Defesa & Geopolítica

A. C. Portinari Greggio e o comunismo: Opinião

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Sugestão: Blue Eyes

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A REVOLTA DOS FEFELÉCHES – artigo número 1

*A. C. Portinari Greggio
A greve da USP revelou ao público alguns instantâneos da vida dentro daquela instituição, suficientes para mostrar o nível de degradação a que chegaram as universidades públicas brasileiras.
Se o leitor acompanhou a greve pelos jornais e pela tevê – cuja cobertura foi parcial e tendenciosa, já que, como se sabe, muitos jornalistas e comuniqueiros são formados ali mesmo, naquela casa – deve ter reparado que a USP é um laboratório revolucionário no qual os lenininhos, trotsquinhos, maozinhos e castrinhos têm todos os recursos para ensaiar a sua futura Revolução dos Idiotas.
O primeiro ingrediente da revolução, como se sabe, é a classe trabalhadora. Como na USP não há fábricas nem latifúndios que possam fornecer operários e camponeses, improvisou-se um mini-proletariado, dando ao sindicato dos funcionários o nome de Sindicato dos Trabalhadores da USP, ou SINTUSP. É claro que não se trata de operários, nem de longe. São bedéis, porteiros, faxineiros, datilógrafos, burocratas. Mas não interessa: embora a imagem não seja aquela dos cartazes de propaganda soviéticos – o sujeito forte, duro, com um martelo na mão, olhando firme para o horizonte comunista – ninguém pode dizer que não sejam trabalhadores. Vá lá: um tipo peculiar de trabalhadores sem patrão, com emprego garantido, e certamente não explorados pelo capitalismo, pois não geram nenhuma mais-valia na sua folgada rotina.

O leitor atento deve ter notado, nas imagens dos jornais e da tevê, a bizarra figura do presidente desse SINTUSP. Reparou? O cara é tão bolchevique que usa uma fantasia de comissário do povo soviético, modelo 1917. No começo, pensei que era de Trótsqui, mas agora estou convencido de que é de Felix Djerjinski, o psicopata fundador da Tcheka, a precursora do KGB. Pois é: o homem usa a mesma barbicha e o mesmo boné de couro do comunista polonês. Antigamente, gente assim ia parar no Pinel ou no asilo do doutor Franco da Rocha. Hoje, bolchevizam na USP.
Além do mini-operariado in-house, a USP tem também a sua própria comunidade de excluídos. É a única universidade no mundo cujo campus é integrado por uma favela de 60 mil metros quadrados e 8 mil habitantes. Uma favela-modelo, com excelentes índices de doenças contagiosas, bastardia, criminalidade, evasão escolar, narcotráfico e outras qualidades do gênero, capaz de fazer inveja às melhores quebradas do Rio de Janeiro. A favela de São Remo surgiu na década de 1970 e sua expansão foi não apenas tolerada, mas incentivada pelos magníficos reitores, que a consideravam um bom exemplo de inclusão democrática.

Tendo determinado quem são as massas populares na mini-revolução da USP, só falta identificar a vanguarda revolucionária para completar o modelo. Certamente não é a Medicina, nem a Engenharia, nem a Economia e Administração. Essa gente, a turma das exatas, econômicas e biomédicas, tem pouca consciência revolucionária.

É fato notório em todo o mundo que os movimentos revolucionários não são de camponeses nem de operários. Quem conhece a verdadeira história das revoluções, sabe que estas surgem dentro da própria elite, de facções raivosas e frustradas que incitam o povão à revolta. No caso específico da mini-revolução da USP, as facções raivosas e frustradas se concentram na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – a notória FFLCH. No jargão dos alunos, a FFLCH é conhecida como Fefeléche. Isso mesmo: Fefeléche, nome que seria mais adequado a um bloco de frevo no carnaval do Recife.
Quem agita, agride, insulta e provoca são os “trabalhadores” do SINTUSP. O principal alvo do rancor dos fefeléches é a Politécnica, cujos alunos geralmente não aderem às greves. Os grevistas estacionam trios elétricos ao lado das salas de aula e, com o som a todo o volume, chamam os alunos de fascistas e reacionários, ameaçam agredir os professores e impedem as aulas. Com a omissão da reitoria e a conivência das autoridades, o campus é uma casa-da-mãe-Joana, sem lei e sem ordem.
Os fatos mostram que a agitação estudantil tem duas fontes. A primeira é a dor-de-cotovelo dos fefeléches contra os alunos de engenharia (e por extensão contra os de exatas, biomédicas, econômicas e outras matérias duras). A segunda é o objetivo político dessas greves, que ninguém consegue entender.
A dor-de-cotovelo é fácil de explicar. Os fefeléches, com possíveis e honrosas exceções, simplesmente constituem o rebotalho dos vestibulares. É duro admitir, mas essa tem sido a regra do jogo no Brasil. Os melhores alunos passam em engenharia, medicina, direito e outros cursos considerados duros. Os que não conseguem, ou nem sequer tentam, têm de conformar-se com coisas mais fáceis, tais como os cursos da Fefeléche e dos institutos e faculdades similares.
E por que razão os cursos da FFLCH são mais fáceis? Não devia ser assim. Na longa história das universidades, as humanidades sempre foram o pináculo do saber. Se o antigo rigor fosse mantido nos dias de hoje, acrescido de tudo o que se acumulou ao longo dos séculos, os cursos de filosofia e de letras seriam os de mais difícil e honroso acesso. Acontece que esses cursos se corromperam – isso, quando já não nasceram corrompidos, como no caso das ciências sociais “engajadas” – devido à ideologização e à politização. Em vez de produzir letrados e humanistas, passaram a proliferar ativistas, ongueiros, propagandistas e sofistas. E como esses processos se retroalimentam, os cursos da Fefeléche viraram centros de reunião de agitadores em campanha, cada vez mais profissionalmente incapazes e emocionalmente frustrados.
A segunda questão é o objetivo dos grevistas. Está na cara: querem aparecer na mídia, credenciar-se e dar a partida nas respectivas carreiras políticas. Pensem bem: se as mais altas autoridades da república começaram a vida como grevistas, agitadores, assaltantes, terroristas, seqüestradores, desertores, traidores, espiões e mercenários, como negar aos jovens a sua vez? Pois esse é o problema da Fefeléche: fora da política, não há futuro para os seus formandos. Ali só se aprende a fazer a revolução. O quebra-galho dos empregos como professores, ou dos sub-empregos nas ongues, nos sindicatos ou na mídia, nada disso resolve. Essas opções são o ópio dos fefeléches, um artifício dos mais velhos, dos que já estão nas bocas do poder e querem sossego, para desviá-los da sua vocação radical.
Quando os estudantes de antigamente lutavam contra o governo, os lados eram bem definidos. As autoridades, decididamente, não eram comunistas. Os estudantes podiam alegar uma causa, e essa causa encontrava oposição. Hoje os fefeléches lutam no vazio: todas as idéias revolucionárias são moeda de curso forçado. Não há nada que possam reivindicar sem que as autoridades concordem. A unanimidade esquerdista tomou conta de tudo, e as únicas possibilidades de oposição ficam fora da universidade, fora da cultura vigente e fora do redundante mundinho ideológico em que a fefeléchia brasileira se fechou.
É esse o maior dilema do nosso Estado democrático de massas: ele é democrático na pior acepção aristotélica do termo. É uma revolução comunista inacabada, que não se pode completar sem arruinar o País e matar a galinha dos ovos de ouro da nomenklatura. O que os fefeléches exigem, irresponsavelmente, é a revolução completa, como na Rússia, na China ou em Cuba.
Só que, antes de radicalizar e bolchevizar, os jovens deviam sentar e estudar um pouco o que aconteceu com as Fefeléches nos países onde a revolução foi até o extremo. Os cursos técnicos das universidades foram separados das áreas humanas e sociais. Estas passaram ao controle do Partido e da polícia política, e praticamente desapareceram. Quanto às exatas, administrativas e biomédicas, foram militarizadas, incentivadas e prestigiadas, dando origem a uma nova classe de tecnocratas que assumiu o controle de tudo. Grande parte dos fefeléches teve de fugir, ou terminou seus dias nos campos de concentração.
Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo.

ONDE FICA O NINHO DAS SERPENTES – artigo número 2

A. C. Portinari Greggio
Por que quase todos os jornalistas são esquerdistas? Porque a maioria dos escritores, cineastas, pintores, músicos, cartunistas, atores, diretores e noveleiros de tevê são esquerdistas? Por que tantos professores primários, secundários e universitários são esquerdistas? Por que tantos estudantes são esquerdistas? Por que tantos funcionários públicos e profissionais liberais são esquerdistas?
Por que os empresários sentem culpa ou vergonha da sua condição? Por que tanta gente na classe média apóia e se engaja na ideologia comunista, contrária à sua própria existência? Por que tantos acreditam nessas idéias, apesar de sua evidente falência em todo o mundo?
Por que todos os partidos políticos adotam programas tão iguais em seu teor esquerdista? Por que quase todos os políticos defendem e pregam essas mesmas idéias?
São indagações que intrigam as mentes lúcidas, especialmente as dos mais velhos, que um dia viveram num Brasil e num mundo no qual as opiniões eram diversas, as disputas tinham conteúdo, os argumentos tinham substância e os sentimentos tinham mais autenticidade. Um mundo mais inteligente, em suma.
Por que, em poucas décadas, tudo foi invadido por essa estúpida, rancorosa e intolerante uniformidade? Por que todos pararam de pensar, de duvidar, de contestar? Por que têm medo de sair dos mesquinhos limites estabelecidos não se sabe por quem? Por que motivo só se fala uma única e mesma língua geral em todos os lugares, a nheengatu dos esquerdistas?
Não há dúvida: o avassalamento da cultura, da política e do poder não aconteceu por acaso, nem é fenômeno natural. É coisa tramada, urdida, combinada, imposta de fora. Kantismo, hegelianismo, marxismo, leninismo, trotsquismo, gramscismo, freudismo, estruturalismo, pós-modernismo, feminismo, movimento guêi, multiculturalismo, desconstrucionismo, construtivismo, neoconservadorismo… é claro que nenhum desses ismos tem brotado espontaneamente do “povo”, muito menos da “sociedade”.
Os ismos não teriam importância se fossem apenas questões acadêmicas, lérias de intelectuais pedantes. Mas não são. Irradiando das cátedras e das bibliotecas, eles são disseminados e logo passam a condicionar a linguagem da mídia, a temática dos livros, o enredo das novelas, o teor das notícias, os chamegos das ongues, e assim vão tomando conta de tudo, chegando finalmente aos palanques e ao Congresso, onde viram leis. Disso tudo sobram resíduos e despejos – ou seja, slogans e clichês de propaganda – que vão acabar no lixão da cultura popular e são absorvidos pela massa de analfabetos que compõem três quartos da população brasileira, justificando e ideologizando seus ódios, seus ressentimentos e seus desvarios criminosos. É o que o doutor Theodor Dalrymple, psiquiatra britânico, denomina o conjunto disfuncional de valores do povão.
Perplexos diante desse dilúvio universal de imbecilidade, e sabendo que ele não surge do nada, mas é inculcado a partir de alguma fonte, os estudiosos procuram investigar donde vem tudo isso.
É tanta gente em tantos lugares, todos agindo de modo coordenado e sincronizado, uns apoiando e dando cobertura aos outros, protegendo-se mutuamente, entendendo-se tacitamente, muitas vezes sem se conhecer ou sequer ter contacto direto, que parece uma gigantesca, ubíqua e infernal conspiração.
Sim, conspiração. Mas de quem? De onde? Se existe um comando central – e tudo indica que deve existir algum – certamente não se situa no Brasil. Pois todas essas idéias, correntes e ideologias vêm de fora. No Brasil, em matéria de cultura, especialmente de cultura ideológica, quase nada se produz tudo se traduz. Kant, Freud, Hegel, Marx, Frankfurt, Gramsci, Derridá, Fucô, Adorno, Bobbio, Marcuse, Rawls, tudo isso é material importado. Não só as idéias vêm de fora, mas a grana também: Soros, Fundação Ford, Fundação Rockefeller, Oxfam, Unesco, Fundação Mitterrand, Conselho de Igrejas, petrodólares do Chávez, narcodólares das FARC, etc., etc., tudo isso é no exterior. Logo, o centro da coisa existe, e existe em algum lugar que não é o Brasil. Que centro é esse?
Antigamente era costume atribuir à maçonaria certas calamidades, tais como o Terror jacobino na França e os movimentos subversivos que varreram a Europa nos séculos 18 e 19. Muita gente ainda acredita nisso e acha que os maçons governam o mundo por trás do pano. Infelizmente, não é bem assim. Tenho amigos maçons e, na esperança de serem eles o governo mundial, cheguei até a insinuar pedidos de mensalões e mordomias. Inutilmente.
Outros atribuem a conspiração aos judeus. As versões variam: há quem creia nos Protocolos dos Sábios do Sião, ou no fantástico Rei dos Judeus, cujo QG se situava na Polônia ou na Galícia. Corre também a história de que o controle esteja em Londres, onde seria exercido por intermédio do Royal Institute of International Affairs e da casa bancária Rothschild (da qual, na verdade, só resta a lenda, pois a fortuna da família Rotschild, embora seja substancial, ficou insignificante diante dos novos conglomerados financeiros mundiais). Deixando de lado essas fantasias, resta o fato de que muitos judeus tiveram, sim, importante participação no movimento comunista mundial e na subversão cultural nos Estados Unidos, por intermédio do freudismo, da antropologia cultural de Franz Boas e da denominada Escola de Frankfurt. Também é fato que essas três correntes ideológicas são muito influentes no Brasil. Mas a idéia duma conspiração mundial judaica como controladora da bagunça brasileira nem merece discussão, pois os judeus nunca foram unânimes em coisa nenhuma e o seu misterioso “centro de controle”, se existisse, seria pior que a ANAC do Lula, pois nem sequer controla o parlamento de Israel, onde as várias facções se engalfinham em contínua briga de foice no escuro.
Certos grupos patrióticos americanos consideram a ONU e o Council on Foreign Relations – o CFR – não propriamente como centros de controle mundial, mas focos de subversão e de permanente conspiração contra a soberania e a existência das nações, visando ao estabelecimento de um governo mundial. Concordo. A ONU é a mãe das ongues e dos direituzumanos, e de fato exerce, no Brasil, um papel de destruição da nacionalidade. Mas também concordo com os patriotas americanos noutro ponto: a ONU não é a fonte, é apenas o gerente das ideologias geradas na tal fonte, que ainda não identificamos.
Outra hipótese séria é a influência de Antonio Gramsci, objeto do excelente estudo: A Revolução Gramscista no Brasil, do general Avellar Coutinho (Estandarte Editora, Rio, 2002). Com efeito, Gramsci elaborou um projeto de tomada do poder por infiltração cultural, no qual todos os valores e instituições da sociedade “burguesa” seriam gradativamente subvertidos e controlados pela esquerda, até o ponto em que estas adquirissem a hegemonia, ou seja, em que suas idéias se tornassem a única moeda corrente, e toda a dissidência, discordância ou diferença de opinião fosse suprimida. Sem dúvida, esse processo já aconteceu no Brasil.
Mas Gramsci é apenas o idealizador do projeto, não o seu executor. É difícil imaginar que a execução dum trabalho subversivo tão vasto, profundo e prolongado tenha acontecido espontaneamente, só por causa das suas idéias e pela iniciativa esparsa de seus adeptos. Tarefas desse gênero não se executam sem alguma imensa organização por trás de tudo.
Que organização seria essa? Os partidos comunistas tradicionais? Certamente não, pois eram ligados à União Soviética ou à China, ditaduras que não aceitavam a via gramscista. Além disso, os velhos militantes, disciplinados e duros, jamais engoliriam as frescuras do pós-modernismo.
Outras organizações? Se as houvesse, teriam de ter dimensão internacional, porque a subversão cultural aconteceu simultaneamente em todo o mundo.
E aqui recaímos na nossa questão inicial: se a subversão vem de fora, é porque há algo que a produz e controla; se essa entidade existe – e sabemos que existe, pois os efeitos de sua ação são mais que visíveis – onde está ela? Onde fica o ninho das serpentes?
Como nosso espaço acabou, deixaremos a resposta para o próximo número do Inconfidência. Aguarde…
Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

A RAINHA DAS SAÚVAS – artigo número 3

*A. C. Portinari Greggio
No último artigo, mencionei a onipresente conspiração esquerdista que domina as escolas, as universidades, a tevê, os jornais, o cinema, a literatura, tudo, enfim. Em conseqüência desse predomínio cultural, a conspiração se apossou da opinião pública, dos partidos políticos e hoje desgoverna o Brasil, levando-o gradativamente para o abismo.

Mas o artigo não foi escrito para repisar fatos tão notórios. A questão era outra: qual seria a origem dessa conspiração universal? Como dizíamos, o avassalamento da cultura, da política e do poder não aconteceu por acaso, nem é fenômeno da Natureza. É coisa tramada, urdida, imposta de fora.
Assim sendo, a conspiração esquerdista deve emanar de alguma organização mundial muito bem articulada. Examinamos várias hipóteses: os velhos Partidos Comunistas, o “movimento comunista internacional”, as fundações “filantrópicas” dos países ricos, a maçonaria, certas facções do povo judeu, a ONU, o CFR, a Trilateral… Não há dúvida de que algumas dessas entidades ou grupos participaram ou participam do processo, como agentes, instrumentos, seja o que for. Mas não dá para identificar em nenhuma delas a fonte geradora de tudo.
Sem concluir o artigo, deixamos a pergunta no ar: onde está o misterioso centro da conspiração mundial? Espero que o leitor não tenha ficado em suspense, sem dormir, à espera do desfecho. Eu até gostaria de ter talento para escritor de romances, mas infelizmente não há nenhuma surpresa escondida.
A fonte, o centro, a matriz da conspiração esquerdista é a universidade.
O leitor poderia contestar essa afirmação. É fato que as universidades são focos de doutrinação esquerdista. Mas daí a apontá-las como fonte de todo o mal? As universidades educam. Não são elas a sede do Saber, da Inteligência, da Liberdade de pensar, de inquirir, de criticar e de buscar a Verdade? Se existe subversão dentro das universidades, são apenas minorias infiltradas. Ademais, como se pode afirmar que as universidades sejam engrenagens duma conspiração, se cada universidade é visceralmente autônoma?
Tudo isso é verdade, mas apenas parte da verdade.
A universidade é uma instituição medieval e anacrônica. O fato de ser medieval não é, em si, nenhum pecado; mas a sobrevivência, em pleno século 21, de grêmios medievais do século 12, com todas as prerrogativas, privilégios e rituais da Idade Média, é coisa muito estranha, mormente em se tratando de instituições que se ufanam de ser as vanguardas da revolta, do inconformismo e do mais ousado deboche revolucionário; laboratórios onde nascem e florescem todos os modismos subversivos; centros de contestação nos quais os fundamentos da família, da sociedade e da nação são sistematicamente criticados e desconstruídos.
A universidade ensina? Sim, mas não é a única fonte possível do ensino superior e nem sequer é o melhor veículo para ministrá-lo. O ensino superior pode existir sem elas, e a melhor prova disso são as instituições militares, que proporcionam, a militares e civis, formação em múltiplas especialidades, com qualidade superior à das universidades.
A universidade também não é santuário da liberdade de pensamento. Ao contrário, os campi universitários, especialmente os dos Estados Unidos, são campos de concentração comandados por quadrilhas de acadêmicos inamovíveis que utilizam suas cátedras como trincheiras na luta pelo poder político e promovem a reeducação e a lavagem cerebral dos alunos nos piores modelos da depravação pós-moderna.
Sendo esse o ambiente dos camporum, pode-se pôr em dúvida a alegação de que as universidades são o ambiente propício à pesquisa e ao avanço de todos os ramos do conhecimento. Isso até pode ser verdade nas ciências exatas, biomédicas e outras especialidades e nichos mais ou menos imunes à imbecilização militante. Mas grande parte da produção acadêmica não passa de embromações para mostrar serviço, justificar empregos e verbas, e conferir títulos acadêmicos aos autores. Aliás, é nessa atividade que as universidades melhor exibem as suas características de grêmios medievais.
Outra pretensa virtude das universidades é a interdisciplinaridade. Dispondo de variado leque de opções, o aluno de engenharia, por exemplo, pode ampliar seus horizontes aprendendo também sociologia, política ou filosofia dentro do campo. Mas também é verdade que nos Estados Unidos a interdisciplinaridade tem sido utilizada de modo bastante criativo, para inventar um monte de especialidades híbridas, com currículos à la carte e sem padrões de aferição, as quais oferecem vasto campo à vagabundagem e à charlatanice.
Se a universidade deixa a desejar em educação, é excelente em política. Qualquer estudo atento das revoluções dos últimos duzentos anos revelará que nenhuma foi feita pelo povo ou pelo proletariado. Todas foram tramadas, incitadas e conduzidas por intelectuais e grande parte dos eventos revolucionários aconteceu dentro das universidades. Se quisermos compreender a história desses tumultos, é nesse grupo que devemos concentrar nossa atenção.
Dizer que a universidade está infiltrada por subversivos é tão redundante quanto dizer que a Marinha está infiltrada por marujos. Os marujos são a Marinha, assim como os intelectuais subversivos são a universidade. A universidade é intrinsecamente subversiva. As contínuas greves e agitações, tais como a recente ocupação da reitoria da USP pelos fefeleches, não são acidentes. São manifestações de um contínuo processo de subversão que, repetimos, é da índole das universidades.
Isso não significa que elas sejam inteiramente voltadas à subversão. Na verdade as universidades, desde o século 19, têm estado separadas entre dois pólos antagônicos: dum lado, as letras, humanas e sociais; e do oposto, as exatas, geralmente representadas pela engenharia. Entre os dois pólos flutuam, indecisas, as jurídicas, biomédicas e outras especialidades com menor comprometimento político. Essa polarização indica que a maioria dos alunos e professores não está engajada na subversão, mas não impede que a esquerda – as letras, humanas e sociais, ou seja, os fefeleches – prevaleça e apareça perante o público como a personificação política da universidade.
É, portanto, o predomínio dos fefeleches sobre as demais faculdades que dá à universidade o seu caráter subversivo. Mas não se pode culpá-los. Quem pesquisar a história das universidades desde o século 12 verificará que foram fundadas por humanistas, interessados em teologia, letras, filosofia, artes e direito, que num longo processo histórico estabeleceram o caráter e as tradições da instituição. Intelectualmente, os fefeleches de hoje são os legítimos herdeiros da universidade medieval. Herdeiros degenerados, sem dúvida, que cobririam de vergonha seus antepassados, mas herdeiros, de qualquer modo.
A polarização da universidade entre fefeleches e engenheiros é muito mais significativa do que parece. Ela reflete duas tendências antagônicas que dividem a elite de todos os países. Esse antagonismo explica muito da história contemporânea, e sua compreensão pode nos fornecer a chave do comportamento político das esquerdas brasileiras no poder, bem assim dos erros teóricos da nossa oposição.
Nos próximos artigos desta série, vamos examinar um pouco da história das universidades e do surgimento da classe dos intelectuais a partir do século 16. É na evolução dessa classe, cada vez mais consciente de si e de seus interesses, que está a explicação da misteriosa conspiração internacional, cuja base operacional é a rede universitária.
O Brasil, dominado pela camarilha dos fefeleches, caminha para o desastre.
É preciso entender que nenhuma revolução poderá salvar o País se não mexer com a universidade.
Dizia-se antigamente que ou o Brasil acabava com a saúva, ou a saúva acabava com o Brasil. Para acabar com o sauveiro é necessário chegar à rainha, a matriz reprodutiva do sistema.
Nada de original nessa providência: foi exatamente isso o que todos os governos comunistas fizeram ao chegar ao poder.
Os mesmos governos que os fefeleches tanto defendem e admiram.

Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

A COISA DELES – artigo número 4

*A. C. Portinari Greggio

Este artigo é a continuação duma série que começou com “Onde Fica o Ninho das Serpentes?” e continuou com “A Rainha das Saúvas”. O assunto é a Universidade e seu papel como fonte do processo subversivo que vem dominando o mundo ocidental, inclusive o Brasil. A subversão emana das universidades, mas não é por elas diretamente assumida. A ação fica por conta outras de instituições, tão numerosas e onipresentes que confundem as vítimas, levando-as, como os touros, a arremeter contra o pano vermelho, sem perceber que o inimigo é o toureiro.
Muito bem: se o negócio é a universidade, temos de entender a sua natureza. Universidades são instituições. Instituições têm vidas próprias, independentes das vidas e das idéias de seus membros, e preservam, através das gerações, o seu espírito originário. Por isso, para compreender a Universidade, é indispensável voltar ao passado e observá-la na sua remota origem.
As três primeiras universidades surgiram na Europa, entre o final do século 11 e o começo do século 12. A de Bolonha era forte em Direito; a de Salerno, em Medicina; e a de Paris em Humanidades (ou Artes Liberais). Cada uma serviu de protótipo às dezenas de universidades que em seguida se estabeleceram por toda a Europa, com parcial exceção de Oxford e Cambridge.
A que mais nos interessa é a de Paris que, além de ter sido a de maior prestígio, inspirou o modelo adotado mais tarde adotado no Brasil.
Que eram, afinal, as antigas universidades? No latim medieval, universitas significava simplesmente “comunidade”, “coletividade”, mas podia também ser empregada no sentido de “galera”, “turma”, “panela”. Essas conotações refletem o verdadeiro espírito da instituição, desde seu início: o de coletividade fechada e unida no melhor e no pior sentido. Nas cidades medievais, como se sabe, ninguém podia sobreviver sem pertencer a alguma agremiação. As universitates eram associações de alunos, ou de alunos e mestres – quase todos forasteiros – , com a finalidade de garantir-se mútuo apoio, assistência e socorro numa terra estranha.
Essas panelas de estudantes e mestres eram a universidade. Não havia prédios, nem bibliotecas, nem alojamentos, nada. As aulas eram ministradas em qualquer local; o ensino era predominantemente verbal, pois o material de escrita era caro e ruim; e os livros, tão poucos que podiam facilmente ser carregados num baú.
A universitas, além de estudar, gostava de beber nas tabernas sem pagar e de destratar os ignorantes burgueses, além de mexer com suas mulheres e seduzir suas filhas. Havia freqüentes rixas, algumas das quais degeneravam em tumultos sangrentos. Invariavelmente o Rei ou o Papa tomava o partido da universidade contra as vítimas.
E quando o apoio de cima não vinha, a universidade recorria à extorsão. Dois de seus instrumentos favoritos eram a cessatio lectiones – ou seja, a greve ou interrupção das aulas – ou a migratio, que consistia em mudar de cidade, coisa fácil devido ao caráter imaterial da universidade. As autoridades raramente resistiam, e assim as universidades foram extorquindo mais e mais privilégios.
Um deles era o foro especial para crimes ou lides civis de seus membros (estudantes, mestres e funcionários), os quais só podiam ser julgados por juiz especial ou pelo reitor ou chanceler da própria universidade.
A autonomia era outro privilégio ferozmente reivindicado pela universidade. Vindos de muitos locais da Europa, os estudantes tinham visão ampla e superior do mundo. Não havia entre eles barreiras nacionais, porque todos usavam o latim. E afinal, quem contratava e pagava os professores era o corpo de estudantes, ou seja, a universitas. Era natural que não quisessem submeter-se aos bispos e autoridades locais.
Junto com a autonomia, a universidade ganhou também imunidades civis. Em Paris, por exemplo, os estudantes eram considerados clérigos, de modo que gozavam de todos os privilégios dessa categoria. Mas ao mesmo tempo eram dispensados do celibato, de modo que podiam xumbregar à vontade. Assim, juntavam o melhor de dois mundos.
Outro privilégio era a isenção de tributos locais, tanto para a universitati como para os estudantes, como indivíduos.
Além do foro especial e da autonomia, a universidade obteve o monopólio da emissão de diplomas. Só ela podia admitir novos estudantes e formar mestres. Assim, adquiriu absoluto controle da formação dos quadros burocráticos, acadêmicos e eclesiásticos. Justiça seja feita. A coisa funcionava, e foi ela o principal fator de transformação do mundo medieval no mundo moderno.
Tanto a admissão como as formaturas eram formalizadas em cerimônias com solenes juramentos de fidelidade à universidade. Na Idade Média esses juramentos eram para valer e prendiam para o resto da vida. Observe o leitor: não eram juramentos a Deus, nem ao Rei, nem ao Papa: o que se exigia era a fidelidade à universidade, ou seja, à patota, à turma, à galera. Dá para entender?
Outra característica das universidades (antigas e modernas) é que todas eram (e são) extremamente parecidas em espírito, ideologia, método e organização. A extraordinária semelhança não se deve apenas à imitação. É mais do que isso: as novas universidades eram fundadas por mestres oriundos das antigas, os quais transplantavam fielmente as instituições anteriores, como num processo de reprodução biológica. Essa hereditariedade institucional fez com que as universidades enfim formassem uma espécie de rede internacional, unida não só pela fraternidade, mas também por contínuo intercâmbio de serviços, pessoas e informações.
Esse brevíssimo resumo dos primórdios das universidades já basta para informar-nos quanto à origem de muita coisa que persiste até os nossos dias.
Desde a origem, as universidades são corporações coesas e fechadas. Surgiram como instituições supranacionais, avessas à Nação, hostis ao patriotismo e fundamentalmente cosmopolitas. Sempre, desde o século 12, utilizaram a greve e a paralisação das aulas como instrumentos de coação. E a coação sempre funcionou porque os dirigentes políticos, os quadros burocráticos e até mesmo as autoridades policiais provêm dos bancos universitários. Tendo o monopólio da formação e da certificação de todos os profissionais superiores, a universidade influencia poderosamente a administração pública, a política, a mídia, a expressão cultural, as empresas e os movimentos sociais. Além disso, a universidade é integrada a uma gigantesca rede internacional, a qual por sua vez é ligada à ONU, à cadeia global de ongues e às entidades financiadoras da subversão apátrida.
Aí estão todos os elementos de uma conspiração mundial, conspiração que, já vimos, existe e atua, e não é nada invisível. Falta apenas entender por que essa imensa instituição é intrinsecamente subversiva e esquerdista. Isso não acontece por acaso.
É o que veremos nos próximos artigos.

Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo


COMO SURGIRAM OS INTELECTUAIS DE ESQUERDA – artigo número 5

*A. C. Portinari Greggio
Este é o quinto artigo duma série cujo objetivo é mostrar que a ubíqua conspiração comunista, que cada vez mais domina o mundo, emana das universidades, e nenhuma contra-revolução será efetiva se não mexer profundamente com essas instituições.
Hoje nos indagaremos a razão pela qual as universidades são, em todo o mundo, domínios políticos da esquerda. A questão é pertinente. Não seria mais natural que fossem baluartes da direita conservadora? Afinal, elas são entidades privilegiadas, nas quais se forma a elite de cada país. Por que, então, a teimosa tendência à revolta e à subversão contra a ordem social de que fazem parte e da qual dependem?
Para compreender esse comportamento aparentemente incoerente, é preciso descrever o tipo que lhe dá causa – o intelectual militante.
Os intelectuais são classe relativamente nova na História, e podem ser considerados como subproduto da economia capitalista que tanto odeiam. Antes da Renascença não havia lugar para intelectuais independentes, portanto a categoria não existia. Quem quisesse escrever, pintar, compor música ou filosofar precisava nascer aristocrata, ou arrumar algum patrocinador poderoso, ou então entrar para um convento. Não existia mercado para a produção intelectual livre. Esse mercado específico só se desenvolveu lá pelo século 15. Foi nessa época que, graças ao comércio internacional e às navegações, surgiu uma nova e próspera sociedade urbana que gostava de livros, de música, de obras de arte e de teatro. Essa “fome” de bens culturais, combinada com a invenção da imprensa e a grande procura por tutores que ensinassem artes e letras às novas gerações, criou um mercado no qual escritores, artistas e pensadores podiam, pela primeira vez na História, viver de seu ofício sem a proteção de patrocinadores. À medida que a sociedade se enriquecia, mais recursos sobravam para a cultura e o lazer, e mais artistas, filósofos, escritores, poetas e educadores encontravam o caminho da riqueza e da fama. Seu número se multiplicou até o ponto em que constituíram uma sociedade à parte dentro das sociedades nacionais. Foi então que se transformaram em problema político. Tinham cultura e prestígio, mas faltava-lhes posição definida na sociedade, pois a economia era administrada por empresários e proprietários rurais, as repartições públicas pela burocracia, o poder civil pela nobreza, os quartéis pelos soldados e as igrejas pelo clero. O único lugar onde uma parte dos intelectuais se encaixava naturalmente era a universidade.
Assim, muitos intelectuais viviam à margem da sociedade, em rodas boêmias ou círculos de confrades, sem compromisso com a economia, a administração ou a política. Nessa situação de privilegiada irresponsabilidade, davam-se ao luxo de adotar opiniões contrárias, comportamentos escandalosos e atitudes críticas. Tal conduta, longe de afastá-los dos que carregavam o peso da sociedade organizada, tornavam-nos ainda mais encantadores, emprestando-lhes exagerada aura de inteligência, de originalidade e de coragem.
Na Europa continental os governantes esclarecidos passaram a patrociná-los. Virou mania, na alta nobreza, manter salões frequentados por intelectuais. Indivíduos de pouco valor e nenhum caráter, como Voltaire, Diderot, d’Alembert, Rousseau e outros, entraram na moda de tal maneira que inverteram o relacionamento com o poder político: eram os reis e rainhas que se sentiam honrados em tê-los como convidados, amigos e confidentes. Catarina a Grande da Rússia envaidecia-se de trocar cartas com Voltaire; e tinha ciúmes do imperador da Prússia, que também era amigo desse esperto vigarista. O rei da Polônia não se pejou de manter polêmica pública com Rousseau, quando este ainda era um moleque e ensaiava seus primeiros passos literários. E assim por diante: os palácios e castelos da Europa se abriam para esses sofistas, que viviam de salão em salão, levando a todos a sua irreverência vazia e sua falsa originalidade.
Não demorou para que os intelectuais se organizassem em grande rede subversiva. Para montá-la, incentivaram os reis e os nobres provinciais a estabelecer Academias e Sociedades de Pensamento por toda a Europa ocidental. Nesses locais, mantidos com dinheiro público ou subvenções dos vaidosos senhores, os intelectuais, por meio do controle das eleições estatutárias e das admissões de novos membros, estabeleceram uma vasta cadeia européia de difusão de idéias e notícias – denominada República das Letras – que afinal virou poder paralelo de fazer inveja à Rede Globo. Os membros da República das Letras ficaram conhecidos como philosophes, e até hoje seu nome é glorificado nos livros de História (escritos por seus seguidores, é claro!) como pioneiros da liberdade e da ciência.
Infelizmente não há espaço para descrever a formação da máfia dos philosophes. Não faltou quem os denunciasse na época; mas, como acontece até hoje, os que naquela época se levantavam contra a conspiração eram ignorados ou reduzidos ao silêncio por campanhas de difamação conduzidas em escala continental. Os centros de controle nas capitais – especialmente em Paris – mandavam instruções às províncias para fazer manifestações de repúdio, redigir manifestos e petições e espalhar todo o tipo de calúnias contra os adversários, de modo que os salões lhes fechassem as portas e o público os repudiasse, condenando-os ao isolamento e muitas vezes à pobreza e ao exílio. Voltaire, que era notório na condução dessas sórdidas campanhas, repetia que era preciso tacher d’infamie todos os desafetos da máfia dos philosophes.
Já no século 18 a conspiração dos philosophes era denunciada por observadores franceses, ingleses e russos. Mais denúncias vieram à luz após a tragédia da Revolução Francesa, o genocídio da Vendéia e as matanças do Terror. O tema foi tratado por Tocqueville, Taine, Carlyle, Burke, Augustin Cochin e muitos outros. Mas infelizmente os best sellers das denúncias contra os philosophes foram os panfletos do padre Barruel e do escocês John Robinson, que atribuíam as calamidades do século XIX à maçonaria, orientada por uma tramóia de jesuítas e judeus. Essas teses sensacionais distraíam o público do real e notório inimigo, a máfia dos intelectuais.
Frustrada com o fim inglório da Revolução Francesa, a intelectualidade européia, que até então se limitava a tentar influir na política com suas idéias, passou a lucubrar projetos de tomada direta do poder, na forma de utopias comunistas.
Não podendo lutar em causa própria, os intelectuais militantes se autonomearam (sem consultar os interessados) representantes dos explorados e dos oprimidos, e passaram a exigir reformas revolucionárias, voltando-se com raiva assassina contra a “burguesia”, a nobreza e os governos.
Através de complexas metamorfoses e subdividido em facções, o movimento culminou na revolução bolchevique de 1917, na social-democracia, no gramscismo e na democracia de massas, o regime político hoje vigente no Brasil.
No próximo artigo analisaremos melhor a estratégia subversiva da máfia intelectual, ou seja, procuraremos entender o que de fato se passa por trás das algaravias ideológicas e das enganações da propaganda. O assunto é importante porque os métodos, pretextos e disfarces da máfia mudam continuamente, e muitas vezes desnorteiam os seus inimigos. Mas seus propósitos e motivos continuam sempre os mesmos. São esses fatores constantes – cuidadosamente ocultos pela máfia – que nos fornecem a chave para lidar eficazmente com ela.

Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

QUANDO OS FRACOS DOMINAM OS FORTES – artigo número 6

*A. C. Portinari Greggio
Este é o sexto artigo duma série sobre o papel das universidades e dos intelectuais na subversão política. No último, verificamos que a classe intelectual, tal como a conhecemos hoje, surgiu no século 15 e desde o começo foi fator de perturbação da ordem social. Os intelectuais tinham prestígio e competência, mas não participavam do poder. Por isso, “viviam à margem da sociedade, em rodas boêmias ou círculos de confrades, sem compromisso com a economia, a administração ou a política. Nessa situação de privilegiada irresponsabilidade, davam-se ao luxo de adotar opiniões contrárias, comportamentos escandalosos e atitudes críticas. Tal conduta, longe de afastá-los dos que carregavam o peso da sociedade organizada, tornavam-nos ainda mais encantadores, emprestando-lhes exagerada aura de inteligência, de originalidade e de coragem.”
Fato é que, depois de muitas idas e vindas, explorando a ingenuidade de seus adversários, essa classe chegou ao poder em muitos países, inclusive no Brasil. O regime instituído pela constituição de 1988 não passa disso: a ditadura duma certa fração da classe intelectual, exercida pelos políticos, pela mídia, pelas ongues e pelos movimentos sociais. Que fração é essa? Basta olhar ao redor: são os politizados, conscientes, militantes, geralmente provenientes de faculdades de Letras, Humanas, Sociais, Filosofia e outras do gênero.
O objetivo deste artigo é examinar a estratégia dos intelectuais no seu conflito com as demais facções da classe dominante.
Havia, para eles, duas opções estratégicas.
A primeira era tomar violentamente o governo e investir-se a si mesmos nos postos de autoridade. Mas a experiência das revoluções socialistas foi desastrosa. Em todas o poder acabou caindo nas mãos dos seus rivais mais odiados – os engenheiros, técnicos, contadores, cientistas e administradores, apoiados pelos militares e policiais – e as utopias viraram ditaduras tecnocráticas mais fechadas que as antigas sociedades burguesas.
Diante disso, só lhes restava a outra opção: sem destruir a sociedade, apossar-se do poder mediante a contestação da legitimidade da autoridade instituída, substituindo-a pelo poder espúrio da intelectualidade. Essa estratégia subversiva se realizou por meio de dois projetos paralelos, o de Antonio Gramsci e o da Escola de Frankfurt.
É importante definir a diferença entre poder e autoridade, no nosso contexto. Poder é poder. Um bandido armado exerce poder, embora não tenha nenhuma autoridade sobre a vítima. Autoridade, porém, é poder legítimo, ou seja, poder conscientemente obedecido. Incluem-se nessa categoria tanto a autoridade natural – do pai, do mestre, do sábio – como a legal, sancionada por lei ou contrato, tal como a autoridade do juiz, do funcionário, do militar ou do patrão.
A fraude dos intelectuais na sua estratégia subversiva consiste em confundir propositadamente autoridade e autoritarismo, e abusar do conceito de democracia. Para eles, democracia é o contrário de autoritarismo. E como autoritarismo e autoridade se confundem, democracia enfim passa a ser o contrário de autoridade. Com esse sofisma e sob o pretexto de combater o autoritarismo e defender a democracia, contestam todas as formas de autoridade instituída.
A autoridade legítima e instituída simplesmente chega e manda. Quando o comandante dá uma ordem à tropa, ou o gerente passa uma instrução ao empregado, ou a mãe manda o filho para a cama, fazem-no simplesmente porque têm o título, natural ou legal, de comandante, de gerente ou de mãe. Esse título é suficiente para validar a ordem.
Mas na ideologia dos intelectuais, a obediência é a fonte do autoritarismo. Embora tenha legitimidade e título, a autoridade instituída não deve mandar sem antes consultar os subalternos. E estes devem exigir o direito de ser ouvidos e de questionar. Ao exigir que a autoridade instituída se torne “cidadã” e se submeta à “democracia participativa”, os intelectuais de fato estão a abolir toda a autoridade, substituindo-a pelo poder de quem fala mais e melhor nos comitês e assembléias. E como falar é a sua especialidade, é óbvio que toda essa pregação não tem outro objetivo senão desarmar os adversários e obrigá-los a lutar no terreno mais favorável à intelectualidade.
Uma vez no poder, os intelectuais instituem o tipo de governo mais adequado às suas limitações: o Estado democrático de massas, que no Brasil corresponde ao regime da constituição de 1988.
O Estado democrático de massas é uma ditadura disfarçada, que não precisa da violência nem do terror policial. É uma nova forma de poder exercido sem coação, num ambiente em que todas as liberdades são permitidas.
Só que essas liberdades não são as liberdades clássicas, do cidadão contra a tirania do Estado. O Estado democrático de massas não permite a liberdade contra o Estado, mas incentiva a liberdade de todos contra todas as demais instituições e autoridades.
Sob o pretexto de defender fracos contra fortes, ou de proteger minorias, o Estado patrocina a rebelião do aluno contra o professor, do filho contra os pais, da mulher contra o marido, do empregado contra o empregador, do soldado contra seus superiores. É nesse contexto que crescem os “movimentos sociais” – de negros, índios, homossexuais, sem-terra, sem-teto, feministas, idosos, deficientes, febéns, criminosos, presidiários, tudo, enfim.
Os únicos que não podem contar com a proteção do Estado são os membros das classes “autoritárias”. Na estratégia do Estado democrático de massas, há dois tipos de “autoritários”: os de dentro do Estado – militares, policiais e funcionários públicos – e os de fora – empresários, profissionais, trabalhadores e pais de família “patriarcais”.
Quanto aos primeiros, o Estado democrático de massas bem gostaria de livrar-se deles; não podendo fazê-lo, cuida de neutralizá-los mediante a política de direitos humanos, embaraçando sua ação, desmoralizando seu esprit de corps, negando-lhes equipamentos, reduzindo seus soldos e diminuindo sua auto-estima.
E os empresários? Diferente dos regimes comunistas, o Estado democrático de massas evita a estatização da economia. Não porque goste dos empresários, mas porque precisa deles. Eliminá-los seria péssimo negócio porque obrigaria os intelectuais a assumir a atividade produtiva, coisa avessa à sua natureza. Por isso preferem poupar a “burguesia”, mantendo-a sob controle, para extorquir-lhe os tributos com os quais sustentam o seu esquema de poder.
Com esse objetivo, o Estado utiliza a propaganda para inculcar nos empresários o mais doentio sentimento de “culpa”. Por meio dos sindicatos e da fiscalização o Estado mantém as empresas sob contínuo assédio. E, com auxílio das ongues, procura cooptá-las para que se integrem em programas “sociais”, “solidários”, “participativos” e outras vigarices, trazendo-as assim para o seu lado, em troca de proteção e sociedade em bandalheiras do governo.
Mas a liberdade de todos contra todos tem seu custo. Não é por acaso que nos os países onde vige a democracia de massas os índices de criminalidade, abortos, ilegitimidade e baixo rendimento escolar pioram continuamente. A economia perde a eficiência e as empresas passam a depender cada vez mais da proteção governamental. Em longo prazo, o resultado da democracia de massas é a desintegração do país.
Nos próximos artigos trataremos do impacto das ciências exatas, do positivismo e dos currículos profissionalizantes nas universidades tradicionais. Essas transformações tiveram profundas conseqüências na História do Ocidente e no Brasil.
Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

STALIN ACABOU COM A ALEGRIA DELES – artigo número 7

*A. C. Portinari Greggio
Este é o sétimo artigo duma série sobre o papel das universidades e dos intelectuais na subversão política. No anterior, dissemos que os intelectuais há muito abandonaram a idéia da revolução comunista clássica, devido à sua desilusão com a ditadura do proletariado, que denominam socialismo real. Essa desilusão, que coincidiu com a vitória de Stalin na luta pelo poder na União Soviética após a morte de Lênin, explica algumas mutações ideológicas das décadas seguintes.
Atrás da fachada proletária, quem de fato mandava na revolução russa era um grupo de intelectuais, dos quais muitos, talvez a maioria, eram judeus atraídos para o comunismo por seu ressentimento contra o Czar e uma irresistível vocação messiânica que muito caro lhes tem custado nestes últimos dois mil anos.
Mas após devastar inutilmente a Rússia, a revolução malogrou e teve de recuar. Em 1921, acossado pela revolta da população, Lênin decretou a Nova Política Econômica, que restabelecia o mercado e aliviava a repressão política. A revolução perdeu o rumo. Os comunistas eram incapazes de administrar o país. E Trotsqui, virtual sucessor de Lênin, teimava em engajar a Rússia numa quixotesca cruzada para levar a revolução ao resto do mundo.
A ascensão de Stalin pode ser entendida como a reação dos militares, administradores e técnicos nacionalistas, contra os intelectuais internacionalistas. Defendendo a idéia do “socialismo num só país”, Stalin afastou os trotsquistas e restaurou as bases do nacionalismo russo. Seguro no poder, atacou os camponeses que se recusavam a aderir à coletivização, liquidando, por fome ou deportação, algo entre seis e oito milhões. Em seguida, matou quase toda a antiga cúpula do Partido Comunista, livrando-se dos intratáveis militantes históricos. O expurgo se ramificou pela hierarquia abaixo, e as matanças e deportações se estenderam a outros tantos milhões de coitados.

Terminado o serviço, Stalin editou a “História do Partido Comunista da URSS” (1938), que não era apenas uma História, era um aviso a todos os que ousassem lucubrar política no país. A mensagem implícita era a seguinte: Tudo o que interessa sobre ideologia, política, filosofia e outras matérias polêmicas, está neste livro. Acabou a discussão.
O livro, além de enterrar a rebeldia dos antigos revolucionários, tratou de substituí-los pelo novo herói socialista: o tecnocrata. Após reconhecer o atraso da União Soviética, a História diz: “O obstáculo ao progresso não era tanto a falta de máquinas e ferramentas, mas a atitude errada dos militantes do Partido, seu menosprezo para com a técnica. Os comunistas entendiam que a técnica era assunto menor que podia ser deixado a cargo de ‘especialistas’ burgueses, enquanto eles deviam ocupar-se com coisas ‘mais importantes’, com a direção da ‘economia em geral’. Essa atitude degenerou em enganação, em assinar papéis sem entender o seu significado, em burocracia estéril. (…) No fundo, ela mal disfarçava a preguiça e a acomodação dos comunistas, que preferiam tocar a rotina e viver regaladamente, deixando o trabalho a cargo dos ‘especialistas’. Mais adiante a História cita Stalin: “Antigamente, dizíamos que a técnica decide tudo. Hoje temos de ir além e afirmar que os técnicos decidem tudo”.

Essa diretriz sancionava uma revolução dentro da Revolução, pois praticamente demitia os quadros políticos e entregava o poder aos técnicos, instaurando assim a tecnocracia na URSS. A virada fez com que a intelectualidade esquerdista fora da União Soviética passasse a olhar com preocupação o seu próprio futuro. Valia a pena fazer a revolução cantando a Internacional para depois entregar o poder aos técnicos e engenheiros e restaurar o nacionalismo?
Essa questão teve duas respostas: o gramscismo e a Escola de Frankfurt. Embora tenham acontecido separadamente, as duas correntes se complementam. A Escola de Frankfurt, dominada por comunistas judeus, forneceu a nova ideologia; e o gramscismo, a estratégia e a tática para a sua disseminação.
Mas a discussão dos intelectuais sobre o seu próprio futuro não corria solta na “sociedade”. Ela se dava dentro e ao redor das universidades. A tremenda influência dessas instituições nos destinos do Ocidente, inclusive da América Latina, que talvez seja o fenômeno mais decisivo da História moderna, é subestimada pelos historiadores.
Para entender como atua essa influência, é preciso considerar a divisão política das universidades em duas áreas antagônicas: as técnicas, representadas principalmente pelos engenheiros, economistas e contadores, e as humanas e sociais, nas quais se conta a maioria dos militantes de esquerda. Os engenheiros têm afinidade natural com os militares, a burocracia governamental e os empresários. São meritocráticos, autoritários, disciplinadores, têm tendências positivistas e apostam na economia. Os humanistas são o contrário de tudo isso e apostam tudo na política.
Ora, as idéias originárias dos marxistas coincidiam em tudo com as dos engenheiros. Vejam: a revolução deveria acontecer por causas econômicas, e o motor da economia era a tecnologia. A revolução viria quando o capitalismo perdesse a eficiência devido à incapacidade de administrar o seu próprio desenvolvimento tecnológico. A transição para o socialismo representaria, mais que revolução política, um choque de racionalidade e de eficiência gerencial. A nova economia socialista teria planejamento central, rígida disciplina e uma ditadura voltada para o desenvolvimento material e o avanço da ciência. Não é esse o típico programa tecnocrático?
Pois essa revolução tecnocrática, paradoxalmente, não viria a ser feita pelos engenheiros, pouco afeitos à política e à rebeldia militante. O típico revolucionário teria de vir do outro lado: seria o advogado, o escritor, o intelectual humanista, a denominada intelligentsia, enfim.
Assim, a intelligentsia revolucionária da Rússia sem querer criava o monstro totalitário que acabaria por engoli-la. Uma revolução feita primordialmente para planejar a economia, construir estradas, usinas, portos e estaleiros, dar primazia às ciências exatas e biológicas; uma revolução que se guiava pela fórmula de Lênin – “o comunismo é igual ao poder soviético mais a energia elétrica”, uma revolução dessas é, obviamente, prato feito para os técnicos. Era questão de tempo: o poder revolucionário cedo ou tarde viria a cair nas mãos dos engenheiros. Foi o que aconteceu na União Soviética.
O socialismo soviético era, portanto, uma forma de tecnocracia, de ditadura dos engenheiros, militares e administradores. O que Gramsci e a Escola de Frankfurt fizeram foi inventar sua contrapartida: a futura ditadura dos intelectuais. Essa utopia, porém, era irrealizável naquela época, e por isso permaneceu décadas apenas como projeto. Ela só se tornou factível depois da queda do Muro de Berlim, quando surgiram as condições para que o novo regime se materializasse. É a democracia de massas, a ditadura da intelectualha “humanista”, o regime sob o qual o Brasil e vários países da Europa são governados.
Essa história explica porque a democracia de massas é controlada por políticos, sociólogos, politólogos, antropólogos, literatos, juristas, historiadores, etc. e tem tanta aversão pelos técnicos, militares e empresários. Mostra que a única luta de classes de fato é a luta entre as duas facções saídas das universidades. Dentro dessa ótica, a História recente do Brasil pode ser entendida como a do conflito entre essas duas facções. O regime militar foi a era da tecnocracia. A sua liquidação, obviamente, só podia conduzir ao presente Estado democrático de massas.
De tudo o que foi dito, sobram algumas perguntas. A mais intrigante é: se a queda do muro de Berlim foi o fim do comunismo, como se explica que tenha proporcionado à intelectualha marxista o total controle da América Latina e da Europa? Essa questão está ligada à parte que ainda não examinamos da história das universidades e da classe intelectual. Continua no próximo número do Inconfidência.


Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

OS SEM-PÁTRIA – artigo número 8

*A. C. Portinari Greggio
Este é o oitavo artigo duma série sobre o papel das universidades e dos intelectuais na subversão política. No anterior, descrevemos como os intelectuais militantes que haviam feito a revolução comunista na Rússia foram brutalmente afastados e liquidados por Stalin, que entregou o poder aos tecnocratas. A revolução tecnocrática dentro da revolução socialista foi duro golpe nas ilusões dos militantes esquerdistas nos demais países, particularmente os comunistas judeus, chocados pelo exílio e o assassinato de Trótsqui e pelo disfarçado anti-semitismo dos novos dirigentes soviéticos.
Mostramos que a desilusão dos intelectuais suscitou duas reações principais, o gramscismo e a Escola de Frankfurt. Essas facções de militantes, continuamente geradas e multiplicadas nas universidades – que são, como vimos, a sua origem, fonte de formação e base operacional, aproveitaram a distração da Guerra Fria, enquanto os governos ocidentais enfrentavam a agressão do bloco comunista, para solertemente assumir o controle da mídia, da educação e das artes – cinema, literatura, teatro, tudo, enfim, em seus países. Com isso, passaram a formar e a condicionar a opinião e a atitude política da população. Por processo natural de disseminação, povoaram os quadros dos governos, da ONU e da sua constelação de entidades internacionais, bem assim das milionárias fundações do tipo Ford, Rockefeller, Oxfam, Conselho Mundial de Igrejas, etc., etc., onde passaram a dispor de bilhões de dólares para financiar suas atividades em todo o mundo.
Em conluio com a ONU, criaram as notórias ongues, que além de atuarem como escalões de fogo e governos paralelos, são também cabides de empregos destinados a absorver as levas cada vez mais numerosas de militantes paridas pelas grandes universidades.
Por estranho que pareça, a queda do Muro de Berlim, que todos pensavam ter sido o “fim do comunismo”, foi o evento que lhes permitiu tomar o poder. A Guerra Fria era um estado de mobilização militar, no qual os neocomunas tinham de viver encolhidos, apesar de já estarem em todos os lugares-chaves. Quando o Muro caiu, debandou-se a mobilização anticomunista. E os enrustidos saíram dos armários e tomaram conta de tudo.
Já não se apresentavam como comunistas, e de fato haviam repudiado até mesmo os fundamentos filosóficos do marxismo. Sua nova idelogia era o “pós-modernismo”.
Diferentes de seus precursores comunistas, os “pós-modernos” não tencionam liquidar o capitalismo por via revolucionária. Não, porque aprenderam a lição da Rússia: destruído o capitalismo, terão de assumir a economia e o governo, tarefa que exige qualidades que lhes faltam. Em vez disso, os “pós-modernos” preferem assumir e exigir a utopia, abandonando a linha científica do marxismo.
O marxismo tinha desprezo por utopias. Acreditando conhecer as leis da História, previa a vitória do socialismo como algo inevitável, cientificamente predeterminado. Os “pós-modernos”, ao contrário, não se envergonham de sonhar. Não tentam provar nada cientificamente (afinal, na sua confusa ideologia, nada se prova e a ciência não existe). Para eles, a utopia virá porque a querem, e querer, na doutrina “pós-moderna”, é poder, já que tudo o que acontece deriva da vontade das pessoas.
Quem ouve essa conversa chega até a acreditar que os “pós-modernos” têm a sublime loucura dos santos ou profetas. Mas seu utopismo não tem nada de sublime. Não passa de tática de extorsão. Se reivindicassem o possível, correriam o risco de ser atendidos, e suas ongues e movimentos deixariam de ser necessárias. Logo, tratam de exigir o impossível de modo que sempre tenham pretexto para encostar suas vítimas à parede. A “utopia” não é senão uma técnica para garantir poder, vantagens e empregos.
Não podendo nem querendo mudar o sistema econômico, esforçam-se por controlá-lo e explorá-lo à sua maneira.
Primeiro, consolidam suas bases nas universidades. Não é difícil porque são seus arraiais cativos. É natural que ali sejam aceitas sem resistência as idéias que convêm a seus interesses de classe.
Assim que se estabelece algum consenso, ainda que minoritário, o resto é simples: basta patrulhar os submissos e silenciar os dissidentes para impor a unanimidade.
Influente e ativa, sem sair de suas seguras posições, a máfia intelectual consegue extorquir e intimidar seus adversários, controlar o governo e impedir a manifestação de opinião divergente. É surpreendente como uma minoria de enganadores, incapaz de se impor pela capacidade (que não tem) ou pela força (cujo uso abomina), mas extremamente ruidosa e vociferante, consegue exercer um poder paralelo, efetivo e irresponsável (no sentido de que mandam, mas não arcam com o ônus de administrar).
Toda a sua ação política é voltada contra o Poder Nacional. Para debilitá-lo, procuram dissolver os princípios da autoridade e o da nacionalidade. Sob o pretexto de defender direitos humanos, paralisam a ação do Estado; com a desculpa de combater preconceitos, fomentam o homossexualismo, a marginalidade e a libertinagem; alegando defender a mulher, solapam a estrutura familiar e promovem a bastardia;
Impõem a vulgaridade e a burrice em nome da “inclusão” da “cultura popular”; incitam o ódio racial dizendo defender minorias étnicas; rejeitam a identidade nacional e impõem, em seu lugar, a barbárie do “multiculturalismo”; e para “liberar os costumes” incutem na juventude o desprezo aos mais elementares princípios de decência e civilidade.
Surge aos olhos, aqui, uma contradição. Se a máfia “pós-moderna” não quer governar nem deixa que outros governem, é lógico que seu trabalho de destruição do Estado e de todos os valores nacionais só pode levar à anarquia. E, como se viu na queda da União Soviética, o vácuo de poder costuma ser imediatamente preenchido de forma imprevisível e incontrolável, muitas vezes pelas Forças Armadas ou pela odiada direita. Isso, é claro, não interessa aos pós-modernos. Como fazem, então, para impedir o caos?
É simples: preenchem os vácuos de poder, substituindo cada atribuição que subtraem ao governo nacional por correspondente interferência de órgãos internacionais, que com sua cumplicidade cada vez mais invadem e usurpam os poderes e a soberania dos Estados.
A burocracia da ONU tem forte afinidade com as intelligentsias nacionais – aliás, a ONU foi inventada por elas – e por isso promove e financia a atuação das ongues e coopta funcionários dos governos, ora dando apoio político às suas carreiras, ora empregando-os nos organismos internacionais.
O que pretendem em longo prazo é reduzir o mundo a uma coleção mundial de governos desarmados e impotentes, controlada por intricada rede de burocratas apátridas, de ongueiros e de aspones militantes e governada por uma oligarquia mundial nos moldes da que ora está em gestação na União Européia. Pode ser uma utopia, mas ninguém é proibido de sonhar, especialmente se for pago em dólares para essa função.
Os governos civis latino-americanos – Inácio, Henrique, madame Bachelê, madame Kirchner – consideram organizações como a ONU e a OEA a sua garantia contra o retorno dos militares em caso de crise. Esses políticos trabalham em duas frentes: enfraquecem ao máximo as Forças Armadas, no âmbito interno; e, no externo, cada vez mais confiam à segurança nacional a organizações internacionais.
Não o fazem no interesse de seus países, nem em defesa da democracia. O que querem é assegurar o poder para si, nem que para isso sacrifiquem a independência e a própria identidade histórica de seus povos.
No próximo artigo falaremos mais sobre o “pós-modernismo”, uma das maiores vigarices intelectuais jamais inventadas na História do mundo.

Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

A FILOSOFIA DO CHACRINHA – artigo número 9

*A. C. Portinari Greggio
Este é o nono artigo duma série sobre o papel dos intelectuais no processo de subversão que está levando o Brasil à degradação moral, à desintegração social, à perda da soberania e à fragmentação territorial. Já vimos, nos artigos anteriores, que esse processo de destruição é causado e conduzido por uma máfia cujas origens e focos de reprodução e proliferação são as grandes universidades. Verificamos também que essa mesma classe vem atuando na subversão política, com altos e baixos e sob diversas denominações e pretextos, desde o século 18. Foram eles os principais fatores do movimento comunista; mas logo se desiludiram ao perceber que os regimes socialistas ou social-democráticos do século 20 eram essencialmente tecnocráticos. Dominados por engenheiros, economistas e militares, esses regimes não davam espaço para a classe dos intelectuais militantes, a qual provém, quase sempre, das áreas de letras, humanas e sociais.
Em homenagem à FFLCH-USP, também conhecida como Fefeléche, adotamos, à falta de denominação mais adequada, o apodo de fefeléches para essa poderosa e influente categoria de indivíduos.
Vimos que já na década de 1930 os fefeléches, desiludidos com o marxismo clássico, tomaram duas providências fundamentais para não repetir o grande erro (para eles que caíram do cavalo, é claro) da revolução russa: mudar de estratégia e adotar outra ideologia mais segura e adequada aos seus interesses. A nova estratégia foi elaborada por Gramsci, e a nova ideologia, o pós-modernismo, teve origem na Escola de Frankfurt. No artigo anterior cometi a temeridade de prometer que explicaria aos leitores o que é o pós-modernismo.
Sinto muito, caros leitores: menti. Além de não ter competência em filosofia, linguística, antropologia, semiótica, sociologia, artes visuais, comunicações, física, matemática, lógica simbólica, história, literatura e outros conhecimentos necessários à tarefa, existe outra barreira que, para mim, parece intransponível: o pós-modernismo foi bolado com o propósito de escapar a todas as explicações ou classificações.
Ai de quem tentar entender os pós-modernos estudando suas idéias. Terá de ler e ler por muitos anos com pouca probabilidade de chegar a conclusão. Além da passagem por Hegel, Marx, Lênin, Trótsqui e Gramsci, terá de mergulhar em Freud e seus derivados (Reich, Lacan, Wallon e outros), passar pela Escola de Frankfurt (Fromm, Adorno, Habermas, Horkheimer, Marcuse, etc.) cuja leitura exigiria estudos prévios de filosofia, semântica, semiótica e outras complicações. Saindo da Alemanha, o candidato terá de enfrentar um batalhão de franceses do tipo Sartre, Merleau-Ponty, Roland Barthes, Bourdieu, etc., mais outros como Derrida, Althusser, Foucault, Lyotard, Baudrillard, Jameson, Deleuze, Guattari, etc. Tudo isso sem esquecer os antropólogos (tais como Lévy-Strauss ou Franz Boas e suas duas boasetes, as falsárias Mead e Benedict), mais sociólogos, críticos literários e uma multidão de romancistas, poetas, teatrólogos, historiadores, cientistas políticos, feministas e agitadores de toda a espécie.
Se o freguês conseguir transpor os obstáculos sem ensandecer no caminho, é provável que chegue ao fim mais confuso do que no começo. Isso, porque esses sábios não buscam a verdade nem respeitam os fatos: seu objetivo, ainda que não tenham consciência disso, é criar argumentos e sofismas para justificar reivindicações de poder, para si e para a classe dos fefeléches.
Além disso, a pessoa que estudar o “pós-modernismo” com o honesto fim de entendê-lo, sem intenção prévia de aderir à doutrina, perderá tempo inutilmente, tanto quanto alguém que viaje de Ilhéus a Salvador via Buenos Aires. Ao enumerar as leituras acima, tem-se a impressão de que os iniciados são sapientíssimos eruditos, o que não é verdade. Quase todos, quando procuram essa formação, já estão convertidos e só empreendem os estudos para confirmar uma doutrina que convém a seus interesses e condiz com sua natureza. Para poupar esforço, recebem apostilas e manuais onde superficialmente aprendem o jargão e os obscurantismos necessários à integração na comunidade ativista que controla as universidades e os meios ditos “culturais” e, mais importante, as conseguintes verbas, bolsas, cátedras, cargos e títulos, mais os empregos nas ongues, na mídia e na política.
Por isso acredito que, em vez de tentar desemaranhar o cipoal de teorias, é mais simples proceder como os malandros brasileiros da velha guarda, quando não entendiam a conversa de alguém nas rodas de botequim e perguntavam: qual é a tua? Essa pergunta resolve tudo porque demonstra que o malandro não está disposto a se deixar enrolar pelos parangolés do outro e exige uma explicação direta e compreensível de suas intenções.
Analisando as teorias “pós-modernas” segundo a metodologia dos malandros, o mistério se desvanece, pois fica evidente que todos os seus argumentos não passam de pretextos para reivindicar poder e influência.
Um exemplo dessa manipulação doutrinária: a parte mais complicada da doutrina “pós-moderna” trata da teoria do conhecimento. Baseados em interpretação primária e superficial do princípio da incerteza de Heisenberg, os “pós-modernos” decretaram a falência das ciências exatas. Em lugar do raciocínio, propõem a “imaginação” e demonstram que os métodos das ciências exatas não são exatos nem melhores do que a intuição ou os devaneios de qualquer pessoa. Quem quiser contestá-los terá muito trabalho por nada, pois os “pós-modernos” retrucarão que tudo o que o opositor falou foi dito numa certa linguagem, e toda a linguagem é formada de significantes que só têm significado em referência a outros significantes arbitraria e subjetivamente evocados pelo ouvinte; de modo que tudo o que se diz tem um nexo para quem diz, mas tem outro para quem ouve, de modo que os nexos não têm nexo. A linguagem não corresponde à realidade – que, aliás, não existe, mas é socialmente construída – e ninguém pode provar nada por intermédio dela; e como também não é possível dizer nada sem ela, fica provado que não se pode provar nada. Assim, não existe a ciência positiva, já que não pode ser afirmada nem negada. Indo mais fundo, conclui-se que não há proposições a que se possa atribuir valor lógico, ou seja, afirmar que são verdadeiras ou falsas. Logo, não existe lógica. Mas também não é possível provar que a lógica não existe porque tal prova se faz na mesma linguagem que, como vimos, não diz nada. Assim, a lógica não existe, mas, ao contrário, também pode existir, pois não se pode afirmar que não existe sem admitir que existe. E tanto faz. Não estou brincando: o negócio é assim mesmo.
O filósofo inglês Malcom Bradbury publicou uma sátira a essas teses “pós-modernas”. É a biografia do grande autor francês Mensonge que, tendo nascido, não existiu, mas em compensação viveu e foi autor de vários livros, embora nunca tenha escrito nenhum. Morando em Paris, onde não residia, Mensonge tinha grande influência sobre ninguém: e isto o tornava famoso em lugar nenhum, por suas opiniões radicais sobre nada, que, no entanto, abrangiam tudo, e muito ao contrário.
Eis o problema: discutir. Quem quer que discuta com os “pós-modernos” estará caindo em sua arapuca, pois é assim que eles, como as antigas sereias, envolvem os incautos, levando-os para o único terreno onde têm “superioridade”. Melhor é usar o método direto e entender que seus ataques contra a ciência e a lógica não passam de meios para um fim político: desmoralizar as ciências exatas. Para que? Para conquistar espaço dentro dos campi universitários, tirando o poder e o prestígio de seus rivais, os acadêmicos de engenharia, medicina e ciências exatas. Entendendo qual é a deles, pode-se evitar entrar na deles.
O “pós-modernismo” domina a vida social, não só no Brasil, mas em grande parte do mundo. A imprensa, as universidades, as artes e a política estão sob controle de intelectuais, políticos e agentes “pós-modernos”. Nesse quadro geral, as Forças Armadas se transformaram em anomalia, uma ilha de idéias “tradicionais” num mar “pós-moderno”. Como representam a força do Estado em sua última instância, é natural que sejam o maior estorvo aos projetos políticos da intelectualidade “pós-moderna”. E é de se esperar que essa gente tenha urgência em subverter ou até em liquidar as Forças Armadas.
Falando nisso, vem-nos à mente um exemplo de solução militar para problemas, digamos, filosóficos. É a famosa anedota de Alexandre da Macedônia e o Nó Górdio. Era um nó complicadíssimo, num lugar público duma cidade da Frígia. Diziam os oráculos que só conquistaria a Ásia o general que fosse capaz de desatá-lo. Muitos entraram nessa conversa e se desmoralizaram ao tentar, inutilmente, desfazer o emaranhado. Quando desafiaram Alexandre a fazê-lo, ele percebeu o engodo e, tomando a espada, cortou-o dum só golpe. Em seguida, conquistou a Ásia.
Quem tiver ouvidos, ouça.

Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo


SERÁ ESSE O DESTINO DOS MILITARES BRASILEIROS? – artigo número 10

*A. C. Portinari Greggio
Este é o décimo artigo duma série sobre o papel dos intelectuais na destruição do Brasil. Verificamos que essa classe controla o governo, a política, a mídia, a cultura e a educação – ou seja, tudo – no Brasil. Vimos que são oriundos das áreas de letras, filosofia, humanas e sociais das grandes universidades, razão pela qual, em homenagem à FFLCH-USP, conhecida como Fefeleche, adotamos o apodo fefeleches para designá-los. E concluímos que, devido à diferença de espírito e de formação, existe uma incompatibilidade insanável entre os fefeleches e os militares. Como os políticos no poder são fefeleches ou neles se apóiam, isso os põe automaticamente contra as Forças Armadas, fato que suscita grave contradição política. Se alguém dissesse, até meados do século 20, que existe país onde o governo governa contra as suas próprias forças armadas, ninguém acreditaria. Embora poder e força sejam coisas separadas, nenhum poder se exerce sem força. Esse era o maior dilema dos políticos brasileiros na “redemocratização” de 1986: como poderiam governar sem os militares? A pergunta não teria cabimento se o seu projeto fosse apenas governar. Mas o seu negócio era transformar o Brasil nisso que aí está e tende a piorar. É claro que não poderiam contar com os militares para liquidar o País. Daí a nova pergunta: como governar contra eles?
No tempo da Guerra Fria, governar sem, ou contra, os militares, seria impossível. Mas a “redemocratização” do Brasil aconteceu no final da década de 1980, quando a União Soviética desmoronava. Era o fim da Guerra Fria, e o bloco da OTAN – Estados Unidos e Europa Ocidental – aproveitava a ocasião para lançar seu projeto de domínio mundial. Esse projeto utiliza duas ferramentas: a “democracia” e os “direitos humanos”. Quando exige, sob ameaça de intervenção militar, que os países mais fracos se “democratizem” – ou seja, entreguem o poder aos políticos – e respeitem os “direitos humanos” – ou seja, entreguem o poder às ongues – a oligarquia internacional, que patrocina políticos e ongues, põe em cheque a autoridade de Estado, a soberania e a integridade territorial desses países, e assim prepara novos avanços na sua estratégia. E como a oposição brasileira prometia “democracia” e “direitos humanos”, seus patrocinadores garantiram-lhe apoio em caso de necessidade. (Ah, antes que eu me esqueça: por países mais fracos, entenda-se: sem armas atômicas e meios eficazes de lançá-las, entendeu Fernandinho Collor de Mello?)
Assim, desde 1988, os políticos vão governando. Acham, ou esperam que, em caso de emergência, a ONU, a OEA, a OTAN, ou outra coalizão, estarão prontas a invadir o Brasil para defendê-los. Por isso são tão entreguistas e subservientes com seus cafetões estrangeiros, e tão insolentes e rancorosos com as Forças Armadas Brasileiras.
Mas o estranhamento não pode durar para sempre. Algum dia os políticos vão tentar domesticar as FFAA. Para ter idéia de como poderá ser esse projeto, vejamos o que acontece na Europa, onde o processo já avançou bastante. Tomemos o caso do Reino Unido.
No governo britânico não há um só membro do Gabinete que tenha servido nas Armas. Não por acaso: é deliberado. Os políticos são moleques da revolta estudantil de 1968. Desprezam seu próprio povo, sua cultura, sua história.. Abominam o patriotismo. Acham que a Inglaterra tem de se dissolver na Europa, que por seu turno deve fundir-se com o Oriente Próximo, e assim, de etapa em etapa, tudo deve sumir num só mundo sem fronteiras, por eles governado.
Embora detestem os militares, gostam de guerra. Parece necessidade de compensar a sua falta de virilidade. A qualquer pretexto, mandam tropas a lugares distantes, em missões sem interesse para o povo britânico, o qual paga a conta e fornece os recrutas. Usam as forças armadas como jogos de videogame nos seus gabinetes, na maior adrenalina, sem perigo, lama, poeira ou sangue. Para manter as coisas sob controle, mandam a mídia flagrar os soldados em combate, ao menor tropeço contra os direitos humanos do inimigo. Filmam tudo, entrevistam as “vítimas” e explodem em acusações nas manchetes. As ongues armam o circo. Aí os políticos ordenam inquéritos e julgamentos, não para fazer justiça, mas para agradar a claque dos fefeleches.

O Reino Unido tem passado glorioso. A folha dos militares britânicos é das mais brilhantes. Embora nas suas guerras tenha havido dirigentes lunáticos e incompetentes, os militares jamais se revoltaram porque, por piores que fossem, quase todos haviam servido nalguma fase das suas carreiras. Por essa razão – empatia entre civis e militares – os soldados britânicos sempre toleraram os erros dos seus superiores.
Mas pela primeira vez cresce a animosidade entre políticos e a tropa. Os soldados já não reconhecem os fefeleches de Londres como gente sua. Sentem-se usados e traídos. Os feridos em combate no Iraque e no Afeganistão são largados nos hospitais públicos do NHS (o SUS de lá), onde, abandonados à própria sorte, recebem péssimo tratamento e são ameaçados ou insultados por atendentes muçulmanos ou esquerdistas. O material da infantaria é obsoleto e de má qualidade, pois o Ministério da Defesa gasta tudo em hi-techs caríssimas e inúteis, para agradar interesses políticos. Os militares acusados pela mídia de violar “direitos humanos”, depois de humilhante calvário, têm sido absolvidos. Alguns, indignados, pedem baixa. O coronel Tim Collins, herói condecorado, anunciou que não continuaria a servir sob covardes. Dois soldados dos Irish Guards, Joseph McCleary and Martin McGing, também inocentados, deram adeus às armas. McGing desabafou: O Exército me traiu. E aconselhou: Se quiser servir, trate de arrumar advogado para o caso do Exército o apunhalar pelas costas. Um porta-voz do Ministério “lamentou” a bofetada, dizendo nada podia fazer, pois é assunto pessoal de cada um.
Por isso, em junho de 2006, 250 mil militares britânicos se uniram para formar a Federação Britânica das Forças Armadas (BAFF), alegando que já não podem confiar seus direitos e interesses a “uma hierarquia cada vez mais politizada”. E o Chefe do EM do Exército, Gen. Richard Dannatt, advertiu publicamente o Secretário (paisano) da Defesa: o Exército nunca vai abandonar a Nação, mas não admito que a Nação abandone o Exército.
Em artigo recentemente publicado, um militar revela: Muitos ainda acreditam que o Ministério da Defesa seja militar. Não é. É uma organização dominada por civis, muitos dos quais não concordam com a missão e não gostam dos militares. (…) A mentalidade, além de não ser militar, é antimilitar. Por isso raramente usamos uniformes no trabalho.
E continua: Certa vez, à paisana, fui a uma reunião sobre a “terceirização”. Todos achavam que era preciso “terceirizar”. Argumentei que esvaziar a Intendência, Engenharia, Material Bélico e Comunicações, entregando suas missões a empresas civis, poderia ser perigoso. Em caso de necessidade, técnicos ou cozinheiros militares podem combater; isso seria impossível com “terceirizados”. Aí olhei ao redor e perguntei: ‘Alguém aqui vibra pelas Forças Armadas?’ Silêncio. Perguntei de novo: ‘Alguém, nessa questão, está considerando em primeiro lugar as necessidades dos militares?’ A resposta foi uma risadinha de mulher. Insisti, pois a era coisa muito séria. Mas aí notei que eu era o único militar presente, e eles, se soubessem, não me teriam convidado.
Antigamente, eram três Armas com status de Ministério e assento nas reuniões do Gabinete: o Departamento da Guerra, o Ministério do Ar e o Almirantado. Mas em 1946 o governo meio-comunista de Clement Attlee formou o Ministério da Defesa, que excluía os três comandantes do Gabinete. Em 1964 os comandos se juntaram num QG combinado e o papel dos militares foi novamente diminuído. Aos poucos, a proporção de pessoal civil no Ministério aumentou. Na década de 1980 era um para quatro militares. Sob o pretexto de “eficiência”, “agilidade”, “capacitação gerencial” e outras desculpas do gênero, mais e mais foram admitidos, a tal ponto que hoje, segundo o autor, a proporção é de seis civis para um militar, sem contar “assessores especiais” e as estruturas paralelas junto ao Primeiro Ministro e ao Parlamento, de modo que, em tudo, talvez sejam doze civis para cada militar.
Os militares perderam o controle do seu próprio QG.
Continua: Mas o pior é que os civis mudaram. Antes, muitos haviam lutado na Segunda Guerra ou na Coréia, ou pelo menos prestado serviço militar. Esses respeitavam e compreendiam as FFAA. Hoje, os paisanos acham que elas são coisa do passado. Para eles, a missão do Ministério não é defesa nacional, mas objetivos políticos como a integração européia, as missões da ONU, e a autodissolução das Forças Armadas britânicas na OTAN.
Como vê o leitor, ser milico no Reino Unido (e nos outros países europeus) é duplo sacrifício: o da própria carreira, e o de ser comandado por xeleléus, boiolas e idiotas. Mas aqui entra um outro assunto, muito importante para nós, dos países mais fracos governados pelos fefeleches. Se o leitor se der ao trabalho de consultar os planos estratégicos do Ministério da Defesa britânico verá que a missão das suas Forças Armadas é inteiramente voltada para intervenções pelo mundo afora destinadas a proteger “democracia” e “direitos humanos”, ou seja, políticos e ongues. E como o Reino Unido é parte dum bloco político, seria interessante dar uma olhada nos Strategic Defence Reviews e White Papers divulgados por esse bloco. Aí, sim, será fácil entender que no Brasil, contrariamente ao que dizia o poeta, as aves que aqui gorjeiam, sim, gorjeiam como lá. Mas isso fica para a próxima Inconfidência.
(Antes de terminar, uma nota. Ali atrás eu disse que não há, entre os 31 membros do Gabinete britânico, nenhum que tenha feito serviço militar. Não é bem assim. Há um cara que diz ter “experiência militar”: Geoff Hoon, que passou três anos da sua infância como membro do CCF (Combined Cadet Force), uma organização de escoteiros. Acredite se quiser.)
Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

A VOZ DO DONO – artigo número 11

*A. C. Portinari Greggio

No último artigo, falávamos do projeto do governo, de domesticar as Forças Armadas brasileiras, afastá-las definitivamente da política e transformá-las em obediente instrumento dos políticos e dos ongueiros, os quais, por seu turno, são obedientes instrumentos duma oligarquia internacional cujo projeto de longo prazo é liquidar todos os Estados nacionais soberanos e estabelecer um mundo sem fronteiras, povoado por aglomerados humanos sem identidade, governados por difusa rede de entidades internacionais controladas por burocracias anônimas e inacessíveis.

No mesmo artigo prometemos citar documentos. Para começar, vejamos o ponto central do projeto de domínio mundial da oligarquia. Dizíamos: “Esse projeto utiliza duas ferramentas: a “democracia” e os “direitos humanos”. Quando exige, sob ameaça de intervenção militar, que os países mais fracos se “democratizem” – ou seja, entreguem o poder aos políticos – e respeitem os “direitos humanos” – ou seja, entreguem o poder às ongues – a oligarquia internacional, que patrocina políticos e ongues, põe em cheque a autoridade de Estado, a soberania e a integridade territorial desses países, e assim prepara novos avanços na sua estratégia.”
Confira com o que diz o senhor Richard Haass, presidente do CFR, o Council on Foreign Relations. Que Conselho é esse? A folha corrida do CFR não cabe neste espaço, por isso vamos resumir: todos os presidentes, secretários de Estado e principais governantes dos Estados Unidos, os primeiros ministros e governantes do
Reino Unido, os principais líderes da União Européia, mais uma multidão de gente em todos os órgãos tipo FMI, Banco Mundial, etc., mais outra multidão de intelectuais influentes, todos têm sido, desde a década de 1920, associados do CFR. Se alguém procurasse a sede do fantástico “governo mundial secreto” – o qual, como vimos, não é secreto nem tem centro – não estaria de todo errado se batesse à porta do CFR. Se o leitor quiser tentar, é fácil. O endereço é 58 East 68th Street, na Park Avenue, em Nova Iorque. Mas não espere nenhum antro de conspiradores. É um belo local, no qual o visitante é bem recebido e pode ter acesso às informações desejadas, assinar publicações e até participar de atividades, se tiver suficiente capacitação ou qualificação.

Bem, vejamos o que nos diz o senhor Haas. Num artigo escrito em 2006, intitulado
Soberania e Globalização, explica a doutrina oficial dessa gente toda aí acima enumerada. O mundo, segundo eles, mudou. Em vez de cerca de 190 nações, o mundo agora é governado pelos 190 governos mais grande quantidade de “atores
independentes”, entre os quais as ongues, as multinacionais, as instituições globais e regionais (como a ONU e a OEA, por exemplo), os bancos internacionais, os grupos terroristas e os cartéis do narcotráfico. Os governos, que antigamente governavam, hoje são apenas sócios dessas instituições todas, e têm de aprender a conviver com elas. Essa é a opinião do senhor Haass e seus amigos, para os quais a al-Qa’idah e as FARC são, como vimos, “atores independentes”. Diante disso, continua ele, “novos mecanismos são necessários à governabilidade regional e global. Não estamos propondo que a Microsoft, a Anistia Internacional, ou o banco Goldman Sachs tenham assentos na ONU, mas sim, que representantes dessas entidades sejam incluídos em todas as deliberações regionais e globais acerca de desafios nos quais tenham a capacidade de influir. Além disso, os
países devem preparar-se para entregar parte da sua soberania aos órgãos mundiais, se desejarem que o sistema internacional funcione.”

Entendeu, leitor? Tem mais: “Tudo indica que a soberania deve ser redefinida, se os Estados quiserem dar conta do processo de globalização.”

Até que ponto o senhor Haass e seus amigos querem que os governos abram mão da sua soberania? Sem limites. Veja: “Pode haver necessidade de reduzir ou de eliminar a soberania quando um governo, por falta de capacidade ou por política deliberada, não consiga atender as necessidades básicas dos seus cidadãos.” Ou
seja: carta branca para invadir países que, de acordo com os critérios de Haass & Cia., não atendam às “necessidades básicas do cidadão.” Haass dá mais esclarecimentos: “Nossa noção de soberania deve, portanto, ser condicional, deve ser como um contrato, e não algo absoluto. Se algum governo não cumprir o seu lado do contrato, ou seja, se patrocinar terrorismo, transferir ou usar armas de destruição
em massa, ou praticar genocídio, nesse caso deve perder o benefício da soberania e
sujeitar-se a ser atacado, removido ou ocupado.”

Curiosamente, o CFR nunca se mexeu com relação a Cuba, por exemplo. Mas Haass não é o manda-chuva. É simples conselheiro. Vejamos agora a palavra do presidente Bush, no seu discurso de posse em 2005. Segundo Bush, sua missão não era governar
os Estados Unidos, mas salvar o mundo.

Logo de cara, afirma: “A nossa liberdade depende da liberdade dos outros países. A melhor esperança de paz é a expansão da liberdade em todo o mundo. (…) Portanto, a política dos Estados Unidos é buscar e apoiar o crescimento dos movimentos e instituições democráticas (leia-se ongues, políticos e constituições como a de
1988) em cada nação e cultura (atenção, leitor: nação e cultura; isso enquadra as tribos indígenas de Roraima) com o objetivo maior de acabar com a tirania em nosso mundo.” Em seguida, Bush ressalva que “a América não pretende impor o nosso estilo de governo aos que não o queiram”; logo, o leitor tem de concluir que os iraqueanos querem copiar o estilo americano de governo, caso contrário Bush jamais pisaria lá. Finalmente, Bush dá um recado de encorajamento às ongues, pastorais e outros “atores independentes”: “Encorajaremos as reformas nos outros governos, deixando claro que as suas boas relações conosco exigirão que tratem decentemente os seus próprios povos. (…) Todos os que vivem sem esperança, sob tiranias, saibam
que os Estados Unidos não ignorará a opressão nem perdoará os opressores. Se lutarem por sua liberdade, estaremos do seu lado. Reformadores democráticos, ameaçados de repressão, prisão ou exílio, sabei que a América vos vê como de fato
sois: futuros líderes do vosso país livre.”

Em contradição com a oligarquia americana de hoje, Thomas Jefferson, um dos fundadores dos Estados Unidos, aconselhava: “Nosso lema em política externa deve ser: comércio, paz e amizade com todas as nações, aliança com nenhuma.”

A traição vem de longe. Vejam o que John Kennedy dizia em 1962: “Os americanos devem aprender a pensar intercontinentalmente. Por si só, a América não conseguirá estabelecer justiça no mundo.” Nenhum dos fundadores dos Estados Unidos jamais
afirmara, ou incluíra na Constituição, a absurda idéia de que seu país teria a missão de “estabelecer justiça no mundo.” Em 1961 Kennedy havia publicado, por intermédio do Departamento de Estado, um inacreditável plano mundial de desarmamento no qual propunha a extinção de todas as forças armadas nacionais e o estabelecimento duma polícia mundial controlada pela ONU, encarregada de “manter a paz”, ou seja, de governar o mundo. Isso, no tempo dos Fundadores, teria sido considerado traição, punível com forca ou fuzilamento. Mas Kennedy não fazia senão copiar as palavras de Winston Churchill em 1946, no seu famoso discurso sobre a “Cortina de Ferro”, em que propunha a criação dum exército multinacional sob o comando da ONU, apto a intervir em qualquer local do mundo onde a “paz” fosse ameaçada.

Infelizmente o espaço é limitado, por isso vamos deixar as conclusões – ou seja, o
que, disso tudo, interessa ao Brasil e particularmente às Forças Armadas – para o próximo Inconfidência. E terminar com recente declaração duma líder patriótica francesa, sobre a real natureza do internacionalismo globalista:

“O mundialismo não é outra coisa senão um derivado totalitário do liberalismo. Nele se
reconciliam os internacionalistas de esquerda e os negociantes das multinacionais, à custa da destruição das nações, dos povos e dos trabalhadores do mundo inteiro”.
Quando observamos a atual cúpula governante, toda ela cevada na guerrilha, no
terrorismo e na traição, como agentes pagos de regimes comunistas, em plena promiscuidade com as grandes multinacionais, as ongues e a fina flor da oligarquia mundial, milionários e enturmados no jet set e no mundo das celébritis, não há o que estranhar. Uma mão lava a outra.

* Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

A VERDADEIRA FACE DA ONU – artigo número 12

*A. C. Portinari Greggio
No último artigo falamos da natureza das ongues e da sua ligação umbilical com a ONU. Vejamos agora a estratégia e a tática dessas entidades.
Quando se fala na origem das Nações Unidas e na elaboração da sua Carta – celebrada como se fosse uma nova Lei Áurea mundial – é bom que o leitor tenha em mente a história tal como aconteceu. Os fundamentos e objetivos da ONU já vinham sendo ruminados desde a I Guerra Mundial por grupos de apátridas e cosmopolitas congregados em organizações, das quais a mais notória era o Council on Foreign Relations. Não se iludam: as Nações Unidas nunca foram o coroamento de algum ideal universal, nem surgiram do consenso internacional. Não houve debates entre nações, nem nada de democrático ou participativo no esquema. Praticamente tudo foi elaborado em Washington, DC, num conluio fechado entre Stalin, Roosevelt e Churchill.
A Carta, portanto, foi redigida por funcionários dos governos dos Estados Unidos, da Inglaterra e da União Soviética. Acontece, porém, que quase todos os americanos e britânicos envolvidos no trabalho eram agentes soviéticos infiltrados nos dois governos. Como se deu essa infiltração? Pelos mesmos canais utilizados no Brasil e no resto do mundo: as brechas dos regimes democráticos, a influência das universidades e da intelectualha, a demagogia populista dos políticos, etc. A traição não passava despercebida. O FBI e o Exército americano a vinham monitorando desde a década de 1920, e tentavam alertar seus superiores. Mas eram ignorados ou silenciados para não prejudicar a “causa aliada” durante a II Guerra Mundial.
A verdade só começou a vir à tona após 1947, quando o Exército pôde dar andamento ao projeto Venona, magnífico trabalho de criptografia que decifrou milhares de mensagens soviéticas captadas durante a Guerra e expôs a rede de traidores que, além de entregar a Stalin os segredos diplomáticos, militares e tecnológicos da Inglaterra e dos Estados Unidos – inclusive a bomba atômica –, manobraram a política dos Aliados no pós-Guerra, fazendo que mais da metade da Europa e a maior parte da Ásia caíssem em poder de sanguinárias ditaduras comunistas.
A ONU, portanto, não é nenhum foro neutro de nações, nem muito menos um instrumento de paz mundial. É uma entidade nascida da cumplicidade entre as oligarquias apátridas e cosmopolitas do Ocidente e o comunismo soviético, com o objetivo de usurpar a soberania dos governos, suprimir as identidades dos povos, apagar suas tradições históricas, aplainar suas diferenças e finalmente dissolver as nações do mundo, transformando-as em meras denominações administrativas, governadas por uma oligarquia plutoburocrática, anônima, invisível, não eleita e irresponsável perante os governados.
Como a ONU não pode agir abertamente na surda guerra contra a existência dos seus próprios membros, é natural que empregue intermediários nessa gigantesca operação. É essa a função das ongues. Qual o seu método de operação? Para entendê-lo, vejamos um caso similar de usurpação política, a “democracia direta” utilizada por Fidel Castro para estabelecer a ditadura comunista em Cuba. A técnica consistia em ajuntar periodicamente a multidão na praça e falar diretamente ao “povo”, o qual, com aplausos e refrões gritados em coro, aprovava as propostas do orador. Todos sabiam que não era “povo”; era um ajuntamento de militantes convocados para aquele papel, como “extras” nos estúdios de cinema. Mas funcionava. Tanto, que Fidel está lá até hoje com apoio desse “povo”, o qual pode ser tirado do armário e trazido à praça sempre que necessário. Donde se conclui que, nesses processos, não há necessidade de “povo”; basta arranjar algo que a mídia e o público confundam com “povo”, e pronto, está feita a prestidigitação.
As ongues agem do mesmo modo. Sem que ninguém as tenha nomeado, apresentam-se como representantes da “sociedade” e das suas reivindicações. E a ONU, cúmplice no esquema, transmite aos governos as exigências das ongues como se viessem diretamente dos “povos”. Desse modo, por passe de mágica, a ONU, secundada pelas ongues, assume o papel de intermediária dos povos perante os governos, invertendo as atribuições naturais de cada parte. Em vez dos governos soberanos serem os interlocutores dos seus respectivos povos perante a assembléia da ONU, a ONU age como se fosse a interlocutora dos povos perante os respectivos governos! A usurpação avançou tanto que ninguém estranha quando funcionários da ONU vêm ao Brasil e passam descomposturas nos governantes, criticam leis, condenam políticas, fazem declarações à mídia e invadem sem cerimônia os gabinetes, como se fossem fiscais do Universo em inspeção às províncias subalternas.
Se for verdade, como rezam as constituições, que “o poder emana do povo”, e se a ONU substitui o povo, então falta pouco para trocar a palavra e admitir que “o poder emana da ONU”.
* Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

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