Defesa & Geopolítica

Rússia criará ‘internet independente’ para BRICS

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Decisão é resposta a ameaças na World Wide Web, mas especialistas são céticos quanto à possibilidade de se criar rede totalmente autônoma.

DMÍTRI GOLUB

O Conselho de Segurança da Rússia encarregou o Ministério das Comunicações e o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia de iniciar uma discussão entre os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) sobre a criação de um sistema de servidores raiz do DNS (do inglês Domain Name System, um sistema de gerenciamento de nomes hierárquico e distribuído para computadores conectados à internet) próprio.

De acordo com o documento, citado pelo jornal econômico russo RBC, o sistema “será independente do controle de [organizações internacionais] ICANN, IANA e VeriSign, e poderá atender às necessidade dos usuários dos países do Brics em caso de falhas ou ataques direcionados”.

O protocolo da reunião do Conselho de Segurança foi assinado em 5 de novembro pelo presidente russo Vladimir Putin.

“O aumento das capacidades dos países ocidentais na realização de operações ofensivas no espaço da informação é uma ameaça séria para a segurança da Rússia. Os Estados Unidos e os países da União Europeia continuam a dominar na gestão da internet”, lê-se no documento.

A Rússia afirma que o papel dos governos na gestão da internet deve ser claramente especificado e não pode ser meramente consultivo, segundo declaração à BBC do assessor do presidente russo, Ígor Schegolev.

Mass especialistas do setor de tecnologia e informação são céticos quanto à possibilidade de criação de um sistema próprio de servidores DNS do Brics.

O representante do Centro Técnico de Internet (TCI), que suporta a estrutura do DNS da Rússia, disse ao jornal RBC que a criação de um sistema do gênero é impossível, já que o sistema de nomes na internet é “hierárquico e só pode ter uma raiz”.

“Na internet de hoje, é impossível adquirir autonomia completa. Todas as informações nos servidores-raiz são distribuídas de um único ponto, o IANA (da sigla em inglês, Autoridade para Atribuição de Números da Internet). Assim, a criação de um sistema de servidores-raiz independentes de administradores internacionais significa a criação de uma internet alternativa, independente da rede existente”, disse.

Em 2014, o Ministério das Comunicações da Rússia testou a estabilidade da porção russa da internet contra ameaças externas, verificando a possibilidade de violações no sistema de endereçamento, segundo declaração do diretor-geral do TCI, Aleksêi Platônov, ao jornal Kommersant.

“Durante os testes, a rede de DNS não funcionou de forma adequada, porque as informações sobre o domínio russo ‘.ru’ foram deletadas do banco de dados da ICANN. O TCI, a MSK-IX e outras empresas de telecomunicações russas tiveram que garantir o funcionamento do segmento nacional da internet no nível de rede local”, disse Platônov.

Segundo ele, durante os testes, graças aos espelhos [cópias exatas de um conjunto de dados na rede] no servidor raiz do DNS da Rússia, foi possível garantir que o sistema continuasse funcionando.

“Ou seja, se a Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN, na sigla em inglês) remover as informações sobre o domínio russo dos servidores-raiz, elas serão armazenadas nos servidores locais. Se toda a internet russa estiver conectada a esse servidor, tudo funcionará normalmente”, explica.

No entanto, tratava-se de uma situação de emergência, e não um modo permanente de funcionamento do sistema.

“A principal dúvida é: qual o objetivo da criação do próprio sistema de servidores-raiz do DNS para o Brics? A Rússia já criou uma infraestrutura de espelhos, ou seja, de duplicação dos dados para servidores de alto nível”, diz o consultor do centro PIR, Oleg Demídov.

“A criação de uma infraestrutura própria que duplice o DNS global leva diretamente ou indiretamente à fragmentação da rede global, o que se contrapõe às iniciativas para construção de uma economia digital na Rússia”, diz Demídov.

Já houve diversas tentativas de criar uma alternativa aos servidores-raiz do DNS. Além disso, várias organizações gerenciam os servidores alternativos (Open Root Server Network, OpenNIC e outros).

Os sistemas alternativos de nomes de domínio copiam o estado atual dos servidores-raiz, mas, caso necessário, podem criar seu próprio espaço de endereços com outro domínio de nível superior.

Fonte: Russia Beyond

Edição: Plano Brasil

 

6 Comments

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  2. PRAEFECTUS says:

    Meus caros amigos,

    a frase “todos sabemos quem é o principal administrador da internet global”, me parece ser relativamente fácil de responder….mas, será, que é o que parece ser?

    Rússia e China vêm fazendo pressão há anos para exercerem mais controle sobre a internet e o DNS, através da União Internacional de Telecomunicações da ONU (ITTU). No entanto, não podemos esquecer ambos os países têm um histórico preocupante de monitorar e censurar dissidentes — por exemplo, restringindo VPNs que permitem acesso a sites banidos…

    Em principio o que parece, é que sairíamos do bico da águia, para a pata do urso com direito ao bafo do dragão no cangote!

    Mas, respirando fundo e sendo pragmático, o mundo do jeito que tá, talvez não seja má ideia o Brasil dar uma boa analisada nesta hipótese “russa”, até porque a única coisa que mudaria seriam os olhos por trás dos binóculos. Imagino ser de bom alvitre dispormos não apenas de uma DNS, mas, digamos assim, AHAM, também de outros ambientes auto sustentáveis paralelos….afinal, se der pau para nosotros de um lado….ligamos o botão do lado de lá, e, vualá…!!!

    Se é que me entendem…

    A coisa é séria, pra se ter uma ideia no começo do ano, os EUA atacaram a Coreia do Norte com ações cibermilitares, como ataques de negação de serviço para mutilar uma agência espiã. Para não deixar o país no escuro, caso um ataque maior ocorresse, a Rússia começou a fornecer uma rota de internet para a Coreia do Norte naquela mesma semana, de acordo com o Security Week. Uma grande companhia de telecomunicações da Rússia, a TransTeleCom, começou a fornecer conexão de internet para a Coreia do Norte. O relato diz que o novo link entrega subsídios que eram fornecidos pela China — além disso, que seria um backup para Pyongyang durante os ataques DDoS supostamente realizados pelos Estados Unidos…

    Copiou minha ideia? Se, o sarrafo vier de cá, eu pulo pra lá. Se vier de lá, eu pulo pra cá…
    E, enquanto isso vamos dissecando doutrinas e sistemas de dois mundos distintos…

    Grato

  3. Professor says:

    Viva a Rússia, vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

  4. PÉ DE CÃO says:

    otimo , tambem gostei da noticia , assim vai fazer a uniao europeia querer a deles o japao querer a deles e dessa forma democratizar
    pois do jeito que esta nao esta correto

    e para completar a internet mudou muito hoje o que voce procura no goolge nao aparece do mesmo jeito que antes
    hoje se voce colocar escrever independencia do brasil

    vai aparecer assim independencia do brasil no mercado livre em 12 prestaçoes

    entendeu hoje virou um engana trouxa que para procurar qualquer coisa interessante ja demora muito
    antes voce escrevia o que queria e aparecia o assunto correto
    tudo voltado para vender bugigangas ,tudo para te monitorar , tudo para te gansar

    esta mais que na hora de outros provedores dns abrir o que tem ,mas ficar do mesmo jeito nao pode nao deve
    ano que vem temos que tirar esses entreguistas pois senao eles tiram a internet por velocidade e mega e passam para pacotes
    voce vai ter um site rede globo para a noticia nacional cnn para noticias internacionais e walmart para compra

    é isso que essa anatel fraquinha que nunca defende os interesses do povo quer tem que mudar os gestores da anatel

  5. Quatzy says:

    Google prática bastante censura nas buscas. Está na hora de mudar isso.

  6. Foxtrot says:

    Duvido muito que nossa diplomacia, política e militares submissos aos interesses das grandes nações ocidentais, queira participar desse importante e estratégico projeto ( o mesmo aconteceu com o Glonass, onde o Bananal denominado Brasil foi convidado, mas já sabemos qual foi a resposta).
    Nem sei porque os Russos ainda insistem em tentar alguma parceria com essa repúbliqueta sul americana denominada Brasil.
    Pois sabem mais que ninguém nossas ” inclinações” políticas, principalmente da elite burra e desigual !

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