Defesa & Geopolítica

França oferece educação nuclear aos chineses

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Gates, China Collaborating On Cleaner, Safer Nuclear Reactor

Por Olivia Geng

Há muito tempo a França exporta sua tecnologia de energia nuclear. Agora, com a instabilidade da demanda global, o país também está oferecendo sua educação nuclear.

Daqui a cinco anos, cerca de cem engenheiros nucleares chineses vão se diplomar pelo Instituto Franco-Chinês de Energia Nuclear, na província de Cantão, no sul da China. Treinados por professores franceses de alto nível, os formandos deverão sair da escola falando francês fluentemente e com mestrado em engenharia nuclear.

Para a França, que está financiando cerca de metade dos custos da recém-inaugurada universidade, a aposta é ousada. A esperança é que esses estudantes chineses se tornem, futuramente, altos funcionários do setor nuclear, que vão pôr em prática elevados padrões de segurança e concederão contratos lucrativos para empresas nucleares francesas.

“Queremos compartilhar nossos métodos de ensino”, diz Marianne Laigneau, chefe de recursos humanos da estatal francesa de energia Electricité de France SA, que paga cerca de 10% do orçamento anual da nova escola, de 4 milhões de euros (US$ 5,2 milhões). “Mas o objetivo também é formar futuros tomadores de decisão chineses que possam facilitar parcerias com a França.”

Muitas empresas as mais diversas, desde grupos de aeronáutica até a McDonald Corp., criaram escolas na China para treinar futuros funcionários e parceiros. Mas para a França, que guarda cuidadosamente seu know-how nuclear, os riscos são maiores na sequência do acidente nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão.

“Se o investimento da China na [energia] nuclear fracassar, seja do ponto de vista industrial ou da segurança, isso terá impacto sobre as opções estratégicas da França”, diz Bernard Bigot, chefe da Comissão Francesa de Energia Atômica, órgão que planejou a expansão nuclear do país. “Basta ver o impacto que Fukushima teve sobre a França para entender que se um país investe em energia nuclear, tem de fazê-lo de uma maneira exemplar.”

A inauguração da universidade na China ressalta o quanto a França está disposta a fazer para garantir que seu investimento em energia nuclear, de 250 bilhões de euros e já com quatro décadas de duração, continua valendo a pena. Também mostra que o destino da indústria nuclear francesa está cada vez mais interligado com o da China.

Fonte: The Wall Street Journal

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