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Conflitos Defesa Rússia Síria

Operação Síria: Pútin avalia falhas das forças militares da Rússia e aparelhamento empregado

Em uma reunião com oficiais militares e chefes do complexo militar-industrial, no dia 10 Maio, o presidente Vladímir Pútin abordou as falhas nas operações do Exército russo durante a campanha síria.

“Uma investigação aprofundada de cada uma delas (falhas) deve ser realizada, quero dizer, uma investigação profissional, uma análise mais completa”, declarou Pútin, sem especificar quais dificuldades teriam sido enfrentadas pelas tropas russas.

Mais tarde, porém, o porta-voz do presidente, Dmítri Peskov, concedeu detalhes que permitem interpretar o discurso de Pútin. “Trata-se, em primeiro lugar, da operação de certos equipamentos, do trabalho de certos sistemas técnicos”, citou o porta-voz.

Apesar dos incidentes, tanto Pútin como os especialistas elogiaram, de um modo geral, o nível de organização e condução de operações na Síria.

Segundo o presidente, desde o início da operação, as Forças Aeroespaciais russas realizaram mais de 10 mil missões e destruíram mais de 30 mil alvos, incluindo cerca de 200 instalações para extração e processamento de matérias-primas.

Dificuldades técnicas

Grande parte dos especialistas russos compartilha da visão de Peskov de que os problemas mencionados foram, sobretudo, de natureza técnica, envolvendo equipamento usado pela primeira vez em combate.

“Os fabricantes receberam todas as informações necessárias e foram encarregados de proceder imediatamente de modo a corrigir os problemas sistêmicos, e evitar essas deficiências na produção em série”, disse à Gazeta Russa o editor chefe da revista russa “Defesa Nacional”, Ígor Korotchenko.

Entre os equipamentos usados pela primeira vez em combate na Síria estão os caças Su-35S, os helicópteros de combate Mi-28 “Caçador Noturno” e Ka-52 Alligator, e os mísseis de cruzeiro Kalibr (lançados de navios de guerra da frota do mar Cáspio e do submarino Rostov-no-Don).

Segundo o analista militar da Tass, Víktor Litóvkin, apesar de os tipos específicos de equipamento não terem sido nomeados na reunião, os generais e representantes do complexo militar-industrial presente “compreenderam, de imediato, a quem e a que as palavras do presidente foram destinadas”.

O incidente com o bombardeiro Su-24 abatido por um caça turco no ar ao longo da fronteira com a Síria, em novembro de 2015, é uns desses casos, segundo Litóvkin.

“Os voos de bombardeiros no início da operação eram conduzidos com a violação das regras de voo – eles deveriam ser sempre cobertos por caças no ar durante todo o percurso de combate”, diz. “Isso não era feito até a tragédia acontecer.”

Outra falha evidente teria sido a queda do helicóptero militar Mi-28N na região de Homs, em abril passado. “O episódio aconteceu por um erro dos pilotos que sobrevoavam um terreno difícil em condições de plena escuridão”, afirma Litóvkin.

“Sem dúvida, essa é uma situação de exceção. Mesmo assim, o comando de operação na Síria teve que responder ao Estado-Maior pelo incidente e também foi questionado sobre o nível de formação dos pilotos russos.”

NIKOLAI LITÔVKIN

Título original: Problemas técnicos teriam causado falhas em operações na Síria

Fonte: Gazeta Russa

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Defesa Defesa Anti Aérea Geopolítica Mísseis Rússia Sistemas de Armas

Rússia entrega sistema de defesa antiaérea S-300 ao Cazaquistão

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, declarou nesta quarta-feira (8) que o país realizou o fornecimento de sistemas S-300 para o Cazaquistão.

O sistemas de mísseis antiaéreos S-300PS foi fornecido gratuitamente ao Cazaquistão para fortalecer o sistema de defesa aéreo regional unificado“, disse Shoigu durante uma reunião na última terça-feira com o seu homólogo cazaque, Imangali Tasmagambetov, em Astana.

Shoigu disse que os dois países têm boas perspectivas de cooperação no setor industrial militar.

“Nossa prioridade é criar um potencial de defesa comum, capaz de enfrentar qualquer desafio e ameaça hoje e queremos expandir a cooperação militar e técnico-militar”, disse o ministro russo.

De acordo com ele, o Ministério da Defesa da Rússia está pronto para oferecer ao Cazaquistão todos os tipos de ajuda na construção de suas forças armadas.

Foto: © Sputnik/ Aleksei Danichev

Fonte: Sputnik News

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Defesa Economia Estados Unidos Geopolítica Negócios e serviços Sugestão de Leitura Traduções-Plano Brasil

Nova ameaça de veto mira propostas de reforma de DoD

Por Joe Gould

Tradução e Adaptação: Luiz Medeiros

Este artigo foi atualizado para incluir comentário do Presidente da Comissão de Serviços Armados do Senado John McCain.

WASHINGTON – À medida que o Senado dos EUA discute a sua fatura anual para política de defesa, a Casa Branca contrabalanceou emitindo uma ameaça de veto na terça-feira que tem como alvo as famosas propostas do projeto de lei de reforma das aquisições defesa e da reorganização do Pentágono.

O Ato de Autorização de Defesa Nacional de 2017, esmagadoramente aprovado pelo Comitê de Serviços Armados do Senado no mês passado, que autoriza 602 bilhões de US$ em 2017 para base de defesa e gastos de guerra. A Casa Branca já emitiu uma ameaça de veto contra a versão da Câmara do projeto de lei sobre o tratamento dado aos fundos da Contingência de Operações no Exterior (OCO), enquanto o projeto do Senado evitou o criticismo cortando para o solicitado em linha principal do presidente.

“Se forem apresentados ao Presidente com S. 2943, seus assessores seniôres recomendariam à ele vetar a lei”, disse o Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca em memorando, usando a nomenclatura do Congresso do projeto de lei.

A Casa Branca, no memorando de 21 páginas demonstrou uma reprimenda ponto-a-ponto das disposições NDAA do Senado que foram defendidas pelo presidente da SASC, John McCain do partido republicano do Arizona, mas silenciosamente condenando os líderes do Departamento de Defesa. Algumas dessas disposições caem sob propostas de reformas colocadas por Goldwater-Nichols da SASC, nomeado para a lei de 1986 que estabeleceu a estrutura atual do Pentágono, e derivada de meses de audiências da SASC.

McCain criticou o memorando, que ele chamou de uma “declaração de política da administração”, um produto burocrático e “um desculpa na defesa do status quo: desalinhamento de autoridade e responsabilidade, déficts de integração estratégica e aproveitamente de inovação, equipes inchadas, um sistema de aquisição de defesa falidos.”

“Em seu rol de cenários apocalípticos imaginários, a Administração deturpa repetidamente e ignora disposições da NDAA, deixando à alguém para pensar em como funcionários próximos da Administração leram esta legislação, ou se eles sequer leram no final”, disse McCain. “Espero que quando o NDAA chegar a mesa do presidente, ele entenda a importância crítica desta legislação à nossa segurança nacional melhor do que seu governo parece entender agora.”

Ainda assim, o memorando provavelmente fornecerá munição para os democratas que se opõem ao projeto ou pressionam para mudanças para quando a lei for reconciliada em conferência com a versão da Câmara, que aprovou a lei no mês passado. O NDAA da Câmara tem uma abordagem mais deliberativa para aquisições e as reformas de Goldwater-Nichols e carece de algumas das propostas mais agressivas do projeto de lei do Senado.

Em nome da racionalização de aquisições do Departamento de Defesa para responder a temores de que o Exército dos EUA está perdendo sua vantagem tecnológica, o projeto de lei do Senado propõe o fechamento do Escritório Chefe de Compras de Armas do Pentágono – o Gabinete do Subsecretário para Aquisição, Tecnologia e Logística (AT&L) – e redistribuição de seus deveres para dois novos subsecretários de defesa para inovação e gestão de aquisições. O projeto de lei contém 130 disposições de reforma para compras, de acordo com assessores do Senado.

Mas a Casa Branca insistiu que o projeto de lei, “poderia reestruturar partes fundamentais do DOD de formas que não foram completamente revisadas pelos especialistas, seja dentro ou fora do departamento, e que é provável” – ao contrário da intenção do projeto de lei – “que faça o Departamento menos eficiente e ágil.”

“No seu conjunto, estas alterações devem reverter as reformas de aquisição das últimas duas décadas e arriscando devolver o Departamento à uma era das estimativas de custos excessivamente otimistas, sistema de engenharia inadequado e testes de desenvolvimento, a confiança indevida sobre tecnologias imaturas, gestão ineficazes de contratantes e falta de foco sobre os custos do ciclo de vida por parte dos serviços militares que levou a um crescimento de custo explosivo e ao fracasso de vários programas importantes de aquisição para defesa”, expressa a crítica do memorando.

“É particularmente inadequado para o Congresso fazer isso agora, quando os dados mostram claramente que o desempenho recente do sistema de aquisição do Departamento melhorou significativamente nos últimos anos.”

O OMB creditou a AT&L com um “registro de desempenho melhorado na aquisição para o contribuinte desde a a implementação do Ato de Reforma no Sistema de Aquisição de Sistemas de Armas de 2009 (WSARA)” e iniciativas de melhor poder de compra por parte do DoD. O OMB alegou que a proposta iria reverter os principais aspectos da lei de 2009 e estabeleceriam entidades multifuncionais que “minariam a autoridade do Secretário, adicionando burocracia e confundindo as linhas de responsabilidade.”

Entre outras alterações propostas, a Casa Branca discordo dos cortes propostos no outro número de oficiais-generais, altos oficiais e funcionários executivos seniôres, e chamou a limitação do Estado-Maior do Conselho de Segurança Nacional para 150 pessoas de “arbitrária”. De acordo com McCain, a medida visa cercear microgestão dos militares do Conselho de Segurança Nacional.

A sanção proposta para o uso de contratos de custo adicional que, “desnecessariamente restringe a flexibilidade para adaptar os tipos de contrato para um determinado requisito,” e desenvolvimento em favor de preço fixo que, “não está no governo ou interesse da indústria em muitas circunstâncias”, disse o memorando.

A equipe da comissão disse que o veículo de contratação venerável tem seus usos, mas muitas vezes custos de combustíveis se excedem e está fora da forma como as empresas comerciais no Vale do Silício e em outros lugares fazem negócios. Contratos de preço fixo, por outro lado, colocam às empresas um incentivo para trabalhar mais eficientemente possível para maximizar seus lucros.

Em programas de aquisição, a Casa Branca contestou a dissolução do escritório programa conjunto do F-35; as limitações no sistema de Distribuição Comum de Terreno – programa do Exército; um corte de 100 milhões de US$ para a Rede de Informações Táticas do Combatente e um corte de 302 milhões de US$ além do aumento de supervisão sobre bombardeiro de longo raio B-21.

Fora das aquisições e reformas Goldwater-Nichols, e entre outras medidas, a Casa Branca se opôs às disposições que limitam a capacidade do presidente para fechar o centro de detenção na Baía de Guantánamo, Cuba, e realizar uma nova rodada no processo da Comissão de Fechamento de Basses e Realinhamento. Vislumbrando o fim da administração do presidente Obama no final do ano, é improvável que ele teria tempo para implementar qualquer um dos projetos.

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Defesa Sistemas de Armas Vídeo

Vídeo: Challenger 2 – BAE Systems: Ele permanece em prontidão

 

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China Estados Unidos Geopolítica Negócios e serviços

Divergências limitam avanços nas negociações entre China e EUA

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry (à esq.), fala com o presidente da Chjna, Xi Jinping (à dir.), em encontro em Pequim.

Os Estados Unidos e a China fizeram pouco progresso em uma série de divergências durante os dois dias de negociações sobre economia e segurança da alta cúpula, num momento em que os dois países se preparam para mudança na liderança e mais incertezas econômicas.

Comunicados de autoridades dos dois lados ontem sugeriram que as conversas renderam resultados graduais. O secretário do Tesouro dos EUA, Jacob Lew, disse que as autoridades chinesas reafirmaram o compromisso de não desvalorizar o já abatido yuan por motivos de competitividade e prometeram não ter como “meta” uma expansão do setor de aço, cuja produção crescente ele disse anteriormente que estava distorcendo o mercado.

Pequim ampliou o acesso ao seus mercados financeiros fortemente regulados, oferecendo aos investidores americanos uma cota de 250 bilhões de yuans (US$ 38,1 bilhões) para comprar ações e títulos chineses. Os dois governos concordaram em designar bancos de compensação nos EUA para realizar transações em yuan, medida que promoveria um maior uso da divisa chinesa. Lew disse que é muito cedo para citar quais instituições financeiras americanas podem ser escolhidas, mas informou que os EUA terão a maior cota depois de Hong Kong.

Em questões mais controversas, as autoridades pareceram reafirmar posições e, em alguns casos, houve total desacordo. Uma nova lei chinesa que garante à polícia a autoridade de monitorar organizações estrangeiras sem fins lucrativos provocou fortes discordâncias.

A reunião deste ano dos Diálogos Estratégicos e Econômicos é o último da gestão de Barak Obama, com a eleição presidencial dos Estados Unidos se aproximando. A China logo enfrentará sua própria transição de liderança. Em 2017, cinco dos sete membros do Comitê Permanente Politburo, o principal órgão de decisão do governo, sairão.

O momento das reuniões, combinado com as tensões em torno do Mar da China do Sul — onde os EUA estão desafiando a afirmação de Pequim de soberania sobre ilhas, recifes e águas vizinhas reivindicadas por outros países —, limitaram perspectivas para avanços em questões como comércio, barreiras de investimentos e a política cambial da China.

O secretário de Estado americano, John Kerry, e o conselheiro de Estado da China, Yang Jiechi, mantiveram suas posições sobre o Mar da China do Sul. Kerry manifestou preocupações sobre passos unilaterais “de qualquer parte” — uma referência à reivindicação de terras pela China — e ele disse que os requerentes deveriam ser moderados. Ele disse que os EUA apoiam “uma resolução pacífica baseada na aplicação da lei”.

Yang pediu aos EUA para “honrarem sua promessa” de não tomar partido em disputas territoriais e disse que a China tem o direito de defender seus direitos territoriais nas águas disputadas. Ele reiterou que Pequim não reconhecerá uma decisão vinda de um painel de arbitragem criado em Haia em um processo aberto pelas Filipinas contra as reivindicações da China — um caso que os EUA apoiam.

A lei recentemente aprovada restringindo ONGs estrangeiras também atrapalharam os diálogos. Uma autoridade americana disse que a lei foi foco de discussões durante todas as negociações e que as discussões foram tensas.

“Nós não poderíamos ter registrado nossas preocupações de forma mais direta ou vigorosa”, disse Kerry a repórteres em uma coletiva de imprensa ontem à noite.

Em resposta aos receios americanos, Kerry disse que ele recebeu garantias do presidente chinês, Xi Jinping, em uma reunião ontem, que a lei não seria aplicada “de forma a afetar a capacidade de abrir empresas e fazer negócios e das pessoas se sentirem confiantes sobre o que estão fazendo aqui”. Segundo ele, a questão agora “é de fato o que acontece”.

Yang disse no encerramento da reunião que a lei forneceria uma melhor proteção para tais grupos e, à medida que eles cumprirem essa e outras leis, eles “não serão afetados de maneira alguma”. Mas a lei, da forma que está redigida, será difícil de ser cumprida pela maioria das ONGs, disse a autoridade americana. Ela exige notificações de reuniões, por exemplo, com um ano de antecedência.

As discussões tiveram progresso limitado devido às divergências, embora autoridades dos dois países tenham salientado áreas onde eles estiveram trabalhando juntos, incluindo mudanças climáticas e não proliferação nuclear. Os EUA têm insistido para que a China pressione mais a Coreia do Norte para que ela desista de seu programa nuclear.

Kerry afirmou que Washington e Pequim se comprometeram em cumprir totalmente as sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas contra Pyongyang aprovadas no início do ano e que especialistas dos dois países se encontrarão para cooperar na implementação delas.

Yang disse que a China está comprometida com a desnuclearização da Península Coreana.

Os dois lados concordaram em acelerar as negociações em um tratado de investimento entre as duas maiores economias do mundo, depois de anos de discussão.

Os negociadores chineses submeterão no fim deste ano uma proposta revisada delineando quais os setores que estão fora dos limites de investimento estrangeiro, disse o vice-primeiro-ministro, Wang Yang. A proposta anterior da China de uma “lista negativa” continha mais de 40 setores e foi considerada ampla demais por Washington. Especialistas em comércio exterior não esperam que um tratado seja concluído antes de Obama deixe o governo.

De positivo, Lew citou a promessa da China de restringir a expansão de sua indústria siderúrgica, disse ele, embora garantias similares não foram dadas para outros setores industriais. “Lamentavelmente nós não fomos capazes em chegar a um entendimento comum sobre a situação de excesso de capacidade de alumínio no mundo”, disse Lew, afirmando que outros países devem manifestar suas preocupações no encontro do Grupo das 20 maiores economias do mundo que será sediado na China em setembro. “Essas são questões internacionais, não apenas dos EUA”, disse ele.

Lew disse que Pequim também prometeu trabalhar para acabar com as “empresas zumbis” — aquelas que não são lucrativas mas continuam operando e cuja produção eleva o excedente de produtos industriais nos mercados globais.

FALICIA SCHWARTZ e MARK MAGNIER

Colaborou Lingling Wei

Foto: EUROPEAN PRESSPHOTO AGENCY

Fonte: The Wall Street Journal

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Defesa Destaques Geopolítica Opinião Rússia

OTAN inicia maior exercício militar desde a Guerra Fria

Soldados do Exército polonês com bandeiras dos países que participam do exercício militar Anaconda-16 durante cerimônia de abertura em Rembertow, 06 de Junho de 2016.

Organização do Tratado do Atlântico Norte realiza manobras de grande porte na Polônia, em meio à crescente influência russa no Leste Europeu. Moscou condena o que chama de “provocações desnecessárias”.

Milhares de soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) chegaram à Polônia nesta terça-feira (06/07) para dar início ao maior exercício militar da aliança no Leste Europeu desde a Guerra Fria.

As chamadas manobras Anaconda, com dez dias de duração, têm como objetivo reforçar a segurança regional, sendo uma espécie de demonstra em meio à crescente influência da Rússia na região.

Moscou condenou as manobras, que considera provocações desnecessárias. O porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov, afirmou que elas não contribuem para uma “atmosfera de confiança e segurança”. “Infelizmente, estamos testemunhando uma diminuição da confiança mútua”, declarou.

Os exercícios ocorrem um mês antes de uma conferência da Otan em Varsóvia, que deverá selar o maior reforço militar da aliança desde a Guerra Fria, com mais tropas atuando em rotação entre os países do Leste Europeu.

O ministro da Defesa da Polônia, Antoni Macierewicz, disse que as manobras visam “verificar a capacidade da aliança de defender as frentes do leste”. A iniciativa é atribuída aos temores resultantes da anexação da Crimeia pela Rússia.

As manobras Anaconda são as mais recentes de uma série de exercícios promovidos pela Otan na região. Elas envolvem 31 mil soldados de 24 países, incluindo 14 mil dos Estados Unidos, 12 mil da Polônia e mil do Reino Unido. Também participam militares de ex-países soviéticos, como a Ucrânia, envolvidos na chamada “Parceria pela Paz”, que visa estreitar as relações entre a Otan e outros Estados da Europa e da antiga União Soviética.

Manobras Anaconda envolvem 31 mil soldados de 24 países

A Rússia tem se manifestado contrariamente à expansão da Otan na antiga área de influência soviética, ressaltando que, em 1997, a aliança se comprometeu a não instalar bases permanentes nos países que integravam o antigo Pacto de Varsóvia.

“Guerra Fria faz parte do passado”

O secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, tentou acalmar Moscou, afirmando que “a Guerra Fria faz parte da história e queremos que assim permaneça”.

Na cerimônia de abertura das manobras, nesta segunda-feira, Stoltenberg ressaltou que “no longo prazo, temos apenas que entender que a Rússia é nosso maior vizinho”. “Temos que nos relacionar e trabalhar em conjunto com a Rússia.”

Alguns analistas lançam dúvidas sobre a estratégia da Otan, de empregar o revezamento de tropas ao invés de instalar bases permanentes, o que poderia por em risco a rapidez da mobilidade do contingente frente a uma ameaça de ataque.

Nos últimos anos, Moscou vem aumentando sua presença militar no Mar Báltico. Suas aeronaves violam com frequência o espaço aéreo de países da ex-União Soviética, como a Estônia. Em abril deste ano, um jato russo chegou a fazer voos rasantes sobre um navio destróier americano.

Apesar de ter cortado praticamente todas as cooperações com a Rússia em razão da intervenção do país na Ucrânia, a Otan planeja manter conversações formais com Moscou antes de sua próxima conferência, nos dias 8 e 9 de julho.

Foto de abertura: AFP

RC/afp/dpa/rtr

Fonte: DW

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Geopolítica Opinião Rússia

Rússia poderá ter que salvar novamente a Europa de si mesma

Hoje em dia, quando os islamistas radicais continuam fomentando uma verdadeira guerra contra a Humanidade, será que o Ocidente tem alguma alternativa além da aliança com a Rússia? Esta pergunta é colocada por G. Murphy Donovan, ex-colaborador da inteligência americana.

Devido ao aumento dos ataques do islamismo proveniente do Oriente Médio, a Rússia do presidente Vladimir Putin é a chave para fazer frente às ameaças atuais, escreve Donovan no seu artigo para o jornal conservador American Thinker.

Putin é “único em sua classe”, escreve Donovan. O líder russo conseguiu deixar para trás o comunismo e construir uma forma de democracia no seu país. Além disso, restaurou o Cristianismo e os institutos ortodoxos na Rússia.

Durante a sua presidência, o Exército russo foi restaurado e modernizado e o país passou a defender os seus interesses no Cáucaso, na Geórgia, Ucrânia e agora na Síria, escreve o ex-colaborador. A rejeição russa da expansão da OTAN e a onda de golpes de Estado, fruto da ingerência externa, conhecidos como revoluções coloridas, também é completamente compreensível.

O que não é compreensível, em nenhum caso, é a tentativa dos políticos europeus de procurar um conflito com a Rússia, no meio de uma ameaça de grande escala como é o islamismo radical, afirma o autor.

Enquanto a OTAN fez vista grossa ao comércio ilegal de petróleo entre a Turquia e o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia), foi a Rússia que mostrou as ações de Ancara e começou a bombardear os caminhões de jihadistas que levavam o petróleo barato da Síria ao país otomano.

Além disso, os países muçulmanos fornecem combatentes há meio século para a jihad internacional, combatentes que “escolhem como alvo e matam impunemente os americanos e europeus”, além de financiar os grupos radicais para seguir em frente com sua própria agenda. Mas nenhum desses países foi submetido às sanções do Ocidente, enquanto a Rússia está suportando uma pressão econômica e militar, denuncia o autor.

“Os políticos europeus e norte-americanos não parecem entender quem é o seu inimigo número um”, de acordo com Donovan.

Por sua vez, Putin tem uma visão clara sobre as ameaças provenientes do “fascismo religioso”.

Na luta contra a ameaça global do terrorismo islâmico, surgem oportunidades de criar novas alianças. Neste sentido, a Rússia de Putin é o aliado mais evidente do Ocidente, já que Moscou, Washington e Pequim poderiam formar uma coalizão internacional semelhante à da Segunda Guerra Mundial — a União Soviética, Reino Unido e EUA- que conseguiram derrotar o nazismo, destaca o autor.

“Veremos se a Rússia terá que salvar a Europa de si mesma outra vez no século XXI”, conclui o especialista.

Foto: © Sputnik/Aleksey Nikolskyi

Fonte: Sputnik News

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Defesa Destaques Estados Unidos Negócios e serviços Tecnologia

Índia se tornará um dos principais parceiros dos EUA na área de defesa

O presidente dos EUA Barack Obama confirmou para o primeiro-ministro indiano Narendra Modi a intenção de Washington de aumentar o estatuto da Índia na área de cooperação de defesa, declarou nesta terça-feria (7) o vice-chanceler indiano Subramaniam Dzhayshankar.

“A vontade dos EUA de reconhecer a Índia como seu grande parceiro na área de defesa é um avanço importante. Este estatuto significa que, na questão da troca de tecnologia, do acesso à tecnologia, teremos a mesma abordagem que os aliados e os parceiros mais próximos dos EUA” – declarou Dzhayshankar em Washington.

Nas suas palavras, o novo estatuto ampliará o acesso da Índia a novas tecnologias de defesa e proporcionará uma abordagem mais livre para o fornecimento de tecnologias de dupla utilização. Além disso, ele destacou que isso ajudará na implementação da política “faça na Índia”.

Avaliando as negociações como um todo, Dzhayshankar declarou que “hoje nós alcançamos um acordo e uma compreensão mútua sobre uma série de questões”. “Isso eleva o nível do nosso futuro desenvolvimento das relações” – concluiu o vice-chanceler.

Foto: © AFP 2016/ SAUL LOEB

Fonte: Sputnik News

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Defesa Estados Unidos Geopolítica Traduções-Plano Brasil

Hodges: Posição sobre Brigada Rotativa na Europa deve ser decidida neste Verão

Por Jen Judson

Tradução e Adaptação: Luiz Medeiros

VARSÓVIA, Polônia – O Exército dos EUA está se preparando para enviar uma equipe de combate em forma de brigada blindada rotativa para a Europa a partir de Fevereiro do próximo ano e as decisões sobre a forma como as unidades dentro dessa brigada devem posicionadas serão anunciadas neste verão, o Comandante do Exército dos EUA na Europa, tenente-general Ben Hodges, comunicou nesta segunda-feira.

“Eu acho que decisões devem ser tomadas em Junho e Julho sobre a presença de frente reforçada”, Hodges disse a um grupo de repórteres depois do exército polonês ter iniciado seu maior exercício militar nacional chamado Anakonda.

Hodges disse que o plano é para que a primeira brigada chegue em Fevereiro para uma rotação de nove meses e uma nova brigada vai girar em cada mês.

Cada brigada vai trazer o seu próprio equipamento, “que é um investimento significativo, se quiserem, mas também significa que nós teremos a oportunidade de praticar a movimentação de uma brigada inteira de uma instalação em qualquer lugar dos EUA, através de portos europeus e, em seguida, para se desdobrar, de modo que é importante para nós e isso também significa que cada brigada chega ao mais alto nível de prontidão na melhor condição”, disse ele.

Enquanto Hodges não possuí as respostas sobre exatamente como a brigada seria dispersada, ele disse que esperava ver uma força de tamanho de batalhão potencialmente desdobrada na Polónia, Roménia e Bulgária e gostaria de ver um batalhão estacionado na Alemanha para treinamento continuado.

“Haverá algum tipo de rotatividade para se certificar de que cada uma das unidades daquela brigada está no mais alto nível de prontidão, para que eles mantenham a prontidão, para que eles não apenas sentem em um lugar por nove meses”, disse Hodges. “Isso não seria muito eficaz.”

Atualmente, o Exército está usando um modelo de brigada rotativa, em que unidades se adequam à equipamentos já existentes no local e que este equipamento é o que está sendo utilizado no exercício Anakonda.

Hodges disse que haverá um período de transição entre Setembro e Fevereiro enquanto o Exército movimenta a brigada atual para fora. A brigada vai deixar alguns dos seus equipamentos para trás até a próxima brigada rotativa chegar com seu próprio equipamento.

O Exército dos EUA na Europa receberam um grande impulso de financiamento no pedido de orçamento do presidente Obama, que mais do que quadruplicou a quantidade de dinheiro para operações de contingência no exterior canalizados para o que é chamado a Iniciativa de Reafirmação Européia (ERI). Cerca de 2,8 bilhões de US$ dos 3,4 bilhões de US$ de financiamento da ERI para o ano fiscal de 2017 serão atribuídos ao Exército.

Com esse dinheiro o Exército planeja manter uma equipe de combate de brigada blindada rotativa na Europa e reforçar a sua força com mais estoques pré posicionados. O serviço também planeja estabelecer exercícios com os aliados e parceiros.

Fonte: DefenseNews

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Marinha dos EUA desdobra maior número de porta-aviões desde de 2012

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Por Christopher P. Cavas

Tradução e Adaptação: Luiz Medeiros

WASHINGTON – Pela primeira vez em quase quatro anos, a Marinha dos EUA tem quatro grupos de batalha nucleados em navios aeródromos (porta-aviões) desdobrados em serviço ao mesmo tempo. Mais dois porta-aviões estão realizando operações locais, perfazendo assim seis dos dez navios aerodrómos ativos da frota em operação – uma percentagem anormalmente elevada. E outro navio está se preparando para partir.

A partida do Ronald Reagen no dia 04 de Junho de Yokosuka, Japão, juntamente com o destacamento em 01 de Junho do grupo do Dwight D. Eisenhower na Costa Leste dos EUA, dobrou o número de grupos desdobrados. O Harry S. Truman está no leste do Mediterrâneo na condução de combates contra alvos do ISIS na Síria e no Iraque, e o grupo do John C. Stennis está em operações continuadas no Mar do Sul da China.

Mais perto do lar, o Carl Vinson e George Washington estão cruzando ao largo das costas Oeste e Leste, respectivamente, passando por qualificações e formações.

Um sétimo porta-aviões, o George H. W. Bush baseado em Norfolk, é aguardado para estar à caminho para operações de treinamento em Junho, se preparando para ser destacado ainda este ano.

A última vez que quatro grupos de batalha foram desdobrados simultaneamente foi durante um período de nove semanas entre final de Agosto de 2012 até início de Novembro de 2012, disse um porta-voz da Marinha. Não ficou claro, porém, quando foi a última ocasião em que seis ou mais navios estaviram em operação simultânea.

Os movimentos não são em resposta a uma crise específica. “Tem tudo sido trabalhado por meses como parte do programa de Gestão de Força Global”, disse um oficial da Marinha, referindo-se a um plano conjunto do Pentágono que orienta grandes desdobramentos de forças militares dos Estados Unidos.

O nível de atividade de porta-aviões é notável por duas razões. Destacamentos foram visivelmente cortados a partir do final de 2012 e início de 2013 como resposta para as restrições de gastos causados por cortes no orçamento estipulado de acordo com as regras do “sequestration”. Os serviços ainda estão sofrendo para estabelecer fundos operacionais – apenas no mês passado, a Marinha informou ao Congresso que há um déficit de 848 milhões de US$ em contas de prontidão para toda a frota, dos quais 91 milhões de US$ foram diretamente atribuídos para extender o destacamento do Truman operarando no Mediterrâneo por mais 30 dias adicionais.

Mas apesar dos custos, poucas exibições militares carregam mais simbolismo do que desdobramento de Navio Aeródromo. Oficiais da Marinha comentam desde o ano passado que os porta-aviões poderiam passar mais tempo na região da Sexta Frota no Mediterrâneo, em vez de simplesmente passarem à caminho de áreas operacionais da Quinta Frota no Comando Central – um esforço para combater o crescimento das operações russas no meio leste na costa da Síria. O Truman, depois de deixar Norfolk em Novembro, passou a maior parte de seu destacamento no Golfo Pérsico e no Mar Arábico, mas passou pelo Canal de Suez em 2 de Junho para entrar no Mediterrâneo.

No Pacífico, o Stennis tem operado exclusivamente no oeste do Pacífico desde o início de seu desdobramento em meados de Janeiro, uma mudança distinta das turnês recentes do Westpac, que geralmente observou os porta-aviões passando mais tempo em operação no Oceano Índico / Mar Arábico / região do Golfo Pérsico. Mas o Stennis gastou muito mais tempo no Mar do Sul da China, re-estabelecendo uma presença contínua como contrapeso ao crescimento extensivo da China por lá.

Stennis e suas escoltas geralmente não têm desafiado diretamente reivindicações territoriais chinesas ao redor de ilhas artificiais construídas no Mar do Sul da China, mesmo que a presença dos navios de guerra envie uma mensagem clara de interesse.

“Estamos tentando não sermos muito provocativos”, reconheceu um oficial da Marinha dos EUA. “Mas estamos trabalhando para nos acostumarmos à operar muito próximos de uma Marinha concorrente próxima. Foi uma experiência de aprendizagem importante para nós para nos acostumarmos com a operação em um ambiente competitivo. A última vez que fizemos isso foi na década de 1990.”

“Aprendemos muito – o que você pode fazer e o que não pode fazer neste ambiente – e vai para os fatores de planejamento. Todo o grupo de batalha – navio aeródromo, ala aérea e navios escolta – fizeram tudo muito bem. E por todas as anedotas os chineses têm feito bem também. As comunicações foram profissionais. Tem sido uma experiência de aprendizado para ambas as marinhas”.

Ambas as operações duplas de porta-aviões irão fornecer oportunidades para fotos de primeira linha para os EUA mostrarem o tipo de poder naval que ainda podem exercer em face dos fortalecimentos militares chineses e russos.

Em cada teatro, espera-se que os navios aeródromos dobrarem e operarem juntos. O Stennis e Reagan provavelmente devem navegar pelo Mar do Sul da China juntos por um tempo, antes que o Stennis zarpe para o Hawaii e os exercícios do Círculo do Pacífico (RIMPAC) que estarão em curso no início de Julho.

Similarmente, Eisenhower e Truman devem provavelmente navegar juntos, pelo menos por um tempo, antes que o Truman vá para a base de Norfolk e o Ike siga para região do Golfo Pérsico.

Dos navios restantes restantes, o Nimitz está em revisão em Bremerton, Washington; o Theodore Roosevelt está em menor grau de prontidão, em San Diego, tendo retornado de desdobramento em Novembro; e o Abraham Lincoln está no estaleiro Newport News, Virginia, em estágios avançados de uma revisão reabastecimento de 3 anos.

Outro porta-aviões, o Gerald R. Ford, está sendo completado em Newport News. Quando este se juntar à frota ainda este ano, a força de navios aeródromos será restaurada ao seu nível mandatório de 11 navios.

Fonte: DefenseNews