Defesa & Geopolítica

Guerra Cibernética: Epidemia do supervírus Stuxnet se infiltra em indústrias, empresas de energia e teles

Posted by


Na semana passada, Gholamreza Jalali, diretor da Defesa Civil do Irã, afirmou que o país foi alvo de ataque cibernético por um vírus batizado de “Stars”. Segundo ele, foi a segunda vez em menos de um ano que o país sofreu um ataque de um vírus altamente sofisticado, que os especialistas já chamam de “míssil cibernético teleguiado”. Em meados de 2010, quando o governo iraniano se preparava para abastecer o reator de sua principal usina nuclear (Bushehr), o sistema de informática da instalação foi paralisado pelo vírus Stuxnet.

A maneira inteligente como o Stuxnet se infiltrou sem ser detectado e, dentro da rede de computadores, passou a controlar os equipamentos da usina assustou os mais importantes especialistas em segurança em informática do mundo, que se mobilizaram para classificar a ameaça. Especula-se que o Stuxnet tenha sido criado pelo governo israelense para tentar frear o programa nuclear iraniano e sua provável meta de construir uma bomba nuclear. A temida ciberguerra mundial, enfim, parece ter começado.

Versões do vírus são vendidas por US$ 100 mil

A partir daí, no entanto, não só a usina nuclear iraniana, mas vários servidores de indústrias e empresas de energia elétrica e telecomunicações de vários países – Índia, China, Alemanha, Paquistão, Rússia, Estados Unidos, Indonésia, Coreia do Sul e até o Brasil – passaram a ser infectados pelo Stuxnet. Relatório divulgado em fevereiro passado pela empresa de segurança em informática Symantec mostrou que, em setembro de 2010, mais de 100 mil servidores de cerca de 50 mil empresas haviam sido afetados em diferentes graus pelo Stuxnet (ou vírus derivados) ao redor do mundo.

As ameaças de uma ciberguerra mundial se materializavam não apenas nos ataques entre governos, mas também sob outra forma: a de uma guerra entre grupos empresariais dispostos a sabotar as linhas de produção de seus principais concorrentes.

Cresce procura por especialistas no Brasil

A epidemia do supervírus acendeu o sinal vermelho nos principais conglomerados industriais do planeta, especialmente entre as empresas consideradas mais estratégicas: companhias de energia elétrica, cujo fornecimento, se interrompido por longo tempo, pode levar grandes metrópoles ao caos social. No mercado paralelo dos programadores dedicados a produzir softwares mal intencionados, versões do vírus podem ser vendidas por valores acima de US$ 100 mil.

– O Stuxnet tem inteligência especial para interferir com sistemas de produção industrial, e todas empresas com máquinas controladas por computadores são vulneráveis. Parece coisa de filme, mas existe, é real – diz André Carraretto, gerente de Engenharia de Sistema da Symantec Brasil.

– Detectamos crescimento na busca por especialistas em avaliação de vulnerabilidades em grande grupos empresariais. É o profissional que antes parecia preocupação do setor financeiro – conta José Roberto Antunes, gerente de Engenharia de Sistema da McAffee Brasil. – Em 2010, houve recorde de ataques de vírus no mundo: 20 milhões, 55 mil novas ameaças todos os dias.

Robert Lenz, ex-chefe do Escritório de Segurança da Informação do Departamento de Defesa dos EUA, hoje presidente da Cyber Securities Strategies, especializada em ciberguerra e ciberterrorismo, diz que a reação de empresas e governos à sofisticação dos vírus – o Stuxnet é exemplo disso – nem de longe é ideal para garantir segurança das companhias, especialmente as estratégicas de energia.

– O Stuxnet chamou a atenção para o fato que um evento cibernético pode causar consequência física no mundo real. Haverá mais e mais ameaças como ele até que os investimentos em segurança de sistemas preventivos aumentem. As empresas de energia são exemplo assustador de infraestrutura que vem sendo construída com base em programas de automação sem proteção – diz ele.

Estudo da McAffee mostra que “os atacantes cibernéticos, sejam eles criminosos envolvidos em roubo ou extorsão, ou governos estrangeiros preparando explorações sofisticadas, como o Stuxnet, já atingiram infraestruturas críticas”, especialmente nas áreas de energia elétrica, petróleo e gás e abastecimento de água.

Em entrevista ao portal G1, o diretor-geral do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Raphael Mandarino, disse que o Stuxnet foi tão bem elaborado que poderia ser usado como arma militar. E pregou ampla parceira para conter o vírus no Brasil. Segundo ele, a colaboração entre empresas, sociedade, governo e academia é “fator-chave para que o país possa se defender dessa ameaça”.

Fonte: O Globo


9 Comments

shared on wplocker.com