil permanece a contar com o tradicional “perfil baixo” dos carros de combate russos, tendo 2,3m de altura e sendo o mais baixo comparado com Abrams, Leopard 2 e Challenger 2. Esse perfil colabora para a baixa visibilidade e capacidade de engajamento por mísseis e RPG.

Todas as soluções protetivas empregadas no T-90MS foram desenhadas pensando no conceito de modularidade e facilidade de substituição em caso de necessidade, demonstrando a visão de modularidade e o foco em garantir o máximo disponibilidade possível para o veículo em situações de combate.

O Tagil no momento não conta com o sistema ARENA de proteção ativa contra projéteis, porém fontes indicam da possibilidade de instalação deste sistema no veículo como maneira de aumentar sua proteção efetiva contra a variedade de armas anticarro disponíveis no mercado atual.

T-90MS_eng-11
A eletrônica e sensores em estado-de-arte são a marca registrada da variante T-90 MS que realmente o difere das versões que o antecederam.

Assim como o ARENA, o sistema EMT-7 emissor de pulso eletromagnético (EMP) também está disponível para uso no veículo, tendo sido inclusive testado sobre a plataforma do T-90S, não há dados sobre testes desse sistema com o T-90MS, porém o mesmo se encontraria disponível em caso de solicitação de eventuais clientes.

[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1qxdy2r” standard=”http://www.youtube.com/v/YpmcmKwWzYo?fs=1″ vars=”ytid=YpmcmKwWzYo&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep3261″ /]

SISTEMAS EMBARCADOS

O T-90MS conta com uma variedade de sistemas novos embarcados, características que como um todo marcam a diferença deste veículo em relação aos seus antecessores e especialmente em relação aos antigos T-72, mesmo em suas versões modernizadas.

A primeira grande evolução é que todos os sensores do veículo são digitais, contra uma diversidade de meios mecânicos de seus antecessores em combinação com alguns sistemas digitais em versões modernizadas.

T-90MS_eng-12
Visão interna do veículo demonstrando os mostradores MFD disponíveis a sua tripulação.

O veículo possuí um sistema de navegação combinado,  inercial em conjunto com sistema de navegação por satélite (Glonass ou GPS) com a visualização de um “mapa” no MFD do comandante. Este novo sistema de navegação visa garantir a precisão no deslocamento do veículo e no cumprimento das rotas de missão.

Outro ponto forte nas novidades embarcadas é o MFD (multi-function display) do comandante. Uma tela multifuncional colorida à disposição do comandante economiza espaço e agrega informações (dados de navegação e sobre situação de combate), facilitando o trabalho do comandante e melhorando a ergonomia de sua posição. A introdução deste item claramente demonstra a preocupação dos engenheiros da Uralvagonzavod em melhorar a qualidade do habitáculo da tripulação e providenciar assim um item que proporciona um nível de “fusão de dados” para o comandante do carro de combate.

T-90MS_front_Large
Galeria de imagens 3 D, T 90 MS créditos Precise 3D

O T-90MS conta como item “de série” com um sistema de gerenciamento de combate, a suíte era uma exclusividade da versão de comando do T-90, o T-90K. Esta suíte permite uma conexão do carro de combate com todos os veículos no teatro de operação (contanto que os demais veículos possuam compatibilidade com o sistema), permitindo que o carro opere em “datalink” compartilhando informações e utilizando informações compartilhadas. A ideia de introduzir o sistema como “item de série” tem como objetivo eliminar a limitação de ter um determinado veículo “exclusivo” para a função de comando.

Uma novidade visando o melhor controle do cenário de operação são as 4 câmeras à disposição do comandante, que permitem visão de 360º do ambiente. Para o motorista é disponibilizada uma câmera particular para manobras em marcha ré.

E
Uma novidade visando o melhor controle do cenário de operação são as 4 câmeras à disposição do comandante, que permitem visão de 360º do ambiente. Para o motorista é disponibilizada uma câmera particular para manobras em marcha ré.

Ainda tratando sobre capacidade de visualizar o ambiente e também para identificação e engajamento de alvos temos o sistema “Sosna-U” para mira do artilheiro, com a vantagem de já possuir um sistema de visão termal integrada (Thales Catherine FC—visão térmica de 2ª geração). Esse sistema como um todo é mais leve e tem desempenho superior ao sistema 1G46 ou 1G46M das versões anteriores, garantindo maior precisão para o artilheiro e mantendo o alcance para identificação e engajamento de alvos em mais de 5 quilômetros.

O habitáculo conta ainda com botões próximos a todos os dispositivos prismáticos (pequenos periscópios de emergência), pressionando um destes botões o comandante pode ter a vista panorâmica voltada para aquela seção específica. Esta é uma solução desenvolvida na década de 60 e demandada somente agora no século 21.

Devido a todos os sensores do veículo serem digitais pode-se ter o Sistema de Controle de Tiro “Kalina” que é inteiramente digital e pode-se dizer que este é o grande trunfo em termos de sistemas embarcados no T-90MS, maximizando a performance de combate do veículo.

5-3
Visão do artilheiro sobre o sistema de armas, no detalhe as munições acessíveis.

O “Sosna-U”, já citado anteriormente, é uma parte integrante deste sistema, e possuí todas as mais modernas características como mira panorâmica independente para o comandante e um sistema automático de rastreamento de alvos, sendo esta última uma característica de “estado da arte” que pouquíssimos veículos no mundo possuem (nem mesmo o M1A2 SEP e Leopard 2A6 possuem esta característica no momento).

Este fato por si só já demonstra o quão revolucionário e inovador o sistema é tendo como os pontos chaves de vantagem:

1) a redução na carga de trabalho do artilheiro e do comandante. O artilheiro não mais precisa seguir um alvo em movimento, pois o computador realiza essa tarefa automaticamente. Em ensaios e testes os resultados apontaram que os erros utilizando esse sistema são de 1,5 à 2,5 vezes menores do que utilizando o sistema manual de rastreamento.

2) este sistema de rastreamento automático transforma mísseis guiados por linha de visada/iluminação do alvo em mísseis do tipo “dispare e esqueça”, dado que anteriormente o artilheiro teria de manter o alvo travado por todo o tempo de viagem do míssil até seu alvo e agora isso não é mais necessário com o sistema realizando o trabalho de forma autônoma uma vez que o alvo seja identificado e travado. Este trabalho para o artilheiro era algo relativamente difícil de se fazer com sistemas de mira antigos para distâncias superiores à 4 quilômetros, e isso sem levar em consideração a necessidade de concentração que poderia ser afetada em uma situação de combate devido a toda tensão envolvida. Este ponto demonstra claramente a redução do estresse sobre o artilheiro e denota o aumento de precisão do sistema como um todo.

t90ms_81
A tripulação conta com visores e sistemas eletrônicos avançados e integrados que aumenta a consciência situacional e letalidade nos primeiros disparos.

O comandante de um T-90MS Tagil conta com um benefício extra que é a visão térmica de 3ª geração Catherine-XP, poucos veículos no mundo providenciam ao comandante uma qualidade de visão semelhante à do artilheiro e menos ainda são aqueles que fornecem uma opção de visão melhor para o Comandante do que para o Artilheiro.

Este sistema de visão e mira aprimorado para o comandante, em combinação com a integração de informações do sistema de tiro “Kalina”, permite que o próprio comandante engaje alvos e assim a tripulação do veículo opere na formatação “Killer-Killer” ao invés do convencional “Hunter-Killer” de outros carros de combate.

Coroando o Sistema “Kalina” temos um Sistema de Processamento de Imagem, cujo o objetivo é otimizar a qualidade da imagem no sistema de mira através de melhorias de contraste e resolução para visualização nos monitores e display’s. Existem informações de que um sistema semelhante foi instalado no M1A2 SEP e demonstrou melhoria de 70% na capacidade para aquisição de alvos e redução de 45% no tempo necessário para conseguir efetuar um disparo contra alvos distantes ou em condições de baixa visibilidade.

O veículo conta ainda com sistema para operação em teatros contaminados QBRN (Químico, Biológico, Radiológico e Nuclear) graças ao seu sistema coletivo auxiliado pelo sistema PKUZ-1A. Além de um sistema tradicional contra eventuais incêndios internos.

O Tagil conta também com uma unidade de força auxiliar para prover energia a todos os sistemas do veículo mesmo quando o motor está desligado e pode ainda receber um gerador auxiliar movido a diesel com potência de 7kW.

T-90MS_Kalina
Sistema “Kalina” é algo realmente revolucionário pois integra todos os sensores do veículo e permite a utilização em data Link entre  veículos, o que aumenta a letalidade de mísseis e armas dos veículos que passam a operar conectados numa rede.

O veículo conta com sistema de ar-condicionado interno que não é uma novidade, porém valendo a nota de que o T-90 (em versão anterior ao MS) em testes na Índia provou sua capacidade de sobrevivência em ambientes de calor extremo, complementando assim a capacidade de sobrevivência em ambientes de frio extremo os teatros de testes e operações do veículo dentro da própria Rússia já conhecidos.

Existem indicativos de que devido ao sistema Kalina e ao sistema de gerenciamento de combate que o T-90MS o mesmo estaria equipado também com uma suíte para identificação IFF (Friend or Foe) visando facilitar a diferenciação veículos e objetos aliados de inimigos e possíveis alvos em teatro de operação.

SISTEMAS DE ARMAS

O canhão de alma lisa 2A46M (ou D-81TM como é chamado na Rússia) de 125mm em si não é uma novidade, se trata de um modelo com mais de 30 anos de história e utilizado em diversos outros carros de combate como o PT-91 polonês, o T-84 ucraniano além de veículos na Coréia do Norte, Sérvia, Croácia e Irã. Dentro da própria Rússia os canhões do projeto 2A46 possuem vasto histórico remontando ainda os T-55 em modelos modernizados e com amplo histórico na Família T-72 e T-80.

As novidades na nova versão o 2A46M-5 estão em pequenas modificações para dois fins: facilitar sua substituição e aumentar sua vida útil. O peso do sistema permanece porém na marca de 2.500kg.

T-90MS_eng-8
As novidades na nova versão o 2A46M-5 estão em pequenas modificações para dois fins: facilitar sua substituição e aumentar sua vida útil. O peso do sistema permanece porém na marca de 2.500kg.

Para alcançar esses objetivos temos um novo munhão com rolos elásticos para fácil montagem e calço de retorno, além da instalação de dois novos elementos para facilitar a remoção do cano.

O cano ganhou uma nova composição de alta rigidez e cromagem para aumentar sua vida útil que agora alcança 1300 disparos sendo um aumento significativo sobre os 1200 disparos de vida útil de versões anteriores.

tank1
O canhão 2A46M-5 aumentou bastante o leque de poder de fogo para o blindado, podendo disparar uma vasta gama de munições de tipo APFSDS, HE, HEF além dos mísseis 9M119 Svir, na imagem o sistema de alocação do míssil no interior da câmara do canhão.
Svir (3)
Detalhes do míssil 9M119 Svir

O canhão 2A46M-5 aumentou bastante o leque de poder de fogo para o blindado, podendo disparar uma vasta gama de munições de tipo APFSDS, HE, HEF além dos mísseis 9M119 Svir, ou também chamado de 9K119 Refleks (designação da OTAN como AT-11 Sniper), com guiamento à laser esse míssil pode engajar tanto outros blindados e/ou veículos como também helicópteros voando em baixa altura tendo como raio efetivo entre 4km à 5km de distância.

No roll de munições convencionais a arma principal do Tagil é capaz de disparar quase todo tipo de armamento disponível no arsenal russo para 125mm, todas as versões das munições das famílias 3VBM11, 3VBM13, 3VBM17 e 3VBM19 que são as principais munições russas hoje e por consequência as principais utilizadas pela atual frota de T-90 e para o próprio T-90MS.

Svir (2)
Míssil 9M119 Svir
Svir (1)
Detalhes do míssil 9M119 Svir

O T-90MS é capaz de operar com as munições 3BM48 “Svinets” e “Svinets-2”, porém pouco se tem de real informação sobre essas munições, somente que elas possuem a mesma capacidade de penetrar 800mm de armadura que as M829A3 e DM-63. O fato é interessante dado que as “Svinets” são mais “curtas” que seus pares ocidentais, se mantendo no comprimento de 740mm para manuseio e utilização nos carregadores automáticos em serviço na frota de T-72, T-90 e T-80.

É comentado que os russos consideram a tecnologia envolvida com essas munições como sendo muito dispendiosa devido aos novos flechetes e novos tipos de sabot, além disso seriam munições para “momentos negros” devido ao uso de urânio empobrecido e tungstênio, mesmo que diversas das atuais munições do arsenal russo já utilizem esses elementos em menor escala ou proporção. Outro ponto para o pouco conhecimento e até onde se é divulgado a pouca utilização desse tipo de munição seria a não existência de ameaça blindada na esfera de oposição direta à Rússia com veículos de blindagem mais capaz do que as atuais munições mais convencionais em uso.

A grande crítica feita no ocidente sobre canhões de 125mm recai sobre a precisão dessas armas e para compensar esse efeito o novo canhão 2A46M-5 teve em suas modificações refinamentos de calibragem e acerto que juntamente com um novo sensor ótico instalado no cano do canhão providenciam um aumento médio de 15% na precisão com qualquer que seja o tipo de munição, dentre aquelas homologadas para a arma.

nova_02
O armamento secundário do T-90MS é composto pela torreta remotamente controlada UDP T05BV-1 RWS, equipada com metralhadora 6P7K de 7,62mm com 800 cartuchos para uso anti-aéreo distribuídos em dois magazines, podendo transportar mais 2000 cartuchos internamente.

Outro ponto interessante para complementar a efetividade e capacidade do canhão do T-90 estão em modificações em sua torre, não no desenho externo, porém sim internamente. Essas modificações nos sistemas de giro garantem uma taxa de rotação de 40 graus por segundo com um novo estabilizador. Essa taxa é substancialmente superior a todos os carros de combate russos e superior também aos veículos disponíveis nas fileiras da OTAN que possuem em média rotação de 30 graus por segundo. Com este valor anunciado o T-90MS apresenta uma das torres mais rápidas do mundo.

O canhão do Tagil é alimentado por um carregador automático, como em suas versões anteriores esse carregador possuí um carrossel com 22 munições alocadas e prontas para uso. O uso de carregadores automáticos já é prática testada e aprovada na Rússia e vista com bons olhos dada a redução da tripulação de 4 para 3 membros (eliminando-se o carregador). Mesmo que este item não figure em veículos Alemães, Estadunidenses, Britânicos ou Italianos ele é objeto de estudo e já se encontra em uso em carros de combate Franceses, Japoneses e Sul-Coreanos.

T-90MS_eng-9
A nova arma de cano secundária permite engajamentos com elevações maiores que permitem atacar insurgentes em perímetros próximos ao veículos em regiões apertadas e de ambiente urbano.

O armamento secundário do T-90MS é composto pela torreta remotamente controlada UDP T05BV-1 RWS, equipada com metralhadora 6P7K de 7,62mm com 800 cartuchos para uso anti-aéreo distribuídos em dois magazines, podendo transportar mais 2000 cartuchos internamente. Essa torreta é controlada pelo comandante e atua de forma totalmente independente da arma principal, contando com estabilizadores em dois axis para garantir maior precisão nos disparos.

svinets (1)
Novas munições 3BM46 e 3BM48 desenvolvidas para o T 90 e que estão integradas ao T 90 MS .
svinets (2)
Novas munições 3BM46 e 3BM48 desenvolvidas para o T 90 e que estão integradas ao T 90 MS.
svinets (3)
Detalhe da munição flecha 3BM46 para o T 90 e que estão integradas ao T 90 MS.

A nova torreta foi alvo de crítica por alguns analistas e entusiastas devido a “perda” de poder de fogo comparada com a arma anterior de 12,7mm (calibre .50), porém tem a vantagem de ser um conjunto mais leve com maior estabilidade de tiro e mais munições para uso.

Informações não confirmadas porém indicam que o armamento secundário poderia ser alterado de acordo com a vontade de eventuais clientes para o retorno do canhão de 12,7mm ou até mesmo para um lançador de granadas de 30mm.

MOBILIDADADE

V92s2_sdflkj
Motor V-92S2F turboalimentado Diesel de doze cilindros em V.

O veículo conta com o motor V92S2F turbo diesel, com 1130hp de potência, apresentando mais de 10% de aumento de potência sobre as motorizações anteriores. Este novo motor possuí peso de 1.100kg à seco, contando com um novo sistema de bombeamento de combustível, novos injetores, bielas e pinos reforçados e um novo desenho de cárter para melhoria da qualidade de fundição das partes e um tratamento térmico da superfície do virabrequim.

Foi inserido também um novo sistema de transmissão e câmbio automáticos, com 7 velocidades à frente mais a marcha ré, a opção de modo manual para troca de marchas foi mantida. Devido as mudanças no sistema de câmbio e transmissão, além do motor mais potente, o Tagil possuí melhor performance de aceleração porém mantém sua velocidade máxima em 60km/h (em estrada e de acordo com seu fabricante). Algumas fontes indicam que o veículo é capaz de superar 65km/h em estrada chegando até a 72km/h mas não há confirmação do fabricante sobre esse dado.

Todas essas modificações objetivaram aumentar a eficiência do motor tanto em seu consumo de combustível assim como facilitando sua manutenção e complementando isso a vida útil do motor foi estendida para mais de 1200 horas de utilização, sendo substancialmente superior aos motores das versões anteriores do T-90.

A crítica existente sobre as versões anteriores do T-90 sobre sua baixa velocidade de marcha ré infelizmente não foi corrigida. O veículo permanece possuindo velocidade de somente 5km/h em marcha ré sustentada, um ponto considerado ruim para algumas realidades de operação onde o carro de combate possa ser obrigado a recuar o mais rapidamente possível.

t-90ms11
Na imagem as principais modificações introduzidas no T 90 MS

O aumento de peso do veículo de 1 tonelada e meia (em sua grande parte devido a nova blindagem reativa) não afetou em nada sua mobilidade devido ao aumento de potência do motor em proporção maior do que o aumento de peso. Mesmo quando se trata da pressão sobre o solo a ampliação foi irrelevante não modificando as realidades de utilização do veículo, pois o aumento foi de simplesmente de 0,04kgf/cm2 (de 0,94kgf/cm² para 0,98kg/cm²).

O Tagil utiliza-se de um sistema de suspensão de barra de torção convencional, demonstrando aqui claramente a influencia ainda das velhas lições, o sistema é tido pelos russos como além de mais simples muito mais confiável do que o caro e complexo sistema hidropneumático e produzindo resultados que não valeriam o preço da troca.

26
O Tagil utiliza-se de um sistema de suspensão de barra de torção convencional.

A confiança que os russos possuem sobre esse sistema de suspensão e sua rigidez e robustez são comprovadas nas mais diversas exibições onde o T-90 em suas diversas versões é visto saltando de alguns metros de altura e até mesmo disparando no ar para a posterior “aterrissagem” que rendem ao T-90 o apelido de “Flying Tank” ou “Tanque Voador” em português, esta característica é mantida no Tagil.

O carro de combate possuí capacidade de atravessar prontamente, sem modificações, cursos d’água de até 1,8m de profundidade, com equipamento extra o veículo é capaz de atravessar curso d’água de até 5m de profundidade. O Tagil pode ainda superar obstáculos com mais de 1,1 metro de altura e vencer subidas com mais de 35º de inclinação.

ESPECIFICAÇÕES

Ficha Técnica

Comprimento / m 10,0
Largura / m 3,5
Altura / m 2,3
Massa / ton 48
Propulsão Motor V-92S2F Turbo Diesel
Potência 1130hp
Relação potência hp/ton 23,54
Transmissão Câmbio Automática Uralvagonzavod
Suspensão Barra de Torção 
Performance   
Velocidade Máxima km/h 60 a 72 em estrada 
Autonomia / km 550km
Inclinação máxima 60º frontal – 40º lateral
Sistemas de armas Sistemas de tiro Computadores de tiro digital Kalina, estabilizadores, telêmetro laser, visores térmicos.Armamento primário canhão 125 milímetros de alma lisa 2A46M-5 capaz de disparar mísseis anti-carro 9M119 SvirArmamento secundário Metralhadora 7,62 milímetros remotamente controlada 6PK7
Armadura  Armadura Armadura principal de compósito metálico em aço (material confidencial) e kit ERA ReliktProteção Painéis de anti-fragmentação internos em tecido aramida, proteção QBN coletiva PKUZ-1A, Shtora-1 e sistema de proteção eletromagnética.

 

CONCLUSÃO

Em uma mistura clara entre “o velho” e “o novo” o T-90 MS Tagil emerge como a mais moderna versão de Carro de Combate disponível na indústria Russa hoje, demonstrando que mesmo nos mais avançados teatros de operação ainda podem existir espaços para soluções advindas até mesmo da década de 60 atuando em conjunto com as soluções da última década.

Com melhorias em conceitos de modularidade e manutenção, na blindagem, motorização, armamento mas acima de tudo em novos sistemas embarcados para maximizar as capacidades de combate do veículo o Tagil entra como um produto que tem longa vida pela frente, em um mercado onde diversos exércitos devem necessitar de substituição para frotas de antigos T-55, T-64, T-72 entre outros veículos soviéticos e mesmo nações com histórico de veículos ocidentais. O T-90MS apresenta-se como uma solução agregando soluções modernas com simplicidade e baixo custo e boa durabilidade.

Não existe informação certa sobre a possibilidade de se atualizar os atuais T-90A, K, S, SK ou mesmo S “Bhishma” para o padrão do MS. Hoje a Uralvagonzavod trabalha com o T-90MS em seu portfólio como sendo um novo veículo e não uma mera atualização do T-90S, isso pode se resolver em um problema para o futuro dessa variante dentre os atuais utilizadores do carro de combate.

O Tagil ainda não recebeu oficialmente nenhum pedido, nem da Rússia e nem mesmo da Índia, onde existem rumores sobre o interesse (em especial após a abertura de fábrica para a produção do T-90S “Bhishma”), e alguns analistas ocidentais consideram que o veículo representa na verdade uma série de testes de conceitos para a nova família de carros de combate russa para a próxima década (o T-99 Armata), porém já existe muito interesse e curiosidade sobre o carro de combate.

O T-90MS dá novo fôlego ao herdeiro de uma longa história de carros de combates soviéticos e garante não só sua permanência no mercado mas também a tomada da dianteira sob diversos aspectos de inovação em um veículo ágil e muito mais leve do que seus principais concorrentes.

19

 

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa MBT Brazil

MBT Brasil: Israel Military Industries MERKAVA MK IV

Flickr_-_Israel_Defense_Forces_-_Storming_Ahead

Autor: J. MessiaH

Plano Brasil
Acompanhe a série de reportagens no MBT BRAZIL clicando aqui

Prefácio

Resultado da contínua e pragmática evolução e atualização da família de veículos Merkava, o Mk IV é hoje o principal carro de combate das Forças de Defesa Israelenses (IDF), a quarta geração da série entrou em operação no ano de 2004.

Entretanto, este MBT começou a ser desenvolvido em 1999. Ligeiramente maior e mais pesado que seus antecessores, o Merkava Mk IV foi amplamente melhorado visando superar as deficiências em versões anteriores, incluindo nova blindagem balística (armadura), novas armas e sistemas eletrônicos. Vale salientar que a versão Mk IV do Merkava é hoje considerada a mais moderna e eficiente no quesito proteção.

sand_israel_tanks_dust_merkava_iv_1920x1080_60590

A origem

Tendo seu desenvolvimento iniciado em 1973 e entrando em serviço no ano de 1979, o Merkava, que hoje em sua quarta geração foi concebido e batizado com fogo, Percorreu um árduo caminho para alcançar o estado de arte que esse MBT alcançou. Desde sua origemo Merkava já nasceu combatendo e não teme a desafio algum, seja ele em cenário aberto no campo de batalha convencional, seja ele densamente povoado e restrito como o cenário urbano.

Estando entre os 10 melhores MBT’s do mundo, o Merkava teve seu desenvolvimento iniciado após a negativa do governo britânico para o fornecimento dos então carros de combate ingleses Cheiftain. Em meados dos anos 60. A posição inflexível de Londres forçaria ao governo Israelense buscar uma solução própria para a produção de  um MBT capaz de fazer frente às ameaças específicas do cenário israelense, onde  a resposta necessita ser imediata e contundente.

Merkava MKIV (2)
Coluna de veículos MERKAVA aguardando ordens na operação “Chumbo Derretido”.

Israel é um pequeno país cujo relevo e características são um desafio para as suas forças de defesa. Cercado de inimigos por todos os lados, Israel de então contava com uma força blindada numericamente  inferior, e dado as suas dimensões, um avanço do inimigo pelo seu território era algo “fácil” de se fazer, soma-se a isso, os constantes conflitos urbanos o que exige a movimentação de suas forças em regiões “apertadas” densamente povoadas e que se constituem em verdadeiras armadilhas para qualquer força blindada cenário propicio para o uso de armas como o RPG que não perdoam as falhas e deficiências na proteção dos blindados e suas tripulações.

É nesta complexidade que o conglomerado de empresas do ramo de defesa de Israel através do escritório MANTAK/IDF se juntam para desenvolver esta que é uma das mais bem sucedidas famílias de carros de combate da história,o qual neste artigo, apresentamos a sua versão mais moderna e atual, o IMI MERKAVA Mk IV.

MERKAVA IV

O Carro de Combate

Motor General Dynamics GD883 V-12 Diesel
Motor General Dynamics GD883 V-12 Diesel

Diferenciando-se das versões anteriores o Merkava Mk IV teve o seu casco totalmente redesenhado a fim de receber além de um novo motor uma nova eletrônica embarcada, esse remodelamento proporciona ainda uma melhoria no campo de visão do motorista do carro de combate.

O novo motor, é também alojado na parte dianteira do carro, que além de mais potente traz consigo uma maior segurança a tripulação no caso, devido a proteção contra impacto frontal. Derivado da motor alemão produzido pela MTU, o motor General Dynamics GD883 V-12 Diesel é produzido sob licença, entregando ao Merkava Mk IV a potência de 1.500hp e a capacidade de deslocamento a uma velocidade de 64 km/h em estradas e 55km/h em terrenos não preparados.

Um dos tanques de combustíveis fica também na parte da frente do veículo, sendo outros dois na parte traseira, o novo motor traz ao veículo um acréscimo de potencia  cerca de 25% maior em relação as versões anteriores do Merkava, a transmissão é automática e de 5 velocidades.

VÍDEO

[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1gbZXKa” standard=”http://www.youtube.com/v/364Pma4rfOs?fs=1″ vars=”ytid=364Pma4rfOs&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep5027″ /]

O MK IV é capaz de transportar um grupo de comando composto por oito soldados de infantaria,  ou três pacientes em macas (quando descarregado), a tripulação é composta por quatro integrantes sendo eles: comandante, carregador, artilheiro e motorista.

Mk IV equipado com ATGM FCD (Anti Tank Guided Missile, Fire Control Director)
Mk IV equipado com ATGM FCD (Anti Tank Guided Missile, Fire Control Director)

Capaz ainda de disparar em deslocamento em alvos também em movimento uma de suas peculiaridades é a capacidade de engajar até mesmo helicópteros, para isso o MERKAVA  MK IV faz uso de munições anti-tanque convencionais, contudo, este feito só é possível graças graças ao sistema de controle de fogo, monitorado e  controlado por computador que inclui linha de estabilização de vista em dois eixos, um sistema de TV de segunda geração composto por um rastreador térmico e visor noturno, além de um telêmetro laser.

Sensores embarcados do Merkava Mk IV
Sensores embarcados do Merkava Mk IV

O sistema operacional integrado inclui ainda, comunicação de dados e um avançado sistema de gerenciamento de batalha denominado BMS (battle manager system) desenvolvido pela Elbit e que garante toda a consciência situacional do campo de batalha ao comandante do blindado, vale salientar que o BMS pode trabalhar integrado com outras aeronaves, helicópteros, UAV’s e sensores utilizados pelas tropas em campo o que amplifica ainda mais a capacidade de “ver”,”engajar” e “Destruir” os alvos ainda no primeiro disparo .

Elbit Battle Manager System
Elbit Battle Manager System (BMS)

Para melhor manobrabilidade, a versão Mk IV conta com um avançado sistema de câmeras e telas de LED que fornecem imagens externas do veículo facilitando a navegação em campo, seja durante o dia ou durante a noite e especialmente nos apertados centros urbanos de ( de Gaza e na Cisjordânia) ruas estreitas e escombros provenientes das demolições ou destruições de prédios.

Arma Principal

canhão IMI de 120 (2)
Canhão IMI de 120mm
canhão IMI de 120
Cartucho de 120mm M339
m3291
Munições M329 Anti-Pessoal e/ou Anti Material

 

 

 

 

 

 

 

O Merkava Mk IV incorporou um canhão IMI de 120 milímetros alma lisa.

O diâmetro da arma principal agora pode suportar pressões balísticas mais elevadas resultando num recuo mais suave, devido a uma culatra desenvolvida localmente pela El Op Electro Optic Industries (subsidiária da Elbit), mais compacta e engenhosa do que as empregadas nas primeiras gerações do Merkava, este novo sistema é controlado por um microprocessador e é totalmente automatizada.

MerkavaIVBmagazine
Culatra automatizada com capacidade para 10 munições
MerkavaInterior
Computador de tiro do Merkava IV

 

 

 

 

 

 

 

Ademais o canhão utilizado no Mk IV pode disparar uma gama de munições do tipo APFSDS-T M711 (CL 3254), HEAT-MP-T M325 (CL 3105) e o TPCSDS-T M324 (CL 3139), o estoque de munições do canhão é de 45 a 48 variando de acordo com o tipo de munição utilizada.

Pelo cano de 120mm do canhão o MK IV também pode disparar mísseis anti-tanque Lahat e Excalibur ATGW; o armamento secundário consiste numa metralhadora FN MAG de 7,62 mm ou uma M-2A-1 em calibre 12,7mm (.50) podendo ser armazenado a quantidade de até 10 mil cartuchos; e um morteiro de 60 mm com alcance entre 2.700 a 3 mil metros, operado internamente e integrado ao BMS.

O magazine de munições do Merkava foi projetado em um espaço isolado da torre de maneira a proteger a tripulação em caso de explosão, o sistema é de fácil manuseio e o artilheiro pode selecionar uma munição aleatória entre as 10 carregadas na culatra rotativa.

GALERIA DE IMAGENS

Proteção Blindada

A proteção do Merkava Mk IV é o grande trunfo dos israelenses, com vasta experiência em combate ao longo dos anos e após sucessivas guerras. O grosso da blindagem do Merkava é constituído de uma nova armadura modular, que pode ser reconfigurada para corresponder às ameaças específicas, além de poder ser reparada rapidamente pela própria tripulação. A parte inferior do casco foi reforçada para melhor proteção contra minas terrestres.

A blindagem do MK IV é composta por novos materiais exclusivamente desenvolvidos para esta versão. A blindagem é híbrida e modular, composta tanto por elementos passivos (componentes cerâmicos e metálicos) como também com módulos de blindagem reativas que podem impedir a perfuração por armas antitanque portáteis. A blindagem modular permite que os módulos de blindagem transportados para o campo de batalha possam ser trocados consoante a análise que os comandantes fazem da ameaça a ser enfrentada.

Todos os quatro membros da tripulação, têm à sua frente um monitor de computador, que lhes fornece dados sobre a sua função específica e o comandante tem a possibilidade de aceder a todos esses dados.

A última versão do veículo entrou ao serviço no ano 2004 equipando as mais importantes unidades blindadas do exército, o seu batismo de fogo foi em 2006 na operação: “Chumbo Fundido”, conflito que colocou frente a frente o exército de Israel e as forças do movimento integralista islâmico Hezbollah. Naquele conflito o Merkava provou possuir uma eficiente blindagem apesar das perdas em combate num ambiente hostil, a blindagem do Merkava ficou provada quando em alguns encontros, tropas de Israel ficaram cercadas e os feridos tiveram que ser evacuados  pelos MBT devido a sua proteção blindada.

Apesar de serem desenvolvidos para desempenhar papel em conflitos urbanos, os Merkavas tal como qualquer outro veículo de sua categoria sofre devido as intrínsecas características do teatro de operação, saturado de armadilhas e possíveis emboscadas.

[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1gbWXNZ” standard=”http://www.youtube.com/v/khTdi-m-ndw?fs=1″ vars=”ytid=khTdi-m-ndw&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep2248″ /]

Proteção Eletrônica

A gama de sensores eletrônicos que equipa o Mk IV é composta desde o BMS (Battle Manager System) desenvolvido pela Elbit; o Elta Wind Guard 2133, que nada mais é que um conjunto de sensores e antenas que alertam a tripulação sobre agressões infringidas em direção ao carro (exemplo: tiros de RPG); além do sistema de proteção ativa TROPHY que protege o carro de mísseis guiados ou armas anti-carro. Com essa experiência adquirida no Líbano em 2006 foi acrescentado também na parte traseira da torre, 64 conjuntos de defletores Merk ATGW que evitam danos maiores em caso de um acerto direto entre a torre e o casco. O MBT é equipado ainda com o LWS-2, sistema de alerta de laser Amcoram, com display de aviso de ameaça instalado na estação do comandante. Fabricado pela Israel Military Industries-IMI o POMALS (sistema de lançamento multi-munição operado por pedestal) lançador de chamariz consiste num lançador que é montado em ambos os lados do tanque, podendo lançar granadas de fumaça e engodos.

Especificações Técnicas

Comprimento 9,04m
Largura 3,72m
Altura 2,66m
Massa ± 65toneladas

Propulsão e Técnica

Motor General Dynamics GD833 (produzido sob licença do MTU 833) V12 Diesel – Refrigerado a água
Potência 1500hp
Relação peso-potência 23 hp/ton
Transmissão Ashot Ashkelon hidromecânica automática, com 5 marchas (cópia sob licença da Renk RK 325)
Suspensão Mola Helicoidal

Performance

Velocidade Máxima 64km/h on road – 55km/h off-road
Autonomia (km/mi) 500km/310mi
Inclinação máxima 60º frontal – 30º lateral

Armamento e armadura

Sistemas de tiro Computadores de tiro digitais, estabilizadores, telêmetro laser, visores térmicos e canhão automático
Armamento primário canhão 120 milímetros de alma lisa MG253 capaz de disparar mísseis anti-carro LAHAT e Excalibur, com 45 a 48 recargas
Armamento secundário 2 metralhadoras 7,62 milímetros, 1 anti-aérea Cal.50 e um morteiro de 60mm
Armadura Armadura principal de compósito laminado cerâmico – aço e níquel (material confidencial), com design inclinado e modular.
Proteção Proteção QBN, sistemas de alerta de armas guiadas a laser Trophy II / ASPRO APS (Active Protective System) Rafael APS & ELTA Synthetic Aperture Radar neutralizador de ATGW & RPG’s.
Sistema Trophy no Mk IV
Sistema Trophy no Mk IV

Em 1 de Março de 2011, um Merkava MK IV estacionado perto da fronteira com Gaza, equipado com o sistema de proteção ativa Trophy, frustrou com sucesso um ataque com mísseis, esse incidente se tornou o primeiro sucesso operacional do sistema Trophy.

Merkava MKIV (1)

Os compartimentos internos do Merkava Mk IV ainda contam com um sistema de aquecimento e refrigeração por ar condicionado além da proteção individual e pressurizada NBC (Nuclear Biological Chemical) proporcionando ao Merkava a sua atuação em qualquer tipo de ambiente.

Conclusão

A família de veículos Merkava é de concepção do Major General Tal, falecido em 8 de setembro de 2010. O critério principal quando de seu planejamento e desenvolvimento destes veícuos sempre foi a segurança do carro e de sua tripulação. De maneira que não é simples coincidência os níveis de proteção do Merkava o apontarem como um dos mais seguros do mundo e um dos 10 melhores carros de combate da atualidade.

Comenta-se que o sucesso do Merkava deve-se ao fato dele ter sido pensado desde o início por tripulações de blindados israelenses e concebido para tripulações israelenses, ou seja, peculiaridades, críticas, soluções, adaptações e ideias fizeram a diferença garantindo que o projeto se adequasse exatamente as necessidades israelenses da época e do cenário atual, tudo isso incorporado ao longo de suas atualizações.

Em suma, a experiência adquirida ao longo dos conflitos árabe-israelenses contribuiu e influenciou diretamente no projeto deste formidável MBT. Porém, como todo e qualquer veículo da atualidade, apesar de bem protegido, ainda sofre com ameaças assimétricas as quais enfrenta. Além de pontos de vulnerabilidade como a porta de entrada traseira.

Entretanto os méritos do Merkava Mark IV ou Mk IV são muitos, a praticidade e a fiabilidade do carro garantem facilidade para as tripulações, existem ainda derivadas do Merkava versões: ambulância e transportadora de tropas (NAMER). Sua tecnologia embarcada é definitivamente um sucesso e o MBT cumpre o papel a que se propôs desde seu nascimento, dar fogo ao inimigo e trazer de volta em segurança sua tripulação. Atualmente, Israel não oferece para exportação o Mk IV a única versão oferecida da família Merkava é a Mk III, porém alguns dos sistemas do Mk IV podem ser exportados de acordo com as necessidades do potencial cliente.

Merkava MKIV (3)
Um Merkava Mk IV exibe suas linhas arrojadas

 

 

 

 

Fonte: Israel Military Industries Ltd.

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa MBT Brazil Sistemas de Armas Tecnologia

MBT Brasil: IVECO ARIETE

IVECO DEFENSE VEHICLES: ARIETE

IVECO ARIETE C1 (28)

logoAutor: Edilson Moura Pinto

 

Acompanhe a série de reportagens no MBT BRAZIL clicando aqui

PREFÁCIO

Resposta italiana a renovação de sua força blindada, o C1 Ariete, (Aires, Carneiro), foi um programa lançado para o desenvolvimento de um Carro de Combate Moderno de nova geração, de concepção e produção nacional que resgatou a capacidade de desenvolvimento e produção dos veículos blindados de combate Italianos. O desafio era grande, a Itália até então não possuía uma tradicional indústria de produção de carros de combate desta envergadura. Criticado pelos especialistas, o consórcio FIAT-IVECO e OTO MELARA enfrentou o desafio de lançar-se a produção de um carro de combate inovador e atualizado.

O programa partiu do “zero”, carregando consigo apenas a experiência de montagem sobre licença de veículos blindados  de origem alemã da série Leopard 1A2. Em fevereiro de 1997, após anos de desenvolvimento, as primeiras unidades do exército italiano começaram a receber os seus primeiros carros de combate Ariete C1.

Do ponto de vista de sua avaliação como projeto base para um provável veículo para o Exército Brasileiro, o  Ariet C1 possui vantagens logísticas e técnico/industriais, uma vez que a empresa já possui uma planta produtora de blindados no Brasil. A IVECO é a principal contratada no programa VBTP Guarani e contrariamente aos seus possíveis concorrentes a empresa produz todos os subsistemas do carro, motores, blindagem entre outros itens.

O Plano Brasil, em colaboração com a Trilogia Campo de Batalha, apresentará as principais características deste veículo de combate que a muito agrada o Exército, e é sobre ele que vamos dissertar neste artigo. 

IVECO ARIETE C1 (26)
Aposta Italiana em um veículo nacional fez surgir um formidável carro de combate que congrega modernas tecnologias e inovações, resgatando a pós cerca de 55 a capacidade industrial italiana na produção de carros de combate

A ORIGEM

Em 1982, o exército italiano lançava internamente um requisito para o desenvolvimento de uma nova geração de carros de combate visando a substituição da sua desgastada frota de MBT Leopard 1A2.

As especificações exigiam que o novo carro fosse projetado e construído pela indústria Italiana. Em 1984 a concepção geral do veículo já havia atingido o seu setup final, estavam definidos os parceiros que iriam levar adiante o complexo programa e o design estava bem encaminhado, tendo muitos dos componentes e subsistemas já desenvolvidos.

Neste mesmo ano a divisão OTOBREDA, um consórcio formado entre a OTO MELARA e BREDA juntaram-se à Alenia Difesa e Divisioni di Difesa IVECO e formavam assim um consórcio para desenvolver a nova geração de veículos de combate para o Exército italiano.

No seu portfólio o fabricante tinha até então, o histórico de fabricação sob licença do carro de combate Leopard-1A2, também já havia concebido um derivado daquele veículo para exportação, conhecido pelo código OF-40. Porém os requisitos exigiam o desenvolvimento de um novo veículo a partir do “zero” o CV-1 teria que ser um veículo com poder de fogo, mobilidade, proteção e tecnologias inovadoras.

A OTOBREDA e IVECO tiveram então a responsabilidade global sobre o projeto com o desenvolvimento do grupo propulsor sistemas de suspensão e produção. Coube a divisão de defesa da FIAT-IVECO desenvolver o carro e à OTOBREDA a responsabilidade pelo desenvolvimento de sistemas de armas e a torre.

 O primeiro protótipo do Ariete entrou em testes de campo já em 1986, as provas de testes foram concluídas dois anos mais tarde, em 1988.

IVECO ARIETE C1 (23)
Oriundo de um consórcio entre fabricantes de veículos militares,motores e armas a posta do programa Ariete ofereceu ao exército Italiana o a completa cadeia de sistemas necessários para a produção do veículo de combate.

Ao longo dos ensaios foram efetuados exaustivos 3.000 disparos com a arma principal, foram executados nada menos que 450 dias de provas interruptas até que o Exército italiano lançasse o pedido de encomenda de cerca de duas centenas do carro, 13 anos após o lançamento do programa em 1995 o Ariete, um projeto que custara US$ 970 milhões entrava em produção para o Exército Italiano, cuja as últimas entregas estavam previstas para finais de 2001 e início de 2002.

O programa veria o seu último veículo entregue 20 anos após a sua concepção, a razão disto, foram os sucessivos cortes orçamentários, mudança de visão estratégica e o próprio fim da guerra fria que determinou a redução dos pretendidos 700 veículos, para apenas 200. Isto porque a decisão do exército italiano foi centrar as suas prioridades no projeto de uma cavalaria média galgada nos veículos sobre rodas, o que gerou o então programa Centauro.

Críticos do programa alegam que quando em 1997 o Ariete deixou as linhas de montagem, ele já estava desatualizado, pois seu conceito remonta dos anos  “80”. O C1 não havia se beneficiado das melhorias que o manteriam atualizado ao longo dos tempos.

 Atualmente a IVECO trabalha nos estudos de atualização do veículo para o padrão Ariete Mk. 2, cujo motor mais potente, teria 1600 hp, um novo sistema hidropneumático de suspensão, um sistema de controle de fogo mais avançado, maior proteção e um carregador automático para a arma de alma lisa de 120 mm.

GALERIA DE IMAGENS

Não obstante a sua atualização, em 2004 o Ariete teve seu batismo de fogo na segunda guerra do golfo, o carro de combate estreou em Nasiriyah, capital da província de Dhi Qar, no Sul do Iraque, palco da operação integrada do contingente italiano na operação “Ancient babylon (Antiga Babilônia)”.

VÍDEO

  [embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1m23zxU” standard=”http://www.youtube.com/v/r4uT9ur9bXE?fs=1″ vars=”ytid=r4uT9ur9bXE&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep8028″ /]

ARMAS E SISTEMAS

IVECO ARIETE C1 (25)
A Arma Principal do Ariete é o seu canhão L44 Oto Melara, produzido sob licença

O Ariete pode atingir alvos fixos ou móveis de dia ou de noite, os sistemas do carro garantem o disparo estático ou mesmo em movimento sobre quaisquer condições climáticas.

O armamento principal que equipa o C1 Ariete é o canhão alemão RHEINMETALL, L 44 de auto recuo, 120 mm, calibre 44 de alma lisa, produzido sob licença pela OTOBREDA. Este canhão é equipado com uma luva térmica, exaustor e sistema de referência. A arma é estabilizada em dois eixos por sistemas electromecânicos e sua câmara é da mesma dimensão do modelo adotado nos carros Leopard 2 e M1A1 / M1A2 Abrams.

mbt1
A Arma Principal L 44 de alma Lisa em bancada de testes

O canhão é monitorado por sensores térmicos e tem um sistema para a recuperação de gás e amortecimento de chama, é também estabilizado hidraulicamente e pode usar quase todos os tipos disponíveis de munições de penetração por energia química e cinética incluindo munições APFSDS e HEAT de carga oca.

IVECO ARIETE C1 (7)
Com um sistema digital de controle digital de fogo, a L44 confere maior precisão e chance de acerto já no primeiro disparo, reparar o sensor posicionado na extremidade do cano.

O carro acomoda 42 recargas onde, 15 delas ficam armazenadas na arma principal, quinze na torre e vinte e sete ao lado do motorista. O  Ariete pode atirar com precisão  em deslocamentos  à  30 a 40 km / h, sendo forçado a abrandar a sua velocidade para 15-20 km / h, dependendo do terreno.

IVECO ARIETE C1 (22)

O armamento secundário compreende duas metralhadoras BERETTA MG 42/59, 7,62 mm, uma coaxial a arma principal, e a outra montada na torre principal. A reserva é de 2500 munições, a torreta do veículo possui elevação elétrica com um sistema de backup manual.

Em ambos os lados da torre são montados 08 lançadores de granadas modelo Galix 80 e geradores de fumaça, alimentados por energia eléctrica.

IVECO ARIETE C1 (9)
Lançadores de granadas posicionados a meia torre

O lançador de granadas pode disparar uma variedade de munição que vão desde iluminadores até granadas de fumaça, cargas anti-motim, bombas de gás lacrimogêneo, LACRY, munições fragmentadas AP-DR, antipessoal bombas de efeito moral AP-TCP, e de defesa contra mísseis de ataque LEUR IR.

IVECO ARIETE C1 (8)

IVECO ARIETE C1 (1)
Equipado com uma moderna suite de sistemas eletro ópticos o Ariete está na vanguarda dos MBT no que se refere aos sistemas de visão e controle de tiro

Ambas, arma principal e lançador de granada, possuem uma interface com o sistema de alerta laser, capaz de detectar feixes de laser de emissões em um plano horizontal de 360º, este sistema permite ainda determinar a natureza do ataque, seja ele proveniente de outros carros de combate, canhões, mísseis ar-terra, bombas etc.

O posto de comando do lado direito da torre é equipado com um visor panorâmico e um monitor que demonstra a imagem térmica a partir do ponto de vista do atirador. O visor é montado sobre a torre e tem capacidade de rotação de 360 graus, elevação de -10 a +60º. A localização do piloto, na direita na parte da frente do casco é equipada com três periscópios, um dos quais provê visão noturna passiva.

O sistema de controle de tiro do carro é fornecido pela Galileo, denominado TURMS FCS o qual é composto por um periscópio panorâmico de ampliação 2,5 a 10x, estabilizado para o comandante da viatura, este sistema possui capacidade de visão à qualquer tempo. Além disso, uma mira termal com telêmetro a laser está disponível para o artilheiro com ampliação de 5x.

IVECO ARIETE C1 (6)
Visores eletro ópticos posicionados na lateral direita da torre do MBT

O carro é servido por um computador de controle de fogo o qual é alimentado com as informações e dados relativos ao ambiente atmosférico e distância dos alvos. O sistema é conectado a um sensor de referência posicionado na extremidade do cano e conectado ao computador balístico. O sistema inteligente indica o modelo e os perfis da munição a ser usada, de modo a garantir um alto índice de acerto logo no primeiro tiro, seja com o alvo parado, seja este em movimento.

RALM 01-V2
O Sistema de identificação de marcadores laser hoje produzida pelo grupo Selex

O artilheiro tem disponível ainda um sistema de visão de backup, o telescópio coaxial Officine Galileo C-102 com ampliação e até 8x e três retículas selecionáveis ​​manualmente. O carro possui sistema de detecção RALM, produzido pela Selex Communications ex- Marconi SpA. Este sistema detecta os raios de laser dos oponentes e é um sensor montado na frente da torre e cobre um arco de 360º com capacidade de detecção de ondas eletromagnéticas de 0.5 à 1.8 μm.

 BLINDAGEM E PROTEÇÃO

A câmara habitável do veículo é composta de painéis blow-out que alijam para o teto do carro a energia provida da explosão da carga de ataque, lançando-a para fora do veículo de modo a minimizar os efeitos das explosões secundárias para longe da tripulação. Quanto a proteção QBN, o veículo possui um sistema desenvolvido pela empresa Italiana Sekur SpA plenamente coberto contra ataques químicos, biológicos ou nucleares.

IVECO ARIETE C1 (44)

Como todos os modernos carros de combate de última geração, o Ariete possui uma torre protegida com materiais compósitos, com uma seção frontal bastante inclinada de modo a dispersar a trajetória de possíveis projéteis. Por outro lado, tal como os Leopard 2, as seções laterais da torre são igualmente retas e verticais sem ângulos de dispersão. As saias laterais são feitas também em materiais compósitos, produzido pela empresa LASAR.

O carro possui proteção frontal e há a opção para reforçar as laterais com uma armadura adicional. Porém, segundo algumas referências, o nível de proteção, especialmente contra projéteis APFSDS, continua a ser o “Calcanhar de Aquiles” do veículo, é de pouco mais de 500 mm na seção frontal da torre, esta espessura é comparável à dos modelos soviéticos do T-72B.

IVECO ARIETE C1 (3)
Considerado um ponto fraco do veículo a blindagem pode receber no futuro, sistemas passivos de proteção ao blindado

O  Layout do interior do veículo é convencional, a torre está no centro do casco com o comandante no centro e o artilheiro à direita, o carregador fica do lado esquerdo com o condutor sentado na parte direita da frente do casco, em um assento ajustável hidraulicamente, com uma escotilha de peça única com três periscópios, o qual pode ser substituído por um periscópio passivo MES VG / DIL 100.

IVECO ARIETE C1 (2)

O assento do condutor possui um sistema de elevação hidráulica para ambos as situações de direção, aberta ou enclausurada no interior do carro. Possui 3 sistemas de visão do tipo cloche com unidade de direção, duas alavancas de controle de freio e o seletor de engrenagens. Em caso de emergência um alçapão de fuga está disponível na parte inferior do casco, o que pode ser acessado pelos outros membros da tripulação à 180 graus da torre giratória.

IVECO ARIETE C1 (4)

PROPULSÃO

Equipado com um motor turbodiesel Fiat V-12 MTCA 12 cilindros, capaz de gerar 937 kW ou 1.247 hp o motor e acoplado a uma transmissão totalmente automática Renk LSG 3000 fabricada sob licença pela IVECO. Algumas fontes citam que um novo motor IVECO mais potente produzirá 1600 hp contornando a deficiência deste item, considerado limitado em relação aos atuais carros de combate.

A suspensão é do tipo barra de torção, com sete rodas com pneus de borracha para a  estrada o sistema de transmissão automática é produzida sob  licença na Itália e provém da empresa alemã ZF, possui quatro marchas para a frente e duas para trás e incorpora o sistema de direção e retardador hidráulico.

As primeiras, segundas, terceiras, sextas e sétimas rodas possuem amortecedores hidráulicos e todos os sete braços da suspensão de ambos os lados possuem amortecedores hidráulicos montados para limitar o deslocamento excessivo.

v12m
O Motor FIat V12 MTCA, há a possibilidade de utilização de um motor mais potente, já disponível para o cliente

O Ariete é capaz de atingir uma velocidade máxima de 65 km/h e superar elevações de inclinações de 60%. A profundidade máxima rasa é de 3 pés em terreno preparado e 1 metro e 25 centímetros sem preparação. A massa nominal do veículo é classificada entre 52-55 toneladas.

O veículo possui uma autonomia de 550 km e uma boa relação peso potência de 24 hp / tonelada o que lhe garante boa aceleração e recuperação, além de um sistema de suspensão capaz de manter estabilidades em curvas à altas velocidades.

  FICHA TÉCNICA

 

IVECO ARIETE C1 (42)

Dimensões e peso

Comprimento /m

9,67

Largura/m

3,61

Altura/m

2,50

Mass/ ton

54 básicoAté 62 com a adição de armadura

Propulsão e Técnica

Motor

Fiat V-12 MTCA

Potência/ Hp

1.270

Relação peso / potência / hp/ton

23,1

Tração

hidromecânicos com retardador secundário

Suspensão

barra de torção com amortecedores hidráulicos

Performance

Velocidade Max/ km/h

65

Autonomia/ km

550

Inclinação

máxima

60%

Armamento e armadura

Sistemas de tiro

Computadores de tiro digitais, estabilizadores, telêmetro laser, canhão automático

Armamento primário

canhão 120 milímetros OTO Melara de alma lisa, com 42 recargas

Armamento secundário

duas metralhadoras 7,62 milímetros, uma coaxial e uma anti-aérea

Armadura

compósito, com uma armadura mais espessa na parte dianteira, pode receber  armadura passiva adicional

Armadura frontal

KE 500 mm – 1,100 mm CE (Torre) KE 470 mm – 780 mim CE (Casco)
  Proteção QBN, sistemas de alerta de armas guiadas a laser

IVECO ARIETE C1 (27)CONCLUSÃO

 

O Ariete, foi um bem- sucedido programa de desenvolvimento de carros de combate que culminou num projeto de um MBT moderno para sua época. Inúmeras modificações estão previstas para o programa, porém a grave crise financeira a qual mergulhou a Itália nos finais da primeira década e o fim da ameaça da URSS levaram o programa a  não sofrer futuras atualizações constantes como se viu nos demais programas de MBT concorrentes.

Ressalta-se que o IVECO Ariete é um carro de combate de primeira linha que pode buscar soluções modernas, hoje empregues nos seus concorrentes, o veículo é um dos mais leves de sua categoria e pode portanto receber maior proteção ativa e passiva em sua blindagem, considerada limitada, mas que em concordância com as novas tecnologias especialmente sistemas eletrônicos dinâmicos de proteção, o põe em pé de igualdade aos demais veículos.

Do ponto de vista industrial, destaca-se que a IVECO e OTOBREDA dominam toda a cadeia produtiva do veículo, a importância desse item é para este autor um fator diferenciador da IVECO frente a concorrência para o Exército Brasileiro, uma vez que, dos possíveis concorrentes à parceiros no desenvolvimento de um MBT para o Brasil, a FIAT–IVECO é a única a produzir os itens como motores suspensão entre outros itens críticos do veículo, destaca-se ai a capacidade de produção das armas pela OTO BREDA que já conta com empresas no Brasil produzindo sobre licença peças de artilharia para os Fuzileiros Navais.

Além disso a IVECO já dispõe de uma linha de produção de veículos militares no Brasil e é parceira no Programa Guarani do CTEX EB.

 

Fonte: IVECO Difesa

Campo de Batalha

Acompanhe a série de reportagens no MBT BRAZIL clicando na imagem

MBT Brasil

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa MBT Brazil

MBT Brasil: KMW Leopard 2 A7+

KRAUSS-MAFFEI WEGMANN: LEOPARD 2-A7 

Leopard2A7+KMW

150px-KMW-logo.svg

Autor: Edilson Moura Pinto

 

Acompanhe a série de reportagens no MBT BRAZIL clicando aqui

PREFÁCIO

 

Herdeiro de uma bem-sucedida e consagrada família de carros de combate, o Leopard 2A7+ é a mais nova arma projetada pela Krauss-Maffei Wegmann, KMW,  para  ser a próxima geração de carros de combate do Exército Alemão e provavelmente dos usuários da série 2A6.

O veículo  foi testado e aprovado pelo Bundeswehr  que pretende atualizar pelo menos parte de sua frota de 225 veículos Leopard 2A6 e 125 Leopard 2A5 para este novo padrão. Pode-se dizer que a nova arma é o que de mais moderno e atualizado a KMW tem para oferecer a uma nação que almeje operar carros de combate desta linha.

Por esta razão o Plano Brasil, em estreita colaboração com a Trilogia Campo de Batalha apresentará as principais características deste veículo de combate, suas inovações e tecnologias, de modo que o leitor possa por si só avaliar o que de mais importante e moderno há nesta máquina de guerra projetada para diferentes teatros de operação.

es2010_leopard2a7_002

A GÊNESE DO LEOPARD 2- A7+

Oriundo das atualizações constantes sofridas ao longo dos anos nas famílias Leopard 1A e 2A a nova série 2A7 traz consigo o histórico de evoluções e atualizações aprendidas ao longo dos anos de operação das versões que o antecederam. Sua história começa ainda nos anos 70 com o primeiro veículo da série.

Leopard 2 A”0”

Leopard de base 2, às vezes informalmente chamado de “A0” este afixo é usado para diferenciá-lo de versões subsequentes. Os veículos foram fabricados entre outubro de 1979 até março de 1982, pela fabricante Krauss Maffei e MAK.

O veículo era equipado com um canhão WNA-H22, um computador de controle de fogo, um telêmetro laser, um sensor de vento, um telescópio de uso geral EMES 15, um periscópio panorâmico PERI R17, e um sistema de visada na torre FERO Z18, um sistema controlado por computador definida DP 1-8, porém ao invés de um sistema de visão termal o A”0” era equipado com amplificador de luz PZB.

Leopard 2-A1

Após pequenas modificações como a instalação do sistema de visão térmica para o artilheiro a Krauss-Maffei lançava em Março de 1982 a nova série Leopard 2A1 cuja produção seguiu-se até Novembro de 1983. As modificações mais notáveis desta versão ​​foram a dos racks de munição que passaram a padronizar-se em relação aso utilizados no MBT americano M1 Abrams, esta variante teve também redesenhados os filtros de combustível, o que reduziu o tempo de reabastecimento. Outras pequenas modificações foram introduzidas nos veículos produzidos em 1984 que acabaram sendo adotados na série subsequente a 2A2.

Leopard 2A2

Esta designação foi dada aos veículos adaptadas do primeiro lote da série Leopard 2 e consistia numa modernização  que gradualmente substituiu os sistemas  PZB originais, por visores térmicos modelo EMES 15. Além disso, a atualização incluiu o encaixe de aberturas de enchimento e cápsulas para os tanques de combustível para a seção frontal do casco para permitir o reabastecimento em separado, bem como, a adição de uma placa defletora para o periscópio e uma grande placa de cobertura para proteger o sistema de proteção NBQ.

O carro recebeu novos cabos de reboque de cinco metros com uma posição diferente. O programa teve início em 1984 e termino em 1987.

Leopard 2A3

Entre dezembro de 1984 e dezembro de 1985 a série 2A3 recebia como principal modificação a instalação de um novo sistema de comunicação de rádios digitais, conhecido como SEM80/90, esta versão diferia muito pouco da anterior e possuía modificações no sistema de recarga e escotilhas.

Leopard 2A4

Fabricada entre 1985 e 1992, esta é sem dúvida a versão que galgou o maior número de encomendas e exportações e também a primeira da séria incorporar significativas modificações. A s modificações incluía um carregador automático e sistema autônomo de controle de incêndio, um sistema totalmente digital de controle de fogo que permitia a operação de novos modelos de munição. Houve também melhorias na arma principal e reforço da blindagem com adição de armadura em titânio / tungstênio.

Ao longo dos anos as versões adquiridas pelos países compradores receberam melhoramentos e personificações, há inclusive inúmeros kit que podem ser adotados pelos clientes e que modernizam as versões mais antigas para um padrão mais atualizado, esta modificações  variavam de cliente para cliente, por esta razão,  não serão aqui citadas em função do foco da matéria.

Leopard 2A5

 A série 2A5 introduziu a proteção em forma de cunha na armadura frontal  da torre, esta medida melhorava a proteção balística frente as novas armas de carga oca afetando a energia cinética das munições penetradoras, o Leo 2A5 recebeu melhorias na composição armadura principal e o interior do carro recebeu revestimentos que minimizam a ação das ogivas fragmentadoras. As saias laterais foram substituídas por modelos mais resistentes.

O sistema de visão do comandante foi transferido para uma nova posição atrás da escotilha, este sistema recebeu um canal térmico independente. A visão do artilheiro foi transferida para o topo da torre. Uma nova escotilha de correr foi instalada e a torreta recebeu controles totalmente elétricos, aumentando a confiabilidade e segurança da tripulação, reduzindo a massa do equipamento.

O sistema de travagem foi melhorado e uma nova arma foi adicionada com tubo de alma lisa  baseado no canhão L44 que permite disparos de munições mais potentes, como a DM-53 APFSDS. O A5 entrou em serviço nos batalhões alemães em meados de 1998.

Variantes suecas e dinamarquesas introduziram significativas modificações no que se refere a proteção contra IED entre outras armas, certamente estas modificações impactara nas variantes futuras do carro. Leopard 2A6

 Esta versão possui a introdução do canhão de série baseado no L55, porém a própria versão 2A6 possui variações como a série 2A6M que recebeu uma maior proteção nos chassis contra minas e melhorias internas visando melhorar a capacidade de sobrevivência da tripulação. O veículo possui acionamento elétrico da torre, há versões com variações nos sistemas de ar condicionado e comunicações, equipados com metralhadoras MG3 ou FN MAG e sistemas de camuflagem suecos SAAB Barracuda.

Leopard 2PSO

Esta nova variante do Leopard 2 foi desenvolvida tendo em vista as  Operações de Apoio à Paz, por isso recebem o acrônimo PSO (Peace Support Operation). A versão foi projetada especialmente para a guerra urbana e é equipada com proteções mais eficazes que os seus antecessores. Recebeu nova estação de armas secundárias, melhoria na capacidade de reconhecimento, uma lâmina do tipo Bulldozer, e um cano de arma mais curto de modo a melhorar a capacidade de manobra em ambientes urbanos em detrimento do alcance do fogo.

O veículo recebeu também sistemas de armas não-letais, e capacidade de vigilância a curta distância com a incorporação de sistemas de câmera, um holofote e outras alterações para melhorar a sua autonomia e mobilidade em ambiente restrito de espaço, estas modificações são tidas como não muito diferente do Kit Tanque Urban Survival fornecido ao carro americano  M1A2 Abrams.

Leopard 2A7 +

Em 14 julho de 2010 a  Krauss-Maffei Wegmann GmbH & Co. KG apresentou a nova geração de veículos da família Leopard 2 a Leopard 2 A7 + , que incorpora novos conceitos de modularidade, sobrevivência e através de uma atualização com os principais avanços alcançados especialmente nas séries 2A5-A6 e PSO, maximiza a eficácia do Leopard 2, quer para operações em terreno urbano quer para as operações de alta intensidade. Projetado para operar tanto em conflitos de baixa intensidade como em de alta intensidade, o veículo recebeu um kit de  proteção e armadura modular.

A seção frontal foi melhorada com um kit na torre e no casco além de proteção a 360 ° contra RPG. Os chassis receberam proteção anti-minas e IED que aumentam a capacidade de sobrevivência em operações urbanas. O veículo pode disparar Munições programáveis ​​HE e possui uma torre comandada remotamente do modelo FLW 200. A mobilidade e a resistência em operação foram aumentadas bem como a capacidade de consciência situacional através de novos sensores e interfaces homem-máquina.

 

Muitas  imagens disponibilizadas na rede mundial apresentam  um  veículo com camuflagem digital como sendo o modelo Leopard 2A7, mas de fato trata-se da variante que o antecedeu, a Leopard PSO.

 Leopard 2 A7 (14)

Surge então o Leopard 2A7 +

O novo MBT é inovador em muitos quesitos comparavelmente aos seus adversários e até mesmo aos membros mais antigos da sua família, segue um novo conceito de modularidade que proporciona a integração de sensores e armas que o habilitam tanto ao combate urbano quanto a os conflitos de alta intensidade em campo aberto.

O Leopard 2A7+ possui uma significativa proteção às IED e um conceito de proteção modular que permite a adoção de uma armadura passiva adicional sobre o arco frontal do veículo, o veículo possui proteção lateral ao longo do casco e da torre, além disso, o conceito permite a integração de blindagem do veículo de um kit de operações urbanas, que também oferece uma proteção de 360 ​​graus contra as RPG.

Tendo em conta as ameaças assimétricas, o veículo inova em soluções que permitem que forças blindadas possam cumprir os seus objetivos de forma eficaz e segura. Um fato curioso é que o kit de atualização está disponível para todas as versões dos veículos Leopard 2, qualquer veículo da série pode receber estas modificações a partir da de um processo de modernização .

Vídeo

[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1hpVmGd” standard=”http://www.youtube.com/v/m4xqXSXtESo?fs=1″ vars=”ytid=m4xqXSXtESo&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep5654″ /]

Armas e sistemas

Leopard 2 A7 (7)

O Leopard 2A7 + está armado com um canhão de 120 mm alma lisa, modelo L 55. A arma possui 42 recargas, que foi desenvolvido pela Rheinmetall GmbH de Ratingen, Alemanha. O canhão foi desenvolvido para substituir o L 44  também de 120 mm mais curto o qual é utilizado nos veículos da família Leopard 2 os quais , variantes do 2A6 já são equipadas com este canhão. O L 44 tem um comprimento de 530 cm e pesa 1.190 kg, a arma possui uma massa de  3.780 kg. O compartimento da arma possui uma porta operada eletricamente.

KMW: FLW 200 com lançadores de granadas
KMW: FLW 200 com lançadores de granadas

A extensão do comprimento do cano em 130 cm resulta em uma maior energia disponível que é convertida em mais velocidade para o projétil que pode atingir até cerca de 1.750 m / s . Além disso, a arma possui a capacidade de  disparar armas programáveis que permitem o ataque de tropas escondidas por trás de estruturas como prédios, muros e bunkers. O Leopard 2A7 + também está armado com uma estação de armas controlada remotamente modelo  KMW -RCWS, FLW 200, operável sob proteção do interior do veículo. A torre pode ser equipada com uma arma calibre 50 e/ou com lançador de granadas de 76 mm.

Sistema FLW 200
Sistema FLW 200
O seu poder de combate tremendo é devido em grande medida à sua Rheinmetall L 55 armamento principal, que dá o Leopard 2 poder de fogo superior,
O poder de combate do Leopard A2 foi aumentado com a incorporação da arma  Rheinmetall L 55

Por comparação, o cano do L 55 possui comprimento de 660 cm, e possui uma massa de  1.374 kg. A peça inteira possui uma massa de 4.160 kg. A torre permite ao cano permite elevações entre -9 e 20 °.

Em geral as munições são de tungstênio de 55 calibres capazes de penetrar até 720 mm de aço laminado, cada munição possui uma massa total de 21,4 kg, com o projétil possuindo 8,35 kg. Dependendo da munição o L 55 pode atingir alvos a 6000 m com uma distância efetiva de 4500 m, 1500m a mais que o seu antecessor L 44. A taxa de fogo é estimada em 6-12 / min.

A arma principal é totalmente estabilizada e pode disparar uma variedade de tipos de munições, como por exemplo, a munição anti-carro alemã DM33 APFSDS-T capaz de penetrar até 560 mm de armadura de aço em uma faixa de 2.000 m.

Munição 120 mm HE DM 11
Munição 120 mm HE DM 11

Outra arma munição utilizada é a DM12 cuja versatilidade permite seu emprego multiuso como munição direta ou de emprego anti-carro MPAT. Se a área de armazenamento das munições for atingido, um painel de purga rompe-se no teto direcionando a energia da explosão para cima e para longe do compartimento da tripulação.

LAHAT
Míssil guiado anti-carro Lahat

Uma nova munição a APFSDS-T foi introduzido para aproveitar o cano mais longo, a DM-53, é capaz de penetrar até 810 mm de armadura RHAE a um intervalo de distância de 2.000 m.  A Rheinmetall desenvolveu uma atualização para o Leopard 2 que lhes provê a capacidade de disparar o míssil guiado anti-carro Lahat  que pode ser disparado através da arma principal, o míssil pode atingir alvos à um perímetro de  6.000 m.

Munição 120mm PELE
Munição 120mm PELE

Algumas fontes como Dutch Defense citam a utilização da arma L-60 que possui um sistema de carregamento automático avançado, o que torna o Leopard 2A7+  um dos veículos de cadência de disparos mais rápidos do mundo. O  mais interessante sobre o L 60 no entanto, é a possibilidade de uso de armas ECT, ou Eletrotérmica-química.

Munição 120mm KE DM63 / DM53 A1
Munição 120mm KE DM63 / DM53 A1

Esta arma utiliza um cartucho de plasma para acender e controlar propulsor da munição, usando a energia elétrica como um catalisador para iniciar o processo. A ETC aumenta o desempenho em reação aos propulsores sólidos convencionais, reduz o efeito da temperatura sobre a expansão do propulsor e permite maior energia cinética ao projétil.

 O sistema de controle de fogo padrão de todos os Leopard 2 é o EMES 15 com um duplo sistema de magnificação primária,  estabilizado e de visão ampliada. A visão primária tem um sistema integrado de neodímio ítrio alumínio Garnet, Nd: YAG.

O Telêmetro laser é de estado sólido e um telureto 120 de elemento cádmio mercúrio, CdHgTe, também conhecido como CMT. O visor térmico da Zeiss que se ligam a um computador de controle de fogo do carro.

EMES-15
EMES-15

 Um telescópio auxiliar FERO-Z18 8x serve de backup é montado coaxialmente para o artilheiro.

O comandante tem um periscópio independente, o Rheinmetall / Zeiss PERI-R 17 A2, com sistema de visão panorâmica estabilizada e projetada para operações dia / noite.  O sistema permite executar observação e identificação do alvo e fornece uma visão 360 °.

 O conjunto de opto eltrônica é fornecido pelo sistema de visão SEOSS,  composto por um sistema de visão diurna, um sistema de visão térmica e laser finder, bem como o seu próprio sistema de controle de fogo. Ele é utilizado para controlar a estação de arma montada atrás da escotilha do carregador. Como a estação arma também é equipado com sistemas  de visão, pode-se supor que carregador também seja equipado com um painel de controle.

Leopard 2 A7 (17)

A  tripulação do carro usufrui de sistemas de visão noturna e diurna de última geração, o comandante do carro e o artilheiro  fazem uso de câmeras de imagem térmicas de terceira geração ATTICA ™ da empresa alemã Zeiss. esta câmera permite a  detecção por modo térmico de um veículo a uma distância de 25 km, propiciando o reconhecimento integral do modelo a distâncias de 20 km.  Para identificação de tropas a ATTICA permite identificar um soldado oculto na vegetação a distâncias de 20 km e seu reconhece a distância de 10 km.

O condutor tem a sua disposição duas câmeras, uma na parte traseira do casco e outra na frente. Ambas são equipadas com sistema de visão a qualquer tempo. A câmara frontal é montada em um novo compartimento na parte superior da parte dianteira do casco. A câmera traseira  é colocada em uma caixa estendida para manter a visão noturna.

PERI_UPGRADES_2_gross
Periscópio PERI-R17 A2

A imagem térmica do periscópio do comandante é exibida em um monitorar dentro do carro. A suíte de controle de fogo é capaz de fornecer até três valores em intervalo de quatro segundos. O intervalo de dados é transmitido para o computador de controlo de fogo e é utilizado para calcular a solução de disparo.

O telêmetro a laser é integrado ao sistema de visão principal do artilheiro o que lhe permite ler diretamente. O alcance máximo do telêmetro a laser é de menos de 10.000 m com uma precisão de medição dentro de 20 m. O sistema combinado permite que o Leopard 2 possa atingir alvos em movimento em um alcance de até 5.000 m, enquanto este se move até mesmo por terrenos acidentados

 Blindagem e proteção

A família Leopard, recebeu continuamente atualizações e inúmeros melhoramentos foram incorporados ao longo dos anos às versões subsequentes. A versão Leopard 2 A7+ recebeu melhoramentos importantes que visam aumentar a proteção da tripulação, preparando o veículo para os novos teatros de operações que se impõe às forças da OTAN principalmente para a guerra assimétrica e urbana.

A versão A7 é 23 cm mais largo e possui 5 toneladas a mais que a versão A6, em razão do acréscimo de proteção lateral nas saias do veículo, o carro possui uma massa total de 67,5 toneladas. Isto porque o carro é equipado com blindagem extra contra RPG 360º e IED. Além disso o veículo possui um sistema de comunicação com o exterior que permite ao veículo coordenar e se comunicar com tropas desembarcadas. O veículo  é equipado com dispositivos de imagem infravermelha à frente e à ré, além de dispositivos optrônicos para vigilância à longa distância.

Leopard 2 A7 (10)

A mobilidade, sustentabilidade e consciência situacional também foram melhorados. Outra alteração importante no casco frontal do Leo A7 em relação aos seus anteriores é a capacidade de montar o equipamento externo em pontos de montagem para  dispositivos de remoção de minas ou lâminas Bulldozer.

As montagens também incluem plugues elétricos para variados fins, ao lado direito da parte traseira do casco, foi adicionada uma unidade auxiliar de potência. O Veículo consome exige mais potência elétrica em função do acréscimo de novos instrumentos digitais e elétricos, além disso, o A7 oferece terminais para as tropas em apoio as unidades blindadas.

Leopard 2 A7 (18)

O Leopard 2A7 é  equipado com um novo sistema de ar condicionado em padrão QBN para a tripulação e  também pode ser equipado com o guarda-chuva de proteção solar e sistema de camuflagem SAAB Barracuda que reduz o calor transmitido ao veículo, bem como minimiza a sua assinatura térmica.

 Propulsão

 Até a escrita deste artigo, não tínhamos a disposição as reais configurações da motorização do veículo segundo algumas fontes utiliza-se de um sistema híbrido de motor elétrico de segunda geração. Poucas informações são encontradas na mídia a respeito do sistema de motores do veículo, por esta razão este tópico fica em aberto para conclusões assim que novas informações forem obtidas.

Esquema do motor MTU MB 873
Esquema do motor MTU MB 873

Ao que se sabe, o veículo 2A7 deve compartilhar a mesma motorização das séries anteriores que são impulsionados por um  motor diesel MTU MB 873, que fornece 1.500 cv ou 1.103  kw de potência. O MTU MB 873 é um motor diesel de quatro tempos, 47,6 litros e multi-combustível,o motor é turbo de 12 cilindros e possui um escape com refrigeração líquida, que tem uma taxa de consumo de combustível estimada em cerca de 300 l / 100 km em estradas e 500 l / 100 km em campo despreparado.

 Sabe-se que uma versão melhorada do EuroPowerPack , com 1.650 cv e 1.214 kW do motor MTU MT883 também foi testado pelo Leopard 2, até a escrita deste artigo, não tivemos informações se esta versão do motor pode vir a ser usada na versão 2A7+.

O sistema de frenagem do veículo acoplado é do tipo  Renk HSWL 354, a transmissão tem 4 marchas para a frente, duas marchas a ré com um conversor de torque  totalmente automático. O motor e a transmissão são separados do compartimento da tripulação através de um anteparo à prova de fogo.

MTU MB 883
MTU MB 883

O Leopard 2 possui quatro tanques de combustível, que têm uma capacidade total de cerca de 1.200 litros, o que lhe permite uma alcance na estrada de cerca de 500 km, algumas literaturas apontam para 450 km na variante 2 A7, provavelmente devido ao aumento da massa do veículo. Segundo algumas fontes o Leopard 2A 7 pode atingir cerca de 72km/h em estradas pavimentadas. o exército alemão priorizou a mobilidade em seu Leopard 2, que é considerado o MBT mais rápido que existe.

O  veículo pode trafegar por cursos d´água de 4 m de profundidade, pois para isso, faz uso de um snorkel ou 1,2 metros. Além disso, está equipado com uma unidade de refrigeração de alta performance e uma APU (unidade auxiliar de potência) que lhe permite efetuar sem interrupções, operações de mais de 24 horas. O conceito operacional redesenhado permite que a tripulação possa  utilizar os novos recursos de forma eficiente sema  perda de energia mesmo estando o veículo parado por muitas horas.

Leopard 2 A7 (16)

Ficha Técnica

Comprimento* / m 10,97
Largura** / m 3,77 à 4
Altura com a torre /m 2,64
Massa/ ton 67.5
Potência do motor 1.100 kW  ou 1.500 hp
Velocidade máxima em pista /km/h 72
Alcance /km 450
Armas Canhão L55 de 120 mm alma lisa e torre equipada com  metralhadora / FLW 200, 7,62 mm e  lançador de granadas 40 mm ou metralhadora MG 0.50.

* Arma à 12 h     ** Dependente da proteção das saias

Leopard 2 A7 (6)

 Conclusão

 Em relação as séries anteriores da família Leopard, a 2A7+ engloba segundo o fabricante, melhorias na:

  • Proteção e blindagem completa passiva para a tripulação contra ameaças como bombas, minas e fogo lança rojões
  • Interface para conectar instrumentos, como um arado sistema anti-minas e lâmina bulldozer.
  • Novo sistemas de refrigeração, tanto para a torre quanto para o chassis.
  • O aumento da potência nominal dos geradores de energia adicionais para missões.
  • Melhor interface de comunicação para o exterior do veículo auxiliando as forças desmontados.
  • Visão noturna combinado do condutor com intensificador de imagem térmica / imagem para frente e retrovisor.
  • Optoeletrônica melhorada (dia / noite) para reconhecimento em longas distâncias.
  • Conceito usuário Digitalizado e multifuncional.

O Leopard 2A7 + adicionou melhorias à mobilidade que vão desde o motor, pista, sistema de rodas e equipamentos relacionados. Melhor proteção contra ruídos para a tripulação, melhoras no sistema de mira térmica e munição mais eficaz para os 120 mm. Introdução de munição não letal.  

É um fato que muitos países vão preferir continuar atualizando seus leopards nas versões mais antigas principalmente porque não num horizonte de tempo curto, um novo veículo que possa os substituir, ao invés disto, os kit de conversão dos modelos mais antigos para o padrão 2A7+ parecem ser uma boa alternativa econômica para as nações que operam estes veículos.

A Atualização para o padrão 2A7+ certamente dará uma sobrevida aso Leopard e esta indicação e do próprio exército alemão que ainda espera poder operá-los nos anos vindouros da década 30 deste século.

Informações: 

kmweg

landcombatcb

Globalsecurity

Fprado

Acompanhe a série de reportagens no MBT BRAZIL clicando na imagem

MBT Brasil

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil MBT Brazil Uncategorized

MBT Brasil- O futuro Carro de Combate do Exército Brasileiro

 

Diapositivo1

E.M.Pinto

É de se supor que muito em breve o Exército Brasileiro dará início aos estudos e trabalhos de desenvolvimento do seu futuro carro de combate principal.

Diante disto e atendendo a uma série de pedidos dos nossos leitores, o Plano Brasil em colaboração com o trilogia Warfare iniciará uma série de reportagens e análises dos principais carros de combate hoje existentes, serão apresentados aqueles que julgamos serem os potencias veículos a uma hipotética substituição da arma blindada do exército Brasileiro que deve sofrer modificações na próxima década.

As reportagens visam apresentar os principais aspectos e peculiaridades dos mais recentes projetos de MBT hoje existentes. Deixamos para o público em geral as discussões a cerca dos modelos ideais, “as melhores máquinas”, “vantagens” e “desvantagens” dos projetos.

Na série de reportagens serão apresentados os veículos: