Defesa & Geopolítica

“Trump não sabe o que faz”

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Decisão do presidente dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel viola direito internacional, diz especialista em entrevista à DW. Ele destaca que medida pode gerar agitação e ataques terroristas.

Na Casa Branca, Trump anunciou transferência da embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém

O presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira (06/12) Jerusalém como capital de Israel. Para Christian Tomuschat, membro emérito da Faculdade de Direito da Universidade Humboldt, em Berlim, a decisão poderá gerar agitação e ataques terroristas que tornarão improvável o sucesso de negociações de paz num futuro próximo.

“Não se sabe como o resto do mundo árabe reagirá. Um embargo de petróleo ou outras consequências drásticas não podem ser excluídas”, afirma Tomuschat, que também foi membro do Comitê de Direitos Humanos da ONU e presidente da Comissão de Direito Internacional da ONU. “Trump não sabe o que faz.”

DW: Trump viola o direito internacional ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel?

Christian Tomuschat: Sim, isso é uma violação de uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU, que afirma que a anexação de Jerusalém Oriental por Israel é incompatível com o status vigente de Jerusalém como parte dos territórios palestinos. Assim, é uma violação, por parte dos EUA, de uma decisão que eles mesmos apoiaram. Foi uma anexação violenta, e é indispensável no direito internacional que Estados terceiros não reconheçam isso.

Há diferença entre reconhecer Jerusalém como capital e transferir a embaixada americana para a cidade?

Essa é apenas a execução do que os EUA decidiram em um primeiro passo. A transferência da embaixada é a consequência natural. O primeiro passo é mais decisivo: a determinação dos EUA de que Jerusalém é a capital de Israel. A transferência da embaixada é apenas uma confirmação.

Existe alguma mudança legal para os habitantes de Jerusalém?

Legalmente, permanece tudo na mesma. A incorporação de Jerusalém ao território israelense já está completa. Até agora, os israelenses respeitam a presença dos palestinos no leste de Jerusalém. Mas Israel talvez aproveite a oportunidade para limitar ainda mais os direitos de permanência e residência dos palestinos em Jerusalém Oriental. Eu receio que essa possa ser a consequência. Tentou-se diversas vezes nos últimos anos expulsar os palestinos de Jerusalém Oriental, privando-os do direito de residência após uma curta ausência e, ainda, não emitindo novas licenças de construção.

Quais são as consequências políticas da decisão de Trump?

Eu não sei o que os EUA pensaram. Claro que essa decisão poderá gerar agitação e ataques terroristas. Assim, são criados fatos que tornam improvável o sucesso das negociações [de paz] num futuro próximo. Isso continua sendo uma ferida e causará agitação eternamente, com muitas consequências violentas. Não se sabe como o resto do mundo árabe reagirá. Um embargo de petróleo ou outras consequências drásticas não podem ser excluídas. Trump não sabe o que faz.

Uma solução pacífica para o conflito do Oriente Médio fica cada vez mais distante?

Naturalmente isso [a decisão de Trump] torna menos provável a solução de dois Estados – que todos apoiaram. O governo israelense sempre foi muito cauteloso, mas, agora, isso parece ser completamente inútil. Os palestinos não desistirão de Jerusalém devido aos símbolos religiosos que estão localizados na cidade.

Fonte: DW

 

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Protestos terminam em confrontos entre israelenses e palestinos

Após decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, palestinos e forças de segurança israelenses entram em choque durante manifestações na Cisjordânia e em Gaza. Confrontos deixam dezenas de feridos.

Em Gaza, manifestantes queimam bandeiras dos EUA e de Israel

Confrontos entre manifestantes palestinos e militares israelenses deixaram dezenas de feridos na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza nesta quinta-feira (07/12), durante protestos contra a decisão dos Estados Unidos de reconhecer a cidade disputada de Jerusalém como capital de Israel.

Nesta quarta-feira, o presidente Donald Trump anunciou que vai transferir a embaixada americana de Tel Aviv – onde estão as embaixadas de outros países – para Jerusalém, ignorando alertas de líderes estrangeiros sobre os riscos que a medida pode trazer aos esforços de paz no Oriente Médio.

Em protesto contra o anúncio americano, manifestantes palestinos reunidos na Faixa de Gaza queimaram cartazes com as fotos de Trump e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, bem como bandeiras dos Estados Unidos e de Israel.

Em discurso em Gaza, o líder do movimento palestino Hamas, Ismail Haniyeh, defendeu a convocaçãode uma nova intifada (levante popular) contra o Estado israelense. “Devemos convocar e trabalhar para lançar a intifada na face de nosso inimigo sionista. A política sionista apoiada pelos EUA não pode ser confrontada a menos que iniciemos uma nova intifada”, afirmou.

Protestos em Ramala terminaram em fogo e confronto com militares

Haniyeh, eleito líder do movimento em maio passado, convocou palestinos, árabes e muçulmanos a realizarem novos protestos nesta sexta-feira. “Façamos do 8 de dezembro o primeiro dia da nova intifada contra os ocupantes”, pediu ele.

Manifestações também foram registradas em várias cidades da Cisjordânia, incluindo Ramala, Hebron, Belém e Nablus. Na região, centenas de palestinos entraram em confronto com as tropas israelenses, enviadas pelo Exército do país para reforçar a segurança depois da decisão de Trump.

Em Ramala, sede do governo palestino, manifestantes queimaram pneus, provocando uma nuvem negra de fumaça sobre a cidade, e chegaram a ser atingidos por gás lacrimogêneo.

Cerca de três mil pessoas se reuniram em uma praça do município e, após discursos oficiais, seguiram para um posto de controle ao norte sob o lema “uma bandeira, todos unidos, marchamos para Jerusalém”.

“Viemos hoje aqui porque não acreditamos que nossos líderes políticos possam fazer nada”, disse à agência de notícias Efe o palestino Mustafa Birat, de 20 anos. “Não tivemos aula hoje, Jerusalém é a capital do nosso país e viemos aqui porque não temos outra escolha.”

Na cidade bíblica de Belém, tropas israelenses dispararam canhões de água e lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação. Os confrontos, a poucas semanas do Natal, podem abalar as celebrações da data na cidade.

Fotos mostram manifestantes jogando pedras contra as tropas que dispersavam os protestos em Belém

Segundo agências de notícias internacionais, ao menos 80 pessoas ficaram feridas em confrontos com as forças de segurança na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Segundo o Crescente Vermelho palestino, balas de borracha deixaram quatro feridos em Ramala e cinco em Belém.

Ao longo da fronteira entre Gaza e Israel, seis manifestantes ficaram feridos em confrontos com os militares, sendo que um deles está em estado crítico, informaram autoridades de saúde.

Um porta-voz do Exército de Israel, que anunciou ter posicionado “uma série de batalhões” na Cisjordânia após o anúncio de Trump, informou que tiros foram disparados contra um grupo de palestinos que estavam lançando pedras, queimando pneus e se aproximando das cercas da fronteira.

As Forças Israelenses de Defesa anunciaram o envio de tropas adicionais para reforçar a segurança na Cisjordânia

A decisão do presidente americano de transferir a embaixada americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo, assim, a cidade disputada como capital do governo israelense, provocou reações indignadas entre entidades e líderes internacionais nesta quarta-feira.

Durante o anúncio na Casa Branca, Trump disse que a medida apenas reconhece o “óbvio”: que Jerusalém é sede do governo israelense. “Não é nada mais que o reconhecimento da realidade.”

Israel considera Jerusalém sua capital “eterna e indivisível”, enquanto os palestinos defendem que a porção leste de Jerusalém deve ser a capital de seu almejado Estado.

As Nações Unidas estabelecem que o status de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelenses e palestinos, razão pela qual os países com representação diplomática em Israel têm suas embaixadas em Tel Aviv e imediações.

Fonte: DW

 

 

 

 

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