Defesa & Geopolítica

Deu no Cavok: com a proximidade do fim do contrato dos Gripen, Tchecos correm contra o relógio para escolha de caças

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O relógio está correndo para a expiração do contrato em 2015 dos caças supersônicos JAS39 Gripen contratados do governo sueco para proteger céus da República Tcheca. E, embora a data ainda possa parecer muito distante, a especulação tem sido crescente sobre se o acordo dos aviões Gripen será renovado ou outro avião de caça será escolhido.

Com os cortes no orçamento entre as maiores prioridades da coalizão governamental de centro-direita, existe também o fato de o novo contrato para compra de caças poder ser eliminado por completo com algumas opções mais baratas tendo que ser encontradas para proteger o espaço aéreo tcheco. O Primeiro-Ministro tcheco Petr Necas (do partido democrata civil ODS) tem desempenhado um papel de liderança no debate e parece ter tomado uma posição contra a prorrogação de um acordo em favor do Gripen nos céus tchecos, protegendo a compra de caças dos EUA.

Enquanto a maioria dos pilotos e do exército checo parecem satisfeitos com os aviões Gripen e com a vontade de ampliar o negócio, o futuro dos aviões nos céus tchecos está amarrado no passado e existe as suspeitas sobre os maciços subornos usados pelo consórcio anglo-sueco BAE Systems-SAAB ao tentar fechar um acordo de 60 bilhões de coroas tchecas (3,37 bilhões de dólares) para vender 24 caças JAS39 em 1999 e 2001. O acordo de compra foi cancelado pelo parlamento tcheco em 2003, em favor de um acordo de leasing que está em andamento com o governo sueco para 14 aviões, num custo de cerca de 20 bilhões de coroas tchecas (US$ 1,12 bilhão).

Necas advertiu em junho que seria difícil conceber que o contrato Gripen seja estendido enquanto uma investigação de corrupção do governo tcheca sobre a venda original dos caças Gripen ainda precise ser concluida e com as suspeitas ainda pendentes. Necas também ganhou uma promessa do seu homólogo britânico, David Cameron que ele iria garantir que o Escritório de Graves Fraudes (OFS) do Reino Unido passaria para os investigadores tchecos toda a ajuda possível na sua investigação. Parte dos documentos da OFS foram entregues no início de agosto.

Parlamentares duvidam do Gripen

Alguns poderiam dizer que as ações de Necas são apenas uma manifestação da cruzada do governo no combate à corrupção e seu entusiasmo para limpar tudo, o que poderia vir a ser um dos maiores casos de eliminação de corrupação na história do país. Mas seus comentários anteriores sobre os aviões Gripen revelam dúvidas claras sobre eles. “Os Gripens ainda não haviam sido testados em combate, não se comunicam com os equipamentos técnicos das nações da OTAN, e possuem metade do alcance do F-16 pois eles eles não podem reabastecer em vôo”, comentou no ano passado o primeiro-ministro tcheco. Alguns sugerem que Necas está jogando um jogo de astúcia tática para obter o melhor acordo possível entre os fabricantes do Gripen.

Funcionários altamente colocados dentro do Ministério da Defesa confirmaram a posição de Necas, que gostaria de ver aviões de combate dos EUA na frota e está, portanto, tomando medidas para empurrar a BAE Systems e o Gripen para um canto. As propostas dos EUA para proteger o espaço aéreo tcheco poderia envolver os caças F-16 da Lockheed Martin ou o F-18 Super Hornet da Boeing.

De qualquer maneira, é quase certo que a tomada de decisão relativa à proteção do espaço aéreo da República Tcheca será tomada no âmbito do atual governo.

Pelo lado dos EUA, os aviões F-16 para os checos poderiam ser de baixo custo e de operação rentável para um favorecido aliado. “Os americanos estão descartando os caças F-16, porque eles estão seguindo em direção ao F-35 e com isso poderão oferecer essas aeronaves aos aliados em pacotes prontos por preços melhores. Eles terão milhares em todo o mundo e eles vão querer se livrar,” disse uma fonte próxima do Ministério da Defesa, que pediu para não ser identificado.

O porta-voz de Necas negou que ele esteja tomando partido por algum dos lados. “O primeiro-ministro tem repetido que é necessário realizar uma análise detalhada, se e de que forma a força aérea deve tomar. No momento, não há pressa para tomar uma decisão. Nenhuma preferência foi mencionada. Eu não quero de qualquer maneira responder sobre rumores ‘decisivos’ feitos pelo Primeiro-Ministro Necas,” disse Jan Osúch.

Bem como os Gripens, e os F-16 e F-18s, outros caças foram mencionados no passado pelo Ministério da Defesa como possíveis para patrulhar os céus da República Tcheca, como os Rafales produzidos pela francesa Dassault, e o caça Eurofighter Typhoon do consórcio de EADS, Alenia Aeronautica da Itália, e também da BAE Systems.

Prazo de decisão

O argumento de que não há pressa para que o governo tcheco tome uma decisão sobre um futuro caça é contestado pelo chefe da força aérea, Brigadeiro-General Jirí Verner. Ele ressalta que se uma decisão for tomada para mudar para outra aeronave que não o Gripen, em seguida, pelo menos, dois anos seriam necessários para treinar os pilotos para as novas aeronaves. “Isso não é uma estimativa, é uma experiência das forças aéreas da Áustria e da Alemanha”, acrescentou. Bem como a formação, as bases também teriam de ser adaptadas para a nova aeronave, apontou Verner.

“A logística terá que ser adaptado às mudanças que ocorrem e isto trará custos extras que estão longe de serem desprezíveis. O contrato de 10 anos de apoio logístico para os Gripens ocorreram quase sem falhas, e eu não conheço pessoalmente de tal contrato do passado ou presente, que foi tão bem ajustado”, acrescentou Verner.

A experiência passada e os livros didáticos militares confirmam a advertência com respaldo técnico para as aeronaves no solo muitas vezes representando cerca de 60 por cento dos custos de equipamentos em geral e os restantes 40 por cento cobrindo a compra dos próprios aviões.

Verner disse que os militares estão totalmente satisfeitos com o negócio Gripen, e que, segundo ele, ajudou a República Tcheca a se tornar um respeitado membro da OTAN.

Sem opção de baixo custo

Enquanto isso, o ex-primeiro ministro Social-Democrata tcheco, Vladimír Spidla, que pilotou o negócio para contratar os eventuais Gripen com a Suécia, adverte que qualquer pensamento de corte de custos para não ter proteção de caças na República Tcheca deve ser descartada.

“Se não formos capazes de patrulhar o espaço aéreo nós mesmos, a aliança [OTAN] não seria capaz de deixar um buraco na fronteira de 80.000 quilômetros quadrados. Teríamos que contratar os serviços de uma outra força aérea. Mais provavelmente seriam os alemães ou poloneses. Claro, isso chegará a um preço. Qualquer locação de serviços de outra nação iria exigir o respectivo pagamento para que eles não saíssem perdendo”, disse Spidla.

O Gripens tem custos operacionais relativamente baixos e a melhor solução para o futuro seria ficar com os aviões suecos, acrescentou. Os custos dos F-16s são várias vezes maior, disse ele, e ele tinha informação de que os militares poloneses tiveram problemas com seus aviões. “Para ser franco, eles não voam muito com eles. Eles têm longos períodos desfavoráveis entre manutenção e implantação de vôo,” acrescentou Spidla.

Fonte: Czech PositionTradução: Cavok

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