Defesa & Geopolítica

Brasil é primeiro país a usar biocombustível na Antártica

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Equipamento produzido em S. José já está a caminho do continente gelado e deve validar a eficiência energética do etanol

Chico Pereira
São José dos Campos

O Brasil será o primeiro país do mundo a usar biocombustível para produção de energia elétrica no continente Antártico.

A Marinha do Brasil vai utilizar um motogerador a etanol desenvolvido em São José dos Campos pela VSE (Vale Soluções Energia), instalada no Parque Tecnológico, para abastecer a estação Comandante Ferraz, a base brasileira no continente gelado.

A experiência pioneira é resultado de parceria firmada pela Marinha, VSE e Petrobras, que fornecerá 350 mil litros de etanol necessários à operação de avaliação do equipamento.

Segundo a VSE, o objetivo é validar a eficiência energética do etanol em condições de baixa temperatura.

Transporte. A operação de embarque do motogerador ocorreu na semana passada. Os equipamentos são levados para a Antártica pelo navio oceanográfico Ary Rongel.

O motogerador deve entrar em operação no final de novembro e enfrentará condições climáticas severas. No inverno, a temperatura na estação brasileira chega a 40 graus Celsius negativos.

“É um privilégio ter desenvolvido uma tecnologia totalmente brasileira que permite viabilizar a utilização do mesmo etanol que abastece nossos carros, sem quaisquer aditivos, para a geração de energia limpa na Antártica”, afirmou em nota o presidente da VSE, James Pessoa.

Características. O assessor de Relações Institucionais da Secretaria de Comissão Interministerial para Recursos do Mar, responsável pelo Proantar (Programa Antártica) capitão de mar e guerra Geraldo Gondin Juaçaba, relatou que motogerador possui potência de 257 kilowatts e pesa cerca de 6,2 toneladas. Ele mede 25 metros comprimento e tem 1,6 de largura e 2,6 de altura.

Limpo. “O combustível é o etanol padrão veicular da ANP”, afirmou o capitão.
Segundo ele, em relação ao gerador utilizado pela Marinha para a geração de energia elétrica para estação brasileira, o motogerador a etanol da VSE irá reduzir em 68% a emissão de dióxido de carbono (CO2) fóssil. O combustível utilizado pelo gerador em operação é denominado de ‘gasoil artict’.

“O motogerador também não emite composto de enxofre e nem material particulado, o que é muito importante do ponto de vista ambiental na Antártica”, disse o militar.
De acordo com o assessor da Secretaria de Comissão Interministerial, o investimento no programa piloto é de cerca de R$ 2,5 milhões. Parte desse valor é patrocinada pela VSE.

Campanha. A campanha de avaliação do motogerador de energia elétrica vai durar um ano, segundo capitão Juaçaba.

O equipamento será avaliado no verão e no inverno antártico. Para isso, o sistema inclui um sofisticado equipamento de controle de comando via internet , que será instalado na estação Comandante Ferraz.

“O navio Ary Rongel deve chegar à estação brasileira no dia 7 de novembro. A previsão é que o equipamento seja instalado em duas a três semanas”.

Quatro técnicos da VSE acompanham o transporte e vão cuidar da instalação do equipamento. “É preciso tomar todos os cuidados possíveis para que não ocorra problemas no abastecimento de energia elétrica na estação, para não prejudicar os trabalhos desenvolvidos na Antártica pelas instituições de ensino e pesquisa que desenvolvem pesquisas no continente antártico”, afirmou capitão Juaçaba.
Inpe investiga a redução do ozônio

Pela primeira vez, o Brasil irá instalar um módulo para pesquisas no interior do Continente Antártico.

Financiado pelo Proantar (Programa Antártico Brasileiro), o módulo, denominado Criosfera 1, será o primeiro do tipo instalado no interior antártico, a 2.500 km da estação brasileira Comandante Ferraz, que fica na Ilha Rei George.

O módulo irá funcionar 24 horas por dia, sem a necessidade de técnicos acompanhando as operações (os dados serão enviados por satélites) e, também, sem a emissão de poluentes no continente gelado.

A preparação do módulo de pesquisas aconteceu no Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos.

Especialistas do instituto trabalharam na instalação de sistemas de energia e equipamentos para pesquisas.

Isto ocorreu em setembro. Em seguida, o equipamento foi transportado para o Rio Grande do Sul e de lá para o seu destino final.

Cientistas da Uerj, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do Inpe vão investigar as consequências climáticas da redução da camada de ozônio sobre o Polo Sul e o transporte de poluentes.

Fonte: O Vale

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