Defesa & Geopolítica

'Pré-sal' do minério em MT ainda não tem potencial confirmado

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Governador anunciou mina de ferro equivalente a mais de duas Carajás e outra gigante de fosfato, mas agência federal nega previsão.

Danilo Fariello, enviado especial a Cuiabá |

O anúncio da descoberta de um “pré-sal” da mineração no Mato Grosso, feito ontem pelo governador Silval Barbosa, ainda não é confirmado pelas autoridades federais responsáveis pela verificação do potencial das jazidas. Segundo Barbosa, o Estado teria minas imensas, com 11,5 bilhões de toneladas de ferro e 450 milhões de toneladas de fosfato. O relatório final sobre o potencial exploratório das jazidas, porém, só ficará pronto em dezembro. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), por meio de sua assessoria de imprensa, confirma que o relatório final sobre as jazidas não foi apresentado ainda, ratificando o potencial informado ontem. Barbosa é candidato à eleição para governador do Estado, vaga que assumiu em março após a saída de Blairo Maggi para se candidatar a uma vaga no Senado.

Pesquisadores no Mato Grosso do Serviço Geológico do Brasil, conhecido como CPRM, informaram ao iG que as reservas têm, de fato, um grande potencial, mas ainda são necessárias muitas novas pesquisas para que se chegue a uma estimativa mais precisa sobre o seu potencial. Segundo o governo do MT, apenas a jazida de ferro tem potencial quase três vezes maior do que a mina de Carajás (PA), a principal da Vale.

Com o gigantesco potencial da mina de ferro em Mirassol D’Oeste, na Serra do Caeté, serão necessários grandes investimentos em infraestrutura para sua exploração. Para o secretário adjunto de Transporte do Mato Grosso, Eziquiel Lara, será necessária pelo menos uma grande ferrovia para escoar o minério de ferro. “Mas também pode ser aproveitada a hidrovia Paraguai-Paraná, a partir do município de Cáceres”, diz. “Esperamos a chegada de grandes empresas para essa exploração.”

Fosfato é alento para agropecuária

Já para o fosfato, um relatório preliminar mostra uma área de 43 quilômetros quadrados com potencial de exploração. Com consumo de 610 mil toneladas de fosfato por ano, principalmente para a produção de grãos e para pastagem, o MT pode ser autossuficiente no mineral e até exportá-los. No Mato Grosso, está em curso o Projeto Fosfato Brasil, em parceria com o governo federal, para descobrir novas jazidas do minério no país. “Esse fosfato vai ser a salvação da lavoura do Mato Grosso”, diz Lara.

Os agricultores da região, porém, têm de ter reservas com a expectativa da queda do preço do fosfato, porque, como o petróleo, a sua venda no país segue o preço internacional. Mas eles podem lucrar com a queda do custo do frete do fosfato. O Brasil importa atualmente a maior parte do fosfato consumido e vê suas últimas minas em operação perto da escassez. Segundo o governo do Mato Grosso, os custos de produção com a descoberta podem cair em cerca de R$ 400 milhões por ano no Estado.

Mas, com uma mina gigantesca de fosfato, o Brasil também poderia passar a ter papel importante no oligopólio internacional de produção do mineral, que dita o preço da commodity. Atualmente, Canadá e Rússia, principalmente, são acusados de agir para arbitrar a oferta e o preço do produto para o resto do mundo.

Fonte: Economia-Último Segundo

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