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Como pode o SU-57 custar menos que um SU-35?

 

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

A mensagem de que o VKS Receberá 76 caças Su-57 até 2028 chamou a atenção de especialistas militares estrangeiros. Eles ficaram surpresos com o custo relativamente baixo da aeronave de quinta geração uma vez que o contrato é estimado em US$ 2,6 bilhões.

O Su-57 de última geração revelou-se muito mais barato não apenas para as aeronaves americanas da quinta geração como o F-22 e F-35, mas também para o caça russo Su-35 da geração 4 ++. Como exemplo, dados sobre o custo do Su-35 entregue à China em 2015 estimam que cada Su-35 custasse cerca de US$ 83,3 milhões.

 “A primeira explicação para o custo mais baixo do Su-57 é que ele provavelmente só diz respeito ao custo da produção dos aviões, sem levar em conta os custos da pesquisa e desenvolvimento a qual já foi adjucada  no programa de desenvolvimento e não aumentará se mais caças forem encomendados. “- disse a publicação Military Watch.

Em outras palavras, os custos de desenvolvimento não serão transferidos ao cliente, além disso, o contrato para o fornecimento de Su-35 para a China previa o fornecimento de equipamentos terrestres, motores sobressalentes e munição.

O segundo fator que contribui para reduzir os preços do Su-57 é que os aviões são projetados para as Forças Aeroespaciais Russas e a aeronave é exportada a preços mais altos.

Bem, outra circunstância que afeta a eficiência econômica do setor de defesa russo é que os custos de produção são medidos em dólares americanos. Com uma taxa de câmbio baixa do rublo em relação ao dólar, você pode comprar muito mais bens e serviços do que na Europa ou nos Estados Unidos. Esta circunstância leva a uma redução significativa nos custos de produção.

“Esse é um dos principais fatores que permitem à tecnologia russa competir com sucesso com a tecnologia ocidental em termos de preços”, disse a publicação.

Pelos valores cada SU-57 estaria custando apenas US$35 milhões, o que é um valor muito abaixo do esperado.

Fonte: Military Watch

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Paquistão reforça as suas defesas e pretende adquirir sistemas Pantsir S-1 e Carros de Combate T-90MS

Tradução e adaptação-E.M.Pinto

Segundo o Indian Defence, o governo do Paquistão decidiu comprar sistemas russos de defesa antiaérea Pantsir S-1, uma decisão que vem dos desdobramentos do recente ataque cirúrgico realizado pelos jatos da Força Aérea Indiana em campos de treinamento de terroristas em Balakot.

O Paquistão agora planeja enviar uma delegação a Moscou para finalizar o acordo e também firmar um acordo para treinar o pessoal da defesa no sistema Pantsir.

“O Paquistão está comprando os mais recentes e mais modernos sistemas de armas para combater a Índia. O Paquistão está procurando adquirir tanques, armas antiaéreas e sistemas de mísseis terra-ar da Rússia”, disse um funcionário do Ministério da Defesa da Índia ao Zee News.

O Paquistão já havia elaborado um plano para comprar também 360 carros de combate T-90 da Rússia para reforçar seu poder de combate ao longo da fronteira com a Índia, aparentemente na mesma versão MS que forma a espinha dorsal de alguns regimentos blindados indianos, o que torna Moscou “vencedora” do mesmo veículo para ambos os inimigos.

O Paquistão está tentando assinar uma corporação de defesa mais profunda com a Rússia, que tem sido aliada da Índia o tempo todo e compartilha uma relação de defesa que remonta à era soviética, segundo comentários da Indian Defense News.

Em outro esforço para renovar a sua força blindada, o Paquistão decidiu comprar quase 600 carros de combate chineses. Atualmente, mais de 70% dos carros de combate paquistaneses têm capacidade operacional noturna, o que é uma preocupação para a Índia.

No rescaldo da crescente pressão internacional sobre o Paquistão para esmagar os grupos islâmicos ativos em seu território, a China decidiu apoiar seu o aliado fornecendo sistemas de operação para “todos os climas e condições meteorológicas”.

A China venderá drones de longo alcance CH-4 e CH5, o primeiro é capaz de transportar até 400 kg de explosivos e permanecer no ar por 40 horas. Pode cobrir um alcance de até 5.000 km. Já o segundo pode  pode transportar até 1.000 kgs de carga militar e permanecer no ar por até 60 horas. Ambos podem voar além de 6000 m de altitude.

 

Fonte: Army Recognition

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Coalizão liderada pelos EUA matou mais de 1.600 civis na Síria, acusa Anistia Internacional

Civis caminham emfrente a prédios severamente destruídos em Raqqa, na Síria Foto: Aboud Hamam / Reuters 14-05-18

Civis caminham emfrente a prédios severamente destruídos em Raqqa, na Síria (Foto: Aboud Hamam / Reuters 14-05-18)

Campanha para tomar a cidade de Raqqa do Estado Islâmico em 2017 deixou dez vezes mais vítimas civis do que apontam dados oficiais, segundo estudo

 

BEIRUTE – A coalizão liderada pelos Estados Unidos matou mais de 1.600 civis em Raqqa ao longo de vários meses em 2017, durante sua campanha para expulsar o Estado Islâmico da cidade, acusa um relatório lançado nesta quinta-feira pela Anistia Internacional e pelo Airwars, ONG de monitoramento de guerras.

O número indicado é dez vezes superior aos dados oficiais sobre vítimas civis. O documento diz que ataques aéreos e de artilharia americanos, franceses e britânicos mataram e feriram milhares de inocentes entre junho e outubro de 2017 na antiga capital do Estado Islâmico . Muitos dos casos, diz o texto, “constituem violações à lei humanitária internacional e exigem investigação adicional”.

As organizações passaram 18 meses pesquisando as mortes de civis, incluindo dois meses fazendo pesquisa de campo em Raqqa, disseram. “Nossa descoberta conclusiva depois de tudo isso é que a ofensiva militar da coalizão liderada pelos EUA (EUA, Grã-Bretanha e França) provocou diretamente mais de 1.600 mortes de civis em Raqqa”.

O relatório pede que os membros da coalizão criem um fundo para compensar as vítimas e suas famílias

A coalizão respondeu que tomou “todas as medidas razoáveis para minimizar as baixas civis” e que ainda existem alegações abertas que estão sendo investigadas. “Qualquer perda involuntária de vida durante a derrota do Daesh é trágica”, disse Scott Rawlinson, um porta-voz da coalizão, em um comunicado enviado por email mais tarde na quinta-feira, usando um acrônimo em árabe para Estado Islâmico.

“No entanto, estas perdas devem ser comparadas com o risco de permitir que o Daesh continuasse as suas atividades terroristas, causando dor e sofrimento a qualquer pessoa que quisesse”, acrescentou.

O Estado Islâmico dominou Raqqa no início de 2014, época em que avançou rapidamente na Síria e no Iraque e constituiu um autoproclamado califado. Caracterizado pelas execuções sumárias de opositores, o grupo cometeu uma matança em massa e escravizou minorias, em um processo que a ONU descreveu como um genocídio.

O grupo, que controlava um terço da Síria e do Iraque em 2014, já foi expulso de todo o território que controlou, a partir de campanhas militares empreendidas por um conjunto de forças, incluindo os governos da Síria e do Iraque, dos Estados Unidos, de seus aliados europeus e de seus rivais Rússia e Irã. Apesar de não controlar mais o território, o grupo ainda ameaça lançar ataques terroristas em todo o mundo.

As Forças Democráticas Sírias lideradas pelos curdos (SDF) e apoiadas por Washington  capturaram Raqqa em outubro de 2017, após uma ofensiva de cinco meses apoiada por ataques aéreos liderados pelos EUA e por forças especiais.

A Anistia disse no ano passado que havia evidências de que ataques aéreos e de artilharia da coalizão eem Raqqa violavam a lei humanitária internacional e punham em perigo as vidas de civis, mas até agora não tinha dado uma estimativa do número de mortos durante a batalha.

Durante e depois da campanha, repórteres em Raqqa noticiaram que o bombardeio causou destruição maciça na cidade, devastando bairros inteiros.

Fonte: O Globo e Reuters

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Rússia oferece MiG-29M para o México

Caças multifuncionais médios Mikoyan-Gurevich MiG-29M (MiG-35) da Força Aérea do Egito, recebido em 2017 (Alexei Karpulev / RussianPlanes.NET)

Rússia apresenta mais de 200 produtos durante a expo FAMEX 2019, inaugurada nesta quarta (24) no país latino-americano.

 

Mais de 200 equipamentos militares da Rússia estão em exposição na FAMEX 2019, que acontece até o próximo sábado (27) no México, segundo o comunicado oficial da Rosoboronexport, a agência estatal russa para exportação e importação de armas.

Esta é a segunda vez que a Rússia, representada também pela Russian Helicopters, participa do evento.

“A Rosoboronexport continua a fortalecer gradualmente sua presença no mercado latino-americano. Aqui eles conhecem bem e valorizam as aeronaves militares, helicópteros e veículos blindados por suas características impecáveis e segurança”, disse o diretor-geral da Rosoboronexport, Alexander Mikheyev.

 

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Decolagem do MiG-35 (MiG-29M) egípcio no MAKS 2017

Segundo estimativas da empresa, o caça multifuncional MiG-29M e o avião de combate e treinamento Yak-130 tem boas chances na América Latina. Quanto aos helicópteros, os países da região demonstram especial interesse pelos modelos militares Mi-17B-5, Mi-171Sh, Mi-35M e Ka-52, dentre outros.

Yakovlev Yak-130 da Força Aérea do Laos, recebido em 2018. (Jane’s Defence)

O site americano Defense World confirma o interesse do México pelos caças russos e garante que a Rosoboronexport está cortejando a Força Aérea Mexicana para fornecer modelos MiG-29M e Yak-130. “De fato, o México não conta atualmente com nenhum caça, já que os obsoletos F-5 dos EUA estão se aposentando após 34 anos de serviço”, segundo o Defense World.

[embedyt] https://www.youtube.com/watch?v=m2V_o1Fak2A[/embedyt]

Vídeo demonstrativo do MiG-35 (Zvezda, traduzido para o inglês pelo SouthFront)

A Força Aérea do México aposentou recentemente seus oito exemplares do caça tático Northrop F-5E e encontra-se sem vetores para defesa aérea. Além disso, a eleição da coalizão Movimento de Regeneração Nacional – MORENA (formada por partidos socialistas, cardenistas e social-democratas) liderada pelo presidente Andrés Manuel López Obrador, tende a esfriar as relações estratégicas do México com os EUA, quadro agravado com a proposta do presidente norte-americano Donald Trump para a construção do muro na fronteira e a maior contenção de imigrantes mexicanos e centro-americanos, e também a decisão de Obrador de encerrar a “Guerra às Drogas”, iniciado pelo presidente Felipe Calderón (2006 – 2012) com o “Plano Mérida”, resultando na ajuda norte-americana para equipamentos de vigilância, monitoramento, armas e inteligência para combate aos cartéis narcotraficantes.

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Um dos oito F-5E mexicanos antes da aposentadoria (Ruben Venegas / Airliners.NET)

O afastamento do México com os EUA pode resultar numa janela de oportunidade para maior aproximação com a Rússia e até a China (este último, sendo o segundo principal parceiro comercial mexicano) para a cooperação estratégica e técnico-militar. Inclusive o México já opera vetores militares russos desde os anos 1990, como helicópteros multifuncionais Mil Mi-17, blindados para transporte de tropas BTR-60, caminhões Ural-4320, mísseis antiaereos Igla e lança-foguetes RPG-29. já a Comissão Nacional de Segurança do México utiliza carros blindados Gorets-M e aviões Sukhoi Superjet 100 foram entregues a companhia aérea Interjet.

 

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helicóptero Mil Mi-17 da Marinha mexicana (helis.com)

Por ser uma “região periférica” de importância estratégica durante a Guerra Fria, o México, assim como a maioria dos países latino-americanos nunca teve uma atenção prioritária para equipamento de suas Forças Armadas, tendo operado tardiamente vetores já obsoletos como o De Havilland Vampire, de 1961 a 1982 e o F-5E a partir dessa última data, inclusive durante os anos 1980, países muito menores e mais pobres da América Central e Caribe, como Cuba e Nicarágua tinham vetores capazes de contestar o poder aéreo mexicano.

Por isso, na avaliação deste autor, a incorporação de um vetor como o MiG-29M / MiG-35, caso se concretize, concederá ao México uma capacidade nunca antes vista no país, representando um enorme salto qualitativo tal como foi a aquisição pela FAM, do P-51D Mustang durante a Segunda Guerra Mundial

Fonte: Russia Beyond e Defense World

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Drone submarino Poseidon terá velocidade superior a 200 km/h.

Tradução e Adaptação: AR Plano Brasil

Informações-MOSCOU, 04 de janeiro. / TASS /. 

O veículo subaquático russo não tripulado “Poseidon”, cuja criação foi anunciada em março pelo presidente russo Vladimir Putin, terá velocidade de deslocamento superior a 200 km / h. 

Isto foi relatado pelo canal de notícias TASS, na sexta-feira, por uma fonte anônima do complexo militar-industrial.

Imagem conceitual do drone russo capaz de portar até duas ogivas nucleares.

“O drone, que é lançado por um submarino, percorrerá o trajeto até o alvo a uma profundidade de mais de 1 km, a uma velocidade de 200 km/ h ou mais (cerca de 110 nós)”, disse a fonte para a agência TASS. Ele esclareceu que, como no caso do torpedo Squall (VA-111 “Shkval”) o drone Poseidon se moverá nesta velocidade usando o processo de supercavitação”. 

Como acrescentou a fonte, “no caminho para o “gol”, o drone é capaz de manobrar continuamente ao longo do percurso que, tendo em conta a velocidade e profundidade de mais e 1 km que o drone alcança, impossibilita a interceptação do drone pelos atuais meios de defesa dos potenciais adversários”.

   O canal de notícias TASS não tem confirmação oficial fornecida pela fonte sobre esta informação.

 

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Infantaria Profissional do Exército Brasileiro

Ao contrário do que muitos pensam, o Exército Brasileiro realiza diversos exercícios onde é demonstrado um elevado grau de profissionalismo e presteza em suas ações, como é feito nos principais exércitos pelo mundo, em boa parte desses exercícios é utilizado os sistemas de simulações de combate do Centro de Avaliação de Adestramento do Exército (CAAdEx) que trás o adestramento o mais próximo possível da realidade, elevando assim o nível de adestramento dos combatentes da força terrestre. Os simuladores são empregados também pelo Corpo de Fuzileiros navais e pela Infantaria da Aeronáutica.

Abaixo vários exercícios com demonstração de profissionalismo por parte da força terrestre:  

 

https://www.youtube.com/watch?v=MEPUYzOIaxE

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XVIII Curso de Extensão em DEFESA NACIONAL

 

A Faculdade INPG em parceria com o Ministério da Defesa realizam entre os dias 25 à 29 de Junho o XVIII Curso de Extensão em DEFESA NACIONAL.

Trata-se de um ciclo de palestras organizadas pelo Ministério da Defesa com o objetivo de difundir o conhecimento sobre defesa junto à sociedade e estará aberto à toda comunidade acadêmica e civil da região do Vale do Paraíba.

O evento contará com personalidades – já confirmadas – do Ministério da Defesa, Ministério das Relações Exteriores, EMCFA, SEPROD, SEPESD, Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira (DCTA/IES) e Exército Brasileiro. Assim como, ABIN e do poder Executivo Federal e Municipal.

A temática das palestras envolvem as áreas das Políticas Externa e de Defesa do Brasil e serão ministradas por autoridades do poder executivo, da academia, da diplomacia e das Forças Armadas. Os eixos temáticos visarão abordar temas destas áreas e há possibilidade de adaptarmos à nossa realidade, principalmente no que concerne à indústria de defesa do Vale do Paraíba.
Contaremos com a participação de empresas da área de defesa da região (Avibrás, Savir entre outras).

Já é possível de destacar a participação do prefeito de São José dos Campos e do Dr. Ozires Silva, ex-presidente da Embraer. Assim como a vinda de alunos das principais escolas militares (ECEME, AMAN, ESCOLA NAVAL, ESPCEX, entre outros) e outras autoridades da região (Polícia Federal, Polícia Militar do Estado de São Paulo e outras agências de segurança).

Inscrições em: https://cedn.defesa.gov.br/formulario_inscricao/

 

*Agradecemos ao amigo Marco Túlio Freitas pela informação para divulgação desse evento.

 

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E se os EUA ultrapassarem a Arábia Saudita como produtor de petróleo?

Os Estados Unidos estão se aproximando da liderança na corrida pelo domínio do mercado mundial de petróleo.

Guillermo D. Olmo

De acordo com as últimas previsões da Agência Internacional de Energia, a produção americana atingirá neste ano a marca recorde de 10 milhões de barris de petróleo bruto por dia.

Assim, calcula-se que o país desbancará a Arábia Saudita neste ano da posição de liderança que ostenta, com 13,5% da produção mundial.

Seu impulso, promovido pelo apoio do governo de Donald Trump às exportações, é um problema para a Rússia, a terceira colocada nessa disputa.

O avanço dos EUA terá efeitos no mercado do petróleo, bem como reflexos geopolíticos e econômicos em diferentes países.

A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, listou cinco possíveis consequências caso os Estados Unidos realmente se tornem o maior produtor de petróleo do mundo:

1. O fim da guerra dos preços da Arábia Saudita e Opep

Para a grande petromonarquia do Golfo Pérsico, ver-se superada pelo aliado – mas também concorrente – implica na constatação dos danos colaterais da sua política tradicional de controle de preços.

Ator principal na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o país tradicionalmente a usou para controlar os preços no mercado, aumentando ou reduzindo o fornecimento conforme sua conveniência.

Nos últimos anos, porém, o surgimento de técnicas como o fraturamento hidráulico de rocha (fracking) o aumento exponencial da produção americana reduziram a eficácia dessa estratégia.

Antonio de la Cruz, presidente do Centro de Análises de Tendências Interamericanas de Washington, disse à BBC que “a decisão dos Estados Unidos de aumentar a produção nas regiões de fracking na verdade foi tomada pela Opep quando esta apostou em manter os preços, em vez de produzir mais”.

O reino saudita tentou em 2014 sufocar os produtores do fracking nos EUA, inundando o mercado de Brent (petróleo encontrado no Mar do Norte).

 GETTY IMAGES – Arábia Saudita tentou acabar com o setor de fracking americano

A ideia era que os preços caíssem até que as empresas instaladas nos Estados Unidos não fossem lucrativas o suficiente para continuar explorando os campos de petróleo e gás de xisto (aquele obtido através do fracking).

Mas o setor do fracking resistiu: conseguiu reduzir seus custos e economizar suas margens de lucro. Embora o barril de Brent tenha caído até o raro valor de US$ 30, dois anos depois a Arábia Saudita cedeu e convenceu seus parceiros da Opep, pouco a pouco, a voltar subir o preço do óleo.

Agora, a situação e inverteu, e é a enorme produção dos EUA que determina preços e estabiliza o mercado.

Nesse contexto, a nova elite governante no país persa adotou uma nova estratégia que consiste em iniciativas sem precedentes, como a privatização parcial da Saudi Aramco, a empresa estatal de energia.

Isso faz parte das mudanças promovidas pelo príncipe Mohamed Bin Salman, homem forte do governo determinado a reformar a economia do país.

Mas embora os Estados Unidos superem a Arábia Saudita no volume de produção, alguns analistas enfatizam que essa batalha não é medida apenas pelo número de barris diários.

Samantha Gross, especialista em segurança energética da Brookings Institution em Washington, diz que, mesmo que produza menos do que seu concorrente, a Arábia Saudita manterá sua posição de liderança no mercado energético global.

GETTY IMAGES – Mudança pode afetar diretamente mercados da América do Sul e Europa

“O petróleo saudita é produzido por uma única entidade, a Saudi Aramco, de propriedade e administrada pelo Estado, e por isso não é governada unicamente por critérios de benefício econômico. A indústria de energia dos Estados Unidos nunca atuará de forma coordenada, seguindo as diretrizes do Estado”, diz Gross.

Diferenças como essa levam a especialista a concluir que o predomínio saudita, embora questionado, ainda é válido.

2. Venezuela ainda mais castigada

Os efeitos do potencial novo panorama também seriam sentidos na América Latina.

O grande gigante regional do petróleo, a Venezuela, verá sua já maltratada economia ainda mais castigada.

AFP – Falta de investimentos prejudicou o setor petrolífero venezuelano

O analista De la Cruz acredita que a ineficiência e as deficiências estruturais do setor petrolífero venezuelano o tornarão totalmente incapaz de competir com os produtores americanos.

Enquanto a produção dos EUA sobe desde a presidência de Richard Nixon (1969-1974), a venezuelana perdeu 600 mil barris diários.

Nas circunstâncias atuais, desencadeada por uma hiperinflação imparável, “a Venezuela não tem capacidade para produzir ou importar. As possibilidades de ser atualmente um ator no mundo do petróleo foram cortadas”, diz De la Cruz.

O petróleo venezuelano também é muito pesado, então é preciso importar naftas (matéria-prima do petróleo) mais leves de outros países, entre eles os Estados Unidos, para obter uma mistura comercializável. Mas a falta de liquidez do país afetou seriamente sua capacidade de adquirir essas matérias-primas do exterior.

AFP – Especialistas concordam que a Venezuela precisa importar petróleo leve para obter uma mistura mais comercializável

“O petróleo fornece à Venezuela 96% da moeda estrangeira de que ela precisa desesperadamente, então o governo de Nicolás Maduro dará prioridade às exportações para obtê-las. Por isso, o mercado doméstico é que será mais e mais esgotado”, diz De la Cruz.

O que isso significa para o venezuelano comum? “Mais filas em postos de gasolina”, ele responde.

Os problemas do setor petrolífero venezuelano também terão efeitos no quadro regional.

“O socialismo do século 21 usou a ferramenta da geopolítica do petróleo, com o fornecimento de petróleo subsidiado para os países do Petrocaribe e os da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América)”, diz o especialista.

De acordo com sua visão, muitos desses países podem estar tentados a ouvir propostas potenciais de fornecedores alternativos.

3. Possíveis ameaças ao meio ambiente

Grupos ambientalistas alertaram que a política de fracking seguida pelo governo Donald Trump representa uma ameaça para o meio ambiente.

O fim das restrições à exportação e a autorização para construir áreas de exploração em áreas protegidas, como o Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Alasca, provocaram preocupação entre os ambientalistas.

Eles também temem que o novo panorama prolongue a vida dos combustíveis fósseis, como o petróleo, e desencoraje o investimento em energias mais limpas.

Grupos de ambientalistas temem que os danos ao meio ambiente ocorram com decisão dos EUA

Lisa Viscidi, especialista em energia e meio ambiente no centro de análise The Dialogue, de Washington, argumenta que “pode ​​haver algum impacto se a produção aumentar, mas isso depende mais dos preços globais do que de outros fatores”.

A analista afirma que, por se tratar de um mercado global, “um único país não faz a diferença”.

A experiência vivida pelos EUA em 2014 indica que em contextos de grande oferta e preços baixos a demanda aumenta, mas isso não implica necessariamente em um aumento das emissões de poluentes.

“Tudo depende das políticas que os países e as empresas seguem, se são eficientes”, diz Viscidi.

4. Mais independência para os EUA no Oriente Médio

Agora que têm seu abastecimento de petróleo garantido, os Estados Unidos podem se libertar de sua dependência tradicional de abastecimento dos focos exportadores do Oriente Médio.

Cenários como a Crise do Petróleo de 1973 ou a Guerra do Golfo de 1990, quando a turbulência na região levou ao aumento do preço do petróleo, são impensáveis ​​hoje.

AFP – Anúncio de Donald Trump sobre a embaixada em Jerusalém provocou protestos em países islâmicos

“Embora os EUA continuem importando 7 milhões de barris por dia, não têm mais medo de um embargo de petróleo”, explica De la Cruz.

“Tornam-se menos vulneráveis à chantagem, como a da Opep.”

Assim, o país “ganha independência para gerenciar sua própria política na região”, sem temer que isso possa afetar criticamente sua economia, como ocorria no passado. “Ele já não é mais dependente dos países árabes”, diz o especialista.

Para ele, isso ajuda a explicar por que Donald Trump se atreve a tomar decisões sem precedentes, como anunciar a transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém – mesmo sob protestos de todo o mundo islâmico.

5. Mais força para os países europeus contra a Rússia

O passo à frente do gigante americano também afeta a Europa, uma das áreas tradicionalmente mais dependentes da energia produzida pela Rússia.

GETTY IMAGES – Guerra do Golfo fez o preço do petróleo disparar

No passado, Moscou usou a fonte de energia como uma ferramenta de pressão. Em várias ocasiões, interrompeu o fornecimento de gás para a Ucrânia e outros países do Leste Europeu a poucas semanas do início do inverno.

De la Cruz explica que a Europa “estará agora em melhor posição de negociação com fornecedores russos, como a empresa de gás Gazprom, uma vez que poderá exercer a vantagem de outro potencial fornecedor”.

Em todo caso, a Rússia ainda possui uma vantagem decisiva nesta área. Pode fazer esses recursos chegarem por meio de gasodutos e tubulações, enquanto os barris dos EUA só podem chegar pelo mar, a um custo maior.

AFP – Agora a Europa poderá ter uma alternativa na negociação com a Rússia

É uma desvantagem competitiva que ainda pesa e fará com que “a Rússia mantenha sua influência”.

Mas De la Cruz não descarta que em alguns anos essa situação também seja revertida.

“O gás natural líquido pode ser o combustível do futuro e substituir o petróleo. Desenvolver isso é um dos projetos fortes nos quais a gestão Trump poderia apostar nos próximos cinco anos.”

Fonte: BBC Brasil.com

Edição: Plano Brasil

 

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5 de fevereiro de 2018: 28 anos, 2 meses e 26 dias da queda do Muro de Berlim

Em 5 de fevereiro de 2018, fim da separação física da cidade completa mesmo tempo que sua existência. Berlim reunificada ainda guarda resquícios do Muro, mas divisão está quase completamente superada.

Alemães dos dois lados ocupam o Muro de Berlim em 11 de novembro de 1989

Berlim comemora nesta segunda-feira (05/02) uma data histórica: 28 anos, 2 meses e 26 dias da queda do Muro. Você deve estar se perguntando por que esse aniversário quebrado é tão importante? É que a data coincide exatamente com o período que o Muro dividiu a capital alemã: 28 anos, 2 meses e 26 dias.

Ou seja, nesta segunda-feira, o fim da divisão física da cidade completa o mesmo tempo que a sua existência. Por isso, esta data coincidente está sendo chamada de Dia do Círculo (Zirkeltag) pela imprensa local. Palestras e uma exposição fotográfica no Memorial do Muro de Berlim marcam esse aniversário um pouco diferente de um dos episódios mais emblemáticas da história berlinense.

Erguido em 13 de agosto de 1961, o Muro impedia a fuga de cidadãos da República Democrática Alemã (RDA) para a Alemanha Ocidental. Até esta data, a RDA já havia perdido um sexto de sua população. Embora a segurança na fronteira entre as duas Alemanhas estivesse “resolvida” pelo regime comunista, em Berlim ainda era possível, sem muito esforço, fazer a travessia para o lado capitalista. Afinal, a cidade era dividida entre dois Estados e não tinha uma clara fronteira física.

Assim, para acabar com a evasão, do dia para a noite uma cerca de arame farpado restringiu a movimentação dos moradores. Aos poucos, o arame foi sendo trocado por blocos de concreto e abrindo espaço para a “faixa da morte”, como essa região composta por diversas barreiras de muros, cercas e torres de observação na fronteira entre a parte ocidental e oriental era conhecida na Alemanha Ocidental. Nessa faixa era proibida a circulação de pessoas e nem é preciso dizer por que ela ganhou esse apelido.

Nos 28 anos, 2 meses e 26 dias em que dividiu a cidade, o Muro foi constantemente aperfeiçoado e mesmo assim não evitou completamente a fuga de cidadãos da RDA. Mais de 70 túneis foram construídos ao longo da fronteira. As tentativas de fuga também custaram vidas. Pelo menos 140 pessoas foram mortas tentando atravessar para o outro lado.

O Muro determinou ainda o desenvolvimento da cidade, pois cada lado tomou um rumo diferente até 9 de novembro de 1989, quando a divisão física veio abaixo. Pouco tempo depois, as Alemanhas e as Berlins voltaram a ser uma só.

Hoje, 28 anos, 2 meses e 26 dias após a queda do Muro, poucas coisas ainda lembram essa divisão. Resquícios do Muro restam em pouquíssimos pontos da cidade. A sua área mais extensa, a East Side Gallerie, com 1,3 quilômetro de extensão, perdeu alguns metros nos últimos anos devido à construção de empreendimentos imobiliários e continua ameaçada por investidores que desejam construir na faixa de terra localizada entre o rio Spree e essa lembrança da Guerra Fria.

O tempo foi ainda unindo a cidade arquitetonicamente. Edifícios em péssimo estado de conservação, localizados no antigo lado oriental, foram restaurados. Prédios modernos foram construídos em ambas as Berlins, o bonde que só passa na RDA avançou para o lado ocidental, e a “faixa da morte” mais larga dentro da cidade, a Potsdamer Platz, transformou-se num grande centro comercial povoado de arranha-céus.

Poucas marcas desta divisão permanecem, como as típicas construções habitacionais da União Soviética, conhecidas como Plattenbau, nos bairros Marzahn ou Lichtenberg, a imponente avenida Karl Marx Allee e a tradicional rua de compras Kurfürstendamm, apelidada de Ku’damm pra facilitar a pronúncia. Ou ainda os pares de instituições e atrações, localizadas uma em cada lado da antiga cidade: os dois zoológicos, as duas bibliotecas estaduais, as duas óperas.

Quase três décadas após sua queda, o Muro foi substituído por uma marcação no chão para evitar seu esquecimento e deu origem a uma ciclovia de 160 quilômetros. E para aqueles que acham que não há nada novo para se descobrir nesta história, o Muro continua surpreendendo. Recentemente foi anunciada a descoberta de uma parte esquecida durante a demolição e de um antigo túnel de fuga.

  • Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

 

Fonte: DW

 

Muro de Berlim se foi há tanto tempo quanto existiu

Barreira dividiu a cidade por 28 anos, 2 meses e 26 dias, mesmo tempo que sua queda completa neste 5 de fevereiro. Berlinense que lutou contra o Muro relembra sua história.

Construção do Muro de Berlim, em agosto de 1961

O Muro de Berlim dividiu a cidade entre leste e oeste por exatamente 28 anos, dois meses e 26 dias. E esta segunda-feira (05/02) marca um ponto de virada: o Muro não existe mais pelo mesmo tempo em que esteve de pé.

A construção, iniciada em 1961, foi projetada para impedir a fuga de alemães orientais para o oeste, o que forçou os fugitivos a criar métodos mais criativos para conseguir chegar à Alemanha Ocidental. Alguns conseguiram a ajuda de prestativos berlinenses ocidentais para tentar atravessar por onde ninguém conseguiria vê-los: pelo subsolo.

Holzapfel: “Sempre haverá pessoas que irão lutar contra a injustiça”

Estima-se que cerca de 70 túneis foram escavados por baixo do Muro de Berlim. Recentemente, um arqueólogo encontrou a entrada de um desses túneis próximo ao parque Mauerpark. A redescoberta desenterrou a história de um homem cuja oposição ao Muro começou com o seu empenho em abrir uma passagem subterrânea em direção ao leste.

“Você não podia simplesmente escavar neste tipo de solo. Você tinha que realmente ‘abrir’ o caminho”, afirmou o então berlinense ocidental Carl-Wolfgang Holzapfel. “Isso foi o que tornou tudo tão difícil e frustrante. Às vezes, eu tinha a sensação de que não estava chegando a lugar algum.”

Em 1963, Holzapfel, juntamente com amigos, começou a escavar sob um armazém desativado no bairro de Wedding. O objetivo do grupo era chegar a um porão a 80 metros de distância localizado no lado oriental do Muro para que Gerhard Weinstein, um conhecido de Holzapfel, pudesse escapar para a Alemanha Ocidental e se reencontrar com a filha.

Holzapfel começou a protestar contra o muro aos 17 anos de idade

Após quatro meses de trabalho árduo, as notícias do esforço do grupo chegaram à Stasi, o serviço secreto da antiga Alemanha Oriental. Weinstein e outras 20 pessoas que planejavam usar o túnel para fugir foram detidas. Holzapfel nunca mais ouviu falar delas.

Holzapfel, hoje com 73 anos, teve uma amarga decepção ao receber a notícia, mas insiste que os esforços de seu grupo não foram totalmente em vão. “Foi um lembrete de que sempre haverá pessoas que irão lutar contra a injustiça e que encontrarão maneiras de miná-la”, afirma.

Para Holzapfel, o túnel marcou o início de uma luta que duraria quase três décadas. “Aos 17 anos, eu disse para mim mesmo: você lutará contra esse Muro – porque ele é injusto – até vê-lo cair ou até fim da sua vida”, lembra.

Em 1965, ele foi preso durante uma manifestação pacífica no posto de fronteira conhecido como Checkpoint Charlie e passou nove meses na terrível prisão da Stasi no bairro de Hohenschönhausen. Após ser liberado, Holzapfel continuou protestando e permaneceu convicto de que veria a Alemanha reunificada.

No 28º aniversário da construção, em 1989, Holzapfel se envolveu na bandeira alemã e se deitou sobre a linha divisória

No 28º aniversário da construção do Muro, em 1989, Holzapfel fez talvez o seu mais simbólico ato de protesto. “Eu pensei: agora, eu preciso fazer algo para mostrar claramente a loucura de se dividir uma cidade”, diz.

Ele se envolveu na bandeira alemã e deitou no chão do Checkpoint Charlie – com o coração e a cabeça no leste e os pés no oeste – e a linha branca que marca a fronteira parecia correr sobre seu corpo. “Assim como eu sou obviamente um corpo, Berlim é um todo, e a Alemanha é um todo”, argumentou.

Menos de três meses depois, em 9 de novembro de 1989, o Muro de Berlim caiu. No dia seguinte, Holzapfel se encontrava no ponto da praça Postdamer Platz onde leste e oeste se encontravam. “Eu estava chorando. Não havia nada melhor – e nada pode superar esse sentimento.”

Há planos para que o túnel de Holzapfel seja preservado e integrado ao Memorial do Muro de Berlim. Para ele, retornar à entrada do túnel é sempre uma experiência emocionante. “Mas não é apenas a minha história. É um pedaço da história de Berlim”, diz.

Fonte: DW

Opinião: O Muro de Berlim ainda existe

Neste mês de fevereiro igualam-se o período de existência da barreira entre as duas Alemanhas e o transcorrido desde sua queda. Mas as velhas fronteiras entre Leste e Oeste perduram, opina o jornalista Marcel Fürstenau.

Berlim: exatamente o mesmo tempo com e sem o Muro

Eu cresci com a presença do Muro de Berlim, ele ficava a só umas centenas de metros do meu playground. Na adolescência – nesse meio tempo, nós tínhamos nos mudado –, eu olhava pela janela da cozinha para o outro lado, para o leste de Berlim.

Eu estava cercado, mas me sentia livre. E não era só autossugestão, pois podia viajar para toda parte, a qualquer momento. Até mesmo para a Alemanha Oriental (RDA), onde viviam nossos compatriotas que não podiam vir até nós. A não ser que fossem aposentados.

Quando, em 13 de agosto de 1961, foi construída aquela monstruosidade, com seus 160 quilômetros de extensão, eu ainda não existia, só vim ao mundo um ano e pouco mais tarde. Portanto o Muro era mais velho, mas eu sobrevivi a ele.

Agora eu já existo há quase o dobro do tempo que a “muralha antifascista” – assim os governantes da Alemanha comunista denominavam sua misantrópica, mortal construção, que corajosos cidadãos do Leste fizeram após insuportavelmente longos 28 anos, dois meses e 26 dias. E neste 5 de fevereiro completa-se exatamente esse mesmo tempo que o Muro de Berlim é história.

Portanto ele não existe mais, exceto alguns restos que foram preservados. E que são também necessários para dar à posteridade ao menos uma ideia das consequências que muros podem ter sobre os seres humanos, consequências que costumam perdurar ainda por muito tempo.

O elemento desagregador do passado se torna presente quando eu converso com antigos cidadãos da RDA sobre a vida deles na Alemanha unificada; quando, por exemplo, eles reclamam, geralmente com razão, de suas aposentadorias mais baixas. É vergonhoso elas ainda não terem sido integralmente equiparadas, passados mais de 28 anos da queda do Muro.

Não me espanto nem um pouco que muitos alemães-orientais continuem se sentindo como cidadãos de segunda classe. Nunca entendi por que das elites da RDA foram substituídas, em sua maioria, por gente do Oeste.

No caso de funcionários especialmente contaminados pela ideologia política, percebo a motivação, óbvio. Mas a purgação em empresas, universidades, ciência e cultura foi, para o meu gosto, muito mais além da medida absolutamente indispensável. Em pleno 2018, a presença alemã-oriental nos postos de liderança de todos os setores da sociedade está muito abaixo da média.

Devo considerar um consolo o fato de há 13 anos a minha chefe de governo ser Angela Merkel, socializada na Alemanha Oriental, porém nascida em Hamburgo? Não estou sendo tão sarcástico quanto pareça: pelo contrário, tenho plena convicção que teríamos avançado muito mais em termos de reunificação interna se houvesse mais gente do tipo de Merkel nas funções mais altas. Esse foi um dos motivos por que lamentei Joachim Gauck não ter se candidatado para um segundo mandato presidencial, em 2017.

No que se refere a um outro campo da política, há muito parei de querer entender: refiro-me à consequente marginalização do partido A Esquerda, originário da RDA. Até hoje os conservadores cristãos da CDU/CSU no governo se recusam a apresentar propostas em conjunto com os esquerdistas – o caso mais recente foi o debate sobre o antissemitismo, em meados de janeiro.

Esse é um tema em que todas as bancadas – excetuada a da Alternativa para a Alemanha, de tendência ultradireitista – estão de acordo: o antissemitismo deve ser incondicionalmente repudiado. Ainda assim, democrata-cristãos e social-cristãos se recusaram a unir forças com A Esquerda. Nesse momento, o mais tardar, eu teria desejado uma intervenção decidida de Angela Merkel, enquanto chanceler federal e líder da União Democrata Cristã (CDU)!

Para mim não há dúvida: quem até os dias atuais rejeita toda uma ala política em razão de suas raízes históricas, carece de maturidade democrática. É assim que se cimentam muros mentais num país em que o Muro de concreto caiu em 9 de novembro de 1989 – portanto 28 anos, dois meses e 27 dias atrás.

A atual data, em que essa barreira completa exatamente o mesmo tempo de não existência do que de pé, seria o momento ideal para também demolir os últimos muros nas cabeças. Os jovens nos mostram como isso é possível: para a grande maioria deles, Leste e Oeste não passam de pontos de orientação geográfica.

Recentemente celebrei na minha família o primeiro casamento alemão-alemão – como se diria antigamente. Ambos nasceram poucos anos antes da queda do Muro de Berlim, ele, no estado de Baden-Württemberg, ela, na Saxônia. Hoje o casal vive em Leipzig, a cidade dois heróis, cujos cidadãos contribuíram decisivamente para a revolução pacífica da RDA, com seus legendários “protestos de segunda-feira”.

Felizmente histórias como essa são normais entre a geração de meus parentes mais jovens, à qual também pertencem os meus filhos. Muitos dos mais velhos poderiam tomá-los como exemplo, embora isso seja difícil para grande parte deles, por motivos em parte compreensíveis.

Marcel Fürstenau

No que se refere aos responsáveis na política, desejo que também os últimos “guerreiros frios” finalmente reconheçam os sinais do tempo e façam jus à própria responsabilidade. Só aí os últimos muros também poderão cair.

  • Marcel Fürstenau é jornalista da DW

Fonte: DW

 

 

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Embraer e Boeing negociam criação de uma terceira empresa

Embraer e Boeing estão negociando a criação de uma terceira empresa na tentativa de contornarem as condições do governo federal em torno de uma eventual aquisição da companhia brasileira, afirmou hoje (2) uma fonte do governo.

Uma segunda fonte com conhecimento das negociações disse que uma nova proposta da empresa norte-americana foi apresentada ontem (1) e não inclui a área de defesa da Embraer, que desenvolveu o cargueiro militar KC-390. “A Boeing apresentou ontem uma nova proposta. Ela será estudada e analisada pelo comitê monitora as discussões”, disse hoje a segunda fonte.

As empresas tornaram público em dezembro que estavam discutindo uma aliança depois que as rivais Airbus, da Europa, e Bombardier, do Canadá, acertaram uma parceria em torno dos jatos regionais CSeries, do grupo canadense.

O governo brasileiro detém uma golden share na Embraer, mecanismo que dá poder de veto em decisões estratégicas da fabricante brasileira, como uma eventual aquisição da companhia. “O acordo caminha na direção da criação de uma terceira empresa”, disse a primeira fonte.

As ações da Embraer lideravam as altas no Ibovespa nesta sexta-feira, exibindo às 14h31 valorização de 4,6%. Mais cedo, o papel chegou a subir cerca de 9% com publicação de notícia no blog da jornalista Miriam Leitão, do grupo “Globo”, que afirmou que a Embraer teria aceitado a segunda proposta da Boeing.

Procurada, a Embraer não comentou o assunto até a publicação desta reportagem. A Boeing afirmou no Brasil que estrutura uma possível aliança com a Embraer e que o assunto ainda está sendo estudado.

A área de defesa da Embraer, apesar de representar apenas 20% da empresa brasileira, é a que desde a década de 1970 tem impulsionado os avanços tecnológicos da companhia e atualmente desenvolve uma série de projetos com forte apelo para a soberania nacional.

Em meados do mês passado, uma outra fonte com conhecimento das discussões tinha afirmado à Reuters que os modelos de parceria entre as empresas poderiam ser um “market agreement”, uma joint venture ou um acerto sobre desenvolvimento conjunto de tecnologias.

Na ocasião, a fonte comentou que as autoridades brasileiras estudaram a fundo outros casos de parceria e também a situação comercial da Boeing. A avaliação obtida foi que parcerias como as que a companhia norte-americana firmou com empresas australianas e britânicas do setor não interessariam serem copiadas pela Embraer por envolveram, em grande parte, prestação de serviços, segundo a fonte.

Redação, com Reuters

Fonte: Forbes

 

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Líderes internacionais condenam “revisão nuclear” dos EUA

Alemanha reforça o coro de condenação às intenções de Trump de expandir o arsenal nuclear nacional. Antes, os anúncios de Washington haviam sido criticados pela China e Rússia. Irã aponta hipocrisia e violação do TNP.

Ministro do Exterior da Alemanha, Sigmar Gabriel, apela para que Europa lidere iniciativa pelo desarmamento

O ministro alemão do Exterior, Sigmar Gabriel, uniu-se ao coro crítico contra a decisão recentemente anunciada pelos Estados Unidos de renovar e expandir seu arsenal nuclear. Segundo Gabriel, agora é hora de a Europa tomar a dianteira na iniciativa pelo desarmamento nuclear global.

“Como nos tempos da Guerra Fria, nós, na Europa, estamos especialmente ameaçados por uma nova corrida armamentista nuclear”, declarou neste domingo (04/02). “Precisamente por isso, devemos lançar novas iniciativas para controle de armas e desarmamento.”

O comentário do chefe da diplomacia da Alemanha veio em reação à assim chamada Revisão da Postura Nuclear, divulgada na sexta-feira, em que a administração Donald Trump delineia sua nova estratégia militar e nuclear. Além disso, o Pentágono classificou Rússia e China como as principais ameaças aos EUA.

Gabriel admitiu que a anexação da península ucraniana da Crimeia pelo governo de Vladimir Putin provocou uma “dramática perda de confiança na Rússia”, tanto nos EUA quanto na Europa. “Os sinais de que a Rússia está se rearmando, não só convencionalmente, mas com armas nucleares, são óbvios.”

No entanto, ao invés de desenvolver novas armas, Berlim se empenhará “junto a seus aliados e parceiros” pela continuação do desarmamento global e para que “os tratados de controle de armas existentes sejam mantidos incondicionalmente”, prometeu.

Pressão internacional contra Trump

Os comentários do social-democrata Sigmar Gabriel vieram na esteira de uma série de críticas por diversos países, inclusive aqueles mencionados especificamente no relatório do Pentágono.

Segundo chanceler iraniano, Donald Trump (foto) estaria violando Tratado de Não Proliferação de 1970

O Ministério da Defesa da China declarou-se “em firme oposição” à estratégia nuclear proposta pela administração Trump, descartando-a como baseada em pura especulação quanto às prioridades militares de Pequim.

“Esperamos que os EUA abandonem sua mentalidade de Guerra Fria, assumam responsabilidade pelo desarmamento nuclear e avaliem de forma justa os desdobramentos da China em assuntos de defesa e militares”, instou o órgão.

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, igualmente condenou neste domingo as estratégias propostas pelo Pentágono, acusando Trump de hipocrisia ao se opor ao programa nuclear iraniano. “Como alguém pode falar de paz mundial, quando ao mesmo tempo fala de novas armas nucleares e ameaça seus principais inimigos?”, comentou.

Na véspera, o ministro do Exterior do país, Mohammad Javad Zarif, advertira no Twitter que a política nuclear de Washington colocaria a humanidade “mais próxima da aniquilação”, acrescentando que ela viola o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), assinado em 1970 por quase todos os países, inclusive os EUA.

Declarando-se “profundamente decepcionado”, o governo da Rússia igualmente criticou no sábado a proposta americana, por seu caráter “belicoso e antirrusso”, assegurando que responderá à altura para garantir a própria segurança.

Fonte: DW

China acusa EUA de terem “mentalidade da Guerra Fria” por sua política nuclear

A China está de novo no alvo da Administração de Donald Trump. Semanas após o relatório de segurança nacional norte-americano ter catalogado o país asiático e a Rússia como “poderes revisionistas”, Pequim foi apontado – ao lado de Moscou – como pretexto para modernizar a capacidade nuclear de Washington.

Militares chineses, na base de Zhurihe, em junho de 2017 – REUTERS

XAVIER FONTDEGLÒRIA

As autoridades chinesas negam o rearmamento, dizem que os Estados Unidos interpretam equivocadamente o desenvolvimento militar de seu país e atribuem esse erro a “uma mentalidade própria da Guerra Fria” por parte do atual ocupante da Casa Branca.

O Ministério da Defesa do país asiático rejeitou neste domingo, de forma contundente, as acusações feitas por Washington. “Esperamos que os EUA abandonem sua mentalidade própria da Guerra Fria (…) e vejam de maneira objetiva a defesa nacional chinesa e seu desenvolvimento militar”, afirmou a pasta, em nota, alegando que seu arsenal atômico tem um objetivo dissuasivo e que seu compromisso é não ser o primeiro a utilizar o arsenal em caso de conflito.

Além de seu desenvolvimento econômico, a China dedica cada vez mais recursos ao seu Exército (cerca de 547 bilhões de reais, segundo o último orçamento), transformando-se no segundo país do mundo com maiores gastos militares, atrás dos EUA. As forças armadas estão imersas num processo de modernização baseado sobretudo na melhoria de sua Marinha e sua Força Aérea, com ênfase especial na atualização de sua capacidade cibernética e na tecnologia de mísseis balísticos.

Devido à intenção da Administração Trump de revisar sua política nuclear, nesta semana o jornal oficial do Exército Popular de Libertação pediu que seja seguido esse mesmo caminho para que a China não fique para trás ante os avanços dos EUA e da Rússia. Até agora, nenhum alto funcionário político ou militar confirmou planos nesse sentido.

Embora a China tenha aumentado consideravelmente seu poder bélico, em número de armas atômicas continua bem atrás dos EUA e da Rússia. Segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (Sipri), em 2017 Pequim armazenava 270 ogivas nucleares, contra 7.000 e 6.800 de Moscou e Washington, respectivamente.

“A paz e o desenvolvimento são tendências globais irreversíveis. Os EUA deveriam tomar a iniciativa e seguir essa via em vez de ir contra ela”, afirmou o Ministério da Defesa chinês, lembrando que manterá seu arsenal nuclear “nos patamares mínimos”. O relatório que o Pentágono apresentou na sexta-feira, contudo, explica que Pequim “está expandindo sua considerável força nuclear de forma pouco transparente”. O texto, que defende a criação de ogivas nucleares de menor rendimento que as atuais – embora igualmente devastadoras –, ressalta a preocupação de Washington sobre a Coreia do Norte, a China e o Irã, mas o enfoque recai sobretudo na Rússia.

Fonte: El País

 

 

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Conflitos Destaques Rússia Síria

Atualizado: Piloto russo cai em Idlib e é morto por rebeldes sírios

 Após sobreviver queda de avião de combate abatido por míssil antiaéreo, militar russo é morto em tiroteio por rebeldes, em região controlada pelo Organismo de Libertação do Levante.
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Sukhoi 25 caiu em área da Síria controlada por insurgentes

O piloto do avião de combate russo derrubado neste sábado (03/02) por rebeldes sírios no leste da província de Idlib, no noroeste da Síria, morreu em um tiroteio, após saltar de paraquedas, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

O avião russo, modelo Sukhoi 25, caiu numa área entre a cidade de Maarat al Numan e Saraqueb, no leste de Idlib, controlada por facções insurgentes, onde desde 25 de dezembro o governo sírio está efetuando uma ofensiva, com apoio aéreo russo.

O piloto, segundo o Observatório, conseguiu saltar de paraquedas antes do impacto, mas uma vez em terra foi rodeado por uma facção insurgente não identificada e foi abatido após um tiroteio.

O Ministério de Defesa da Rússia confirmou que o seu avião foi derrubado por “um míssil antiaéreo” em Idlib, bem como a morte do piloto. Segundo comunicado do órgão reproduzido pela agência Sputnik, o homem sobreviveu ao impacto, mas foi abatido em terra “durante uma luta com terroristas”. A Rússia realiza todos os esforços para recuperar o corpo do piloto, com a ajuda da Turquia, acrescentou a nota.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos indicou que aviões e helicópteros militares lançaram um total de 50 ataques aéreos contra Idlib neste sábado. Pelo menos cinco pessoas morreram em Saraqueb, uma das cidades mais importantes da província, situada próximo à estrada que conecta Aleppo com a capital Damasco.

Os combates das tropas governamentais e seus aliados contra o Organismo de Libertação do Levante, a aliança da ex-filial da Al Qaeda, e outras facções continuam e se concentram na área de Tel Tuqan, situada 11 quilômetros ao leste de Saraqueb. Quase toda Idlib está controlada pelo Organismo de Libertação do Levante e outras facções.

Fonte: DW

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Edição: Plano Brasil

Grupo terrorista assume responsabilidade por ataque a avião SU-25 russo

O grupo jihadista Tahrir Al-Sham, ligado a um antigo braço da Al-Qaeda na Síria, assumiu a responsabilidade por derrubar um avião de combate russo SU-25 utilizando uma arma antiaérea portátil.

O Tahrir al-Sham fez uma postagem em suas redes sociais citando um comandante encarregado de seus ataques aéreos, dizendo que um dos seus militantes atingiu o SU-25 russo durante uma ‘incursão aérea’ sobre a cidade de Saraqeb na província noroeste de Idlib.

Mais cedo neste sábado (3), o ministério da Defesa russo afirmou em comunicado que dezenas de terroristas foram mortos em ataque na região em que o SU-25 russo foi abatido, na província de Idlib.

“Enquanto patrulhava a zona de redução de conflito, a aeronave russa SU-25 caiu […]. De acordo com informações preliminares, o avião foi atingido por um sistema antiaérea portátil”, afirmou o ministério em comunicado, adicionado que o piloto fora morto no solo.

O piloto teria ainda conseguido ejetar do avião antes da queda e pousou em uma área controlada pelo grupo terrorista Frente al-Nusra. O piloto morreu em confronto com os terroristas.

O grupo terrorista Tahrir al-Sham inclui a organização antigamente conhecida como Frente al-Nusra, que servia como braço da Al-Qaeda na região.

Fonte:  Sputnik

Rússia mata mais de 30 militantes na Síria, diz agência TASS

A cena mostra o que, segundo os rebeldes sírios, foram incêndios causados ​​por um avião militar russo derrubado por forças rebeldes perto de Idlib na Síria, segundo relatado em 3 de fevereiro de 2018 – imagem obtida das mídias sociais via REUTERS

O ataque da Rússia com uma arma de alta precisão não revelada matou mais de 30 militantes em uma área do Idlib, na Síria, onde um avião russo foi abatido antes, informou a agência de notícias TASS, citando o Ministério da Defesa da Rússia, neste sábado.

O avião de guerra russo Su-25 foi derrubado na província de Idlib e o piloto foi morto durante “uma briga” depois de ter se ejetado com pára-quedas, infrmou o ministério.

Fonte: Reuters

Edição: Plano Brasil

 

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