Defesa & Geopolítica

Avião espião U-2 volta à ativa

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Sugestão: Armando Rozário

Christopher Drew
THE NEW YORK TIMES

O célebre avião espião U-2, capaz de voar bem alto, e que esteve, com frequência, no centro do suspense da Guerra Fria, está de volta.

Há quatro anos, o Pentágono estava pronto para aposentálo. O Congresso, contudo, bloqueou a medida, dizendo que a aeronave ainda era útil. E é mesmo. Devido a atualizações e mudanças no uso de seus poderosos sensores, ele se tornou o mais procurado avião espião em uma guerra muito diferente, no Afeganistão.

À medida em que a caça aos mísseis nucleares deu lugar à detecção de bombas em estradas, o U-2 está superando até os aviões não tripulados na hora de reunir um rico conjunto de dados de inteligência usados para combater o Talibã.

Tudo isso representa uma mudança extraordinária em relação à primeira versão do U-2 como peça americana para espionar a antiga URSS. Criado para encontrar mísseis soviéticos, ele ganhou fama quando Francis Gary Powers foi derrubado em um deles enquanto voava pela União Soviética em 1960, e, novamente, quando outro U-2 tirou as fotografias que desencadearam a crise dos mísseis de Cuba em 1962. Versões mais novas do avião reuniram dados de inteligência em todas as guerras desde então, e ainda monitoram países como a Coreia do Norte.

Agora, o U-2 e seus pilotos, que já ficaram isolados em suas roupas espaciais a 21 mil metros de altura, estão em contato direto por rádio com as tropas no Afeganistão. E em vez de seguir uma rota mecanicamente, eles agora mudam frequentemente no meio do voo para observar estradas em busca de comboios e soldados em tiroteios.

– É como se, depois de todos os anos voando, o U-2 estivesse em sua melhor forma – elogia o tenente-coronel Jason Brown, comandante de um esquadrão de inteligência que planeja as missões e analisa grande parte dos dados. – Ele pode fazer coisas que ninguém mais consegue.

Uma dessas coisas, talvez insuficiente, é que mesmo a 21 mil metros da superfície seus sensores podem detectar pequenos distúrbios, fornecendo uma nova forma de encontrar minas provisórias que matam muitos soldados.

Nas semanas até a recente ofensiva em Marjah, segundo autoridades militares, vários dos 32 aviões U-2 restantes encontraram quase 150 minas em estradas e áreas para pouso de helicópteros, permitindo que os Marines as explodissem antes de se aproximarem da cidade.

Oficiais da Marinha dizem que confiavam nas fotografias de câmeras velhas do U-2, que fazem imagens panorâmicas com resolução tão alta que conseguem ver posições de insurgentes, ao passo que as câmeras digitais mais novas do U-2 enviam atualizações frequentes em 25 pontos onde os Marines acharam que poderiam estar vulneráveis.

Além disso, a altitude do U-2, que já funcionou como defesa contra mísseis antiaéreos, permite a interceptação de sinais de conversas telefônicas de insurgentes que as montanhas bloqueariam.

Como resultado, diz Brown, o U-2 é, com frequência, capaz de reunir informações que indicam para onde enviar os aviões não tripulados Predator e Reaper, que gravam vídeos e lançam mísseis. Ele disse ainda que os dados mais confiáveis de inapteligência são obtidos quando os U-2s e os aviões não tripulados estão todos concentrados sobre a mesma área, como é cada vez mais frequente.

Nas alturas O U-2, um jato negro com asas longas e estreitas para ajudar a deslizar pelo ar, atinge uma marca impressionante à medida que sobe rapidamente no céu. O aparelho voa a duas vezes a altura de uma aeronave comercial, permitindo que os pilotos vejam até mesmo a curvatura da Terra.

É difícil, contudo, voar nesse avião, com apelido de Dragon Lady, e as missões são exaustivas e perigosas. Os U-2s usados no Afeganistão e no Iraque saem a cada dia de uma base próxima ao Golfo Pérsico, e a viagem pode durar de nove a 12 horas. Pilotos comem refeições espremidas por tubos e vestem roupas espaciais, porque o sangue deles ferveria, literalmente, se tivessem de ejetar sem proteção a uma altitude tão grande.

Domingo, 28 de Março de 2010

Fonte: Jornal do Brasil

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