Defesa & Geopolítica

O novo bombardeiro chinês será realmente furtivo ?

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Tradução e adaptação: E.M.Pinto

A revista de aviação de maior prestígio da China publicou as descrições de um concepção artista do bombardeiro estratégico pesado de nova geração da Força Aérea Chinesa.

O bombardeiro furtivo, conhecido como JH-XX pela aviation0watchers, é um avião bimotor e elegante, bem diferente dos modelos de bombardeiros furtivos dos EUA. O Pentágono acredita que o avião será capaz de transportar armas nucleares.

Imagens artistas do JH-XX apareceram na capa da edição de maio de 2018 da revista Aviation Knowledge a revista de aviação mais antiga e popular da China.

Fundada em 1958, é publicada pela Sociedade Chinesa de Aeronáutica e Astronáutica a revista tem ligações com a Universidade de Aeronáutica e aeroespacial de Pequim. Ambos têm ligações com o governo chinês, incluindo a Força Aérea do Exército Popular de Libertação (Força Aérea Chinesa).

De acordo com a Modern Chinese Warplanes, duas filosofias de design estão competindo para entrar no bombardeiro estratégico de próxima geração da China. Um deles, o H-20, é um design de asa voadora subsônico e furtivo similar aos bombardeiros americanos B-2 e B-21.

Já o Outro, o JH-XX, é um design supersônico mais convencional. O H-20 é projetado com o máximo de furtividade para se infiltrar no espaço aéreo inimigo. O JH-XX é menos furtivo, mas capaz de atingir velocidades supersônicas ao redor das defesas inimigas.

As imagens do JH-XX mostram um bombardeiro com um layout de avião bastante convencional, incluindo fuselagem e estabilizadores horizontais. A aeronave também parece construída para velocidade, com uma configuração aerodinâmica de asa de em ângulo mais crítico.

As asas estão “limpas” sem tanques de combustível ou armas, com ambos armazenados internamente para preservar o perfil furtivo do bombardeiro.

Embora não seja uma asa voadora no estilo B-2, o JH-XX tem muitos recursos de aeronaves stealth. O avião tem uma aparência achatada, com ângulos embutidos que tornam a aeronave menos suscetível ao radar. As entradas de ar são irregulares para reduzir sua assinatura de radar e colocadas no topo da aeronave para mantê-las fora da vista dos radares que operam abaixo do bombardeiro. Isso sugere que o JH-XX é projetado principalmente como um penetrador de alta altitude.

As duas saídas do motor estão enterrados dentro da cauda da aeronave, reduzindo seu aspecto de radar para trás e são protegidos horizontalmente pelos grandes estabilizadores horizontais. Isso diminui as chances de o bombardeiro ser detectado por sensores infravermelhos de busca e rastreamento e por mísseis guiados por infravermelho.

A questão é: a aparição do JH-XX na capa da mais prestigiada revista de Aviação chinesa significa que a filosofia “menos furtiva” ganhou? Se sim, porque? A asa voadora é praticamente o padrão ouro para aviões furtivos que não têm que lutar, proporcionando o máximo de furtividade para penetrar no espaço aéreo inimigo em detrimento da capacidade de manobra.

É possível que, apesar dos grandes avanços da China na aviação militar, ela ainda fique atrás dos Estados Unidos na chamada tecnologia “fly by wire”, onde aviões que, digamos, “menos que aerodinamicamente ideais”, são fáceis de voar por causa de computadores capazes de corrigir o seu traçado em voo e  de fazer ajustes contínuos nos sistemas de controle do avião.

Outra possibilidade é que a China esteja menos confiante na tecnologia stealth como principal meio de sobrevivência de aeronaves e esteja protegendo suas apostas escolhendo um bombardeiro com capacidade supersônica. Em 2017, o South China Morning Post informou que cientistas chineses estavam trabalhando em sistemas de detecção que usavam o entrelaçamento quântico para localizar e rastrear aeronaves furtivas, evitando os radares tradicionais.

Em tese o JH-XX substituiria o bombardeiro Xian H-6 no serviço chinês. O H-6 está em produção desde a década de 1950 e é aproximadamente comparável ao bombardeiro estratégico pesado B-52H da USAF. Como o B-52, o H-6 não é furtivo e ataca alvos à distância com mísseis de cruzeiro de longo alcance. Segundo o governo dos EUA, o JH-XX carregaria armas nucleares, algo que o H-6 não faz. A China não possui um inventário ativo de armas nucleares lançadas por aeronaves. Isso aparentemente está prestes a mudar.

É claro que nós, no Ocidente, podemos estar lendo demais nas coisas. A Aviation Knowledge pode ter simplesmente compartilhado as imagens para estimular as vendas na banca de revista. Mas a revista é de prestígio e exibir fotos de um avião que nunca entrará em produção parece improvável.

 

Nota do Editor

E.M.Pinto – A nomenclatura “JH” é usualmente destacada para os caças bombardeiros e não para os bombardeiros (H). Quando surgiram as  primeiras imagens do atual JHXX levou-se ao questionamento se a aeronave se trataria de um bombardeiro tático como o H-6 ou mesmo de um bombardeiro estratégico dotado de capacidade de ataque nuclear. Talvez ai esteja embutida uma das razões para sua escolha, se é que ela já foi feita.

Fonte: Defence News

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