Defesa & Geopolítica

O dinheiro secreto por trás da máquina de guerra de Putin

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Defesa e as categorias relacionadas a segurança nacional e reforço da lei agora consomem 34% do orçamento russo.

Se as intenções de Vladimir Putin continuam misteriosas, os meios são tão escusos quanto. Putin está alocando quantias sem precedentes em fundos secretos para acelerar a maior operação militar da Rússia desde a Guerra Fria, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. A fatia do orçamento federal chamada de “escura” – autorizada mas não discriminada – dobrou desde 2010 para 1% e agora totaliza 3,2 trilhões de rublos (US$60 bilhões), estima o Gaidar Institute, um grupo de pesquisa independente em Moscou.

Atormentado por sanções ligadas à Ucrânia e à queda dos preços do petróleo, Putin se volta a gastos em defesa para reviver uma economia com dificuldades. As despesas em novos tanques, mísseis e uniformes destacam a crescente militarização que infla o déficit e exclui serviços como a saúde. Milhares de recrutamentos ao exército serão levados a empresas comerciais pela primeira vez, em esforço pelo rearmamento.

“O governo tem duas tarefas urgentes: melhorar a segurança em todos os níveis da sociedade e promover inovação para o final da estagnação macroeconômica”, disse Ruslan Pukhov, diretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias e conselheiro do Ministério da Defesa em Moscou. “A solução para ambos os problemas é intensificar o desenvolvimento do complexo militar­ industrial”.

Desde a saída do país do estado de quase­ falência há 15 anos, Putin aumentou os gastos em defesa em mais de 20 vezes, em termos de rublos. Em dólares, esses gastos superaram US$84 bilhões no ano passado, mais do que qualquer outra nação, exceto os EUA e a China de acordo com o Instituto de Pesquisa pela Paz de Estocolmo.

“Guerra permanente”

A defesa e as categorias relacionadas a segurança nacional e reforço da lei agora consomem 34% do orçamento, mais que o dobro de 2010. Os EUA, em comparação, gastaram 8%, ou US$65 bilhões, do orçamento do ano passado em defesa e segurança internacional, de acordo com o Centro de Orçamento e Prioridades Políticas em Washington.

Depois de estudar as ações de Putin na Ucrânia, a Academia de Defesa Nacional de Latvia, um satélite anteriormente soviético que agora faz parte da OTAN e da União Europeia, concluiu que a meta final da Rússia é introduzir um “estado de guerra permanente como condição natural da vida nacional”.

“Podemos e devemos fazer pela indústria da defesa o que fizemos por Sochi”, disse Putin a generais e executivos no dia 12 de maio, em referência aos US$50 bilhões que a Rússia gastou para sediar as Olimpíadas de Inverno de 2014. “Todas as questões relacionadas a adequar recursos foram resolvidos”.

“Batalhões industriais”

No mesmo dia, Putin assinou documentos para criar o que chamou de programa de “batalhões que permitirá que milhares de recrutas tenham a opção de trabalhar em companhias de defesa em vez de entrar no serviço militar regular.

Após anos de problemas crônicos no financiamento de fabricantes de armas, a Rússia começou a pagar adiantado por bens e serviços que compra das mais de 1.300 organizações e 2,5 milhões de pessoas que compõem a indústria de defesa. Cerca de metade do orçamento de defesa desse ano foi usado no primeiro trimestre, mas a maior parte do que foi pago é confidencial.

A fatia secreta do orçamento da Rússia pode subir para 25% em 2016 com a continuação da construção militar e “mais agências e atividades (como proteção de fronteiras) são classificadas como segurança nacional”, disse o Fundo Monetário Internacional em um relatório no ano passado.

“Transformação Militar”

Uma coisa que não está sendo escondida do público é o número de pessoas em uniformes, que é talvez “o sinal mais palpável da transformação militar da Rússia”, de acordo com Igor Sutyagin, pesquisador no Royal United Services Institute em Londres.

“O poder uniformizado diminuiu em todas as nações ocidentais desde 2011, mas na Rússia o pessoal cresceu em 25%, para 850.000 entre 2011 e meados de 2014 – ainda que isso seja uma pequena parcela da meta de 1 milhão de militares estabelecida em 200”, disse Sutyagin em uma observação.

A Rússia também possui cerca de 2,5 milhões de reservistas ativos em uma população de 143 milhões, de acordo com a Global Firepower, que estuda as capacidades de guerra convencional de 129 países. A Rússia é a segunda colocada, atrás dos EUA e à frente da China, Índia e Reino Unido.

OTAN confusa

A Rússia já é a maior desafiadora dos EUA em vendas de armas. O país entregou aproximadamente US$16 bilhões em jatos de guerra, mísseis e outras armas ao redor do mundo no ano passado, o que corresponde a 3,2% das exportações do país, de acordo com Pukhov.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte, criada em 949 para conter a União Soviética, disse que não tem certeza das intenções de Putin, tanto a respeito das ações na Ucrânia quanto de seus programas de armamentos.

Reportagem de Andrey Biryukov

Traduzido por Paula Zogbi

Fonte: Infomoney

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