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Plano Brasil/Relações Brasil Versus OCDE/Análise: “Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, mas que fique claro, não por culpa do Brasil!”

NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil/Relações Brasil Versus OCDE/Análise: “Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, mas que fique claro, não por culpa do Brasil!”

Fonte da matéria em questão: [PDF]Clipping-Notícias/Câmara dos Deputados (https://www2.camara.leg.br/atividade…/18-06-2019…/file), Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, Clipping-Notícias, 18/06/2019, Sumário Notícias, Senado Notícias: Valor Econômico, Brasil, Página A2, Terça-Feira, 18/Junho/2019 (https://www.valor.com.br/brasil/6310591/ingresso-do-brasil-pode-levar-ate-cinco-anos-dizdiretor-da-ocde) … Ingresso do Brasil pode levar até cinco anosdiz diretor da OCDE ………………………………… 5.

Em destaque na capa do jornal Valor Econômico de Terça-Feira, 8/Junho/2019: “A entrada do Brasil na OCDE permanece em compasso de espera, mas não por culpa do Governo Brasileiro. Segundo o Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, Nicola Bonucci, os 36 países membros têm dificuldades para chegara um consenso sobre quais candidaturas priorizar, assim como sobre o calendário das adesões. Mas ele está otimista com relação ao pedido brasileiro.”

 Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz diretor da OCDE

 Por Gabriel Vasconcelos | Do Rio

Valor Econômico, Brasil, Página A2, Terça-Feira, 18/Junho/2019

A entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) permanece em compasso de espera, mas não por culpa do governo brasileiro. Segundo afirmou ao Valor o diretor de assuntos jurídicos da organização, o ítalo-francês Nicola Bonucci, os 36 países membros têm dificuldade para definir quais candidaturas priorizar, assim como sobre o calendário das adesões. Na OCDE, toda decisão tem de ser tomada por consenso.

Mas o principal responsável pelos processos de adequação à organização se diz otimista com relação ao pedido brasileiro: “Tenho muita dificuldade de imaginar um cenário em que o Brasil fique de fora das novas adesões.” Bonucci afirma, porém, que o tempo mínimo do processo de adesão não será menor do que três anos e, no caso do Brasil, pelo tamanho da economia, pode levar até cinco anos, o que impediria o governo Bolsonaro de colher os frutos políticos da integração.

Em visita ao Brasil para o Congresso Mundial de Câmaras de Comércio, realizado na semana passada, no Rio, Bonucci disse que o tempo de adequação brasileira aos termos da OCDE pode ser abreviado, em caso de aprovação, porque o governo Bolsonaro promove uma série de reformas coerentes com a cartilha da organização.

“Algo muito importante em curso, e que costuma tomar muito tempo, é o ajuste ao código de liberalização da economia em matéria de movimentação de capitais”, afirma. “O Brasil tem todas as cartas [para entrar na OCDE]. Faz parte da convenção anticorrupção da organização e o que se passou neste país nos últimos dois ou três anos atesta que há um trabalho sendo feito nesse sentido”, opina.

Além do Brasil, cinco países apresentaram candidaturas à OCDE, dois latino-americanos (Argentina e Peru) e três europeus (Romênia, Bulgária e Croácia). Bonucci diz que ainda não há uma escolha e que um grupo “importante” de membros defende o escalonamento das adesões, de modo que diferentes blocos de países sejam aceitos com uma diferença de meses.

Uma reunião do conselho da OCDE, que reúne embaixadores, está prevista para esta semana. A ideia, segundo Bonucci, é avançar nas discussões para começar tratativas prévias, mesmo que a formalização dos primeiros processos de adesão possa vir somente em um horizonte de seis meses ou mais.

O grupo de países céticos ao ingresso simultâneo de novos sócios argumenta que esse processo pode sobrecarregar a administração da OCDE. Bonucci discorda. “No passado recente, entre 2007 e 2010, abrimos processos de adesão para cinco países ao mesmo tempo. Então podemos fazer”, diz. Ele faz referência aos casos de Chile, Israel, Eslovênia, Estônia e Rússia. Destes, só processo da Rússia não foi à frente em razão da invasão na região da Crimeia, em 2014, abrindo conflito com a Ucrânia.

Com relação à articulação dos apoios, o dirigente é evasivo. Não é segredo que os membros da União Europeia fazem forte lobby para que todos os seus membros integrem a OCDE e, por isso, exigem uma entrada pareada dos países que apoia com outros, apoiados pelos EUA, como são os casos de Brasil e Argentina.

Quanto à articulação em torno do pedido brasileiro, o diretor da OCDE afirma que a conjuntura mudou desde que Washington formalizou seu apoio ao Brasil em reunião do conselho no último 23 de maio. Até então a posição americana era lida como dúbia nos bastidores da organização. Além disso, o país contaria, desde o início, com o apoio do Japão, voz importante no processo decisório fora do eixo EUA-UE. “O Japão é muito favorável à candidatura brasileira e isso é um elemento importante”, afirma. “Nenhum país fez objeção oficial a entrada do Brasil”, diz ele, para sugerir, em seguida, que alguns condicionam seu aval a outras adesões.

Com relação às inclinações políticas do governo Bolsonaro, como o desejo expresso de alinhamento externo com os EUA, Bonucci se mostrou indiferente. Disse que, desde 1961, quando a OCDE foi criada, os países-membros tiveram governo das mais variadas orientações e que a agenda econômica sempre teria pautado as relações de forma pragmática. “Na economia do mundo atual, a ideologia encontra seu limite muito cedo. Há escolhas que funcionam, e outras que simplesmente não andam”, afirma. “Claro que é melhor uma troca comercial bilateral a não ter acordo nenhum, mas a OCDE prefere [acordos] multilaterais.

” Questionado, ainda, sobre políticas ligadas ao ambiente, o dirigente afirmou que o governo brasileiro terá de se ajustar e que as ameaças de saída do Acordo de Paris, por exemplo, poderiam, sim, levar a atritos com países-membros que votam pela adesão. Ele afirma, no entanto, que as instruções jurídicas da OCDE nesse campo, em sua maioria das décadas de 1980 e 1990, tratam mais de temas como o tratamento de dejetos e produtos químicos, em voga à época.

 

Fonte: Valor Econômico via Câmara dos Deputados 

 

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Economia Geopolítica Traduções-Plano Brasil

OS PRINCIPAIS RISCOS DO EURASIA GROUP PARA 2019

 

  Ian Bremmer e Cliff Kupchan revelam os dez principais riscos para 2019. 

Autor- Ian e Cliff

Fonte: Eurasia Group

Esta é a previsão anual do Grupo Eurasia sobre os riscos políticos que provavelmente acontecerão ao longo do ano. O relatório deste ano foi publicado em 7 de janeiro de 2019.  Em resumo disponibilizamos os principais tópicos levantados pelo relatório, para ler o conteúdo completo em inglês, Clique aqui para ler o relatório completo Top_Risks_2019_Report.

Segundo o relatório:

O ambiente geopolítico é o mais perigoso das últimas décadas … Os mercados estão cada vez mais voláteis, mas resilientes, apresentando progresso e saltos para trás. O que há errado neste cenário? 

Nada ainda. Os ciclos geopolíticos são lentos. Demoram muito tempo para construir uma ordem geopolítica; os governos mudam de rumo através do funcionamento de instituições complexas, políticas de coalizão, ciclos eleitorais, freios e contrapesos. Instituições multilaterais levam décadas para construir e ganham ímpeto lentamente. Normas e valores precisam se desenvolver, ser aceitos e moldarem instituições e a sociedades ao longo do tempo. Uma vez no lugar, eles são pegajosos. E assim, salvo a má sorte (leia-se: uma crise repentina e imprevista), levam anos, até décadas, para derrubar uma ordem geopolítica. Esse processo de erosão está em andamento em todo o mundo hoje.
Claro, 2019 pode vir a ser o ano em que o mundo desmorona. Os riscos  criados por maus atores infligindo danos que, em seguida, criam um ciclo de crescimento são maiores do que foram em qualquer momento desde o lançamos o Eurasia Group em 1998. Um ciberataque russo fica fora de controle. O Irã e a Arábia Saudita (ou Israel) desencadeiam uma guerra no Oriente Médio. Os chineses e os americanos entram em uma guerra comercial que causa de uma recessão profunda, culpam uns aos outros e retaliações se espalham pelo espaço cinético. Existem outros riscos de escala similar. Mas, por enquanto, todos esses eventos permanecem de baixa probabilidade.
Mais provavelmente, e apesar das manchetes cada vez mais preocupantes, 2019 está prestes a ser um ano razoavelmente bom. Mesmo, ousamos dizê-lo, não um ano particularmente politicamente arriscado. Mas estamos nos preparando para problemas no caminho. Grandes problemas. E esse é o nosso maior risco.
 

  1. MAS SEMENTE

Os perigos geopolíticos que tomam forma ao redor do mundo darão frutos nos próximos anos.

  1. EUA-CHINA

Algo fundamental foi rompido na relação entre Washington e Pequim que não pode ser restabelecida, independentemente do que acontece com seus laços econômicos.

  1. LUVAS CIBERNÉTICAS DESLIGADAS

Os hackers se tornaram mais sofisticados, as sociedades tornaram-se altamente dependentes dos serviços digitais e os esforços para chegar a um acordo sobre as regras básicas do conflito cibernético não chegaram a lugar nenhum.

  1. POPULISMO EUROPEU

2019 mostrará que os populistas e os movimentos de protesto estão mais fortes do que nunca.

  1. OS EUA EM CASA

Enquanto as probabilidades de que Trump sofra impeachment e seja afastado do cargo permaneçam extremamente baixas, a volatilidade política será excepcionalmente alta.

  1. INOVAÇÃO INVERNO

Estamos caminhando para um inverno de inovação global – uma redução impulsionada politicamente no capital financeiro e humano disponível para impulsionar a próxima geração de tecnologias emergentes.

  1. COALIZAÇÃO DO DESWILLING

A ordem global liderada pelos EUA tem estado em erosão há algumas décadas, mas agora estamos vendo as fileiras crescentes de uma coalizão de líderes mundiais pouco dispostos a defender a ordem liberal global, com alguns até inclinados a derrubá-la.

  1. MÉXICO

O novo presidente do país, Andres Manuel López Obrador, inicia seu mandato com um grau de poder e controle sobre o sistema político não visto no México desde o início dos anos 90 e os fatores de risco domésticos são grandes.

  1. UCRÂNIA

O confronto de novembro no estreito de Kerch foi uma prova das tensões que se aproximavam. Putin continua a ver a Ucrânia como vital para a esfera de influência da Rússia.

  1. NIGÉRIA

A Nigéria enfrenta sua eleição mais disputada desde a transição para a democracia em 1999.

* BREXIT

Por que o asterisco? Porque três anos após a votação, quase todos os resultados do Brexit continuam possíveis.

RED HERRINGS

O novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, pode ser nacionalista, mas as instituições do país não permitirão qualquer centralização perigosa do poder. O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman fez muitos inimigos, mas nem ele nem o reino enfrentam sérios riscos em 2019. A necessidade do Irã de suportar as sanções dos EUA protegendo as relações com a Europa limitará sua agressividade. A suspeita e a concorrência restringirão a cooperação da Rússia e da China.

CONCLUSÃO

Já se passaram 21 anos desde que começamos o Eurasia Group e passamos juntos pela nossa participação nas mudanças globais. Tomando um momento para olhar para trás, lembramo-nos de nosso começo modesto, pessoalmente e como organização, e de quanto é um privilégio ter seu apoio.

Obrigado por fazer parte da nossa comunidade. Agradecemos e desejamos a você apenas o melhor para 2019.

 

Clique aqui para ler o relatório completo Top_Risks_2019_Report

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Conflitos Economia Geopolítica PDM

Os militares dos EUA já governam o seu país?

Charge do Izânio, reproduzida de Altos Humor

Autor- Peter de Mambla (PdM) para  Plano Brasil.

Tradução e edição- E.M.Pinto

 

O mundo foi lança em uma tremenda confusão enquanto todos tentam chegar a um acordo com o significado e a implicação da presidência Trump. De repente, todas as verdades estabelecidas na ordem mundial pós-Segunda Guerra Mundial parecem como se estivessem prestes a ser surpreendidas pelos vendavais do tornado Trump. A OTAN tem futuro? Será que a importantíssima Aliança Transatlântica será dividida? A América decidiu abandonar seu histórico papel de liderança para se concentrar e retornar ao isolacionismo? O que está acontecendo? E quais são as implicações para o Brasil?

Uma melhor compreensão do que está acontecendo pode ser obtida olhando por trás das cortinas e olhando nos bastidores para ver o que realmente está a se passar. Ou, mais realisticamente, dada a falta de acesso, pode-se procurar fazer suposições com base nas pistas disponíveis.

Uma coisa que se tornou particularmente evidente desde a presidência de Donald Trump é a ideia ou a percepção de que existe um estado profundo que opera em segundo plano, independentemente de qual administração está no poder. É a burocracia militar e de inteligência permanente que detém muito poder nos bastidores sobre a direção a qual o país tomará. Um dos exemplos mais óbvios de um estado profundo em ação foi visto na rede Ergenekon na Turquia, que detinha um poder significativo ao longo de muitas décadas.

Mas o que está se tornando evidente, especialmente desde a presidência de Trump, é que o estado profundo não é monolítico e é constituído por diferentes facções. Seria ingênuo acreditar que Trump é apenas um indivíduo que simplesmente se tornou presidente em vez de alguém com uma sofisticada rede de apoio de estado profundo que o apoia e protege. Esta rede pode inclusive ter  agido em coordenação com os russos para alavancar sua eficácia.

A rede mais conservadora e estabelecida pode ser assumida como tendo prevalecido desde o período do pós-Segunda Guerra Mundial até a queda do comunismo e o início do momento unipolar americano. Essa facção representa basicamente o establishment anglo-americano, manifestado em organizações como o Conselho de Relações Exteriores, a Comissão Trilateral e o Grupo Bilderberg. Tem-se a impressão de que havia um amplo consenso entre as elites dominantes ocidentais sobre a direção geral que deveria ser tomada durante a Guerra Fria, apesar de exemplos óbvios de lutas internas entre facções, como ficou evidente com o assassinato do presidente John F. Kennedy.

No entanto, após o fim da Guerra Fria, uma nova facção procurou explorar o momento unipolar da América e colocou a América em um rumo diferente. Essa era a facção neoconservadora, fundada por antigos trotskistas que estavam dispostos a reformular a ordem mundial através da força militar, dado que a União Soviética não mais se interpunha no caminho.

Eles procuraram se concentrar particularmente no uso do poder militar americano para eliminar ou neutralizar os inimigos de da única democracia do Oriente Médio de uma vez por todas. Eles foram bem-sucedidos nesse empreendimento, embora nunca tenham tido a chance de lidar adequadamente com o Irã. O general Wesley Clark, antigo Comandante Supremo Aliado da OTAN Europa, notoriamente revelou o plano dos neoconservadores de destruir sete países do Oriente Médio e Norte da África no espaço de cinco anos.

Antes que os neoconservadores pudessem eliminar seu alvo mais importante, o Irã, a facção mais dominante mencionada acima conseguiu o controle executivo do governo. Essa luta nos bastidores foi destacada no incidente de 2007 envolvendo um bombardeiro B-52  armado ilegalmente com seis mísseis de cruzeiro com armas nucleares que tentaram fazer um vôo não autorizado para o Oriente Médio a partir da Base Aérea de Minot antes de serem detidos a tempo Base da Força Aérea de Barksdale ( Clique para saber mais sobre este incidente   numa matéria do Washington Post).

O incidente foi evidentemente apresentado como uma espécie de acidente inocente, mas representou a última tentativa desesperada dos neoconservadores de acabar com o Irã por meio de um ataque furtivo. Deste ponto em diante, a presidência de Bush era um “pato manco”, apenas mantendo o poder formalmente, até que a facção principal confirmou seu retorno ao poder através da presidência de Obama.

Enquanto os neoconservadores se concentravam na reorganização do Oriente Médio, a Rússia usava esse tempo para estabilizar-se durante a primeira presidência de Putin e a China continuou calmamente seu crescimento meteórico. Em 2008, a Rússia estava preparada para não recuar contra os Estados Unidos na Guerra Russo-Georgiana, com Putin sinalizando a intenção da Rússia de desafiar a ordem mundial unipolar em seu discurso em Munique em 2007.

Não há dúvida de que a facção dominante do establishment anglo-americano estava exasperada com as ações dos neoconservadores, que permitiram que o espaço vital da Rússia se recuperasse a um ponto em que pudessem novamente desafiar os Estados Unidos. Em vez das divisões de tanques que os neoconservadores teriam preferido, o Oriente Médio continuaria a ser reformado, mas desta vez com uma pegada mais leve, confiando mais em forças especiais, drones e a Primavera Árabe, uma forma mais violenta de “revolução colorida” pautada no uso de terroristas islâmicos para desestabilizar os alvos.

Os países seriam, naturalmente, trazidos à Rússia e à China, dois países que têm a capacidade de desafiar a ordem mundial unipolar dos EUA. A Rússia seria desestabilizada através da Ucrânia e haveria um pivô geral americano em direção à Ásia para conter a ascensão da China.

… E então Trump apareceu e tudo foi jogado no caos. Ambas as facções conservadora e neoconservadora são fáceis de identificar e é relativamente fácil identificar seus objetivos mais amplos. Mas é muito difícil identificar quem ou o que está por trás de Trump.

Que existe uma facção do estado profundo, bem como poderosos interesses por trás dele, há poucas dúvidas. Um “reles mortal” não se torna simplesmente um presidente dos Estados Unidos exatamente assim. Mas essas forças facilitadoras estão muito na sombra e são difíceis de se delinear com clareza. Uma filosofia orientadora que tente explicar o fenômeno Trump, deve inclinar as pessoas primeiro a olharam para Steve Bannon, mas ele não durou muito tempo na administração. Qualquer filósofo que ele tenha oferecido parecia apelar para a tensão isolacionista que sempre existiu na história americana, além de oferecer indícios de nativismo e nacionalismo branco.

Mas, além do embasamento filosófico obscuro de Bannon, parece que ninguém sabe realmente o que Trump vai fazer, ou o que seus atores coadjuvantes pretendem que ele faça. As facções conservadoras e neoconservadoras do estado profundo concentraram-se em dirigir sua fúria contra a Rússia, enfurecidas com o fato de que os russos poderiam ter interferido tão descaradamente em seus processos políticos, parecendo ter se articulado com uma facção para ajudar a eleger Trump.

Quem parece fornecer alguma visão sobre a parte do estado profundo que está por trás de Trump é a figura de Steve Pieczenik. Ele é uma figura significativa na comunidade de inteligência dos EUA, que afirma, entre outras coisas, ter desempenhado um papel significativo na derrubada da União Soviética, além de ajudar a garantir que a África do Sul passasse suavemente da minoria para a maioria após o término do Apartheid.

Durante a administração Obama, ele apareceria na estação de rádio Alex Jones queixando-se do governo Obama e dos neoconservadores, parecendo ser a voz dos generais americanos insatisfeitos com todas as guerras que precisavam combater quando o interesse nacional dos EUA não era a subsequente super-representação de generais recém-aposentados (ou mesmo de um general que atua no caso do Assessor de Segurança Nacional HR McMaster) parece sugerir que os generais pelos quais Pieczenik falou, assumiram o comando do ramo executivo do governo. Na verdade, Pieczenik sugeriu que um golpe silencioso havia sido empreendido por esses generais e suas facções de apoio dentro da comunidade de inteligência dos EUA (obviamente em coordenação com os russos).

Embora possa ser difícil imaginar um golpe militar ocorrendo nos Estados Unidos ( “silencioso” ou “furtivo”, conduzido através de um processo eleitoral, uma tentativa pouco conhecida de conduzir um tipo mais tradicional de golpe foi feita em 1933 contra o Presidente Franklin D. Roosevelt. Conhecido como o Business Plot, os ricos interesses de Wall Street tentaram levar o general aposentado altamente condecorado Smedley Butler para liderar o golpe, mas ele informou as autoridades e deu depoimento ao Congresso.

Qualquer que seja a realidade por trás de Trump, o que está claro é que estamos passando por algumas mudanças muito significativas, com os militares dos EUA parecendo cansados ​​de obedecer às ordens para lutar contra essas intermináveis ​​guerras em nome dos neoconservadores ou da representação de facções de Obama e Clinton. Algumas dessas operações militares poderiam facilmente se tornar nucleares, especialmente quando confrontadas com a Rússia.

O que isso significa para o Brasil?

…é difícil de dizer…

Americanos e europeus assim como muitas outras pessoas não sabem o que isso significa para eles. Curiosamente, o Brasil está em processo de passagem por seu próprio processo de mudança de época, e muitos brasileiros clamam para que os siloviki brasileiros intervenham e assumam o governo. (Os americanos parecem ter mostrado como isso pode ser feito em silêncio.) Com um governo menos ideologicamente hostil aos Estados Unidos, estamos vendo mais cooperação militar mutuamente benéfica, como a compra de obuseiros americanos autopropulsados ​​M109 a preço modesto. A possível compra americana de Super Tucanos brasileiros (o contrato já havia sido adjudicado antes de ser disputado por um licitante rival e suspenso) e a possível compra dos brasileiros de helicópteros de ataque  Bell Cobra, e assim por diante…

Além disso, existe a possibilidade de cooperação espacial entre os dois países. A ordem mundial multipolar significa que o Brasil pode usar as outras potências emergentes para equilibrar a influência e o poder dos Estados Unidos. Isso significa que os americanos estão encorajados a tentar conquistar o Brasil, em vez de agir de maneira arrogante, que procura fortalecer os que considera estar em seu próprio quintal. Isso pode somente ser uma coisa boa…

O Brasil é um país ocidental e, portanto, tem afinidades naturais com os Estados Unidos. Mas o Brasil também é um país em desenvolvimento cujos interesses são mais bem servidos por meio de um mundo multipolar do que unipolar. Não faz sentido atrair a ira dos americanos sendo tão anti-ianque quanto os venezuelanos, já que os americanos ainda têm a capacidade de tornar a vida muito difícil para os que moram em seu próprio quintal. Mas, se o Brasil quiser realizar seu potencial, não há sentido em contentar-se em permanecer indefinidamente como lacaios dos Estados Unidos.

Um equilíbrio delicado terá que ser mantido entre o mundo unipolar existente (mas moribundo), e o emergente mundo multipolar do qual o Brasil pode exercer uma significativa participação. O Brasil está navegando em mar agitado. Pode ser um pouco de conforto saber que todo mundo está navegando nas mesmas águas agitadas. Todo mundo vai ter que segurar firme.


Sobre o Autor- Peter de Mambla é  bacharelado em ciências políticas pela Universidade Monash- Victoria, Austrália. Analista e escritor de assuntos relacionados às políticas e sociais e relações internacionais em sites de notícias dedicados a combater a narrativa da grande mídia em relação à Rússia e ao mundo multipolar.

 

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Conflitos Defesa Economia Geopolítica Terrorismo

Alta do petróleo paga nova corrida armamentista no Oriente Médio

Somente a Arábia Saudita está investindo US$ 130 bilhões em programas militares e o Brasil leva um pedaço do bolo

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

Sugetsão:Vitor Martins

24 Junho 2018 | 05h00

A nova área de tensão do mundo é uma velha, muito velha, zona de risco. Os países ricos do Oriente Médio voltaram a crescer em ritmo acelerado desde 2015, sustentados por um novo ciclo de elevação dos preços internacionais do petróleo e do gás, associado à crescente atividade financeira dos bancos regionais.

Iêmen Avibras
Forças sauditas disparam contra rebeldes houthis no Iêmen; sistema Astros-II, da Avibras, será modernizado  Foto: REUTERS/Stringer

O fenômeno permite que os governos locais se empenhem em uma ampla corrida às armas. Caso emblemático, só a Arábia Saudita está investindo US$ 130 bilhões em programas militares – US$ 110 bilhões dos quais dirigidos apenas aos acordos comerciais firmados com os EUA, com execução prevista para durar dez anos. Algumas das encomendas envolvem produtos cujas tecnologias ainda estão em desenvolvimento.

Israel também está gastando um total de US$ 3 bilhões apenas no recebimento de 20 caças F-35 Lightning. A França está mandando supersônicos Rafale-C3 para o Egito. Outras transações, do Reino Unido, Alemanha e Itália, são tratadas sob segredo.

O negócio é tão grande que em 2017 levou o presidente americano, Donald Trump, à capital saudita, Riad, para assinar os termos do entendimento bilateral com o rei Abdullah bin Abdul Aziz al-Saud. O processo envolve também fornecedores da Europa.

O Brasil leva um pedaço significativo do bolo por meio do grupo Avibras Aeroespacial. A operação prevê a modernização de um lote estimado em 60 veículos do sistema Astros-II, lançador de foguetes de saturação, criado e produzido na empresa.

As forças sauditas operam a arma há cerca de 30 anos, usadas em combate nas guerras do Golfo, do Iraque e do Iêmen. Na nova configuração, as baterias vão ganhar capacidades digitais avançadas para permitir o emprego de munições mais modernas, como o míssil de cruzeiro MTC-300, de 300 quilômetros de alcance. A Avibras estaria negociando um lote adicional da versão mais recente do conjunto, o Astros 2020. Tamanho e valor são mantidos em sigilo. A diretoria da Avibras não comentou a informação.

Na aviação da Arábia ainda há outra oportunidade de médio prazo para a indústria brasileira de equipamentos de defesa. O plano reserva cerca de US$ 2 bilhões para a compra de uma frota de aviões de ataque leve e apoio à tropa em terra. A aviação saudita estaria propensa a esperar a escolha da Força Aérea americana que analisa aeronaves para seu uso nesse mesmo tipo de missão. O A-29 Super Tucano, da Embraer, participa da avaliação nos EUA e é considerado favorito: já foi selecionado pelo Pentágono para atuar contra o Taleban e o Estado Islâmico no Afeganistão

Arsenal saudita

A lista de compras da Arábia Saudita no mercado de equipamentos militares dos Estados Unidos envolve contratos no valor de US$ 110 bilhões. Partes do acordo são mantidas em sigilo.

Origem da crise

O crescimento da influência dos grupos radicais xiitas nos governos árabes, com apoio dos aiatolás do Irã, “está além da linha vermelha na escala de preocupações”, sustenta o analista iraniano Hosein Hussein. Refugiado “em um país europeu” desde 2010, ele considera “um desastre diplomático” a saída dos EUA do acordo de controle nuclear com o governo do presidente iraniano, Hassan Rohani.

“Os radicais e a Guarda Revolucionária sob controle do líder religioso Ali Khamenei não precisam de muito mais para iniciar uma campanha anti-Ocidente e anti-Israel”, afirma. Hussein destaca como indicador da mudança na política externa do Irã a inauguração, em duas semanas, do complexo industrial de onde sairão as ultracentrífugas para a planta de enriquecimento de urânio em Natanz. O projeto estava sendo acompanhado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A organização foi afastada do projeto.

Nos termos do tratado de 2015, do qual Trump se retirou, o beneficiamento seria mantido em 3,5%, índice adequado ao uso civil – na geração de energia, por exemplo – podendo chegar a 20% para aplicações medicinais e científicas. Para alimentar armas atômicas o patamar é de 90%.

Para entender

As Forças Armadas americanas têm dado secretamente apoio à Arábia Saudita em sua guerra contra os rebeldes houthis no vizinho Iêmen. No final do ano passado, uma equipe das Forças Especiais chegou à fronteira da Arábia Saudita com o Iêmen e está ajudando a localizar e destruir depósitos de mísseis balísticos e locais de lançamento usados pelos rebeldes para atacar Riad e outras cidades sauditas. A informação revelada pelo New York Times desmente o Pentágono, segundo o qual a ajuda se limitava ao reabastecimento de aeronaves, logística e partilha de informações gerais.

Fonte: Estadão

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XVIII Curso de Extensão em DEFESA NACIONAL

 

A Faculdade INPG em parceria com o Ministério da Defesa realizam entre os dias 25 à 29 de Junho o XVIII Curso de Extensão em DEFESA NACIONAL.

Trata-se de um ciclo de palestras organizadas pelo Ministério da Defesa com o objetivo de difundir o conhecimento sobre defesa junto à sociedade e estará aberto à toda comunidade acadêmica e civil da região do Vale do Paraíba.

O evento contará com personalidades – já confirmadas – do Ministério da Defesa, Ministério das Relações Exteriores, EMCFA, SEPROD, SEPESD, Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira (DCTA/IES) e Exército Brasileiro. Assim como, ABIN e do poder Executivo Federal e Municipal.

A temática das palestras envolvem as áreas das Políticas Externa e de Defesa do Brasil e serão ministradas por autoridades do poder executivo, da academia, da diplomacia e das Forças Armadas. Os eixos temáticos visarão abordar temas destas áreas e há possibilidade de adaptarmos à nossa realidade, principalmente no que concerne à indústria de defesa do Vale do Paraíba.
Contaremos com a participação de empresas da área de defesa da região (Avibrás, Savir entre outras).

Já é possível de destacar a participação do prefeito de São José dos Campos e do Dr. Ozires Silva, ex-presidente da Embraer. Assim como a vinda de alunos das principais escolas militares (ECEME, AMAN, ESCOLA NAVAL, ESPCEX, entre outros) e outras autoridades da região (Polícia Federal, Polícia Militar do Estado de São Paulo e outras agências de segurança).

Inscrições em: https://cedn.defesa.gov.br/formulario_inscricao/

 

*Agradecemos ao amigo Marco Túlio Freitas pela informação para divulgação desse evento.

 

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Comentário-Cooperação cara-cara entre fabricantes de motores da Rússia e China visa romper e derrotar a guerra comercial imposta ilegalmente pelos EUA

Na imagem o novo motor russo PD-14

baseado na reportagem de Brenda Goh. Edição de Jane Merriman (Reuters)

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

A China e a Rússia estabeleceram uma joint venture para desenvolver aviões a jato de fuselagem larga a (CRAIC), com a qual a Rússia será encarregada de desenvolver os motores para tais aeronaves. 

 

Recentemente de acordo com um artigo da Reuters em 30 de maio, a China e a Rússia solicitaram aos fabricantes de motores que forneçam motores para que a China e a Rússia possam fabricar aviões de grande porte, acelerando os projetos de desenvolvimento de modo à competir com a Boeing. 

Este será um movimento mortal contra os EUA na guerra comercial que os EUA estão lançando contra a China. Segundo a matéria, a CRAIC  estima que o seu  jato widebody recebeu propostas de motores de 7 fornecedores diferentes.

Segundo a Reuters XANGAI, o projeto Sino-Russo recebeu propostas de sete empresas locais e estrangeiras para fornecer o motor. A CRAIC emitiu o pedido de uma proposta para os fabricantes de motores em dezembro e estipularam um prazo até o final de maio.

A empresa estatal chinesa afirmou em um comunicado em seu site que irá criar uma equipe compostas por membros da  China e Rússia para analisar as propostas e terá como objetivo concluir suas avaliações antes do final do ano. A matéria não identificou quais empresas haviam apresentado propostas ou quantas propostas haviam no total. Um porta-voz da empresa se recusou a fornecer mais comentários.

A Rolls Royce  no entanto informou ao jornal estatal China Daily em abril que planeja licitar para participar do programa. A China tem investido bilhões de dólares em  desenvolvimento de aeronaves de transporte civil para elevar seu perfil na aviação global e para romper o atual duopólio da Boeing, Co e Airbus SE.  A empresa, que enviou seu jato C919 narrowbody em seus vôos inaugurais no ano passado, pretende que o CR929 wide-body detenha 10% de um mercado dominado pelo Boeing 787 e pelo Airbus A350.

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O Ministério da Defesa da Rússia cancelou formalmente seu contrato com o PJSC “United Aircraft Corporation” (UAC) para o Reabastecedor Il-96 400TZ

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

Segundo noticiou o Defence Blog, o Ministério da Defesa (MoD) da Rússia cancelou formalmente seu contrato com o PJSC “United Aircraft Corporation” (UAC) o qual previa a obtenção de dois aviões reabastecedores  baseados no Ilyushin Il-96, para a Força Aérea Russa.

A notícia publicada no semanário Russo Izvestiya em 4 de maio atesta que o Ministério da Defesa confirmou o fato da rescisão do contrato para a entrega de dois Il-96-400TZ, mas se recusou a comentar mais sobre o assunto.

Como relata o defence Blog, o Il96 400TZ era um dos projetos militares mais ambiciosos da Rússia. Em 2015, a VASO, fabricante de aeronaves baseada em Voronezh (parte da UAC), recebeu o pedido para construir duas aeronaves de reabastecimento aéreo, baseados no Ilyushin Il-96 para as Forças Aeroespaciais da Rússia.

A nova aeronave designada como a Il-96-400TZ  teve que ser equipada com o sistema de reabastecimento aéreo Zvezda UPAZ-1, que foi previamente testado no reabastecedorIl-78, operado pela Força Aérea Russa.

De acordo com a especificação, o IL-96-400TZ deveria transportar mais de 65 toneladas (IL-78M 40 toneladas) de combustível para uma distância de até 3,5 (Il-78M 3000 km) mil quilômetros.

Esperava-se que, se os dois primeiros aviões passassem pelos testes, a fábrica poderia receber novas encomendas de mais 30 desses aviões. A “United Aircraft Corporation” propôs converter dois aviões Il-96-400T de carga em tanques de reabastecimento aéreo Il-96-400TZ em procedimentos rápidos – por um ano e meio a dois anos sem um ciclo completo de atividades de pesquisa e desenvolvimento. No entanto, o Ministério da Defesa não concordou com esta proposta.

 

Fonte: Defence Blog

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Conflitos Defesa Economia Geopolítica

Aliados dos EUA são pegos em fogo cruzado de sanções a armas da Rússia

Sanjeev Miglani

As sanções dos Estados Unidos a exportações militares da Rússia frearam um acordo de 6 bilhões de dólares com a Índia e podem frustrar compras de armas de outros aliados asiáticos dos EUA, de acordo com especialistas.

Conforme uma lei que o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou em agosto, qualquer país que fizer negócios com os setores de defesa e inteligência da Rússia enfrentará sanções.

Mas os aliados de Washington que compram armas e equipamentos da Rússia, a segunda maior exportadora de armas do mundo, também podem ser afetados.

O caso mais exemplar é a Índia, que quer comprar cinco sistemas russos S-400 de mísseis terra-ar de longo alcance que seus militares veem como um divisor de águas. Os sistemas são anunciados como capazes de repelir mísseis balísticos e aeronaves antiradar que a China está desenvolvendo, e de superar as capacidades do Paquistão, o maior adversário indiano.

O pacto, que Putin e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, firmaram como parte de um acordo intergovernamental em 2016, infringi a lei de sanções dos EUA, disseram autoridades de Nova Délhi.

Indonésia e Vietnã também compram armas de Moscou, mas são aliados regionais dos EUA. Jacarta fechou um acordo de 1,14 bilhão de dólares para adquirir caças Sukhoi recentemente, e o Vietnã está em busca de mais caças-bombardeiros russos.

Como a Almaz-Antey Air e a Space Defense Corporation, que fabrica o S-400, e a Rosoboronexport, que negocia os acordos de exportações da Rússia, foram sancionadas, os acordos se tornaram mais complicados.

Uma fonte russa a par do acordo indiano dos S-400 disse que “muito dependerá da confiança e sanidade de nossos parceiros indianos”.

Fonte: Terra

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América Latina Brasil Economia Geopolítica

Banco Mundial: Brasil e Argentina puxarão crescimento econômico da América Latina e Caribe em 2018

Gerardo Pesantez/Banco Mundial
Trabalhadores no Canal do Panamá, que está a ser aumentado.
Relatório semestral do economista-chefe para a região também discute os benefícios de reorganizar as contas fiscais; gastos ineficientes e improdutivos devem se tornar o foco das reformas.

O Banco Mundial divulgou esta semana, em Washington, que o Brasil e a Argentina devem puxar o crescimento econômico da América Latina e do Caribe neste ano. A previsão para o Brasil é de 2,4% em 2018 e de 2,5% em 2019. A Argentina deverá expandir 2,7% e 2,8%, respectivamente.

Em seu relatório semestral, o economista-chefe para a América Latina e o Caribe, Carlos Végh, estima que a região deve crescer 1,8% em 2018 e 2,3% em 2019. Em 2017, a expansão foi de 1,1%.

Ambiente positivo

Por trás desses números, está um ambiente externo positivo, que inclui aumentos nos preços das commodities e crescimento nos Estados Unidos e na China. No entanto, muitos países apresentam uma situação fiscal delicada após anos de pouco crescimento.

Trinta e um dos 32 países da América Latina e Caribe registraram déficit fiscal em 2017. Além disso, a dívida pública da região é de 57,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

O estudo defende que, nesta fase de retomada, é importante fortalecer as contas fiscais para promover um crescimento inclusivo e de longo prazo. Reorganizar as contas também ajuda a manter conquistas das últimas décadas, como inflação baixa, redução da pobreza e da desigualdade.

Reformas

Segundo o relatório, gastos ineficientes e improdutivos devem se tornar o foco das reformas. Esses ajustes também devem ser graduais e não se concentrar em cortar o investimento público ou as transferências sociais.

Entre os países que já começaram esse movimento, estão Argentina, Colômbia, El Salvador, Equador, México, Panamá e Uruguai.

O lançamento do estudo ocorreu em meio às reuniões de primavera do Banco Mundial com o Fundo Monetário Internacional, que vão até domingo.

 

Apresentação: Mariana Ceratti, de Washington, para a ONU News

*Reportagem do Banco Mundial Brasil

Fonte: UN NEWS

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China Conflitos Economia Geopolítica

Líder Chinês declara que apoiará militarmente a Rússia contra os Estados Unidos


POR TOM O’CONNOR

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

A liderança militar da China prometeu seu apoio à Rússia à medida que as tensões entre Moscou e o Ocidente se deterioram ainda mais, transformando-se em isolamento diplomático, sanções econômicas e duelos de defesa.

Em sua primeira visita à Rússia, o recém-nomeado ministro da Defesa da China, Wei Feng, participou da sétima Conferência Internacional de Segurança de Moscou, acompanhado por uma delegação de outros oficiais militares de alto escalão, Wei Enfatizou que sua viagem foi coordenada diretamente com o presidente chinês Xi Jinping, Wei disse que tinha duas mensagens importantes para a Rússia em um momento em que ambas as nações estavam tentando modernizar suas forças armadas e fortalecer suas mãos em assuntos globais apesar dos temores dos EUA.

“Estou visitando a Rússia como novo ministro da Defesa da China para mostrar ao mundo o elevado nível de desenvolvimento de nossas relações bilaterais e firme determinação de nossas forças armadas para fortalecer a cooperação estratégica”, disse Wei em uma reunião com o ministro russo da Defesa, Sergey Shoigu. de acordo com a estatal Tass Russian News Agency.

Fonte: NewsWeek

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Conflitos Economia Geopolítica

Protecionismo atual tem semelhanças com disputas que levaram a guerra mundial, diz historiador

Ilustração do mapa múndi construído sobre um canteiro de obrasDireito de imagemGETTY IMAGES

O protecionismo de medidas como a tarifa imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importações de aço tem muitas semelhanças com o cenário de guerras comerciais que levaram, cem anos atrás, a conflitos militares como a Primeira Guerra Mundial.

A avaliação é do historiador americano Marc-William Palen, para quem essa perspectiva do passado é fundamental para entender o que pode acontecer com o mundo a partir das políticas de Trump e de outras manifestações de protecionismo no mundo, como o Brexit, a saída do Reino Unido na União Europeia.

Enquanto os impactos econômicos das disputas entre os EUA, a China, o Canadá e até o Brasil têm dominado as atenções no caso das tarifas americanas, Palen defende que não se deve deixar de lado uma análise sobre os efeitos geopolíticos desse tipo de protecionismo.

“Guerras comerciais e o protecionismo transformam amigos e vizinhos em inimigos”, afirma ele em entrevista à BBC Brasil.

Marc-William Palen
Image captionMarc-William Palen é professor de universidade britânica | Foto: Divulgação

Professor na Universidade de Exeter, na Inglaterra, o historiador passou as últimas semanas publicando artigos para criticar as tarifas anunciadas por Trump e refutar a sua declaração de que “guerras comerciais são fáceis de vencer”. “Certamente podemos ver as semelhanças com um século atrás na criação de tensões entre Estados. Tensões que não existiam antes dessas políticas protecionistas”, diz.

Segundo ele, um grande erro é ignorar o quanto as economias são conectadas no mundo atual. “Não há vencedores em guerras comerciais.”

Codiretor do Global Economics and History Forum (Fórum de Economia e História Global, em tradução literal), em Londres, Palen é especialista na intersecção entre o imperialismo do Reino Unido e dos Estados Unidos do século 19 à globalização dos dias atuais.

Ele também autor do livro “The ‘Conspiracy’ of Free Trade: The Anglo-American Struggle over Empire and Economic Globalisation, 1846-1896” (“A conspiração do livre mercado: a luta anglo-americana por império e globalização econômica, 1846-1896”), lançado em 2016 pela Cambridge University Press.

Segundo o historiador, o retorno ao protecionismo, assim como a ascensão de políticas contra imigração, são “um retorno ao status quo que havia antes da Segunda Guerra Mundial”, uma reação populista à crise financeira global, e se manifesta de forma semelhante em vários países do mundo, e que pode levar a uma desintegração sem precedentes da ordem econômica global.

Leia a entrevista abaixo.

Trabalhador da indústria do açoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionTarifa de Trump para importação de aço alimentou debate sobre protecionismo

BBC Brasil – O senhor argumenta que, cem anos atrás, o protecionismo levou a conflitos internacionais que geraram a Primeira Guerra Mundial. A situação atual é comparável ao que houve então?

Marc-William Palen – É muito difícil prever o futuro, mas há muitas semelhanças ostensivas entre os dois períodos. Um dos aspectos mais marcantes é a dimensão geopolítica do protecionismo, que acaba sendo muito deixada de lado. Tendemos a enfocar como as medidas vão afetar consumidores, que também é importante, mas não é o único ponto em questão.

Quem pensaria, dois anos atrás, que haveria animosidade entre os EUA e o Canadá, que por décadas era o maior aliado e parceiro comercial dos americanos. É impressionante que agora haja este clima de disputas sobre tarifas sobre aço, tentativas de acabar com o Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio, na sigla em inglês), o que está gerando grandes tensões entre vizinhos.

Certamente podemos ver as semelhanças com um século atrás nessa criação de tensões entre Estados. Tensões que não existiam antes dessas políticas protecionistas.

BBC Brasil – Que tipo de problemas geopolíticos o protecionismo pode gerar?

Palen – O foco principal da análise atualmente está sendo a forma como as tarifas vão afetar a economia doméstica, se vai gerar empregos, se vai afetar a Bolsa, como vai mudar os preços de carros… Tudo isso é importante, mas também é importante lembrar que essas tarifas, essas guerras fiscais, vão muito além da esfera doméstica.

Isso é algo que minha pesquisa vê claramente na virada do século 19 para o século 20, quando a ordem econômica global era muito protecionista. Meu estudo mostra que essas guerras comerciais e o protecionismo transformavam amigos e vizinhos em inimigos. Essas guerras econômicas têm a tendência de formar as bases geopolíticas para conflitos militares.

Ainda é muito cedo para saber se isso vai ser ressuscitado no futuro próximo, mas, ao olhar para as relações entre os EUA e o Canadá ao longo do último ano, vemos claramente a mudança de tom da relação amigável à animosidade.

Donald TrumpDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNa semana passada, Trump, anunciou uma taxa de 25% sobre as importações de aço

BBC Brasil – Que tipo de escalada de confrontos o protecionismo gerou no passado?

Palen – Um exemplo que analisei foi exatamente a relação entre Canadá e os EUA em meados do século 19. EUA e Canadá tinham uma relação de reciprocidade comercial. Depois da Guerra Civil, o Partido Republicano colocou uma série de barreiras comerciais nesta relação, o que gerou tensão.

O que tento fazer com minha pesquisa é mostrar que há esta tendência de ver o protecionismo como sendo uma anomalia dentro da história de defesa do livre mercado do Partido Republicano dos EUA. Mas isso realmente não existia até Ronald Reagan nos anos 1980. Na maioria da história do Partido Republicano, ele foi amplamente o partido do protecionismo.

O Canadá frequentemente era o alvo de leis protecionistas, o que levou à escalada de disputas entre os dois países, o que quase gerou confrontos militares. A escalada chegou a um ponto em que, nos anos 1920, o Canadá tinha planos de invasão dos EUA e vice-versa. Felizmente esse conflito militar nunca chegou a acontecer, mas as chances de conflito foram muito altas.

BBC Brasil – O que criou a atual onda de políticas protecionistas no mundo? Pode ser ainda reflexo da crise financeira internacional?

Palen – É difícil ver uma resposta clara para esta pergunta. O protecionismo não apareceu de repente, e fez parte consistentemente da campanha que levou Trump à Presidência, com o argumento de colocar “os Estados Unidos em primeiro lugar” (“America First”).

Trump sempre deixou claro que acha que a globalização e o livre mercado são palavrões – chegando a chamar “livre mercado” de “mercado estúpido”. O argumento dele é que é importante proteger e gerar empregos em alguns setores nos EUA. No caso atual é a indústria do aço e do alumínio. Ele está levando adiante suas promessas de campanha. Só acho que as repercussões dessas decisões não foram muito bem pensadas.

A primeira-ministra britânica, Theresa MayDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNegociar o Brexit é o principal desafio de Theresa May no Reino Unido

BBC Brasil – O Brasil acabou pressionado por essas decisões, já que é um dos principais mercados de onde os EUA importam aço.

Palen – O aspecto brasileiro dessa questão é muito problemático. O Brasil é um parceiro importante, é o segunda maior fonte de importações de aço dos EUA. E, ironicamente, o Brasil também é um grande importador de carvão americano, que é usado na indústria do aço, que é vendido aos EUA. Então o protecionismo americano, que afeta o Brasil, pode acabar tendo efeitos sobre a produção de carvão, que também é uma área de interesse e proteção de Trump.

BBC Brasil – Canadá e Brasil são os dois países mais afetados pela tarifa sobre o aço, mas a retórica de Trump em disputas comerciais sempre esteve voltada contra a China. O que houve, neste caso? Ele simplesmente errou o alvo, ou realmente queria atingir parceiros como Canadá e Brasil?

Palen – É difícil entender a justificativa dele para isso. O argumento de defesa nacional não faz sentido quando ele fala sobre a China. A forma como o governo Trump está tentando explicar a medida não está muito clara. É difícil saber o quanto ele realmente pensava na China quando decidiu tomar essa medida, mas de fato os países parceiros são os maiores afetados, não a China.

BBC Brasil – Em uma situação assim, considerando os EUA como a economia mais forte em uma disputa comercial, o que um país mais pobre como o Brasil pode fazer para reagir a tarifas em uma guerra comercial deste tipo?

Palen – É difícil saber. O governo Trump pode oferecer vantagens a países parceiros em troca de outras vantagens na relação. O Brasil sempre pode apelar à OMC (Organização Mundial do Comércio), o que pode ter algum efeito. A ironia é que os EUA foram os grandes responsáveis pelo que se tornaria a OMC, e agora vão passar a ser pressionados por ela. É difícil saber como Trump vai tratar a relação com o Brasil.

Prédio da Comissão Europeia em BruxelasDireito de imagemREUTERS
Image captionMovimentos nacionalistas – e protecionistas – são críticos à União Europeia

BBC Brasil – Trump disse que guerras comerciais são fáceis de serem vencidas. O que acha disso?

Palen – A resposta imediata que qualquer historiador e economista daria sobre isso seria que não há vencedores em guerras comerciais, apesar do que Trump falou. É provável que haja alguns setores que vão sair ganhando no curto prazo, como os produtores de aço nos EUA no caso atual, que terão mais lucro. Mas a história sugere que vai haver muito mais perdedores, especialmente entre os consumidores, no longo prazo.

Todos os países envolvidos em guerras comerciais, e mesmo os que estão fora dessas disputas, já que vivemos em uma economia integrada globalmente, vão sair perdendo. É difícil achar que isso não vai afetar a economia global como um todo. E as populações mais pobres vão acabar sendo as mais afetadas, com aumento de preços de alimentos.

BBC Brasil – O que Trump e os EUA têm a ganhar com este tipo de política protecionista?

Palen – Isso tem um apelo emocional com seus eleitores. Isso ficou claro durante sua campanha presidencial, e é um apelo emocional e populista a eleitores que se acham abandonados pela economia global. Os EUA já foram a grande nação industrial e defensora do livre mercado internacional, mas as coisas mudaram.

Não me surpreenderia se ele achasse que está fazendo isso para defender seus eleitores. O problema é que o setor produtor de aço, especificamente, é uma parcela muito pequena dos EUA, e ajudar este grupo temporariamente vai ter efeitos muito mais amplos em toda a população dos EUA.

BBC Brasil – Falamos bastante dos EUA, mas o Brexit e a eleição francesa também foram pontos de debate sobre protecionismo, com uma escalada de políticas contra a globalização. Esses fenômenos estão conectados de alguma forma?

Palen – Sim. Não se trata de um fenômeno apenas dos EUA. Precisamos ver essas questões sob uma perspectiva histórica mais ampla, e não achar que é uma anomalia populista contra o livre mercado. O sistema econômico global nos últimos 200 anos foi quase todo dominado pelo protecionismo. O movimento pelo livre mercado que se desenvolveu depois da Segunda Guerra Mundial é a exceção à regra.

Neste sentido, o retorno mundial a políticas econômicas nacionalistas e políticas anti-imigração são um retorno ao status quo que havia antes da Segunda Guerra Mundial. Vemos isso claramente no Brexit, com o Reino Unido alegando que vai defender o retorno do livre mercado internacionalmente enquanto rompe com a União Europeia. Isso enquanto está reagindo para limitar a imigração.

É uma reação populista à crise financeira global, e se manifesta de forma semelhante em vários países do mundo.

BBC Brasil – Você escreveu que estamos assistindo à desintegração da ordem econômica global. O que vem depois disso?

Palen – O problema é que não há um precedente histórico para o que está acontecendo agora.

Na forma como a ordem econômica global funcionou dos anos 1840 aos anos 1930, o Reino Unido era o país industrial mais poderoso e maior defensor do livre mercado. Enquanto isso, o resto do mundo resistia e usava políticas protecionistas. Foi somente nos anos 1930, quando todo o mundo se voltou ao nacionalismo, que o Reino Unido abandonou a defesa do livre mercado. Isso está fortemente ligado à crise internacional e à recessão. Depois disso, os EUA assumiram a hegemonia da defesa do livre mercado internacional desde a Segunda Guerra.

O que é interessante é que, no primeiro caso, o Reino Unido foi o último país a aceitar o protecionismo. Enquanto isso, agora são EUA e Reino Unido, os dois líderes e fundadores dessa ordem econômica internacional, os primeiros a se voltar contra esta ordem e abandonar o livre mercado. Isso é impressionante e sem precedentes.

Por isso não podemos saber com certeza o que pode acontecer. E é difícil achar que vai ser algo bom para o mundo.

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Economia Opinião

Os riscos para a economia mundial em 2018

Alguns podem ser mais difíceis de se antecipar do que outros, como uma guerra, um colapso repentino dos mercados financeiros ou um desastre natural de grandes proporções.

Mas, em determinados casos, há sinais que alertam os economistas para potenciais ameaças e que permitem fazer previsões no curto e no médio prazo.

GETTY IMAGES – A expectativa é de que a economia mundial cresça 3,1% em 2018

Cecilia Barría

Riscos estão sempre rondando qualquer economia.

Neste início de 2018, diversos organismos internacionais listaram as possíveis ameaças à economia mundial. Apesar da previsão de crescimento de 3,1% para este ano, ainda existem incógnitas e ameaças latentes.

Confira abaixo algumas dos riscos projetados para o ano, de acordo com especialistas consultados pela BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC:

GETTY IMAGES – Um dos principais riscos é que o financiamento se torne mais dicífil.

José Juan Ruiz, economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID):

– Riscos geopolíticos e de estabilidade das instituições e das regras globais. Qual será o futuro da Organização Mundial do Comércio e do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta)? Haverá uma escalada das tensões entre EUA e Coreia do Norte, ou entre EUA e China? Estas são algumas das incertezas que podem prejudicar a economia.

– Queda do crescimento da produtividade, tanto em países desenvolvidos como emergentes. Hoje a produtividade cresce menos do que no passado, porque mundo ainda não sabe como utilizar bem as novas tecnologias nos sistemas produtivos. Outro elemento que influi nessa dinâmica é o envelhecimento crescente da população, que diminui a faixa dos economicamente ativos.

– A surpresa da inflação. Há um consenso amplo no mundo de que estamos em uma fase de inflações estruturalmente baixas, com condições monetárias muito favoráveis e mercados abundantes que criam riqueza financeira com pouca volatilidade. Isso provocou uma sincronização da recuperação econômica. Mas, se a inflação subir nos Estados Unidos (que é o esperado), pode haver um aumento na taxa de juros e mudanças nesse cenário.

– Aumento dos níveis de endividamento do setor privado e também dos próprios países. Com isso, alguns recursos que seriam usados em investimentos ou em programas sociais terão que ser destinados a pagar a dívida.

– Há um dilema moral. As empresas precisam apostar no bem comum, e não apenas nos lucros dos acionistas. Isso é um risco, mas levanta a questão sobre como elas podem ganhar legitimidade perante uma sociedade cada vez mais cansada do aumento da desigualdade. Eu acredito que esse debate pode ter um efeito importante.

GETTY IMAGES – Bolsas de valores em todo o mundo registram alta e juros baixos, mas essas condições poderiam mudar repentinamente

Alicia Bárcena, secretária-executiva da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal):

– Mudança climática. Este é o maior desafio que estamos enfrentando. O aquecimento global, os desastres naturais, a escassez de água e a contaminação podem colocar 122 milhões de pessoas na pobreza extrema, além das que já estão nessa situação hoje.

 Crescente desigualdade. O aumento da desigualdade de renda e a polarização social são consequências adversas da hiperglobalização, especialmente no mundo desenvolvido. Hoje existem oito pessoas que concentram uma riqueza equivalente à de 50% da população mundial mais pobre. A desigualdade ameaça a sustentabilidade econômica e social do atual modelo de desenvolvimento; seus custos ameaçam o bem-estar, o investimento e a inovação.

– Diminuição da confiança na democracia. Uma cultura baseada em privilégios transforma as diferenças em desigualdades. Estas tensões sociais, combinadas com incertezas, têm enfraquecido a confiança pública nas instituições democráticas.

– Crise do multilateralismo. Os grandes e persistentes desequilíbrios na conta corrente dos países, juntamente com as mudanças de localização de empresas e a piora nas condições de trabalho, têm provocado um ressurgimento do protecionismo em muitos lugares. Isso, combinado com negociações comerciais ineficientes, enfraquece o sistema de comércio multilateral internacional.

– Impacto desigual da revolução tecnológica. Mais de 40% da humanidade continua desconectada, não participa e nem tem voz na nova economia digital. Assim como as novas tecnologias redefinem os produtos e o mercado de trabalho, a distribuição desigual e o consumo dessas tecnologias afetam o crescimento e criam novas desigualdades.

GETTY IMAGES – Pode haver queda nos mercados internacionais, após uma fase de alta e pouca volatilidade

Carlos Arteta, economista líder do Grupo de Perspectivas Globais de Desenvolvimento do Banco Mundial:

– Endurecimento abrupto das condições internacionais de financiamento. Isso pode acontecer caso os mercados financeiros reavaliem a velocidade com que os bancos centrais doa países desenvolvidos normalizam suas políticas monetárias. Por exemplo, se a inflação nessas economias crescer mais do que o previsto.

– Reajuste muito rápido nos mercados de ações. Este risco tem aumentado devido a níveis muito altos registrados nas bolsas de valores mais importantes do mundo, assim como baixas taxas de juros. Essas condições poderiam mudar rapidamente e gerar tensão financeira.

– Aumento das restrições ao comércio. A ameaça tem crescido diante das tendências protecionistas de algumas das economias mais importantes do mundo, como a dos Estados Unidos.

– Crescimento da incerteza na política econômica. Mudanças drásticas na condução da economia poderiam afetar as decisões de investimento.

– Aumento das tensões geopolíticas. Um endurecimento das tensões na península coreana ou no Oriente Médio, por exemplo, poderia minar a confiança e prejudicar a atividade econômica.

GETTY IMAGES – A desigualdade ameaça a sustentabilidade econômica e mundial, e empresas também têm que responder por seu papel, segundo especialistas

Fonte: BBC Brasil.com