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Brasil e OTAN: uma análise da possível parceria

 

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi criada em 1949, agrupando 12 países em torno de um projeto de “segurança coletiva” em face do inimigo comum.  A Europa estava dividida ideologicamente: a leste, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) ameaçava expandir militarmente seu território e, a oeste, os Estados Unidos da América (EUA) tentavam impedir.

            Desde sua criação, a organização sediada em Bruxelas incorporou novos atores e, atualmente, é composta por 29 países.  A despeito da incontestável liderança americana, as decisões são tomadas em unanimidade, não havendo o poder de veto como ocorre, por exemplo, no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

            Com o fim da URSS, a organização teve sua finalidade questionada sob o pretexto de que a ameaça militar direta teria se extinguido. No entanto, a instabilidade de caráter étnico dos Balcãs e o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 reforçaram a ideia de que a OTAN iria ainda desempenhar um papel importante.  O pensamento de extinção cedeu lugar ao processo de transformação pelo qual a organização ampliou sua área geográfica de atuação para além de seus próprios limites.

            Nesse contexto de transformação, a ideia de se estabelecer parcerias estratégicas para a paz foi colocada em prática. Baseada em um senso mais complexo de defesa coletiva, a OTAN passou a privilegiar relações bilaterais com países não europeus capazes de contribuir de alguma forma para a consecução de seus objetivos. São exemplos claros de tais parcerias as relações entre a OTAN e o Iraque, o Afeganistão, a Austrália e, na América do Sul, mais recentemente, a Colômbia.   

            Em novembro de 2018, em uma entrevista à BBC, o ex-embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, defendeu que o Brasil estabelecesse também uma parceria para a paz com a OTAN, pois “isso traria ao Brasil uma oportunidade para se envolver e trabalhar diretamente não apenas em questões militares e das forças armadas, mas em tudo que for ligado à segurança nacional e segurança global”. 

Para o Brasil, maior país da América do Sul, a aproximação direta com a OTAN sempre gerou questionamentos sobre o que essa parceira representaria para o país. Essa é uma reflexão importante, especialmente no momento atual, em que a política externa brasileira está se aproximando dos EUA.

            No campo geopolítico, não há dúvidas de que se o Brasil deseja realmente alcançar uma posição de maior protagonismo internacional, uma possível parceria com a OTAN contribuiria para este objetivo. Ressalta-se que isso não representa um rompimento com a tradição brasileira de não intervenção e de solução pacífica de controvérsias.

            Por outro lado, o estabelecimento dessa parceria reafirmaria o posicionamento contrário do Brasil ao expansionismo e ao terrorismo, repudiados historicamente pela diplomacia brasileira. Ou seja, a ação de se aproximar não seria novidade nenhuma para aqueles que acompanham os passos do Brasil.

            Militarmente, as oportunidades são mais claras e fáceis de visualizar. O sistema doutrinário da aliança é fruto das lições aprendidas em suas missões e constitui-se em um conhecimento de ponta para nações pacíficas como o Brasil. A ideia-força seria  “aprender com os erros e acertos dos outros”. A OTAN cumpre missões, atualmente, no Afeganistão e em Kosovo, patrulha o mar Mediterrâneo, apoia a União Africana na Somália e policia o espaço aéreo nas regiões fronteiriças com a Rússia. Todas essas atividades podem subsidiar a nossa própria doutrina.

            A Diretriz para Atividades do Exército Brasileiro na Área Internacional (DAEBAI) assinala a região formada pela América do Norte e Europa como sendo o “Arco do Conhecimento” para aquisição de inovações doutrinárias e tecnológicas. Para cumprir esse objetivo, militares brasileiros são enviados para frequentarem cursos de aperfeiçoamento e altos estudos que os tornam conhecedores da doutrina militar das Nações Amigas (NA). Paralelamente, uma rede de oficiais de ligação foi estabelecida com o intuito de se ter acesso aos centros de doutrina desses países. Estamos, de uma maneira indireta, recebendo os ensinamentos da OTAN.

            Não obstante, há que se ressaltar que uma parceria com a aliança permitiria o acesso direto ao sistema de ensino da Organização. A Colômbia, por exemplo, envia militares para a Escola da OTAN na Alemanha (Oberammergau) e para o Colégio de Defesa da OTAN na Itália (Roma) desde 2013. Ademais, O Exército Brasileiro poderia ter acesso facilitado a outras formações como, por exemplo, na Escola de Defesa Cibernética em Portugal, considerada referência no setor.

            Nessa mesma direção, acrescenta-se a possibilidade de promoção dos Produtos de Defesa do Brasil em mercados tradicionalmente fechados. Quanto mais aprofundarmos a participação em exercícios utilizando material nacional, maiores são as chances de adoção desses equipamentos na Europa e nos demais parceiros da OTAN. Os programas ASTROS e GUARANI encaixam-se perfeitamente nesse ponto.

            Finalmente, cabe ressaltar que estabelecer uma pareceria para a paz com a OTAN não representa, em absoluto, alinhar-se automaticamente com qualquer ator internacional. Ao contrário, assinala um passo pragmático para o fortalecimento das capacidades militares dissuasórias do País. Sem dúvidas, será um passo possível e importante.

Fonte: EBlog

 

Sobre o Autor

O Tenente-Coronel Mauricio Aparecido França é oficial de infantaria do Exército Brasileiro. Após concluir o curso da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro, frequentou a École de Guerre, em Paris em 2017-2018. Nesse ano escolar, cursou o programa de mestrado da École Pratique Hautes Etudes (EPHE) desenvolvendo pesquisa sobre a evolução do pensamento geopolítico brasileiro”.

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Departamento de Estado dos EUA autorizou a venda de quatro helicópteros Black Hawk UH-60M para a Letônia

Por: Aaron Mehta

Tradução e adaptação-E,M,Pinto

O Departamento de Estado dos EUA autorizou a venda de quatro helicópteros Black Hawk UH-60M para a Letônia, a medida é considerada um movimento para reforçar a capacidade da OTAN de movimentar forças ao redor do flanco leste da aliança. A venda tem um preço estimado de US $ 200 milhões, que abrange os quatro helicópteros, 10 motores e equipamentos associados.

Como em todos os anúncios da Agência de Cooperação de Segurança e Defesa (DSCA), a venda deve passar pelo Senado, quando as negociações podem começar; quantidades totais e totais de dólares geralmente mudam do anúncio original da DSCA e da venda final.

“Esta proposta de venda apoiará a política externa e a segurança nacional dos Estados Unidos, ajudando a melhorar a segurança de um aliado da OTAN… Esses helicópteros UH-60 permitirão a interoperabilidade com as forças dos EUA e da OTAN em resposta rápida a uma variedade de missões e posicionamento rápido de tropas com o mínimo de recursos de helicópteros”. declarou a DSCA en um comunicado.

A venda desses helicópteros UH-60M para a Letônia aumentará significativamente a sua capacidade de fornecer transporte de tropas, segurança de fronteira, anti-terrorismo, evacuação médica, busca e resgate, reabastecimento / apoio externo e suporte de combate em qualquer tempo.

O principal contratado do helicóptero é a Sikorsky em Stratford, Connecticut; os motores serão produzidos pela General Electric Aviation Company em Lynn, Massachusetts. Não há compensações industriais associadas ao negócio em potencial.

Fonte: defensenews.com

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Geopolítica Geopolitica Inteligência

Gastos militares dominam discussões da cúpula da Otan

Imagem- MT5

Os gastos militares nacionais dos 29 países da Otan dominam a cúpula desta quarta e quinta-feira em Bruxelas, após as críticas do presidente americano, Donald Trump, para quem seus aliados não gastam o suficiente e se aproveitam dos Estados Unidos.

“Países da Otan têm que pagar mais, os Estados Unidos têm que pagar menos. Muito injusto!”, tuitou Trump, para quem os membros europeus da Aliança e do Canadá não respeitam seu compromisso de destinar 2% de seu PIB nacional à defesa.

Mas qual é a situação por trás das críticas?

– Quanto os Estados Unidos investem em defesa? –

Donald Trump afirmou, na segunda-feira, que os Estados Unidos “estão pagando 90% da Otan” – embora não esteja claro como chegou a esse valor.

Os dados publicados nesta terça-feira pela Aliança mostram que o orçamento nacional de defesa dos Estados Unidos representa dois terços do conjunto dos aliados em 2018.

Segundo valores constantes desde 2010, o orçamento da maior potência militar do mundo chega a 623,241 bilhões de dólares, frente aos 935,557 bilhões dos 29 aliados.

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O Reino Unido está na segunda posição com 59,755 bilhões de dólares, seguido de França (53,038 bilhões) e Alemanha (48,862). O Canadá está em sexto, com 23,637 bilhões.

– 2%: um compromisso vinculante? –

Independentemente do volume de sua economia, os países da Otan se comprometeram na cúpula de Gales de 2014 a aproximar seu gasto à meta de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional até 2024.

Os 28 aliados de Washington também acordaram, em meio à tensão com a Rússia por seu papel no conflito na Ucrânia, a frear os cortes nos setores de defesa, realizados durante a crise econômica.

Desde então, o gasto total dos aliados europeus e do Canadá acumulado já não registrou cortes e aumentou em cerca de 87,6 bilhões de dólares.

Contudo, desde sua chegada à Casa Branca em janeiro de 2017, Trump se referiu ao objetivo de 2% diversas vezes para garantir que seus aliados não cumprem sua promessa.

Os aliados não veem exatamente assim. “Não é uma obrigação legal vinculante, é uma orientação política”, reconheceu uma fonte diplomática de um país da Otan.

– Quem cumpre os 2%? –

Em termos percentuais em relação ao PIB, a maior economia do mundo é de longe a maior contribuinte, com 3,5% do PIB – segundo dados da Otan de 2018 baseados em valores de 2010.

Além dos Estados Unidos, cumprem o objetivo a Grécia, com 2,27%, a Estônia (2,14%) e o Reino Unido (2,10%), aos quais se somou neste ano a Letônia, com 2%, de acordo com esses dados.

Polônia (1,98%), Lituânia (1,96%) e Romênia (1,93%) podem se juntar ao grupo em 2018, já que esses países acordaram a nível nacional alcançar a meta, segundo a Otan.

A Alemanha, maior economia europeia, se manteria estável este ano em 1,24%, o que lhe torna o alvo preferido das críticas do presidente americano.

Dos 29 membros da Otan, Luxemburgo registraria o menor gasto militar em 2018, com 0,55% do PIB nacional, atrás de Bélgica e Espanha, ambos com 0,93%.

– Além dos 2% –

O presidente dos Estados Unidos algumas vezes sugeriu que seus aliados “devem dinheiro” à Otan, embora isso crie confusão ao não diferenciar a meta de gastos nacionais e as contribuições diretas para a Aliança.

Essas contribuições são usadas para financiar o “orçamento civil” da Aliança (291 milhões de dólares em 2018), que cobre o custo da administração da sede da organização transatlântica em Bruxelas.

Mas os 29 aliados também contribuem para o “orçamento militar” de cerca de 1,55 bilhão de dólares em 2018, que financia a estrutura de comando da Otan.

A contribuição é feita com base no tamanho da sua economia. Os Estados Unidos, portanto, pagam 22% do total, seguidos por Alemanha, com 14%, e França e Reino Unido, com 10,5% cada.

Fonte:AFP via  EM

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HANGOUT Plano Brasil - Colômbia na OTAN?

Secretário Geral da OTAN Jens Stoltenberg e o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

O Plano Brasil apresenta mais um Hangout com temática geopolítica, desta vez tratando da entrada da Colômbia na Organização do Tratado do Atlântico Norte como Parceiro Global desta organização.

Contando com a participação de: Tito Livio Barcellos Pereira

Possui licenciatura em Geografia pela Universidade de São Paulo (2009), bacharelado em Geografia pela Universidade de São Paulo (2010). Atualmente é integrante – grupo de estudos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humans (FFLCH-USP) e mestre em Estudos Estratégicos da Defesa e Segurança pelo Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (INEST-UFF) É integrante do grupo de estudos sobre Rússia e Espaço pós-soviético pelo Laboratório de Estudos da Ásia (Departamento de História – USP) e pesquisador do Laboratório Defesa e Política[s] (INEST – UFF). Tem experiência na área de Geografia, Ciência Política e Relações Internacionais, com ênfase na área de Geopolítica, Geografia Regional, Rússia e Espaço pós-soviético.

Para maiores informações acessar:<http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4200259E3>

Leia mais:
Página da OTAN sobre a associação com a Colômbia

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Defesa Geopolítica

Colômbia anuncia entrada na Otan e na OCDE

Formalização deve acontecer na próxima semana em Bruxelas e Paris

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (Foto: AP Photo/Ronald Zak)

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (Foto: AP Photo/Ronald Zak)

“Sermos membros da OCDE nos permitirá fazer melhor as coisas, ver o que deu errado e o que funcionou em outros países. Com nossa entrada, melhoraremos nossas políticas públicas”, disse o mandatário no Twitter. “A entrada na Otan melhora a imagem da Colômbia e nos permite ter muito mais jogo no cenário internacional”, justificou, mais tarde, em relação ao ingresso na organização militar.

Santos irá à Europa na próxima semana para formalizar a entrada nas duas organizações. Em Paris, tratará do acesso à OCDE e, em Bruxelas, à Otan.

Otan

Em relação à Otan, Santos detalhou que a Colômbia entrará como único “sócio global” na América Latina do grupo que visa à defesa mútua dos seus membros. A organização, que inclui potências como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, surgiu na Guerra Fria como uma aliança militar contra o bloco comunista liderado pela União Soviética.

OCDE

Conhecido informalmente como “clube dos ricos”, a OCDE atua como uma organização para cooperação e discussão de políticas públicas e econômicas que devem guiar os países que dela fazem parte. Para entrar no acordo, é necessária a implementação de uma série de medidas econômicas liberais, como o controle inflacionário e fiscal. Em troca, o país ganha um “selo” de investimento que pode atrair investidores ao redor do globo.

Os países da OCDE concordaram nesta sexta (25) em convidar a Colômbia para se unir a seus membros, como informa a rede francesa RFI. A adesão do país será efetivada quando a Colômbia tiver aplicado, em nível nacional, as medidas necessárias para se unir à Convenção da OCDE e entregado sua solicitação de adesão às autoridades francesas, depositárias do documento.

“No âmbito de seu processo de adesão, a Colômbia se reformou profundamente para ajustar sua legislação, suas políticas e suas práticas às normas da OCDE, especialmente nos seguintes âmbitos: trabalho, reforma do sistema judicial, gestão das empresas públicas, luta contra a corrupção, intercâmbios e políticas nacionais inéditas em matéria de produtos químicos industriais e gestão dos resíduos”, indicou a OCDE em nota oficial.

Tradicional aliada dos Estados Unidos, a Colômbia se tornará, assim, o terceiro membro latino-americano a integrar a OCDE, depois de Chile e México. Outros países da região, como Brasil e Costa Rica, também apresentaram uma demanda para ingressar na instituição, que reúne as principais economias desenvolvidas.

Com a entrada da Colômbia, a organização terá 37 membros.

Fonte: G1

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Conflitos Defesa Geopolítica

Por que a Alemanha, grande potência europeia, tem Exército com equipamentos obsoletos e insuficientes

soldados alemães em exercício militarDireito de imagemAFP
Image captionBundeswehr carece de armamentos e efetivo

Quando, em 2014, um grupo de militares alemães se apresentou para um exercício militar conjunto da Otan (aliança militar ocidental), na Noruega, armados somente com pedaços de madeira, os exércitos dos outros países ficaram espantados.

Os soldados da Bundeswehr, como é conhecido o Exército alemão, se juntavam naquela ocasião aos demais militares da Força de Reação Rápida da Otan, criada para responder à intervenção russa nos conflitos que levaram à independência da Crimeia da Ucrânia.

Como a Alemanha não contava com fuzis suficientes para todo o seu efetivo, os tacos de madeira pintados de preto foram a solução.

A Alemanha é a quarta maior economia do mundo e é reconhecido como o país mais poderoso e influente da União Europeia. No entanto…

“Suas capacidades militares de modo algum são equiparáveis ao seu peso econômico ou diplomático”, destaca Jonathan Marcus, analista da BBC especializado em segurança e defesa.

“O Exército alemão foi aniquilado nos últimos anos e grande parte de seus equipamentos estão obsoletos ou mal conservados”, diz.

Em várias oportunidades, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se queixou de que os membros europeus da Otan não têm investido o suficiente em defesa. Embora os Estados-membros tenham se comprometido em 2014 a investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa, a Alemanha só mobilizou 1,2% para este setor, muito abaixo do destinado por outras grandes potências da Europa Ocidental, como Reino Unido (2,14%) e França (1,79%).

Donald Trump e Angela MerkelDireito de imagemAFP
Image captionDonald Trump e Angela Merkel têm visões divergentes sobre gastos militares

Ante a pujança da economia alemã, diz Marcus, críticos alegam que o país “não está gastando o suficiente em defesa e que sua contribuição não é proporcional a suas possibilidades”.

Berlim contesta dizendo que investimento em cooperação internacional é mais eficaz para prevenir conflitos do que o dinheiro gasto em programas de armamento.

Se por um lado Trump quer que a Alemanha e outros países europeus aumentem seu gasto militar, a ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, já manifestou “preocupação” pela redução do aporte de recursos dos Estados Unidos a organismos internacionais, como as Nações Unidas.

Fiel à tradição de não aderir a ações militares que não contem com o respaldo da ONU, a Alemanha não participou da recente ofensiva conjunta de Estados Unidos, França e Reino Unido na Síria em resposta ao suposto uso de armas químicas por parte das tropas leais ao presidente Bashar al-Assad.

Ursula von der Leyen ao lado do marido militarDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, prometeu incrementar o orçamento do exército

Dependência

Jufy Dempsey, editora do centro de análise Strategic Europe, explicou à BBC que a segurança da Alemanha “depende fortemente dos Estados Unidos, da França e da Otan”.

Em maio de 2017, a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, afirmou que “os tempos em que poderíamos depender totalmente dos outros estão acabando”. Mas nada indica que a capacidade técnica e armamentista da Bundeswehr tenha melhorado nos últimos anos.

Karl-Heinz Kamp, presidente da Academia Federal para Política e Segurança – um organismo governamental que se dedica à capacitação de agentes públicos da Alemanha – afirma que investimentos estão sendo feitos, embora tenham passado despercebidos.

“Nos últimos anos, temos incrementado o orçamento da Defesa, mas isso não foi notado porque o PIB está crescendo ainda mais rapidamente. Por isso, temos nos afastado do famoso objetivo de 2% da Otan, em vez de nos aproximarmos”, diz à BBC. Segundo Kamp, o gasto com a Defesa cresceu em termos absolutos, mas o PIB aumentou ainda mais, afastando o país da meta.

“O governo planeja investir muito mais em defesa, chegando a um percentual de 1,5% do PIB em 2021.”

A meta de 2% ficaria para 2024, segundo Kamp. Mas ele admite que a situação das Forças Armadas alemãs ainda é precária. “Estão corretas todas as notícias sobre submarinos que não navegam e tanques que não disparam.”

De acordo com um informe de fevereiro baseado em entrevistas com os próprios militares, os seis submarinos 212A da Marinha alemã estão fora de serviço. Essa é também a situação de 244 carros de combate.

A frota de aviões de transporte A400M sofre com manutenção deficiente, e a escassez de aeronaves atrasa, com frequência, o traslado das tropas.

Mas os problemas não afetam apenas os armamentos mais sofisticados. Faltam bens de uso cotidiano das tropas, como roupa de proteção, óculos de visão noturna e peças de reposição para automóveis.

O representante das Forças Armadas no Parlamento alemão, Hans-Peter Bartels, atribui esses problemas aos “25 anos de cortes no orçamento” da Defesa. Já Kamp afirma que o fim da Guerra Fria e a sensação de que um conflito seria improvável levaram, a partir de 1990, a que quase todos os países europeus se “descuidassem” de suas Forças Armadas.

“Conduzimos o carro sem manutenção, óleo, nem reposições, e agora está acontecendo o que acontece com todos os carros velhos”, resume.

avião de combateDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionÉ frequente que o transporte de efetivos atrase por falta de combustível ou reposição de peças

Dempsey, por sua vez, aponta que o problema não é só de dinheiro, mas também de gestão. “Há uma grave falta de planejamento”, critica.

“Comparado com outros exércitos, grande parte dos recursos vai para custeio de pessoal em vez de para a renovação e treinamento das equipes.”

A ministra Von der Leyen prometeu, em fevereiro, que o novo governo de coalizão manteria o aumento no orçamento da Bundeswehr. Ela advertiu, porém, que serão necessários anos para corrigir as deficiências.

submarino alemãoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNenhum dos submarinos 212A está em operação

Receio de militarização

O baixo investimento no Exército alemão tem razão de ser. Jonathan Marcus acredita que a situação atual “reflita o legado da Segunda Guerra Mundial e dos anos de nazismo, assim como um forte consenso na política interna de receio ao militarismo”.

Dempsey afirma que, em um país ainda marcado pela dolorosa lembrança de Adolf Hitler e do Terceiro Reich, “não agrada à classe política falar sobre Forças Armadas”.

Segundo a especialista, após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a unificação alemã, houve uma grande replanejamento militar.

“Basicamente se reduziu o tamanho (das Forças Armadas), quando foram suprimidos o Exército da República Democrática Alemã, o Estado oriental aliado com a União Soviética e o bloco comunista dos anos da Guerra Fria.”

A reduzida Bundeswehr se envolveu em poucas atividades até os ataques de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas de Nova York (EUA). Após esse episódio, as forças alemãs passaram a ser empregadas sob a bandeira da Otan em missões de manutenção da paz e de estabilização que incluíram combates em lugares como Afeganistão e Kosovo.

Soldados alemãesDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO exército alemão não chega a gastar 2% do PIB, como é esperado dos membros da Otan

Algumas das missões foram alvo de polêmica. Em setembro de 2009, dezenas de civis morreram em Kunduz, no Afeganistão, após o lançamento de bombas de caça F-15 norte-americano sob instruções de um oficial de inteligência alemão que havia alertado sobre a presença de guerrilheiros talebãs naquela área.

O incidente gerou protestos do governo afegão e culminou com a demissão do então ministro da Defesa alemão, Franz Josef Jung.

O desafio russo

Como outros países da Europa, a Alemanha passou, nos últimos anos, a ver a Rússia de Vladimir Putin como uma potencial ameaça.

A Conferência de Segurança de Munique, em 2014, marcou uma mudança de tom. Passou a prevalecer a retórica de que a Alemanha precisa ter um poderio militar compatível com sua importância e seu peso político e econômico no cenário internacional.

Depois disso, Berlim impulsionou a assinatura, pela União Europeia, da Cooperação Estruturada Permanente em Defesa. Os Estados Unidos encaram essa proposta com receio, já que o acordo é visto como o embrião de um exército comum no velho continente que poderia, eventualmente, entrar em contradição com a Otan.

Mas muitos dizem que os esforços alemães em aparelhar suas Forças Armadas têm sido mais lentos que o esperado. Dampsey argumenta que o poder bélico de “dissuasão da Alemanha ainda é fraco”. Para ela, a maior garantia do país europeu a uma eventual invasão russa continua a ser o artigo 5 do Tradado da Aliança Atlântica, que diz que todos os países-membros devem responder solidariamente a um eventual ataque contra qualquer um deles.

soldados alemães em exercício militarDireito de imagemAFP
Image captionApós o ataque de 11 de setembro, a Otan passou a se envolver em mais missões militares

Venda de armas

A escassez de equipamentos da Bundeswehr contrasta com o dinamismo da indústria armamentista do país, que foi o quarto maior exportador mundial de armas em 2017, segundo dados do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo.

Empresas como a Hekler & Koch, cujo fuzil G36 é um dos mais usados por Forças Armadas de diferentes países, figuram na lista dos maiores fabricantes mundiais.

Após anos de críticas e protestos de ativistas, a Hekler & Koch anunciou em 2017 que deixaria de vender seus produtos em países em conflito e que pratiquem violações sistemáticas dos direitos humanos.

soldado na crimeiaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA anexação da Crimeia despertou na Alemanha a preocupação com o estado de suas Forças Armadas

Fonte: BBC Brasil

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Aviação Defesa Sistemas de Armas Tecnologia

Segundo jornal alemão, Luftwaffe dispõe de apenas "04" caças Eurofighter em condições de combate para a defesa do seu espaço aéreo

 

Autor:

E.M.Pinto – Plano Brasil 

 

 


Numa nota surpreendente do jornal Der Spiegel  alemão, clique para ler A Bundeswehr (Defesa Federal ou forças armadas alemãs) dispõe apenas de 04 aeronaves Eurofighter Typhoon em condições operacionais de combate.

O  artigo intitulado “Luftwaffe hat nur vier kampfbereite “Eurofighter” ou literalmente ” A Luftwaffe tem apenas quatro “Eurofighter” prontos para o combate” observa  que de tal maneira a Alemanha não poderá cumprir suas obrigações com a OTAN.

Esta situação constrange a Alemanha um dos mais proeminentes membros da Aliança Atlântica que nem mesmo poderá participar de “operações reais” na fronteira leste da aliança, onde atualmente se exige um contingente militar e presença dos países membros nos exercícios e patrulhas destacadas para fazer frente às alegadas “Ameaças Russas”.

Segundo o artigo a chave para os problemas está nas falhas técnicas do sistema de Autodefesa DASS instalados nas aeronaves de combate da Força Aérea Alemã.

A DASS é um sistema projetado pela  Leonardo e é parte integrante do subsistema de ajuda defensiva do Eurofighter Typhoon (DASS), que fornece avaliação de ameaças, proteção de aeronaves e medidas de apoio em ambientes extremamente hostis e severos.

Como o DASS é totalmente integrado à fuselagem da aeronave onde seus sistemas são apresentados na figura acima, ele não requer pods adicionais que ocupam estações de armas ou influenciariam no desempenho aerodinâmico da aeronave. O sistema integra os subsistemas de:

  • Alerta de iluminação por laser
  • Contra medidas eletrônicas
  • Alerta de aproximação de mísseis
  • Contra medidas e dispersadores de Shaff Flare
  • Isca rebocada para alvos 

O Der Spiegel reforça que dos 128 caças do inventário da  Bundeswehr apenas ínfimos 04 estariam em condições de participar das operações da OTAN no caso de um verdadeiro confronto militar, e Berlim simplesmente não será capaz de cumprir suas obrigações com a Aliança Atlântica. O jornal reforçou ainda que a Alemanha se comprometeu com os demais membros a fornecer nada menos que 82 caças Eurofighter à OTAN caso uma situações de crise surgisse.

Em Nota a  Bundeswehr  afirma que apesar de tudo, todos os caças estão disponíveis para voo, e que as aeronaves podem realmente  fazer vôos de treinamento e participar de exercícios militares destacando que as restrições são apenas nas capacidades combativas em cenário real. O Det Spiegel no entanto afirma enfaticamente que as missões de patrulhamentos do espaço aéreo na fronteira leste da OTAN, estão plenamente fora de questão.


Sobre  o Autor:

E.M. Pinto é Físico, Mestre em Física Aplicada e Doutor em Engenharia e Ciências dos Materiais, Professor Universitário editor do site Plano Brasil e de Revistas científicas  internacionais.


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Conflitos Geopolítica

Países bálticos pedem que EUA não subestimem ameaça russa

Os ministros das Relações Exteriores dos países bálticos, três países-membros da Otan, pediram a Washington e aos líderes ocidentais que levem a sério as ameaças russas “sem precedentes desde os anos 1930 e 1940”.

Na segunda-feira (5), os chanceleres de Estônia, Letônia e Lituânia agradeceram ao governo Donald Trump por seu apoio à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em uma cidade particularmente consciente da interferência russa.

Depois de sua reunião com o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, Sven Mikser (Estônia), Edgars Rinkevics (Letônia) e Linas Linkevicius (Lituânia) expressaram à AFP seus temores de uma ameaça russa “híbrida” que inclui ataques cibernéticos e intimidação militar, entre outros.

“Acredito que temos visto nos últimos três, ou quatro anos, que as nações democráticas estão sendo alvo de ataques”, disse Rinkevics.

“A própria base de nossas instituições democráticas é alvo de ataques nas redes sociais, através de informações falsas”, continuou ele.

“É importante que permaneçamos solidários”, acrescentou, denunciando ao mesmo tempo “a influência do dinheiro”.

Os presidentes desses países bálticos viajarão para Washington no início de abril para reiterar essa mensagem, na esperança de que alcance o presidente Donald Trump e de que seja ouvida por Moscou.

Edgars Rinkevics descreveu a ameaça como “sem precedentes” desde os anos 1930 e 1940, quando as jovens repúblicas bálticas caíram sob o controle da Alemanha nazista e da União Soviética.

Desde a queda da União Soviética, os três países se aproximaram do Ocidente, da Otan e da União Europeia.

Mas o presidente russo, Vladimir Putin, vê esses três países vizinhos como parte de sua área de influência. Para os países bálticos, suas declarações ruidosas sobre o colapso da URSS (“a maior catástrofe geopolítica do século XX”) e a anexação da Crimeia os tornam uma ameaça real que gera preocupação.

No ano passado, a Otan instalou quatro batalhões multinacionais na Polônia e nos países bálticos, como medida de prevenção contra possíveis pretensões russas. O Exército dos Estados Unidos enviou para a Lituânia uma bateria de defesa antimíssil Patriot para exercícios.

Os três governos bálticos reclamam há tempos da “guerra híbrida” lançada por Moscou, que utiliza conjuntamente meios como intimidação militar, manipulação política e financeira, ataques cibernéticos em redes virtuais e técnicas de propaganda agressiva.

Advertiram, porém, que seria perigoso se concentrar apenas em um desses aspectos no momento em que o ciberespaço, a economia globalizada e o mercado de mídia estão-se fundindo.

“A segurança de hoje é cada vez mais invisível”, disse Sven Mikser.

“Não existe uma divisão clara entre a segurança interna e a externa. Mesmo em termos de geografia, a segurança está globalizando”, acrescentou.

Já o ministro da Lituânia destacou com preocupação o discurso belicoso de Vladimir Putin na semana passada, em que o presidente russo elogiou os novos mísseis russos “invencíveis”.

“Este tipo de diálogo é inaplicável, é poder militar, não é diálogo”, argumentou.

Os três ministros concordam que, dada a demonstração de força de Moscou, ficariam aliviados de ver as tropas de seus aliados americanos, franceses e britânicos estacionadas de forma mais permanente nos países bálticos.

Fonte: Yahoo