Defesa & Geopolítica

Forças armadas dos EUA desenvolvem aeronaves não-tripuladas com combustível nuclear

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WikiCommons - O Drone MQ-9 Reaper pousa em base militar dos EUA no Afeganistão

Fillipe Mauro | Redação

O governo dos Estados Unidos está desenvolvendo um novo sistema de geração de energia atômica capaz de elevar a autonomia de aeronaves militares não-tripuladas para o período de meses.

Projetada pela fabricante de armamentos Northrop Grumman e pela Sandia National Laboratories, maior centro de pesquisa de energia nuclear dos EUA, a nova geração de drones das forças armadas norte-americanas poderá vigiar as zonas mais remotas do planeta sem a necessidade de reabastecimento.    

A chamada “tecnologia de ultra-persistência” busca solucionar a princípio três problemas comumente apresentados por drones: autonomia insuficiente, carência de suprimento energético para ações de vigilância mais sofisticadas e capacidade de comunicação limitada.

Em 1986, a Northrop Grumman já buscava soluções para esses problemas. Na época, patenteou um drone com um reator atômico resfriado à base de hélio e, mesmo antes disso, na década de 1950, já trabalhava em parceria com a força aérea norte-americana no design de aeronaves teleguiadas semelhantes às empregadas atualmente.

No plano financeiro, grupo de pesquisadores acredita que a aplicação dessa nova tecnologia reduziria o custo da obtenção de informações em procedimentos militares, pois não haveria mais a necessidade de bases norte-americanas de reabastecimento em áreas remotas e possivelmente hostis.

Falta de segurança

Nos bastidores de tamanha eficiência operacional, contudo, surge uma série de temores levantada pelos opositores ao uso desse tipo de dispositivo. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Chris Coles, um dos principais militantes da campanha Drone Wars UK, diz que “essa é uma possibilidade assustadora”, pois esse tipo de veículo não-tripulado é “muito menos seguro do que qualquer outra aeronave e possui uma enorme tendência a se chocar”.

Por enquanto, as pesquisas que envolvem o projeto serão interrompidas dado o temor de que a opinião pública não aprove a fabricação de um equipamento capaz de ocasionar graves acidentes nucleares. Mais além, também há o receio de que drones de propulsão atômica falhem e acabem nas mãos de nações inimigas ou organizações terroristas.

A Sandia garante que sua pesquisa, além de “altamente teórica e conceitual”, não “resultou em nenhum protótipo” e “já foi concluída”. Em seu relatório, o laboratório revela que a experiência “deve ser utilizada na próxima geração de aeronaves não tripuladas para aplicações militares e de inteligência”. O novo sistema só não será colocado em prática no curto ou médio prazo por conta de “impedimentos políticos”.

Atualmente, o MQ-9 Reaper, drone mais eficiente empregado pelas Forças Armadas dos EUA, é capaz de transportar, no máximo, duas toneladas de combustível. Assim, não consegue permanecer em operação por mais de 42 horas. Quando totalmente carregado de munição, sua autonomia cai para meras 14 horas.

Fonte: OperaMundi

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