Defesa & Geopolítica

Os treze mandamentos de Sun Tzu

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A “espiomania”  antichinesa tem abrangido um número cada vez maior de países. Os EUA exortam os aliados a intensificar esforços a fim de combater a espionagem econômica de Beijing. No ano passado a Alemanha chegou a qualificar o “Império Celeste” do principal centro de ciberameaças e do rapto de segredos industriais. Na Rússia está sendo processado um espião chinês que recolhia informações sobre o míssil C-300. Mas será que a ameaça seja realmente tão grande?
A atual ciência de espionagem está enraizada fundo na história e, sobretudo, na história da China, pois o maior teórico dos serviços secretos da antiguidade Sun Tzu nasceu precisamente no “Império Celeste”. As informações que temos sobre ele são bastante escassas. Viveu nos séculos VI – IV a.C., era cabo de guerra. Em compensação é amplamente conhecido o seu tratado sobre a arte de guerra “Treze mandamentos”. Este documento é uma prova do elevado nível da diplomacia secreta da China e da existência da inteligência estratégica e tática desenvolvida. Os historiadores explicam que naquela época qualquer falha ou fuga de informação no “Império Celeste”, dilacerado por guerras intestinas, podia acarretar a ruína ou a morte de senhor feudal descuidado. Por isso, para a consciência pragmática dos chineses os fenômenos tais, como o serviço secreto, criptografia, espionagem ou suborno jamais foram um tema proibido.

A julgar por tudo, nos dias de hoje a situação mudou pouco – uma prova disso são numerosas informações da mídia sobre a espionagem chinesa. Quais são as fontes deste “boom de espionagem”? Muitas pessoas, incluindo o politólogo russo Oleg Glazunov, que há dois anos conseguiu sintetizar a informação sobre a inteligência chinesa, tentaram dar resposta a esta pergunta. A conclusão é simples: este serviço de inteligência é o mais numeroso do mundo, pois o princípio básico da sua atividade é o recrutamento de todos os chineses étnicos, independentemente do local da sua residência. Os serviços de inteligência chineses recorrem à estratégia de “espionagem total”. O Ministério da Segurança do Estado chega a estimular com este fim a emigração. Na China acredita-se que seja qual for o local em que os seus cidadãos irão viver, eles continuarão fieis, em primeiro lugar, à sua pátria histórica e poderão ser utilizados.
“Os chineses procuram organizar nas suas empresas a produção do material técnico de guerra que os vizinhos russos não lhes vendem”
, – apontou na entrevista à “Voz da Rússia” o perito em espionagem via internet Andrei Massalovich.
A história da “caça” de armamentos russos por espiões chineses não se restringe a um único episodio ou a uma única arma. Uma das prioridades da China é a copia total de tipos mais perfeitos de armamentos russos – desde o caça Su-33 até os mísseis, porta-aviões e todo o mais. Trata-se realmente da estratégia de um grande país que visa um objetivo bem claro – roubar tudo que for possível e reproduzir nas suas empresas.
Além disso, existem, certamente,  ciberameaças provenientes da China. Os serviços secretos chineses não esquecem os métodos já provados de recolha de informação mas ultimamente têm utilizado cada vez mais ativamente também as tecnologias de ponta. E às vezes um golpe infligido através da Rede Global pode prejudicar tanto quanto um ato de terror.

Todavia, na opinião de peritos, o maior “trunfo” dos serviços secretos chineses é a massividade. Eles mobilizam grandes massas de compatriotas a fim de recolher qualquer informação mais ou menos útil. Os especialistas chegam a comparar os serviços secretos chineses a um aspirador de pó, que absorve tudo.

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