Defesa & Geopolítica

Conferência de Segurança em Munique marca início de nova Guerra Fria

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Munique: Conferência de Segurança – 2015

Não importa o que será acordado: o novo confronto Leste-Oeste não será resolvido. As linhas divisórias que a Rússia traçou em Munique são forte demais para que se chegue a uma distensão

A Conferência de Segurança em Munique poderia ter se tornado sinônimo de uma guinada histórica. Para o articulista da DW Christian Trippe, no entanto, o encontro significou, mais uma vez, uma tragédia política.

Articulista da DW Christian Trippe

A Rússia persegue uma estratégia de longo prazo? Ou o presidente russo age antes de forma situacional e espontânea, para chegar mais perto de seu objetivo de ressuscitar a Rússia como uma superpotência?

Especialistas e analistas de política externa se fazem essa pergunta já há um ano, desde que Vladimir Putin passou a sacudir os fundamentos da ordem europeia com a anexação da Crimeia e uma estratégica bélica híbrida na região de Donbas.

O ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, é um convidado bem-vindo na Conferência de Segurança de Munique, que se encerrou neste domingo (08/02). No círculo íntimo do Kremlin, ele é o único que cultiva contatos no Ocidente – tornando assim mais suportáveis algumas tensões políticas dos últimos anos.

Mas, desta vez, seu desempenho na Conferência sobre Segurança de Munique foi motivo de decepção, incompreensão e risos. Por vezes, Lavrov soou como se estivesse recitando algo decorado. Ele se apropriou de alguns elementos de uma propaganda cínica, que leva a conclusões falsas e perigosas: o Ocidente é culpado de tudo, pois humilhou sistematicamente a Rússia após o colapso da União Soviética.

A consequência lógica dessa abordagem: tudo o que a Rússia faz agora serve para compensar esta humilhação vivida ao longo de duas décadas – e, portanto, é algo legítimo. Reveladora também é a máxima exasperada de Lavrov de que, após a queda do Muro de Berlim, o Ocidente teria se comportado como vencedor da Guerra Fria. Sim, e daí? Na política, o autoengano já levou muitas vezes a arrogância e aventura.

Já em 2007, o chefe de Lavrov usou a Conferência sobre Segurança de Munique como palco de um ardente discurso. Há oito anos, Vladimir Putin agrediu os EUA e a Otan – o que para muitos pareceu algo gratuito na ocasião. Fica claro, em retrospecto, que a rejeição de Putin a um “mundo unipolar” foi mais do que um desafio retórico ao Ocidente: Putin antecipou programaticamente o que nos anos seguinte viria a marcar a política externa russa – na Geórgia, na Moldávia, na Crimeia, no leste da Ucrânia. O comparecimento perturbador de Lavrov neste ano em Munique enfatiza ainda mais essa postura.

No futuro, quando os historiadores questionarem quando e sob quais circunstâncias a nova Guerra Fria teve início, eles poderão se referir confiantemente à capital da Baviera. Munique é sinônimo de um novo confronto Leste-Oeste que aparece, no entanto, somente como um fantasma deformado.

Desta vez, ninguém no Ocidente quer esse conflito, despido de qualquer contorno ou competição ideológica. A Rússia não tem nenhum outro modelo ou ordem social a oferecer. A tentativa de contrapor um mundo ortodoxo-russo aos valores ocidentais parece, na melhor das hipóteses, algo muito forçado, sem nenhum brilho.

A liderança política da Rússia está agindo contra os interesses do próprio país, rejeitando argumentos e propostas racionais, resgatando uma política de puro poder e violência. Aqui entra em campo um sinônimo pelo qual a capital da Baviera ficou conhecida: a Munique de 1938.

Na ocasião, as potências ocidentais acreditavam poder acalmar Hitler ao lhe prometer a região dos Sudetos, sem ao menos consultar a então Tchecoslováquia. Na Ucrânia, esta “Munique” corresponde a um cenário de horror que se instala quando um país se torna brinquedo de potências maiores.

De qualquer forma, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, estará em Minsk na próxima quarta-feira para participar de um encontro de cúpula de quatro chefes de Estado e governo com vista a negociar um cessar-fogo para o leste da Ucrânia. Não importa o que será acordado na ocasião: o novo confronto Leste-Oeste não será resolvido. As linhas divisórias que a Rússia traçou em Munique são forte demais para que se chegue a uma distensão.

Fonte: DW.DE

10 Comments

  1. helveciofilho says:

    Existe um fissura bem clara entre as pretensões franco-teuto com a UE capitaneada pelos Washington e Bruxelas, assim como a OTAN .
    .
    Os países do báltico em especial Polônia , estão seguindo a risca em apoiar a qualquer custo as necessidades dos EUA, o de dar apoio condicional ao rabo do cachorro ( kiev ) . 😀
    .

  2. Julio Brasileiro says:

    Quando leio opiniões de agentes da midia ocidental, não sei por que me vem a sensação de já ter lido isso antes, em outras midias ocidentais, e sempre a defesa de um mundo idealizado e formulado por um consenso que parecem ter raizes profundas vindas de Washington. É, para mim, cansativa, essa ladainha repetitiva de que os monstros acordam quando rejeitam a unilateralidade mundial que produz beneficios em escala proporcional apenas aos senhores do pensamento unico. Os que o rejeitam, exigindo uma participação nesse bolo de conveniencias são imediatamente rechaçados, como uma especie bullying de que são invejosos por não aceitarem candidamente a parte que lhes foi destinada por este consenso, deles.
    Nenhuma novidade o reinicio da Guerra, como já havia dito antes ela nunca havia se encerrado, e nem poderia, quando determinados países se arvoram no direito de ajustar cotas de satisfação com base numa mudança geoploitica surgida por forças de circunstancias muito especiais. Se não fosse com a Russia, que detem a marca de inimigo preferencial, por todas as qualidades que possuem, otimo para desafios de impor submissão, seria outro a impor esse receio no ocidente. Poderia ser a China o algoz de referencia, poderia ser o Brasil, se este ostentasse ambições que necessitassem de apoio militar para consolidar, até a Venezuela que faz um esforço de militarizar-se para evitar serem atropelados se virem a possuir uma B. A. No fundo, os imperialistas sempre terão em algum momento uma guerra fria, por que em algum momento da história surgirão países de homens dignos que sempre procurarão se fazer influentes para elevar seus povos a um nivel de importancia tal que possam pesar e ter influencia sobre os destinos da humanidade.

  3. PÉ DE CÃO says:

    é realmente um texto ridículo feito por algum jornalista alemão que tenta comparar o Putin com Hitler

    Alemanha continua sendo um poodle europeu ,com seus políticos fantoches moleques de recado dos anglo sionistas

  4. Alvez8O says:

    Por este texto panfletário contra Putin, parece que não gostaram do tamanho do supositório que Lavrov enfiou lá em Munique…Ele falou muita coisa “na lata” se chocando com a versão propagandeada na mídia ocidental corporativa…

    Na parte de perguntas e respostas, olha o (baixo) nível das perguntas e a cacetada de resposta…:

    ———————————–
    (Google tradução, sem correção)

    Pergunta: Eu entendo todos os problemas acima mencionados, em relação aos Estados Unidos e de defesa de mísseis. Além do fato de que, segundo o INF, a Rússia equivale drones para mísseis de cruzeiro, eu gostaria de salientar que os EUA o presidente Obama tinha reduzido significativamente de defesa antimísseis europeu. Se houver problemas em relação aos Estados Unidos, por que a Ucrânia pagar por isso? Referindo-se à anexação da Criméia e tenta dividir a Ucrânia. O que os pobres ucranianos fazer que você puni-los pelos pecados dos americanos?

    Lavrov: Eu entendo que você tem, é claro, uma percepção torcida. Não confunda maçãs e laranjas. Agora eles dizem “vamos resolver a crise ucraniana, e todo o sistema de segurança e estabilidade vai começar a trabalhar por conta própria.” Pelo contrário. A crise precisa ser resolvido, é a primeira prioridade, mas não podemos ignorar o fato de que todos os acordos concluídos até o final da “guerra fria” não são seguidas.

    Nós não temos nenhum desejo de vingança, especialmente à custa de outra pessoa. Queremos ter relações normais com os Estados Unidos. Não fomos nós, que destruiu os mecanismos implantados que foram estabelecidas nos últimos anos e que proporcionou o contato diário e de compensação mútua das preocupações.

    Não fomos nós quem puxou para fora do Tratado de Defesa de Mísseis. Não fomos nós que se recusaram a ratificar o Tratado CFE adaptado. Agora precisamos coletar pouco a pouco o que ainda não deixaram e de alguma forma com base na reconfirmação dos princípios de Helsínquia para negociar um novo sistema de segurança, o que seria confortável para todos, incluindo a Ucrânia, Geórgia, Moldávia – todos, a quem nossos colegas americanos tinha colocado antes de uma escolha: para avançar para o Ocidente e para reduzir a cooperação com a Rússia. É um fato.

    Estou ciente de que os embaixadores americanos em todo o mundo receber tais instruções. Vejo aqui A. Vershbow, que recentemente deu uma entrevista, chamando NATO “o bloco mais pacífico do mundo” e “a esperança da estabilidade e da segurança europeia.” E quem bombardeou a Jugoslávia, Líbia, em violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU? As conquistas trazidas por ações unilaterais que estamos vendo agora no Oriente Médio.

    Queremos NATO para não ser apenas uma organização exemplar, que é apresentado como, mas um participante em igual diálogo para a estabilidade. O que há de errado nisso? Todo mundo quer que a gente reconhecer um papel subordinado de todos os outros em relação aos Estados Unidos e da NATO. Eu não acho que é no interesse da paz e da estabilidade mundial.

    No que diz respeito aos acontecimentos na Ucrânia, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse recentemente abertamente que os Estados Unidos foi o corretor no processo de transição (de trânsito) de poder na Ucrânia. Formulação Modest, mas sabemos muito bem como isso aconteceu, que abertamente discutido no telefone a composição das personalidades que devem ser representados no novo governo da Ucrânia, e muito mais.

    Nós sabemos o que vai acontecer agora, que eventos Maidan rotineiramente monitorados. Não houve nossos especialistas militares e peritos.
    Queremos muito para o povo ucraniano para recuperar sua unidade, mas isso deve ser feito com base no diálogo nacional real.

    Quando o governo central decidiu comemorar como feriados nacionais os aniversários de Stephan Bandera e Roman Shukhevych, data da formação do “rebelde ucraniano Army”, surge a pergunta – como pode esses feriados ser comemorado no leste da Ucrânia? Não há nenhuma maneira.

    E o Ocidente não quer comemorar 09 de maio [A vitória sobre Hitler na Grande Guerra Patriótica -Tr.]. Sem mencionar outras características específicas da sociedade ucraniana, apenas isso requer alguns arranjos políticos.

    Eles são, provavelmente, com vergonha de dizer para dizer isso aqui, mas agora a Ucrânia está passando por mobilização, que está sendo executado em sérias dificuldades. Representantes do húngaro, minorias romenas sentir discriminação “positiva”, porque eles são chamados em proporções muito maiores do que os ucranianos.

    Por que não falar sobre isso? Ou que na Ucrânia não residem apenas ucranianos e russos, mas há outras nacionalidades que por sorte acabou neste país e querem viver nele. Por que não dar-lhes a igualdade de direitos e ter em conta os seus interesses?

    Durante as eleições para o Verkhovnaya Rada da minoria húngara pediu para organizar círculos eleitorais de tal forma que pelo menos um húngaro étnico iria fazê-lo à Rada. Os eleitores foram “fatiada”, de modo que nenhum dos húngaros fez.

    Tudo isso sugere que há algo a discutir. Há problemas reais que não permitem que o Estado ucraniano para sair desta crise grave, mas eles são ignorados no Ocidente.

    Eu tenho conversado com muitos, incluindo os que estão sentados aqui, quando se introduziu uma lei sobre a lustração. One-on-one I foi dito que esta é uma lei terrível, que precisa urgentemente de ser cancelada. Eu perguntei por que isso não é falado publicamente, e ouvi dizer que há um entendimento de que é necessário para apoiar o governo ucraniano, e não criticá-lo. O que mais há a dizer?

    Espero que os esforços de ontem feito pelos presidentes da França, da Rússia e da chanceler da Alemanha, irá produzir um resultado que será suportado pelas partes do conflito e vai realmente acalmar a situação, a partir do diálogo nacional muito necessária sobre as formas para resolver todos os problemas – sociais, econômicos e políticos.

    • HMS_TIRELESS says:

      Como diria o saudoso Reagan meu caro estafeta ” Lá vai você de novo”. Como de costume você tenta uma releitura peculiar dos fatos, romanceada e divorciada da realidade, para depois colocar a culpa nos outros, em especial na “mídia”.

      • Warpath says:

        “Lá vai você de novo”… Como de costume você tenta uma releitura peculiar dos fatos, romanceada e divorciada da realidade, para depois dar razão às atitudes grosseiras e mesquinhas do seu tão adorado ‘modo ocidental’.

      • HMS_TIRELESS says:

        Tomando as dores do Estafeta meu caro orientalóide?

      • Alvez8O says:

        Que comentário mais sem nexo…Se você não tem nada a dizer, o melhor é não abrir a boca…

      • Rafa_positron says:

        É claro que o Da Lua não tem nada a dizer

        Vc esperava algo mais profundo dele??

  5. Rafa_positron says:

    Gente… Da Lua ta chorando desse jeito pq ele quer Q alguém enfie um PIRUlito na boca dele….

    Roubaram o consolo do menino

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