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Quem é Sebastián Piñera, que venceu as eleições e será presidente do Chile pela segunda vez

O ex-presidente Sebastián Piñera venceu seu oponente, Alejandro Guillier, neste domingo no segundo turnodas eleições presidenciais no Chile e governará o país pela segunda vez.

REUTERS – Milionário Sebastián Piñera, tido como a terceira pessoa mais rica do Chile, é eleito o novo presidente do país

De acordo com os dados do Serviço Eleitoral (Servel), 96,31% das urnas foram apuradas e já colocam matematicamente o ex-presidente como vencedor. O líder da nova coalizão de centro-direita Chile Vamos, recebeu 54,57% dos votos, enquanto Guillier, representante do grupo dominante centro-esquerda Nova Maioria, alcançou 45,43%.

Piñera, que ocupou o cargo entre 2010 e 2014, era visto como favorito durante a campanha, mas só obteve 36,64% dos votos no primeiro turno. Guillier alcançou 22,70%. Oito candidatos concorreram no pleito.

Empresário milionário, com doutorado em economia na Universidade Harvard, nos EUA, Piñera é a terceira pessoa mais rica do Chile, segundo a revista Forbes. O eleito tomará posse em março de 2018.

“Quando chegou à Presidência pela primeira vez, ele governou com tecnocratas. Agora, tende a ser mais político”, considera Guillermo Holzmann, professor de Ciências Políticas da Universidade de Valparaíso. O mercado vê com bons olhos a eleição do candidato.

A desaceleração da economia chilena “influencia” essa aceitação, segundo Holzmann. “A percepção é de que a economia está estancada e que, com Piñera, voltaria a crescer”, diz Holzmann. O Chile cresce menos de 2% ao ano, afetado pelo desempenho da China – principal comprador de cobre do país andino.

Na campanha, Piñera prometeu reativar a economia e reduzir o tamanho do Estado – buscando atrair investimentos internacionais – assim como melhorar segurança pública, saúde, educação, transporte e qualidade de vida da população.

Outra garantia que dá é a de que vai separar a política dos negócios.

Piñera tem sido um dos críticos mais duros dos escândalos de corrupção que estremeceram o atual governo. Seus opositores o acusaram, no entanto, de conflito de interesses em diferentes ocasiões, o que ele nega.

“Em termos de conflito de interesse, Piñera sempre nos surpreende”, disse o deputado do Partido Comunista (PC), Daniel Núñez. Segundo ele, o ex-presidente teria criado uma lei de pesca após suas empresas terem investido no setor.

Caso vença no segundo pleito, uma cena de 2010 pode se repetir: naquele ano, Bachelet passou a faixa para Sebastián Piñera. Quatro anos depois, em 2014, foi Piñera quem “devolveu” a faixa para Bachelet.

Fonte: BBC Brasil.com

 

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Aviação Defesa Destaques Meios Navais Opinião Rússia Sistemas de Armas Tecnologia

Rússia necessita de aviões de aterrissagem e decolagem vertical? (VTOL)

Ultimamente, a Rússia tem demonstrado interesse em recomeçar a fabricação de aviões de aterrissagem e decolagem vertical (VTOL – Vertical Take-Off and Landing). Em particular, recentemente o vice-ministro da Defesa, Yuri Borisov, revelou os planos para produzir este tipo de aviões.

Yak-38 – (esquerda) e Yak-141 (direita)

“Um aparelho destes seria importante não apenas para a Marinha, mas também para a Força Aeroespacial”, explicou à Sputnik o especialista militar, capitão de mar e guerra Konstantin Sivkov.

“O maior problema da aviação moderna é que os caças a jato precisam de uma boa pista de decolagem e pouso, mas a quantidade destes aeródromos é muito pequena e eles são fáceis de destruir com um primeiro ataque. Quanto aos aviões VTOL, em condições de ameaça eles podem ser instalados até mesmo em clareiras florestais”, assinalou ele.

Entretanto, tal utilização “terrestre” de aviões VTOL não parece muito racional. Um dos principais problemas é que, com a decolagem vertical, o avião consome bastante combustível, o que por sua vez reduz seu raio de ação.

A Rússia é um país enorme, por isso, para obter supremacia aérea sua aviação de caça precisa ter “braços compridos”.

“Em condições de infraestruturas parcialmente destruídas, os aviões podem cumprir missões de combate por conta de decolagem curta de aparelhos convencionais a partir de uma seção de pista menor que 500 metros”, acredita o diretor executivo da agência Aviaport, Oleg Panteleev.

“Outra questão, é que a Rússia tem planos de construir uma frota de porta-aviões, onde a utilização de aviões VTOL seria mais racional. Não têm de ser necessariamente porta-aviões, podem ser cruzadores porta-aeronaves.”

 

Contudo, para iniciar a construção deste tipo de aviões a Rússia não deve esperar até aparecerem novos navios portadores de aeronaves.

“Os aviões VTOL podem ser baseados não apenas em porta-aviões”, explicou Panteleev, adicionando que as aeronaves podem utilizar plataformas instaladas em navios-tanque ou até fragatas.

 

Custos justificáveis

Ao mesmo tempo, é evidente que o desenvolvimento de um avião VTOL russo aparentemente vai requerer recursos enormes. Referindo-se ao exemplo norte-americano com o mesmo tipo de aviões F-35B e outros modelos com decolagem e aterrissagem vertical, vale destacar que, segundo estimativas, seu custo atingiu US$ 1,3 trilhões e de seu desenvolvimento participaram vários países.

De acordo com especialistas, para o desenvolvimento bem-sucedido de um avião VTOL russo será necessário resolver várias questões, entre elas estão: a miniaturização da aviônica, a criação de uma nova geração de sistemas aéreos e a projeção de uma célula com características especiais. A indústria aeronáutica russa tem capacidade para as resolver.

A Rússia poderá iniciar a construção de porta-aviões no futuro próximo. De acordo com o Ministério da Defesa, para os anos 2025-2030 está agendado o assentamento da quilha do porta-aviões pesado do projeto 23000 Shtorm. Até lá, a Marinha russa planeja receber dois novos navios de desembarque universais Priboi capazes de portar aviões com VTOL.

Fonte: Sputnik

Edição: Plano Brasil

http://www.planobrazil.com/o-yak-141-e-mesmo-o-pai-do-f-35b/

 

 

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Conflitos Destaques Geopolítica Israel

Erdogan promete abrir embaixada turca em Jerusalém Oriental

Depois de obter apoio de países islâmicos para palestinos, presidente turco desafia frontalmente intenções diplomáticas de Trump. Conselho de Segurança da ONU poderá barrar mudanças unilaterais no status de Jerusalém.

Judeus ortodoxos no Monte do Templo de Jerusalém

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, declarou neste domingo (17/12) que seu país planeja abrir uma embaixada em Jerusalém Oriental, como capital de um futuro Estado palestino, depois de os Estados Unidos terem reconhecido a cidade como capital do Estado de Israel.

“Já declaramos Jerusalém Oriental capital do Estado palestino, mas não conseguimos abrir a nossa embaixada, porque Jerusalém está atualmente ocupada. Mas, se Deus quiser, vamos abrir nossa embaixada lá”, assegurou Erdogan, num evento de seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).

Na última quarta-feira, numa cúpula em Istambul, os 57 países da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) acordaram em reconhecer Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino, convidando o resto do mundo a fazer o mesmo.

Egito apela na ONU contra decisão de Trump

O governo turco conservador islâmico está entre as vozes mais críticas ante o anúncio, feito em 6 de dezembro pelo presidente norte-americano, Donald Trump, de que reconheceria Jerusalém como capital de Israel e transferiria para lá a embaixada dos EUA no país, atualmente situada em Telavive. Erdogan acusa Washington de violar acordos internacionais e de incendiar todo o Oriente Médio com a decisão.

No entanto, segundo notícia divulgada neste sábado, o Conselho de Segurança das Nações Unidas estaria considerando votar um esboço de resolução, apresentado há alguns dias, declarando ilegais e anulando quaisquer mudanças unilaterais no status de Jerusalém.

Sem citar especificamente os EUA, o texto proposto pelo Egito representa um significativo rechaço, pela comunidade internacional, da decisão de Trump de transferir a embaixada americana para a Cidade Santa. A resolução poderá ser votada já nesta segunda-feira.

Israel ocupa Jerusalém Oriental desde 1967, e em 1980 anexou essa zona e proclamou a cidade sua capital indivisa. A comunidade internacional nunca reconheceu Jerusalém como capital israelense, nem a anexação de sua parte oriental.

Os países com representação diplomática em Israel mantêm as embaixadas em Telavive, em conformidade com as resoluções das Nações Unidas de que o status de Jerusalém terá de ser definido no âmbito de negociações israelo-palestinas. Os palestinos aspiram fazer de Jerusalém Oriental a capital de seu futuro Estado.

Fonte: DW

 

 

 

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Estados Unidos Geopolítica Rússia Terrorismo

Informação dos EUA ajudou Rússia a barrar ataque terrorista, diz Kremlin

O presidente russo, Vladimir Putin, telefonou ao colega norte-americano, Donald Trump, neste domingo para agradecê-lo pela informação que permitiu à Rússia impedir um ataque terrorista em seu território, afirmou o Kremlin.

Arquivo Foto / REUTERS / Carlos Barria

A informação foi fornecida pela agência de espionagem norte-americana CIA e permitiu que órgãos de segurança da Rússia prendessem os responsáveis pelo possível ataque antes que ele fosse executado, afirmou o Kremlin.

Não houve confirmação imediata de autoridades dos EUA de que compartilharam informações com representantes do governo russo.

O ataque frustrado seria executado na catedral de Kazansky, em São Petersburgo, segunda maior cidade da Rússia, e em outras localidades da cidade que atraem grande número de pessoas, disse o Kremlin.

A mídia na Rússia reportou na semana passada que o Serviço Federal de Segurança prendeu seguidores do Estado Islâmico que estavam planejando um ataque suicida com bomba na catedral de Kazansky em 16 de dezembro.

“O presidente russo agradeceu o colega norte-americano pela informação transmitida pela CIA, que ajudou a prender um grupo de terroristas que preparava explosões na catedral Kazansky e em outros locais movimentados da cidade”, disse o Kremlin.

O governo russo não forneceu qualquer detalhe sobre a identidade dos detidos.

Na ligação para Trump, Putin pediu para o presidente dos EUA agradecer os membros da CIA que reuniram as informações, afirmou o Kremlin em comunicado.

Putin disse ainda que a Rússia vai alertar autoridades dos EUA se receber qualquer informação sobre qualquer ataque que esteja sendo planejado contra os EUA, informou o Kremlin.

As relações entre Washington e Moscou estão fragilizadas por causa de desentendimentos sobre Ucrânia, Síria e controle de armas, bem como alegações de Washington, negadas pela Rússia, de que o Kremlin interferiu na eleição presidencial norte-americana do ano passado.

Entretanto, autoridades russas afirmam que Putin acredita que Trump não é responsável pela tensão e tem tentado manter linhas pessoais de comunicação abertas entre ambos.

Putin tem afirmado que a restauração de laços entre Washington e Moscou é vital porque os dois países precisam trabalhar juntos para combater desafios globais, em particular a ameaça de radicais islâmicos violentos.

Por Christian Lowe

Fonte: Reuters

Edição: Plano Brasil

 

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Defesa Destaques Meios Navais Navios Rússia Sistemas de Armas Tecnologia

Projeto dos submarinos russos de nova geração já está pronto

O principal projetista dos novos submarinos de ataque russos da próxima geração já pode apresentar o desenho dos navios do projeto Khaski à Marinha da Rússia.

© REUTERS/ Scanpix Denmark/Sarah Christine Noergaard – Imagem meramente ilustrativa – Submarino de mísseis estratégico projeto 941 “Akula”, codinome OTAN: Typhoon

O desenho dos avançados submarinos de ataque russos do projeto Khaski já está definido, confirmou à Sputnik o chefe do Departamento de Robótica da empresa de construção Malakhit, a empresa contratada principal do projeto, Oleg Vlasov.

“Vamos apresentar [o desenho preliminar] ao nosso cliente principal. Trata-se do comandante da Marinha de Guerra [da Rússia] que virá visitar-nos em 20 [de dezembro] e nós lhe mostraremos todos os dados técnicos”, detalhou Vlasov.

Durante a cerimônia de lançamento à água do submarino estratégico Knyaz Vladimir, o comandante da Marinha da Rússia, Vladimir Korolyov, prometeu que toda a pesquisa científica em relação ao projeto Khaski terminará no ano que vem.

Planeja-se que a construção do navio se inclua no programa estatal russo de armamentos para o período entre 2018 e 2025. Dado o caráter classificado do projeto, há poucas informações oficiais sobre os dados técnicos destes submarinos que são projetados em duas versões.

A versão “antissubmarino” será equipada com mísseis-torpedo do sistema Kalibr, que se destinam a destruir os submarinos estratégicos mais importantes do inimigo potencial, como, por exemplo, os navios estadunidenses da classe Ohio e os britânicos da classe Vanguard.

A outra versão do Khaski estará dotada de mísseis hipersônicos Tsirkon, sendo que esta se destinará à destruição de grandes navios, como porta-aviões, cruzadores de mísseis e outros.

Entre os requisitos da Marinha russa para os novos submarinos figuram formas de propulsão alternativas, desenhos do casco, o modo de usar as armas e os métodos de troca de informações baseados em novos princípios físicos.

Fonte: Sputnik

 

 

 

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Aviação Brasil Destaques Estados Unidos História Opinião Tecnologia

17 de dezembro de 1903: Os irmãos americanos Wilbur e Orville Wright realizam -- "Primeiro voo a motor"

Os irmãos americanos Wilbur e Orville Wright, de Dayton, Ohio, realizaram no dia 17 de dezembro de 1903 os primeiros voos a motor na costa leste dos Estados Unidos.

Wright Flyer ( Flyer 1 ) foi a primeira aeronave construída pelos Irmãos Wright. Esta imagem melhorada retrata o primeiro voo que ocorreu em 17 de dezembro de 1903.

Eram apenas pequenos “saltos” de menos de cem metros a partir de uma rampa de madeira, mas foram os primeiros voos a motor documentados na história do avião.

Os dois mecânicos de bicicleta haviam começado a se ocupar com o tema aviação em 1899. Esse acontecimento histórico, na época, passou praticamente despercebido da opinião pública, à exceção de algumas notícias em jornais. Não se tinha ideia da dimensão do que ocorrera em Kitty Hawk, na costa norte-americana.

Na época, acreditava-se que a solução para a conquista do espaço eram balões dirigíveis. Quem tentasse decolar com um equipamento mais pesado do que o ar era motivo de chacota.

Até 1908, os irmãos Wright mantiveram em segredo o aperfeiçoamento de sua aeronave para não colocar seu patenteamento em risco. Por isso, na Europa, falava-se mais de irmãos “mentirosos” do que “voadores”, até que Wilbur Wright demonstrou seu equipamento na França no verão de 1908.

Mais de duas horas no ar, ele voou mais de 200 quilômetros. Um ano depois, seu irmão mais jovem, Orville, fez uma demonstração semelhante em Berlim e, sob o olhar de 300 mil espectadores, bateu o recorde mundial de altura: 152 metros.

Hans Richter testa um original de Otto Lilienthal em maio de 1926

Reconhecidos como pioneiros

Ainda em 1909, foi criada em Berlim a Sociedade Wright da Alemanha, que teve mais sucesso na construção e venda de biplanos do que a matriz nos EUA. Em 1910, um terço dos pilotos alemães foi instruído nesse tipo de avião, que vencia a maioria das competições aéreas. A partir de 1912, técnicos europeus assumiram a liderança do desenvolvimento da tecnologia aérea, enquanto os irmãos Wright perdiam terreno, presos ao conceito básico de suas máquinas.

Isso, porém, não impediu que fossem reconhecidos internacionalmente como pioneiros da aviação a motor. Ao lado do Spirit of St. Louis (que Charles Lindbergh usou em 1927 no primeiro vôo sem escala de Nova York a Paris) e o módulo lunar Eagle, o Wright-Flyer I é uma jóia do Museu Aeroespacial Nacional, em Washington.

Trabalho baseado em estudo de alemão

A invenção dos irmãos Wright havia se baseado nos estudos de Otto Lilienthal, pioneiro da aviação alemã. Assim como Lilienthal, que se acidentou num voo planado, em 1896, os norte-americanos realizaram testes com planadores antes de iniciar os voos a motor.

A última publicação de Wilbur Wright, que morreu de tifo, em 1912, aos 45 anos de idade, foi um elogio a Lilienthal. “Sem dúvida, Otto foi o mais significativo dos homens que se ocuparam do problema da aviação no século 19”, diz em artigo publicado postumamente pelo Aeroclube dos Estados Unidos.

Fonte: DW

  • Sugestão de leituraAsas Da Loucura por Paul E. Hoffman

O jornalista americano Paul Hoffman narra a história do brasileiro Alberto Santos-Dumont e dos primórdios da aviação. ‘Asas da loucura’ explora os aspectos pessoais da vida do aviador e os detalhes de sua personalidade.

 

https://www.youtube.com/watch?v=_VLr4ZZPIDw

Edição: Plano Brasil

 

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Gigantes das armas travam guerra silenciosa por mercado de R$ 2,5 bilhões

Audiência realizada pela Polícia Rodoviária revela bastidores da disputa bilionária pelo comércio de armas.

Um edital aberto pela Polícia Rodoviária Federal, que se transformou em um contrato para a aquisição de pistolas, revela os bastidores de uma disputa bilionária pelo mercado de armas no Brasil. O Correio teve acesso aos documentos de   uma audiência realizada pela corporação no último dia 18 de outubro, em Brasília, que contou com a participação de oito empresas, duas nacionais e seis estrangeiras, em busca de um nicho comercial com números iniciais na casa dos R$ 2,5 bilhões, mas que, a partir do lobby e de eventual queda do Estatuto do Desarmamento, pode atingir valores hoje ainda incalculáveis.

A ata do encontro entre integrantes da Polícia Rodoviária e representantes das empresas revela o objetivo de avaliar a capacidade nacional e internacional para o fornecimento de armas para corporações brasileiras. O motivo inicial era avaliar o cenário para futura aquisição de pistolas semiautomáticas pela Polícia Rodoviária. No local, além de empresas brasileiras, como a Taurus e a estatal Imbel, compareceram representantes de fabricantes de armas de países como a Itália, Estados Unidos, Israel, Áustria, República Checa e Alemanha. Os prepostos das companhias multinacionais eram, na maioria, militares da reserva das Forças Armadas ou policiais brasileiros.
Um levantamento realizado pelo Correio, a partir do cruzamento de números de policiais e de seguranças com o preço médio das armas, aponta para um mercado promissor, ainda que excluídas as vendas para civis — com a eventual queda das regras de acesso a armamentos, o potencial de negócio será ainda maior. E é de o-lho nessas cifras que empresas estrangeiras se esforçam para ganhar espaço no território nacional. A negociação concretizada pela PRF evidencia isso.
A partir do que seria o objetivo da audiência, empresas participantes do encontro se surpreenderam com o anúncio, cerca de um mês depois, de que a companhia austríaca Glock saiu vencedora do processo seletivo para a compra de 10 mil armas para todos os agentes da PRF. O resultado foi publicado no Diário Oficial da União (DOU), no dia 20 de novembro. Antes de firmar contrato com a Glock, a PRF publicou um Extrato de Inexigibilidade de Licitação. Ou seja, a compra das pistolas calibre 9mm ocorreu sem um processo licitatório formal, algo que daria mais transparência e legitimidade ao processo. O valor do contrato é de R$ 18 milhões, e a PRF informa, na publicação oficial, que a empresa estrangeira foi escolhida por conta da “inviabilidade de competição”.
Estiveram presentes na audiência representantes da Taurus (brasileira), Imbel (Exército), Israel Weapon Industries (Israel), Beretta (Itália), Smith & Wesson (EUA), Sig Sauer (Alemanha) e CZ (Checa), além da Glock. O presidente da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições (Aniam), Salesio Nuhs, afirma que uma compra dessa amplitude, sem licitação, gera uma competição desleal entre as empresas nacionais. “A aquisição sem licitação tem servido de atalho para o não enfrentamento de uma questão extremamente importante”, disse Nuhs, que é da direção da Taurus. “A aquisição do produto estrangeiro tem isenção de tributos e o fornecedor brasileiro recebe alta carga tributária e altos custos regulatórios para atender a legislação, o que não ocorre com os produtos estrangeiros, isso gera desvantagem competitiva.”
Atualmente, levando em conta o contingente das Forças Armadas, da Polícia Militar dos estados, Polícia Civil, PRF, vigilantes de empresas privadas e guardas-civis estaduais, o Brasil possui um mercado aberto para a aquisição de 1,4 milhão de armas. Somente a Polícia Militar conta com um contingente nacional de 421 mil homens — 220 mil militares compõem as fileiras do Exército e 118 mil, as polícias civis.
A possibilidade de negócio que gera a cobiça de empresas do mundo vai além desses números. A portaria nº 234, de 1989, e a nº 02, de março de 2014, do Comando Logístico do Exército Brasileiro, autoriza que cada policial possa comprar duas armas, fora a que utiliza durante o serviço e é fornecida pelo Estado.
Mudanças na Portaria R-105, do Exército, responsável pelo controle de armas dos órgãos de segurança, devem flexibilizar a importação de armas e já autorizam a presença de fábricas estrangeiras no país. No entanto, há dois meses, o texto segue sob análise da Casa Civil. O general de Brigada Ivan Neiva, da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército (DFPC), afirma que a negociação entre PRF e Glock passou pelo processo de avaliação do Exército.
“Existem tabelas que estabelecem o tipo e a quantidade de armas que cada um desses órgãos podem ter. Então quando eles vão comprar, eles nos informam e nós verificamos se essas armas vão entrar na tabela. A PRF foi autorizada a importar essas armas. No momento, há um processo que não passa por nós”, diz Neiva. Nos últimos meses, aumentou no Congresso a pressão para a derrubada do Estatuto do Desarmamento, que deve se tornar maior com as estrangeiras atuando no Brasil. A “bancada da bala” colocou em pauta projetos que mudam a legislação para liberar o porte irrestrito a civis. É o caso do projeto 480/2017, que tem como objetivo excluir artigos da lei que determinam a apresentação de uma “declaração de efetiva necessidade” para obtenção de armas. A proposta segue na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
 

Falhas

A abertura de mercado ocorreu, pelo menos de imediato, em decorrência de falhas apresentadas por pistolas modelo 24/7, da Taurus — um espaço antes monopolizado pela companhia privada e pela estatal Imbel agora se torna alvo de lobby mundial. O professor Arthur Trindade, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Violência da Universidade de Brasília (UnB), teme que a cobiça das empresas estrangeiras gere aumento de pressão para a abertura ainda maior do comércio nacional desses produtos. “A importação de armas do exterior é uma demanda antiga das instituições de segurança pública, por conta da qualidade baixa das armas nacionais, onde existe o monopólio da Taurus. Por outro lado, esse interesse das organizações estrangeiras no Brasil pode aumentar o lobby para abertura de mercado, seja no setor público ou para a população civil”, afirmou.
Procurada pela reportagem do Correio, a Polícia Rodoviária Federal informou que “a escolha se deu após uma série de estudos e ensaios científicos, trabalho sistemático e sistematizado, buscando opção de armamento que, efetivamente, possa atender às necessidades e especificidades do policial rodoviário federal”.
Representantes da Smith & Wesson no Brasil afirmam, em nota, que receberam “com surpresa” a informação de que a PRF decidiu adquirir as armas sem licitação. “Estamos absolutamente convencidos de que a via eleita da inexigibilidade de licitação para aquisição das pistolas, por parte da PRF, fica longe de se amoldar aos critérios estabelecidos por lei. Estamos avaliando com os nossos parceiros comerciais a hipótese de questionar em juízo a opção da PRF”. As demais empresas citadas na reportagem não se manifestaram sobre o tema.
 

Memória

Quebra de monopólio

Na última sexta-feira, a empresa suíça Ruag fechou contrato com o governo de Pernambuco para a instalação de uma fábrica de munições no estado. Reportagem do Correio, publicada em outubro, revelou com exclusividade que a companhia estava em negociação para instalar uma unidade no estado, após abertura de mercado para empresas estrangeiras por parte da União, quebrando o monopólio da brasileira CBC. De acordo com o governo local, serão investidos R$ 58,5 milhões em 2018. Essa será a primeira fabricante estrangeira desse setor a se instalar no país.

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O fim do ideal de internet

Governo dos EUA decide acabar com neutralidade na rede. Assim a internet se afasta cada vez mais do seu ideal de equidade e continua sua jornada como instrumento do turbocapitalismo, opina jornalista Jörg Brunsmann.

Eu posso entender os provedores de internet. Por mais de um quarto de século, eles construíram e cuidaram das redes, criaram uma completa infraestrutura – tendo que observar invejosamente como seus clientes ganham rios de dinheiro com elas. Quando eles mesmos poderiam faturar tanto e tão facilmente com uma internet de diferentes velocidades.

O fato de os provedores fazerem pressão para abocanhar um pouco do belo quinhão de Google, Amazon, Apple etc. – acho que isso não é bom, mas posso entender. A internet, que fez algumas poucas pessoas enriquecer tanto e tão rapidamente, também provoca ganância.

O que eu não entendo: como o governo americano se deixa pressionar tão facilmente. Acabar com a neutralidade da rede é emitir uma licença para imprimir dinheiro. Os provedores vão ganhar bilhões a mais, sem ter realmente que trabalhar para tal. E essa teria sido, afinal, uma ótima oportunidade para os políticos intervirem novamente de maneira formativa. Em vez disso, deixam-se as coisas seguirem seu curso natural – e isso não vai ao encontro dos interesses dos usuários.

O fim da neutralidade vai levar a uma expansão melhor e mais rápida das redes? Não, pois uma versão “premium” de internet só pode funcionar se houver velocidades visivelmente diferentes na rede.

Na autoestrada da informação, somente um congestionamento de dados tornaria atraente uma faixa rápida sujeita a pedágio. Nesse ponto, caberia aos políticos estabelecer padrões vinculativos.

No final, será que um provedor vai poder até mesmo desacelerar de forma direcionada a velocidade de transmissão dos dados somente para provar ao cliente “premium” que ele realmente desfruta de uma vantagem adicional? E a neutralidade em relação a nós, usuários? É concebível que, no futuro, haja conexões de internet bem baratas, patrocinadas por Amazon, Facebook etc, mas que só transmitam os dados dessas empresas. Nenhuma oferta de compras a não ser da Amazon, nenhuma página de notícias fora do Facebook.

Também aqui os políticos teriam que intervir se quisesse salvar um pouco do antigo ideal da internet, que é: a internet deve ser uma rede global ideal, na qual todos possam se comunicar em pé de igualdade e compartilhar conhecimento entre si.

É praticamente impensável que o governo dos EUA sob Donald Trump reflita sobre esses ideais e realmente aja em conformidade. Trump fez um favor aos seus amigos do setor econômico e também impôs uma decisão que seu antecessor Obama queria evitar. Já isso sozinho faz com que a coisa tenha valido a pena. Mas a internet continua a sua jornada como instrumento do turbocapitalismo. E se afasta cada vez mais do que deveria ser.

Fonte: DW

EUA revogam regras de neutralidade da rede

Medida impulsionada por indicado de Trump possibilita que provedores controlem acesso à internet. Críticos, entre eles gigantes como Facebook e Google, afirmam que mudança acaba com a internet livre e aberta.

“Neutralidade da rede é liberdade de expressão”: americanos protestam em Los Angeles contra medida

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) revogou nesta quarta-feira (14/12) uma regulação 2015 que garantia a neutralidade da rede e, com ela, uma internet livre e aberta. Por três votos a dois, a agência reguladora decidiu que os provedores terão mais poder sobre acesso a conteúdos na internet.

A proposta foi impulsionada pelo diretor da FCC, Ajit Pai, que já trabalhou para a operadora Verizon e foi indicado para o cargo pelo presidente Donald Trump.

A regulamentação da neutralidade da rede foi aprovada por Barack Obama em 2015 e classificava a internet como um serviço de utilidade pública. As regras proibiam provedores de bloquear conteúdos, desacelerar a velocidade de conexão em determinados sites e cobrar para que usuários pudessem ter acesso a eles.

Pai afirmou que o fim da neutralidade incentivará os servidores a ampliar suas redes e que a mudança contribuirá para uma internet mais aberta e livre. Os republicanos que fazem parte da FCC argumentaram ainda que a decisão põe fim a uma regra que trata com “mão firme” a indústria de provedores de internet diante de “hipotéticos danos”.

Já a comissária democrata da FCC Mignon Clyburn disse que, com a mudança, os republicanos estão dando as “chaves da internet” para um pequeno grupo de corporações multibilionárias.

Críticos da mudança, entre elas gigantes da internet como Google e Facebook, afirmam que, sem a neutralidade, os provedores poderão bloquear conteúdos de empresas que usam a internet para enviá-los e cobrar por sua liberação. Já os provedores afirmam que não vão bloquear ou desacelerar conteúdos legais, mas poderão cobrar para que esse conteúdo seja priorizado no envio.

Na prática, quando a nova regulação começar a ser aplicada, os provedores de internet poderão decidir quais sites serão bloqueados ou terão acesso mais lento, inclusive os de veículos de imprensa ou de divulgação de vídeo.

A mudança deve enfrentar uma batalha jurídica. O procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman, afirmou que vai apresentar um processo junto com diversos estados contra o fim da neutralidade da rede. A União Americana de Liberdades Civis também anunciou que entrará na Justiça para reverter a nova regulação.

Fonte: DW

 

 

 

 

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Destaques Economia Estados Unidos

Quem são os 41 milhões de pobres do país mais rico do mundo

A despeito da criação de milhões de postos de trabalho nos Estados Unidos, muitos cidadãos do país ainda vivem na pobreza.

GETTY IMAGES – Taxa de desemprego nos EUA é a menor desde 2000, mas várias famílias não viram seus recursos aumentarem

Por quase seis anos, a economia norte-americana tem gerado uma quantidade grande de empregos – são quase 2 milhões por ano.

A recuperação econômica não só restabeleceu o número total de postos de trabalho perdidos durante a recessão causada pela crise financeira internacional de 2007, como também criou empregos suficientes para dar conta do crescimento populacional.

A taxa de desemprego nos EUA é de apenas 4,1%, a menor desde 2000. Mas várias famílias não viram seus recursos aumentarem.

Em 2016, quase 41 milhões de pessoas, ou 13% da população, viviam na pobreza – em comparação com os 15% verificados no auge da recessão, em 2010.

Quem são essas pessoas?

Nos Estados Unidos, a renda média de uma família de quatro pessoas é de US$ 91 mil (R$ 299,5 mil) por ano.

De acordo com a medição oficial dos EUA, baseada em renda e necessidades nutricionais, uma casa com quatro pessoas é considerada em estado de pobreza quando a renda familiar é inferior a US$ 24,3 mil (cerca de R$ 80 mil) por ano.

Pode parecer muito se comparado com países classificados como de baixa renda pelo Banco Mundial – com PIB per capita entre US$ 1 mil (R$ 3,2 mil) e US$ 4 mil (R$ 13 mil). No Brasil, por exemplo, medição de 2015 do banco estimou que 4,9% da população brasileira estava abaixo da linha de pobreza por viver com até US$ 1,90 por dia.

Mas o custo de vida mais alto nos Estados Unidos e o crescente abismo entre os pobres e a classe média podem resultar em dificuldades para famílias americanas de baixa renda.

GETTY IMAGES – Em 2016, quase 41 milhões de pessoas, ou 13% da população, viviam na pobreza nos EUA

Entre os que vivem na pobreza, dados de 2016 mostram que há cerca de 13,3 milhões de crianças – 18% têm menos de 18 anos.

À medida que a população envelheceu, o número de pessoas pobres com mais de 65 anos aumentou para 4,6 milhões – 9% do total.

Mas é o grupo de pessoas com idade para trabalhar (de 18 a 64 anos) que apresenta os dados mais dramáticos: quase 23 milhões deles, ou 12% do total, vivem na pobreza.

O Projeto Hamilton, do Instituto Brookings, tem analisado essa questão.

No grupo de pessoas com idade para trabalhar:

– 4 a cada 10 estavam empregados

– 1 a cada 10 tinha trabalho em período integral, durante o ano todo, mas não ganhava o suficiente

– 1 a cada 4 estava empregado, mas não tinha contrato para o ano inteiro

– 1 a cada 25 estava à procura de trabalho

– Dos que não tinham trabalho em período integral, 1 em 3 estava nessa circunstância involuntariamente

GETTY IMAGES – Mulheres e negros têm mais chance de ficar fora do mercado de trabalho

O fato de quatro entre 10 adultos pobres estarem empregados revela que apenas suprir a lacuna de postos de trabalho – retornando às taxas pré-recessão – não significa que todos estejam vivendo bem e prosperando.

Também não quer dizer que todos estejam encontrando emprego. Cerca de metade dos adultos pobres em idade para trabalhar não está inserida no mercado de trabalho.

Dos postos criados, muitos são no setor de hotelaria, administração, saúde e tecnologia da informação, embora algumas áreas muito afetadas pela recessão – como construção civil e manufatura – ainda não tenham se recuperado completamente da crise.

Uma fotografia da mão de obra dos EUA revela uma série de diferenças na sociedade:.

– A taxa de emprego para mulheres retornou aos níveis pré-recessão (55%)

– Americanos negros foram mais afetados pela recessão, se recuperaram mais rapidamente, mas ainda têm mais chances de ficarem desempregados que os brancos

– Mulheres que completaram até o ensino médio ou com escolaridade menor têm mais chances de ficar fora da força produtiva

– Homens foram mais afetados pela recessão e seu retorno ao trabalho tem sido mais lento

O número de homens entre 25 e 54 anos que estão empregados vem caindo há mais de 50 anos – e o de mulheres, desde 2000.

Em parte, isso pode ser uma consequência da queda dos salários entre os que ganham menos, com uma renda individual média de US$ 31.100 (R$ 102.369) por ano.

É possível que muitos daqueles que não fazem parte da força produtiva tenham dificuldade de encontrar emprego sem uma significativa intervenção governamental.

Mais de um quinto dos que têm idade para trabalhar e estão vivendo na pobreza são classificados como deficientes e 15% são “cuidadores”- responsáveis por cuidar de outra pessoa, como crianças e idosos.

Para incluir essas pessoas no mercado de trabalho, seria preciso melhorar a oferta de creches e financiamentos, enquanto adultos com deficiência precisam de mais apoio e tratamento.

O retrato que construímos de trabalho e pobreza nos Estados Unidos revela que os mais pobres são um grupo diverso, com variados tipos de experiências.

Ainda assim, a distribuição desigual da pobreza é chocante:

-Há duas vezes mais famílias afro-americanas (22%) na pobreza do que famílias brancas

-19% dos hispânicos vivem na pobreza

-Mulheres (14%) têm mais chances de serem pobres que os homens (11%)

-Taxas de pobreza variam de 11% a 14% entre as regiões

-Muitos municípios – principalmente do Sudeste e Sudoeste – têm taxas de pobreza superiores a 25%

Nos últimos anos, o aumento do emprego e das rendas, juntamente com a queda na pobreza, tem sido encorajador.

Mas a economia ainda vai precisar manter esse crescimento para ajudar aqueles que vivem em dificuldade.


  • Esta análise foi encomendada pela BBC a especialistas do Instituto Brookings, que se define como uma organização sem fins lucrativos de política pública. O professor Jay Shambaugh é diretor do Projeto Hamilton e pesquisador de Estudos Econômicos do Brookings.

Fonte: BBC Brasil.com

 

 

 

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Rússia – Instalação do míssil balístico intercontinental ‘Yars’ em seu silo

O Ministério da Defesa da Rússia mostrou um vídeo do transporte de um míssil balístico intercontinental Yars para um silo. Esta iniciativa foi realizada no âmbito da substituição dos mísseis Stilet de geração anterior.

Imagem meramente ilustrativa

O Yars de 50 toneladas foi carregado no eixo do lançador em um silo situado na região de Kaluga. A unidade de mísseis aí localizada é a primeira na Rússia a receber os Yars de armazenamento subterrâneo.

O primeiro lançamento do míssil Yars foi realizado em 29 de maio de 2007. Graças ao novo motor, o míssil entra na estratosfera mais rapidamente. Além disso, o seu corpo é coberto com uma camuflagem que absorve as ondas de rádio.

 

Com uma autonomia de voo em cerca de 12 mil km, o míssil balístico intercontinental Yars, difere das versões anteriores, sendo capaz de carregar quatro ogivas nucleares e o mesmo número de “ogivas” falsas para enganar os projéteis interceptores do inimigo.

Fonte: Sputnik

Edição: Plano Brasil

 

 

 

 

 

 

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América do Sul Destaques Negócios e serviços

Congresso do Peru vai debater cassação de presidente

Pagamentos ilícitos da construtora Odebrecht podem levar a afastamento de Pedro Pablo Kuczynski. Promotores alegam que chefe de Estado peruano está desacreditado para continuar governando por “faltar com a verdade”.

Pedro Pablo Kuczynski “faltou com a verdade” ao negar ligação com Odebrecht, dizem promotores

Nesta sexta-feira (15/12), o Congresso do Peru aprovou debater no próximo dia 21 o pedido de cassação do presidente Pedro Pablo Kuczynski, por “incapacidade moral permanente”, por supostamente ocultar pagamentos da construtora Odebrecht a uma das suas empresas quando era ministro.

O Parlamento, dominado amplamente pela oposição, onde o fujimorismo é maioria absoluta, aceitou a “moção de vacância” (destituição) de Kuczynski apresentada pela Frente Ampla de esquerdas por 93 votos a favor, contra 17 votos.

Os promotores da destituição alegam que Kuczynski está desacreditado para continuar governando por “faltar com a verdade” ao negar em diversas vezes qualquer ligação com a Odebrecht, empresa que esta semana revelou ter pagado mais de US$ 782 mil em consultorias entre os anos de 2004 e 2007 a Westfield Capital, empresa do próprio Kuczynski.

Nesse período, o atual presidente peruano atuou como ministro de Economia e depois primeiro-ministro do governo de Alejandro Toledo, quem tem um mandado de prisão internacional por supostamente ter recebido propinas no valor de US$ 20 milhões da Odebrecht.

Debates parlamentares

No início dos debates, o congressista Kenji Fujimori, filho mais novo do ex-presidente Alberto Fujimori, que está preso, pediu aos demais companheiros para respeitar a presunção de inocência de Kuczynski e argumentou a experiência vivida com o seu pai.

O filho de Fujimori voltou a manifestar uma posição dissonante do resto dos 70 congressistas de seu grupo parlamentar, cujos porta-vozes ameaçaram Kuczynski, na quinta-feira, com a destituição se ele não renunciasse imediatamente.

Outros legisladores expressaram sua insatisfação com a mensagem enviada à nação, onde o presidente rejeitou todas as acusações e enfatizou que não renunciará, pois não vai se intimidar com seus opositores.

Por sua vez, o porta-voz da bancada governista, Gilbert Violeta, acusou a oposição de forçar um “julgamento politico” onde o presidente deve destituído de “forma abusiva”.

Operação Lava Jato

A descoberta das consultorias fornecidas por Kuczynski surgiram através de um documento da construtora Odebrecht, enviado para a comissão parlamentar que investiga o lado peruano da Operação Lava Jato.

O presidente tinha se recusado em diversas ocasiões a comparecer nesta comissão por considerá-la um “circo”, até que apareceram os pagamentos da Odebrecht para sua empresa.

O escândalo Odebrecht foi revelado em dezembro do ano passado, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que a empreiteira pagou cerca de 788 milhões de dólares em propinas em 12 países, entre eles o Peru.

O relatório mostrou que somente no Peru, entre os anos de 2005 e 2014, a construtora desembolsou propinas no valor de 29 milhões de dólares a funcionários do governo.

Em julho, o ex-presidente Ollanta Humala e sua esposa, Nadine Heredia, investigados sob suspeita de terem recebido milhões de dólares da Odebrecht em propina, foram presos. Segundo a investigação, o casal teria recebido 3 milhões de dólares da empreiteira em troca de um contrato para construir um oleoduto no país. Além de financiar as campanhas, o dinheiro ilícito teria sido usado para lucro pessoal.

Fonte: DW

 

 

 

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Destaques Geopolítica

Políticos de direita europeus querem fim da UE

Reunida em Praga, bancada ultradireitista do Parlamento Europeu ataca Bruxelas como “ameaça existencial” às nações e “organização desastrosa”. Clima contra UE, imigração e islã é forte na República Tcheca.

Da esq., Le Pen, Okamura e Wilders em Praga, sob o slogan “Por uma Europa de nações soberanas”

Populistas de direita de toda a Europa, reunidos na capital da República Tcheca, Praga, neste sábado (16/12), exigiram o fim da União Europeia na forma atual. Entre os participantes do congresso da bancada Europa das Nações e da Liberdade (ENF), do Parlamento Europeu, estavam os líderes partidários Marine Le Pen (Frente Nacional, FN, da França) e Geert Wilders (Partido para a Liberdade, PVV, da Holanda).

“Bruxelas é uma ameaça existencial a nossos Estados nacionais”, acusou Wilders. Le Pen criticou a “organização desastrosa”. Entre os alvos preferenciais dos ultradireitistas estão os migrantes: “Espero que os tchecos mantenham suas portas firmemente fechadas contra a imigração em massa”, comentou o político holandês, louvando a postura dos países do leste da UE.

A União Europeia está atualmente processando a República Tcheca, Hungria e Polônia por se recusarem a cumprir as quotas de acolhimento de refugiados. O político anfitrião do encontro, Tomio Okamura, do Partido Liberdade e Democracia Direta (SPD) tcheco, afirmou existir a ameaça de uma “colonização muçulmana da Europa”.

Apenas algumas centenas de cidadãos atenderam à conclamação de grupos de esquerda para uma passeata de protesto. Diante do hotel onde se realizou o encontro do ENF, os manifestantes gritavam “Vergonha!” e portavam faixas com dizeres como “Justiça social em vez de racismo, nacionalismo e xenofobia”. A polícia adotou medidas de segurança severas, inclusive com a mobilização de um helicóptero.

A escolha da capital tcheca como local do congresso não foi acaso: ao que tudo indica, nesse país os anti-UE contam com um considerável potencial de aceitação para seus pontos de vista radicais. Nas eleições de outubro, o partido de extrema direita de Okamura obteve 22 dos 200 mandatos parlamentares, com sua linha dura contra os refugiados e o islamismo.

O SPD tcheco também poderá ser uma força decisiva para a permanência do governo minoritário do populista Andrej Babis em Praga. Segundo sondagem do Eurobarometer, apenas 33% dos tchecos consideram positiva a filiação de seu país à União Europeia, apresentando a menor pró-europeia entre todos os 28 Estados-membros da comunidade.

Fonte: DW