PROANTAR completa 30 anos de atividades

Estação Antártica Comandante Ferraz

No dia 12 de janeiro de 2012, comemorou-se o 30o aniversário do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), do qual a Marinha do Brasil participa ativamente.

O Continente Gelado, dotado de características ímpares, tem influência direta no clima do planeta e, em especial, no do Brasil, constituindo-se em verdadeiro laboratório natural, onde é possível desvendar alguns dos segredos da atmosfera, dos oceanos e da vida na Terra. Esse papel foi evidenciado, mais precisamente, após a realização do Ano Geofísico Internacional, de 1957/1958, onde foram lançadas as bases da sua ocupação pacífica e vocacionada para a ciência, que culminaram com o Tratado da Antártica.

Assinado em Washington, em 1º de dezembro de 1959, o Acordo entrou em vigor no dia 23 de junho de 1961, inicialmente com 12 signatários, tendo recebido a adesão de novos Estados, contando, atualmente, com 48 Partes Contratantes, sendo 28 Membros Consultivos, com direito a voto.

Decorrente de amplas motivações científicas e político-estratégicas, o Brasil aderiu ao Tratado em 1975. Em 12 de janeiro de 1982, foram plantadas as sementes que deram origem ao PROANTAR, com a assinatura dos Decretos nº 86.829 e 86.830, que resultaram na criação da Comissão Nacional para Assuntos Antárticos (CONANTAR) e na atribuição, à Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), do encargo de elaborar o projeto para a implementação daquele importante Programa.

Ainda em 1982, a Marinha adquiriu o navio dinamarquês “Thala Dan”, que recebeu o nome de Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) “Barão de Teffé”. Em dezembro do mesmo ano, o navio partiu do Rio de Janeiro, dando início à primeira expedição aos desconhecidos e perigosos mares do sul, na OPERANTAR I, tendo recebido as tarefas de realizar reconhecimentos hidrográfico, oceanográfico e meteorológico no noroeste da região e de selecionar o local onde seria instalada a nossa futura Estação.

Navio de Apoio Oceanográfico “Barão de Teffé”

O sucesso alcançado na comissão redundou no reconhecimento do esforço despendido, culminando, no dia 12 de setembro de 1983, com a inclusão do País no seleto grupo de Membros Consultivos, colocando-nos em posição privilegiada no cenário global e em condições de participar ativamente das importantes decisões sobre o futuro da Antártica.

Estruturado em três vertentes – a da ciência e tecnologia, sob a responsabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; a ambiental, inerente ao Ministério do Meio Ambiente; e a logístico-operacional, coordenada pela Marinha, órgão da estrutura do Ministério da Defesa; o PROANTAR vem realizando, ao longo desses 30 anos, pesquisas científicas de qualidade em diversas áreas do conhecimento.

Em agosto de 1983, um quadrimotor C-130 Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou na base chilena Eduardo Frei pela primeira vez, fato que se repete até hoje, uma vez que a Força Aérea desempenha papel fundamental ao realizar voos de apoio durante o verão e o inverno austrais.

Em 6 de fevereiro de 1984, foi inaugurada a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), inicialmente composta por apenas oito módulos, com 120 m2 no total, que abrigavam, no máximo, doze pessoas. Localizada na Península Keller, no interior da Baía do Almirantado, Ilha Rei George, passou a ser ocupada ininterruptamente a partir de 1986. Desde a sua implantação, ela vem sendo modernizada e ampliada, para atender às demandas científicas crescentes, contando, presentemente, com um espaço de cerca de 2600 m2, dotado de instalações e equipamentos que permitem manter 60 pessoas, com conforto e segurança, além de propiciar o desenvolvimento de uma média anual de 20 projetos de pesquisa.

Evidenciando a constante preocupação com a preservação do meio ambiente, a EACF deverá ter o seu Sistema de Gestão Ambiental implantado no corrente ano, segundo padrões internacionais, além do que, fruto de planejamento conjunto com a Petrobras, passará a ser abastecida de combustível, por meio de dutos ligados aos navios, oferecendo maiores segurança e rapidez na execução das fainas. Soma-se, aos grandes projetos em curso, a instalação de um motogerador a etanol, para fornecimento de energia. A consecução de tal empreendimento, que é resultado de uma parceria com a Vale Soluções em Energia (VSE) e com a Petrobras, colocará o Brasil em posição de destaque tecnológico, pela utilização pioneira de biocombustível na região, com a consequente redução da emissão de gases poluentes.

Atendendo aos anseios da comunidade científica, que estava focada na necessidade de se dispor de uma plataforma com instalações adequadas e apta a operar em áreas afastadas da Baía do Almirantado, foi adquirido, em 1994, o navio norueguês “Polar Queen”, rebatizado como NApOc “Ary Rongel”, que veio a substituir o “Barão de Teffé” a partir daquele ano. Dotado de laboratórios de meteorologia, oceanografia física e biologia, com possibilidade de transportar 2.400 m3 de carga e de operar com dois helicópteros, representou um grande avanço como suporte logístico e de apoio à pesquisa.

NApOc “Ary Rongel” em operação na Antártica

A última grande realização ocorreu no início de 2009, com a obtenção do navio “Ocean Empress”, construído nos Estados Unidos da América e modernizado na Noruega, e que passou a ser chamado de Navio Polar “Almirante Maximiano”, incrementando, consideravelmente, a capacidade de atuação que, àquela altura, já não podia ser atendida integralmente pelo “Ary Rongel”.

Transcorridas três décadas de trabalho, a caminhada prossegue e novos desafios terão que ser superados, para os quais o PROANTAR deverá estar adequadamente preparado para enfrentá-los, com a mesma dedicação e tenacidade dos seus primórdios. Para isso, durante os anos de 2010 e 2011, a CIRM realizou estudos para reavaliá-lo e propor ações para orientar os seus próximos 10 anos.

“O PROANTAR representa uma grande conquista e é um marco da competência brasileira, gerando conhecimentos inovadores e contribuindo, de modo relevante, para a formação de gerações de pesquisadores, além de garantir que o País será ouvido quando o mundo voltar a discutir o que irá suceder com o Continente Gelado”, afirmou o Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto, por ocasião de sua visita à EACF e ao NPo “Almirante Maximiano”, no dia 10 de janeiro, durante a OPERANTAR XXX.

NPo “Almirante Maximiano” em operação na Antártica


Fonte: NOMAR

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