Defesa & Geopolítica

OTAN deverá continuar com projeto de drones apesar de fiasco alemão

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Alemanha cancela projeto de avião “tarde demais” – críticos atacam custo de 500 milhões de euros. Ministro da Defesa, Thomas de Maizière, está sob pressão. Otan diz que ainda quer comprar drones de reconhecimento.

O ministro alemão da Defesa, Thomas de Maizière, prometeu nesta quarta-feira (05/06) que vai fazer uma reforma “profunda” na própria pasta, admitindo problemas que levaram ao caro fiasco de um projeto de aviões não tripulados, o Euro Hawk.

A menos de quatro meses das eleições legislativas da Alemanha, de Maizière, considerado um peso pesado no governo e fiel escudeiro da chanceler alemã Angela Merkel, excluiu pedir demissão – apesar da pressão que sofre. No país, as especulações relacionaram, nas últimas semanas, a possível saída do ministro com um eventual enfraquecimento político de Merkel.

Em meados de maio, o governo em Berlim renunciou ao uso de aviões não tripulados de reconhecimento por causa de um problema de certificação. O cancelamento do projeto, visto como atrasado demais, levou a duras críticas a Thomas de Maizière, que defendeu a decisão, dizendo diante de jornalistas em Berlim que esta foi tomada “apenas após a avaliação e a eliminação de todas as alternativas”. O ministro da Defesa alemão apresentou um relatório sobre o assunto diante das comissões parlamentares da Defesa e do Orçamento, nesta quarta.

O empreendimento foi suspenso após Berlim ter gasto mais de 500 milhões de euros no projeto. Entre as causas da anulação está a ausência de um sistema anticolisão exigido pelas autoridades europeias, cuja instalação iria requerer mais de 500 milhões de euros.

Sem consequências para projeto similar da Otan

Na terça-feira (04/06), de Maizière esteve em Bruxelas para participar de reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e falar dos possíveis efeitos da decisão alemã de suspender o Euro Hawk. O ministro alemão da Defesa disse que o cancelamento do avião não tripulado na Alemanha não ficaria totalmente sem consequências para o sistema de vigilância terrestre da Aliança Atlântica, conhecido como AGS (Allied Ground Surveillance). Mas de Maizière disse que a Alemanha continuaria participando do projeto.

Porém, o fracasso do projeto alemão aparentemente não teve efeito sobre a iniciativa similar da Otan. A Aliança planeja munir o AGS com cinco aviões não tripulados do tipo Global Hawk 40 – um plano que, segundo a organização, não foi afetado pelo fiasco do Euro Hawk, uma versão remodelada do antecessor do 40, o Global Hawk 20.

Na cúpula em Chicago, em maio de 2012, os integrantes da Otan haviam decidido adquirir drones desarmados de observação e reconhecimento, que deverão começar a operar em 2017 e ficarão estacionados em Sigonella, na Sicília.

O custo estimado para as cinco aeronaves é de um bilhão de euros. A iniciativa tem a participação de 14 países da Otan: Alemanha, Bulgária, Dinamarca, Estônia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Noruega, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, República Checa e Estados Unidos. Os Global Hawk podem voar a até 20 quilômetros de altura e, mesmo dessa distância, produzir imagens tão precisas que possibilitam o rastreamento de indivíduos isolados.

Unilateralismo alemão

Esse projeto prossegue normalmente, apesar da decisão de Berlim – que, por outro lado, é vista com olhos críticos em Bruxelas. Michael Gahler, o porta-voz para questões de segurança da bancada democrata-cristã do Parlamento Europeu, reclama, em entrevista à DW, que a Alemanha deveria ter promovido o desenvolvimento de drones dentro de um contexto europeu, em vez de optar pelo unilateralismo nacional. “Afinal, a ameaça é a mesma para todos, e cada Estado isolado dispõe de muito pouco dinheiro”, justifica. “Esses projetos são bons exemplos de que devemos fazer algo juntos, especialmente quando algo novo é criado. Espero que tenhamos aprendido a lição.”

Gahler considera um desenvolvimento de drones no âmbito europeu uma política industrial acertada. “Não devemos reduzir a questão ao contexto militar. Esses drones não são prioritariamente instrumentos de combate, pois são empregados como equipamentos de observação em 90% dos casos”, ressalta, citando áreas como agricultura e silvicultura, onde incêndios podem ser reconhecidos com antecedência, ou para se detectar poluição da atmosfera. “Com tamanhas possibilidades, realmente vale a pena a unirmos nossos recursos civis e militares.”

Fabricante nega acusações

Enquanto isso, o fabricante norte-americano nega as queixas alemãs sobre as deficiências do drone encomendado por Berlim. As reclamações se referem, sobretudo, à alegada falta de proteção contra colisão e falta de documentos necessários para a aprovação na Europa.

Um porta-voz da Northrop Grumman disse, em entrevista ao semanário Die Zeit, que a Alemanha nunca disse claramente quais documentos seriam necessários para a aprovação. Além disso, ele alega que apenas um modelo de teste entregue a Berlim não dispunha de proteção contra colisão e acrescenta que esse recurso era previsto nos outros quatro drones originalmente encomendados. O grupo diz desconhecer razões para grandes aumentos de custos.

Fonte: DW.DE

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