Defesa & Geopolítica

Tragédia do Boeing 777 voo MH17- Kiev esconde seu rastro

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O Conselho de Segurança da ONU apelou à responsabilização dos culpados da catástrofe do avião malaio na Ucrânia, sublinha a resolução aprovada por esse órgão. Kiev, contudo, não se apressa a iniciar as investigações. Haverá consequências jurídicas para a Ucrânia, responsável pela catástrofe, ou o Ocidente voltará a fechar os olhos às atitudes das atuais autoridades ucranianas?

O MRE russo ficou satisfeito com a resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada na véspera. O ministério comentou que uma ocorrência de grande impacto, como é a queda de um avião de passageiros, deve ser investigada por um órgão internacional de prestígio como é a Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO). Entretanto, as autoridades de Kiev são obrigadas a garantir a segurança dos peritos cessando os combates na zona da catástrofe.

Os milicianos de Donetsk declararam um cessar-fogo, imediatamente a seguir à ocorrência, numa área de 40 km em redor do local da queda do Boeing 777. O presidente ucraniano Poroshenko também parece ter prometido parar com os combates. Se bem que, um pouco mais tarde, o líder norte-americano Barack Obama tenha dito que a chamada “operação antiterrorista” não iria, afinal, perturbar o trabalho dos peritos, e a força aérea ucraniana efetuou imediatamente um ataque com mísseis contra a cidade de Shakhtersk, localizada perto do local da tragédia. É por isso que os peritos internacionais continuam retidos em Carcóvia e em Donetsk: fazer investigações sob bombardeamentos não faz parte das suas obrigações.

Mas das obrigações das autoridades de Kiev faz parte o encerramento do espaço aéreo sobre um território em que decorrem combates, sublinha o presidente da comissão de aviação civil do Conselho Social da Rostransnadzor Oleg Smirnov:

“Porque é que a Ucrânia, sendo membro da ICAO, violou de forma grosseira as normas existentes? Os documentos da ICAO referem que os Estados devem interditar os voos sobre os territórios onde decorrem operações militares. Essa é a causa inicial da catástrofe. Mas ainda não houve qualquer sinal a esse respeito da parte da Ucrânia, dos EUA ou da Europa. Outro fato: porque é que a esse avião foi dada ordem a partir de terra para alterar a altitude de voo dos 35 para os 32 mil pés?”

O fato de a Ucrânia ainda não ter iniciado a investigação da catástrofe é considerado pelos peritos como um caso sem precedentes na prática mundial: normalmente ela é iniciada no próprio dia. Pois a responsabilidade total pelo cumprimento de todas as formalidades pertence ao país em cujo espaço aéreo ocorreu o incidente.

Contudo, Kiev esqueceu completamente sua responsabilidade em todos seus aspetos e a receita para esse esquecimento foi-lhes sugerida pelos seus protetores ocidentais: de tudo pode ser responsabilizada a Rússia, que é a única responsável pelas desgraças da martirizada Ucrânia e, provavelmente, das desgraças de todo o mundo. Portanto, a catástrofe com o avião, assim como a imolação de dezenas de civis em Odessa e os bombardeamentos com mísseis de Lugansk e de Donetsk, foi tudo orquestrado por Moscou.

Kiev nem se apressa a criar uma comissão oficial para a investigação da tragédia, como é normal em todos os países civilizados. Isso só pode ser apenas explicado por as autoridades ucranianas pretenderem esconder alguma coisa, considera o chefe do centro russo de testes de voo Ruben Yesayan:

“Existe uma informação que a gravação das comunicações de bordo com o controlador aéreo ucraniano foi recolhida pelo Serviço de Segurança da Ucrânia. Isto apesar de se dever ter criado imediatamente uma comissão de inquérito e serem apresentados os primeiros documentos sobre a troca de comunicações entre o avião e o controle aéreo. A dispersão dos destroços por 15-20 quilômetros significa que a estrutura se desfez no ar. Quando ocorre uma falha técnica, a tripulação tenta preservar a integridade do aparelho e a vida das pessoas e comunica obrigatoriamente com terra. Havendo uma explosão a bordo, quando a estrutura é imediatamente destruída, tal não permite à tripulação comunicar para o solo seja o que for.”

Apesar de todos os países ocidentais declararem em uníssono que é necessário investigar a tragédia de uma forma objetiva, isso dificilmente será feito. Em toda esta história se vislumbra de uma forma clara e evidente o cenário de mais uma provocação informativa, por trás da qual estão, em primeiro lugar, os EUA, diz o analista político Serguei Grinyaev:

“É difícil prever se aos peritos será garantido um acesso seguro ao local da tragédia. Eu penso que isso não interessa sobretudo a Kiev. O culpado já foi encontrado: é a Rússia, o que já foi anunciado sem se ter feito qualquer investigação. Agora a tarefa principal é esconder as verdadeiras causas da tragédia.”

Se no caso da Síria e dos famigerados “ataques com armas químicas” o Ocidente ainda tentou manter alguma aparência de objetividade, já na Ucrânia eles se esqueceram completamente das subtilezas diplomáticas. Civis são mortos a tiro, cidades são destruídas e aviões são abatidos literalmente sob as objetivas das câmeras de televisão: Assim que Kiev anuncia as atrocidades dos “milicianos pró-russos”, as capitais ocidentais aprovam em coro.

Mesmo agora, na altura em que os representantes da República Popular de Donetsk entregavam as caixas-pretas do Boeing à delegação da Malásia, o democrático exército ucraniano iniciou um ataque de blindados contra Donetsk, escolhendo como alvo o edifício onde decorria essa entrega.

Vladimir Putin expressou, na reunião do Conselho de Segurança da Rússia, sua indignação com esse comportamento das autoridades ucranianas. O líder russo apelou a Kiev para que cumpra pelo menos as mais elementares normas de decência e que suspenda os combates.

Quanto aos protetores ocidentais dos dirigentes de Kiev, a sua interpretação da democracia foi duramente criticada pelo presidente. Segundo disse Putin, alguns países usam os mecanismos da luta concorrencial na arena internacional. Para isso são mobilizadas as capacidades dos serviços secretos, são usadas tecnologias modernas de informação e comunicação e canais de organizações “de bolso” suas dependentes.

Por seu turno, Moscou irá reagir de forma adequada a essas ameaças e resolver os problemas que constituem riscos potenciais para a unidade da Rússia e da sua sociedade.

 

Fonte: Voz da Rússia

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