Defesa & Geopolítica

“VAMOS VER SE AGORA A HISTÓRIA SERÁ DIFERENTE”, DIZ MOSHE MAOZ, PROFESSOR DA UNIVERSIDADE HEBRAICA DE ISRAEL

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images“O Globo: Essas negociações são fruto dos esforços do Secretário de Estado dos EUA, John Kerry. Ele foi teimoso e conseguiu, após meses, que os dois lados aceitassem conversar. Será que vai lograr o que ninguém conseguiu antes?

 Moshe Maoz: Com certeza é uma vitória dele sobre os céticos. Disseram que Kerry era ingênuo demais, que não entendia nada de Oriente Médio… Mas é preciso ser realista. O que ele conseguiu foi pôr os dois lados um diante do outro na mesa de negociações. É só um começo, não o fim.”

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‘Vamos ver se agora a História será diferente’, diz professor israelense

Segundo professor da Universidade Hebraica, Israel deveria libertar mais presos palestinos como gesto de boa vontade para negociações de paz

DANIELA KRESCH, ESPECIAL PARA O GLOBO

TEL AVIV – O professor da Universidade Hebraica, Moshe Maoz, concordou com a decisão do governo israelense de libertar presos palestinos, mesmo isto tendo ocasionado protestos de familiares. Para ele, governo foi “mesquinho” e deveria libertar mais palestinos como forma de fortalecer as negociações de paz, que recomeçam esta semana em Washington, nos Estados Unidos.

A decisão do Gabinete de Netanyahu de libertar 104 presos palestinos foi correta?

Sim. Acho até que 104 é muito pouco, levando-se em consideração que há mais de cinco mil palestinos presos. O governo israelense não está sendo generoso. Se fosse menos mesquinho, libertaria mais para dar força às negociações de paz. Sei que não represento a maioria dos israelenses, mas o povo quer ir pelo caminho da paz e esquecer o passado. É preciso fazer gestos como esse.

As famílias das vítimas desses prisioneiros estão protestando contra a libertação…

É possível entender as famílias. Eles perderam seus parentes queridos em atos de assassinato cruéis. Mas e quanto às bombas da Força Aérea israelense que atingiram palestinos, o que foram? Os palestinos sofrem mais do que nós. Se queremos chegar a um acordo, é preciso olhar para frente, não para trás.

Netanyahu e Abbas estão motivados para a volta das negociações de paz?

Claro, quem não quer paz? O problema é que cada um quer de seu jeito, com suas condições. Mas não se pode comparar Netanyahu a Abbas. Netanyahu tem um país forte, que controla os territórios palestinos, é uma potência regional, tem uma Força Aérea avançadíssima, a bomba atômica… Como se pode comparar isso com a situação dos palestinos?

Quais as expectativas quanto à volta das negociações de paz?

Não muito grandes. O ponto de partida não é muito bom. Mas quem sabe desta vez o mundo influencia, as coisas sejam diferentes. Vamos ver se dessa vez a História será distinta ou seguirá os tantos fracassos do passado.

Essas negociações são fruto dos esforços do secretário de Estado americano, John Kerry. Ele foi teimoso e conseguiu, após meses, que os dois lados aceitassem conversar. Será que vai lograr o que ninguém conseguiu antes?

Com certeza é uma vitória dele sobre os céticos. Disseram que Kerry era ingênuo demais, que não entendia nada de Oriente Médio… Mas é preciso ser realista. O que ele conseguiu foi pôr os dois lados um diante do outro na mesa de negociações. É só um começo, não o fim.

A libertação de presos e a volta das negociações causam problemas para o governo Netanyahu. Ele vai conseguir manter seus aliados de direita na coalizão?

Essa é a pergunta de US$ 1 milhão. Com certeza os direitistas tentarão torpedear o processo de paz. Só depende de Netanyahu se vão conseguir ou não.

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