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“DÉFICIT NO ANO SERÁ CULPA DO BRASIL”, DIZ PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL (AEB)

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 dilma

“Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro diz que o déficit comercial de US$ 2 bilhões previsto para 2013 é responsabilidade do país. Mesmo com a atual economia mundial, afirma, seria possível fechar o ano com superávit se a quantidade de petróleo exportada fosse a mesma de 2012. Para Castro, o dólar pode ultrapassar o patamar de R$ 2,45 até o fim do ano.

Segundo Castro, a logística é o grande gargalo para o comércio exterior hoje. No Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), que será realizado nos dias 22 e 23 de agosto de 2013, o tema será “Propostas para uma logística integrada e competitiva”. Vamos discutir como melhorar nossa logística. A exportação de commodities, mesmo com as deficiências de logística, consegue superar custos. Mas as vendas de manufaturados são como voo de galinha, só alcançam a América do Sul.

Também, segundo Castro, estima-se que o custo da logística nos Estados Unidos corresponda a 8% do preço do produto. No Brasil, está em torno de 18%. Isso significa 10% a mais. Além disso, o chamado custo Brasil é estimado em 30%. A MP dos Portos criou uma expectativa de redução dos custos de logística.”

“Déficit no ano será culpa do Brasil”, diz presidente da AEB

Para José Augusto de Castro, país poderia ter superávit mesmo com economia mundial em baixa

Lucianne Carneiro

RIO – Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro diz que o déficit comercial de US$ 2 bilhões previsto para 2013 é responsabilidade do país. Mesmo com a atual economia mundial, afirma, seria possível fechar o ano com superávit se a quantidade de petróleo exportada fosse a mesma de 2012. Para Castro, o dólar pode ultrapassar o patamar de R$ 2,45 até o fim do ano. No Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), que será realizado nos dias 22 e 23 de agosto, a discussão será sobre logística, que é hoje o principal gargalo do comércio exterior, segundo Castro.

A previsão da AEB é que o país terá o primeiro déficit comercial desde 2000. Quais são as razões?

O déficit que esperamos para 2013 é culpa exclusiva do Brasil. É provocado pela queda na quantidade exportada de petróleo. A Petrobras retardou a manutenção das plataformas, provocando queda na produção, o que afetou as exportações. Além disso, usou o petróleo para aumentar a produção de derivados e evitar a importação. Isso afetou as exportações. Se a quantidade exportada de petróleo fosse a mesma de 2012, teríamos superávit entre US$ 7 bilhões e US$ 10 bilhões.

Como vê o cenário da economia mundial?

Vemos algumas luzes se acendendo, como Alemanha e França. Os Estados Unidos estão com crescimento pequeno, mas aparentemente consistente. Para o Brasil, a recuperação americana não significa necessariamente melhora porque eles são nossos concorrentes em commodities. O que existe é um receio de que a retirada dos estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) provoque queda ainda maior no preço de commodities. Para 2014, a previsão é que o preço da soja seja 20% mais baixo que em 2013.

O dólar deve continuar subindo?

Nossa expectativa é que o dólar continue a subir para perto dos R$ 2,40, R$ 2,45, mas pode até passar disso. Isso é puxado pela retirada dos estímulos dos Estados Unidos, mas nosso déficit em conta corrente também está aumentando muito. E não vemos atração de capital estrangeiro apesar da retirada do IOF e do aumento da Selic. Mas ainda não dá para dizer se é uma alta consistente. A gente olha com ótimos olhos, mas há muita cautela. Não haverá impacto na balança este ano, mas se o patamar se mantiver vai ajudar em 2014.

Qual é a importância da logística, tema do Enaex?

A logística é o grande gargalo para o comércio exterior hoje. O tema será “Propostas para uma logística integrada e competitiva”. Vamos discutir como melhorar nossa logística. A exportação de commodities, mesmo com as deficiências de logística, consegue superar custos. Mas as vendas de manufaturados são como voo de galinha, só alcançam a América do Sul.

Qual é o custo disso?

Estima-se que o custo da logística nos Estados Unidos corresponda a 8% do preço do produto. No Brasil, está em torno de 18%. Isso significa 10% a mais. Além disso, o chamado custo Brasil é estimado em 30%. A MP dos Portos criou uma expectativa de redução dos custos de logística. Se isso vai ser atingido, é outra coisa. Esses investimentos têm prazo de maturação mínimo de dois anos, e só depois será possível avaliar algo. Já em relação às rodovias e ferrovias, está tudo atrasado. Esse é o problema. Anuncia, cria expectativa, mas nada acontece. Esse adiamento do trem-bala, por exemplo, não foi bom. Se a coroa da Corte está assim, o que vai acontecer com os outros?

Fonte: O Globo, Economia, Página 32, Sábado,17/08/2013

Leia também:

BARCLAYS PREOCUPADO COM A DETERIORAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA ECONOMIA BRASILEIRA

“Estamos preocupados que a deterioração dos fundamentos brasileiros (conta fiscal pior, aumento do déficit em conta corrente e falta de planejamento de longo prazo do governo) levará a um downgrade (rebaixamento da nota brasileira) de crédito no primeiro trimestre de 2014, o que pressionará mais o real.”

O dolar comercial fechou em alta nesta sexta-feira, 16/08/2013, subindo 2,46%, a R$ 2,396 na venda. É o maior patamar desde 3 de março de 2009, quando fechou em R$ 2,41. É também a maior alta diária desde 23 de novembro de 2011, quando o avanço tinha sido de 2,94%.

Dólar americano mudou de patamar : O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta sexta-feira, 16/08/2013, que a cotação do dólar mudou de patamar (para cima), em função da reversão dos estímulos nos EUA e da piora da balança comercial brasileira. Mas disse não acreditar em patamares elevados para a taxa de câmbio. No mercado, já há previsões de que o dólar possa chegar a R$ 2,70 até o fim do ano.

Barclays fala em dólar a R$ 2,45 nos próximos 12 meses : Para o banco Barclays, o dólar terá elevação gradual chegando a R$ 2,45 nos próximos 12 meses. “Estamos preocupados que a deterioração dos fundamentos brasileiros (conta fiscal pior, aumento do déficit em conta corrente e falta de planejamento de longo prazo do governo) levará a um downgrade (rebaixamento da nota brasileira) de crédito no primeiro trimestre de 2014, o que pressionará mais o real”, disseram os analistas do banco. Comentário deBRANCÃO SJC acerca do link em questão para o UOL: “–>> CADÊ a força da nossa indústria? Cadê o nosso produto industrializado que deveria estar gerando empregos e sendo exportado? NÂO TEM, pois pagamos muitas taxas e impostos, nossos produtos não conseguem competir com o mesmo produto de outros países devido a carga tributária, impostos que são usados por exemplo, para bancar a ineficiência de 39 ministérios e toda a estrutura bilionária deles. Também não temos logística para escoação de produção. Aumento do dólar quer dizer inflação alta. Já vi esse filme e é de terror. Nosso dinheiro sendo consumido pela inflação, falta de produtos, falta de matéria prima, falta de tecnologia de ponta, falta de maquinários, combustível como gasolina mais alto, alugueis mais elevados, controle artificial de preços, índices controlados pelo governo, racionamento de alimentos, desemprego e por ai vai. UM ABSURDO!!!”

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