Defesa & Geopolítica

China frustra Brasil e nega apoio à vaga no Conselho de Segurança

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O Brasil novamente não obteve o respaldo chinês a vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

Em um comunicado conjunto durante a visita da presidente Dilma Rousseff ao país, Pequim limitou-se a apoiar “a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas”.

Trata-se de posição semelhante à adotada há cerca de um ano, quando o dirigente máximo da China, Hu Jintao, visitou o Brasil. No comunicado assinado com o então presidente Lula, falou-se em “compreensão e apoio” a papel maior do Brasil na ONU.

A China, um dos cinco membros permanentes do CS, mantém o discurso de que a reforma da ONU tem de ser mais ampla e consensual.

Na prática, trabalha contra as candidaturas de Japão e Índia, países com quem mantém disputas históricas e que são aliados do Brasil no G4 –grupo que inclui a Alemanha e busca ascender no CS.

Sobre direitos humanos, o item 23 do comunicado disse que os dois países “fortalecerão consultas bilaterais” e “promoverão o intercâmbio de experiências e boas práticas”, mas sem elaborar.

O tema voltou a ser tratado no item 25: fala-se em “promover o desenvolvimento, a democracia, os direitos humanos e a justiça social”.

“Eu queria dizer, encerrando, que nós tivemos a mesma manifestação sobre direitos humanos que tivemos com os EUA”, afirmou Dilma, em rápida entrevista coletiva ontem à noite.

“Todos os países têm problemas de direitos humanos. Nós temos problemas de direitos humanos, todos têm. A nossa posição sobre direitos humanos, nessa questão, está expressa na nota conjunta”, disse a presidente.

Dilma terminou a entrevista em seguida, recusando-se a responder a uma pergunta da Folha sobre o assunto.

Orientada pelo Itamaraty, a presidente não fez até agora declarações sobre a atual onda de repressão chinesa contra dissidentes políticos.

A ofensiva, lançada em meados de fevereiro, reflete o temor do governo de que as manifestações pró-democracia no mundo árabe inspirem atos parecidos na China.

O caso mais recente foi no dia 3, quando o reputado artista Ai Weiwei foi preso no aeroporto de Pequim ao embarcar para Hong Kong. Três dias depois, ele foi acusado de crimes econômicos.

A prisão tem provocado vários protestos.

ECONOMIA DE MERCADO

A China voltou a cobrar a ratificação de que o país é economia de mercado, como assinado pelo então presidente Lula num memorando de entendimento, em 2004.

“A parte brasileira reafirmou o compromisso de tratar de forma expedita a questão do reconhecimento da China como economia de mercado”, diz o comunicado.

O reconhecimento da China como economia de mercado sofre forte resistência do setor empresarial brasileiro, que acusa os chineses de concorrência desleal em vários produtos.

Fonte: Folha

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