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Estudo de palestinos ajuda a compreender sua sociedade fraturada

Nakba – “catástrofe” em árabe – expulsão das populações árabes pelos israelenses durante a guerra de 1948

 

Por José Ailton Dutra Júnior*

A Questão Palestina é um dos temas centrais da história contemporânea, pois a existência de uma sociedade que vive dividida em uma população exilada e expulsa por um movimento colonial de origem europeia apoiado pelas potências capitalistas anglo-saxãs hegemônicas no mundo desde o fim das guerras napoleônicas (primeiro a Grã Bretanha e depois EUA)-o sionismo-e outra sobre a ocupação do estado criado por esse movimento (Israel), sendo que esse povo é a população nativa do país no qual se encontram alguns dos mais importantes sítios religiosos da duas maiores religiões do mundo (Cristianismo e Islamismo), sendo esse país uma terra sagrada para essas religiões e o povo vítima dessas perseguições ter populações que as praticam, se trata de um fato que de forma, direta ou indireta, acaba envolvendo. Aceitar ou repudiar o destino imposto ao povo palestino, nessa situação, significa definir um padrão de como se devem tratar os seres humanos nos séculos seguintes em todo o globo: ou se aceita que os direitos humanos, como definidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, assinada pela maioria dos estados do mundo, são válidos- ao menos teoricamente-para todos os seres humanos, ou ela se aplica a alguma minoria poderosa e privilegiada dentro da ordem mundial atual.

Evidentemente, os palestinos não são a única população no mundo que sofre injustiças terríveis. Podemos citar os habitantes da Nova Guiné Ocidental vitimados por uma brutal ocupação militar da Indonésia (que pode ter matado entre 100 e 500 mil pessoas, segundo diversos órgãos de imprensa) cujo objetivo é entregar suas terras, florestas e subsolos para o saqueio por parte das corporações multinacionais americanas, australianas e britânicas, dentre outros países. Podemos citar a questão dos curdos na Turquia, país da mesma região da Palestina e de certa forma um vizinho, cujas políticas repressivas e negação de direitos, em maior ou menor grau, independente se suas forças políticas tenham ou não se aliado aos EUA e Israel, caracteriza a conduta padrão do estado turco há um século. Podemos citar inúmeros e mais terríveis e sangrentos casos, em relação à Palestina, ao longo do continente africano e outras partes do mundo. Todos são acontecimentos importantes, mas em nenhum deles existe essa questão colocada pela existência do drama palestino: o povo nativo da Terra Santa cristã e muçulmana, falante da mesma língua que os habitantes dos países vizinhos, compartilhando com eles-exceto os egípcios- uma identidade maior síria- foi parcialmente expulsa por colonos de origem judaica (que também considera a Palestina e vários de seus lugares sagrados), cujos líderes fundadores e movimentos vieram da Europa, e outro esta exilada nos países vizinhos, mas cada vez mais possui comunidades dispersas pelo mundo.

Por isso, para se poder compreender a Questão Palestina também é necessário conhecer informações básicas sobre a sociedade palestina e sua história. Bons sites, boas reportagens, bons documentários e bons livros de divulgação ajudam a começar a entender esse assunto tão complexo. Uma compreensão mais profunda requer livros de caráter mais acadêmico e uma das melhores obras nesse sentido é o trabalho de Samih K. Farsun e Christina E. Zacharia Palestina and the Palestinian, publicado em Nova York em 1997.

Infelizmente, como acontece com muitos livros bons em diversas áreas das ciências humanas, esse trabalho não foi editado no Brasil, mas ele pode ser encomendado pela internet em sites estrangeiros.

Nesse trabalho, os dois autores palestinos irão mostrar a sociedade palestina como ela existiu antes de depois da Nakba (desastre em árabe, a expulsão de 700 mil palestinos pelos sionistas em 1948), mais especificamente como era a sociedade palestina desde o século XVIII, as transformações por que passou no século XIX (Reformas Tanzimat no Império Otomano e a penetração do capitalismo ocidental), a colonização britânico-sionista (1918-1948), e depois, a sua transformação profunda como resultado da Nakba e sua divisão em três segmentos: os exilados, os habitantes da Faixa de Gaza e Cisjordânia (conquistados por Israel na guerra de 1967), os habitantes do interior do estado de Israel.

Os autores, ao falarem da sociedade palestina antes de 1948 comentam também sob sua geografia e a influência que esta teve na formação das culturas locais e nos sistemas econômicos de cada localidade e região que compõe a Palestina, assim como o papel importante dela como Terra Santa para muçulmanos e cristãos e, por isso, um local de peregrinação importante no Oriente Médio por séculos. (Estes fatos: abrigar lugares sagrados muçulmanos, cristãos e judeus), além de ser uma das rotas mais importantes de peregrinação para Meca e Medina (os dois mais importantes lugares sagrados do islamismo) na Arábia ocidental sempre a colocou em destaque em termos geopolíticos e também ajudou a configurar a sua economia, pois alimentar, ajudar a transportar, abrigar e vender artigos religiosos ou de outros tipos aos peregrinos sempre foi uma receita importante para a economia das cidades palestinas e fez com que duas delas se destacassem nesse processo: Jerusalém e a cidade portuária de Haifa, atualmente dentro do estado de Israel.

Um outro aspecto importante para se entender a sociedade palestina até o começo do século XX é o seu pertencimento a Síria histórica-geográfica fazendo com que a população palestina compartilhe a mesma língua (em versões dialetais locais): o árabe-levantino ou árabe sírio, e uma cultura e identidade mais geral, embora seus particularismos sejam importantes também para se poder compreender a sua dinâmica interna e particularismo culturais-religiosos importantes como a forte devoção aos profetas Moisés e Saleh, objetos de cultos nas mais importantes festas palestinas até a Nakba no qual participavam tanto muçulmanos como cristãos e também judeus não sionistas.

Celebração de um Casamento em 1929 em Ramallah, Sede Atual da Autoridade Palestina

Uma ideia central, segundo Farsun e Zacharia, é importante para se entender os palestinos antes e depois da Nakba: antes de 1948 os palestinos eram, apesar das modificações provocadas pela penetração capitalista ocidental desde o século XIX, uma sociedade que ainda era muito regida pelos valores tradicionais ligados a vida aldeã, a forte presença da religião (muçulmana ou cristã) na organização da vida privada e publica e os laços comunitários dos complexos familiares (hamulas) nas aldeias interioranas, um mundo assentado ainda em uma base econômica majoritariamente agrícola; depois da Nakba, diante do exílio ou da ocupação israelense, a antiga estrutura perde o sentido, apesar dos esforços dos palestinos para mantê-las. Como resultado a alfabetização, urbanização, proletarização, emancipação das mulheres, difusão dos ideais socialistas, comunistas, terceiro-mundistas e pan-árabes, democráticos e o islã político conservador moderno (que se expande com mais força a partir dos anos 1980), uma vida marcada pela precariedade, o receio e a presença da violência e da segregação, mudam o perfil psicocultural das gerações palestinas pós 1948 em relação aos seus antecessores. Também, como apontam Farsun e Zacharia, no caso dos refugiados: estes se dividiram em dois grupos: os das antigas elites palestinas, cuja possibilidade de reconstruir suas vidas era muito mais fácil, e os pobres que irão sentir todo o peso da condição de exilados.

O território da Palestina, como Farsum e Zacharia mostram, era tradicionalmente dividido em dois grupos de populações cujos meios de vida faziam com que se relacionassem constantemente a ponto de viverem em simbiose econômica: os beduínos nômades ou seminômades-dependendo da tribo-de economia pastoril, que se fixavam nas terras baixas ou nas zonas semidesérticas e as populações sedentárias, vivendo principalmente nos planaltos, majoritariamente de economia agrícola, no qual o sistema de posse coletiva da terra (chamada Musha´a) e distribuição dos lotes de acordo ao tamanho e necessidades das famílias era predominante. Junto a isso estavam as identidades coletivas locais baseadas nas hamulas, grupos de aldeias e regiões sobre o qual surgiam lideranças que eram reconhecidas oficialmente pela administração otomana. Os camponeses eram socialmente submetida à notáveis que viviam em aldeias maiores ou nas cidades. Essa população rural sustentava a população urbana de localidades como Nablus, Jerusalém, Haifa, Jaffa, Hebrom, Gaza, Belém e outras, que, no caso das cidades interioranas, formavam sistemas econômicos locais (no qual o artesanato e o comércio eram as atividades principais) com culturas regionais bem definidas, sendo que várias, ou eram cidades sagradas ou com locais sagrados ou eram parte das rotas de peregrinação religiosa e nas litorâneas no qual haviam os contatos permanentes com o exterior por meio do comércio internacional. Em Jerusalém havia também os Ashraf: as famílias descendentes dos generais conquistadores árabes do século VII, a quem o Califa Omar havia dado a guarda ou proteção dos lugares sagrados da cidade. Esse grupo tinha um papel de liderança na Palestina e se sobrepunha aos notáveis urbanos do restante do país.

Sobre esse complexo sistema econômico-social se imporá a ordem internacional capitalista vinda da Europa e estimulado pelas reformas sociais, legais, administrativas, econômicas e políticas pelo governo otomano desde 1839 chamadas de tanzimat (reorganização em turco). Estas reformas estabeleceram a propriedade privada plena e as garantias legais para sua estabilidade e transmissão por herança (cujos resultado a longo prazo será a formação de grandes propriedades fundiárias nas mãos das elites em todo país), centralização administrativa, regularização e modernização do sistema fiscal, igualdade jurídica entre muçulmanos e não-muçulmanos entre outras medidas. Esse processo de modernização otomana, por conta da expansão do imperialismo europeu (especialmente o britânico no caso da Palestina) teve como resultado a entrada do capital europeu na economia local orientando-a para as necessidades dos mercados ocidentais (exportações de produtos agrícolas como laranja e trigo), investimento e controle europeu das infraestruturas modernas como ferrovias, telégrafos e navegação a vapor entre outros, controle financeiro anglo-francês do governo otomano com impacto sobre a Palestina, importação de bens indústrias europeus (particularmente os britânicos), o que levou ao desenvolvimento de uma classe mercantil vinculada aos capitalistas europeus. Isso modificou a estrutura social, levando a progressiva proletarização dos camponeses, a introdução do sistema moderno de trabalho assalariado, decadência da classe artesanal nas cidades, o desmonte progressivo do sistema de propriedade coletiva musha´a e o aumento da diferenciação social e da concentração de renda.

Tudo isso foi muito intensificado após a Guerra da Crimeia (1853-1856) no qual o Império Otomano participou ao lado da Grã-Bretanha e da França contra a Rússia. Farsun e Zacharias comentam que “a penetração econômica imperialista do século XIX (que desviou para os seus interesses os efeitos das reformas tanzimat) criou as condições para que a colonização sionista pudesse acontecer”, pois ela foi retirando, progressivamente do controle otomano a Palestina e permitindo aos europeus se estabelecerem no país como privilegiados com poder econômico e social, fato que irá caracterizar os colonos sionistas no século XX sob a ocupação britânica.

Por outro lado, a modernização também levou a formação de um setor social com educação técnica e cultural moderna vivendo nas cidades, constituindo uma nova classe média, e a formação de ideias político-sociais distintas dos comunitarismos religiosos, clânicos, nômades, regionais e locais e outros que se expressavam no aparecimento da noção de nacionalismo (palestino, sírio, pan-árabe) e nos diversos projetos políticos-ideológicos de origem europeia: democracia, liberalismo, modernização econômica, a ideia moderna de tolerância religiosa e secularismo, etc.

Após a Primeira Guerra Mundial que levou a derrota do Império Otomano (aliado da Alemanha), a ocupação britânica em 1918 e o estabelecimento do mandato pela Liga das Nações (1920-1948) trouxe o projeto de colonização judaica promovido pelas elites britânicas que aceitaram promover o projeto do movimento sionista estabelecido por estes durante o I Congresso Sionista de 1897 em Basileia na Suíça. A Declaração Balfour de 11 de novembro de 1918 estabeleceu publicamente essa aliança entre sionistas e o império Britânico que tinha na burguesia financeira judaica inglesa, como o ramo britânico dos Rothichilds, os intermediários.

Farsun e Zacharias mostraram em seu trabalho como, ao longo de todo o mandato e independente dos críticos ingleses dentro e fora do governo, como o governo mandatário britânico (na verdade um governo colonial) promoveu uma política para aumentar a imigração judaica, protege-la economicamente, desfavorecer até as classes dominantes palestinas e fazer do cada vez maior enclave judeu uma zona mais ricas, mais industrializada, incorporadora de tecnologias estrangeiras e com melhores indicadores sociais. Ela era protegida até mesmo da concorrência econômica da burguesia metropolitana. Sua população cresceu de 84 mil em 1922 para 640 mil em 1947 (a população árabe era 666 mil em 1922 e 1,300 milhão em 1947). Essa colonização foi acompanhada de uma agressiva política de colonização por meio da compra de terras e o estabelecimento de colônias agrícolas (Kibbutzim) o e fechamento do mercado de trabalho judeu para os árabes, além disso aos judeus foi permitido a formação de uma força armada e seus grupos milicianos ilegais não eram reprimidos com muita ênfase. O resultado disso foi uma série de confrontos que culminaram na revolta anticolonial de 1936-1939 cuja derrota, desarmamento, controle policial da população, exílio ou prisão da classe política da época teve um impacto social e psicológico devastador que estabeleceu as condições locais finais para a Nakba de 1948.

Após 1948, Farsun e Zacharia, mostram como os palestinos se esforçaram para manter a sua unidade cultural e espiritual, identidade e recordação de sua pátria unificada em meio à realidade dura do exilio ou ocupação israelense. Apesar do apoio popular a sua luta no Mundo Árabe e do reconhecimento internacional do seu drama (por exemplo, a Resolução 194 da ONU de 11 de dezembro de 1948 exigindo o retorno dos exilados), os palestinos irão enfrentar em muitos países discriminação e restrição aos seus direitos vivendo a maioria nos inúmeros campos de refugiados montados nos países vizinhos e sob a administração de uma agência da ONU – a URWA, sigla em inglês para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados dos Oriente Próximo.

Família de refugiados palestinos no campo de Wadi Seer, na Jordânia em 1958.

A divisão da sociedade palestina em três grupos: os exilados, os habitantes de Gaza e Cisjordânia (sob a ocupação de Israel a partir de 1967) e os que viviam dentro do estado de Israel (definidos oficialmente como árabes de Israel) e que receberam uma cidadania de segunda mão e uma prática social marcada por forte discriminação racial, criou três distintas realidades que aumentava a tensão ainda mais por dentro a fraturada e traumatizada sociedade palestina e os obrigou a mudar muitos aspectos de sua vida para poder resistir ao poder sionista e o seu patrocinador principal desde 1967: os EUA. Os palestinos exiliados (6-7 milhões hoje) viveram em constante precariedade, nunca tendo certeza sobre o seu futuro e com a sombra da guerra sempre presente. Muitos se tornaram imigrantes, buscando emprego no exterior-particularmente a Europa e os estados árabes do Golfo Pérsico- formando novas comunidades de exilados nesses países e, no caso dos estados árabes do Golfo, formando desde os anos 1960, uma importante classe média de técnicos, médicos, professores e dirigentes que muito contribuiu com o desenvolvimento trazido pela riqueza do petróleo. Na Jordânia, a enorme população palestina também teve um papel similar, embora, por seu tamanho, muitos se tornaram um componente central da classe trabalhadora jordaniana. Mas essa população exilada sofreria muito com as guerras em diversos desses países (Jordânia 1969-1970), Líbano (1975-1990), Kuwait (1991), Iraque (2003-2009) e Síria (2011 ao presente), tendo estas as marcado e ajudado a definir sobre nova forma a sua identidade.

Já os habitantes de Gaza e Cisjordânia, que também tem refugiados vindos do território israelense, primeiro tiveram seus territórios sobre o controle de estados árabes vizinhos (Egito no primeiro caso e Jordânia no segundo) e depois passaram a viver sobre uma cada vez mais dura ocupação militar israelense, no qual a limpeza étnica e a colonização judaica eram realidades presentes. Estes palestinos passaram, após a guerra de 1967, por um processo de proletarização e urbanização, muitos deles se transformando em trabalhadores mal remunerados dentro de Israel. Estes, ainda mantiveram certas estruturas sociais anteriores a Nakba, como as hamulas, e a influência social das antigas famílias de notáveis, mas também, por conta da pressão sionista e influência de ideologias e movimentos progressistas do Mundo Árabe e de outras regiões do planeta, a se afastar dos valores tradicionais da sua antiga sociedade camponesa. Isso era evidente nas novas gerações nascidas depois dos anos 1950. Se os palestinos exilados se modernizavam como forma de resistir aos males do exílio, os de Gaza e Cisjordânia, como forma de resistir a perde de grande parte do seu país primeiramente e depois para enfrentar a dureza da ocupação israelense e da ausência de direitos.

Campo de Refugiados palestinos de Sabra, em Beirute, capital do Líbano

É dentro desse processo de modernização, explicam Farsun e Zacharia, que se deve entender a emergência dos movimentos políticos e guerrilheiros palestinos dos anos da Guerra Fria como a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) de Yasser Arafat, a Frente Popular de Libertação da Palestina, de Georges Habash, marxista-leninista e a Frente Democrática de Libertação da Palestina de Nayef Hawatmeh, também marxista e sediada em Damasco, capital da Síria ou uma organização pan-arabista surgida no Líbano, mas fundada também por muitos palestinos exilados como o Movimento Nacionalista Árabe. Somente, por volta da década de 1980, é que o islã político crescerá para influenciar a luta palestina, sendo o grupo Hamas o mais importante deles.

O trabalho de Farsun e Zacharia é de 1997 e, portanto, não aborda a época do governo de Sharom (2001-2006), os ataques israelenses de 2002, a construção do Muro na Cisjordânia, a morte de Yasser Arafat e demais acontecimentos das últimas duas décadas e seu impacto sobre a sociedade palestina-no exílio ou vivendo sob o domínio israelense, mas ele fornece informações vitais para se compreender a condição dessa sociedade fraturada e traumatizada, mas cuja luta ajudará a definir os rumos que a humanidade tomará no século XXI e com isso os caminhos próprios da modernidade.

Mapa da atual ocupação política e militar israelense nos territórios palestinos.

 

* Doutor em História pela Universidade de São Paulo e especialista em História Contemporânea e Geopolítica do Oriente Médio e Mundo Árabe.

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EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte I - A primavera das sombras


 

 

Autor:

E.M.Pinto

 


Exército Árabe Sírio Parte I – A primavera das sombras

PREFÁCIO

De derrotas humilhantes às mais fulminantes vitórias, num dos teatros de conflito mais complexos que se tem conhecimento. Esta é a trajetória do Exército Árabe da Síria (SAA) que conseguiu “virar a mesa” no momento onde tudo parecia perdido.

O palco? O mais sangrento conflito da atualidade o qual desperta variadas interpretações e questionamentos.

O conflito ceifou cerca de meio milhão de vidas e deixou outras cerca de 1,5 milhões  de feridos em sua maioria crianças e idosos. A guerra promoveu ainda uma crise humanitária com a fuga de cerca de 5,0 milhões de pessoas para o exterior e outras 6,5 milhões tiveram que se mobilizar internamente de uma região para a outra. Atualmente cerca de 70% da população não têm acesso à água potável e a pobreza atinge 80% dos sírios que não têm condições de acesso a alimentos básicos.

O conflito considerado uma “pequena guerra mundial” envolveu efetivos entre soldados regulares, mercenários e voluntários de cerca de 80 nacionalidades num território um pouco menor que o estado do Paraná.

Para alguns o regime de Bashar Al- Assad não sobreviveria sem o apoio da Rússia, Irã e dos seus aliados Libaneses, para outros, a ajuda foi bem vinda, mas a Síria de Assad seria capaz de se sustentar mesmo com a perda de importantes territórios e do moral de exército.

 Não importa qual das opiniões prevaleçam frente à realidade, não há dúvidas de que, atualmente o Exército Sírio está bem mais adaptado e preparado para enfrentar um conflito assimétrico que à sete anos atrás.

Após esta reviravolta no conflito, chega-se a uma importante dúvida, como o exército Sírio foi convertido de uma “presa fácil” como alegavam alguns analistas nos anos iniciais do conflito, à uma eficiente máquina de combate como se viu nas retomadas de 2017 e 2018?

É sobre isso que discorro nesta nova série de matérias da coluna EDItorial que apresenta neste primeiro artigo uma recapitulação dos eventos determinantes para o desenvolver deste conflito.


A PRIMAVERA DAS SOMBRAS

O conflito que se converteu na guerra da Síria teve início em meados de 2011, resultado da movimentação internacional em prol da derrubada de líderes de governos do oriente médio e África.

Uma tempestade se abateu ao norte da África, pegando de solavanco as nações árabes do Oriente Médio, sobre o nome de “Primavera Árabe” a qual, refletiu na Síria provocando inúmeros protestos  contra o governo de Bashar Al-Assad.

O conflito que inicialmente teve suas centelhas em movimentos populares logo, logo eclodiu na mais sangrenta guerra deste século, afetando diretamente os quase 24 milhões de habitantes daquela nação.

Motivados por denúncias que surgiram na onda de divulgações de informações do WikiLeaks, um grupo de cidadãos se indignou com a corrupção envolvendo altos representantes do governo e em março de 2011 deu-se início aos protestos ao sul de Derra em favor da “democracia”.

Após a prisão de jovens e adolescentes por agentes da polícia e do serviço secreto sírio, a população revoltou-se e iniciaram uma onda de protestos nas escolas e praças públicas.

Policiais, viaturas e prédios públicos passaram a serem alvos de violência praticadas por grupos que se misturaram aos protestos. Como resposta, o governo ordenou o uso da força desmedida, abrindo fogo contra manifestantes causando inúmeras mortes, o que ressonou na revolta da população contra a repressão exigindo a renúncia do presidente Bashar Al-Assad.

Com várias nações do Oriente Médio e Norte da África mergulhadas em descontentamentos semelhantes, os demais países passaram a combater uma onda crescente de rebeldes que armados contra os seus governos incendiaram conflitos locais e desta forma, a Síria se viu isolada sem apoio político para impor a sustentação do seu governo.

A Líbia, assistia a queda de Muammar Al-Gaddafi  o dirigente máximo, Egito, Tunísia haviam experimentado transições menos violentas e ´de fora deste eixo, o Irã sufocara o levante popular na onda verde que se insurgiu. Na síria porém, Assad parecia firme e determinado a sufocar a revolta interna e a desafiar os ditames internacionais numa demonstração clara de que o seu exército estaria ao seu lado.

Ao mesmo tempo, surgia no coração da Síria, diversos grupos de oposição armada, inúmeros nomes e siglas de origens distintas mas que, maquiavelicamente compartilhavam dos mesmos objetivos políticos, derrubar Assad a qualquer custo. Uma onda de deserções em massa e entrega sem resistência de material militar para os opositores se abate à Síria dando um indicativo de que os dias de Assad estariam próximo do fim.

Estes movimentos se declararam em marcha para lutar contra as forças de segurança. Brigadas inteiras foram formadas por ditos “rebeldes” que passam a controlar cidades, pequenos vilarejos e que imediatamente foram reconhecidos, recebendo apoio técnico, militar e suprimentos dos Estados Unidos, França, Canadá, dentre outras nações europeias e do oriente médio como Arábia saudita, Turquia e até mesmo de Israel.

CONTRA TUDO E CONTRA TODOS

Na cronologia dos eventos pode-se destacar Julho de 2011, quando dezenas de milhares de manifestantes voltaram às ruas e foram reprimidos pelas forças de segurança de Bashar Al-Assad.

Uma catástrofe humanitária se instaura e centenas de milhares refugiados deixam a Síria saindo preferencialmente pela Turquia em razão dos ferozes combates e bloqueios impostos por ambos os lados do conflito.

Alimentos, combustíveis e o acesso à água são rapidamente interrompidos e por diversas vezes, as forças humanitárias são impedidas de entrar na zona de conflito.

Lideradas pelo presidente Bashar Al-Assad, as Forças Armadas Sírias tentam manter o regime e enfrentam três principais inimigos distintos, o auto intitulado  Exército  Livre da Síria, formado por vários grupos que se rebelaram contra Al-Assad após o começo do conflito em 2011 e que passaram a receber o  apoio da Turquia, Arábia Saudita e Qatar.

Ao norte, o Partido da União Democrática formado pelos curdos, reivindicava a autonomia do povo curdo na Síria juntamente e que recebiam apoio das milícias curdas do Iraque e Turquia.

No auge do conflito surge uma força ameaçadora que se demonstra mais perigosa, o auto intitulado Estado Islâmico declara a implantação de um califado na região.

Em meados de 2012 os combates chegam aos arredores de Allepo, a maior cidade do país, antes do conflito. A maioria sunita passa a se manifestar contra o regime, demonstrando a força crescente dos grupos jihadistas o que alimenta ainda mais o poder dos grupos rebeldes que se aproveitam das fragilidades geradas no conflito.

Por volta de Junho de 2013 as organizações de ajuda humanitária, endossadas pelas Nações Unidas declaram que o conflito já teria ceifado 90 mil vidas e em agosto de 2013, num dos mais controversos eventos do conflito, um ataque químico mata centenas de moradores nos subúrbios de Damasco. Até hoje o regime Sírio acusa os rebeldes patrocinados pelas nações estrangeiras por esta atrocidade, porém este não foi o único evento do tipo.

Aproveitando-se da quase inépcia do regime que parece implodir, em Junho de 2014 o Estado Islâmico toma o controle de parte da Síria e do norte do Iraque proclamando assim o califado e surge ai uma ameaça muito mais contundente ao regime.

Neste momento os Estados Unidos ameaçam intervir no conflito, porém o que se vê são apoios pontuais, que para a comunidade internacional fica evidente se limitarem aos opositores de Assad sem nenhum efeito prático contra aquela que se considera a maior ameaça  a segurança internacional, o Estado Islâmico.

O SHOW DAS PODEROSAS

Em consequência do alegado ataque químico por forças de Assad, uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos lançam um ataque aéreo contra as forças Sírias.

Assad passa a combater além do levante interno, a ameaça das nações mais poderosas do planeta. Seu exército que aparentemente não consegue conter os avanços das forças rebeldes e do Estado Islâmico, perde a cada dia mais posições para os seus inimigos, a moral do SAA chega ao seu mais baixo nível e muitos dão como perdida a tentativa de manutenção do governo.

É Agosto de 2015 e a guerra toma um rumo sombrio e bárbaro, especialmente instituído pelos combatentes do Estado Islâmico, que promovem assassinatos em massa, a maioria por decapitação. Mas também, efetuam ataques com armas químicas contra as forças de Assad e civis na cidade de Marea.

Na esfera internacional, fala-se numa Síria pós Assad e a sua queda é considerada eminente. Num emblemático pronunciamento a comunidade internacional, Vladimir  Putin faz um discurso na assembleia das Nações Unidas em 28 de setembro de 2015, declarando seu total apoio à manutenção do regime de Assad, contrariando e enfrentando aqueles que se posicionavam de forma contrária.

Pedindo apoio para formação de uma ampla aliança para uma efetiva luta contra o terrorismo internacional o mandatário russo balança o cenário internacional  e prontamente no dia 30 de setembro cumpre a sua promessa com o envio à síria de uma componente aérea de caças, aeronaves de ataque, inteligência e salvamento. 

TROIKA SÍRIA

Com a chegada do apoio militar russo a Síria, as forças aeroespaciais passam a atacar posições de comando, logísticos e depósitos de armas, posicionando-se de forma contundente em favor do regime de Assad.

Surgem assim as alianças políticas, como a Coalizão Nacional da Síria Revolucionária e das Forças de Oposição.

Com apoio aéreo e inteligência russa e iraniana, apoio em solo pelas forças iranianas e libanesas, o ano seguinte começa com derrotas humilhantes para as forças rebeldes, em Março de 2016, as forças de Al-Assad reconquistam a cidade de Palmira das mãos do Estado Islâmico. Inesperadamente o conflito começa a ganhar um novo rumo, onde se vê um protagonismo maior por parte da Rússia e Turquia que passam a mediar reuniões entre as partes beligerantes a fim de alcançar a paz.

A frente de batalha Síria avança para retomar as suas cidades principais perdidas anos antes para os rebeldes e ou Estado Islâmico e em Setembro de 2016, sob o comando e presença das forças russas, o exército sírio bombardeia maciçamente Allepo, aniquilando a sua resistência e reconquistando a cidade. A batalha pela cidade que durou quatro anos tornou-se numa vitória estratégica para Assad e declarou à comunidade internacional que o seu regime não cairia nas mãos de seus adversários.

As vitórias em campo começaram a repercutir nas frentes adversárias de Assad que começaram a se evadir do conflito, desertar e negociar acordos de paz que quase nunca eram respeitados por ambos os lados.

Em Janeiro de 2017 começam as negociações do que ficou conhecido como o “Processo de Astana” quando vários atores da guerra tentaram mediar um cessar-fogo. O Acordo de Astana foi ratificado apenas pela Russa, Irã e Turquia, não sendo ratificado pelo governo sírio ou pela oposição que passou a comandar suas operações a partir do exílio.

Um novo ataque químico novamente atribuído ao Exército Sírio à população civil da cidade de Khan Shaykhun marca um novo e perigoso episódio deixando uma centena de mortos. Como resposta, pela primeira vez, os Estados Unidos atacam diretamente a base síria d’Al-Chaayrate onde dezenas de mísseis táticos tentam liquidar a base.

Em Setembro daquele mesmo ano, as Forças Democráticas Sírias e o Estado Islâmico travam uma luta pela posse de Deir ez-Zor, região rica em petróleo.

CORRAM PARA AS MONTANHAS

E em fevereiro de 2018, o exército de Bashar al-Assad, lança uma ofensiva violenta à região de Ghouta, reduto da  oposição mais ferrenha ao regime. Seguida de bombardeips e fogo maciço da artilharia a frente blindada abriu passagem para que as forças de Assad retomassem a cidade. A comunidade internacional alega um massacre civil de mais de 300 habitantes que se encontravam na linha de fogo de ambos os lados.

Em fevereiro de 2018, a ONU decretou uma pausa humanitária a fim de fazer entrar um comboio na zona de conflito de Ghouta Oriental, a pausa inicialmente respeitada pelas forças de Assad foi forçada pela pressão do presidente russo Vladimir Putin para que se pudesse entregar remédios, roupas e alimentos para os civis. Cerca de 400.000 pessoas estavam encurraladas entre os dois exércitos combatentes. O cessar-fogo, porém, não foi respeitado por nenhum dos lados e mais mortes ocorreram.

Na sequência em Abril de 2018 mais exatamente na sua primeira semana, um ataque com armas químicas foi efetuado na localidade de Jan Sheijun. Ainda que não se soubesse com certeza os seus autores, França, Estados Unidos e Reino Unido apostaram novamente no regime de Assad e desta maneira, mais uma vez atacaram as forças Sírias na região de Duma.

Atualmente o conflito tem se esfriado e a vitória de Assad e reconquista dos territórios tem promovido o retorno dos refugiados, com impasses ainda a decidir principalmente nas regiões sobre controle dos Curdos e das forças da Coalizão lideradas pelos Estados Unidos.

UMA NOVA GUERRA ESTÁ SURGINDO?

A retirada das tropas dos Unidos do nordeste da Síria expõe os grupos curdos diante de uma possível nova ofensiva Turca e os obriga a cooperar com o governo sírio. A Turquia anunciou, em 12 de dezembro, que iniciaria uma nova operação militar contra os combatentes curdos das Unidades de Proteção Popular conhecidas como o YPG, ligado ao partido Curdo da Turquia.

As Forças Democráticas Sírias, a aliança curdo-árabe formada essencialmente pelas milícias das YPG, já advertiram que uma operação da Turquia enfraqueceria as operações contra o estado Islâmico e também poderia afetar a situação de extremistas ocidentais detidos no norte da Síria.

Dirigentes curdos agora restabelecem contatos em Damasco com o governo sírio para discutir o futuro do norte do país, do qual o regime de Bashar al-Assad perdeu o controle em 2012.

A aliança curda afirma em Janeiro de 2019 que o grupo jihadista Estado Islâmico está encurralado em uma área de seis quilômetros quadrados na província síria de Deir ez-Zor, onde utiliza milhares de civis como escudos humanos. Uma aliança militar liderada pelas milícias curdas o exército democrático da Síria lançou em setembro de 2018 uma ofensiva contra os últimos territórios controlados pelo Estado Islâmico no sudeste da Síria, com o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

O estado Islâmico que ocupou amplos territórios na Síria e no Iraque em 2014 desmorona sobre seus pés e é perseguido dentro e fora da Síria.

Por seu lado, Damasco e Teerã assinaram em 28 de janeiro de 2019 amplos acordos e protocolos, incluindo um pacto de cooperação econômica “estratégica” e “de longo prazo”, para reforçar a cooperação entre ambos os países, aliados na guerra que assola o primeiro país desde 2011.

CONCLUSÃO

O conflito na Síria surgiu de uma forma inesperada e, tanto o governo como forças armadas foram pegos de surpresa, estavam completamente despreparados para aquela situação.

A dinâmica do conflito e a velocidade com que os eventos ocorriam tornavam difícil a possibilidade de se reverter o quadro,  especialmente porque as forças armadas Sírias estavam preparadas para uma guerra convencional e se depararam da noite para o dia com uma força oponente com características distintas, com táticas de combate totalmente novas e criativas, num conflito que se propagou pulverizado em muitos territórios, exigindo do exército Sírio uma mobilidade e rapidez da qual ele não era capacitado a atender.

A sua resposta foi lenta e inicialmente muito difícil, pois exigia uni presença no seu território. Além disso as condições da Guerra exigiram mudanças radicais nas estratégias de combate, os oponentes dispunham de drones, fuzis de assalto, mísseis anticarro modernos e uma variada gama de estratégias de combate apoiadas por potências internacionais. Nos primeiros anos do conflito os estrategistas sírios pouco puderam fazer para garantir a superioridade no conflito. Era frequente que as tropas sírias fossem pegas de surpresa e sem o apoio da Força Aérea, os avanços das frentes de combate eram praticamente nulos.

Assad demorou pelo menos três anos até conseguir organizar as forças, porém num dado momento o avanço dos oponentes cessou e o SAA passou a progredir   e passou a controlar as situações, logrando êxitos no campo de batalha.

Porém é de se ponderar que mesmo nos momentos em que se demonstrou fraqueza e eminente derrota, o Exército Sírio manteve-se forte e heroicamente resistiu a guerra implementada por soldados e armas de quase 80 nações na frente de batalha, enfrentando um inimigo  cujas formas de combate não eram compatíveis com aquilo que a Síria tinha se preparado para enfrentar.

Por essa razão as baixas foram pesadas nos primeiros anos, até que pouco a pouco a situação foi sendo controlada pelo regime,  até chegar em  2018 onde se registrou o menor número de mortos do conflito, com o exército sírio recuperando a maior parte do território e retomando naquela data cerca de 80% do território que antes estava nas mãos do Estado Islâmico.

O apoio do Irã, Líbano e Rússia contribuíram muito para esta vitória, mas ao contrário do que se pensa, não foram os únicos fatores responsáveis pela “virada de mesa” de Assad.

Nos próximos artigos serão abordados os demais fatores e o papel central do SAA na reconquista do território Sírio. Será apresentado o atual status das  Forças Armadas sírias e as ameaças que se enquadram no norte e nordeste do país, da possibilidade do ressurgimento do Estado islâmico e das intervenções internacionais, desejo das potências contrárias a manutenção do governo Assad.


Sobre  o Autor:

E.M. Pinto é Físico, Mestre em Física Aplicada e Doutor em Engenharia e Ciências dos Materiais, Professor Universitário editor do site Plano Brasil e de Revistas científicas  internacionais.

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Acidentes e Catástrofes Braço Forte Brasil Israel

Exército Brasileiro apoia, junto às demais Forças, as equipes de busca e salvamento na Região de Brumadinho

As Forças Armadas prosseguem atuando no transporte aéreo das diversas equipes de busca e salvamento dos órgãos do Governo de Minas Gerais. Também vêm sendo prestados assessoramentos em termos de comunicações satelitais e rastreamento, além da montagem e manutenção de instalações móveis para facilitar o trabalho de identificação dos corpos.

Além disso, desde a noite desse domingo, 27 de janeiro, o Comando Militar do Leste, por intermédio da 4ª Região Militar, sediada em Belo Horizonte (MG), vem prestando apoio logístico aos militares israelenses que chegaram à região para trabalhos de busca e salvamento. Esse apoio inclui:

– emprego de cinco helicópteros da Aviação do Exército, de modelos variados, para utilização pelas equipes de buscas;

– alojamento e alimentação para cerca de 130 pessoas;

– alojamento, alimentação e apoio veterinário para cães farejadores;

– transporte e acondicionamento de todo o equipamento (aproximadamente 16 toneladas), por meio da montagem de um depósito de campanha em Brumadinho;

– instalação de cozinha de campanha para a confecção de alimentação na área de Brumadinho;

– alojamento e alimentação aos intérpretes designados.

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Acidentes e Catástrofes Conflitos Geopolítica Israel Síria

Militares israelenses serão enviados à Moscou para compartilhar as informações sobre o abate da aeronave Il-20 na Síria

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

O IDF as Forças de Defesa de Israel enviarão uma delegação liderada pelo comandante Amikam Norkin a Moscou em 20 de setembro. Durante a visita oficial à capital russa, os militares israelenses compartilharão as informações de modo a elucidar que israel não teve responsabilidade no abate da aeronave russa Il-20 na Síria na noite de 17 de setembro.

A delegação de Israel apresentará um relatório sobre “todos os aspectos” do evento, desde os dados anteriores ao abate até a investigação realizada por Tel Aviv. De imediato, Moscou acusou as Forças Israelenses atribuindo-lhes a culpa pelo incidente, Israel por seu lado move-se para provar a Moscou a sua inocência no caso.

O Governo de Israel manifestou publicamente ao Kremlin a sua “consternação” pela morte dos militares da tripulação russa e considera que os Militares Sírios são “totalmente responsáveis” pelo ocorrido, além disso, atribuem à responsabilidade ao  Hezbollah e ao Irã e por este incidente ao qual classificou de ” infeliz.”

O IDF desmente o ato de que os caças israelenses usaram a aeronave russa como escudo, manipulando electronicamente os sinais de radar de modo a ludibriar as defesas Sírias. O IDF alega que a defesa síria ficou perdida durante o ataque e acionou indiscriminadamente as defesas pondo em risco todas as aeronaves que circundavam a região.

Há rumores de que as tripulações das baterias Sírias que operaram os sistemas de defesa, foram de imediatas entregues as autoridades russas para serem interrogadas no inquérito que avaliará as causas do incidente.

Os israelenses alegam que apresentarão as provas a Moscou a respeito das “tentativas contínuas” de Teerã de entregar armas estratégicas para a organização xiita libanesa e  por estabelecer uma presença militar iraniana na Síria.

Fonte: RT

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Rússia vai implantar polícia militar nas colinas de Golan

Nayera Abdullah in Cairo

Tradução e Adaptação- E.M.Pinto

MOSCOU (Reuters) – A Rússia colocará sua polícia militar na fronteira entre a Síria e Israel, disse o Ministério da Defesa nesta quinta-feira, após semanas de crescente volatilidade na área.

Chefe da Diretoria Operacional Principal do Estado Maior General das Forças Armadas Russas, tenente-general Sergei Rudskoi durante uma entrevista coletiva, com um mapa mostrando o território de Israel, Jordânia, Líbano e Síria visto ao fundo, em Moscou, Rússia. , 2018. Alexander Zemlianichenko / Pool via REUTERS
O presidente sírio, Bashar al-Assad, está varrendo os rebeldes no sudoeste da Síria e tem preocupado Israel, que acredita que poderia permitir que seus partidários iranianos entrincheirassem suas tropas perto da fronteira. Sublinhando as tensões, Israel matou sete militantes em um ataque aéreo noturno na parte das colinas de Golan, na Síria, informou a rádio israelense na quinta-feira.
Sergei Rudskoi, um alto funcionário do Ministério da Defesa da Rússia, disse que a polícia militar russa começou na quinta-feira a patrulhar as colinas de Golan e planejou a instalação de oito postos de observação na área. Ele disse que a presença russa foi em apoio às forças de paz das Nações Unidas nas colinas de Golan, que, segundo ele, suspenderam suas atividades na área em 2012 porque sua segurança estava ameaçada.

“Hoje, as forças de manutenção da paz da ONU, acompanhadas pela polícia militar russa, realizaram suas primeiras patrulhas em seis anos na zona de separação”, disse Rudskoi em uma entrevista coletiva para jornalistas em Moscou.

“Com o objetivo de prevenir possíveis provocações contra postos da ONU ao longo da linha ‘Bravo’, está prevista a implantação de oito postos de observação da polícia militar das forças armadas russas”, disse Rudskoi.

Ele disse que a presença russa é temporária e que os postos de observação seriam entregues às forças do governo sírio assim que a situação se estabilizasse. O destacamento da polícia militar russa destaca o grau em que o Kremlin tornou-se um ator influente nos conflitos do Oriente Médio desde sua intervenção militar na Síria, que virou a maré da guerra a favor de Assad.

Israel tem pressionado o Kremlin a usar sua influência com Assad e  Teerã para tentar reduzir a presença militar iraniana na Síria. Israel vê o Irã e os aliados do Irã no exército xiita do Hezbollah como uma ameaça direta à sua segurança nacional.

Essa mensagem foi transmitida pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao presidente russo, Vladimir Putin, quando se reuniram em Moscou no mês passado, disse uma importante autoridade israelense.

Forças iranianas retiraram suas armas pesadas na Síria a uma distância de 85 km das colinas de Golan ocupadas por Israel, disse um representante russo na quarta-feira, mas Israel considerou a retirada inadequada.

 

Fonte: Reuters

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Israel admite vitória militar de Assad e manutenção do regime na Síria

Regime toma províncias meridionais, e sua aliada Rússia já se instala nas Colinas de Golã

Forças sírias erguem bandeiras em Quneitra após retomada de território nas Colinas de Golã das mãos de rebeldes – YOUSSEF KARWASHAN / AFP

JERUSALÉM E DAMASCO – Com as recentes vitórias do regime de Bashar al-Assad na Síria, que o colocam virtualmente como vitorioso na guerra civil que há mais de sete anos assola o país, o vizinho Israel já admite a manutenção do presidente sírio no poder e não pretende intervir no conflito.

— Na Síria, do nosso ponto de vista, a situação volta a ser a que prevalecia antes da guerra civil (2011). Ou seja, que está claro a quem se dirigir, há alguém que é responsável e há um poder central — afirmou Lieberman durante uma visita a instalações de defesa antiaérea no Norte de Israel.

Forças iranianas recuam artilharia das Colinas de Golã

Rússia apela na ONU por reconstrução da Síria e repatriação de refugiados

Para Lieberman, há vantagens na vitória de Assad.

— Não nos misturamos, nem intervimos nos assuntos internos da Síria, com a condição de que se respeitem três pontos importantes para nós — insistiu Lieberman, mencionando “respeito dos acordos de separação de 1974” que estabelecem uma zona desmilitarizada nas Colinas de Golã, em grande parte ocupados por Israel e agora liberados de rebeldes na porção síria. A ONU e a Síria consideram ilegal a ocupação israelense.

Fonte: BBC

FORÇAS ISRAELENSES E JORDANIANAS MATAM JIHADISTAS

Depois de semanas de bombardeio intenso da Rússia, o governo sírio retomou o controle das três províncias meridionais do país, Deraa, Quneitra e Sueida, e também da fronteira com a Jordânia, anunciou nesta quinta-feira o Exército da Rússia, que apoia as Forças Armadas da Síria. Os últimos combates foram com grupos jihadistas ligados ao Estado Islâmico.

A liberação das áreas, inclusive de planícies férteis ao longo do Rio Yarmouk, propiciou uma grande mudança no quadro anterior ao conflito iniciado em 2011, com a polícia militar russa começando a se mobilizar na parte de Golã sob controle sírio e planeja montar oito postos de observação na área, informou o Ministério da Defesa em Moscou.

Moradores de Idlib observam destruição após ataque aéreo: região deve ser alvo da ofensiva final do regime – OMAR HAJ KADOUR / AFP

— Estão criadas as condições para que as forças de manutenção da paz da ONU nas Colinas de Golã retomem suas atividades — declarou em Moscou o general Serguei Rudskoi, do Estado-Maior russo.

Nesta quinta-feira, Israel e Jordânia comunicaram ainda que suas forças mataram insurgentes do Estado Islâmico que se aproximaram de suas fronteiras depois de serem expulsos do Sudoeste da Síria pelo Exército. Israel afirmou ter matado ao menos sete jihadistas, utilizando ataques aéreos. Já militares da Jordânia disseram ter confrontado combatentes do mesmo grupo, o chamado Exército Khaled Bin Walid, durante 24 horas entre terça e quarta-feira, matando um número não especificado deles.

SETE ANOS DE HORROR NA GUERRA SÍRIA EM IMAGENS

Ainda no período inicial da guerra civil na Síria, em 2011, manifestantes em Banias pedem liberdade na Síria. Conflito, que nasceu na esteira das manifestações da Primavera Árabe, acabou se tornando cada vez mais violento com atritos entre governo e rebeldes de diferentes facçõesFoto: AFP

Os ataques do governo, com bombardeios, começaram a fazer cada vez mais vítimas em várias cidades pontos de atrito. Alguns dos primeiros grandes foram em 2012, no bairro de Baba Amr, reduto da rebelião em Homs (centro). A imagem mostra o velório de um homem morto nos ataquesFoto: AFP

Menino passa por cima de corpos de crianças mortas em ataque químico em Ghouta, na Síria, em 2013: ataque deixou centenas de mortos. Número é incerto até hojeFoto: Reprodução

Em 2014, o Estado Islâmico conquista a cidade de Raqqa. É o início do autoproclamado califado do grupo, que se expande de maneira veloz e cria um estado de terror em várias cidades sírias e iraquianasFoto: Reuters

Ônibus são usados como barricada em bairro rebelde de Aleppo, em 2015Foto: KARAM AL-MASRI / AFP

Fila de refugiados palestinos se forma no campo de Yarmouk, em Damasco, para receber ajuda humanitária em 2015Foto: UNRWA / AP

A morte do menino sírio Aylan Kurdi, afogado em setembro de 2015 quando a família tentava ir da Turquia para a Europa, chama a atenção do mundo para a questão dos refugiados: com cada vez mais pessoas deixando a Síria, a Europa passa a viver uma grave crise migratóriaFoto: Reuters

Outro menino, o pequeno Omran, chama a atenção para os horrores da guerra ao ser clicado após ser resgatado em estado de choque de um bombardeio em Aleppo, em 2016Foto: MAHMOUD RSLAN / AFP

Em setembro de 2016, sírios carregam bebês em meio a bombardeios contra Aleppo: ofensiva sangrenta do regime reconquistou maior bastião rebelde da guerra, ao custo de dezenas de milhares de civis mortosFoto: AMEER ALHALBI / AFP

Rouhani, Putin e Erdogan se reúnem em Sochi: acordo de 2017 muda os rumos da guerra síria e afasta os EUAFoto: MIKHAIL METZEL / AFP

Explosão na cidade histórica de Palmira, na Síria: Estado Islâmico destruiu parte do patrimônio mundial, mas acabou perdendo terreno com ofensivas de coalizão pró-EUA e da Rússia, junto a AssadFoto: –

Em outubro de 2017, com o Estado Islâmico em forte recuo, forças de maioria curda conseguem reconquistar Raqqa, antes capital dos terroristas. Na imagem, o local é ocupado também por milicianas mulheres — elas eram as mais cerceadas pela visão ultrarradical do grupoFoto: ERIK DE CASTRO / Reuters

Fumaça de bombardeios entre os prédios de Ghouta Oriental, no subúrbio da capital síria Damasco: mais de 500 mortos em apenas uma semana de fevereiroFoto: HAMZA AL-AJWEH / AFP

Homem ferido em bombardeio recebe atendimento em Ghouta Oriental. A ofensiva do regime ao enclave, no início de 2018, marca uma das empreitadas finais de Assad para garantir a vitória na guerra. Com o bastião prestes a ser retomado, resta ao governo reconquistar apenas a província de IdlibFoto: AMER ALMOHIBANY / AFP

Fonte : O Globo

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Israel Aerospace Industries completa prova de conceito do ROTEM em demonstração bem-sucedida

A Israel Aerospace Industries (IAI) recentemente fez uma bem-sucedida demonstração de seu sistema Rotem. Trata-se de um sistema VANT (veículo aéreo não tripulado) leve de ataque letal, que pode ser transportado e operado por um único combatente. A demonstração abarcou os recursos ponta a ponta do Rotem, incluindo ataque rápido de alvo miniaturizado com total precisão. A demonstração foi feita em condições difíceis de campo e meteorologia, enfatizando a capacidade do sistema em responder com rapidez e eficiência à baixa assinatura de um inimigo em um espaço ameaçado.

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O Rotem é um avançado drone de assalto “suicida” com cabeça de combate e recursos de decolagem e aterrissagem verticais. Assim, é adequado a missões de inteligência, reconhecimento e vigilância, bem como a missões de ataque.
O Rotem pode ser transportado, posicionado e operado por um único combatente a pé. A aeronave simplesmente se compacta em 97cm x 18cm x 13cm. O Rotem foi concebido para ser lançado em segundos durante manobra desmontada, sem acessórios especiais. A aeronave é controlada por um único operador com modos automatizados, por exemplo: retorno de emergência, navegação para coordenadas, rota, observação, ataque, abortar trincheira de segurança, e decolagem e aterrissagem automáticas. Pode ter suas tarefas dinamicamente alteradas durante uma missão ativa, incluindo a transição de velocidade de voo normal para velocidades mais baixas e vice-versa.


Boaz Levy, gerente geral e vice-presidente executivo da Israel Aerospace Industries (IAI) Systems, do Grupo Missiles & Space, declarou: “O teste-piloto no qual provamos a extensão da capacidade do Rotem constitui um salto quântico. Acredito que um veículo aéreo não tripulado (VANT) que combina recursos de reconhecimento e vigilância, domínio de terreno, sensores diversos e capacidade de ataque agrega relevante valor às forças de combate, com ênfase nas situações complexas de combate que requerem uma resposta rápida, precisa e disponível às ameaças do campo de batalha. O Rotem, com sua gama de recursos, é uma plataforma única para incrementar os confrontos terrestres.”

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EUROSATORY 2018: Rafael revela sistema revolucionário de defesa aérea

A empresa Rafael Advanced Defense Systems, de Israel, criou um novo conceito de sistema revolucionário de defesa aérea que combinará a capacitação de tecnologias modernas para lidar com os desafios de combate em constante mudança no campo de batalha moderno.

Por  Colton Jones- Defence Blog

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

A Rafael revelou durante a exposição EUROSATORY 2018 seu sistema de defesa integrada All-in-one com base no sistema Iron Dome operacional e comprovado em combate, que alcançou mais de 1700 interceptações de combate com uma taxa de sucesso de mais de 90%.

De acordo com o comunicado da empresa, a  Very Short Range (VSHORAD) integrou o sistema de defesa aérea e contra-foguete, artilharia e obuses (C-RAM), integrado em um único veículo. Ele fornece proteção de tropas motorizadas ou mecanizadas, bem como defesa aérea  de instalações militares / industriais / administrativas.

Uma única bateria pode proteger uma cidade de tamanho médio. O novo sistema avançado oferece uma defesa robusta e seletiva. O sistema usa um interceptor único com uma ogiva especial que detona os alvos no ar. Sua capacidade de discriminar entre ameaças dirigidas a uma área habitada e aquelas que cairão no mar ou em campos abertos reduz os custos e limita lançamentos interceptadores desnecessários.

O sistema é eficaz em todas as condições meteorológicas, incluindo nuvens baixas, chuva, tempestades de poeira ou neblina. O sistema pode engajar várias ameaças de maneira simultânea e eficiente.

 

Fonte: Defence Blog

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EITAN entra em serviço no IDF

 

Autor:

E.M.Pinto – Plano Brasil 

 


As Forças de de Defesa de Israel receberam as primeiras viaturas blindadas  combate de Infantaria ( IFV)   EITAN 8×8 Eitan. As informações foram divulgadas ontem 23 de maio no portal jewishpress.com que  informou que o 50º batalhão de infantaria “Basellet” da brigada “Nahal” foi a primeira do IDF a ser equipada com os novos veículos de combate.

 

O Eitan foi desenvolvido pela Administração deveículos de combate do Ministério da Defesa de Israel  para substituir os obsoletos veículos de transporte de pessoal blindados M113 , desenvolvidos nos anos 60. O novo IFV pode transportar  12 soldados (incluindo um mecânico, comandante e artilheiro) e usa um chassi de 8 × 8 com rodas e um motor de 750 cavalos de potência.

O primeiro protótipo desenvolveu até 90 km/h em terreno despreparado.  Para auto defesa o EITAN está equipado com sistemas de defesa ativas de série que permitem-lo interceptar mísseis e foguetes. O Ministério da Defesa de Israel indica que o Eitan foi projetado para melhorar as capacidades do veículo blindado de transporte de cargas pesadas NAMER, desenvolvido com base no veículo de combate Merkava MK4M.

O novo programa do Ministério da Defesa Israelense prevê a compra de centenas de unidades do mais novo veículo blindado da EITAN , assim como o desenvolvimento de um novo módulo de combate (protótipos equipados com metralhadoras calibre 0,50 BMG).

Em declarações anteriores o ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, informou que o fornecimento dos novos veículos blindados será realizado no período de 2020 a 2025, mas que devido ao agravamento da situação no Oriente Médio, o IDF solicitou a incorporação das unidades mais cedo , acelerando o processo e antecipando para 2018 o início das entregas.

 

Fotos- Protótipo de transporte de pessoal blindado Eitan. israeldefense.co.il


Sobre  o Autor:

E.M. Pinto é Físico, Mestre em Física Aplicada e Doutor em Engenharia e Ciências dos Materiais, Professor Universitário editor do site Plano Brasil e de Revistas científicas  internacionais.


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Aviação Conflitos Defesa Geopolítica Israel

Israel anuncia ataques com caças F-35 no Oriente Médio

Israel atingiu alvos no Oriente Médio com caças F-35 duas vezes, disse o comandante da Força Aérea de Israel Amikam Norkin nesta terça-feira (22). A ação transforma o país no primeiro do mundo a usar o jato dos Estados Unidos em combate. As informações são do jornal The Jerusalem Post.

“Estamos pilotando o F-35 em todo o Oriente Médio. Ele se tornou parte de nossas capacidades operacionais. Somos os primeiros a atacar usando o F-35 no Oriente Médio e já atacamos duas vezes em diferentes frentes ”, disse Norkin durante uma Conferência da Força Aérea Sênior Israelense na cidade de Herzilya.

Fonte: R7

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Israel tenta inflamar questão iraniana

Às vésperas da decisão de Trump, Netanyahu faz apresentação na TV para acusar Irã de violar acordo nuclear. Denúncias encontram eco apenas nos EUA e são rejeitadas por monitores e potências europeias.

Netanyahu mostra para onde Irã supostamente teria levado seus arquivos nuclearesNetanyahu mostra para onde Irã supostamente teria levado seus arquivos nucleares

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tentou inflamar o debate sobre a questão nuclear iraniana ao acusar o regime dos aiatolás de mentir sobre seu programa atômico e, assim, violar o acordo selado com as potências ocidentais.

Israel sempre se opôs ao histórico acordo de julho de 2015, no qual o Ocidente aceitou aliviar as sanções contra o Irã em troca de o governo em Teerã congelar seu programa nuclear e se comprometer a não desenvolver armas atômicas.

Só que o acordo está agora ameaçado: o presidente americano, Donald Trump, é um feroz crítico do pacto e ameaça retirar os EUA dele, caso não haja negociações. Uma decisão do magnata é esperada para o dia 12, quando ele tem que definir se renova ou não o alívio às sanções contra o Irã.

“Os líderes do Irã negam repetidamente a busca por armas nucleares”, disse Netanyahu. “Hoje à noite eu estou aqui para dizer uma coisa: o Irã mentiu.”

De forma teatral, numa apresentação em inglês, transmitida pela TV para todo o país, Netanyahu puxou as cortinas para exibir estantes com supostamente mais de 55 mil arquivos relacionados ao programa nuclear iraniano, roubados por Israel numa operação de inteligência em Teerã em janeiro.

Netanyahu disse que a apreensão confirma que o Irã mentiu por anos sobre a natureza de seu programa nuclear. Isso, porém, jamais foi contestado pelas potências signatárias: o acordo se concentrou em evitar futuros esforços rumo a armas atômicas e existe, como destacaram lideranças europeias nesta terça, justamente para consertar a falta de confiança entre as partes envolvidas.

O premiê afirmou que o Irã “continuou a preservar e expandir seu conhecimento sobre armas nucleares para uso futuro”, mas não apresentou provas disso. Segundo ele, os iranianos transferiram seus arquivos para “um local altamente secreto em Teerã”.

Discurso afinado com EUA

O discurso logo encontrou eco no governo Trump. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, estava em Tel Aviv no dia da apresentação, e o presidente disse, em Washington, que as palavras de Netanyahu provam que ele “estava 100% certo” sobre o “pior acordo ” já assinado.

Enquanto Israel se opõe ao acordo, os principais aliados europeus de Washington pedem ao governo Trump que não o abandone e argumentam que o Irã está cumprindo seus termos. Nos últimos dias, uma sucessão de líderes, como a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron, foi até a Casa Branca tentar convencer Trump.

A apresentação de Netanyahu foi recebida com rechaço pelo Irã, por defensores do acordo e pelas partes responsáveis por monitorar sua implementação.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que as palavras de Israel são “infantis e ridículas” e buscam afetar a decisão de Trump sobre o acordo nuclear. As alegações, segundo Teerã, são “velhas, sem conteúdo e vergonhosas”.

A AIEA, agência de vigilância nuclear das Nações Unidas, disse que vai avaliar novas informações relevantes, mas citou um relatório de três anos atrás segundo o qual não haveria indicações críveis de que o Irã buscou construir armas nucleares após 2009.

Ceticismo europeu

A Rússia pediu que seja comprovada a veracidade dos documentos. “Considero que isto não seja motivo para convocar uma reunião da comissão da AIEA, já que primeiro é preciso analisar esses 100 mil documentos para comprovar se são verídicos”, disse Mikhail Ulyanov, embaixador russo perante as organizações internacionais em Viena. Ulyanov lembrou que os inspetores da AIEA não comunicaram nenhuma violação nos mais de dois anos de vigência do acordo nuclear.

A França pediu ao Irã uma cooperação total e transparência após as revelações do primeiro-ministro israelense, que, na opinião da diplomacia francesa, apenas reforçam a pertinência do acordo alcançado em 2015.

“Isso confirma que parte do programa nuclear iraniano não tinha fins civis, como a França e os seus parceiros constataram após as primeiras revelações de 2002”, e essa conclusão, explica a nota, foi a que guiou a negociação do pacto de Viena de julho de 2015.

No mesmo tom se manifestou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini. Segundo ela, o acordo foi estabelecido justamente devido à falta de confiança entre as partes envolvidas. “Caso contrário, não seria necessário um acordo nuclear”, afirmou.

Acredita-se que Israel seja a única potência com armas nucleares no Oriente Médio, mas o país jamais reconheceu isso.

RPR/rtr/ap/ots

Fonte: DW

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Síria: caças de Israel destroem depósito de armas com equipamentos do Irã

Depósitos de armas nas vizinhanças das cidades sírias de Hama e Aleppo foram atacados na madrugada de segunda-feira (30) com “foguetes hostis”, disse uma fonte militar síria à Sputnik.

Três autoridades dos EUA disseram à NBC News de maneira anônima que caças israelenses F-15 atacaram as instalações militares depois que o Irã transportou suas armas para lá. Segundo eles, Teerã estava entregando por duas semanas armas, incluindo mísseis terra-ar, armas de pequeno porte e mísseis antiaéreos.

As fontes alegaram que as armas foram entregues à Síria para um ataque subsequente contra Israel.

A mídia informou anteriormente que a base da 47ª Brigada da Síria no distrito de Hama, uma instalação militar no noroeste de Hama e uma instalação ao norte do Aeroporto Internacional de Aleppo foram alvejados nos ataques. Meios de comunicação locais informaram que 26 combatentes do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica foram mortos nos ataques aéreos.Os governos de Israel e Síria não quiseram comentar o assunto.

Israel já atacou a Síria dezenas de vezes sob a justificativa de que precisa impedir que grupos hostis obtenham armas sofisticadas.

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Fonte: Sputinik