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Detectados sinais de emergência supostamente vindos do submarino argentino ‘ARA San Juan’

O Ministério da Defesa argentino confirmou que a operação de busca do submarino ARA San Juan detectou sete sinais compatíveis com as tentativas de comunicação. Em princípio, eles seriam tentativas feitas a partir de um telefone via satélite da emergência do submarino e teriam entre 6 e 25 segundos de duração.

De acordo com a declaração oficial da entidade, “as comunicações não estabeleceram um link com as bases da Marinha” e que “indicariam que a tripulação está tentando estabelecer contato e trabalhar para determinar sua localização exata”.

“Com a colaboração de uma empresa dos EUA especializada em comunicação por satélite, estamos trabalhando para determinar a localização precisa do emissor de sinal, dada a presunção de que poderia ser o submarino que tem 44 tripulantes a bordo”, disse o comunicado.

A embarcação foi registrada pela última vez no dia 15, a 430 km do ponto mais próximo da costa da península de Valdés, no sudeste da Argentina.

Comprado em 1985, o submarino de origem alemã foi submetido a um reparo completo entre 2008 e 2014.

Fonte: Sputnik

Edição: Plano Brasil

 

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Brasil Destaques

O discurso do ódio que está envenenando o Brasil

A caça às bruxas de grupos radicais contra artistas, professores, feministas e jornalistas se estende pelo país. Mas as pesquisas dizem que os brasileiros não são mais conservadores

Um jovem protesta contra a feminista Judith Butler, o dia 8 de novembro passado em São Paulo. TONI PIRES

XOSÉ HERMIDA

Artistas e feministas fomentam a pedofilia. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o bilionário norte-americano George Soros patrocinam o comunismo. As escolas públicas, a universidade e a maioria dos meios de comunicação estão dominados por uma “patrulha ideológica” de inspiração bolivariana. Até o nazismo foi invenção da esquerda. Bem-vindos ao Brasil, segunda década do século XXI, um país onde um candidato a presidente que faz com que Donald Trump até pareça moderado tem 20% das intenções de voto.

No Brasil de hoje mensagens assim martelam diariamente as redes sociais e mobilizam exaltados como os que tentaram agredir em São Paulo a filósofa feminista Judith Butler, ao grito de “queimem a bruxa”. Neste país sacudido pela corrupção e a crise política, que começa a sair da depressão econômica, é perfeitamente possível que a polícia se apresente em um museu para apreender uma obra. Ou que o curador de uma exposição espere a chegada da PF para conduzi-lo a depor forçado ante uma comissão parlamentar que investiga os maus-tratos à infância.

“Isto era impensável até três anos atrás. Nem na ditadura aconteceu isto.” Depois de uma vida dedicada a organizar exposições artísticas, Gaudêncio Fidelis, de 53 anos, se viu estigmatizado quase como um delinquente. Seu crime foi organizar em Porto Alegre a exposição QueerMuseu, na qual artistas conhecidos apresentaram obras que convidavam à reflexão sobre o sexo. Nas redes sociais se organizou tal alvoroço durante dias, com o argumento de que era uma apologia à pedofilia e à zoofilia, que o patrocinador, o Banco Santander, ante a ameaça de um boicote de clientes, decidiu fechá-la. “Não conheço outro caso no mundo de uma exposição destas dimensões que tenha sido encerrada”, diz Fidelis.

O calvário do curador da QueerMuseu não terminou com a suspensão da mostra. O senador Magno Malta (PR-ES), pastor evangélico conhecido por suas reações espalhafatosas e posições extremistas, decidiu convocá-lo para depor na CPI que investiga os abusos contra criança. Gaudêncio se negou em um primeiro momento e entrou com um pedido de habeas corpus no STF que foi parcialmente deferido. Magno Malta emitiu então à Polícia Federal um mandado de coerção coercitiva do curador. Gaudêncio se mostrou disposto a comparecer, embora entendesse que, mais que como testemunha, pretendiam levá-lo ao Senado como investigado. Ao mesmo tempo, entrou com um novo pedido de habeas corpus no Supremo para frear o mandado de coerção coercitiva. A solicitação foi indeferida na sexta-feira passada pelo ministro Alexandre de Moraes. Portanto, a qualquer momento Gaudêncio espera a chegada da PF para levá-lo à força para Brasília.

“O senador Magno Malta recorre a expedientes típicos de terrorismo de Estado como meio de continuar criminalizando a produção artística e os artistas”, denuncia o curador. Ele também tem palavras muito duras para Alexandre de Moraes, até há alguns meses ministro da Justiça do Governo Michel Temer, por lhe negar o último pedido de habeas corpus: “A decisão do ministro consolida mais um ato autoritário de um estado de exceção que estamos vivendo e deve ser vista como um sinal de extrema gravidade”. Fidelis lembra que o próprio Ministério Público de Porto Alegre certificou que a exposição não continha nenhum elemento que incitasse à pedofilia e que até recomendou sua reabertura.

Entre as pessoas chamadas à CPI do Senado também estão o diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo e o artista que protagonizou ali uma performance em que aparecia nu. Foi dias depois do fechamento do QueerMuseu e os grupos ultraconservadores voltaram a organizar um escândalo nas redes, difundindo as imagens de uma menina, que estava entre o público com sua mãe e que tocou no pé do artista. “Pedofilia”, bramaram de novo. O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito e o próprio prefeito da cidade, João Doria (PSDB), se uniu às vozes escandalizadas.

Se não há nenhum fato da atualidade que justifique esse tipo de campanha, os guardiões da moral remontam a muitos anos atrás. Assim aconteceu com Caetano Veloso, de quem se desenterrou um velho episódio para recordar que havia começado um relacionamento com a que depois foi sua esposa, Paula Lavigne, quando ela ainda era menor de idade. “#caetanopedofilo” se tornou trending topic. Mas neste caso a Justiça amparou o músico baiano e ordenou que parassem com os ataques.

A atividade de grupos radicais evangélicos e de sua poderosa bancada parlamentar (198 deputados e 4 senadores, segundo o registro do próprio Congresso) para desencadear esse tipo de campanha já vem de muito tempo. São provavelmente os mesmos que fizeram pichações recentes no Rio de Janeiro com o slogan “Bíblia sim, Constituição, não”. Mas o verdadeiramente novo é o aparecimento de um “conservadorismo laico”, como o define Pablo Ortellado, filósofo e professor de Gestão de Políticas Públicas da USP. Porque os principais instigadores da campanha contra o Queermuseu não tinham nada a ver com a religião. O protagonismo, como em muitos outros casos, foi assumido por aquele grupo na faixa dos 20 anos que há um ano, durante as maciças mobilizações para pedir a destituição da presidenta Dilma Rousseff, conseguiu deslumbrar boa parte do país.

Com sua desenvoltura juvenil e seu ar pop, os rapazes do Movimento Brasil Livre(MBL) pareciam representar a cara de um país novo que rejeitava a corrupção e defendia o liberalismo econômico. Da noite para o dia se transformaram em figuras nacionais. Em pouco mais de um ano seu rosto mudou por completo. O que se apresentava como um movimento de regeneração democrática é agora um potente maquinário que explora sua habilidade nas redes para difundir campanhas contra artistas, hostilizar jornalistas e professores apontados como de extrema esquerda ou defender a venda de armas. No intervalo de poucos dias o MBL busca um alvo novo e o repisa sem parar. O mais recente é o jornalista da TV Globo Guga Chacra, vítima de uma campanha por se atrever a desqualificar -em termos muito parecidos aos empregados pela maioria dos meios de comunicação de todo o mundo-, 20.000 ultradireitistas poloneses que há alguns dias se manifestaram na capital do pais exigindo uma “Europa branca e católica”.

Além de sua milícia de internautas, o MBL conta com alguns apoios de renome. Na política, os prefeitos de São Paulo, João Doria, e de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr., assim como o até há pouco ministro das Cidades, Bruno Araújo, os três do PSDB. No âmbito intelectual, filósofos que se consideram liberais, como Luiz Felipe Pondé. Entre os empresários, o dono da Riachuelo, Flávio Rocha, que se somou aos ataques contra os artistas com um artigo na Folha de S. Paulo no qual afirmava que esse tipo de exposição faz parte de um “plano urdido nas esferas mais sofisticadas do esquerdismo”. O objetivo seria conquistar a “hegemonia cultural como meio de chegar ao comunismo”, uma estratégia diante da qual “Lenin e companhia parecem um tanto ingênuos”, segundo escreveu Rocha em um artigo intitulado O comunista está nu.

“Não é algo específico do Brasil”, observa o professor Pablo Ortellado. “Este tipo de guerras culturais está ocorrendo em todo o mundo, sobretudo nos EUA, embora aqui tenha cores próprias.” Um desses elementos peculiares é que parte desses grupos, como o MBL, se alimentou das maciças mobilizações pelo impeachment e agora “aproveita os canais de comunicação então criados, sobretudo no Facebook”, explica Ortellado. “A mobilização pelo impeachment foi transversal à sociedade brasileira, só a esquerda ficou à margem. Mas agora, surfando nessa onda, criou-se um novo movimento conservador com um discurso antiestablishment e muito oportunista, porque nem eles mesmos acreditam em muitas das coisas que dizem.” A pauta inicial, a luta contra a corrupção, foi abandonada “tendo em vista de que o atual governo é tão ou mais corrupto que o anterior”. Então se buscaram temas novos, desde a condenação do Estatuto do Desarmamento às campanhas morais, que estavam completamente ausentes no início de grupos como o MBL e que estão criando um clima envenenado no país. “É extremamente preocupante. Tenho 43 anos e nunca tinha vivido uma coisa assim”, confessa Ortellado. “Nem sequer no final da ditadura se produziu algo parecido. Naquele momento, o povo brasileiro estava unido.”

O estranho é que a intensidade desses escândalos está oferecendo uma imagem enganosa do que na realidade pensa o conjunto dos brasileiros. Porque, apesar desse ruído ensurdecedor, as pesquisas desmentem a impressão de que o país tenha sucumbido a uma onda de ultraconservadorismo. Um estudo do instituto Ideia Big Data, encomendado pelo Movimento Agora! e publicado pelo jornal Valor Econômico, revela que a maioria dos brasileiros, em cifras acima dos 60%, defendem os direitos humanos, inclusive para bandidos, o casamento gay com  opção de adotar crianças e o aborto. “Em questões comportamentais, nada indica que os brasileiros tenham se tornado mais conservadores”, reafirma Mauro Paulino, diretor do Datafolha. Os dados de seu instituto também são claros: os brasileiros que apoiam os direitos dos gays cresceram nos últimos quatro anos de 67% para 74%. Paulino explica que “sempre houve um setor da classe média em posições conservadoras” e que agora “se tornou mais barulhento”.

As investigações do Datafolha só detectaram um deslocamento para posições mais conservadoras em um aspecto: segurança. “Aí sim há uma tendência que se alimenta do medo crescente que se instalou em parte da sociedade”, afirma Paulino. Aos quase 60.000 assassinatos ao ano se somam 60% de pessoas que confessam viver em um território sob controle de alguma facção criminosa. Em quatro anos, os que defendem o direito à posse de armas cresceu de forma notória, de 30% a 43%. É desse medo que se alimenta o sucesso de um candidato extremista como Jair Bolsonaro, que promete pulso firme sem contemplações contra a delinquência.

Causou muito impacto a revelação de que 60% dos potenciais eleitores de Bolsonaro têm menos de 24 anos, segundo os estudos do instituto de opinião. Apesar de que esse dado também deve ser ponderado: nessa mesma faixa etária, Lula continua sendo o preferido, inclusive com uma porcentagem maior (39%) do que a média da população (35%). “Os jovens de classe média apoiam Bolsonaro, e os pobres, Lula”, conclui Paulino. Diante da imagem de um país muito ideologizado, a maioria dos eleitores se move na verdade “pelo pragmatismo, seja apoiando os que lhe prometem segurança ou em alguém no que acreditam que lhes vai garantir que não perderão direitos sociais”.

Apesar de tudo, a ofensiva ultraconservadora está conseguindo mudar o clima do país e alguns setores se dizem intimidados. “O profundo avanço do fundamentalismo está criando um Brasil completamente diferente”, afirma Gaudêncio Fidelis. “Muita gente está assustada e impressionada.” Um clima muito carregado no qual, em um ano, os brasileiros deverão escolher novo presidente. O professor Ortellado teme que tudo piore “com uma campanha violenta em um país superpolarizado”.

Fonte: El País

 

 

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Acidentes e Catástrofes América do Sul Brasil Destaques Meios Navais Navios

Brasil envia três navios para auxiliar nas buscas por submarino argentino

Segundo ministro da Defesa, dois aviões da FAB também foram disponibilizados para encontrar embarcação de país vizinho que desapareceu no Atlântico com 44 tripulantes.

Aeronave SC-105 Amazonas – Busca e salvamento

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou neste sábado (18/11) que o Brasil está participando dos esforços para encontrar um submarino da marinha argentina que despareceu no Atlântico Sul.

De acordo com Jungmann, foram enviadas para a região onde ocorrem as buscas a fragata Rademaker, o navio polar Maximiano e o navio de socorro submarino Felinto Perry. A Força Aérea Brasileira (FAB) também disponibilizou duas aeronaves, um aviao C-105 de busca e salvamento e um quadrimotor de patrulha marítima P-3.

P-3 Orion – Aeronave de patrulhamento marítimo de longo alcance e guerra ASW

O submarino militar argentino ARA San Juan manteve contato com sua base pela última vez na manhã de quarta-feira (15/11), quando estava a 432 quilômetros da costa da Patagônia. Ele estava navegando em direção à sua base em Mar del Plata quando as comunicações foram interrompidas.

Apesar da busca, as Forças Armadas argentinas se recusam a admitir que a embarcação esteja perdida. De acordo com a Marinha do país, a principal hipótese é que teria acontecido um problema nos equipamentos de comunicação do submarino.

NSS Felinto Perry (K-11) -Navio de socorro submarino da Marinha do Brasil

Além do Brasil, outros países, como Chile, Uruguai e Peru ofereceram ajuda. O Reino Unido, que tem um histórico de conflito com a Argentina por causa da disputa pelas ilhas Malvinas (ou Falklands) disponibilizou um avião Hércules que está estacionado no arquipélago. A Nasa (Agência Especial dos EUA) colocou à disposição um avião que participa de pesquisas na Antártida.

O San Juan é um dos três submarinos da frota argentina. Lançado em 1983, a embarcação foi produzida pelo antigo estaleiro alemão Thyssen Nordseewerke e tem 65 metros de comprimento e sete metros de largura. Entre 2007 e 2014, a embarcação passou por reformas que prolongaram seu uso por mais 30 anos.

Fonte: DW

Edição: Plano Brasil

 

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China Defesa Destaques Espaço Sistemas de Armas Tecnologia

China revela seu ambicioso programa espacial

Foto – © AFP 2017/

A China tenciona reforçar seu sistema de transporte espacial no âmbito de seu objetivo estratégico de se tornar uma superpotência espacial, de acordo com o quadro de referência para 2017-2045, publicado no site da Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China.

A agenda estabelece um conjunto de objetivos ambiciosos, descrevendo o que nas próximas décadas a República Popular planeja atingir no espaço.

Até 2020, Pequim planeja modernizar sua família de foguetes Longa Marcha, um dos quais, o  Longa Marcha 8, deverá fazer seu voo experimental  em 2019.

O foguete Longa Marcha 9, capaz de transportar mais de 100 toneladas de carga e projetado para enviar missões tripuladas à Lua e não tripuladas a Marte, realizará seu primeiro voo em 2030, como parte do programa chinês de exploração da Lua e de Marte.

Também, até 2020, Pequim planeja começar a prestar vários serviços de lançamento comercial, que serão relativamente baratos e eficazes devido à modernização em curso de seus foguetes portadores.

De acordo com a agenda, até 2025, a China planeja também passar a utilizar seu próprio veículo espacial reutilizável e tornar todos os seus veículos espaciais reutilizáveis até 2035. Isso ajudaria a desenvolver a indústria do turismo espacial suborbital, já que o primeiro ônibus espacial da China realizará seu voo inaugural em 2020.

Além disso, o país asiático planeja lançar uma nova geração de foguetes reutilizáveis de dois estágios e ônibus espaciais de energia nuclear, com vista à prospeção de recursos minerais em planetas e asteroides pequenos, bem como para construir estações de energia solar no espaço.

Nas últimas décadas a China tem alcançado grandes êxitos na área de exploração do espaço. O país pretende pousar no lado escuro da Lua até 2018, e chegar a Marte antes do final da década.

Desde 2003, a República Popular tem organizado passeios espaciais, fez pousar um rover na superfície da Lua e inaugurou um laboratório espacial que, como se espera, preparará o terreno para uma estação espacial de 20 toneladas.

A construção de novos centros de lançamento espacial, ambiciosos programas de exploração da Lua e de Marte, voos espaciais regulares fazem com que o país rapidamente ocupe seu nicho na exploração espacial em pé de igualdade com a Rússia e os EUA.

Fonte: Sputnik

 

 

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Conflitos Geopolítica

Em Paris, Hariri confirma retorno ao Líbano

Em meio a uma crise política em Beirute, Macron recebe premiê libanês no Palácio do Eliseu. Saad Hariri, que não pisa no Líbano desde que anunciou sua renúncia, diz que retornará ao país para definir demissão.

Hariri e Macron se reúnem em Paris

O presidente da França, Emmanuel Macron, recebeu neste sábado (18/11), em Paris, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, em meio a uma crise política no Líbano por conta do anúncio de renúncia do chefe de governo, feito há duas semanas a partir da Arábia Saudita.

Após o encontro, que ocorreu no Palácio do Eliseu, Hariri informou que voltará a Beirute na próxima semana para resolver questões acerca de sua demissão. Em Riad desde o início do mês, ele ainda não retornou ao Líbano desde que anunciou a renúncia, de forma inesperada, em 4 de novembro.

“No que diz respeito à atual situação política no Líbano, irei a Beirute nos próximos dias. Participarei das celebrações da independência, e me posicionarei sobre tais questões depois de me reunir com o presidente [Michel] Aoun”, declarou o premiê libanês.

Segundo a mídia estatal libanesa, Hariri teria ligado a Aoun – que se recusou a aceitar a renúncia do chefe de governo enquanto este permanecer fora do país – ao chegar em Paris, afirmando que estaria no Líbano na próxima quarta-feira para a comemoração do Dia da Independência. A cerimônia é normalmente comandada pelo presidente, primeiro-ministro e chefe do Parlamento libanês.

Hariri chegou a Paris na manhã deste sábado, em voo que partiu da Arábia Saudita. Horas mais tarde, foi recebido por Macron com um abraço no Palácio do Eliseu. Ambas famílias almoçaram juntas. Segundo a imprensa local, o filho mais velho do premiê libanês fez companhia ao pai durante a viagem, enquanto os outros dois teriam ficado em Riad.

A renúncia de Hariri e a incerteza sobre se ele voltaria ou não ao Líbano impulsionaram uma visita inesperada de Macron à Arábia Saudita na semana passada. Foi nessa ocasião que o líder francês fez o convite para que Hariri o visitasse em Paris.

Mais tarde, Macron discutiu a crise no Líbano com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e realizou uma enxurrada de telefonemas para possibilitar a chegada de Hariri à França.

Na sexta-feira, o presidente francês declarou que receberia o libanês “com as honras que um primeiro-ministro merece”, uma vez que sua renúncia ainda não foi oficialmente reconhecida.

Macron tem buscado assumir um papel de mediador no Oriente Médio, envolvendo especialmente sua tentativa de desanuviar a crise política no Líbano e preservar a estabilidade regional, ao alavancar as relações comerciais francesas com rivais no Oriente Médio e estreitar laços históricos com antigos protetorados.

É um estratagema arriscado, mas o presidente francês pode estar numa melhor posição política do que qualquer outro líder mundial para ter sucesso.

As ações fazem parte do que está se moldando numa estratégia mais ampla de Macron para reafirmar a influência francesa no Oriente Médio, enquanto os Estados Unidos sob o presidente Donald Trump são cada vez mais vistos como imprevisíveis e desvinculados.

Na sexta-feira, o gabinete de Macron disse que a estratégia da França é dialogar com todos os poderes da região e não tomar partidos. E isso é especialmente importante e delicado quando se trata do Líbano. A Arábia Saudita trava uma disputa pela influência no Oriente Médio com seu principal rival, o Irã – e ambos os países apoiam lados opostos no Líbano.

Renúncia inesperada

Hariri anunciou sua renúncia há duas semanas, a partir da Arábia Saudita, e citou preocupações sobre a intromissão do Irã e seu aliado libanês, o grupo militante xiita Hisbolá, em assuntos regionais. A renúncia foi vista como orquestrada pelos sauditas sunitas e aumentou os temores de que poderia arrastar o Líbano à batalha pela supremacia regional.

No fim de semana passado, Hariri negou as alegações de que estaria sendo impedido pelos sauditas de retornar ao Líbano, e disse ter escrito sua carta de renúncia com “a própria mão”, ao contrário do que alegou o Hisbolá, que atribuiu a responsabilidade a Riad. O próprio presidente Aoun chegou a duvidar que a decisão de Hariri tenha “refletido sua vontade”.

Em entrevista na televisão, Hariri, que também detém a cidadania saudita, ainda concordou que “teria sido melhor” ter renunciado a partir do Líbano, mas alegou correr perigo em seu país.

A renúncia de Hariri trouxe o temor de que o Líbano, país de frágeis equilíbrios entre as suas diversas comunidades, caia de novo na violência. A Arábia Saudita sunita e o Irã xiita, dois pesos-pesados na região, enfrentam-se em vários conflitos do Oriente Médio, especialmente na Síria e no Iêmen.

Fonte: DW

 

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Braço Forte Defesa

AMAZONLOG17 - Preparados para qualquer Ação Humanitária

 

Exercício de logística conjunta, multinacional, interagências e humanitária – vetor de suporte ao enfrentamento dos desafios amazônicos.

 

 

Ao ser convidado pelo Comandante Logístico para planejar e coordenar o Exercício AMAZONLOG17, percebi que o desafio seria grande, porém, motivante, e que me traria a oportunidade de trabalhar com antigos companheiros, com os quais compartilhei diversas lides da caserna, como as de instrutor de Logística na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), no Rio de Janeiro (RJ); instrutor convidado no Western Hemispheric Institute for Security and Cooperation (WHINSEC), nos EUA; Comandante da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, em Tefé (AM); e Chefe da Representação do Brasil na Junta Interamericana de Defesa (JID).

Uma vez apresentado à logística e ciente da importância deste sistema, constatei, mais à frente, o quanto os militares norte-americanos a valorizam e a reconhecem como fator determinante para a viabilidade e, mais que isso, para o sucesso ou o insucesso de uma operação. Já servindo na Amazônia, pude entender a observação de certo empresário em um simpósio, quando disse ser “mais fácil encontrar um elefante caminhando num shopping no Sudeste do Brasil do que um iogurte na prateleira de um supermercado em algumas cidades da Amazônia”. Na JID, percebi a grande lacuna que é, hoje, a integração entre as Forças Armadas dos países americanos, vasto campo a ser explorado.

A essa altura, o leitor pergunta-se: mas, afinal, o que é o AMAZONLOG17? Respondo em poucas linhas.

É um Exercício Combinado de Logística Humanitária na Região Amazônica, amparado em nossas leis internas e em acordos de cooperação com países amigos. Além disso, é direcionado para a consecução dos objetivos estratégicos do Exército Brasileiro e das demais Forças, bem como é focado na cooperação e na busca da interoperabilidade entre as Forças Armadas e as Agências brasileiras e de países amigos. Cabe destacar que foram convidados todos os países que integram a JID, como também o foram as nações amigas que têm adidos militares acreditados no Brasil.

O AMAZONLOG17 é baseado no “negócio” do Comando Logístico do Exército (COLOG) e tem como principal objetivo melhor cumprir seu papel, respeitando o dos demais atores. Ainda nesse contexto, registra-se a aproximação de nossas Forças coirmãs com as de outros países e com as agências, que participam direta ou indiretamente do Exercício. São mais de duas dezenas de países e outras tantas agências com presença confirmada.

Apenas Brasil, Colômbia e Peru, condôminos de uma fronteira comum, tem tropa no terreno. Todo o efetivo está concentrado em Tabatinga (AM), porém, atuando sempre no respectivo território. As ações são planejadas por um Estado-Maior Combinado Interagências e o Comando Combinado é figurado pela direção do Exercício.

Como novidade doutrinária, o apoio logístico ocorre a partir de uma Base Multinacional, composta por Unidades Logísticas Multinacionais Integradas (ULMIs). Estas são constituídas de meios e de pessoal do Brasil e de diversos países amigos. Alguns produtos de defesa são utilizados de forma prática nessas ULMIs, abrindo espaço para a divulgação de nossa indústria, atividade que conta com a presença de autoridades nacionais e estrangeiras.

Assim, a iniciativa do Comandante Logístico, aprovada pelo Comandante do Exército e pelo Ministro da Defesa, mostra-se, a meu ver, além de pertinente e atual, extremamente corajosa. Pertinente, porque, de fato, a logística é o maior desafio na Amazônia, não obstante o trabalho messiânico de nossos soldados. Atual, posto que o conceito de Base Logística Multinacional, composta por ULMIs, vem sendo adotado por países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), não só com o objetivo de integrar esforços, mas também e, sobretudo, como forma de otimizar a utilização de preciosos recursos. Corajosa, uma vez que ideias novas, via de regra, enfrentam a barreira da quebra de paradigmas.

Pela primeira vez, o COLOG organiza e conduz um exercício. Mas, trata-se de um Exercício Logístico, que vai ao encontro dos objetivos estratégicos do Exército, levando meios ao terreno; testando novos eixos de suprimento que possam conectar o Sul e o Sudeste à Amazônia; incentivando e abrindo espaço para a indústria de defesa nacional; e compartilhando experiências com países amigos, que enfrentam desafios comuns na tríplice fronteira Brasil – Peru – Colômbia.

Já realizamos duas conferências internacionais de planejamento em Brasília (DF); um evento-teste (Exercício de Mesa) em Manaus (AM); e o Simpósio de Logística Humanitária, com exposição de produtos de defesa, também em Manaus. De 6 a 13 de novembro de 2017, ocorre o Exercício propriamente dito, em Tabatinga, sendo o dia 11, sábado, destinado a visitas e demonstrações.

A fim de entender a dimensão do esforço, convém lembrar que o primeiro comboio partiu ainda em julho, do Sudeste em direção à Amazônia, para poder cobrir uma distância de cerca de 6.500 km, sendo os últimos 2.680 km, de Porto Velho (RO) a Tabatinga (AM), por rio. Ainda em relação a números, cito mais alguns, que refletem a participação multinacional e interagências, e que impressionam pela magnitude: cerca de 1.800 pessoas diretamente envolvidas; 22 agências do governo brasileiro; 13 helicópteros; 11 aeronaves de asa fixa e 29 empresas.

Nossa impulsão já permite visualizar que o AMAZONLOG17 é um jogo em que ganharão todos os participantes do Brasil e das Nações Amigas, a nossa doutrina de operações combinadas, as sofridas populações da área, as instituições e todas as esferas de governo, consoante a estratégia de fazer-se presente. Acreditando no axioma “Treinamento difícil, combate fácil” – estamos nos adestrando para cumprir nossa principal missão constitucional: a Defesa da Pátria e, em particular, de nossa brasileira Amazônia.

Selva!

 

Fonte EBlog

“Braço Forte”

… É o nome da mais nova coluna que surgiu de uma parceria do Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX) e o Plano Brasil. Criada com o objetivo de difundir as informações do Exército Brasileiro, a coluna divulgará os conteúdos produzidos pela Agência “Verde Oliva” bem como, trabalhos dos autores do Plano Brasil para os seus leitores, mantendo-os atualizados de maneira dinâmica, com informações segmentadas.

Esta iniciativa reforça o compromisso do Plano Brasil com os seus leitores e busca assim atender a sua missão primeira, difundir e dinamizar o conhecimento a cerca do setor de Defesa e Geopolítica de forma atualizada.

E.M.Pinto

Os conteúdos dos artigos publicados nesta coluna são de total responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a opinião do site.

 
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China Defesa Negócios e serviços Tecnologia Traduções-Plano Brasil

A chinesa Beihang revela novo UAV TYW-1 capaz de atacar

Richard D Fisher Jr – IHS Jane’s Defense Weekly

Tradução e adaptação: E.M.Pinto

15 de Novembro de 2017

A china Beihang tecnologia de sistema de aeronaves não tripuladas revelou em 13 de Novembro o seu mais novo veículo aéreo não tripulado de reconhecimento habilitado ao ataque TYW-1 e, o que pareceu ser uma nova versão do UAV BZK-005 multi-multi propósito de longa duração  (MALE). A apresentação foi feita na nova fábrica da empresa na cidade chinesa oriental de Taizhou.

O TYW-1, que tem uma envergadura de 18 m, possui o mesmo motor, twin-boom e estabilizador externo do BZK-005, o último dos quais se acredita estar em serviço no Exército de Libertação do Povo (PLA).

Contudo, o TYW-1 de 9,85 m de comprimento e 2,5 m de altura tem um peso máximo de descolagem de 1.500 kg em comparação com os 1.250 kg do BZK-005. De acordo com relatos da mídia chinesa, o TYW-1 pode carregar uma carga útil de 370 kg, possui quatro pontos duros inferiores, tem um teto de serviço de 7,5 km, uma autonomia de 40 horas e pode alcançar uma velocidade máxima de 200 km / h.

O UAV também está equipado com um sistema eletro-óptico que pode supostamente ler uma placa de carro a 50 km de uma altitude de 5.000 m. Ele também possui sistemas de navegação e controle de linha de visão e satélite.

A empresa também mostrou o que parecia ser uma nova versão do BZK-005 com um sistema montado sob o nariz do UAV que poderia ser medidas de suporte eletrônico (ESM), um radar ou um sistema de comunicação.

Revelado em um cartaz no  China Airshow 2004, acredita-se que o BZK-005 esteja em serviço com unidades da Força Aérea da Marinha do Exército de Libertação do Povo (PLANAF), bem como com um grupo especial subordinado ao Departamento de Pessoal Conjunto da Central Comissão Militar.

No início de Abril de 2016, o BZK-005 foi detectado na Ilha Woody no Mar da China Meridional e, em setembro de 2013, uma aeronave foi interceptada por um caça F-15J da força de auto Defesa do Japão,  voando perto das ilhas disputadas de Senkaku / Diaoyu.

Fonte: Jane’s

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Conflitos Conflitos e Historia Militar História Opinião

18 de novembro de 1919: A “lenda da punhalada pelas costas” fomenta o nazismo

Um olhar atento na história, ainda que de outros países, pode nos proteger quanto a certas possibilidades futuras.

Em 18 de novembro de 1919, o marechal Paul von Hindenburg usa a teoria da “punhalada pelas costas” para se eximir da responsabilidade pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial.

Paul von Hindenburg (à esquerda, ao lado de Adolf Hitler) semeou a lenda

A comissão parlamentar de inquérito investigava a questão das responsabilidades pela Primeira Guerra Mundial, que se encerrara um ano antes. Em seu depoimento em 18 de novembro de 1919, o marechal-de-campo Paul von Hindenburg defendia a teoria de que movimentos revolucionários da Alemanha teriam “apunhalado” o Exército pelas costas.

“Um general inglês disse, com razão: ‘O Exército alemão foi apunhalado pelas costas’.” Essa foi uma das frases usadas por Von Hindenburg ao tentar se eximir, diante do Parlamento, de qualquer responsabilidade pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra. Nascia ali a chamada “lenda da punhalada pelas costas” (em alemão, Dolchstosslegende), que anos mais tarde ajudaria os nazistas a tomar o poder.

O estopim do primeiro conflito mundial havia sido o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro, por um nacionalista sérvio, em 28 de junho de 1914. Um mês depois, a Áustria declarou guerra à Sérvia.

No início de agosto, a Alemanha declarou guerra à Rússia e à França. A invasão da Bélgica pelos alemães, que não tinham outra forma de atingir a França, foi pretexto para a entrada da Grã-Bretanha na guerra, que envolveria ainda muitos outros países.

O plano alemão de cercar rapidamente o Exército francês fracassou. Já em outubro de 1914, a guerra na Europa Ocidental passou a ser tática, com pesadas perdas para todos e praticamente sem alteração nas frentes de batalha até 1918.

O abastecimento piorou a tal ponto na Alemanha que 260 mil civis morreram de fome em 1917. O anúncio alemão de contrabloqueio por submarinos provocou a entrada dos Estados Unidos no conflito.

Em março de 1918, a Alemanha ainda forçou a Rússia a assinar um acordo de paz no Leste Europeu; em agosto, praticamente capitulou diante dos aliados na frente ocidental. Segundo anotações de um comandante da região de Flandres, milhares de soldados alemães e divisões inteiras de tanques estavam virando cinza.

Fome tirou entusiasmo pela guerra

Para antecipar-se a uma vitória das tropas aliadas no ocidente, o comandante geral Erich Ludendorff pediu um cessar-fogo imediato. Na Alemanha, as mortes de civis famintos no inverno de 1917 quebrara o entusiasmo inicial pela guerra. Naquele ano, operários da indústria de armamentos entraram em greve em protesto contra a fome.

Em julho, os partidos democráticos formaram uma comissão interpartidária e exigiram do governo imperial – sem sucesso – uma “paz de entendimento, sem anexação forçada de territórios”.

No início de novembro de 1918, em meio às negociações do cessar-fogo, marinheiros em Kiel impediram a partida da frota da Marinha para um combate e, com essa insubmissão, desencadearam uma reação em cadeia na Alemanha.

Na disputa pelo poder, as forças democráticas, comunistas e nacionalistas derrubaram a monarquia. Os democratas saíram vitoriosos e foram legitimados, mais tarde, pela Assembleia Nacional Constituinte. O antigo regime entregou à comissão interpartidária o governo e o pesado fardo de aceitar um acordo de paz desvantajoso, do ponto de vista da Alemanha.

Todos esses acontecimentos internos, que causaram a derrocada do antigo regime e o nascimento da democracia, serviram ao Comando Superior das Forças Armadas para desviar a atenção da própria culpa pela guerra.

O argumento de Von Hindenburg, de que as forças revolucionárias teriam desmoralizado e apunhalado o Exército pelas costas, foi propagado por militares e políticos monarquistas, através de jornais conservadores e de extrema direita, e ganhou um teor explosivo subestimado pelos democratas.

A população, inicialmente castigada pelas reparações de guerra pagas pela Alemanha, sofreu as consequências do desemprego e da inflação, sem ter um esclarecimento amplo dos verdadeiros motivos da guerra. Os nazistas aproveitaram essas circunstâncias para difamar a democracia e chegar ao poder com promessas de salvação.

Henrike Scheidsbach (gh)

Fonte: DW