Defesa & Geopolítica

Jogador de futebol brasileiro, duplo-nacional, é convocado para o serviço militar obrigatório ucraniano com destino ao campo de batalha

Posted by

2014-735773861-edmar.jpg_20140722Na Ucrânia, do campo de futebol para o campo de batalha

Naturalizado ucraniano para defender a seleção do país europeu, Edmar Lacerda também foi convocado pelas Forças Armadas

VICTOR COSTA, O Globo, 23/07/2014

RIO — Nascido em Mogi das Cruzes, o jogador de futebol Edmar Lacerda, de 34 anos, se naturalizou ucraniano em 2011 para defender a seleção do país do Leste Europeu, pela qual fez 11 jogos e marcou um gol. Ele sempre levou uma vida normal na Ucrânia, onde joga e mora desde 2002, mas foi surpreendido por um convite para se apresentar às Forças Armadas do país que vive uma crise político-econômica, enfrenta uma violenta rebelião separatista e teve recentemente a Crimeia tomada pela Rússia.

Ao se tornar cidadão do país, Edmar já sabia que iria cumprir deveres, mas não esperava por isso. Em entrevista aos jornais ucranianos, Edmar disse que espera que a situação seja resolvida pelo seu clube, o Metalist Kharkiv, onde joga desde 2008.

— Fui ao clube, eles me orientaram e devem resolver a questão. Não sei se outros companheiros também receberam a intimação, não disse nada a ninguém. Minha esposa estava com medo, mas a tranquilizei. Vai ficar tudo bem, voltarei a treinar e logo começará o campeonato — disse Edmar, que não tem a menor intimidade com a vida militar. — Jogar futebol é a única coisa que sei fazer.

Nesse último fim de semana, cinco brasileiros e um argentino que jogam no Shakhtar Donetsk decidiram não voltar junto com o time para a Ucrânia após um amistoso contra o Lyon, na França. Alex Teixeira, Fred, Dentinho, Douglas Costa, Ismaily e o argentino Facundo Ferreyra alegaram não se sentir seguro no Leste Europeu. A decisão irritou o proprietário do clube, Rinat Akhmetov, que ameaçou os atletas com uma punição dura. Diferentemente de Edmar, esses jogadores não têm nacionalização ucraniana. Portanto, não correm o risco de serem convocados para prestar serviço militar.

Estima-se que cerca de 50 brasileiros atuem como jogadores profissionais na Ucrânia. Até o segundo semestre de 2013, o país era boa opção para os brasileiros que não tinham mercado nas principais ligas europeias. Mas o momento conturbado está invertendo essa situação.

Foto: Edmar Lacerda. Brasileiro naturalizado ucraniano foi convocado para servir ao exército do país do leste europeu – Reprodução/Facebook

Fonte: O Globo, Mundo, Página 29, Quarta-Feira, 23/07/2014 

Leia também:

Americanos mortos em Gaza eram “soldados solitários” do Exército de Israel

Do UOL, em São Paulo, 22/07/2014

Dois norte-americanos mortos ao participarem de operações militares na invasão terrestre à Gaza  eram “soldados solitários”, como são chamados aqueles que se voluntariam para lutar por Israel. Iniciado há 15 dias, o conflito deixou 609 palestinos mortos e mais de 3.700 feridos. Do lado israelense, 30 soldados foram mortos.

O serviço militar para israelenses que deixaram o país antes dos 15 anos ou nunca moraram lá não é obrigatório. Mas para muitos desses “soldados solitários”, integrar as Forças Armadas de Israel é uma forma de reencontrar as próprias raízes.

“Há ao menos 2.000 desses combatentes em serviço atualmente”, disse a porta-voz do Consulado Geral de Israel em Los Angeles (EUA), Marina Rozhansky.

Um dos mortos, o norte-americano Max Steinberg, 24, cresceu no sul da Califórnia no vale de San Fernando. Ele entrou para o serviço militar de Israel seis meses depois de visitar o país, durante férias em 2012. O irmão dele, Jake Steinberg, disse à “Associated Press” que Max era atirador de elite da Brigada Golani e estava entre os 13 soldados mortos no início da invasão terrestre à Gaza na semana passada.

O segundo soldado norte-americano morto era Nissim Sean Carmeli, 21, da ilha de South Padre, no Texas. Ele mudou-se para Israel há quatro anos.

Entre os “soldados solitários” estão homens e mulheres, de ascendência judaica, que deixam suas casas e famílias para se juntar às Forças Armadas de Israel.

“Soldados solitários são como estrelas em Israel”, afirma o “Jewish Journal”. Isso porque para os jovens em Israel o serviço militar é como um rito de passagem obrigatório.

Porém, para aqueles que vivem no estrangeiro, é preciso abandonar um padrão de vida totalmente diferente –e tido como “confortável” se comparado ao ambiente de constante tensão vivido em Israel. Assim, esses “estrangeiros” são recebidos como heróis ao integrarem as Forças Armadas do país. (Com AP)

Fonte: UOL 

7 Comments

shared on wplocker.com