Defesa & Geopolítica

Um “Kilo” de problemas…

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Otan caça desesperadamente o submarino “Rostov – On – Don” no Mediterrâneo, enquanto as demais unidades da classe sediadas no Mar Negro se fazem ao mar…

Por: César A. Ferreira 

Para o Plano Brasil

Nestes últimos sete dias o Mar Mediterrâneo tornou um “campo de batalha”, destroyers e fragatas da OTAN percorrem os estreitos e acessos com sonares ativos, enquanto aeronaves P-8 Poseidon executam varreduras aéreas. O motivo deste frenesi tem nome: “Rostov – On – Don”, submarino que pertence a Marinha da Federação Russa que adentrou no Mar Mediterrâneo pelo estreito de Gibraltar… Um submarino singelo, de propulsão diesel – elétrica, também conhecida como “convencional”, todavia moderno, capaz, apesar da limitação evidente desta classe de navios submersíveis: a necessidade de recarregar as baterias.

De fato, os submarinos diesel – elétricos são bastante capazes, ainda que chamem uma atenção muito menor do que os seus irmãos de propulsão nuclear, são mais discretos, dado que os motores de indução elétrica são muito silenciosos, pois independem de engrenagem e tubulações para o ciclo de vapor. As deficiências sentidas nos projetos de submarinos convencionais, ainda incontornáveis, situam-se na necessidade de recarga das baterias e na impossibilidade de sustentar uma perseguição em alta velocidade por um longo período (submerso).  O uso do snorkel, por melhor que seja a intuição do comandante, por definição causa indiscrição, o esgotamento das baterias impede a perseguição direta aos alvos velozes por longos períodos, entretanto, a elevada discrição dos submarinos convencionais permite a execução duma caça posicional, tornando-os adversários terríveis para qualquer planejador militar. Além disto vale lembrar que tecnologias AIP estão disponíveis, bem como o advento de novas baterias, notadamente as de íon-Lítio, cuja capacidade excedem em mais de quatro vezes as capacidades das baterias de Chumbo-Ácido anteriormente empregadas.

As peripécias do singelo B-237 no Mediterrâneo vêm sendo acompanhada pelos usuários da internet através do site Flight Radar, onde visualizam as várias órbitas concêntricas realizadas neste mar pelos P-8 Poseidon… Isto é indicativo de um padrão de varredura. Além das onipresentes sonobóias, elementares para a detecção hidroacústica, o P-8 conta com uma torre eletro – óptica MX-10 e de um radar de abertura sintética APY-10, sensores indispensáveis para localizar um snorkel, além de interessante sensor de partículas de hidrocarbonetos, que fornece indicações a partir da detecção destas, advindas da presença e do consumo de diesel para os motores de combustão interna (necessários para recarregar as baterias). A ausência do MAD nestas aeronaves, tão comentada, dá-se em função da USNAVY os considerar pouco importantes.

O que torna o B-237 “Rostov – On – Don” tão especial a ponto de desencadear uma caçada tão frenética pela sua localização? Além do orgulho natural de uma marinha de localizar um submarino alheio que perambula pela sua vizinhança, tal empenho se dá pelas características ofensivas deste submarino, que exibe 3.200 toneladas, cota máxima de 300 metros e a possibilidade de uso dos mísseis de cruzeiro 3M54 Kalibr (código OTAN SS-N-27). A presença deste sistema de armas muda muita coisa, pois de um submarino limitado a ataques com torpedos, 40~50 km, para algo em torno de 220~660 km… E isto sem levar em conta a ogiva, que pode ser a usual, 500 KG HE, ou termonuclear. Compreende-se, pois, o motivo da perseguição histérica.

O mundo gira, outros dizem que capota, mas como tudo que está ruim sempre pode ficar pior, deu-se para a OTAN que em virtude das suas provocativas manobras no Mar Negro, a “Sea Shield 21” a Marinha da Federação Russa fez levantar ferros todos os seis submarinos Project 636.3 da frota do Mar Negro. Para quem não sabe o Mar Negro com a sua característica apresentar distinta camada com diferença de densidade, oferece uma ótima situação tática para caçadores submarinos. Navios neste mar, como de regra em qualquer mar fechado, não passam de patos sentados numa lagoa. Neste caso, ladeados por seis tubarões de negro aço.

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