Defesa & Geopolítica

História Oficial da Venezuela ao gosto do Comandante: “Livros oficiais distribuídos em escolas públicas endeusam o chavismo”

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pinocchio-oilEl País

CARACAS – Da educação básica ao ensino médio, alunos de escolas públicas venezuelanas recebem os 70 livros da Coleção Bicentenário, encomendada pelo governo para oferecer uma visão chavista da história republicana do país. As publicações se valem de manipulações históricas, protagonistas desconhecidos, adoração ao líder e a satanização de tudo aquilo que não seja de seus interesses.

Com os nomes de Hugo Chávez e Nicolás Maduro na contracapa, a coleção chega a comparar os Estados Unidos ao III Reich. Os governos anteriores ao chavismo – o período de 40 anos entre 1958, quando caiu a ditadura de Marcos Pérez Jiménez, e a vitória de Hugo Chávez, em 1998 – são os principais responsáveis pela tragédia nacional, contida pelo aparecimento do comandante.

 De forma geral, os presidentes destas quatro décadas são tratados como antidemocráticos e entreguistas, num memorial dos erros cometidos e a deliberada omissão dos acertos. Toda a obra desses governos, como a nacionalização da indústria petroleira e a criação da estatal PDVSA, em 1976, é analisada sob uma perspetiva crítica que parece ser o aperitivo que prepara a entrada de cena de Hugo Chávez, cujos três primeiros anos na Presidência (1999-2002) ganharam 60 páginas de glorificação.

 “Os livros não estão adequados nem ao programa de Educação Básica de 1997, nem ao currículo chamado bolivariano. Em muitas oportunidades, as leituras, os exercícios ou os exemplos são manipulações para engrandecer o atual regime ou para fazer culto à personalidade”, afirmou o professor Mariano Herrera, coordenador de educação da opositora Mesa de Unidade Democrática, em um artigo publicado pelo diário “Tal Cual”.

 Em entrevista ao jornal estatal “Correo del Orinoco”, a professora América Bracho, coordenadora dos textos de ciências sociais da Coleção Bicentenário, assegurou que não há nada a temer nos livros.

 – Qualquer criança ou adolescente, seja qual for a posição política de sua família, pode usar os livros. Aqui é dito o que outros livros ignoram: as verdades que não lhes convêm.

 Fonte: El País via O Globo, Mundo, Página 26, Sábado, 28/12/2013

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