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Caças suecos Gripen rumo ao Brasil: ‘recursos operacionais são revolucionários’

© REUTERS/ Ints Kalnins

Em 27 de outubro de 2014, a Saab anunciou a conclusão do contrato com o governo brasileiro para a venda de 36 aviões Gripen NG. A transação é considerada como um marco no processo de transferência de tecnologia entre Brasil e Suécia.

Segundo a empresa suaca, o contrato prevê um programa de transferência de tecnologia cujo objetivo é “oferecer à indústria aeroespacial brasileira a tecnologia e o conhecimento necessários para manter e desenvolver os aviões Gripen no Brasil”. Para a Saab, um dos marcos importantes deste programa é a abertura do Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN) no Brasil.

Ao todo, serão 36 aviões de combate que irão modernizar a frota da Força Aérea Brasileira. De acordo com a empresa sueca, toda entrega estará concluída no ano de 2024.

Informações prestadas pela Força Aérea Brasileira à Sputnik Brasil revelam que este Centro foi montado na cidade de Gavião Peixoto, em São Paulo. Na avaliação da FAB, “o Centro é considerado o principal marco no processo de transferência de tecnologia entre Brasil e Suécia” e, quando estiver em pleno funcionamento, cerca de 300 engenheiros e técnicos estarão trabalhando no desenvolvimento das aeronaves Gripen NG. A Força Aérea também informou que “das 36 unidades adquiridas pelo Brasil, 23 serão produzidas pela Embraer, sendo 15 totalmente fabricadas aqui” com este processo de transferência de tecnologia.

Para pilotar os aviões Gripen, a Força Aérea Brasileira montou o Grupo Fox, liderado pelo Tenente-Coronel Renato Leal Leite. O Grupo iniciou os trabalhos efetivos em janeiro deste ano “no Comando de Preparo (Comprep), em Brasília (DF), na coordenação de implantação do caça, que por aqui recebeu a designação de F-39”.

Nas palavras do Tenente-Coronel Renato Leal Leite, “o Gripen não é apenas um avião, é um sistema. E o nível de complexidade dele é grande. O trabalho do Grupo Fox vai ajudar a operação ocorrer em sua plenitude”. O militar define o F-39 [denominação no Brasil do Gripnen NG] como “um avião com capacidade multi-missão: defesa aérea, ataque e reconhecimento”.

O plano de trabalho para operacionalidade dos aviões F-39, que vai se estender até 2021, prevê “um relacionamento estreito com a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), responsável pelo contrato de aquisição das 36 unidades do caça”.

Ainda segundo a Aeronáutica, “outra atribuição será o assessoramento aos “grandes comandos” da FAB em relação à infraestrutura a ser disponibilizada na Ala 2 (antes denominada de Base Aérea de Anápolis), em Goiás”. A base será a primeira a receber o F-39 e a meta é garantir o início da operação de maneira efetiva.

O Tenente-Coronel Renato Leal Leite também declarou que o “F-39 possui recursos operacionais que podem ser considerados sistemas revolucionários e, por isso, o Grupo Fox, que o oficial comanda, terá a missão de se entrosar com os demais órgãos da FAB para realização de estudos a respeito das capacidades possibilidades da aeronave F-39 com objetivo de desenvolver conteúdo doutrinário a ser proposto para a operação do novo avião”.

Fonte: Sputnik

 

 

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Conflitos Destaques Estados Unidos Geopolítica Israel

Os israelenses que se opoem à decisão dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel

REUTERS – Israelenses que acreditam que a decisão do governo americano aumenta a tensão no Oriente Médio e Hamas convoca protestos contra os EUA

Juan Paullier

Apesar de o controvertido anúncio do presidente Donald Trump ter sido recebido com euforia por muitos da comunidade judaica e comemorado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, existem israelenses que acreditam ser uma má ideia os EUA reconhecerem Jerusalém como capital de Israel e transferir a embaixada de Tel Aviv para a cidade.

Israel afirma que Jerusalém é sua capital única e indivisível, enquanto palestinos reivindicam que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado. Ambos alegam razões históricas para fundamentar o pleito.

A decisão de Trump compromete décadas de diplomacia americana, que intermediava um acordo de paz entre árabes e judeus e agora passa a ser visto como um ator sem neutralidade nas negociações. Por isso, o anúncio do presidente americano foi duramente criticado pela comunidade internacional, incluído líderes aliados.

A maioria dos países apoia a solução de dois Estados para resolver o confronto que se intensificou no início do século 20, com a disputa de judeus e palestinos pela capital Jerusalém.

Na tentativa de manter a neutralidade e não influenciar diretamente o já complicado acordo de paz na região, a comunidade internacional nunca reconheceu a soberania de Israel sobre a cidade. A maioria dos países, por exemplo, estabeleceu representações diplomáticas em Tel Aviv e arredores, mas não em Jerusalém.

À BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, Daniel Seidemann diz não ter dúvidas de que a decisão do presidente dos Estados Unidos será contraproducente por aumentar, potencialmente, a tensão na região

EPA – Ao anunciar que os EUA reconheciam Jerusalém como capital de Israel, Trump disse ter reconhecido o “óbvio”

“Claramente, é uma decisão desestabilizadora”, disse Seidemann, que foi assessor do primeiro-ministro israelense Ehud Barak (1999-2001). Ele considera que “israelenses, palestinos e norte-americanos vão estar menos seguros”.

“O que é o mais importante para o verdadeiro interesse nacional de Israel? O reconhecimento não resolverá a questão fundamental”, acrescenta.

Seidemann é diretor de uma organização não-governamental chamada Terrestrial Jerusalem, que se dedica a identificar o desenvolvimento dos assentamentos em Jerusalém – assentamentos são considerados ilegais pela comunidade internacional, posição que é contestada pelo governo israelense.

Escalada do confronto entre palestinos e judeus

Ele não é o único israelense que teme a escalada do confronto como impacto da decisão de Trump para a região.

“Isso é nada mais nada menos do que o reconhecimento da realidade. Também é a coisa certa a fazer. É algo que tem que ser feito. Com o anúncio reafirmo o comprometimento da minha administração com um futuro de paz”, afirmou o presidente americano.

GETTY IMAGES – O principal impacto deve ser o aumento da tensão na região já que, imediatamente, nada muda nas fronteiras.

Ayman Odeh, líder do Lista Árabe Unida – um partido de árabes israelenses -, diz não saber precisar o vai acontecer exatamente, mas tende a esperar pelo pior. “De certa forma, é apenas uma questão de tempo para as coisas explodirem. Isso alimenta a desesperança”, diz.

“E quando as pessoas se sentem assim, mais delas sentem que não têm nada a perder e alguns podem recorrer à violência”, completa Odeh, que descreve Trump como “piromaníaco que poderia incendiar a região com sua loucura”. Odeh tem um assento no Knesset, o parlamento israelense .

‘Dia da raiva’

O grupo islâmico Hamas convocou uma nova intifada – termo usado para fazer referência à revolta palestina contra a política de expansão do governo de Israel.”

Ismail Haniyeh, eleito líder geral do grupo em maio, pediu que palestinos, muçulmanos e árabes se manifestem contra a decisão dos Estados Unidos. “Deixem 8 de dezembro ser o primeiro dia da intifada contra o ocupante”, disse Haniyeh, que chamou esta sexta de “dia da raiva”.

Pouco mais de 300 mil palestinos vivem em Jerusalém e representam 37% da população.

A cidade é dividida entre o lado ocidental, que tem maioria judaica e onde está o Parlamento israelense, e o oriental, de maioria árabe, reivindicado pelos palestinos como capital de seu futuro Estado.

Os EUA são o primeiro país a reconhecer Jerusalém como capital de Israel desde a fundação do Estado israelense, em 1948.

“Não me importa ser una minoria”

Eran Tzidkiyahu, de 36 anos, é israelense e nasceu em Jerusalém Ocidental. Rodeado de aldeias árabes, ele se convenceu de que a cidade era uma só.

“É muito difícil entender, é estúpido”, disse Tzidkiyahu ao comentar o anúncio de Trump. “Não melhora nada na região. Não vamos atingir um acordo”, diz o pesquisador do The Forum for Regional Thinking (Foro para o Pensamento Regional), um centro de análises israelense.

Segundo ele, na prática, a decisão de Trump apenas aumenta a tensão na região, mas não muda em nada a definição de fronteiras nem deve amentar o número de representações diplomáticas em Jerusalém – nem mesmo a embaixada americana tem data para se mudar de Tel Aviv.

GETTY IMAGES – Para muitos israelenses, é apenas uma questão de tempo para a tensão explodir

O próprio presidente americano diz pediu que a cidade fique aberta para “todas as fés” – cristãos, judeus e muçulmanos veem Jerusalém como o berço de suas respectivas religiões.

“Não vão eliminar nenhum ponto de controle, nenhum assentamento, não haverá um impacto real na vida dos palestinos”, diz Tzidkiyahu, que também organiza “tours geopolíticos” por Jerusalém Oriental, onde os árabes são maioria.

Jerusalém, afirma Tzidkiyahu, é “definitivamente parte do problema e deve ser parte da solução”. “Falo como israelense e em nome do interesse de Israel: não vejo lógica em que se deem passos que estimulem a violência e a desesperança”.

Tzidkiyahu sabe que faz parte de um pequeno grupo de judeus que fala abertamente contra a decisão de Trump. “Não me importa ser uma minoria. Me importa minha integridade intelectual”, observa.

Fonte: BBC Brasil.com

 

 

 

 

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“Trump não sabe o que faz”

Decisão do presidente dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel viola direito internacional, diz especialista em entrevista à DW. Ele destaca que medida pode gerar agitação e ataques terroristas.

Na Casa Branca, Trump anunciou transferência da embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém

O presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira (06/12) Jerusalém como capital de Israel. Para Christian Tomuschat, membro emérito da Faculdade de Direito da Universidade Humboldt, em Berlim, a decisão poderá gerar agitação e ataques terroristas que tornarão improvável o sucesso de negociações de paz num futuro próximo.

“Não se sabe como o resto do mundo árabe reagirá. Um embargo de petróleo ou outras consequências drásticas não podem ser excluídas”, afirma Tomuschat, que também foi membro do Comitê de Direitos Humanos da ONU e presidente da Comissão de Direito Internacional da ONU. “Trump não sabe o que faz.”

DW: Trump viola o direito internacional ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel?

Christian Tomuschat: Sim, isso é uma violação de uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU, que afirma que a anexação de Jerusalém Oriental por Israel é incompatível com o status vigente de Jerusalém como parte dos territórios palestinos. Assim, é uma violação, por parte dos EUA, de uma decisão que eles mesmos apoiaram. Foi uma anexação violenta, e é indispensável no direito internacional que Estados terceiros não reconheçam isso.

Há diferença entre reconhecer Jerusalém como capital e transferir a embaixada americana para a cidade?

Essa é apenas a execução do que os EUA decidiram em um primeiro passo. A transferência da embaixada é a consequência natural. O primeiro passo é mais decisivo: a determinação dos EUA de que Jerusalém é a capital de Israel. A transferência da embaixada é apenas uma confirmação.

Existe alguma mudança legal para os habitantes de Jerusalém?

Legalmente, permanece tudo na mesma. A incorporação de Jerusalém ao território israelense já está completa. Até agora, os israelenses respeitam a presença dos palestinos no leste de Jerusalém. Mas Israel talvez aproveite a oportunidade para limitar ainda mais os direitos de permanência e residência dos palestinos em Jerusalém Oriental. Eu receio que essa possa ser a consequência. Tentou-se diversas vezes nos últimos anos expulsar os palestinos de Jerusalém Oriental, privando-os do direito de residência após uma curta ausência e, ainda, não emitindo novas licenças de construção.

Quais são as consequências políticas da decisão de Trump?

Eu não sei o que os EUA pensaram. Claro que essa decisão poderá gerar agitação e ataques terroristas. Assim, são criados fatos que tornam improvável o sucesso das negociações [de paz] num futuro próximo. Isso continua sendo uma ferida e causará agitação eternamente, com muitas consequências violentas. Não se sabe como o resto do mundo árabe reagirá. Um embargo de petróleo ou outras consequências drásticas não podem ser excluídas. Trump não sabe o que faz.

Uma solução pacífica para o conflito do Oriente Médio fica cada vez mais distante?

Naturalmente isso [a decisão de Trump] torna menos provável a solução de dois Estados – que todos apoiaram. O governo israelense sempre foi muito cauteloso, mas, agora, isso parece ser completamente inútil. Os palestinos não desistirão de Jerusalém devido aos símbolos religiosos que estão localizados na cidade.

Fonte: DW

 

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Protestos terminam em confrontos entre israelenses e palestinos

Após decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, palestinos e forças de segurança israelenses entram em choque durante manifestações na Cisjordânia e em Gaza. Confrontos deixam dezenas de feridos.

Em Gaza, manifestantes queimam bandeiras dos EUA e de Israel

Confrontos entre manifestantes palestinos e militares israelenses deixaram dezenas de feridos na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza nesta quinta-feira (07/12), durante protestos contra a decisão dos Estados Unidos de reconhecer a cidade disputada de Jerusalém como capital de Israel.

Nesta quarta-feira, o presidente Donald Trump anunciou que vai transferir a embaixada americana de Tel Aviv – onde estão as embaixadas de outros países – para Jerusalém, ignorando alertas de líderes estrangeiros sobre os riscos que a medida pode trazer aos esforços de paz no Oriente Médio.

Em protesto contra o anúncio americano, manifestantes palestinos reunidos na Faixa de Gaza queimaram cartazes com as fotos de Trump e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, bem como bandeiras dos Estados Unidos e de Israel.

Em discurso em Gaza, o líder do movimento palestino Hamas, Ismail Haniyeh, defendeu a convocaçãode uma nova intifada (levante popular) contra o Estado israelense. “Devemos convocar e trabalhar para lançar a intifada na face de nosso inimigo sionista. A política sionista apoiada pelos EUA não pode ser confrontada a menos que iniciemos uma nova intifada”, afirmou.

Protestos em Ramala terminaram em fogo e confronto com militares

Haniyeh, eleito líder do movimento em maio passado, convocou palestinos, árabes e muçulmanos a realizarem novos protestos nesta sexta-feira. “Façamos do 8 de dezembro o primeiro dia da nova intifada contra os ocupantes”, pediu ele.

Manifestações também foram registradas em várias cidades da Cisjordânia, incluindo Ramala, Hebron, Belém e Nablus. Na região, centenas de palestinos entraram em confronto com as tropas israelenses, enviadas pelo Exército do país para reforçar a segurança depois da decisão de Trump.

Em Ramala, sede do governo palestino, manifestantes queimaram pneus, provocando uma nuvem negra de fumaça sobre a cidade, e chegaram a ser atingidos por gás lacrimogêneo.

Cerca de três mil pessoas se reuniram em uma praça do município e, após discursos oficiais, seguiram para um posto de controle ao norte sob o lema “uma bandeira, todos unidos, marchamos para Jerusalém”.

“Viemos hoje aqui porque não acreditamos que nossos líderes políticos possam fazer nada”, disse à agência de notícias Efe o palestino Mustafa Birat, de 20 anos. “Não tivemos aula hoje, Jerusalém é a capital do nosso país e viemos aqui porque não temos outra escolha.”

Na cidade bíblica de Belém, tropas israelenses dispararam canhões de água e lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação. Os confrontos, a poucas semanas do Natal, podem abalar as celebrações da data na cidade.

Fotos mostram manifestantes jogando pedras contra as tropas que dispersavam os protestos em Belém

Segundo agências de notícias internacionais, ao menos 80 pessoas ficaram feridas em confrontos com as forças de segurança na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Segundo o Crescente Vermelho palestino, balas de borracha deixaram quatro feridos em Ramala e cinco em Belém.

Ao longo da fronteira entre Gaza e Israel, seis manifestantes ficaram feridos em confrontos com os militares, sendo que um deles está em estado crítico, informaram autoridades de saúde.

Um porta-voz do Exército de Israel, que anunciou ter posicionado “uma série de batalhões” na Cisjordânia após o anúncio de Trump, informou que tiros foram disparados contra um grupo de palestinos que estavam lançando pedras, queimando pneus e se aproximando das cercas da fronteira.

As Forças Israelenses de Defesa anunciaram o envio de tropas adicionais para reforçar a segurança na Cisjordânia

A decisão do presidente americano de transferir a embaixada americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo, assim, a cidade disputada como capital do governo israelense, provocou reações indignadas entre entidades e líderes internacionais nesta quarta-feira.

Durante o anúncio na Casa Branca, Trump disse que a medida apenas reconhece o “óbvio”: que Jerusalém é sede do governo israelense. “Não é nada mais que o reconhecimento da realidade.”

Israel considera Jerusalém sua capital “eterna e indivisível”, enquanto os palestinos defendem que a porção leste de Jerusalém deve ser a capital de seu almejado Estado.

As Nações Unidas estabelecem que o status de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelenses e palestinos, razão pela qual os países com representação diplomática em Israel têm suas embaixadas em Tel Aviv e imediações.

Fonte: DW

 

 

 

 

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América do Sul Destaques Terrorismo

Juiz decreta prisão de Cristina Kirchner e pede autorização ao Congresso para detê-la

A ex-presidenta é suspeita de acobertar mentores do atentado à AMIA, o pior da história argentina

Cristina Fernández de Kirchner, numa foto de novembro – CHARLY DIAZ AZCUE – AFP

MAR CENTENERA

Um juiz pediu nesta quinta-feira a prisão preventiva da ex-presidenta argentina Cristina Fernández de Kirchner, que goza de imunidade parlamentar, como parte de uma investigação sobre o suposto acobertamento de terroristas por autoridades argentinas. O magistrado Claudio Bonadio pediu ao Senado que casse o foro privilegiado de Kirchner para que ela possa ser detida. A decisão judicial foi expedida um dia depois de Cristina tomar pose como senadora.

Outros kirchneristas destacados já foram formalmente acusados e detidos por autoridades que investigam se o Governo tramou um plano criminal para deixar impunes os iranianos acusados de serem os mentores do atentado que em 1994 destruiu a sede da entidade beneficente judaica AMIA, deixando 85 mortos.

O Senado, que se reunirá a partir de 10 de dezembro, quando assumem os novos senadores, agora tem o destino da ex-presidenta em suas mãos. O prazo para que decida é de 180 dias. O antecedente mais semelhante é o do ex-ministro de Planejamento Julio de Vido, que perdeu a imunidade parlamentar e foi imediatamente preso por um suposto caso de corrupção, em 25 de outubro. Mas os dois casos apresentam grandes diferenças. De Vido, responsável durante 12 anos pelas bilionárias obras públicas realizadas nos mandatos de Néstor e Cristina Kirchner, acumulava provas contra si e havia caído em desgraça dentro do kirchnerismo quando o Congresso lhe retirou seu apoio.

Já o processo contra Cristina Kirchner apresenta muito mais nuances. O memorando de entendimento assinado com o Irã em 2013 foi aprovado pelo Congresso argentino e nunca entrou em vigor porque não foi ratificado pelos legisladores iranianos. Os alertas vermelhos da Interpol para deter os suspeitos iranianos tampouco deixaram de estar vigentes em nenhum momento.

A ex-presidenta disputou as eleições à margem do peronismo e encabeça um bloco de oito senadores. Não são suficientes para bloquear o pedido de quebra da imunidade, mas não está claro se outros parlamentares vão apoiar a solicitação judicial.

Bonadio transformou os acusados em réus há um mês e meio, após ouvir o depoimento deles como parte do processo que foi aberto pelo procurador Alberto Nisman em janeiro de 2015, quatro dias antes de ele aparecer morto no seu apartamento de Buenos Aires, com um tiro na cabeça. Antes, Nisman, encarregado do processo da AMIA, havia acusado a então presidenta, seu chanceler e a outros funcionários de terem orquestrado um plano criminal para “dotar de impunidade”, em troca de benefícios econômicos, cinco iranianos suspeitos de serem os autores intelectuais do ataque.

Os acusados, todos altos funcionários ou diplomatas, eram alvo de um pedido de captura internacional quando, em janeiro de 2013, o governo de Cristina Kirchner assinou com Teerã um memorando que autorizava o interrogatório deles em solo iraniano. O Governo apresentou o acordo como a única possibilidade de avançar num processo que àquela altura estava paralisado, mas o procurador entendeu que na verdade houve “um descumprimento dos deveres de funcionário público”. A ação foi arquivada em 2015, mas reaberta há um ano e entregue a Bonadio, o juiz mais contraposto ao kirchnerismo.

“Esta ação é um grande disparate jurídico. O Governo está por trás disto, porque querem um Parlamento submisso, onde os legisladores votem o que eles querem, mas comigo não vão conseguir. Vou representar os interesses de quem votou em mim, como sempre fiz”, defendeu-se a agora senadora após prestar depoimento ao magistrado em outubro.

A ex-presidenta também é ré ou investigada em outros processos. O mais delicado é o que investiga Cristina e a toda a sua família por suposta lavagem de dinheiro de empresários aliados, por intermédio dos seus hotéis em El Calafate, um polo turístico vizinho à geleira de Perito Moreno.

Fonte: El País

 

 

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Conflitos Destaques Estados Unidos Geopolítica Israel

O que está por trás da polêmica decisão de Trump sobre Jerusalém

REUTERS – Ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, Trump preocupou comunidade internacional

Amanda Rossi

Donald Trump prometeu em campanha e cumpriu: Jerusalém foi reconhecida pelos Estados Unidos como a capital de Israel. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, provocou reações críticas de líderes políticos e religiosos de todo o mundo – do Papa Francisco ao governo chinês.

O temor generalizado é que a medida dificulte – e até inviabilize – os históricos esforços de negociação de paz entre Israel e Palestina. Mas especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que Trump não levou em conta esse conturbado cenário regional ao tomar a decisão.

O que estaria em jogo seriam assuntos domésticos dos próprios EUA. Especialmente a tentativa do presidente americano de agradar suas bases eleitorais. A mais importante delas é a dos evangélicos conservadores, que advogava pelo reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel.

“Trump foi movido por uma pressão da direita evangélica republicana. Não tem nada a ver com aproximar Israel e Palestina de um acordo. Pelo contrário, essa decisão só os separa ainda mais”, afirma J.J. Goldberg, editor da Forward, revista americana voltada para a comunidade judaica.

Evangélicos

O papel dos evangélicos na política internacional americana a respeito de Israel é cada vez maior, explica Kenneth Wald, professor de ciência política da Universidade da Flórida. O grupo teria começado a ter relevância política nos anos 1980, e hoje já representaria uma das maiores e mais leais bases do Partido Republicano.

“Qualquer presidente quer manter sua base contente. Mas precisa estar atento às consequências. Por isso, os antecessores de Trump, inclusive os que eram comprometidos com Israel, viram essa medida como imprudente”, continua Wald.

A influência dos evangélicos na decisão de Trump teria sido maior até que a dos judeus americanos. Primeiro, porque Trump não tem uma boa interlocução com a comunidade judaica nos Estados Unidos. Segundo, porque os judeus representam um grupo muito menor na sociedade americana que os evangélicos.

E terceiro, porque apenas os judeus ortodoxos estariam interessados na solução adotada por Trump. Os judeus mais ao centro e à esquerda prefeririam uma solução negociada. “A decisão de Trump também não tem a ver com a comunidade judaica, que é majoritariamente liberal”, diz Goldberg.

GETTY IMAGES – Evangélicos conservadores advogavam pelo reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israe

‘Política por impulso?’

Já Michael Barnett, professor de assuntos internacionais da Universidade George Washington, discorda que os evangélicos tenham sido tão relevantes na decisão de Trump. Para ele, é difícil encontrar uma explicação razoável.

“Não faz sentido fazer isso. Parece ser uma política dirigida por impulso. Trump decide ignorar as recomendações e fazer o que tem na cabeça. Não há uma estratégia internacional.”

Contribui para essa visão o fato de que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, e a futura transferência da embaixada dos EUA, foram apresentados como medidas isoladas. Parecem não fazer parte de uma estratégia política mais ampla.

Se por um lado o anúncio do presidente foi uma surpresa para o mundo, por outro não destoa de outras das suas polêmicas posturas internacionais, como a saída dos EUA do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, o rompimento da Parceria Transpacífico e até as ameaças públicas a Kim Jong-un, da Coreia do Norte.

“Trump mostra nenhum interesse em considerar qualquer tipo de opinião mundial”, avalia Goldberg.

A decisão de Trump vai na mesma direção de uma medida aprovada em 1995 pelo Congresso dos Estados Unidos, prevendo a transferência da Embaixada americana em Israel para Jerusalém. No entanto, isso nunca havia sido posto em prática, porque era necessária aprovação da Presidência dos Estados Unidos. Desde então, em todos os semestres, o ato do Congresso foi encaminhado aos presidentes americanos, mas a praxe sempre foi renunciar a mudança. Apesar de parecer contraditório, foi o que o próprio Trump fez – o replubicano também assinou a renúncia, para que haja tempo de iniciar a transferência da embaixada.

GELIA – Jerusalém é uma cidade sagrada para judeus, cristão e muçulmanos

Por que evangélicos querem Jerusalém como capital de Israel?

Nos Estados Unidos, as razões para o apoio dos evangélicos ao reconhecimento de Jerusalém como capital são principalmente religiosas. ”

Há muita diversidade no mundo evangélico, mas há uma ideia comum de que o destino de Israel é importante para o futuro religioso dos evangélicos”, afirma Wald.

Alguns acreditam que, por razões bíblicas, Israel é o lugar destinado a agregar os judeus. Outros creem que o messias pode retornar para Jerusalém, vista como a Terra Sagrada e, para isso, é importante que ela esteja nas mãos de Israel, e não dos muçulmanos.

Assim, há uma espécie de ponte entre a história de Israel bíblico e a do Estado moderno de Israel.

Mas nem todos os evangélicos americanos compartilham dessa visão.

“Muitos evangélicos, como eu, não gostam do romance recente entre a igreja e a política republicana, e se preocupam com a mudança da embaixada americana. Para nós, a construção da paz e a busca de Justiça são grandes virtudes”, escreveu o professor de estudos bíblicos Gary M. Burge, em artigo para a revista The Atlantic.

Para analistas, Trump desconsiderou esforços em busca de paz na região

Quais as consequências para israelenses e palestinos?

O representante dos palestinos no Reino Unido, Manuel Hassassian, disse à BBC que a medida será o “beijo da morte” nas negociações de paz baseadas no reconhecimento de dois Estados.

“Ele está declarando guerra no Oriente Médio contra 1,5 bilhão de muçulmanos e centenas de milhões de cristãos que não irão aceitar que os santuários sagrados estejam totalmente sob a hegemonia de Israel”, disse Hassassian.

Acadêmicos também estão em alerta. “Os riscos são inacreditáveis. Quem pensava que poderia haver uma solução negociada entre Israel e Palestina, que levasse à coexistência de dois Estados, não pensa mais nisso. O que sobra para os palestinos? Não sobra muito. Vão sentir que os EUA já determinaram o futuro de Jerusalém”, diz Barnett, da Universidade George Washington.

“Por isso, pode ser um ponto de inflexão na política palestina. Pode espalhar-se uma Terceira Intifada (insurreição de palestinos contra Israel). Além disso, uma medida como essa deixa os oponentes dos Estados Unidos mais dispostos a enfrentar riscos. Essa é a ferramenta de recrutamento (de militantes) que al-Qaeda, o autodenominado Estado Islâmico e Hezbollah adorariam usar”, completa Barnett.

Há ainda quem tenha uma visão mais moderada e acredite que a medida de Trump possa facilitar as negociações entre Israel e os líderes palestinos. É o caso de Jonathan Sarna, professor de história judaica americana na Universidade de Brandeis, Massachusetts.

“Muitas pessoas no mundo muçulmano acreditavam que o tempo estava ao lado deles. Por isso, não queriam sentar à mesa de negociação. Mas agora a situação se inverte. É a hora de negociarem com Israel”, afirma.

Sarna não acredita no surgimento de um conflito, porque, na sua visão, Israel tem forças “capazes de conter a violência árabe”.

Fonte: BBC Brasil.com

 

 

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Vídeo: Caça russo da 5ª geração realiza seu primeiro voo com ‘novo motor’

O caça russo da quinta geração Su-57 realizou seu primeiro voo com o novo motor, comunicou a assessoria de imprensa do Ministério da Indústria e Comércio russo.

Os testes do avião com o novo motor foram reconhecidos como bem-sucedidos.

O ministro da Indústria e Comércio russo, Denis Manturov, assinalou que a indústria aeronáutica russa demonstrou seu alto nível.

“É uma prova do alto potencial da indústria aeronáutica russa, capaz de fabricar sistemas de tecnologia avançada”, frisou ele.

O Su-57 é um avião da quinta geração, equipado com um novo sistema de aviônica e radares com antenas de matriz ativa faseada. O caça foi desenvolvido pela empresa Sukhoi para a Força Aérea Russa.

O especialista em construção de aviões, Viktor Pryadka, falou em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik sobre as possibilidades do caça com o novo motor.

 

“Um motor mais avançado aumenta a dinâmica do avião, bem como as características de aceleração. Os novos motores também são mais eficientes em termos de custos e possuem grandes recursos. As qualidades operacionais do avião e suas capacidades de combate serão aumentadas”, assinalou o especialista.

O início da produção em série do Su-57 está planejado para entre 2028 e 2029. Viktor Pryadka explicou porque o prazo entre os testes e a produção em série é tão longo.

“Quanto aos motores turbojato, há algumas particularidades no que se refere ao fabrico das pás do compressor e da turbina. As capacidades do motor e seus baixos custos de exploração são maioritariamente definidos pela temperatura do gás antes da turbina, ela corresponde aproximadamente a 1.200 °C ou mais. Cada 10 °C têm importância. Mas como a temperatura está se elevando, surge a necessidade de novas ligas e tecnologias de produção de pás para turbinas. É um processo demorado […] Além disso, o prazo de exploração também deve ser testado. Para lançamento da produção em série é preciso criar novas máquinas […] Sendo assim, o prazo poderá ser de 10 anos ou até mais”, ressaltou Viktor Pryadka.

Fonte: Sputnik

 

 

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Abertamente e sem vergonha: militares dos EUA planejam copiar armas russas

As metralhadoras russas são as melhores do mundo e as forças especiais dos EUA querem se apoderar delas a todo custo… copiando-as sem licença.

“Por que as forças especiais dos EUA querem fabricar metralhadoras russas?”, pergunta-se Michael Peck, analista militar norte-americano em artigo na revista The National Interest.

“Bastaria assistir a “qualquer vídeo de um conflito como o do Iraque ou Síria e a resposta se torna clara”, disse ele. “Muitos dos combatentes usam armas russas, soviéticas ou suas cópias, de fuzis e lança-foguetes a metralhadoras pesadas montadas em caminhonetes”, acrescentou o analista.

Segundo Peck, “quando as forças especiais dos EUA fornecem armas a alguns desses grupos eles têm que adquirir as armas russas em mercados internacionais de armamento”. O especialista sublinha que nessas circunstâncias os líderes do Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos (USSOCOM) fazem com que as empresas arranjem um plano para produzir armas russas.

Em outras palavras, os norte-americanos podem começar a produzir cópias de armas russas sem licença alguma ou através de simples roubos de propriedade intelectual, em termos jurídicos.

Tanto o especialista da National Interest como o Comando de Operações Especiais dos EUA estão conscientes disso. Peck tenta explicar: “perguntam-se se pode haver problema de direitos intelectuais com a produção de armas russas nos EUA sem licença, embora espiões russos e chineses não estejam nem um pouco interessados em possuir tecnologia dos EUA.”

“De qualquer maneira, parece uma ideia sensata e econômica produzir armas estrangeiras nos EUA em vez de recorrer a elas através de comerciantes internacionais de armas”, afirmou o analista.

O objetivo que o USSOCOM estabeleceu perante as empresas nacionais é “desenvolver uma capacidade doméstica inovadora para produzir cópias em pleno funcionamento de armas de fabricação estrangeira que sejam iguais ou melhores do que as produzidas a nível internacional”.

Mais especificamente, o USSOCOM quer que as empresas dos EUA estudem viabilidade “da engenharia reversa ou do redesign e produção interna de armas estrangeiras, como uma metralhadora leve com calibre de 7,62 x 54R que seja parecida com a metralhadora Kalashnikov [PK-PKM], de design russo, e uma metralhadora pesada de 12,7 × 108 mm semelhante ao NSV [Nikitin, Sokolov, Volkov], de design russo”.

Fonte: Sputnik

 

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Perguntas e respostas sobre o status de Jerusalém

Nenhuma cidade no mundo é alvo de tanta controvérsia quanto Jerusalém. Apesar de a ONU tentar repetidamente esclarecer o status da região, a situação não é clara no direito internacional. Entenda.

Manifestantes israelenses e palestinos são separados por policiais em Jerusalém, em maio de 2013

Qual é o status internacional de Jerusalém?

Tanto israelenses quanto palestinos reivindicam Jerusalém como a capital de seu Estado. Hoje, no entanto, toda a cidade está sob o controle de Israel, e seu status internacional nunca foi definitivamente resolvido. Se fossem aplicadas as decisões da comunidade internacional, Jerusalém teria que ficar sob a administração das Nações Unidas, conforme decidido pela Assembleia Geral da ONU, em 1947.

Qual era exatamente o plano da ONU de 1947 para Jerusalém?

Na resolução 181, a ONU decidiu dividir a Palestina em um Estado judeu e outro árabe. No entanto, Jerusalém não deveria pertencer a nenhuma das partes, mas ser desmilitarizada e colocada sob controle internacional. Após dez anos, os moradores da cidade deveriam votar em um referendo sobre um novo acordo.

Por que esse plano não foi implementado?

Havia opositores ao plano tanto do lado judeu quanto do árabe. Após o anúncio da decisão da ONU, a violência de grupos judeus e árabes na Palestina aumentou. Após a declaração de independência de Israel, em 14 de maio de 1948, os Exércitos de Jordânia, Egito, Síria, Iraque e Líbano atacaram o recém-proclamado Estado. Como resultado da guerra, Jerusalém foi dividida em uma parte oriental (controlada pela Jordânia) e outra ocidental (controlada por Israel).

Qual é o status de Jerusalém depois que Israel conquistou Jerusalém Oriental?

Em 1950, Israel declarou Jerusalém sua capital e ocupou edifícios governamentais no oeste da cidade. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel conquistou a parte oriental da cidade, que era controlada pela Jordânia. A partir daí, valia a lei israelense. Por fim, em 1980, o Parlamento israelense, o Knesset, declarou a cidade inteira como capital inseparável de Israel. O Conselho de Segurança da ONU invalidou a anexação através da Resolução 478 e, desde então, confirmou isso diversas vezes.

E como os palestinos definem o status da cidade?

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) proclamou, em 1988, o Estado da Palestina e declarou Jerusalém sua capital. Antes, a Jordânia havia abandonado sua reivindicação por Jerusalém Oriental e outros territórios palestinos. Na sequência da aproximação entre israelenses e palestinos, a questão do status definitivo de Jerusalém ficou de lado. Os Acordos de Oslo, de 1993, estabeleceram que, mais tarde, deveria haver um tratado específico sobre o assunto. Dos 193 membros da ONU, 136 reconheceram o Estado da Palestina com Jerusalém como capital.

A decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel pode alterar o status da cidade?

O fato de os EUA estarem adotando a posição israelense não altera a situação jurídica internacional. Para a maioria dos Estados, o esclarecimento do status definitivo de Jerusalém continuará sendo adiado. Eles esperam que Israel e os palestinos concordem com uma solução de dois Estados para o conflito no Oriente Médio. Nesse caso, o status de Jerusalém também seria redefinido. Com a decisão de Trump, no entanto, esse acordo deverá ser adiado.

Fonte: DW

Líderes condenam decisão de Trump de reconhecer Jerusalém

Comunidade internacional rechaça transferência de embaixada americana para cidade disputada, alertando para riscos à estabilidade da região. ONU destaca que medida unilateral põe em xeque perspectiva de paz.

Jerusalém é cidade disputada há décadas

Líderes de todo o mundo reagiram com críticas, nesta quarta-feira (06/12), à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de transferir a embaixada americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo, assim, a cidade disputada como capital do governo israelense.

O anúncio, realizado em aguardado discurso na Casa Branca, é contrário ao posicionamento dos aliados árabes e ocidentais de Washington, que nos últimos dias já vinham proferindo alertas a Trumpde que a medida colocaria em risco uma futura solução de paz no Oriente Médio.

Israel foi o único governo a manifestar apoio à medida, descrevendo-a como “justa e corajosa”. “A decisão do presidente é um passo importante para a paz, porque não há paz que não inclua Jerusalém como capital do Estado de Israel”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Confira as reações de outros líderes, grupos e entidades internacionais:

Autoridade Nacional Palestina

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, afirmou que, ao reconhecer a cidade disputada como capital israelense, Trump abdicou de seu papel como mediador da paz no Oriente Médio. “Jerusalém será a capital eterna do Estado da Palestina”, disse o líder em discurso na televisão.

Abbas adiantou que a liderança palestina se reunirá nos próximos dias e consultará os líderes árabes para formular uma resposta adequada à decisão do presidente americano.

Hamas

“Esta decisão vai abrir os portões do inferno para os interesses americanos na região”, declarou Ismail Radwan, do movimento palestino Hamas. O grupo, que controla a Faixa de Gaza, havia dito antes do anúncio que um reconhecimento de Jerusalém como capital ameaçaria iniciar uma nova Intifada (levante popular dos palestinos da Cisjordânia contra Israel).

Nações Unidas

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou o reconhecimento, alertando que o status de Jerusalém deve ser resolvido por meio de negociações diretas entre israelenses e palestinos.

“Desde o primeiro dia como secretário-geral das Nações Unidas, eu tenho consistentemente contestado qualquer medida unilateral que possa colocar em perigo a perspectiva de paz para o conflito israelo-palestino”, disse Guterres.

União Europeia

O bloco econômico europeu reagiu ao anúncio de Trump expressando “preocupações sérias”. “As aspirações de ambas as partes [no conflito israelo-palestino] devem ser cumpridas e, por meio de negociações, deve ser encontrada uma maneira de resolver o status de Jerusalém como a futura capital dos dois Estados”, declarou a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini.

França

O presidente francês, Emmanuel Macron, descreveu o passo de Washington como uma “decisão lamentável que a França não aprova”. A medida, segundo o líder, “viola as leis internacionais e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU”.

Macron acrescentou que o status de Jerusalém “terá que ser determinado por israelenses e palestinos em negociações sob a tutela das Nações Unidas”.

Reino Unido

“Não concordamos com a decisão dos EUA de transferir sua embaixada para Jerusalém e de reconhecer a cidade como capital israelense. Acreditamos que [a medida] não ajudará em termos de perspectivas de paz na região”, afirmou a primeira-ministra britânica, Theresa May, em comunicado.

Trump assinou uma ordem executiva nesta quarta-feira confirmando a transferência da embaixada

Jordânia

O governo em Amã seguiu o mesmo tom, afirmando que a “decisão do presidente americano de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e transferir a embaixada para essa cidade constitui uma violação das decisões do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”.

Egito

“Decisões unilaterais como essa violam as resoluções de legitimidade internacional e não mudarãao o status legal da cidade de Jerusalém”, disse o Ministério do Exterior egípcio. “O Egito está extremamente preocupado com os possíveis efeitos dessa decisão para a estabilidade da região.”

Nesta quarta-feira, o presidente do país, Abdel Fattah al-Sisi, recebeu uma ligação do líder palestino, Mahmoud Abbas, para discutir as repercussões da medida americana. Sisi expressou a rejeição do Egito à decisão e a “qualquer implicação resultante dela”, diz uma nota da presidência.

Líbano

Em comunicado, o presidente libanês, Michel Aoun, também disse que a atitude de Trump é perigosa e ameaça a credibilidade dos Estados Unidos como intermediário no processo de paz na região. A decisão coloca em risco a estabilidade regional e, talvez, a estabilidade mundial, acrescentou.

Catar

Para o ministro do Exterior do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel é uma “escalada perigosa”, que representa a sentença de morte para uma solução de paz. Segundo ele, o emir Tamim bin Hamad al-Thani alertara Trump sobre as implicações sérias de tal decisão, em conversa anterior por telefone.

Fonte: DW

 

 

 

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Coreia do Norte diz que EUA tornam guerra inevitável

Regime diz que exercícios militares conjuntos com Coreia do Sul e “declarações belicosas” de autoridades americanas confirmam intenção de deflagrar conflito na península.

Bombardeiro B1-B acompanhado de outras aeronaves participa de manobras militares na Coreia do Sul

A Coreia do Norte afirmou nesta quinta-feira (07/12) que uma guerra nuclear na Península da Coreia está se tornando inevitável e acusou os Estados Unidos de terem a intenção de provocá-la, apontando para os exercícios militares realizados com a Coreia do Sul e que envolvem centenas de aeronaves, incluindo dois bombardeiros supersônicos B1-B.

Em comentários atribuídos a um porta-voz não identificado do Ministério do Exterior, o regime norte-coreano alegou que autoridades americanas, incluindo o diretor da CIA, Mike Pompeo, confirmaram suas intenções de promover uma guerra na Península da Coreia por meio de uma série de “declarações belicosas”.

“Enquanto os EUA realizam seu maior exercício aéreo conjunto na Península da Coreia, tendo como alvo a República Democrática Popular da Coreia, seus políticos de alto escalão demonstram sinais alarmantes ao fazerem declarações belicosas, uma após a outra”, afirmou o porta-voz.

No sábado, Pompeo afirmara que as agências americanas de inteligência acreditavam que o líder Kim Jong-un não tem ideia da fragilidade de sua situação, tanto em termos domésticos quanto internacionais. O porta-voz norte-coreano chamou de provocação essa “crítica imprudente ao nosso líder supremo, que está no coração de nosso povo”.

O porta-voz argumentou que Washington segue a estratégia de avançar passo a passo para deflagrar o conflito. Diante disso, a guerra na Península da Coreia passou a ser uma questão de “quando” e não mais de “se”, afirmou o diplomata, citado pela agência de notícias oficial norte-coreana, a KCNA.

“Não desejamos a guerra, mas não vamos nos esconder dela. Caso os EUA calculem mal a nossa paciência e acendam o pavio da guerra nuclear, asseguramos que amargarão as consequências com o poder de nossa força nuclear, que temos reforçado consistentemente”, disse o porta-voz. “A questão que resta agora é: quando será iniciada a guerra?”

Os comentários foram divulgados pela agência estatal de notícias horas após os bombardeiros B1-B realizarem manobras no espaço aéreo sul-coreano. As aeronaves, normalmente estacionadas na base militar americana da ilha de Guam, no Pacífico, simularam ataque a alvos em terra num campo militar na costa leste da Coreia do Sul.

“Com o exercício, as Forças Aéreas da Coreia do Sul e dos EUA demonstraram a forte resolução dos aliados e a capacidade de punir a Coreia do Norte em caso de ameaças com armas e mísseis nucleares”, afirmou o comando militar sul-coreano.

A manobra conjunta “Vigilant Ace”, iniciada nesta segunda-feira, vai durar cinco dias. Além dos B1-B, os exercícios contam com a participação de mais de 230 aviões dos dois países, incluindo 12 caças com revestimento “invisível” dos EUA (seis F-22 e seis F-35), além de outros seis EA-18G Growler, caças-bombardeiros projetados para a chamada “guerra eletrônica”.

Fonte: DW

Os temores de uma nova corrida nuclear

Não é só a Coreia do Norte. Também outros países, como Índia e Paquistão, alimentam o medo de um conflito nuclear, enquanto EUA e Rússia se afastam da política de desarmamento.

Mísseis balísticos são exibidos durante uma parada militar na Coreia do Norte

O mundo vê com apreensão os lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais pela Coreia do Norte e os testes nucleares do país liderado por Kim Jong-un, mas outros países também alimentam temores de um conflito nuclear, especialmente num momento em que Rússia e Estados Unidos parecem questionar acordos internacionais de desarmamento.

Há 30 anos, no dia 8 de dezembro de 1987, os EUA e a União Soviética assinaram o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês), que prevê a eliminação de mísseis balísticos e de cruzeiro – nucleares ou não – com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros. Até junho de 1991, 2.692 foram destruídos.

Para especialistas, a continuidade do acordo está em risco, assim como as bases da confiança que levaram Ronald Reagan, então presidente dos EUA, e o presidente soviético na época, Mikhail Gorbatchov, a fecharem um acordo que também inclui a permissão para inspeções militares mútuas.

Como herdeira da União Soviética, a Rússia provavelmente tem pouco interesse em prolongar o tratado. O motivo: mísseis de médio alcance estacionados na China, na Índia e no Paquistão. Para Bernd Greiner, diretor do Centro Berlinense de Estudos sobre a Guerra Fria, os Estados Unidos também cogitam deixar o acordo. Diante disso, Greiner se diz preocupado com a segurança global. “O debate sobre a ameaça ao tratado está muito aquém do que deveria estar.”

O especialista Oliver Meier, do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança, não vê uma percepção das lideranças americana e russa de abrir mão de armas nucleares ou químicas por causa de políticas de segurança. Essa seria a principal diferença entre as abordagens política de então e de hoje. Para Meier, chama a atenção que as lideranças políticas em Moscou e Washington ignoram esse tipo de raciocínio.

Ronald Reagan (e.) e Mikhail Gorbachov (d.) assinaram Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário em 1987

Novo significado das armas nucleares

A vice-encarregada do governo alemão para questões de desarmamento e controle de armas, Susanne Baumann, é reticente diante da possibilidade de o mundo estar diante de uma nova espiral de armamento nuclear. Porém, ela acha que alguns países dão um significado totalmente novo às armas nucleares. O exemplo mais gritante é a Coreia do Norte, “que tenta cavar um espaço no mundo por meio de um programa nuclear”.

As bombas atômicas também teriam ganhado mais importância na retórica russa nos últimos anos. Mas, na opinião de Baumann, não se pode falar em “renuclearização”.

Já Andreas Wirsching, do Instituto de História Contemporânea de Munique, considera que as armas nucleares significam “prestígio e interesses de segurança – objetivos ou [apenas] assim percebidos”. Para ele, a Coreia do Norte é apenas a ponta do iceberg, pois há vários países que possuem armas nucleares – uma realidade que altera a situação global de segurança e atualiza a antiga oposição entre Oriente e Ocidente.

Para Wirsching, a palavra-chave para os dias atuais é confiança – e esta se perdeu “completamente” por motivos como o fracasso do Ocidente de incluir a Rússia num “sistema coletivo de segurança” após 1990, ou com a expansão da Otan para o Leste Europeu. Por outro lado, o Ocidente fez várias ofertas à Rússia para modificar o status quo. “[Mas, depois da anexação da Crimeia pela Rússia], é muito difícil reconquistar a confiança”, diz Wirsching.

Índia e Paquistão

Um exemplo do belicismo crescente entre nações são os arquirrivais Índia e Paquistão. Com o objetivo de exibir poderio ao inimigo e obter assim um efeito de dissuasão, os dois países expandem continuamente seus arsenais.

A Índia se comprometeu a não ser a primeira a usar armas nucleares, mas continua planejando a construção de novas unidades para enriquecer plutônio e urânio. Em dimensão semelhante à da Índia, o Paquistão também aumentou seu número de ogivas, de no máximo 130 em 2016 para até 140 em 2017. As duas nações estão entre os cinco países não signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Os demais são Israel, Coreia do Norte e Sudão do Sul.

O Exército paquistanês detonou sua primeira bomba atômica em 28 de maio de 1998, causando consternação internacional. Dezessete dias antes, o então ex-presidente indiano Abdul Kalam anunciara que seu país havia realizado testes nucleares. “O que quer que estejamos fazendo aqui serve à segurança nacional”, declarou, na época. Kalam ficou conhecido como “Homem dos Mísseis” por sua colaboração para o progresso do programa nuclear do país.

Do lado paquistanês, o propulsor do programa de desenvolvimento nuclear foi o cientista Abdul Cadir Khan. “As pessoas no Paquistão me amam por isso, porque eu salvei o país da Índia e de outros inimigos. Eu lhes dei uma arma de defesa que ninguém no mundo é capaz de destruir”, afirmou o cientista. Ele ficou conhecido como “o homem mais perigoso do mundo” por ter tentado vender seus conhecimentos nucleares a países como Irã, Líbia e Coreia do Norte.

A corrida armamentista entre Índia e Paquistão é acirrada desde o início. Mal um país anunciava o sucesso de um lançamento de míssil balístico e logo ela era seguido pelo outro. Em 2002, ambos estiveram à beira de uma guerra nuclear depois que terroristas atacaram o Parlamento em Nova Déli.

O programa nuclear da Índia, porém, também visa o equilíbrio de forças com a China. Já o Paquistão tem argumentos parecidos em relação à Índia. “É óbvio que o Paquistão nunca vai conseguir alcançar o nível de desenvolvimento militar da Índia. Mas precisa continuar desenvolvendo seus mísseis para obter um mecanismo de dissuasão eficaz e que possa ser levado a sério”, diz o ex-general Talat Masood.

Fonte: DW

 

 

 

 

 

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Entenda como o Brasil dará perdão fiscal de R$ 576,75 bilhões às petroleiras estrangeiras

© Foto: REUTERS/Adriano Machado

Apenas nos próximos três anos, o Governo Federal poderá deixar de arrecadar R$ 576,75 bilhões caso o Senado confirme a decisão da Câmara e aprove a Medida Provisória 795 – que estabelece regras de tributação especiais para as petroleiras estrangeiras.

A MP foi editada por Michel Temer (PMDB) sob a justificativa que era necessária para tornar os leilões de campos do pré-sal mais atrativos. Com os benefícios fiscais, o leilão teria mais interessados.

Toda essa movimentação aconteceu de maneira relativamente despercebida — até o jornal The Guardian publicar que o Governo britânico fez lobby em favor de suas petroleiras.

A Sputnik explica quatro pontos-chave para entender a MP 795.

Como funciona a exploração de petróleo no Brasil?

Por mais de quatro décadas, o petróleo brasileiro foi uma exclusividade da Petrobrás. O monopólio começou em 1953, quando o então presidente Getúlio Vargas criou a empresa, e foi até 1997, quando Fernando Henrique Cardoso assinou a Lei do Petróleo.

A legislação abriu o mercado nacional de pesquisa, exploração, produção e refino de petróleo e gás natural para empresas estrangeiras.

Entre indas e vindas legislativas, existem dois modelos de exploração de petróleo de maneira privada no Brasil hoje:

Concessão: o petróleo é explorado por uma empresa que assume os riscos de pesquisa e de investimentos. Essa empresa passa a ser a proprietária do petróleo que extrai. Em contrapartida, o Estado recebe pagamentos na forma de royalties.

Partilha: o petróleo é dividido entre Petrobrás e as outras empresas envolvidas na iniciativa — que ficam com uma porcentagem da produção determinada por contrato. Até o final de 2016, a Petrobrás era obrigada a ser a operadora dos campos de pré-sal e ter um mínimo de 30% de participação em todas as operações. Mas essa situação foi alterada por uma lei aprovada pelo Congresso Nacional.

O modelo de partilha foi utilizado no leilão de oito áreas do pré-sal realizado no final de novembro. Foram arrematadas seis delas, o que rendeu um bônus de assinatura de R$ 6,15 bilhões — uma quantia essencial para garantir a manutenção da meta fiscal.

A participação da Petrobras neste campos varia entre nenhuma até 80%.

Como foi lobby das petroleiras estrangeiras?

A preocupação das petroleiras britânicas com os impostos e as regras de utilização de material nacional foi transmitida pelo ministro de comércio do Reino Unido, Greg Hands, em três reuniões em março de 2017 com o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.

Pedrosa garantiu que as preocupações britânicas estavam sendo transmitidas ao Governo brasileiro. Temer editou a MP 795 em agosto.

O teor das reuniões entre Hands e Pedrosa foi descoberta por meio de uma correspondência diplomática obtida pela ONG Greenpeace através da lei de transparência britânica.

Após a publicação do relato, Pedrosa afirmou à imprensa nacional que a conversa com Hands foi uma “discussão normal entre representantes de dois países”.

O que é um benefício fiscal?

Benefício fiscal é regime de impostos diferenciado, com descontos, utilizado para fomentar algum setor da economia que o Estado deseja incentivar. Trata-se de uma ferramenta utilizada por vários países do mundo.

O professor do Instituto de Economia da Unicamp Francisco Lopreato esclarece que o uso de benefícios fiscais não é uma novidade no Brasil, já que a prática é utilizada desde os governos da ditadura civil-militar (1964-1985) para incentivar a indústria nacional. Lopreato, entretanto, esclarece que a MP de Temer é diferente:

“O uso desses incentivos fiscais com o setor petroleiro não tem nada a ver com a indústria nacional. Não tem nada a ver com uma proposta de alavancagem do setor industrial como uma forma de expandir o crescimento industrial e do país. Pelo contrário, os incentivos fiscais vão reduzir a atividade do setor industrial brasileiro porque favorecem a importação de vários produtos, não só os sofisticados como também os mais simples”, afirmou Lopreato em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

Como fica a indústria nacional?

Outro ponto alterado por Temer é a suspensão de impostos para importação de equipamentos utilizados pelas petroleiras para a exploração de petróleo em solo nacional.

As empresas estrangeiras vão deixar de pagar imposto de importação, IPI, PIS-importação e COFINS-importação para os equipamentos utilizados na exploração de petróleo. Caso eles não sejam utilizados dentro de quatro anos, a cobrança será feita com juros.

Até mesmo produtos de baixo valor agregado, como materiais de embalagem, terão isenção de impostos.

A medida recebeu críticas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq):

“O setor já está praticamente sem serviço, devido à falta de encomendas e à redução dos investimentos da Petrobras. Então, a tendência é que sucumba caso equipamentos que têm similar nacional possam ser importados sem impostos”, afirmou o presidente da ABIMAQ, José Velloso, em entrevista à Folha de Pernambuco.

Luiz Pinguelli Rosa, professor de planejamento energético da UFRJ, também não concorda com a isenção de impostos. Para ele, a isenção deveria atingir equipamentos específicos e não ser ampla da maneira como está desenhada atualmente.

“[A nova regra] impede que os recursos de produção de recursos sejam internalizados, novamente atendendo aos interesses das empresas estrangeiras. São atividades industriais que não vão ser mais feitas no Brasil, mas sim em outros países. É uma atuação totalmente contrária aos interesses brasileiros”, afirmou o professor da UFRJ em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

Já o professor do Instituto de Economia da Unicamp Francisco Lopreato acredita que Temer desempenha uma “não política industrial”.

Fonte: Sputnik

 

 

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Projetos incríveis e ‘desconhecidos’ da aviação soviética

BORIS EGOROV

Nem todas as ideias da aviação soviética se tornaram realidade. Por diferentes razões, diversos projetos de aeronaves nunca foram concluídos ou foram cancelados logo após o lançamento. O Russia Beyond compila uma lista dos projetos de aeronaves soviéticas mais incomuns e interessantes que continuam desconhecidos do grande público.

K-7

O avião gigante K-7, desenvolvido na década de 1930, era o maior avião da União Soviética naquele tempo. Com uma envergadura de 53 metros e sete motores AM-34, foi projetado para servir como bombardeiro nas Forças Aéreas da URSS ou como avião de transporte de passageiros.

A tripulação do avião era de 12 pessoas, incluindo até um contramestre.

No entanto, o primeiro protótipo do avião caiu em 1933 e os outros dois não foram construídos.

Projeto Zveno

O projeto soviético conhecido como Zveno (“elo de corrente”, em russo) foi desenvolvido na União Soviética da década de 1930 até o início da Grande Guerra Patriótica, em 1941. A ideia era criar um avião bombardeiro que poderia transportar de um a cinco caças, permitindo, assim, economizar significativamente combustível.

Após a decolagem, os caças ficavam dentro do bombardeiro e saíam do avião-transportador apenas na zona de combate. Após a realização da missão de combate, os caças voltavam ao aeroporto.

Além disso, o bombardeiro poderia levar diversos Polikarpov I-16, cada um portando bombas de 250 kg, já que os I-16 não podiam decolar com essa carga.

Apesar de várias operações bem-sucedidas na primeira metade da Segunda Guerra Mundial, o projeto Zveno foi congelado.

O bombardeiro TB-3, que foi usado como transportador, foi retirado da linha de fabricação devido à necessidade de peças muito obsoletas. Os I-16 também foram substituídos por caças soviéticos mais avançados.

Sukhôi T-4

Esse bombardeiro estratégico de reconhecimento de alta velocidade foi desenvolvido pelo escritório de design da Sukhôi no final da década de 1960 como contraponto ao bombardeiro estratégico americano XB-70 Valkyrie.

A “valquíria russa” foi projetada para destruir os grupos de porta-aviões com mísseis de cruzeiro hipersônicos X-45 (um projeto também inacabado).

O avião tinha características excepcionais, como fuselagem de titânio e aço inoxidável, e sistema de controle “Fly-by-wire” (sistema de controle do voo por sinais elétricos).

O projeto foi cancelado devido ao custo extremamente alto. A indústria militar soviética optou pelo desenvolvimento do bombardeiro estratégico Tu-160.

Mi-30

O convertiplano mais conhecido do mundo é o norte-americano Bee Boeing V-22 Osprey, projetado na década de 1980. No entanto, poucos sabem que a União Soviética também estava tentando criar seu próprio convertiplano desde o início da década de 1970.

Os primeiros protótipos do convertiplano Mi-30 estavam planejados para serem lançados em 1986. Mas, devido a dificuldades econômicas no período da Perestroika, o projeto foi cancelado.

Supostamente, foram construídos quatro modelos, mas três deles perderam controle e caíram durante os testes. Não se sabe se os acidentes foram provocados por erro do piloto ou deficiências do projeto.

Su-47

Anteriormente conhecido como S-37 Berkut, o Su-47 é uma caça com asas com enflechamento negativo (cuja inclinação é voltada para a parte frontal da aeronave) e com fuselagem de materiais compósitos.

A Marinha soviética encomendou o desenvolvimento desse caça para suas próprias necessidades, mas, após a queda da União Soviética, o projeto foi congelado.

Ainda assim, o projeto continua a ser tocado, e o primeiro avião foi apresentado ao público em 1999 como um “laboratório voador” do escritório Sukhôi.

Mais tarde, o Su-47 se tornou a base para o caça russo da quinta geração, o Su-57.

Fonte: Russia Beyond

Edição: Plano Brasil

 

 

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Jornal pró-Hezbollah declara “morte à América” após decisão de Trump sobre Jerusalém

Líder do Hezbollah Sayyed Hassan Nasrallah – Foto: REUTERS

O jornal libanês pró-Hezbollah al-Akhbar declarou “morte à América” em sua primeira página nesta quinta-feira, na reação mais forte de uma cobertura midiática libanesa totalmente crítica à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

Na quarta-feira, Trump reconheceu oficialmente Jerusalém como a capital israelense e disse que irá transferir a embaixada dos EUA para a cidade, provocando raiva e frustração em países árabes.

Sayyed Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, deve transmitir a primeira reação da organização à decisão de Trump em pronunciamento televisionado às 18h (14h no horário de Brasília) desta quinta-feira.

O Akhbar chamou a decisão de Trump do “novo Balfour da América”, em referência à declaração de Balfour, na qual o Reino Unido apoiou o estabelecimento de uma pátria judaica no Oriente Médio há um século.

“Hoje, na Palestina, há uma resistência capaz e empoderada que possui milhares de foguetes que podem atingir Tel Aviv”, disse.

O Hezbollah, uma organização política e militar fortemente armada, tem lutado em diversos conflitos contra Israel desde sua formação em 1982.

Reportagem de Sarah Dadouch

Fonte: Reuters