Defesa & Geopolítica

Segundo avaliação, caça Gripen não atende aos requisitos mínimos da Força Aérea da Suíça

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O caça sueco Gripen foi o escolhido da Força Aérea Suíça para substituir os caças F-5, mas pode estar abaixo da capacidade mínima exigida. (Foto: Keystone)

O novo jato escolhido pelo Conselho Federal Suíço tem graves lacunas. Prova de que a Força Aérea Suíça tinha avaliado ele impróprio. Mesmo para tarefas simples. O Gripen, que o Conselho Federal quer comprar por 3,1 bilhões de francos nunca atingiu os “requisitos mínimos”, de acordo com o relatório confidencial da Força Aérea Suíça. Para substituir os antigos caças Tiger, foram também oferecidos o Rafale ou o Eurofighter. Para baixar o relatório final, clique aqui.

O Gripen não atende as expectativas mínimas de policiamento aéreo. Esta é a conclusão a que chega dois relatórios confidenciais da Força Aérea Suíça publicados em diversos sites. Eles estão em contradição com as declarações feitas pelo Ministro da Defesa Ueli Maurer que garante que a aeronave sueca “atendeu os requisitos militares suíços”. No dia 30 de novembro, na coletiva de imprensa de apresentação da escolha do Conselho Federal, Ueli Maurer mesmo repetiu isso seis vezes.

Sua justificativa foi baseada na idéia de que o Gripen, sem ser uma Ferrari, era pelo menos um bom VW Golf que é largamente suficiente para as necessidades da Suíça. Mas isso não é verdade. Porque o julgamento das forças aéreas nos documentos obtidos pelo “Le Matin Dimanche” não tem apelação: o Gripen, mesmo sendo levado em conta 98 elementos que serão melhorados (motor, radar, tanque, etc.), “é incapaz de alcançar a capacidade mínima para todos os tipos de missões discutidas.”

Esses relatórios de avaliação são datados de novembro de 2009. O primeiro é baseado em testes de vôo; o segundo dá notas das melhorias anunciadas pelos fabricantes. Ambos são assinados pelo chefe da força aérea Markus Gygax e foram escritos em inglês (“A única maneira de ter certeza que será bem entendido nas língua francesas, alemãs e em ticino”, observa um oficial de alto escalão.). Sua autenticidade não é contestada pela força aérea Suíça.

Impróprias para a missão de policiamento aéreo

As lacunas que eles destacam são particularmente graves ao policiamento aéreo. Graves, porque se a Suíça pode dotar um jato capaz de liberar uma bomba grande num local remoto a 5.000 quilômetros, ele deve ser capaz de garantir a soberania do seu espaço aéreo. É a única missão que algumas das forças aéreas da região terão de assumir nos próximos anos, por exemplo, para garantir a zona de exclusão aérea no fórum de Davos.

Contra todas as probabilidades, é precisamente por esta missão de policiamento aéreo que a pontuação do Gripen MS21 é a pior. MS21, é o nome técnico do Gripen E/F que o Conselho Federal tem a intenção de comprar, como foi confirmado pelo porta-voz da força aérea Jürg Nussbaum. Ele atingiu 5,33 pontos de 10 possíveis, e está bem abaixo do limite mínimo de 6,0 decidido no início do processo de avaliação. O Eurofighter atingiu 6,48 e o Rafale 6,98. A nota do Gripen pode ser explicada por uma lenta reação para decolagem de emergência (“Quick Reaction Alert”: pontuação de 4,7), inadequada desenpenho de voo (5,5) e largamente insuficiente resistência (3,8).

Para todos estes requisitos, a pontuação mínima de 6,0 foi fixada se baseando nos recursos dos F/A-18 Hornet suíço atualmente em operação. Mais claramente: as novas aeronaves devem entrar em operação na Suíça a partir de 2016 por 3,1 bilhões de francos e permanecer em serviço até, pelo menos, 2035, e serão menos eficientes do que os F/A-18, que entraram em serviço em 1997 e atualizado regularmente.

Nos documentos divulgados, a força aérea Suíça explica que o Gripen MS21 ainda deve ser selecionado, “deve pelo menos fazer sua avaliação em vôo na Suíça [antes de decidir comprá-lo], para testar sua eficácia nesta missão crítica”. Porque durante os ensaios de Emmen em 2008, apenas o antigo modelo da aeronave pode ser testado em condições reais. E o último (o Gripen C/D) tinha um motor menos potente e muito menos equipamentos.

Os recursos do futuro Gripen nas missões ofensivas aéreas, exclusão do espaço aéreo ou ataque direto também são considerados “médios” por via de forças aéreas (5,62). O raio de ação, a sobrevivência ou detecção, permanecem “baixas”. “A eficácia estimada do Gripen MS21 continua a ser insuficiente [para realizar estas missões] com uma boa probabilidade de sucesso”, afirma o relatório. O Eurofighter teve um notável 6,54 e o Rafale 7,41.

Para as missões de defesa contra aeronaves (DCA) e nos recursos de ataque terrestre do Gripen escolhido pelo Conselho Federal, foram também considerados inadequados, com pontuações de 5,68 e 5,62. “A probabilidade de que o Gripen MS21 se revele incapaz de realizar a missões do DCA é significativa, indica os avaliadores da força aérea Suíça. E a eficácia global restante do Gripen MS21 é insuficiente para ganhar a superioridade aérea das ameaças futuras além de 2015.”

Mentira por omissão?

Em novembro, os trechos do relatório foram revelados pelo Basler Zeitung, que não pôde, no entanto, publicar os documentos inteiros. Ueli Maurer então disse que os dados eram apenas partes, explicando que os outros relatórios que incluiam, por exemplo aqueles que avaliaram as outras áreas, como interesses industriais ou cooperação militar. “Circulam relatórios”, adicionou o Ministro da defesa, “mas não são realmente as partes que interessam”.

Ueli Maurer simplesmente não disse que esses relatórios de avaliação do desempenho aéreo, e divulgados agora, contam apenas 60% da pontuação total da avaliação, tal como confirmado pela porta-voz do departamento de defesa, Silvia Steidle. Ueli Maurer também esqueceu de dizer que para outros módulos de avaliação, dois outros fabricantes de aeronaves na corrida haviam sido considerados equivalentes ou superiores ao Saab Gripen, como podemos confirmar nas diversas fontes que tiveram acesso ao relatório final.

Acima de tudo, o risco financeiro e técnico relacionado com a modernização da aeronave é caracterizado como “alta” pela força aérea. Aqui mais uma vez, esta avaliação contradiz as afirmações do DDPS, que sempre assegurou que esse risco é “controlável”.

Base enojada

Na Armasuisse e nas equipes de avaliação da força aérea, o desgosto é sensível desde a escolha do Conselho Federal, com base em apenas critérios financeiros. Alguns comentam até mesmo uma possível “demissão”. E esperam ser convidados por parlamentares para se explicar. “Se eles me fizerem perguntas, vou responder-lhes, obviamente, muito precisamente”, promete uma dessas pessoas, que deseja permanecer anônimo. A maneira na qual o caça Gripen foi elaborado para obter, no final, o valor que “satisfez os requisitos da trupe” e a contagem total de 6,0 é um mistério. “No momento da sua libertação para o Ministro da defesa, a pontuação da parte militar do Gripen foi insuficiente, confirma um membro líder da avaliação, também sob o anonimato”. Somente a parte financeira permitiu o Gripen atingir o menor mínima.” Também estão ansiosos para explicar aos parlamentares.

O democrata-cristão Jean-René Fournier está chocado com a leitura destes documentos: “Isto é grave”. Se não houver nenhum elemento novo, não vejo como poderemos comprar o Gripen.” O Valais proporá à Comissão sobre a política de segurança do Conselho dos Estados, com o qual ele deve se encontrar nessa segunda-feira, em vez de se juntar a Subcomissão Nacional para investigar a forma como foi conduzida a avaliação.

O ecologista Vaudois Luc Recordon ficou ainda mais chocado quando leu os relatórios da força aérea: “Temos a impressão de que Ueli Maurer quer brincar conosco.” Ele oferece para comprar um 2 CV ao preço de um Porsche.” Neste caso, conclui, prefiro ficar com o F/A-18.

Confrontado com estas alegações, a DDPS recusa-se a comentar essas observações sobre as conclusões da avaliação. “O Conselho Federal, ele diz na resposta por escrito, foi informado sobre os resultados da avaliação de 30 de novembro de 2011, inclusive sobre as notas e os custos. Ele afirma que “o Gripen atende requisitos militares”.

Fonte: Le Matin – Tradução: Cavok

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