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Os militares dos EUA já governam o seu país?

Charge do Izânio, reproduzida de Altos Humor

Autor- Peter de Mambla (PdM) para  Plano Brasil.

Tradução e edição- E.M.Pinto

 

O mundo foi lança em uma tremenda confusão enquanto todos tentam chegar a um acordo com o significado e a implicação da presidência Trump. De repente, todas as verdades estabelecidas na ordem mundial pós-Segunda Guerra Mundial parecem como se estivessem prestes a ser surpreendidas pelos vendavais do tornado Trump. A OTAN tem futuro? Será que a importantíssima Aliança Transatlântica será dividida? A América decidiu abandonar seu histórico papel de liderança para se concentrar e retornar ao isolacionismo? O que está acontecendo? E quais são as implicações para o Brasil?

Uma melhor compreensão do que está acontecendo pode ser obtida olhando por trás das cortinas e olhando nos bastidores para ver o que realmente está a se passar. Ou, mais realisticamente, dada a falta de acesso, pode-se procurar fazer suposições com base nas pistas disponíveis.

Uma coisa que se tornou particularmente evidente desde a presidência de Donald Trump é a ideia ou a percepção de que existe um estado profundo que opera em segundo plano, independentemente de qual administração está no poder. É a burocracia militar e de inteligência permanente que detém muito poder nos bastidores sobre a direção a qual o país tomará. Um dos exemplos mais óbvios de um estado profundo em ação foi visto na rede Ergenekon na Turquia, que detinha um poder significativo ao longo de muitas décadas.

Mas o que está se tornando evidente, especialmente desde a presidência de Trump, é que o estado profundo não é monolítico e é constituído por diferentes facções. Seria ingênuo acreditar que Trump é apenas um indivíduo que simplesmente se tornou presidente em vez de alguém com uma sofisticada rede de apoio de estado profundo que o apoia e protege. Esta rede pode inclusive ter  agido em coordenação com os russos para alavancar sua eficácia.

A rede mais conservadora e estabelecida pode ser assumida como tendo prevalecido desde o período do pós-Segunda Guerra Mundial até a queda do comunismo e o início do momento unipolar americano. Essa facção representa basicamente o establishment anglo-americano, manifestado em organizações como o Conselho de Relações Exteriores, a Comissão Trilateral e o Grupo Bilderberg. Tem-se a impressão de que havia um amplo consenso entre as elites dominantes ocidentais sobre a direção geral que deveria ser tomada durante a Guerra Fria, apesar de exemplos óbvios de lutas internas entre facções, como ficou evidente com o assassinato do presidente John F. Kennedy.

No entanto, após o fim da Guerra Fria, uma nova facção procurou explorar o momento unipolar da América e colocou a América em um rumo diferente. Essa era a facção neoconservadora, fundada por antigos trotskistas que estavam dispostos a reformular a ordem mundial através da força militar, dado que a União Soviética não mais se interpunha no caminho.

Eles procuraram se concentrar particularmente no uso do poder militar americano para eliminar ou neutralizar os inimigos de da única democracia do Oriente Médio de uma vez por todas. Eles foram bem-sucedidos nesse empreendimento, embora nunca tenham tido a chance de lidar adequadamente com o Irã. O general Wesley Clark, antigo Comandante Supremo Aliado da OTAN Europa, notoriamente revelou o plano dos neoconservadores de destruir sete países do Oriente Médio e Norte da África no espaço de cinco anos.

Antes que os neoconservadores pudessem eliminar seu alvo mais importante, o Irã, a facção mais dominante mencionada acima conseguiu o controle executivo do governo. Essa luta nos bastidores foi destacada no incidente de 2007 envolvendo um bombardeiro B-52  armado ilegalmente com seis mísseis de cruzeiro com armas nucleares que tentaram fazer um vôo não autorizado para o Oriente Médio a partir da Base Aérea de Minot antes de serem detidos a tempo Base da Força Aérea de Barksdale ( Clique para saber mais sobre este incidente   numa matéria do Washington Post).

O incidente foi evidentemente apresentado como uma espécie de acidente inocente, mas representou a última tentativa desesperada dos neoconservadores de acabar com o Irã por meio de um ataque furtivo. Deste ponto em diante, a presidência de Bush era um “pato manco”, apenas mantendo o poder formalmente, até que a facção principal confirmou seu retorno ao poder através da presidência de Obama.

Enquanto os neoconservadores se concentravam na reorganização do Oriente Médio, a Rússia usava esse tempo para estabilizar-se durante a primeira presidência de Putin e a China continuou calmamente seu crescimento meteórico. Em 2008, a Rússia estava preparada para não recuar contra os Estados Unidos na Guerra Russo-Georgiana, com Putin sinalizando a intenção da Rússia de desafiar a ordem mundial unipolar em seu discurso em Munique em 2007.

Não há dúvida de que a facção dominante do establishment anglo-americano estava exasperada com as ações dos neoconservadores, que permitiram que o espaço vital da Rússia se recuperasse a um ponto em que pudessem novamente desafiar os Estados Unidos. Em vez das divisões de tanques que os neoconservadores teriam preferido, o Oriente Médio continuaria a ser reformado, mas desta vez com uma pegada mais leve, confiando mais em forças especiais, drones e a Primavera Árabe, uma forma mais violenta de “revolução colorida” pautada no uso de terroristas islâmicos para desestabilizar os alvos.

Os países seriam, naturalmente, trazidos à Rússia e à China, dois países que têm a capacidade de desafiar a ordem mundial unipolar dos EUA. A Rússia seria desestabilizada através da Ucrânia e haveria um pivô geral americano em direção à Ásia para conter a ascensão da China.

… E então Trump apareceu e tudo foi jogado no caos. Ambas as facções conservadora e neoconservadora são fáceis de identificar e é relativamente fácil identificar seus objetivos mais amplos. Mas é muito difícil identificar quem ou o que está por trás de Trump.

Que existe uma facção do estado profundo, bem como poderosos interesses por trás dele, há poucas dúvidas. Um “reles mortal” não se torna simplesmente um presidente dos Estados Unidos exatamente assim. Mas essas forças facilitadoras estão muito na sombra e são difíceis de se delinear com clareza. Uma filosofia orientadora que tente explicar o fenômeno Trump, deve inclinar as pessoas primeiro a olharam para Steve Bannon, mas ele não durou muito tempo na administração. Qualquer filósofo que ele tenha oferecido parecia apelar para a tensão isolacionista que sempre existiu na história americana, além de oferecer indícios de nativismo e nacionalismo branco.

Mas, além do embasamento filosófico obscuro de Bannon, parece que ninguém sabe realmente o que Trump vai fazer, ou o que seus atores coadjuvantes pretendem que ele faça. As facções conservadoras e neoconservadoras do estado profundo concentraram-se em dirigir sua fúria contra a Rússia, enfurecidas com o fato de que os russos poderiam ter interferido tão descaradamente em seus processos políticos, parecendo ter se articulado com uma facção para ajudar a eleger Trump.

Quem parece fornecer alguma visão sobre a parte do estado profundo que está por trás de Trump é a figura de Steve Pieczenik. Ele é uma figura significativa na comunidade de inteligência dos EUA, que afirma, entre outras coisas, ter desempenhado um papel significativo na derrubada da União Soviética, além de ajudar a garantir que a África do Sul passasse suavemente da minoria para a maioria após o término do Apartheid.

Durante a administração Obama, ele apareceria na estação de rádio Alex Jones queixando-se do governo Obama e dos neoconservadores, parecendo ser a voz dos generais americanos insatisfeitos com todas as guerras que precisavam combater quando o interesse nacional dos EUA não era a subsequente super-representação de generais recém-aposentados (ou mesmo de um general que atua no caso do Assessor de Segurança Nacional HR McMaster) parece sugerir que os generais pelos quais Pieczenik falou, assumiram o comando do ramo executivo do governo. Na verdade, Pieczenik sugeriu que um golpe silencioso havia sido empreendido por esses generais e suas facções de apoio dentro da comunidade de inteligência dos EUA (obviamente em coordenação com os russos).

Embora possa ser difícil imaginar um golpe militar ocorrendo nos Estados Unidos ( “silencioso” ou “furtivo”, conduzido através de um processo eleitoral, uma tentativa pouco conhecida de conduzir um tipo mais tradicional de golpe foi feita em 1933 contra o Presidente Franklin D. Roosevelt. Conhecido como o Business Plot, os ricos interesses de Wall Street tentaram levar o general aposentado altamente condecorado Smedley Butler para liderar o golpe, mas ele informou as autoridades e deu depoimento ao Congresso.

Qualquer que seja a realidade por trás de Trump, o que está claro é que estamos passando por algumas mudanças muito significativas, com os militares dos EUA parecendo cansados ​​de obedecer às ordens para lutar contra essas intermináveis ​​guerras em nome dos neoconservadores ou da representação de facções de Obama e Clinton. Algumas dessas operações militares poderiam facilmente se tornar nucleares, especialmente quando confrontadas com a Rússia.

O que isso significa para o Brasil?

…é difícil de dizer…

Americanos e europeus assim como muitas outras pessoas não sabem o que isso significa para eles. Curiosamente, o Brasil está em processo de passagem por seu próprio processo de mudança de época, e muitos brasileiros clamam para que os siloviki brasileiros intervenham e assumam o governo. (Os americanos parecem ter mostrado como isso pode ser feito em silêncio.) Com um governo menos ideologicamente hostil aos Estados Unidos, estamos vendo mais cooperação militar mutuamente benéfica, como a compra de obuseiros americanos autopropulsados ​​M109 a preço modesto. A possível compra americana de Super Tucanos brasileiros (o contrato já havia sido adjudicado antes de ser disputado por um licitante rival e suspenso) e a possível compra dos brasileiros de helicópteros de ataque  Bell Cobra, e assim por diante…

Além disso, existe a possibilidade de cooperação espacial entre os dois países. A ordem mundial multipolar significa que o Brasil pode usar as outras potências emergentes para equilibrar a influência e o poder dos Estados Unidos. Isso significa que os americanos estão encorajados a tentar conquistar o Brasil, em vez de agir de maneira arrogante, que procura fortalecer os que considera estar em seu próprio quintal. Isso pode somente ser uma coisa boa…

O Brasil é um país ocidental e, portanto, tem afinidades naturais com os Estados Unidos. Mas o Brasil também é um país em desenvolvimento cujos interesses são mais bem servidos por meio de um mundo multipolar do que unipolar. Não faz sentido atrair a ira dos americanos sendo tão anti-ianque quanto os venezuelanos, já que os americanos ainda têm a capacidade de tornar a vida muito difícil para os que moram em seu próprio quintal. Mas, se o Brasil quiser realizar seu potencial, não há sentido em contentar-se em permanecer indefinidamente como lacaios dos Estados Unidos.

Um equilíbrio delicado terá que ser mantido entre o mundo unipolar existente (mas moribundo), e o emergente mundo multipolar do qual o Brasil pode exercer uma significativa participação. O Brasil está navegando em mar agitado. Pode ser um pouco de conforto saber que todo mundo está navegando nas mesmas águas agitadas. Todo mundo vai ter que segurar firme.


Sobre o Autor- Peter de Mambla é  bacharelado em ciências políticas pela Universidade Monash- Victoria, Austrália. Analista e escritor de assuntos relacionados às políticas e sociais e relações internacionais em sites de notícias dedicados a combater a narrativa da grande mídia em relação à Rússia e ao mundo multipolar.

 

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PdM- A Lei do Equilíbrio do Brasil

Autor- Peter de Mambla (PdM) para  Plano Brasil.

Tradução e edição- E.M.Pinto


O Brasil está passando por um período de significativas mudanças. A confiança na classe política, em primeiro lugar, embora nunca tenha sido elevada, praticamente entrou em colapso. As investigações da Operação Lava-Jato servem apenas para confirmar o que todos já sabiam: que a classe política, na maioria das vezes, não é movida por preocupações nobres pelo bem maior, mas pelo simples desejo de encher seus próprios bolsos. Quando chegou ao poder, O PT de Lula, havia prometido ser diferente. Mas eles acabaram não sendo melhores. Por outro lado, a presidência de Temer não alimenta esperanças, e nesse cenário, há um crescente clamor, pelo menos por setores da direita, por uma intervenção militar. Por tudo isso, a posição do Brasil no mundo multipolar emergente é deveras questionada.

 

O Silovik Brasileiro

Com a queda do comunismo e a dissolução da URSS, a Rússia caiu em um período de caos, onde “gângsteres” dominavam as ruas e poucos sabiam de onde viria o próximo cheque para o pagamento. Os oligarcas que emergiram desse caos se importavam apenas com eles mesmos, em nada se importando com a “Mãe Rússia”.

Por seu lado, o ocidente não queria desperdiçar uma boa oportunidade e se concentrou em “nocautear” a Rússia enquanto a guarda estava aberta. O país diminuído, mas ainda vasto, precisaria, portanto, ser subdividido em cinco ou mais países menores e mais manejáveis, começando pela Chechênia.

Dado que a Rússia sempre foi multi-étnica (existem quase 200 etnias russas), é possível que o país tenha sofrido a mesma experiência que a Jugoslávia, vendo uma sangrenta guerra étnica de todos contra todos.

A comunidade de inteligência militar (o Siloviki em russo) tal como em qualquer outro país, tende a ser o segmento mais patriótico da sociedade e por razões óbvias a Rússia não seria exceção. Vendo o que estava acontecendo com sua amada pátria, os Siloviki russos não estavam preparados para simplesmente ficar de braços cruzados e assistir o país ser destruído e ao concluir que bastava decidiram intervir.

Com  Putin no comando, a ordem foi progressivamente restaurada, com os oligarcas expurgados e a situação no Cáucaso pacificada, dentre muitas outras recuperações, as aposentadorias e os salários do governo retornaram a ser pagos a tempo. Assim, a Rússia foi salva e, no processo surge um contrapeso à ordem mundial unipolar imposta pelos Estados Unidos.

A situação no Brasil é menos dramática, mas tem alguma semelhança. A classe política brasileira é reconhecida pelo público como sendo desesperada, a maioria dos políticos pensam apenas em si mesmos e não no bem público. A educação pública básica encontra-se em um estado abismal (com a notável exceção das escolas dirigidas pelos militares) e a classe média é sobrecarregada pela tributação excessiva, nesse cenário, o governo tem pouco para mostrar em termos de serviços sociais.

Um estado de piora da ilegalidade e da desordem prevalece, com a classe política não querendo ou sendo incapaz de fazer algo a respeito. Consequentemente, tem havido um clamor de segmentos da população para que os militares intervenham da mesma forma que fizeram em 1964.

O establishment militar brasileiro desfruta de alguns dos mais altos níveis de confiança do público no país – muito, muito acima da classe política. Constitucionalmente, as forças armadas são também as principais garantidoras da lei e da ordem. A esse respeito, recentemente o General Mourão advertiu recentemente que, se a atual turbulência política não for resolvida judicialmente, os militares não terão outra escolha a não ser intervir e que já existem planos bem elaborados para essa eventualidade.

Mundo multipolar ou mundo unipolar?

Os siloviki brasileiros podem ser obrigados a intervir para salvar o país, seja em trajes militares, como em 1964, ou sob uma presidência civil pró-militar, como a que poderia ser liderada por exemplo por Jair Bolsonaro.

A intervenção de 1964 foi compreensivelmente coordenada com os americanos, já que ambos compartilhavam do mesmo inimigo, o comunismo da época. Com o colapso da União Soviética e o fim da ordem mundial bipolar, os Estados Unidos avançaram para criar uma ordem mundial unipolar e consolidar sua vitória na Guerra Fria.

Com o poder americano descontrolado causando estragos em todo o mundo em sua busca pela dominação global, especialmente no Oriente Médio, esse mundo unipolar representava uma ameaça para outros países, incluindo o Brasil. Uma ordem mundial multipolar pode, portanto, garantir melhor os interesses do Brasil.

Destaca-se que nesse sentido, a liderança brasileira que mais avançou na posição do Brasil no jovem mundo multipolar foi o PT de Lula e Dilma. Mesmo quando a Guerra Fria recuou da memória, muitos no poder público, e particularmente no Siloviki brasileiro, continuaram a manter sérias reservas em relação ao PT, não confiando que haviam abandonado completamente suas tendências comunistas, mas apenas modificado sua abordagem à luta. 

De fato, o lançamento do Fórum de São Paulo pelo PT após a queda do Muro de Berlim pareceu indicar a determinação de continuar a carregar a chama do socialismo após o fim da União Soviética.

Os militares brasileiros, juntamente com muitos da ala de direita do país, têm uma visão muito obscura sobre as lideranças esquerdistas da venezuelana e de tais esforços de integração regional como a Aliança Bolivariana para os Povos da  América, de Hugo Chávez.

O quintal da América?

Isso levanta a questão sobre o que aconteceria se os Siloviki brasileiros de alguma forma intervissem e tomassem o poder, seja explicitamente enquanto ainda usassem seus uniformes, ou nos bastidores sob uma presidência nominalmente civil liderada por gente como Jair Bolsonaro.

Será que todos os esforços em prol da multipolaridade e da integração regional seriam abandonados em favor da unipolaridade, estabelecendo, assim, o status de um cão de estimação do Tio Sam?

A independência brasileira será melhor garantida por uma ordem mundial multipolar e a aversão dos patriotas brasileiros ao socialismo e ao comunismo precisará ser equilibrada contra a necessidade primordial de multipolaridade. Um consenso emergente entre os pensadores multipolares a respeito da natureza dessa ordem mundial é que ela será de direita em termos de valores sociais e de esquerda em termos de economia.

Assim, a venda de ativos estratégicos como a Petrobras seria impensável para uma liderança brasileira reconhecendo a importância de uma ordem mundial multipolar. O general Gelio Fregapani parece ser um dos Silovik que reflete esse ponto de vista, sendo de direita em termos de valores sociais, mas mais esquerdista quando se trata da economia.

A Rússia parece estar traçando precisamente esse rumo, com um conservadorismo social conspícuo, aliado ao controle governamental de indústrias e campos estrategicamente importantes, como a mídia, o petróleo e o gás. Se o siloviki brasileiro eventualmente for obrigado a intervir de alguma maneira (aberta ou discretamente) para salvar o Brasil, como o Siloviki russo interveio para salvar a Rússia, então um delicado equilíbrio terá que ser alcançado entre se afastar do socialismo e do comunismo sem ao mesmo tempo abandonar a multipolaridade e a integração regional que é uma parte inevitável deste processo. 


Sobre o Autor- Peter de Mambla é  bacharelado em ciências políticas pela Universidade Monash- Victoria, Austrália. Analista e escritor de assuntos relacionados às políticas e sociais e relações internacionais em sites de notícias dedicados a combater a narrativa da grande mídia em relação à Rússia e ao mundo multipolar.

 

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Mostra Submarina do Brasil no Oceano Atlântico Sul

Patrulha do navio da Marinha do Brasil na praia de Ipanema (Reuters)

A história ainda pode pedir ao Brasil que faça sua parte no Atlântico Sul ou na defesa hemisférica.

 

James Holmes

Tradução e adaptação e edição de imagens- E.M.Pinto

 

“Não temos noção da guerra”, confidencia um professor de estratégia da Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro – minha casa, longe de casa desde o mês passado e um algum outro lugar,  desabafa. Como o grande Anthony Bourdain poderia dizer. Diga o quê? As marinhas estão lutando contra forças. Eles existem para duelar naves rivais. Uma marinha que não enfrenta nenhuma perspectiva de guerra é uma força sem propósito ou direção. É sem rumo.

 

Certo?

Bem, não exatamente. A Marinha do Brasil tem mais trabalho a fazer do que pode fazer. Está longe de ser sem propósito. Mas seu trabalho é o trabalho não-combatente em sua maior parte. Isso porque o Brasil tem a sorte de habitar o que os habitantes do Pentágono chamam de ambiente estratégico “permissivo” e não ameaçador. O Atlântico Sul está livre de inimizade de grande poder. Uma marinha superpoderosa amigável, a Marinha dos EUA, fornece uma proteção caso as coisas corram repentinamente.

Por enquanto, de qualquer forma. O cenário estratégico, tal como existe hoje, rege as perspectivas do serviço. A liderança naval deve cultivar o que Robert Kaplan, especialista em geopolítica, denomina “previsão ansiosa” sobre o futuro – e se preparar adequadamente.

Em vez de se unir às marinhas rivais, a Marinha do Brasil há muito se dedica ao dever de polícia. Na verdade, é uma guarda costeira superpoderosa, um serviço de combate cujas principais ocupações consistem em impor a lei doméstica, proteger os recursos naturais offshore de caçadores e ajudar os africanos a suprimir a pirataria.

Concentrar-se no dever policial faz todo o sentido do ponto de vista de Brasília. Se a batalha contra inimigos do alto-mar parecer forçada – se uma Marinha não tem o conceito de guerra, mas não precisa de nenhum – poucos governos perderiam recursos financeiros, materiais e humanos finitos para se prepararem para ela. Resultado: a Marinha do Brasil vive em um universo estratégico e mental diferente da Marinha dos Estados Unidos e de qualquer serviço marítimo que se prepara para a guerra primeiro e executa missões de policiamento sem interferir nos preparativos de guerra.

Países, instituições e indivíduos muitas vezes habitam diferentes mundos mentais. O analista Robert Kagan escreveu uma vez um tratado opinando que os europeus vinham de Vênus enquanto os americanos eram de Marte. Os Estados Unidos, observou Kagan, lideraram a defesa da Europa durante a Guerra Fria. Os europeus passaram a acreditar que a segurança era algo que os outros forneciam. Eles até insistiram que um mundo governado por leis e instituições internacionais havia chegado. Para eles, a história marcial havia terminado. Se a força não tivesse mais uso, fazia sentido desarmar. E assim fizeram, mais ou menos – deixando-se ainda mais dependentes da proteção das superpotências.

Por mais agradável que pareça o ambiente estratégico, os habitantes do Atlântico Sul devem se recusar a sucumbir a tais ilusões. A história ainda pode pedir ao Brasil que faça sua parte no Atlântico Sul ou na defesa hemisférica. Deve se preparar em termos intelectuais e materiais.

A perspectiva de conflito armado é fácil de ignorar em meio a um ambiente tranquilo. Como marinheiros, os marinheiros brasileiros rastreiam flagelos não estatais em vez de enfrentar armadas hostis. Os caçadores furtivos que infestam os pesqueiros nacionais constituem um irritante particular. De fato, a última “guerra” náutica do Brasil foi a “Guerra da Lagosta” contra a França no início dos anos 1960.

A polêmica explodiu depois que pescadores franceses começaram a pescar lagostas espinheladas ao longo da plataforma continental brasileira a cerca de cem milhas náuticas da costa. Brasília montou uma demonstração de força naval ao largo de suas costas e Paris concordou em reduzir a pesca nessa reserva marítima. No entanto, as lembranças da Guerra da Lagosta se prolongam – e colorem a estratégia marítima brasileira à meio século. Eles afirmam o foco da polícia na marinha.

Comandantes brasileiros também se preocupam em proteger os recursos naturais sob o fundo do mar. Como a maioria dos estados costeiros, o Brasil agora reivindica uma zona econômica exclusiva (ZEE) que chega a duzentas milhas náuticas de suas costas. Recentemente, Brasília acrescentou uma porção norte da plataforma continental, que se estende ainda mais para o mar, até o estilo oficial da Amazônia Azul, a extensão marítima da bacia do rio Amazonas.

A liderança agora quer eliminar sua ZEE no sul, incorporando ainda mais território marinho na Amazônia Azul. Isso resulta em muito espaço marítimo para a patrulha da Marinha do Brasil. Nem os desafios da água são todos offshore. De fato, a Marinha do Brasil olha para dentro, para um grau raro entre as marinhas. Não é apenas uma força costeira ou oceânica, mas uma força fluvial com cursos de água interiores distendidos e margens adjacentes para supervisionar. Esta não é uma tarefa pequena.

 

Os rios são geralmente uma bênção. Alfred Thayer Mahan elogiou o rio Mississippi e seus afluentes por colocar o interior da América do Norte em contato com o comércio oceânico. A geografia marítima facilitou o envio de mercadorias de exportação do interior continental para compradores estrangeiros. Mas o Mississippi lamacento é largo e, em geral, amigável à navegação. O rio Amazonas não é o Mississippi. Em alguns lugares, os ziguezagues são tão tortuosos que o rio mal é navegável, mesmo para capitães experientes.

Pior, os marítimos brasileiros relatam que o curso de água da Amazônia tem o hábito perverso de mudar de ano para ano. O terreno de metamorfose causa estragos no tráfego interno. Mas, como o transporte terrestre entre o litoral brasileiro e o interior continua sendo ainda mais tênue, a Marinha atua como o braço humanitário do governo no interior do país. Vasos navais comumente prestam assistência médica, por exemplo. As embarcações da Marinha dos EUA raramente prestam esses serviços em casa, exceto após desastres naturais – depois de um furacão Katrina ou Maria. Para a Marinha do Brasil é uma questão de rotina.

Nem os desafios param com a ZEE, a plataforma continental e as águas internas. Apesar de seu mandato de volta para casa, os marinheiros brasileiros olham para além do seu limite marítimo próximo ao exterior. Mas eles desafiam as expectativas, mesmo quando o fazem. Olha para o mapa. As rotas marítimas que transitam pela região fluem principalmente de norte a sul. Mercadores e navios de guerra navegam entre os portos atlânticos e os oceanos Pacífico ou Índico, contornando o Cabo Horn ou o Cabo da Boa Esperança ao longo do caminho.

Em contraste, o mapa mental dos brasileiros do Atlântico Sul tem uma orientação leste-oeste para ele. Eles olham principalmente para o leste em direção à África, onde os piratas atacam os navios no Golfo da Guiné. O eixo horizontal da estratégia brasileira está em ângulo reto com os padrões de remessa vertical.

É duvidoso que o contágio do banditismo marítimo se espalhe para o oeste através do Oceano Atlântico para afligir a América do Sul. Então, por que – quando a Marinha tem muito o que fazer em casa – Brasília iria ao esforço de atacar a pirataria na sua nascente e longe das costas brasileiras? Múltiplos motivos impulsionam o Brasil, como todas as sociedades. Aceitar a custódia parcial da ordem marítima regional permite que a Marinha do Brasil se destaque como uma força do Atlântico Sul, evitando que corsários distorçam as rotas regionais de navegação – e talvez elevando as taxas de seguro para que as empresas de navegação redirecionem o tráfego comercial da região.

O negócio dos povos de mar é negócio. Suprimir a falta de lei que põe em risco o comércio, o comércio e a extração de recursos representa uma lógica estratégica sólida e ajuda Brasília a consolidar sua imagem como responsável pela segurança do Atlântico Sul. O que não  gostar?

O funcionalismo naval fez algumas escolhas peculiares de projeto de frota, uma vez que se esforça para cumprir seu mandato de impor a soberania, prestar serviços sociais e acabar com a pirataria. Para citar uma, a Marinha e seus mestres políticos consideram os porta-aviões como a pedra angular da estratégia marítima. Brasília recentemente desativou seu  São Paulo, só para fazer um acordo com os líderes britânicos para substituí-lo pelo navio anfíbio aposentado HMS Ocean.

Os comandantes navais brasileiros consideram os  Porta aviões não como navios capitais ou plataformas para atacar praias hostis, mas como campos de pouso itinerantes para policiamento da Amazônia Azul. Eles não são unidades de alto valor em  grupos expedicionários anfíbios. Eles vagam pelo mar sem o acompanhamento familiar de cruzadores, destróieres e submarinos para evitar ataques aéreos, submarinos ou de superfície. Corvetas e pequenos navios afins compõem a maior parte da frota de superfície.

Em suma, grupos de superfície no Atlântico Sul são criaturas diferentes daquelas do Pacífico Ocidental ou Mar Mediterrâneo. É chocante para  nós representantes das marinhas de batalha ver fotos de um Porta Aviões brasileiro com poucos ou nenhum navio de sentinela ao lado para ficar de guarda. Isso é uma frota implorando para ser agredida!

Não me entenda mal: porta-aviões de escala reduzida fazem sentido para o trabalho de policiais. Na verdade, uma flotilha de “navios de controle do mar” semelhantes aos previstos para a Marinha dos Estados Unidos na década de 1970 atenderia melhor às necessidades em tempos de paz da Marinha do Brasil do que os dois gigantes de cinquenta mil que os comandantes navais teriam cobiçado. Com toda a probabilidade, uma hélice de helicópteros ou jatos saltando de vários navios leves dispersos no mar forneceriam uma cobertura geográfica melhor do que uma ala aérea maior operando a partir de um único convés de vôo. Afinal, até o maior convés de vôo só pode estar em um lugar por vez.

E se Brasília não vê necessidade de lutar pelo domínio do Atlântico Sul, então tem pouca necessidade de ter avios maiores do que os da frota da Segunda Guerra Mundial. Por que investir pesadamente em navios de capital quando os menores vão fazer?

Outra idiossincrasia: a liderança naval quer uma flotilha de SSN (nuclear-powered attack subs). Mais uma vez, porém, ele os quer por motivos alheios à Marinha dos EUA. (A Marinha do Brasil terá sorte de embarcar em um barco de ataque em breve. O escândalo tomou conta da presidência brasileira, estrangulou o PIB do país e forçou cortes drásticos no orçamento de defesa. Confira o Netflix para um relato ficcional desse triste caso que os brasileiros estão assistindo.)

Há vantagens em tal aquisição. A propulsão nuclear garante aos SSN uma capacidade de navegação virtualmente ilimitada, permitindo que eles percorram suas áreas de patrulha por meses a fio. Tempos longos na estação explicam o fascínio dos SSN com os navegadores brasileiros. No entanto, ainda não está claro exatamente o que eles esperam que um barco de ataque nuclear faça depois de detectar pesca ilegal, perfuração ou mineração submarina. Se as naves de patrulha são policiais que lotam os cassetetes, então os SSN são soldados de infantaria que brandem machados de batalha para dividir crânios.

Afundar um barco de pesca com torpedos e mísseis anti-navio, armamento típico de submarino, seria um exagero – e um exagero dispendioso.

Em resumo, a Marinha do Brasil anseia navios normalmente destinados à guerra naval convencional – mas anseia por razões excêntricas. Em certo sentido, a Marinha se assemelha à Marinha dos EUA após a Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha imperial foi derrotada, mas nenhum concorrente tomou o seu lugar como ponto focal da estratégia naval norte-americana. Em 1919, o capitão Harry Yarnell brincou dizendo que tentar projetar uma frota sem inimigo a vista é como forjar uma máquina sem saber se seus usuários pretendem fabricar ganchos ou locomotivas.

Em outras palavras, a deriva estratégica prevalece quando um serviço não tem nenhum inimigo para transmitir direção para forçar o projeto e as operações. Mas há um lado positivo no fascínio incomum dos brasileiros com os Porta Aviões e submarinos de alto nível: se a marinha precisar de um conceito de guerra, algumas plataformas necessárias para colocar em prática um conceito bélico já estarão no inventário. A marinha pode e deve experimentar-los, aperfeiçoando a doutrina e as habilidades de batalha, para que não haja mais tempos proibitivos.

Conforme possam. A paz perpétua não chegou mais ao Atlântico Sul do que à Europa sob a proteção militar norte-americana. Na realidade, o Brasil está aproveitando um feriado da história, cortesia da Marinha dos EUA – um parceiro silencioso em sua defesa marítima.

E há justiça nisso: os Estados Unidos optaram livremente pela segurança marítima fornecida pela Marinha Real Britânica durante a maior parte do século XIX e se beneficiaram imensamente da pausa da rivalidade das grandes potências. A república foi capaz de subjugar um continente, travar sua guerra civil e promover uma revolução industrial precisamente porque o domínio naval britânico afastou os impérios predatórios – poupando Washington de colocar em campo uma marinha ou exército caro para defender suas costas e interesses.

Os recursos que poderiam ter entrado em um grande exército permanente foram para o desenvolvimento econômico ou permaneceram em mãos privadas. A indústria floresceu. Mas a lição dos Estados Unidos do século XIX para o Brasil do século XXI é a seguinte: os “feriados” não duram para sempre. Use-os bem.

A supremacia marítima britânica ficou sob pressão em relação ao fim do século XIX. O advento de novas potências industriais – Alemanha, Japão e Estados Unidos – reduziu a vantagem material britânica. E quando um desses competidores, a Alemanha imperial, decidiu construir uma grande frota de batalha pelas Ilhas Britânicas, a liderança em Londres sentiu-se compelida a enviar navios de guerra do Extremo Oriente e do Hemisfério Ocidental.

O protetor externo das Américas começou a se retirar. As repúblicas americanas tinham que prover sua própria defesa ou permanecer indefesas.

A partir da década de 1880, felizmente, os Estados Unidos colocaram as quilhas para sua primeira frota de grandes navios a vapor, blindados. A Marinha dos EUA assumiu o fardo da segurança marítima quando a Marinha Real Britânica recolheu sua Estação Americana e foi para casa para realizar sua corrida armamentista contra a Alemanha. No início do século XX, Washington havia acumulado um excedente de poder naval que lhe permitiu garantir a liberdade náutica no hemisfério ocidental. OS EUA puderam  fazer tudo isso porque Londres lhe dera um feriado da história.

Mas o excedente do poder marítimo dos EUA pode ser perecível, como todas as coisas. A ascensão da China, a dominação russa e diversos desafios da Eurásia agora atraem a atenção, a energia política e os recursos marciais dos EUA para águas e praias distantes. Considerando que o poder marítimo alemão puxou a casa da Marinha Real Britânica, o poder naval norte-americano decanta o poder naval americano fora de casa. Aventuras eurasianas poderiam expor as Américas a novos perigos na ausência de seus protetores navais.

Então, o Brasil, por todos os meios, experimenta com porta-aviões e submarinos nucleares. Você pode precisar deles juntamente com um conceito de como usá-los em combate. A defesa do hemisfério poderia usar um guardião comum sob todas as circunstâncias, não apenas congêneres. Desfrute de Vênus – mas passe algum tempo em Marte.

James Holmes é J. C. Wylie Presidente da Maritime Strategy na Naval War College e co-autor da Red Star no Pacífico (segunda edição em outubro). As opiniões expressas aqui são exclusivamente do próprio autor.

Fonte: The National Interest

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Aviação Brasil Defesa

FAB reúne 700 militares e mais de 20 esquadrões em exercício operacional

Exercício operacional Tápio está acontecendo na Ala 5, em Campo Grande (MS), desde o dia 25
Publicado: 02/05/2018 17:30

Fonte: Ala 5, por Tenente Barbieri
Edição: Agência Força Aérea, por Tenente Gabrielli – Revisão: Cap Oliveira

A Ala 5 sedia, de 25 de abril a 12 de maio, o Exercício Operacional (EXOP) Tápio. Vinte e um esquadrões aéreos das Aviações de Transporte, Caça, Asas Rotativas, Reconhecimento e Busca e Salvamento da Força Aérea Brasileira (FAB) participam do evento, além do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR), da Brigada de Defesa Antiaérea (BDAAE) e seus Grupos Defesa Antiaérea (GDAAE) subordinados, reunindo aproximadamente 700 militares.

O Exercício tem por objetivo adestrar os esquadrões aéreos e unidades de Infantaria do Comando de Preparo (COMPREP) no cumprimento de Ações de Força Aérea em cenário similar ao encontrado em missões de paz da ONU, envolvendo simulações de Busca e Salvamento em Combate, Apoio Aéreo Aproximado, Lançamento de Paraquedistas e Cargas, Reconhecimento Aéreo, Evacuação Aeromédica, entre outras.

Segundo o Coronel Aviador André Luiz Alves Ferreira, codiretor do EXOP, este é o primeiro grande exercício de adestramento realizado após o processo de Reestruturação da FAB. “Ele foi concebido com a finalidade do emprego em conjunto de diversas Ações de Força Aérea e a Ala 5 foi escolhida como sede por seu grande cunho operacional”, ressaltou.

Durante o evento, serão utilizadas diversas aeronaves da FAB, entre elas, o C-130 Hércules, o C-105 Amazonas, o C-95 Bandeirante, o E-99, os caças A-1 AMX e A-29 Super Tucano e os helicópteros H-36 Caracal, AH-2 Sabre e H-60 Black Hawk.

O Comandante da Ala 5 e diretor do Exercício Tápio, Brigadeiro do Ar Augusto Cesar Abreu dos Santos, explica que uma das razões de a Ala 5 sediar o exercício é por se tratar de uma unidade versátil, possuindo capacidade para realizar Busca e Salvamento, Defesa Aérea, Transporte Logístico, atuações em Operações Especiais, entre outros.

“Somos excelência, ainda, na atividade aeromédica, com atendimento pré-hospitalar, tanto em situações complexas, de defesa química, biológica e nuclear, como também em ambiente hostil. O Estado de Mato Grosso do Sul também possui uma meteorologia favorável nesta época do ano e uma área muito significativa por sua localização, contando com o apoio da população local, através de proprietários de fazendas que gentilmente cedem os espaços para que nós possamos fazer esses treinamentos nas áreas rurais, além de contar também com o apoio do Exército, por meio do Comando Militar do Oeste. Todos esses fatores são muito favoráveis para que o evento ocorra em Campo Grande”, finalizou o comandante.

Fonte: Força Aérea Brasileira

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Brasil Geopolítica

Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai abandonam Unasul

A metade das nações integrantes do bloco anti-estadunidense criado há uma década decidem suspender sua participação

Os presidentes de Argentina e Brasil em um encontro recente.
Os presidentes de Argentina e Brasil em um encontro recente. REUTERS

A metade dos países pertencentes à Unasul, o bloco sul-americano criado em 2008 pelo presidente venezuelano Hugo Chávez para contrapor o domínio dos Estados Unidos na região, decidiu suspender sua participação, afirmou um funcionário brasileiro à Reuters na sexta-feira.

Funcionários das outras quatro nações confirmaram a decisão de suspender as atividades da organização que ficou paralisada pelas divergências durante um ano e meio. Os governos de centro-direita que assumiram o poder em vários países da região nos últimos anos melhoraram suas relações com Washington nos últimos anos.

A Unasul foi criada há 10 anos quando o populismo esquerdista defendido pelo falecido líder venezuelano era mais forte na América do Sul. Chávez e outros líderes naquele momento se opuseram à proposta respaldada pelos Estados Unidos de uma Zona de Livre Comércio no continente americano e em seu lugar estabeleceram a Unasul, uma união econômica e política que finalmente serviu para dar a essas nações presença internacional.

A iniciativa também foi uma tentativa de fugir da Organização de Estados Americanos (OEA), com sede em Washington, que os esquerdistas consideravam uma ferramenta para promover a política dos Estados Unidos na América Latina.

Os membros restantes da Unasul são Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Guiana e Suriname. “A Unasul trabalha por consenso, mas as diferenças entre os pontos de vista político e econômico de seus membros são tão grandes que já não é possível funcionar”, disse um diplomata peruano que pediu para não ser identificado, porque não tinha autorização para falar publicamente.

Fonte: El País

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Conflitos Geopolítica História

País foi chamado a ocupar a Áustria

EUA queriam que Brasil assumisse controle sobre a terra natal de Hitler depois do fim da 2.ª Guerra Mundial

Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

06 Junho 2009 |

Um dos mais prestigiados pesquisadores das relações militares entre americanos e brasileiros, o historiador Frank McCann, da Universidade de New Hampshire, revela que o Brasil recusou gestões dos EUA para participar da ocupação aliada da Áustria após a 2ª Guerra (1939-1945).

A sugestão, rejeitada por motivos ainda hoje não esclarecidos, poderia, se aceita, ter modificado substancialmente o papel brasileiro nas relações internacionais no pós-guerra e facilitado o caminho para o País obter a almejada cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, acredita o professor. Ele vai comentar suas pesquisas sobre o assunto no I Seminário de Estudos sobre a Força Expedicionária Brasileira (FEB), dia 15, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ). “O general (Mark) Clark (comandante aliado na Itália) foi mandado para a Áustria como chefe de ocupação e, conhecendo os brasileiros, pensou que seria interessante tê-los”, revela o historiador, autor de Soldados da Pátria – História do Exército Brasileiro 1889-1937 (Companhia das Letras).

“Mas, sem documentos, não posso dizer por que o Brasil não entrou nisso. Não sei até que nível o governo brasileiro foi consultado.” O historiador ainda procura pelos relatórios anuais de atividades do Exército de 1945 e 1946, nos quais espera achar pistas do motivo da recusa. Os volumes são os únicos que não estavam nem na Biblioteca do Exército, nem em seu Arquivo, nem em seu comando, em Brasília. McCann conta que, no imediato pós-guerra, os americanos desmobilizaram rapidamente suas tropas na Europa. Para a ocupação, seria necessário recrutar mais gente, por meio de convocação de cidadãos dos EUA. Os militares que combateram não foram os mesmos que depois ocuparam o território europeu. Nesse panorama, o comando aliado lembrou que, dos 25 mil pracinhas enviados pelo Brasil à Itália, 10 mil, por falta de tempo para receber o treinamento, não entraram em combate – tinham passado o tempo no ciclo de instrução preparatória. No fim do confronto, foram consideradas tropas “descansadas”, logo, prontas para participar da ocupação.

“Durante a guerra, uma divisão não era grande coisa, mas, como os EUA se desmobilizaram muito rapidamente, uma divisão brasileira na Europa após a guerra teria sido, sim, grande coisa, de fato”, diz ele. A Áustria teve importância central no conflito. Remanescente do Sacro Império Romano Germânico e do Império Austro-Húngaro sob a Dinastia Habsburgo, além de terra natal do ditador nazista Adolf Hitler, o país foi anexado pelos alemães em 1938, como parte da tentativa de construir a “Grande Alemanha” sob o 3.° Reich. Após a 2ª Guerra, foi dividida entre EUA, Grã-Bretanha e URSS, que permitiram que os austríacos formassem um governo provisório. Os aliados estabeleceram que o país seria separado da Alemanha e não poderia aderir a tratados militares, o que a levou à neutralidade na Guerra Fria. Em 1955, sua ocupação foi suspensa.

O pesquisador relata ainda que o diplomata Vasco Leitão da Cunha ouviu, em Roma, que o general britânico Harold Alexander teria dito: “O brasileiro é um belo soldado. Lamento saber que eles querem voltar para casa e não ir para a Áustria.” Leitão da Cunha, relata, telegrafou para o Itamaraty dizendo que “o Brasil tinha de ficar”, ouvindo como resposta: “Isso é cavação deles para ganhar ouro.” O Brasil temeria pagar despesas da ocupação. McCann diz ainda que o comandante do 4º Corpo do 5º Exército dos EUA, do qual a FEB era parte, general Willis Crittenberger, consultou o então coronel Castello Branco (que, em 1964, seria o primeiro presidente do regime militar) sobre a possibilidade de o Brasil participar da ocupação da Itália, em 10 de maio de 1945 – pouco depois do Dia da Vitória, quando a Alemanha se rendeu.

“Castello disse algo sobre o Brasil não participar do conselho aliado para governar a Itália, então não deveria ter tropas envolvidas”, diz. “Acho que, se o Brasil tivesse participado da ocupação, teria ganho o assento no novo Conselho de Segurança e no pós-guerra teria tido um status muito, muito maior.” ENCONTRO O I Seminário de Estudos sobre a FEB será promovido pelos Programas de Pós-Graduação em História Social das universidades federais do Rio de Janeiro e de Londrina e terá dez sessões temáticas. Além de McCann, participarão do encontro os pesquisadores Celso Castro, da Fundação Getúlio Vargas, José Murilo de Carvalho, da UFRJ, e Vagner Camilo, da Universidade Federal Fluminense, entre outros. O evento será no IFCS/UFRJ,no Largo de São Francisco, 1, no Centro do Rio.

Fonte: Estadão

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América Latina Brasil Economia Geopolítica

Banco Mundial: Brasil e Argentina puxarão crescimento econômico da América Latina e Caribe em 2018

Gerardo Pesantez/Banco Mundial
Trabalhadores no Canal do Panamá, que está a ser aumentado.
Relatório semestral do economista-chefe para a região também discute os benefícios de reorganizar as contas fiscais; gastos ineficientes e improdutivos devem se tornar o foco das reformas.

O Banco Mundial divulgou esta semana, em Washington, que o Brasil e a Argentina devem puxar o crescimento econômico da América Latina e do Caribe neste ano. A previsão para o Brasil é de 2,4% em 2018 e de 2,5% em 2019. A Argentina deverá expandir 2,7% e 2,8%, respectivamente.

Em seu relatório semestral, o economista-chefe para a América Latina e o Caribe, Carlos Végh, estima que a região deve crescer 1,8% em 2018 e 2,3% em 2019. Em 2017, a expansão foi de 1,1%.

Ambiente positivo

Por trás desses números, está um ambiente externo positivo, que inclui aumentos nos preços das commodities e crescimento nos Estados Unidos e na China. No entanto, muitos países apresentam uma situação fiscal delicada após anos de pouco crescimento.

Trinta e um dos 32 países da América Latina e Caribe registraram déficit fiscal em 2017. Além disso, a dívida pública da região é de 57,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

O estudo defende que, nesta fase de retomada, é importante fortalecer as contas fiscais para promover um crescimento inclusivo e de longo prazo. Reorganizar as contas também ajuda a manter conquistas das últimas décadas, como inflação baixa, redução da pobreza e da desigualdade.

Reformas

Segundo o relatório, gastos ineficientes e improdutivos devem se tornar o foco das reformas. Esses ajustes também devem ser graduais e não se concentrar em cortar o investimento público ou as transferências sociais.

Entre os países que já começaram esse movimento, estão Argentina, Colômbia, El Salvador, Equador, México, Panamá e Uruguai.

O lançamento do estudo ocorreu em meio às reuniões de primavera do Banco Mundial com o Fundo Monetário Internacional, que vão até domingo.

 

Apresentação: Mariana Ceratti, de Washington, para a ONU News

*Reportagem do Banco Mundial Brasil

Fonte: UN NEWS

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Geopolítica Negócios e serviços

Senado aprova acordo de 'céus abertos' com os EUA

Acordo estabelece que abertura ou fechamento de novas rotas áreas entre os dois países passarão a ser livres

Julia Lindner e Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

07 Março 2018 | 17h57
Atualizado 07 Março 2018 | 18h37

O Senado aprovou nesta quarta-feira, 7, projeto que ratifica acordo de céus abertos entre Brasil e Estados Unidos, firmado em 2011 entre os ex-presidentes Dilma Rousseff (PT) e Barack Obama. Aprovada em votação simbólica, a proposta segue agora para promulgação.

Avião
Relator da matéria avaliou que o ato internacional está em conformidade com a tradição de cooperação bilateral no setor de transportes aéreos entre os dois países. Foto: Pixabay

O acordo estabelece que abertura ou fechamento de novas rotas áreas entre Brasil e Estados Unidos passarão a ser livres, de acordo com a decisão das empresas. Ou seja, não haverá mais o limite atual de 301 voos semanais. As companhias estadunidenses, porém, continuam proibidas de operar voos domésticos no Brasil, e vice-versa.

 Relator da matéria no Senado, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) avaliou, em seu parecer, que o ato internacional está em conformidade com a tradição de cooperação bilateral no setor de transportes aéreos entre os dois países.

“O tratado em apreciação visa ampliar a estrutura jurídica atinente aos serviços de transporte aéreo entre as partes para facilitar a continuação dessa relação mutuamente benéfica. Nesse sentido, convém destacar, também, que os maiores favorecidos do acordo serão os usuários do transporte público por aeronaves de passageiros, bagagem, carga e mala postal. Essa circunstância há de, por si só, incrementar a economia, o comércio e o turismo entre as partes”, avaliou Anastasia.

Embora o acordo tenha sido firmado pela ex-presidente Dilma, o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), pediu o adiamento da votação na semana passada alegando que não havia consenso na bancada.

“Eu sei que isso começou a ser aprovado ainda no governo da presidenta Dilma Rousseff, só que, na nossa bancada, não há consenso. Eu tenho uma posição contrária a esse projeto. Eu acho que vai criar uma assimetria grande, vai prejudicar as empresas nacionais, nós estamos sendo vítimas de um processo de desnacionalização gigantesco”, declarou o senador petista na quinta-feira, 1º.

Alguns dos artigos do acordo já estavam em vigor, em razão de um memorando de entendimento entre os dois países. Entre eles, os que estabelecem regime de preços livres e criação de novos itinerários e oferta de codeshare.

Acordo de codeshare é um acordo de cooperação pelo qual duas companhias compartilham o mesmo voo, os mesmos padrões de serviço e mesmos canais de venda. Por meio dele, uma companhia pode transportar passageiros cujos bilhetes tenham sido emitidos por outra.

Mercado. A aprovação do acordo de Céus Abertos pode elevar em até 47% o número total de passageiros em rotas internacionais com origem ou destino no Brasil. Essa é a projeção da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), de acordo com informações do Movimento Brasileiro pelos Céus Abertos.

Em nota, o movimento afirma que o acordo “retira as restrições e burocracias que impendem um maior número de voos internacionais entre os dois países, que sem o Céus Abertos é de apenas 301 voos semanais”.

De acordo com a entidade, a cada mil habitantes brasileiros são realizadas 26 viagens aos Estados Unidos, muito embora os destinos mais visitados por brasileiros sejam no país norte-americano, segundo levantamento da Expedia. Em outros países onde o acordo já foi implementado esse número é de cerca de 53 viagens.

Doug Parker, CEO da American Airlines, lembra que a companhia defende a aprovação deste tipo de acordo há muito tempo. “Os acordos de Céus Abertos comprovadamente resultam em um aumento das opções de voos e aumento da competição, levando a benefícios para consumidores e impactando positivamente no crescimento econômico dos países signatários. A American aplaude a decisão do Congresso brasileiro de aprovar este acordo de Céus Abertos com os Estados Unidos, abrindo o caminho para a aprovação e implementação da nossa joint venture com a LATAM”, diz o executivo.

Preços. O relator do projeto, Antonio Anastasia (PSDB-MG), também considera que a aprovação do texto vai reduzir os custos das passagens aéreas.

“É um acordo benéfico aos consumidores brasileiros, aqueles que vão viajar especialmente para os Estados Unidos, mas também dos Estados Unidos para outros Países, usando aquele território como escala. Hoje temos um número fixo de voos, chamado frequências. E agora será dado uma liberdade muito maior às empresas, para que possam voar entre os dois países de acordo com a demanda. É uma proposta que vai permitir o aumento da concorrência entre as empresas, um número maior de voos e a redução dos custos”, afirmou Anastasia.

Fonte-Estad’ao

 

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Brasil Conflitos Defesa

O que é e para que serve o polêmico mandado coletivo de busca e apreensão

Medida defendida pelo Exército para ações militares em comunidades do Rio de Janeiro não está prevista no Código de Processo Penal e, segundo especialista, viola artigos da Constituição.

Depois da reunião com o Conselho da República e com o Conselho da Defesa na segunda-feira (19), o governo federal cogitou pedir ao Judiciário a expedição de mandados de busca e apreensão coletivos durante a intervenção federal no estado do Rio de Janeiro. A medida, que não está prevista no Código de Processo Penal, é alvo de críticas de especialistas em segurança e direitos humanos, além de violar artigos da Constituição.

Diferentemente do mandado judicial de busca e apreensão tradicional, o mandado coletivo tem uma abrangência mais ampla. Com ele, a polícia pode entrar em qualquer lugar de uma determinada área sem autorização dos proprietários, mesmo em casas onde os moradores não são suspeitos de cometer nenhum crime.

“O mandado de busca e apreensão tradicional, que tem previsão no Código de Processo Penal, tem objeto e destinatário específico. Quem expede o mandado de busca e apreensão, que é um juiz, o faz com base em um pedido determinado. Se a gente tem, por exemplo, uma residência específica ou algumas residências específicas, essas residências precisam ser determinadas e o objeto da busca e apreensão, um aparelho telefônico, droga, isso também tem que ser determinado”, explica o advogado e mestre em Direito Penal e Criminologia Jovacy Peter. “O mandado itinerante ou coletivo não especifica um determinado ponto, mas ele acaba abrangendo uma região”, compara.

Leia também: Deltan critica mandado coletivo de busca: “se cabe na favela, cabe no Congresso”

Para Peter, os mandados coletivos, ao não especificar o local onde serão cumpridos, geram um conflito de direitos fundamentais. “Você tem a garantia constitucional de que a privacidade e a intimidade são direitos de ordem fundamental. Isso seria uma violação”, explica. O especialista explica que existem outros mecanismos na Constituição Federal que permitem a flexibilização de direitos fundamentais, como a decretação do estado de sítio.

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Outros casos

A utilização dos mandados coletivos não é uma novidade no Brasil. Mesmo sem previsão legal, esse instrumento tem sido autorizado pela Justiça em outros casos. Recentemente, foi empregado em uma operação policial no Espírito Santo. O mandado coletivo também já foi utilizado em Brasília e no próprio Rio de Janeiro, em outros momentos.

Leia também: Vídeo feito por jovens negros dá dicas para morador de favela “sobreviver” à intervenção no Rio

“Tem sido utilizado, com muitas críticas, sempre dentro de um contexto semelhante. São comunidades pobres, muitas vezes relacionados à prática de atos ligados ao tráfico de entorpecentes. E a justificativa é que pelo fato de serem comunidades que foram urbanizadas sem critério algum e seria muito difícil singularizar as residências”, explica Peter.

Os mandados coletivos já foram utilizados também na missão de manutenção de paz comandada pelas tropas brasileiras no Haiti. A Defensoria Pública do Rio e a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no estado já se colocaram contra a proposta e disseram que utilizarão de medidas judiciais para impedir os mandados de busca coletivos.

Questionamento ao STF

Para Peter, a discussão sobre a utilização dos mandados coletivos durante a intervenção no Rio pode ir parar no Supremo Tribunal Federal (STF) por violar direitos fundamentais. “A possibilidade de abuso é um apontamento prático. Mais do que isso, a gente tem o limite teórico, um limite constitucional. A gente não pode ficar flexibilizando a interpretação constitucional em virtude de casuísmos, sob pena de a Constituição perder seu sentido”, alerta o especialista.

Nesta terça-feira (20), diante das críticas, o governo sinalizou um recuo na intenção de pedir mandados coletivos. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que o governo irá garantir, no âmbito da intervenção federal na segurança do Rio, “os direitos fundamentais da população”.

Mas ele evitou dizer que o governo descartou por completo a possibilidade, embora tenha dito que “a intervenção federal não suspende nenhum direito fundamental”.

Fonte: Gazeta do Povo

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Braço Forte Brasil Defesa

Procurando o rumo

Autor : Gen Ex Maynard Marques de Santa Rosa

Interpretar o cenário nacional é um desafio ao discernimento. A multiplicidade de apelos de conteúdo emocional parece criar perplexidade, anulando nos brasileiros o senso de responsabilidade pelo próprio destino. Dessa forma, temas vitais, porém desgastantes, como os da segurança pública, podem ser relegados impunemente na agenda legislativa.

Outras questões essenciais têm sido, igualmente, postergadas de modo sutil, como as do ajuste fiscal e da governabilidade. O acerto das contas públicas torna inevitável a discussão da questão previdenciária, mas não pode prescindir da racionalização do setor público. Contudo, essa preocupação tem-se restringido ao âmbito do Executivo e implicado cortes de incentivos ao setor privado, investimentos federais e custeio, sobretudo, da segurança. Infelizmente, não há notícias de ajuste no topo de nenhum dos três poderes.

No tocante à governabilidade, o dilema constitucional vem sendo omitido da agenda, como se tabu fosse. Curiosamente, o caso da Previdência mostra que mesmo a carta magna é suscetível à mudança de opinião, quanto o é a biruta à força do vento.Na Constituinte de 1988, o MDB atendeu às corporações de servidores, ao unificar o seu regime previdenciário, antes dividido por categorias de celetistas e estatutários. A “conquista” da aposentadoria integral, celebrada por milhares de funcionários, mas sem a contrapartida do tempo de contribuição, selou o destino futuro da previdência pública. Agora, o mesmo partido propõe uma reforma sumária, presumindo a necessidade de erradicar privilégios. O projeto, de inspiração draconiana, não deixou margem para uma solução transitória, como a que foi aplicada às estatais. Por isso, a reação implacável das corporações. E de fato, se aprovado como está, somente restaria aos quadros públicos a opção do mercado de previdência privada, tornado extremamente promissor, pela expectativa de afluxo dos novos clientes.

A inadequação da ordem jurídica agrava o fenômeno da carência de lideranças. A “Constituição Cidadã” revestiu-se de “cláusulas pétreas”, que o constituinte pretendeu perpetuar, à revelia da lei natural do progresso. No capítulo dos direitos individuais, por exemplo, o inciso XVIII do Art. 5º estabelece que: “A criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento”. Ao interditar o direito de defesa do Estado, estimulou-se a proliferação de organizações-não-governamentais, hoje calculadas em mais de 700 mil, muitas delas projetadas para atender a interesses ocultos, como os do crime organizado e os dos órgãos de inteligência estrangeiros que operam no território brasileiro.

Com as regras em vigor, nenhum presidente seria capaz de impulsionar as reformas estruturais necessárias. O gigantismo do Legislativo e a complexidade dos interesses partidários conspiram contra a agenda. A ineficácia dos processos age em favor da inércia, quando não impede a aprovação das proposições estratégicas. O poder executivo está submetido a uma dependência perigosa do parlamento, ficando praticamente impossibilitado de aprovar qualquer legislação que afete os interesses dominantes. Em acréscimo, por razões atávicas, a administração pública tem, ainda, de conviver com a hipertrofia da fiscalização dos órgãos de controle. A lei merece ser escoimada de ambiguidades, para simplificar os processos administrativos, assegurar a punibilidade dos corruptos e proteger a gestão pública da ingerência externa.

Por outro lado, a fluidez do “espírito da época” tem estimulado o surgimento de “outsiders” capazes de ameaçar o espaço de poder dos atores do “estamento burocrático”, dando ensejo aos balões de ensaio que, inexplicavelmente, surgem do nada. O mais recente foi a proposta de mudança para o regime semipresidencialista, uma solução que nega ao presidente os instrumentos da gestão política, assegurando a manutenção do “status quo”.

Em resumo, portanto, a carência maior do Brasil de hoje é de ordem em todas as suas expressões: política, econômica, social e jurídica. E o primeiro passo para alcançá-la é a revisão da Carta Magna.

Fonte: Eblog

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Brasil e a tática AIKIDO

Autor: Peter de Mambla exclusivo para o Plano Brasil

Tradução: Luiz Medeiros


Peter de Mambla é um australiano que recentemente passou um ano no Brasil. É  bacharel em Ciência política pela Universidade de Monash e está atualmente a realizando o doutorado em Direito (Júris doutor) pela Universidade de New England, Austrália. Possui um grande interesse na geopolítica e, mais amplamente, nas questões relativas à boa vida (no sentido Aristotélico)

contatos: peterdemambla@gmail.com

leia também: Desafios assimétricos do Brasil

Do complexo ambiente global o Brasil precisa traçar um mapa que se destina para navegar o seu caminho para a posição durável e que ambiciona e merece significa que o país deve  alcançar dentro de seus recursos humanos a capacidade para utilizar a criatividade e engenhosidade necessária visando superar os desafios que estão diante dele.

Os postos de comando que devem ser levados são ocupados pelas potências hegemônicas, a sua experiência e astúcia tem tornando a rampa que os poderes emergentes como o Brasil devem escalar, uma íngreme e difícil. Isto chama Brasil a utilizar suas vantagens para superar suas desvantagens, a jogar pelas regras que o beneficiam ao invés daquelas que beneficiam os atuais proprietários do poder global, a oligarquia financeira Anglo-Americana.

A história tem mostrado que é possível para o menor e mais fraco prevalecer contra um maior e mais forte através da aplicação de criteriosos fatores de alavancagem como multiplicadores de força. Um melhor planejamento e táticas podem ser empregados, um bom uso do solo e do terreno, bem como dissimulações e engodos – estas possibilidades podem ser usadas ​​para superar as vantagens do mais forte.

Os Espartanos demonstraram o mais famoso exemplo de alavancagem quando, juntamente com seu alto nível de treinamento e moral, o Rei Leônidas levou seu pequeno número de guerreiros espartanos para defender a passagem estreita na Batalha das Termópilas, utilizando a geografia em sua vantagem para impedir o avanço um exército persa de tamanho muito superior.

Os segmentos apropriados da sociedade brasileira cujas tarefas são de defender o interesse nacional e a integridade terão de empregar tais princípios na busca de superar os vários desafios assimétricos que se interpõem no caminho da ascensão bem sucedida do Brasil.

A perspectiva de um confronto militar direto não é factível, e mesmo que alguma vez chegue a isso, seria mais provável ações de tipo guerrilha na Amazônia ao invés de qualquer guerra convencional de concentração. Além disso, o tipo de confronto que nos interessa aqui são assimétricos e não envolve quaisquer tipos de confrontos diretos, como tal, na verdade em muitos casos, tal confrontação pode ser de natureza tão sutil chegando a ser difícil de discernir, às vezes.

É claro que Brasileiros astutos já vem utilizando esse método de Aikido para lidar com os desafios que enfrenta na cena global. Um exemplo mais requintado e instrutivo deste método pode ser visto no Fundo Amazônia.

Algumas pessoas brilhantes, ou personalidades, conseguiram neutralizar completamente o que é reconhecidamente um exemplo superlativo da esperteza e intriga Anglo-Americana em seu esforço para arrebatar a Amazônia das mãos Brasileiras. Ao se recusar a enfrentar os Anglo-Americanos diretamente, os Brasileiros, como no Aikido, misturaram o movimento de ataque e redirecionaram sua força, deixando o flácido e sem força.

Se tivessem os Brasileiros tentado um choque direto empurrando o ataque Anglo-Americano para trás, o resultado poderia ter sido em danos para o Brasil. Um dos pontos mais fortes, letais e vantajosos da oligarquia Anglo-Americana possuí é aquele de ser capaz de controlar uma parcela significante da opnião pública internacional.

O Brasil teria sentido a força de ser retratado como egoísta, recalcitrante e um obstáculo do mal para a proteção do bem coletivo público vital que é a Amazônia. Isto por sua vez, teria virado a opnião pública Brasileira contra o seu próprio governo, dado que a população Brasileira seria pouco capaz de resistir a calúnia fulminante de ser retratado como uma pária internacional semelhante a África do Sul do Apartheid e a Alemanha Nazista.

O exemplo de estratégia utilizada no Fundo da Amazônia deve ser tido como padrão de ouro para idéias e estratégias para o Brasil prevalecer nesta luta. O adversário é forte e ardiloso, e não irá tentar tornar isso em uma disputa direta de força, uma vez que haverá pouca chance de prevalecer em tal confronto direto. Em vez disso, a estratégia e vantagem do adversário devem ser neutralizados, ou mesmo voltados contra ele se possível. Na mesma forma que o praticante de Jiu-Jitsu Brasileiro visa trazer o seu oponente para o chão, onde ele tem a vantagem, por isso os Brasileiros devem trazer esse oponente geopolítico para o chão, por se assim dizer, onde o Brasil goza de vantagem.

Entretanto pelos anglo-americanos empregarem tais métodos sutis e ardilosos, como uma aplicação da guerra assimétrica de quarta geração, eles estão realmente escolhendo jogar o jogo em terreno doméstico do Brasil – talvez nem mesmo percebendo corretamente ou apreciando isso.

De fato, é somente porque a maioria dos Brasileiros se esquecem que uma campanha sutil está sendo realizada contra eles que os Anglo-Americanos são ainda capazes de se safar tanto como eles fazem. Para cada brasileiro que está acostumado a negociar um sistema e a sociedade que muitas vezes é injusta e não organizada de acordo com formal, regras impessoais que tratam todos com justiça e igualdade, e assim os Brasileiros são muitas vezes obrigados a recorrer à astúcia e habilidade para contornar e superar as muitas não razoáveis e constritivas regras burocráticas e convenções sociais que eles enfrentam, especialmente se forem provenientes de uma seção marginalizada da sociedade.

Em uma palavra, os brasileiros são adeptos a praticar a arte social de “jeitinho”, a aplicação da engenhosidade e criatividade em encontrar uma maneira de contornar o que muitas vezes são obstáculos tolos e injustos.

É tanta familiaridade em jogar tal jogo que faz dos Brasileiros alvos insensatos contra quem apontar tais armas assimétricas, talvez a oligarquia Anglo-Americana ignora o risco que estão tomando. Isto é porque os brasileiros uma vez que aprendem que tipo de jogo está sendo jogado, eles podem muito bem se alegrar! Porque eles vão perceber imediatamente que é um jogo que poucos são tão acostumados a jogar quanto eles são, e assim um jogo em que poucos são tão bem colocados para competir e vencer como eles são.

Uma vez que a suposição equivocada é tirada de que o resto do mundo joga um jogo digno regido por regras honestas e jogo justo, e que a falta de comportamento justo tal no Brasil é justamente o porque do país estar travado – uma vez que a realização é feita de que os poderes hegemônicos estão apenas mais nuances e refinados na sua corrupção e malandragem, e de fato práticas como trapaça em uma escala muito maior – então o que é muitas vezes visto como uma fonte de embaraço e debilidade para os Brasileiros pode, alternativamente, ser visto como o meio perfeito e capacidade para navegar através do ambiente global complexo no qual o Brasil se encontra.

Uma maldição pode ser transformada em uma bênção quando os Brasileiros perceberem que desfrutam da vantagem de terreno nesta competição.

Então, quem deve lutar – toda a população brasileira? A população deve ser despertada para o fato de que os poderes dominantes são dominantes porque jogam um jogo sujo através de malandragem? Este talvez não seja tão necessário, porque o jeitinho cotidiano empregado no Brasil é normalmente a nível individual, enquanto o que estamos falando envolve agentes Estatais ou, pelo menos, os interesses oligárquicos capazes de usar aparatos de Estado para seus próprios fins, tais como agências de inteligência e serviços diplomáticos.

Portanto esse esforço não precisa necessariamente envolver desse tanto o cidadão comum. Além disso a um contrato social implícito pelo qual certas agências de Estado são investidas com a confiança e a responsabilidade de fazer o que eles consideram necessário para cumprir com a sua responsabilidade fiduciária, sem necessariamente informar o público geral de cada detalhe do que fazem.

Mesmo em sociedades abertas e transparentes tais agências não são exatamente abertas e transparentes como o esperado por sua sociedade, dado que a natureza de seu papel requer que elas sejam o oposto. É claro que tal segredo e falta de transparência pode ser abusado, como as oligarquias Anglo-Americanas e outras Européias conseguiram realizar com sucesso em suas próprias agências de tal natureza, mas as sociedades não podem fazer mais do que confiar nestas agências e esperar pelo melhor.

O paciente confia em seu médico e não precisa primeiro de conhecer e entender os detalhes médicos para aceitar o conselho do médico e sua prescrição, o mesmo acontece na relação cliente-profissional vis-à-vis os contadores, advogados, consultores financeiros, etc. Então talvez ao público em geral possa ser permitido desfrutar de seu futebol, novelas, samba e da praia, na feliz ignorância enquanto tais assuntos sérios são deixados para os profissionais e ao pequeno segmento do público geral que tem grande interesse por estes assuntos.

Também a população Brasileira não é voltada para o confronto, a cultura colocando um prêmio muito alto na interação social agradável e na cordialidade. Enquanto esse atributo social contribui em muitos aspectos a uma invejável qualidade de vida (nem todas as medidas de qualidade de vida são materiais), isto não produz uma população bem adaptada para ser empacotada para o sacrifício e luta nacional, como a população Russa parece ser, uma vez que tal uma população provavelmente se encolheria diante de tal perspectiva e apenas esperaria que o problema desaparece, assim como espera que os políticos deixem de ser corruptos ou que a educação vai melhorar sem a sua exigência para tal .

Então investir muita energia na tentativa de transformar uma população pacífica em uma população guerreira pode ser um desperdício de tempo. De qualquer forma, sempre haverá uma parcela suficiente da população que tem a mentalidade guerreira para que isso sem necessariamente se tornar um problema, uma vez que uma população tão grande quanto no Brasil pense que a sua vontade será um conjunto suficiente de pessoas preparadas e adequadas para fazer o que é necessário de qualquer maneira.

Será que a população em geral, por exemplo, precisa estar ciente do brilho e significado do movimento xeque-mate do Fundo da Amazônia para que este seja bem sucedido? Isso tem sido bem sucedido sempre, mesmo se o conhecimento desta é limitado para aqueles que sabem sobre essas coisas.

Dito isto, tais ações de contra-insurgência não se limitam ao estabelecimento militar, embora a maior parte da responsabilidade recaia sobre estes. Membros alertas e engajados do público geral vêm se empenhando para empregar seus próprios “jeitinhos” para tentar minar aos esforços da engenharia-social de dividir-e-controlar da oligarquia Anglo-Americana no Brasil (embora não necessariamente conheçam tais ações que são conduzidas pela oligarquia Anglo-Americana, mesmo se eles estão informados do importante papel da Fundação Ford desempenha embora não entenda muito bem porque ela desempenha um papel).

O movimento Nação Mestiça, por exemplo, tem procurado usar o termo pardo e moreno para neutralizar a tentativa Anglo-Americana para dividir a sociedade ao longo de linhas rígidas de brancos e negros como é o caso das sociedades nos Estados Unidos e na África do Sul.

Assim, o impulso brusco de tal divisão racial entre brancos e negros é desviado e dirigido para longe por uma ênfase sobre a realidade do Brasil, onde há uma ausência de um dicotomia rígida codificada por cores, e em vez disso tem um contínuo de cores que reflete a realidade histórica e social do país. Se as autoridades reconhecerem a categoria “moreno”, como o movimento Nação Mestiça tem tentado fazer, então isso irá em um longo caminho para anular os esforços de divisão das oligarquias Anglo-Americanas.

As instituições militares deveriam apoiar este movimento civil em seus esforços patrióticos como um parceiro valioso na luta.

Brasil encontra-se confrontado com a formidável tarefa de navegar em um ambiente complexo e sofisticado, enquanto procura assumir uma posição na cena internacional condizente com seu tamanho e ambição. Uma grande parte do sucesso para navegar através desses desafios está em aceitar e se adaptar a essas realidades.

Parece que o Destino, com seu senso de humor, tornou uma desvantagem do Brasil em sua vantagem, isto é, numa sociedade cuja organização e estrutura  tem criado uma cultura de “jeitinho” para permitir que a população supere e contorne esse sistema social por vezes injusto, a uma abundância de pessoas bem dotadas com a astúcia e criatividade para vencer a oligarquia Anglo-Americana em seu próprio jogo, como o exemplo do Fundo Amazônia tem claramente se demonstrado assim.

O número de pessoas necessárias para fazer isso nunca precisa de ser grande, nem suas ações precisam de ser proeminentes e bem conhecidas. Enquanto um leme é uma parte pequena e invisível de um navio, é esta parte que determina a direção que o navio leva. Da mesma forma, um pequeno número de pessoas que operam nas sombras deve praticar sua arte sutil com habilidade superior que a sua cultura, por um acidente do destino, dotou-las. Destino conferiu-lhes a capacidade de prevalescer nessa luta. E no Grande Jogo, o Brasil está certamente destinado para jogar um bom jogo.


Peter de Mambla é um australiano que recentemente passou um ano no Brasil. É  bacharel em Ciência política pela Universidade de Monash e está atualmente a realizando o doutorado em Direito (Júris doutor) pela Universidade de New England, Austrália. Possui um grande interesse na geopolítica e, mais amplamente, nas questões relativas à boa vida (no sentido Aristotélico).


 

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Presidente do Chile qualifica Brasil como potência e critica Venezuela

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O presidente do Chile, Sebastián Piñera, disse que o Brasil é a potência que deve representar a América Latina, ao mesmo tempo em que afirmou que o modelo da Venezuela “não está no caminho correto”.

Em entrevista publicada neste domingo (6) pelo jornal espanhol El País, o presidente do Chile disse que o papel do Brasil à frente da América Latina “é um fato”.

– Nós reconhecemos isso [a liderança brasileira] como um fato.

Piñera disse esperar que o Brasil possa representar os interesses da América Latina no mundo.

– Esperamos que o Brasil possa representar cada vez com mais força não apenas sua própria voz, mas também a voz da América Latina neste mundo novo que está emergindo.

Ao falar sobre a Venezuela, Piñera afirmou que os problemas internos do país, como a inflação e a crise energética, dificultam a “exportação” do modelo bolivariano de governo.

– Eu penso que a difícil situação que a Venezuela está vivendo dentro dela diminuiu consideravelmente a intenção que em algum momento surgiu de exportar esse modelo e intervir em outros países.

Para o presidente do Chile, o modelo de governo que Hugo Chávez adota na Venezuela “não vai pelo caminho correto”.

– Não quero qualificar meus colegas presidentes, apenas dizer que o modelo que estamos seguindo no Chile é o melhor para o Chile, e que o modelo que a Venezuela está seguindo não vai pelo caminho correto.

Fonte: R7