Defesa & Geopolítica

Governo admite estar ”de mãos atadas” diante da ameaça da biopirataria

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O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério de Meio Ambiente e presidente do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), Bráulio Dias, admitiu que o governo está “de mãos atadas” diante da escalada da coleta ilegal de material genético da biodiversidade brasileira, prática conhecida como biopirataria. Na opinião de Dias, a ausência de uma marco regulatório para coibir este ainda incalculável prejuízo aos cofres públicos e ao meio ambiente torna inviável um cerco à biopirataria.

Atualmente, atuação do órgão ambiental federal está limitada à Medida Provisória 2.186, editada há dez anos. E para o executivo, a MP está “cheia de imperfeições”, como, por exemplo, não definir de que forma os royalties podem ser pagos pelas indústrias.

– Esta MP não devia estar mais em vigência. Urge ser substituída por uma lei. A medida tem várias imperfeições que nos impede de combater a biopirataria de maneira adequada. Hoje, trabalhamos com os pedidos que chegam ao CGen, caso a caso. A leitura que fazemos é que o valor que está sendo pago pelas empresas à União está muito baixo. Estamos de mãos atadas. O Peru, por exemplo, estipula royalty de 20% do total do lucro das empresas. Não podemos ser tão restritivos, isso é inviável. Mas pensar em um percentual fixo pode ser interessante.

Bráulio Dias cita o envio de toneladas de plantas chamadas de “sempre-viva” (syngonanthus elegans) todos os anos para a Alemanha como um dos problemas graves a serem enfrentados pelo Brasil. A espécie é endêmica e está ameaçada de extinção. Questionado se um dos gargalos é a falta de profissionais de fiscalização do Ibama, ele respondeu não ter conhecimento de falta de profissionais:
Bráulio Dias acrescenta que muitos pesquisadores não deixam de ter razão quando reclamam que pesquisas acadêmicas sérias estão sendo prejudicadas com a falta de clareza da lei:
– Se somos o país mais rico em biodiversidade do mundo, temos que prover um retorno para a sociedade. A MP é muito burocrática e não cria estímulos para pesquisas. Temos que punir, sim. Mas também estimular.

Fonte: O Globo


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