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Brasil diz para França que negócio dos caças vai demorar meses

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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, recebeu nesta terça-feira a titular de Exteriores da França, Michèle Alliot-Marie, a quem ratificou que a decisão sobre a compra de caças demorará alguns meses.

Na negociação para a compra de 36 caças-bombardeiros para a FAB (Força Aérea Brasileira) concorrem os aviões Rafale, da empresa francesa Dassault, os Super Hornet F/A-18, da americana Boeing, e os Gripen NG, da sueca Saab.

Conforme fontes do Ministério da Defesa, esse foi um dos assuntos tratados nesta terça-feira por Michèle com Jobim, que explicou que, pelos cortes orçamentários anunciados neste mês pelo governo Dilma Rousseff, a operação ficou suspensa.

O orçamento de Defesa para despesas de custeio e investimento deste ano era de R$ 15 bilhões, mas com os cortes ficará em R$ 11 bilhões, por isso que todas as aquisições de material militar serão revisadas.

No caso dos caças, a operação não foi cancelada, mas ficará suspensa.

A ministra francesa reafirmou o interesse de seu país na venda dos Rafale, que eram supostamente os preferidos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que entregou o cargo para Dilma no dia 1º de janeiro.

Durante seu encontro com Jobim, Michèle considerou que a área de defesa é “o coração da sociedade estratégica” entre Brasil e França, que foi selada por Lula e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, no dia 7 de setembro de 2009.

Na reunião em Brasília, Lula e Sarkozy chegaram a anunciar a decisão de transformar o Brasil e a França em “parceiros estratégicos no domínio aeronáutico”.

Também, durante essa visita de Sarkozy, o governo brasileiro informou sua disposição para “iniciar negociações” para a compra dos aviões franceses, embora depois esclarecesse que essa oferta era válida também para Boeing e Saab e que a licitação continuava aberta, como está até hoje.

A decisão final sobre o assunto, segundo o governo, será tomada por Dilma e pelos membros do Conselho de Defesa Nacional, que integram representantes de diversos ministérios.

Fonte: Folha

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Thomas Shannon fala sobre diversos assuntos, incluindo caças e urânio

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Nota do Editor:

O título da matéria foi alterado pelo editor do Plano Brasil.

Uma excelente entrevista feita pela Revista Época que compensa ser conferida na íntegra.

Lucasu.


ÉPOCA – Como o senhor compararia o ex-presidente do Brasil (Lula) à atual? O senhor está feliz com Dilma Rousseff? Quais as diferenças e semelhanças entre os dois no que diz respeito à relação Brasil-EUA?
Thomas Shannon –
A relação Brasil-EUA está numa trajetória positiva, e ela foi muito positiva no governo do ex-presidente Lula. Nos últimos anos, Brasil e EUA avançaram muito ao construir um diálogo estruturado e de qualidade, algo essencial para a relação. Mas o desafio não está necessariamente apenas na relação entre Brasil e EUA. Está no resto mundo. O mundo é muito dinâmico e fluido e, por causa da emergência do Brasil como um importante ator global, nossas relações vêm sendo definidas em termos globais. E é onde está o potencial positivo. Isso significa a oportunidade de firmar parcerias em áreas como segurança alimentar, segurança energética, combate ao crime organizado internacional, e também a possibilidade de trabalhar com o Brasil e influenciar aspectos de como o Brasil entende o mundo, seja no Oriente Médio, na África ou Ásia. E também aprender com as próprias experiências do Brasil sobre como nos envolver com novos atores do mundo, como China, Indonésia, Nigéria, África do Sul, México. O que irá definir nossa relação agora com a presidenta Rousseff não é tanto uma questão de boas intenções, porque elas existem e sempre existiram, mas sim os desafios que ambos enfrentaremos no mundo. Porque está havendo mudanças. Estamos vendo isso agora no Egito e no Oriente Médio. O tipo de parceria que nós começamos a construir de uma forma significativa com o presidente Lula tem que ser acelerada.

ÉPOCA – O Brasil tem tomado uma posição em relação ao Irã muito diferente dos Estados Unidos. O senhor vê uma mudança de rumo agora com a presidenta Dilma?
Shannon –
Há aspectos de continuidade e outros de mudança. Houve mudanças significativas na forma como o Brasil lida com os direitos humanos, principalmente quanto ao Irã, seja em relação ao apedrejamento de Sakineh (Ashtiani) ou, de uma forma mais ampla, à repressão de atividades políticas. A posição da presidente Rousseff tem sido marcante em vários eventos públicos, seja na entrevista que ela deu ao Washington Post ou em seu discurso de posse, em todas as suas declarações, há um claro reconhecimento de que o Brasil é um país democrático com um profundo respeito aos direitos humanos, e que expressará esses valores.

ÉPOCA – E em relação à China? Qual a prioridade da China na agenda Brasil-EUA?
Shannon –
A China é um ator muito importante no mundo e na América do Sul, além de um importante parceiro dos EUA e do Brasil. Ambos Brasil e EUA têm o interesse comum de construir relações positivas com a China, que a permitam inserir-se na economia mundial e no ambiente político de uma forma positiva. Esse é um desafio significativo, dado o tamanho da economia chinesa e sua quantidade das reservas cambiais.

ÉPOCA – E, claro, a taxa de câmbio que mantém essas reservas altas…
Shannon –
A visita do secretário (do Tesouro, Timothy) Geithner foi importante. Ele teve boas conversas com o ministro (Guido) Mantega, (da Fazenda), com o presidente (Alexandre) Tombini, do Banco Central, e, claro, com a presidenta Rousseff. Há uma ampla congruência na forma de pensar (entre Brasil e EUA). Concordamos que a manipulação da moeda para fins comerciais é errada e distorce mercados. E aqueles que arcam com o ônus disso são economias emergentes como a brasileira. Por causa da sua boa gestão econômica, das fortes políticas anti-inflação dos Bancos Centrais e do controle de capital que existe em outros lugares do mundo, elas se tornam um imã para dólares. Isso tem um impacto econômico, como o visto na apreciação do real. O impacto que isso tem na competitividade de bens manufaturados do Brasil é sentido dentro e fora do país.

ÉPOCA – Há um desafio no Brasil: evoluir de uma economia industrial para uma economia baseada no conhecimento e na inovação. Os EUA poderiam ser nossos parceiros nesse desenvolvimento? Como o senhor vê essa questão?
Shannon –
O Brasil tem uma economia muito parecida com a dos EUA. Sempre haverá uma forte base de commodities, como agricultura ou mineração ou petróleo. Sempre haverá um forte setor manufatureiro. Mas também há a capacidade e o potencial para ter um forte setor científico/tecnológico. Podemos formar parcerias muito interessantes. Isso já está se manifestando no comprometimento com a inovação. Temos uma parceria inovadora com apoio do nosso governo, que passa por instituições irmãs no Brasil e nos EUA, como o Conselho de Competitividade dos EUA. Temos reunido alguns de nossos melhores inovadores, que procuram maneiras de transpor os avanços na área de pesquisa científica para o mercado, de uma forma que traga benefícios imediatos para os consumidores, mas também para os produtores. Um dos intercâmbios cientifíco-tecnológicos mais interessantes está na área de biocombustíveis. Estamos compartilhando nosso conhecimento e esforço para produzir a próxima geração de biocombustíveis, feita a partir de alimentos que vão além do milho ou da cana-de-açúcar. Mas também sabemos que precisamos expandir nosso intercâmbio científico-tecnológico para além dos biocombustíveis. Parte disso está acontecendo naturalmente no setor privado. Empresas brasileiras e americanas estão trabalhando juntas, existe um interesse em comum, mas muito mais pode ser feito no plano dos governos para promover melhor cooperação em áreas como saúde pública ou segurança energética, onde possamos trazer experiências e competências brasileiras singulares e de sucesso e reuni-las às especialidades dos EUA, de modo útil para os dois países. Uma das coisas que você verá na visita do presidente Barack Obama será o foco no intercâmbio científico-tecnológico.

ÉPOCA – Quais os principais objetivos dessa visita? Por que Obama vem ao Brasil?
Shannon –
Há várias razões. Primeiro, será sua primeira viagem à América do Sul. Sua primeira parada será o Brasil. Isso é um claro sinal do interesse e respeito americano pelo Brasil, pela presidenta Rousseff e o desejo de reforçar essa emergente parceria global, que será cada vez mais importante à medida que o Brasil consolide sua posição de líder mundial. É um claro reconhecimento de que o Brasil não é só um ator regional, mas sim mundial. Segundo, o desejo de aprofundar e expandir a parceria que os dois países já têm, com um olho no futuro. O terceiro motivo seria o desejo de melhorar nossas relações comerciais e de investimento. Embora os países estejam negociando mais do que nunca em números absolutos, em números relativos tem havido uma queda.

ÉPOCA – A China ultrapassou o EUA como principal parceiro econômico do Brasil.
Shannon –
Nós temos de abordar isso. Nós acreditamos que nossas relações comerciais com o Brasil são importantes e investir nessas relações é também importante. À medida que vemos cada vez mais brasileiros investindo nos EUA, queremos achar formas de encorajar isso. E reforçar que nossa economia e nossas empresas estão se tornando cada vez mais interdependentes, devido à natureza de nosso comércio e de nossos investimentos. Então procuraremos formas de aperfeiçoar essa relação comercial e financeira. Há outro fenômeno interessante: o crescimento conjunto das nossas sociedades e a forma como elas estão conectadas, em novas e diferentes formas. Podemos vê-las por meio do comércio e dos investimentos, pelo nível das universidades, ou pesquisa científica. Algumas você vê acontecendo entre as igrejas, em especial igrejas evangélicas, um movimento social e religioso muito forte aqui no Brasil e nos Estados Unidos. Mas também vemos isso no turismo. O Brasil é o país que mais manda turistas para a Flórida. Era historicamente o Canadá, mas o Brasil tomou o lugar do Canadá. E o impacto que isso traz para a base da economia da Flórida é enorme, não apenas em termos de dinheiro, mas em termos de empregos. E isso vai crescer, especialmente porque classe média brasileira cresce. E não será apenas na Flórida. Os brasileiros vão a Nova York, Las Vegas, Los Angeles, mas, à medida que os brasileiros conhecerem mais os Estados Unidos, irão a mais lugares. E, por causa da Copa do Mundo e das Olimpíadas, mais americanos virão para o Brasil. Isso permite realçar quão importantes são nossas sociedades e quão semelhantes elas são em termos de sua composição, história, compromisso com a democracia e a sociedade aberta.

ÉPOCA – Obama enfrentou grandes desafios internos. Ele obteve sucesso em coisas das quais as pessoas têm muitas dúvidas, como a saúde pública. Mas há coisas em que ele não tocou e que são importantes para o Brasil: aquecimento global e tecnologias verdes. O que o senhor acha que o Brasil representa para essa área? O senhor acha que há alguma chance de, por acaso, os EUA derrubarem as barreiras ao nosso etanol?
Shannon –
O Brasil traz muito para as discussões sobre o meio ambiente quando o chamamos para as negociações internacionais das mudanças do clima. O papel que o Brasil desempenhou nas conferências do clima de Copenhague (em dezembro de 2009) e Cancún (dezembro de 2010) foi positivo. Isso mostra que tipo de ator o Brasil é. É notável a transformação havida aqui em relação às questões ambientais. Quando eu estive no Brasil há 20 anos, muitos brasileiros viam as preocupações ambientais internacionais como uma tentativa de limitar o desenvolvimento do país. De 20 anos para cá, o Brasil percebeu que pode crescer com a economia verde, o que é uma mudança de padrão. E não estou certo se há alguma outra economia do tamanho da brasileira, especialmente entre as economias emergentes, que tenha feito esse tipo de compromisso. É muito animador. O Brasil é um exemplo de que dá para crescer com uma economia verde. E que a economia verde pode ser um ponto de partida para a inovação tecnológica, de que estávamos falando. Podemos fazer muita coisa juntos nisso. Os desafios que o presidente [Obama] tem vivenciado sobre as mudanças climáticas realmente não estão nas nossas negociações externas. Não há consenso suficiente no nosso Congresso para aprovar uma lei de compromissos sobre mudanças climáticas. Mas eu acho que haverá um dia, e o presidente terá sucesso, como teve em outras leis difíceis. É um processo complicado nos Estados Unidos, porque há muitos interesses envolvidos. Há uma oportunidade real para nós, Brasil e Estados Unidos, de trabalharmos juntos nas mudanças climáticas dentro de organizações internacionais. Também há uma oportunidade interessante para as empresas americanas e brasileiras para começar a trabalhar juntas em tecnologias verdes. E, de forma mais ampla, em cidades verdes, jogos verdes, como as Olimpíadas, e caminhos que mostrarão claramente que há uma nova fronteira ambiental da qual todos podem se beneficiar.

ÉPOCA – E esse avanço poderia incluir o fim das barreiras comerciais para alguns de nossos produtos?
Shannon –
Espera-se que sim. Novamente, essa é uma questão complicada no nosso próprio comércio. Uma das áreas de interesse de cooperação e inovação é a busca de meios para ir além das tradicionais matérias-primas para fabricar biocombustíveis, além do milho e da cana. Em alguns aspectos, essa é uma solução para a questão das tarifas. Porque, em última instância, se os biocombustíveis se tornarem uma commodity e vierem a ser a grande parte da matriz energética, eles precisam ser produzidos a partir de outras matérias-primas. Assim, uma crise na cultura do milho ou da cana não provocaria uma crise de energia. Se você for capaz de produzir combustíveis a partir de qualquer outro tipo de vegetal, não ficará sujeito a isso.

ÉPOCA – O governo do Brasil ainda não decidiu de quem vai comprar os caças para renovar sua frota. Há alguns meses, o governo Lula parecia convencido a comprar os caças da França. O senhor ainda tem esperança de que o Brasil compre os caças americanos?
Shannon –
Para mim, a competição ainda está em andamento. Portanto, a Boeing ainda está nela e tem chance como qualquer outro concorrente. Obviamente, sabemos que essa será uma decisão do governo brasileiro e vamos respeitá-la seja ela qual for. A coisa boa é que todos os concorrentes, os franceses, os suecos e nós, somos todos aliados, somos amigos. No final das contas, todos vencemos. Mas, em relação ao que a Boeing está oferecendo, claro que acreditamos que é a melhor oferta. Primeiro, porque é o melhor avião. Segundo, a transferência de tecnologia oferecida é melhor que a das outras empresas. Por causa da natureza extensiva da nossa oferta, e das garantias políticas por parte do nosso Poder Executivo. Isso depende do que o Brasil quer. Obviamente, a compra do F-18 seria uma grande oportunidade para que pudéssemos cooperar em treinamento, tática aérea e tudo o que fazem os pilotos, pois estaremos voando com o mesmo avião. Seria uma grande oportunidade para as Marinhas e Aeronáuticas brasileira e americana cooperarem de diferentes maneiras. Mas é algo que viria depois. Dependeria do que o Brasil quer fazer.

ÉPOCA – O que o senhor quer dizer especificamente com “natureza extensiva”?
Shannon –
Parte disso é a própria transferência de tecnologia e parte é o que chamamos de “offsets”, ou aquilo que a Boeing fará no Brasil e com o Brasil para tornar (sua oferta) mais atraente para o Brasil. Há um ponto interessante que permite que alguns componentes críticos da aeronave sejam produzidos aqui. Isso faz definitivamente do Brasil uma peça-chave da cadeia de suprimentos do F-18. Isso cria uma parceria para a produção do F-18 tal que a Boeing vai precisar do Brasil tanto quanto o Brasil precisará da Boeing. Ao olhar para fora, o pacote oferecido pela Boeing é tão bom quanto o que estamos oferecendo para qualquer outro dos nossos parceiros da área de segurança ao redor do mundo. É algo inédito (neste momento, Shannon usa a palavra em português) em termos de relações de segurança aérea com o Brasil. E é um novo marco em nossas relações. Mas também a outra coisa interessante da Boeing é o perfil da empresa. É a única que é civil e militar, uma companhia de um tamanho enorme. Se a Boeing entrar nesse mercado, vai construir uma parceria duradoura com o Brasil. Um exemplo: a Marinha americana e a Força Aérea americanas fizeram recentemente novos pedidos de F-18. Isso fará do F-18 nossa opção de caça pelas próximas décadas, pelo menos, talvez por mais tempo. Então, o Brasil estaria ligado à produção em larga escala e processo de transferência de tecnologia que não acontecerá de uma vez só. Nós não estamos dizendo: aqui está o avião, aqui está a tecnologia. Nós estaremos voando neste avião por pelo menos duas décadas. E é o melhor avião do mundo. Às vezes, no debate sobre os caças, há algumas questões falsas. Dizem que o Brasil tem de escolher um avião inferior para obter o melhor acordo de transferência de tecnologia. Em outras palavras, vocês estão usando uma decisão de política de defesa para uma questão industrial. Mas vocês podem escolher o melhor avião e trazer um pacote de transferência de tecnologia muito interessante. É isso que a Boeing oferece. Um país grande como é o Brasil, que tem o tipo de espaço aéreo que o Brasil tem de controlar, tanto na terra quanto no mar, precisa de uma aeronave capaz de sobrevoar todo o país, que possa ser lançada de porta-aviões, usada em múltiplas missões e tenha a capacidade de lutar contra qualquer outra aeronave. É obviamente o que o F-18 oferece. Um país como o Brasil não pode se contentar com o segundo melhor. A Boeing ainda é líder em biocombustíveis e o F-18 pode voar com etanol.

ÉPOCA – Os EUA melhoraram as condições de transferência de tecnologia?
Shannon –
O pacote de transferência de tecnologia ficou melhor. Mais recentemente, foi inserida a oferta da Boeing de produzir partes do avião aqui e a transferência de tecnologia.

ÉPOCA – Os EUA estão enfrentando problemas com a imigração, há muitos brasileiros vivendo lá, alguns ilegalmente. Fala-se muito sobre mudança na política em relação ao tema, mas a legislação sobre isso está parada no Congresso. Como o senhor vê essa questão?
Shannon –
O presidente Obama assumiu o compromisso de fazer a reforma da imigração. Há o reconhecimento de que a lei e a estrutura atuais não funcionam e precisa ser modernizada. Isso é parte de um grande debate nos EUA. O debate tende a se mover entre duas correntes. Uma deriva de nossa própria história de imigração, que reconhece nas pessoas que chegaram aos EUA qualidades, talentos e valores importantes para o nosso desenvolvimento – e, portanto, defende que não deveríamos fechar as portas aos imigrantes. A outra corrente vem de nosso compromisso com o cumprimento da lei. Ela traduz uma inquietação profunda de muitos americanos com um sistema de imigração que não consegue administrar a imigração ilegal e com o uso desses imigrantes na economia americana, pois eles desempenham um papel valioso na nossa economia. O que o presidente tentará fazer é engajar o Congresso para superar essa distância. Como manter o compromisso coma lei e o reconhecimento de que, quando alguém para os Estados Unidos deve vir legalmente, deve ser empregado legalmente. E como você conecta isso ao respeito histórico que temos pelos migrantes e o reconhecimento da importância da imigração para nossa economia. Então, nós temos muito trabalho político para fazer. Mas, em relação ao Brasil, agora nós temos um índice de aceitação de emissão de vistos para os EUA de 95%, que é notável..

ÉPOCA – Quanto representa isso em relação a outros países?
Shannon –
É muito, muito alto. E isso significa que a economia brasileira cresce e, com a expansão da classe média, muito poucos brasileiros têm visto motivação para entrar nos EUA de forma ilegal. Primeiro, porque muitos preferem ficar por aqui. O número de brasileiros vivendo nos EUA está crescendo e não é por imigração ilegal. Esse crescimento tem sido movido por brasileiros que vão estudar nas universidades americanas, que vão trabalhar em empresas nos Estados Unidos…

ÉPOCA – …brasileiros investindo nos EUA?
Shannon –
Sim, também. Estamos vendo uma mudança do padrão de imigração de Brasil e EUA para algo semelhante ao que ocorre entre a União Europeia e os EUA. O que eu acho muito positivo
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ÉPOCA – E quantos americanos têm vindo para o Brasil?
Shannon –
Muitos americanos têm vindo para cá, assim como muitos brasileiros têm ido pra lá. Há muitos empresários americanos vindo pra cá à procura de negócios ou possibilidades de investimentos. Mas também isso mudará com o tempo. Especialmente se o Brasil se tornar um grande foco da sociedade americana e as sociedades se conectarem umas as outras. Aí, vamos ver mais americanos aqui.

ÉPOCA – O governo americano tem feito esforços para promover o Brasil nos EUA?
Shannon –
Não especificamente. O governo brasileiro e as embaixadas e consulados do Brasil nos EUA já fazem um bom trabalho nesse sentido. Mas, com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o Brasil aparecerá no radar de muita gente para quem não aparecia antes.

ÉPOCA – Como o senhor vê o envolvimento brasileiro no Oriente Médio?
Shannon –
Primeiro, o interesse é bem-vindo. Segundo, à medida que o Brasil se consolida como um importante ator internacionalmente, é natural expressar interesse e buscar desempenhar um papel maior no Oriente Médio. E a economia e a política são dirigidas pelo comércio. E há interesses econômicos que conectam o Brasil à região, além da população de descendentes de imigrnates da região que vivem no Brasil. Então, eu acho que todas as questões estão empurrando o Brasil na direção do Oriente Médio. E isso é bom. Mas isso é também a razão por que defendo uma melhoria nas estruturas de diálogo. Porque, à medida que o Brasil começa a procurar caminhos para desempenhar um papel, tem de haver um reconhecimento de que esse papel tem de ser desempenhado em coordenação com todas as diferentes partes e interesses. E não somos só nós. Há os árabes, os europeus, os russos. É uma variedade de atores que exige um tipo de diplomacia 24 horas, em você precisa estar conectado todo o tempo.

ÉPOCA – E naturalmente isso se aplicaria também ao caso do Irã, não?
Shannon –
Nós temos diferenças em relação ao Irã. O ponto positivo é que ambos temos uma melhor compreensão dessa questão agora. No caso do Egito, por exemplo, tenho achado a posição brasileira cautelosa, prudente.

ÉPOCA – O que acontecerá no Egito?
Shannon –
Estou esperançoso em alguns aspectos. O Egito tem apresentado uma lição muito importante para o mundo. O povo egípcio encontrou uma maneira de derrubar um líder de modo relativamente não-violento e criou um espaço democrático. Esse espaço, se protegido e usado corretamente, vai gerar um governo moderno.

ÉPOCA – Um modelo de democracia no Oriente Médio?
Shannon –
Não digo um modelo. Deixemos de lado o modelo. Mas certamente teremos um governo que poderá mostrar que é viável fazer uma transição de uma ditadura para uma democracia, sem um dramático colapso social ou violência popular. E, se o Egito puder fazer isso, será extraordinário.

ÉPOCA – O Brasil tem a oportunidade de se tornar um exportador de urânio. Temos o potencial, grandes reservas, estamos a ponto de dominar o ciclo de enriquecimento. Isso lhe parece um risco?
Shannon –
Vejo como um produto natural do sucesso do compromisso brasileiro em relação ao uso pacífico de energia nuclear civil. O Brasil é um parceiro muito confiável em termos nucleares. Assinou tratados como o de Tlateloco. O uso pacífico está na sua Constituição. Tudo isso tornou muito claro como o Brasil vê a energia nuclear. Há muito que podemos fazer juntos, em cooperação. Isso mostra que, à medida que o Brasil aprofunda e desenvolve sua indústria nuclear, ela se tornará atraente para outros países.

ÉPOCA – E sobre o programa do foguete brasileiro, de lançamento de satélites?
Shannon –
Para o país com a capacidade e o tamanho do Brasil, o desenvolvimento de uma tecnologia dessas é natural.


Fonte: Revista Época

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Jobim nega desprestígio com Dilma e diz que vai negociar caças

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O ministro Nelson Jobim (Defesa) negou estar desprestigiado no governo Dilma Rousseff e afirmou nesta segunda-feira que vai participar da compra dos novos caças da FAB (Força Aérea Brasileira).

Ele negou também que o governo brasileiro tenha suspendido a negociação, o que chamou de “invenção” da imprensa.

Segundo a Folha informou no último dia 20, a presidente Dilma decidiu adiar a decisão da compra dos novos caças para o final do ano por causa do aperto fiscal. O governo anunciou corte no Orçamento deste ano de R$ 50 bilhões.

Dilma, também, optou por consultar outras pessoas sobre a negociação, entregando documentos referentes à compra ao ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), seu amigo.

Sobre um suposto mal-estar com Dilma, Jobim disse que essas informação são plantadas por “lobistas” e negou ter mandado recado para a presidente.

“Minha relação com ela está ótima. Se estivesse desprestigiado não estaria aqui [em viagem oficial a Buenos Aires]. Não mando recado, no Rio Grande não é assim.”

O ministro disse que vai se reunir com a presidente, amanhã em Brasília, para tratar de vários assuntos, como a compra dos novos caças da FAB.

Ele também afirmou que desconhece a participação de Fernando Pimentel na negociação, como pediu Dilma. “Perguntei ao Pimentel e ele disse que não foi escolhido e que não recebeu nada.”

Ministro da Defesa de Lula, Jobim continuou no cargo no governo Dilma. Ele está em Buenos Aires para a assinatura de acordos bilaterais com seu equivalente argentino.

Fonte: Folha

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ATUALIZADO:Embraer estuda novo avião militar com parceria da Índia

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A Embraer pode desenvolver, em parceria com a Índia, um avião turboélice de treinamento básico, com o objetivo de atender a potencial demanda das forças aéreas de ambas as nações, afirmou hoje o vice-presidente para o Mercado de Defesa da companhia, Orlando Neto.

A Embraer também espera ganhar em breve um contrato com a Índia para fornecer nove aeronaves multimissão (capazes de atuar em missões variadas, como vigilância, bloqueio eletrônico e de comunicação e transporte de autoridades), revelou o executivo.

A companhia está entre as inúmeras empresas de defesa que participam do evento Aero Índia Show, na esperança de que o país asiático compre mais armas, aeronaves e outros equipamentos para as forças armadas. O orçamento militar da Índia é de US$ 32,150 bilhões no atual ano fiscal até março.

Segundo Neto, a Força Aérea Brasileira (FAB) tem entre 100 e 150 aeronaves turboélice de treinamento fabricadas pela Embraer, que precisarão ser renovados ou substituídas por um avião novo de treinamento em 2018.

“Assim, teremos também um espaço para a substituição. Por isso, há espaço para desenvolver e produzir em parceria um avião de treinamento básico”, disse Neto. “Os dois países podem gastar, provavelmente, o dinheiro de maneira igual e produzir cerca de 100 a 150 aviões, cada um.”

O executivo afirmou que a companhia mantém “discussões contratuais” sobre uma proposta de aquisição do país de nove aviões multimissão. A Embraer ofereceu a plataforma da aeronave Legacy para o negócio. “Estamos na fase final das discussões”, afirmou.

Segundo ele, a Embraer entregará o primeiro de três jatos Embraer 145 que a Índia encomendou no segundo semestre deste ano. As aeronaves serão utilizadas para inteligência, vigilância e missões de reconhecimentos pela Força Aérea da Índia.

A Embraer fechou um contrato de US$ 250 milhões em 2008 para fornecer os três jatos à Índia. Segundo o executivo, os outros dois jatos serão entregues no início de 2012. Neto disse que há a possibilidade de a Embraer exportar 145 aviões equipados com um radar de alerta desenvolvido pela Índia para outros países.

“Nós vemos espaço para as exportações”, destacou o executivo. “Este produto vai atrair a atenção de outras nações na região (da Ásia e Pacífico) e de outros lugares.” As informações são da Dow Jones.

Fonte: Último Segundo

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Câmara aprova acordo de R$ 3 bi para produção de submarino

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A Câmara aprovou nesta quinta-feira (10) acordo entre Brasil e França que prevê transferência de tecnologia para produção de submarinos.

Uma aliança estratégica, fortalecida no governo Lula, levou os países a firmarem em 2009 contrato de cerca de R$ 20 bilhões para a fabricação de helicópteros, submarinos convencionais e um submarino de propulsão nuclear.

A etapa que passou pela Câmara custará em torno em R$ 3 bilhões e ainda será submetida ao Senado. O texto foi aprovado na forma do Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 2912/10, da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

OUTROS NEGÓCIOS

Em seu primeiro mês de mandato, Dilma pediu que o governo reavaliasse programas da Marinha. Para não desequilibrar a situação fiscal do país, Dilma decidiu rever a aquisição de 11 navios para patrulha oceânica, um negócio estimado em R$ 10 bilhões.

Outra novela que se prolonga é a compra de novos caças para integrar a frota da FAB (Força Aérea Brasileira).

Dada como provável durante o governo Lula, a compra do Rafale, caça francês, foi  adiada pela presidente Dilma Rousseff.

Ela decidiu colher mais informações antes de fechar o negócio e chegou a sinalizar que o concorrente americano seria mais vantajoso para o país.

Também pesa contra o pacto Brasília-Paris o momento pouco oportuno, ante o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento. O governo francês se diz confiante  sobre as chances de finalizar a venda.

Fonte: Folha

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IAE/DCTA: avanços em propulsão líquida

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O SAMF – Sistema de Alimentação de Motor Foguete – tem como principal função fornecer propelentes ao motor foguete a propelente líquido nas pressões e vazões necessárias para o correto funcionamento do motor.

O SAMF está sendo desenvolvido pela empresa Orbital Engenharia com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT/Subvenção Econômica da FINEP, em parceria com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), através da Divisão de Propulsão Espacial (APE). Ele irá compor o primeiro foguete brasileiro funcionando exclusivamente com motor foguete a propelente líquido, o VS-15. O VS-15 possibilitará a realização de ensaios em vôo do Motor Foguete a Propelente Líquido L15, a fim de verificar se o motor corresponde às características de projeto.

O SAMF é composto por dois reservatórios de propelentes, um de etanol e outro de oxigênio líquido, e um reservatório de gás pressurizante, todos fabricados em fibra de carbono para redução de massa. Além disso, possui diversas válvulas que fazem o controle do fornecimento dos componentes ao motor e o abastecimento dos reservatórios, e reguladores de pressão que controlam a pressão dos componentes nos reservatórios.

O projeto do SAMF já passou pela revisão de requisitos de sistema (SRR) e pela revisão preliminar de projeto (PDR). O sistema está em fase de fabricação dos modelos de engenharia dos reservatórios e dos reguladores de pressão e aquisição dos componentes com a finalidade de montagem de um modelo de engenharia do sistema completo para realização dos primeiros ensaios funcionais a frio.

Fonte: IAE/DCTA via Panorama Espacial

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Veículo Aéreo Não-Tripulado realiza operação sobre áreas de risco em Teresópolis

http://blstb.msn.com/i/55/C6A9EC911E152FE6E814285F7D733.jpgRio de Janeiro – Durante a Operação Serrana, de apoio ao desastre natural da região serrana do Rio de Janeiro, o veículo aéreo não-tripulado – VANT LANU – do Instituto Militar de Engenharia (IME), realizou, no dia 16 de janeiro, um voo sobre uma área de risco em Teresópolis (RJ), em apoio a uma operação de busca do 16º Grupo de Bombeiros Militar (16º GBM). Apesar das precárias condições metereológicas apresentadas na região, a equipe do IME segue no apoio às operações do Corpo de Bombeiros e novos voos do VANT serão realizados.

No dia 17 de janeiro, foi realizado um reconhecimento em áreas críticas indicadas pelo comando do 16º GBM, oportunidade em que os componentes eletrônicos do VANT foram embarcados em um Helicóptero Pantera, do 1º Esquadrão do Comando de Aviação do Exército, que realizou o sobrevoo na região e registrou as imagens necessárias à solicitação dos Bombeiros.

As imagens capturadas pelo equipe do IME servirão, também, para a realização de atualizações em cartas e mapas da região, uma vez que o relevo da área atingida pelas chuvas foi alterado em virtude das enchentes, das avalanches e, provavelmente, os rios podem ter sofrido mudanças no seu curso.

http://www.nominuto.com/_resources/files/_modules/news/news_18512_big_20090129203427ea43.jpg

O VANT LANU tem um raio de navegação de 10 Km e autonomia de voo de mais de 1 hora, podendo filmar, fotografar e transmitir imagens. Seu uso é melhor aproveitado se a aeronave realizar voo de até 400 metros de altura. Opera apoiado por uma Central de Navegação Inercial (GPS) que acompanha, recebe e transmite as imagens em tempo real.

Fonte: Noticiário do Exército

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WikiLeaks põe Brasil na rota da droga

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Para a diplomacia americana, o Brasil é peça central na rota do tráfico de drogas no mundo, segundo uma série de telegramas enviados de diversas embaixadas dos EUA e vazados pelo WikiLeaks. Os documentos ainda mostram como o Itamaraty estaria “preocupado” com a “conexão entre o governo boliviano e os produtores de coca” e revela dados alarmantes sobre o volume do tráfico entre Bolívia e Brasil.

O Estado mostrou ontem como a droga que sai do Brasil estaria ajudando a financiar as atividades da Al-Qaeda no Magreb. Agora, os telegramas indicam que as rotas são ainda mais complexas e o Brasil, para muitos traficantes, tornou-se o caminho para permitir que a droga chegue à Europa, EUA e Ásia.

Uma das preocupações centrais dos americanos refere-se ao governo do boliviano Evo Morales. Os documentos mostram um debate que chegou a contaminar a eleição presidencial brasileira: o suposto envolvimento de autoridades no tráfico.

Em um telegrama de 19 de fevereiro, o governo americano diz que o Itamaraty vê com grande preocupação a relação entre o governo boliviano e os produtores de coca. Em uma reunião entre o embaixador americano no País, Thomas Shannon, e a subsecretária de Política da chancelaria, Vera Machado, a brasileira não esconde o temor.

“(Vera) Machado acredita que a situação na Bolívia se estabilizou, mas se mantém preocupada sobre as conexões entre o governo e os produtores de coca”, registra Shannon. “Ela (Vera) admitiu a ameaça para a região do tráfico de drogas, mas identificou como principal fonte o problema do consumo nos países ricos”, disse.

Telegramas da Embaixada dos EUA em La Paz dão uma demonstração de como o Brasil de fato tem motivos para estar preocupado. Em 17 de dezembro de 2009, um telegrama estima em 175 o número de aviões suspeitos de carregar cocaína que cruzaram a fronteira entre Bolívia e Brasil em apenas dois meses.

Autoridades americanas teriam traçado um cenário sombrio a diplomatas americanos: “A falta de controle sobre seu espaço aéreo resulta em praticamente uma liberdade total para o narcotráfico.”

Mas, em outro telegrama, de julho de 2010, o presidente do Senado boliviano, Oscar Ortíz, prefere colocar a culpa no Brasil. Em conversa com o embaixador Shannon, Ortíz “lamentou o aumento do tráfico de drogas e o fato de brasileiros e a União Europeia tolerarem isso”.

Via Maputo. Mas não é apenas a droga direcionada à Europa que passa pelo Brasil. Em um telegrama de 16 de novembro de 2009, a embaixada americana da capital moçambicana, Maputo, informa Washington como “a rota principal para a cocaína por via aérea que chega em Maputo vem do Brasil”.

Segundo a informação, a queda no volume de droga confiscada no aeroporto de Maputo nos últimos meses não seria motivada pela redução do tráfico, mas pelo aumento do controle da polícia e das autoridades de imigração. “Domingos Tivane, o diretor da Aduana, está diretamente envolvido em facilitar o transporte da droga”, acusa o telegrama americano.

Parte importante do tráfico seria feito pelo empresário Mohamed Bashir Suleiman, que usaria ainda o porto de Dubai e contêineres com televisão e mesmo carros para esconder a droga. Segundo os americanos, ele teria conexões na Somália, Paquistão, América Latina e Portugal.

O telegrama ainda revela que Suleiman “tem uma relação próxima com o ex-presidente de Moçambique Joaquim Chissano e o atual presidente, Armando Guebuza”. “A corrupção endêmica em Moçambique leva a uma situação em que traficantes de drogas têm acesso livre ao país”, aponta o telegrama.

Ainda de acordo com o documento, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) – movimento histórico que libertou Moçambique do colonialismo português – “esconde o nível de corrupção da imprensa e da comunidade internacional”.

Fonte: Estadão

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Brasil História

OEA condena Brasil por mortes na Guerrilha do Araguaia

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A Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil por não ter punido os responsáveis pelas mortes e desaparecimentos ocorridos na Guerrilha do Araguaia e determinou que sejam feitos todos os esforços para localizar os corpos dos desaparecidos. O Tribunal concluiu que o Estado brasileiro é responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas, ocorrido entre 1972 e 1974.

Em uma sentença divulgada hoje, a Corte considerou que as disposições da Lei de Anistia brasileira não podem impedir a investigação e a sanção de graves violações de direitos humanos. Para ela, “as disposições da lei são incompatíveis com a Convenção Americana, carecem de efeitos jurídicos e não podem seguir representando um obstáculo para a investigação dos fatos do presente caso, nem para a identificação e punição dos responsáveis”.

A decisão, embora refira-se à Guerrilha do Araguaia, extrapola para outros casos quando a sentença diz que as disposições da lei “tampouco podem ter igual ou semelhante impacto a respeito de outros casos de graves violações de direitos humanos”. Este entendimento derruba a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou que a Lei da Anistia, de 1979, também beneficia os agentes do Estado que praticaram torturas e assassinatos.

A sentença da Corte Interamericana foi provocada por três ONGs brasileiras – Centro Pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL), Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro (GTNM-RJ) e Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo (CFMDP-SP) – que protestaram em nome dos familiares dos mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia.

A decisão dos sete juízes estrangeiros e o juiz ad hoc (determinado) brasileiro determina ao Estado brasileiro “a investigação penal dos fatos do presente caso (Guerrilha do Araguaia) a fim de esclarecê-los, determinar as correspondentes responsabilidades penais” e punir criminalmente os responsáveis. Manda ainda o “Estado realizar todos os esforços para determinar o paradeiro das vítimas desaparecidas e, se for o caso, identificar e entregar os restos mortais a seus familiares”. Também dispõe que “o Estado preste atendimento médico e psicológico ou psiquiátrico”, às vítimas que o solicitem.

Nas 126 páginas da decisão, há determinações que certamente criarão constrangimentos, como a realização de um “ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional, em relação aos fatos do presente caso, referindo-se às violações estabelecidas na presente Sentença”. Neste ato, segundo a decisão, devem estar presentes “altas autoridades nacionais e as vítimas do presente caso”. Outra determinação é a da implementação em um prazo razoável de “um programa ou curso permanente e obrigatório sobre direitos humanos, dirigido a todos os níveis hierárquicos das Forças Armadas”.

Legislação

Na área da legislação, a corte determina que se adote “as medidas que sejam necessárias para tipificar o delito de desaparecimento forçado de pessoas, em conformidade com os parâmetros interamericanos”. Estipula ainda que não adianta apenas apresentar o projeto de lei, mas também “assegurar sua pronta sanção e entrada em vigor”.

A decisão determinou ainda que o Estado pague US$ 3 mil dólares para cada família a título de indenização pelas despesas com as buscas dos desaparecidos. Estipulou também indenização a titulo de dano imaterial de US$ 45.000,00 a cada familiar direto e de US$ 15.000,00 para cada familiar não direto, considerados vítimas no presente caso. Determina também o pagamento pelo Estado de US$ 45 mil para as três ONGs, cabendo a maior parcela de US$ 35 mil para o Centro pela Justiça e o Direito Internacional, pelos gastos tidos até hoje com o caso.

Fonte: Estadão

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Tecnologia

Avião construído pela UFMG vai tentar quebrar novo recorde

Aeronave destinada à quebra de recordes é projetada e construída pela UFMG (Foto: Paulo Iscold)

Segundo universidade, aeronave quebrou três recordes nesta quarta (1º).
Juízes representam a Federação Aeronáutica Internacional (FAI).

 

Um avião projetado pelo Centro de Estudos Aeronáuticos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai tentar quebrar o recorde de velocidade em três quilômetros, nesta quinta-feira (2), em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Na quarta-feira (1º), a aeronave superou os recordes de velocidade em 15 e 100 quilômetros e tempo de subida até três mil metros, durante uma demonstração realizada no Aeroporto Regional da Zona da Mata.

De acordo com a UFMG, em 15 quilômetros o avião alcançou 329 km/h. O antigo recorde era de 292 km/h. Em 100 quilômetros, o modelo chegou a 326 km/h; a marca anterior era de 297 km/h. A aeronave demorou cerca de 10 minutos para atingir três mil metros de altura. Aproximadamente três minutos a menos que o recorde anterior.

Dois representantes da Federação Aeronáutica Internacional (FAI) foram responsáveis por julgar a demonstração, segundo a UFMG. Um deles é oficial da National Aeronautic Association (NAA), nos Estados Unidos. O outro pertence à Comissão Aerodesportiva Brasileira (CAB), de acordo com a universidade.

A universidade já produziu 10 aviões-conceito destinados à quebra de recordes. Segundo a UFMG, a instituição é a única no Brasil a projetar e construir esse tipo de aeronave.

Fonte: G1