Defesa & Geopolítica

Síria: arma química é “mentira descarada”

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Ministro nega uso de artefatos tóxicos e diz que EUA buscam pretexto para a intervenção

Gabriela Walker

O governo sírio chamou ontem de “mentira descarada” as denúncias de que as forças do presidente Bashar al-Assad estariam usando armas químicas contra rebeldes e civis. Omran Ahed al-Zuabi, ministro sírio da Informação, concedeu uma entrevista ao canal russo RT e disse que “as declarações do secretário de Estado americano e do governo britânico não correspondem à realidade”. A resposta síria veio um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarar que a confirmação do uso de agentes químicos na guerra civil “muda o jogo”, em um claro alerta para uma possível intervenção internacional.

O vice-chanceler russo, Mikhail Bogdanob, saiu em defesa do regime Assad, afirmando que qualquer evidência deve ser levada ao conhecimento público. “A informação deve ser confirmada imediatamente e de acordo com os critérios internacionais. Não deve ser utilizada para alcançar outros objetivos, ser um pretexto para uma intervenção”, defendeu em visita a Beirute. Sem permissão para entrarem no país, especialistas das Nações Unidas trabalham nas fronteiras da Síria em busca de dados que comprovem as denúncias, mas, até o momento, não encontraram provas concretas. “Quero insistir mais uma vez que a Síria não utilizará jamais (armas químicas), não apenas porque respeita a legislação internacional e as regras da guerra, mas também por problemas humanitários e morais”, defendeu Zuabi.

Anteontem, Obama ordenou investigações profundas para orientarem uma decisão sobre a questão. A crescente especulação aumenta a pressão para que a comunidade internacional tome providências. Depois de ter condenado a “guerra ao terror” promovida pelo ex-presidente George W. Bush e de dar início ao processo de retirada das tropas americanas do Iraque e do Afeganistão, dificilmente Obama aceitaria mais uma guerra longe de casa, explicam analistas. “Se colocarem tropas lá agora, das duas, uma: ou terão que se retirar rápido, como fizeram em 1982 no Líbano, ou vão ficar em um pesadelo que vai lembrar muito o Iraque no auge da insurgência”, observa Gunther Rudzit, coordenador do curso de pós-graduação em relações internacionais da Faculdade Rio Branco.

O maior desafio, porém, está no sucessor de Assad, caso ele deixe o poder. Do lado dos rebeldes, a participação da Al-Qaeda e de outras redes extremistas toma proporções cada dia maiores e aponta para um desfecho perigoso. Sem Assad, as chances de revolucionários a favor de um Estado teocrático e com ideias contrárias às defendidas pelo Ocidente assumirem o governo são grandes. Se ajudar a tirar o presidente e pôr um fim à guerra civil, a comunidade internacional pode estar contribuindo para a criação de um perigoso inimigo. “Eles aprenderam com a Líbia, derrubam o ditador e quem sobe ao governo no lugar dele? Na Síria, a situação é muito mais grave e a possibilidade de um grupo radical islâmico ganhar uma eleição ou se impor no poder é muito maior”, afirma Rudzit.

Vizinhos

Desde o início da revolução síria, em março de 2011, os países vizinhos temem serem atingidos pelos respingos da guerra. Ontem, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, insinuou que uma onda de violência vivida em seu país é consequência do confronto na Síria. “O conflito religioso voltou ao Iraque, já que começou em outra parte da região.” Na última semana, o premiê afirmou à agência de notícias Associated Press que “a consequência mais perigosa desse processo seria a oposição sair vitoriosa (na Síria). Haverá uma guerra civil no Líbano, divisões na Jordânia e uma guerra sectária no Iraque”.

Na quarta-feira, 53 pessoas morreram quando policiais intervieram em uma manifestação sunita, minoria religiosa no Iraque, pela renúncia de al-Maliki, um xiita. Desde então, o país viveu uma série de confrontos relacionados, que fizeram 140 vítimas. Ontem, cinco soldados e cinco integrantes da milícia Sahwa foram mortos em Bagdá, o que motivou o comandante do grupo a prometer uma guerra caso os assassinos não sejam entregues em 24 horas.

Fonte: Correio Braziliense via  CCOMSEX

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