Defesa & Geopolítica

Brasil como uma potência emergente: A Visão dos Estados Unidos

Posted by

Texto Traduzido

http://4.bp.blogspot.com/_JWdXNagKSBk/SgBRpR402RI/AAAAAAAAAEI/il5uguzEsJc/s400/C%C3%B3pia+de+Cristo+Redentor+e+Est%C3%A1tua+de+Liberdade.jpgSugestão: Itamar Vaz

Tradução e colaboração: Francoorp

Introdução

No século passado, os E.U.A. viam o Brasil como uma nação importante no cenário mundial , com base nas dimensões do seu território,  economia e população, e  ainda sobre o seu compartilhar dos valores ocidentais.

Às vezes os E.U.A. endereçou-se para um “relacionamento especial”, reconhecendo a importância do Brasil para a estabilidade hemisférica e global. Durante a Segunda Guerra Mundial, prometeu apoio à projetos de desenvolvimento do Brasil. Em troca,
O Brasil se tornou o único país latino-americano a enviar tropas para as batalhas na Europa.

Embora a Aliança tenha-se desagregado depois da guerra, o Brasil nos idos de 1950 deu um largo apoio a política E.U.A na guerra fria a pesar da distância.

Este apoio contínuou durante o governo militar da década de 1960.

Durante a década de 1970 os E.U.A.- e especialmente Henry Kissinger, Tentou reafirmar o “relacionamento especial”, prevendo uma maior consulta e cooperação sobre uma série de questões. Estes esforços foram afundados pela administração Carter, mais preocupados com a posição ambígua do Brasil sobre os direitos humanos e a não proliferação nuclear.

Essas diferenças não levaram a um conflito, mas a um distanciamento entre os dois governos.
Na década de 1980, as relações de distância se inclinavam novamente e assim e tornou-se mais tensa. O E.U.A. desaprovava a política comercial brasileira, e a sua postura de linha-dura nas negociações com o Fundo Monetário Internacional e outros credores
na esteira da crise da dívida externa.

Como o maior de todos devedores do terceiro mundo, o Brasil repetidamente recusou-se a pagar juros de suas dívidas, ameaçando os negócios que os bancos  E.U.A. estavam negociando com outras nações. O Recém-Brasil democrático também estava em desacordo com os E.U.A. sobre o envolvimento militar na América Central.

Na década de 1990 a crise da dívida foi resolvida, e o Brasil voltou a ser um parceiro bem-vindo da evolução pós-Guerra Fria. Mesmo que algumas ações concretas foram tomadas, os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Clinton chegaram a acordos sobre muitos assuntos.

Algum progresso foi feito no reino da democracia. Ambos os países que apoiaram a consolidação da democracia na da região e intervieram no Paraguai para fracassar a tentativa de golpe por um comandante do exército contra o governo eleito em 1996.

Mais tarde, o Brasil mostrou-se muito importante na promoção da Carta Democrática Interamericana da Organização dos Estados Americanos, que liga todos os 34 membros para fortalecer as instituições democráticas.
No entanto, como a globalização começou a dirigir grande parte da  política externa E.U.A. o comércio voltou a ser um ponto de ruptura.

O Brasil teve relutância em apoiar plenamente uma zona de livre comércio das Américas frustrado assim a Administração Clinton e isso frustrou mais uma vez o
relacionamento.

Generalizar cinco décadas de política externa, os E.U.A. reconheceram retoricamente a importância mas concreta do Brasil, mas as iniciativas concretas ou parcerias eram poucas. Isso deixou um pouco imobilizada os resultados das políticas.

Em vez dos dois países manterem um caso bastante quente distante dos status quo, Convindo que a vista de Washington de que o Brasil ocupou um lugar influente – mas não central – no papel da hierarquia do mundo.

Ponto de virada nas relações

A urgência para as relações bilaterais começaram a mudar na última década. O Brasil foi abençoado com recursos naturais, com quase 200 milhões de pessoas no mercado interno e uma economia bem diversificada, com uma robusta agricultura, mineração, manufatura e prestações de serviços.

Mas durante décadas sofreu com a inflação alta, a instabilidade cambial e baixo crescimento. Esta instabilidade econômica crônica significava que, embora visto como geograficamente e geoestrategicamente importante, o Brasil era visto por muitos em Washington,  citando o General Charles De Gaulle,  “não é um país sério”.
Estas reservas começaram a desvanecer-se com as sua melhoria da economia. Ancorado pelo Plano Real de 1994, o Brasil finalmente domou a sua histórica inflação através de  macroeconômica sólidas, políticas monetárias e embarcou na privatização e outras reformas econômicas.

Tendo no lugar o Presidente Fernando Henrique Cardoso, e essas iniciativas foram avançadas ainda pelo seu sucessor esquerdista e atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2001, o Brasil foi reconhecido pela subida mercados financeiros. O Banco gigante Goldman Sachs nomeou-o um dos países dos BRIC- grupo com Rússia, Índia e China – que poderia potencialmente eclipsar o G8 nas próximas décadas.

Por meados dos anos 2000, a instabilidade macroeconômica do Brasil
parecia totalmente relegada ao passado, e sua economia cresceu com o aumento dos preços das commodities e a aguardada expansão de sua classe média.

Ao mesmo tempo, a escalada mundial da alteração dos preços da energia e as preocupações crescentes sobre clima, trouxeram o sucesso da tecnologia dos biocombustíveis à atenção de Washington. A Indústria de biocombustíveis do Brasil
remonta à década de 1970, quando o governo militar introduziu um programa onde mandou que uma mistura de etanol de cana-de-açúcar fosse imersa no combustível para os transportes, para reduzir assim a dependência de combustíveis fósseis importados.

No final da década 1980 mais de um terço dos automóveis e veículos do país estava rodando com etanol puro.
Em 1993 uma lei federal aumentou o mandato para uma mistura de etanol 25%, e a procura superou o abastecimento local. O avanço tecnológico mais os motores Flex nos veículos, e neste combustível foi restaurada uma confidência generalizada e os investimentos em etanol, permitindo que motoristas pudessem mudar para qualquer mistura de gasolina e etanol a qualquer momento.
Na virada do século 21, o Brasil ostentava a eficiência de produção de bio-combustível mais eficiente do mundo, com volumes que rivalizam com os dos Estados Unidos.

Vastas extensões de terras de pastagem foram preparadas para a cana-de-açúcar. Em fevereiro de 2008, o mercado de etanol superou o de tradicionais combustíveis, como a gasolina nas bombas brasileiras, provando ao mercado viabilidade de combustíveis alternativos em um mundo das maiores economias. Adicione a isso a recente descoberta
de significativos poços de  petróleo em sua costa,  e imagem do Brasil como um líder global de energia foi assegurada.

Politicamente, os Estados Unidos vieram e viram uma  Democracia fundamentada no Brasil e o Presidente Centrista com imparcialidade que é Lula – e em particular comparação com os países vizinhos como a Venezuela – como importante para os interesses E.U.A. no hemisfério.

Em além disso os presidentes George W Bush e Lula pareciam estar a gostar uns dos outros, promovendo um maior esforço para trabalhar juntos.

Para Washington, o Brasil chegou a um lugar e em um momento propício para mudar as políticas e prioridades. Como o governo Bush assumiu duas guerras no exterior, pouca largura de banda permaneceu para o policiamento de seu próprio hemisfério, apesar de que muitos viram como preocupante as mudanças políticas nos países andinos região.

A Casa Branca espera que o Brasil, como uma parte importante interessada em liderar, também aceite a responsabilidade de direcionar para a estabilidade e a democracia na América do Sul.

Durante a sua visita em 2005, George W Bush reconheceu o Brasil como um “Líder … que vai exercitar a sua liderança em toda o  globo e garantiu a Lula que, como ele trabalha para  um amanhã melhor, o Brasil deve saber (ter) um parceiro forte nos Estados Unidos “.

A Visão dos E.U.A. hoje.

Os eventos dos últimos anos e a mudança na administração E.U.A. pode talvez tornar o Brasil mais importante para a política externa dos E.U.A.. Após a crise financeira mundial, o parente de sucesso o Brasil, China e outros países com economias em desenvolvimento deslocaram definitivamente o centro da finança global dos acordos do G8 para o G20. Isso dá ao Brasil um assento permanente em todos as principais discussões mundiais sobre a macroeconômica, onde ele já tem uma voz importante no sentido Norte-Sul dos diálogos.

Como a mudança climática é uma prioridade para a administração Obama, a importância do Brasil tem sido cultivada, tanto por sua liderança em energia alternativaque nas suas lutas contra o desmatamento. Ela já possui um dos mais eco-compativeis matrizes energéticas no mundo, com 46% da energia primária proveniente fontes renováveis, muito acima da média mundial de 8%. Além disso, como proprietário da maior floresta tropical do planeta, a Amazônia, o Brasil pode desempenhar um papel fundamental na diminuição do desmatamento mundial, a principal causa de suas emissões de carbono.

Embora ainda não seja dado como captado por muito tempo pela antena de Washington, como muitos dos seus parceiros do BRIC –China em particular – o Brasil é visto como um emergente do poder que os Estados Unidos podem trabalhar em muitas questões: a estabilidade financeira global, alterações climáticas, a reforma das instituições multilaterais (por exemplo: as Nações Unidas, G20, OMC, FMI), bem como a segurança, estabilidade e desenvolvimento regional.

Um Tropeço que arrasta a política.

Por todas estas razões, muitos em Washington são chamados novamente para um novo relacionamento especial. Enquanto isto é progresso, não são significativas as limitações em traduzi-lo em concretas políticas.

Em um nível prático, o USA-América Latina na comunidade política tem sido historicamente tendenciosa em direção da língua espanhola na América Latina. Bem pouco conhece o Brasil Washington,  e que fala Português. A falta de um grupo dedicado de especialistas – dentro e fora do governo — limita a constante pressão necessária para manter firmemente o Brasil na agenda política esterior dos E.U.A..

Adicionando para isso batalhas de políticas internas nos E.U.A. significando assim que levou quase um ano para o presidente Obama para confirmar seu novo embaixador para o Brasil. Esta lacuna grave dificultou a capacidade da administração em criar um engajamento mais dinâmico.

E também ainda não está claro qual a melhor forma de promover interesses em comum, enquanto eles compartilham muitas preocupações, em princípio, as prioridades da políticas são muitas vezes não alinhadas, e às vezes até em conflitos. Em ter o domínio da segurança, pois os Estados Unidos priorizam o contra-terrorismo, que fica no final da lista das preocupações brasileiras.

O tráfico de drogas, E.U.A. dá assistência à região contra-narcóticos muitas vezes centra-se nas respostas dos militares, enquanto o Brasil tem tendência para o policiamento e aplicação das leis como soluções.

Adicione a isso tudo uma suspeita de longa data sobre o envolvimento militar dos E.U.A. na região, e que ressurgiu de recente por um contrato de concessão de sete bases militares colombianas aos E.U.A. para o combate ao trafico de drogas e aos guerrilheiros.

Então os E.U.A. tem preocupações sobre a visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad em Brasília, em novembro de 2009. Estas diferenças podem trazer  algumas dificuldades em encontrar no fim um meio termo para uma mais profunda  parceria em questões de segurança no Hemisfério.


– Embora salientando a necessidade de Washington em comunicar-se mais abertamente com parceiros  regionais.

O debate sobre o livre comércio coloca dilemas semelhantes.

Enquanto os E.U.A. e o Brasil retoricamente apóia a expansão do livre comércio global através do Mundo  na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio e outros mecanismos, seus interesses fundamentais, muitas vezes se divergem. O Brasil quer reduzir ou eliminar os extensos subsídios agrícolas e proteções, bem como as tarifas em produtos como o etanol nos E.U.A.. Os caprichos da política nacional E.U.A. pode torna difícil o cumprir dessas exigências. Os E.U.A., por sua vez,  tem suspeita de defesa brasileira de seu setor industrial, e daquilo que ela vê como um fraco regime de direitos de propriedade intelectual, e espera que o Brasil esteja disposto a mudar sua posição sobre serviços e acesso ao mercado.

Finalmente, assumindo que Washington mantém-se focada no desenvolvimento de suas relações (uma grande pressuposto), não está claro se o Brasil realmente aspira a estreitar as relações. Pode o Brasil ter benefícios mantendo o gigante do norte abraçado, sobretudo tendo em conta que o papel dos Estados Unidos pode imaginar o Brasil como um ativo regional das «partes interessadas», assumindo maiores responsabilidades no hemisfério e agir no interesse dos E.U.A.

CONCLUSÃO

É provável que a visão E.U.A. do Brasil mudou permanentemente nos últimos anos e reconheceu a importância da nação para a regional e no pedido do mundo. Finalmente o Brasil é visto como um verdadeiro emergente do poder. O reforço do diálogo estratégico e cooperativo, as medidas tomadas nos últimos anos, à luz desse reconhecimento tem beneficiado ambos os países.

No entanto, muitas áreas de desprendimento e de conflitos ainda permanecem. Se o recém invocado “relacionamento especial” será mais multifacetado e de longa duração como continua sendo visto neste momento.

Agradecimentos, Aos participantes Itamar e  Francoorp, pelas sugestões e traduções.

Texto original

34 Comments

shared on wplocker.com